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quinta-feira, 23 de maio de 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

RIP Barbosa, RIP RE, RIP MMP


Faleceu o Barbosa e com isso qualquer hipótese de voltar a ver os Repórter Estrábico ou ouvir discos novos. Significa também que se já nem ouvia bandas Pop/Rock portuguesa - ficava-me por ler as tiras do Gato Mariano mas nem ia ouvir a merda que se produz - agora nada irá mover-me para ouvir o quer que for desse espectro. Foram os melhores!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Quem não tem cão, caça como gato



«Ó Farrajota, qual é a tua banda favorita?»... Fácil, fácil de responder: Butthole Surfers! Ficaria bem sem ouvir mais nada do espectro Rock com a discografia completa desta cambada de lunáticos. E claro, nunca terei a satisfação de os ver ao vivo porque toda a música em Portugal é controlada por companhias de telemóveis. E sim, quem me dera ter estado AQUI apanhar com balas da caçadeira do Gibby! Há dez anos que acabaram, tal como aconteceu com o Rock e o Pop (para o fim eles estavam mais electrónicos e Hiphop). Sim, cago de alto para tudo antes e depois deles, incluindo Beatles e Nirvana.

Resta descobrir aos poucos os projectos paralelos dos seus elementos. E mesmo que se não soubesse que The History of Dogs (Rough Trade; 1991) fosse do guitarrista Paul Leary como não resistir a uma capa com uma cachorrinha loura? Leary toca tudo, canta tudo, etc... apoia-se no passado da banda como projecta caminhos que iriam trilhar mais tarde. De Punk Rock ao Cabaret, à Pop nocturna à à balada soalheira. Não é tão extravagante como possa parecer porque a comparação com os Butthole, meterá sempre alguns pontos mais abaixo. E eu que nem curto cães... lá me vou levando com o disco que tem apenas 33 minutos.

Em 1995 houve os P - sim só isso: "P" - com um álbum homónimo, pela Capitol. A banda é o encontro improvável de Gibby Haynes (vocalista dos Butt), Bill Carter (um gajo do Country), Johnny Depp e Sal Jenco - ambos actores e "teen idols" na série televisiva 21 Jump Street. Um álbum ecléctico que vai do Cow Punk ao Dub mas não deixa de ser "normie" comparando com os Butt, é mais limpo e bem tocado, pode-se assim dizer. Apesar de ser uma espécie de sucedâneo, não deixa de ter momentos bem altos como as versões de Daniel Johnson e ABBA (I save cigarette butts e Dancing Queen, respectivamente), o "hit" Michael Stipe (será baseado no passatempo dos Butthole perseguiam os elementos dos R.E.M. nos anos 80?), Jon Glenn (Megamix) que são 9 minutos do melhor Dub alguma vez feito, e o último tema que parece um auto-epitáfio, The Deal. O grafismo do disco é do Gibby e é apenas lindo!

Belos CDs adquiridos na Glam-O-Rama. Quero mais!!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

I've seen the future and it will be



Em 2004, estive para fazer com o João Maio Pinto um cartaz (ele desenhava, eu daria ideias) para algo mais ou menos como os Captured! By Robots, eis um esboço de um projecto que ficou pela gaveta.


segunda-feira, 30 de julho de 2018

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Balbúrdia TV 03: Erzsébet e Chili Com Carne


Marcos Ferrajota? Nem no Brasil acertam...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

FDS apokalips

Milhões de Festa? Coisa de meninos cocados de Lisboa e Porto... Barroselas? Que enfado... Querem um festival brutal? Ele chama-se Filmes do Homem : Festival Internacional de Documentários de Melgaço... Foi neste passado fim-de-semana terrível!

...Sábado de manhã era só lágrimas nos olhos a ver #myescape de Elke Sasse, filme sobre refugiados da Síria, Afeganistão e Eritreia. Se todos nós sabemos como estas pessoas têm sobrevivido para chegar a esta Europa egoísta, xenófoba e em crise de identidade, é muito mais duro ver as imagens gravadas pelos próprios durante a sua trágica aventura - que podia ter corrido mal como se sabe, sobretudo para os eritreus que são cristãos e como tal sujeitos a assassinato religioso durante a travessia pela Líbia, onde também existe tráfico de orgãos, ou seja, uma pessoa pode ser operado no deserto para lhe tirarem algo, assim mesmo como escrevo! Se há muita literatura ou até alguma BD (há pelo menos uma sobre os campos de refugiados por Joe Sacco) ver estas "imagens em movimento" gravadas com telemóveis dos próprios é deveras impressionante. Elas rasgam qualquer protecção intelectual e frieza mental que se possa ter. Há milhares de coisas que vemos e que se pensa durante a exibição deste filme, acho que nem consigo escrever um décimo nem organizar um discurso coerente.

Desde o humor que os sobreviventes inventam para serem (justamente e só isso mesmo) sobreviventes deste Novo Holocausto ao gesto narcisista da "selfie", que se torna num gesto universal de identificação entre vítimas e os espectadores e que serve também de um retrato cronológico das várias etapas dos refugiados. O telemóvel é uma arma de sobrevivência tal como as redes sociais ajudam famílias e amigos a reencontrarem-se mais tarde - ao contrário de outras catástrofes do passado, em que milhares de laços ficaram separados para sempre. Até a música arrepia, aparece como catarse dos refugiados: um grupo de eritreus perdidos no Mediterrâneo começam a cantar uma lenga-lenga e a bater palmas (a lembrar música etíope) quando aparece um barco que os irá salvar; uma "nova música popular" é criada por árabes nos comboios e autocarros a caminho da Alemanha - "Alemania, Alemania senão nos querem lá saltamos para Spania". E vemos como o fantástico Capitalismo é capaz de criar balcões "à la Western Union" nos antros dos traficantes ou como produz lixo (plásticos omnipresentes) espalhado por todo o caminho deste êxodo catastrófico. Soa a futilidade pensar em Ecologia no meio desta desgraça humana mas o retrato capitalista não estaria completo sem a poluição estar presente ao lado dos cadáveres - não os vemos neste filme mas sabemos que eles andam por ali - e dos mutantes. O caleidoscópio de informação e das sensações é tal que um gajo agarrasse a detalhes que se calhar parecem parvos, talvez para descomprimir disto tudo, afinal, num Sábado de manhã não deveríamos estar antes a ver os Desenhos animados!? Graças ao filha-da-puta do Bush Jr. já não podemos fazer isso! Temos de o agradecer por ter tirado o século XXI da sua "infância"!

Almoço à minhota (ou seja farta e ruidosa), depois uma visita ao Museu de Cinema de Melgaço Jean Loup Passek, um verdadeiro tesouro escondido dos portugueses! Este francês ofereceu o seu espólio a Melgaço e é maravilhosa a colecção que se encontra por lá. A exposição permanente é sobre o pré-cinema com as suas lanternas mágicas, zootropos e praxinoscópios - tudo isto pode ser visto também como proto-BDs não tivesse a dupla Ruppert e Mulot recuperado a tecnologia dos fenaquistiscópios nas suas BDs.

Hop! Sessão da tarde com três filmes! O primeiro era uma ode à Mãe, Histoire Maternelles da Anouk Dominguez-Dezen, filme bonito usando o arquivo áudio-visual da família desta realizadora suiça-brasileira. Se é como alguém diz que todos os alemães são nazis até prova contrária, The Guardians de Benjamin Rost prova bem isso ao mostrar uma escola de seguranças, onde vemos um bas fond alemão a aprender a ser segurança profissional. Terror! As ligações à extrema direita não são aprofundadas mas com dois pingos de testa (coisa que falta nos seus protagonistas) percebe-se o que aquela gente é ou gostaria de ser. E se as "louras-burras" (com rottweilers) chumbam aos exames da escola, ainda tem 20 tentativas para conseguirem o seu diploma de Segurança. Vinte são as vezes que a activista palestiniana Sheerin of Al-Walaja foi presa pelos "nazisraelitas". Vemos uma das vezes no filme de Daz Chandler tal como a vemos a usar a palavra e a não-agressão contra uzis e soldados, é uma inspiração telúrica para Humanidade.

Claro que um gajo sai arrasado de mais uma sessão... Nem quer ver um galego deprimente (é o que os galegos e portugueses têm em comum além da península ibérica e língua) a emigrar prá deprimente Suécia. Que se lixe o cliché "fui para longe para me encontrar no ponto de partida", por favor...

Noite... O Inferno começa a libertar as chamas na Terra. My Enemy My brother de Ann Shin é daquelas histórias de meter o Paul Auster num canto. Um iraniano e um iraquiano que estiverem frente a frente no Conflito Irão-Iraque (entre 1980 e 1988), encontram-se 25 anos mais tarde no Canadá. Ambos ajudaram-se, uma vez um deles não matou o outro no meio de Khorramshahr, mais tarde o que não levou uma bala salva o "atacante" de se suicidar. Não há ditadores que aniquilem totalmente o espírito humano, já as máquinas... Behemoth de Zhao Liang ganhou o prémio de melhor filme deste festival e é merecido. O filme cita a Divina Comédia mas ele próprio já é um Inferno. Mostra imagens de minas monstruosas e os seus trabalhadores, a saúde e morte dos mineiros, o desastre ecológico, a destruição de habitats naturais de populações e o desperdício final - depois de tanto desumano esforço, o resultado é a criação de aço para a construção de centenas de cidades-fantasmas que existem na China. Cidades horríveis de prédios enormes todos abandonados mas com funcionários da limpeza nas ruas. O absurdo chega ao limite especialmente porque as imagens gravadas parecem que estamos algures num planeta de insectos. Um gajo sai da sessão e quer é ir dormir. Já reza para que lhe dêem descanso no Domingo...

MNRG people em Melgaço...

Não termos nem Paraíso nem Inferno é ficarmos intoleravelmente despojados e sós num mundo sem espessura. Dos dois reinos perdidos, verificou-se que era o Inferno o mais fácil de recriar. - George Steiner in No Castelo do Barba Azul (Relógio D'Água; 1992 - orig. 1971)

Domingo foi mais "soft" e esquecemos por uns tempos esse Inferno. De manhã no belo parque de Lamas de Mouro viu-se Os olhos de André de António Borges Correia, um "doc-drama" usando actores não-profissionais e que interpretam os acontecimentos que lhes aconteceu, com um pózinho de ficção aqui e acolá. Um drama abala uma família de Arcos de Valdevez mas a persistência do pai consegue vencer as dificuldades da vida. É outro humano inspirador, o senhor António Morais, em que pelo menos contamos com um "final feliz" e um encontro seu com o público - incluindo os seus sete filhos! Foi um evento meio-anarca...

Depois do almoço, decidimos (eu e a minha mulher) de regressar a Lisboa, pensava eu que seria uma viagem quente mas calma para lutar com as mais de cinco horas de viagem de carro entre Melgaço e a capital... O que aconteceu foi revoltante em sintonia com o Inferno que transformá-mos a Terra, foi presenciar incêndios pelo Minho inteiro e depois, perto de Antuã, ficar parado na auto-estrada durante três horas! Sim demoramos mais de oito horas, três delas no meio de centenas de carros e camionetas sem sabermos o que fazer. Rádio? Nada serve, só para manter as pessoas alienadas com futebol e música de merda, notícias sobre o que se passava? Tanto como quando foram os atentados em Paris - nessa noite íamos para o Porto e as notícias que saíam sobre Paris eram às mijinhas. Programas evangélicos em compensação havia a pontapé!

Por fim, quando acontece algo assim, pergunta-se porque raios existem auto-estradas nesta lógica que esta tem de ser pagas e como tal com acessos muito reduzidos. Se o incêndio tivesse pegado nos carros teríamos um Matanças maior que o Andanças... Mas como ainda somos humanos, até houve um casal que ofereceu água sem fazer um tostão. Onde estava a bófia ou o Estado para tal? Para que servem os 21 euros e tal de portagem? E as estações de serviço com os preços acima da média? Que pulhas! Era bom que as chamas fossem até às vossas casas destruir tudo... É o mínimo que vos desejo!

Agradecimento Ao Norte pelo convite por esta estadia no Inferno. Felizmente que o festival não foi na Madeira...

quinta-feira, 16 de junho de 2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sobre o Negative Born Killers


O Filme da Minha Vida é o título genérico de uma colecção de banda desenhada que a Associação Ao Norte lançou, em maio de 2008, nos VIII Encontros de Viana – Cinema e Vídeo. Esta colecção é o resultado de um desafio lançado aos autores nacionais de banda desenhada, e consiste em criar uma obra a partir de um filme que tenha deixado memória. A Associação Ao Norte tem registado um depoimento de cada um dos artistas que participam neste projecto.
Vídeo sobre este livro... AQUI.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

CIA info 83.9


Meti-me numa alhada e só 3 anos depois é que consegui resolvê-la... mas está feito! O novo livrinho é lançado no 13 de Maio de 2016 (bem sei, é a data das porcas beatas...) nos Encontros de Cinema de Viana do CasteloEra para se intitular É "a banda sonora da minha vida"! Ha ha ha ha (a sério!) mas não vai dar e mudou para Negative Born KillersÉ para a colecção O Filme da Minha Vida da Associação Ao Norte que lança o repto a autores portugueses de BD para criarem um mini-álbum inspirado num filme que tenha deixado marcas nas suas vidas. 

12 Maio / 14h30 - Auditório Carolino Ramos / Escola Secundária de Monserrate: exibição do filme Assassinos Natos de Oliver Stone (EUA, 1994, 119m)
13 Maio / 15h - Sede da Associação Ao Norte: inauguração da exposição Negative Born Killers, de Marcos Farrajota + lançamento do livro + encontro com o autor. 
A exposição estará patente até dia 8 de Julho.
14 Maio / 00h30 - Republica Caffe Bar (Praça da Erva): festa com o unDJ MMMNNNRRRG a tentar invocar a narrativa sonora criada por Trent Reznor para o Natural Born Killer mas sem as mesmas músicas. Porquê? Porque não tem os mesmos discos nem os diálogos do filme... Nesta divertida sessão haverá música de Nusrat Fateh Ali Khan, Diamanda Galas e Lard, será suficiente?

entretanto fica aqui o texto de apresentação de Pedro Moura para o livro: Music to kill by.

Em que medida é que é possível re-ouver um filme? Se o idiomatismo peculiar de José Duarte pode ser recuperado em novas ocasiões, a velha cassete que Marcos Farrajota tem no carro é o mecanismo que permite, apenas através da banda sonora do filme Natural Born Killers (real. Oliver Stone, 1994), revisitar o filme, sem ter de passar sequer pela trilha visual real. A banda sonora, como é explicada no livro, é feita das mais díspares canções, montadas numa frenética colagem pelo músico e produtor Trent Reznor, com troços dos diálogos e sons do próprio filme, criando assim uma textura caótica que permite essa revisitação, ou reminiscência, se bem que não seja cumprida da forma mais normalizada. Não há aqui nenhuma adaptação.

O road movie transforma-se assim numa oportunidade para o autor, no interior da sua própria e menor road trip, tecer comentários sobre a música que compõe a banda sonora do filme. Repórter em banda desenhada, e com uma atenção particular para com um mundo da música que as mais das vezes anda arreigado dos meios de comunicação social, quase exclusivamente focados num tom jubilatório da cultura de massas mais empedernida e/ou suportada por grandes interesses mediático-capitalistas, Marcos Farrajota acaba por criar pequenos mapas alternativos da cultura no nosso burgo. Esta é então uma oportunidade para criar um discurso totalmente livre de forma ou de organização programática para nos devolver os próprios processos do pensamento, da memória e do trabalho a que se entrega.

O autor, de facto, também partilha connosco de forma explícita os obstáculos que atravessa no burilar da sua história quer a nível dos instrumentos expressivos quer nos da memória. As confissões (do erro sobre o rosto de um actor, da utilização de um CD novo), o semi-arrependimento a meio do percurso, enfim, a “alhada” em que se mete, não é mais do que o grande sinal de que estamos num território que não pretende de forma alguma assumir-se como definitivo. Há em todo esse percurso que abraça a deselegância de forma directa um posicionamento claro na estética pós-punk, em que é a expressão a rainha. Formalmente, a presença dos traços materiais do papel usado para desenhar, as colagens de material das cassetes, fotos, e a própria composição – entre o regrada e bem-comportada e a concatenação ou empilhamento de materiais -, são apenas confirmações disso.

Com a distância que as décadas permitem, podemos olhar para Natural Born Killers em enquadramentos mais alargados. Se numa primeira instância conseguimos perceber onde estão as assinaturas de Oliver Stone, olhando para o filme como uma reflexão sobre a América e certas das suas obsessões menos saudáveis, ou os estranhos paradoxos da civilização ocidental, também é possível compreender quais são os sinais que se mantiveram de Quentin Tarantino (que escrevera a primeira versão do argumento): uma certa glorificação da violência e a manipulação das emoções em torno delas, através de diálogos banais nos momentos mais dramáticos, numa sólida história de amor invencível no meio das maiores tempestades morais em torno. Até certo ponto, o filme tem aspectos algo datados, como a estrutura pluri-material dos média visitados, e que a banda sonora escolhida como objecto de análise de Farrajota tão bem espelha. É provável que este último verbo talvez não seja apropriado já que tudo se estilhaça…

Mas esse frenesim é expectável, em que géneros e estilos aparentemente contraditórios, não-reconciliáveis, se encontram no mesmo palco (no mesmo guarda-luvas)… De novo, o signo da colagem está aí presente. E esta não deseja de forma alguma providenciar com uma lisura que explicasse tudo ou resumisse e subsumisse as coisas a uma “razão de ser”. Bem pelo contrário, quer mesmo que as contradições sejam visíveis, e a falta de suavidade sentida ao longo da leitura. Mortífero ou em final feliz, Farrajota terá chegado ao seu destino.


FEEDBACK:

li o livro. o texto do Pedro Moura é uma merda. funciona(ria) bem como review/post, mas não presta para prefácio (ou lá o que é) do livro. a incluir um texto, deveria ser algo a rasgar a sério e não algo previsível e auto-explicativo, com pérolas do género: posicionamento claro na estética pós-punk, em que é a expressão a rainha; idiomatismo peculiar de José Duarte recuperado...!!! Foda-se, quem se lembra de escrever isto para uma cena do Farrajota??! O que tinha valido a pena, era ter aproveitado as páginas iniciais (e já agora, também a página da sinopse curricular) - e ter dado mais amplitude ao livro/ filme. Ficávamos todos a ganhar. A.Silva (via e-mail)
Já me fartei de rir a ler o teu livro. Desde cenas em que eu podia visualizar com perfeição que se passava no filme, a momentos de "a merda desta música, não me lembro do que se passa aqui" muito fixe ;) A.Rechena (via e-mail)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Azeite do Médio-Oriente



Dois CDs de música dos desertos... balelas! São mais urbanos do que sei-lá-o quê...

O primeiro é um CD-R que comprei na Feira Medieval em Lamego (não me perguntem o que estava lá a fazer, ok?) e que o bacano da tenda queria 7 euros por ele quando se topava que a caixa era aquela de CD-single, a capa era uma impressão manhosa, impossível de saber o nome dos artistas e claro que via-se que era um CD-R com uma estampa manhosa para parecer oficial. O que percebi mais tarde é que mazika.com é um portal livre de música árabe - seja lá o que isso quer dizer... Saiu a sorte grande apesar de tudo! Ah, e a negociação ficou pelos quatro euros que justificam as 18 faixas de Pop de arabescos, algumas com House tão falsificado como a rodela auditiva,... uma festa mesmo!!! Provavelmente deve ser tudo do Líbano mas não tenho a certeza. Mais certo é que isto deve ser o Pimba árabe mas soa bem e não sei o que eles cantam. Mas só assim é que se consegue curtir Pop, não? Nos anos 80 não percebia o inglês que os artistas Pop cantavam e era bem mais feliz do que mais tarde quando entendi as pobrezas líricas que cantarolavam. Mais estranho é ver os vídeos no youtube, tal como os clips Bollywood nos restaurantes indianos, em que pouco a pouco o corpo feminino também é explorado como no Ocidente, os gajos parecem uns broncos como qualquer norte-americano, as bundas saltitam, etc...O mundo inteiro transforma-se numa MTV gigante!

O segundo CD é um digipack (uau!) de música turca fazendo versões de monstros do Pop/Rock Ocidental: Sting, R.E.M., Madonna, Michael Jackson, Black Eyed Peas e ainda clássicos como It's Raining Men e Can't Take My Eyes Off You... Ouvir na rua o Smoke in the Water (dos Deep Purple claro) nesta versão é qualquer coisa! Foi o que me aconteceu em Badajoz em Setembro, na Noite Branca / Noite dos Fanzines. Fui a correr ao DJ de serviço perguntar o que era, resposta: Dolapdere Big Gang... Comprando o disco no discogs esperava uma bomba mas infelizmente a banda não tem génio a fazer as versões pois respeita ad nauseam as vocalizações dos temas originais, com a desvantagem que elas não tem a graça de Stipe ou Jackson, se quisermos ficar só pelos Michaels. São quase uma hora de "Ídolos" com uma orquestra de ritmos e texturas turcas que dão uma cor exótica a temas insuportáveis Pop - os bons momentos são quando os temas são bons de origem como o referido Deep Purple ou os Depeche Mode ou o Billie Jean. Ao menos que cantassem em turco estas músicas tal como Rachid Taha fez com os Clash! Sempre teria mais vida! Local Strangers (Yakartop; 2006) chega a ser tão plástico como a capa sugere com a sua bailarina desenhada a estilo Manga. Tal como foram feitos muitos edíficios à pressa no Algarve também esta Aldeia Global prefere o betão invés de materiais tradicionais.

PS
Pimba mesmo deve ser isto e que é ainda melhor que o Pop sofisticado dos CDs. Azeite do bom!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Pink Metal!!!




The Soft Pink Truth : Why Do the Heathen Rage? Electronic Profanations of Black Metal Classics (Thrill Jockey; 2014)

Javier Calvo no último texto do livro El Sueño y el Mito (Aristas Martinez; 2014) afirma que o Black Metal (BM) foi a última vanguarda europeia. Por mais grotesco e trágico que tenha sido, o movimento guarda características de uma vanguarda artística como outras que reconhecemos do passado século XX, embora neste caso não tenha tido uma máquina de marketing como no Punk, os acontecimentos passaram fora das grandes capitais da cultura como Londres ou Paris (tudo começou numa cave imunda de uma loja de discos em Oslo) e foram protagonizados por três adolescentes idiotas que misturavam paganismo, música Heavy Metal, Tolkien e paranóia. E sobretudo foi um movimento cujos os seus criadores escafederam-se (literalmente com as mortes por suicídio e assassinato, respectivamente de Dead e Euronymous) antes que se torna popular em qualquer sentido, desde da natural expansão de imitadores, seguidores e gente que vai suavizando a coisa (como Dimmu Borgir que é considerada uma "boys band" do BM)  até ao foclore pictórico em que até revistas de moda usam os "corpse paintings" para um sessão fotográfica de modelos.
Imagino que esses "grim boys" iriam-se passar com este disco feito por uma das cara-metade de Matmos. TSPT pegou em clássicos do BM para criar um manifesto e provocação contra a homofobia que existe no seio dos fãs deste tipo de música mas mais que isso também parece um ensaio estruturado como uma pesquisa académica em que nada é deixado ao acaso, começando logo por uma invocação pagã "queer" na "intro".
A música propriamente dita começa com a versão Techno-Industrial de Black Metal, dos Venom, para descambar em IDM, House muita 'nilas, Dubstep e Electro para temas de Behemit, Mayhem, Darkthrone, Hellhammer e Sarcófago... é mesmo TRUE Black Metal!!! Para quem pensa que isto é uma exploração "novelty" ou uma graçola, enganem-se, repito: é mesmo TRUE!!! Os temas estão compostos respeitando as composições e até alguns dos ambientes das bandas originais - uma heresia para quem não goste das rabetices Disco/House mas azar porque este disco de Electrónica ou de música de dança é tanto comida para o cérebro como ideias pró corpo. TSPT deixou detalhes fantásticos de quem estudou muito bem onde se metia - a última faixa, uma piada ao BM por Seth Putnam (falecido vocalista de Anal Cunt) bem demostra o detalhe disto.
Mas será que era mesmo preciso fazer um disco-manifesto-anti-homofóbico quando temos fotografias destas?


Estes tipos são os Profanatica... A mim parece-me que eles serão pouco homofóbicos mas posso estar errado!


domingo, 13 de julho de 2014

Nerds à portuguesa


Não sei se estou a perceber bem mas este "post" é sobre como seria fixe ter uma série de BD em TV! Que mamados! Pelo menos conseguem ser engraçados dizendo coisas como Loverboy será um dos grandes anti-heróis da BD portuguesa, o seu humor pode ser por vezes provocador e infantil, mas nunca é aborrecido.
A e-mag Sketchbook ainda faz esta espécie de resenha: 1 [sic] ícone dos anos 90 que muito fez pela BD dita alternativa [wtf?]. Esperemos k [sic] não fique por aqui... Tá tudo louco!?
Pior ainda: foi vencedor na Melhor Publicação Independente dos Troféus Central Comics ao lado de coisas nojentas como Pizzaboy, Super-Homem, Batman, Patos da Disney e Mal-Criadas, a mediocridade no seu melhor onde o Loverboy vai acabar por se enterrar. Felizmente estes e muitos outros prémios em Portugal não valem nada a nível de impacto mediático ou de vendas ou ainda reconhecimento póstumo. Amanhã até nós iremos esquecer que recebemos o troféu. Deo Gratias!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014