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terça-feira, 28 de maio de 2019

Eles nitidamente precisavam de mais tempo para gravar...


...Yes please (Factory; 1992) era o álbum dos Happy Mondays que iria safar a editora da falência mas pelo contrário engoliu-a de vez. Que se aprenda daqui, nunca fiar em agarrados e boémios para qualquer tipo de negócios. Disco considerado abaixo dos anteriores (porque é!), há pelo menos duas faixas más (Theme from Netto parece um ensaio de um grupo de baile), outras duas redundantes, aliás, quase tudo é puro Happy Mondays em repetido, o que não é propriamente mau uma vez que ninguém se queixou disso em Ramones ou Motorhead ou Slayer, por exemplo. 

Brilhante é o tema Cut'em Loose Bruce que compensa todo o caos do álbum, tema com um vocal feminino potente de Rowetta, um mini-Rap de Kermit, sons empilhados aos montes mas sobretudo com a banda transformada numa fodidíssima orquestra afro-cubana. Quem não mexer o rabo com este tema é porque tem problemas! Ah, pois, o disco foi gravado nos Barbados com a banda de rastos e totalmente intoxicada em drogas. Shaun Ryder acrescentou a voz só mais tarde, já em Inglaterra depois de alguma desintoxicação clínica. É um estranho disco, feito de camadas de Caribe e depressão branquela.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Homis ta tchora també



 Nem sempre se pode acertar, Mentis Afro (Edietox; 2008) dos Mundu Infernal é um CD de hip hop consciente com rap crioulo tuga. Pena que seja chato, mesmo com o crioulo a descoordenar as palavras deste pula, não bate, muito USA, apesar da boa produção e gravação. Ironia das ironias a melhor faixa do disco intitula-se Deja vú... Mas nunca se sabe quando se acerta! Terra Terra e o seu Volume 1 (auto-edição; 2007) já uma babilónia de sons cabo-verdianos e Hip Hop sem vergonha... Informação na 'net, zero. Tocar no PC também não dá porque está com um programa marado (anti-pirataria?), como não perder tempo com este underground luso-africano?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Prova dos Nove

Para provar a inabalável certeza deste texto vamos lá ver, estive recentemente na Feira de Metal de Almada e trouxe uma mão cheia de CDs, compras aleatórias de gajo que ainda curte discos a 10 paus ou mais.
Tomb of Finland adquiri pelo nome parvo associado ao grande fazedor e ícone de BD gay Tom of Finland, só por isso valia a pena pegar nele se Frozen Death (Target; 2018) não fosse dos discos mais chatos de Doom/Death do mundo, e de sempre! São finlandeses gordos, bem na vida sem nada para dizer a não ser banalidades, curtem a Morte? Olham suicidem-se agora em Abril que é a altura mais popular para essas acções na Escandinávia. Ainda por cima tive de esperar uma eternidade para que o vendedor soubesse o preço desta merda, além que foi o mais caro do lote que trouxe e ainda ouvi a boca "isto é Doom com onda Death mas não é para Hipsters!". Ou o CD é uma grande merda ou eu sou uma grande merda de hipster, o que me estou bem a cagar porque sei que irei vender isto no discogs.com e recuperar o meu guito... E foi o que aconteceu, uma semana depois foi para um grego com falta de bom gosto!

Felizmente trouxe dois CDs de Beherit que deixam qualquer um K.O. Engram (KVLT; 2016) é de 2009 e é o mais purista na forma, ou seja Black Metal. Desta banda finlandesa que volta a ser banda e não projecto de um músico só. Vamos lá ver, Beherit faz parte da segunda geração de Black Metal, digna de rivalidade com os broncos noruegueses mas que rapidamente se desfez ficando Nuclear Holocausto (voz, guitarras e sintetizadores da banda e sim é o pseudónimo de um músico), dizia, Nuclear Holocausto ficou sozinho a criar mais dois discos electrónicos de má onda ambiental. Engram é puxado para os ouvidos virgens de BM, Aqui e acolá ouve-se uns samplers de Ambient a completar a coisa, mas mostra de quem sabe sabe e que não é preciso mais gente neste subgénero de música. Electric Doom Synthesis (KVLT; 2017) já é outro campeonato, é dos tais discos electrónicos de (Dark) Ambient, de 1996, e parece mesmo música feita para festa do Santo Cabrão, sobretudo impressiona por ser dinâmico na sua estrutura, pouco dado a repetições e drones tão na moda do século XXI. Lembra Throbbing Gristle que tinha feito algo 20 anos antes, tudo bem, mas um metaleiro é um metaleiro e vice-versa. Álbum impressionante que deve ter posto muita gente a pensar no futuro da música e na ninfa loura com maminhas à mostra do livrinho do CD - em LP deve ser melhor, claro!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

No fds do porco nazareno


Quem não consegue ouvir Beherit neste fim-de-semana deprimente, então que fique pelo EP Lily Lavender "Joy Of It" Fusion Confusion (Hockey Rawk; 2012) da (ou das?) Mole Says Hi. O mel social-democrata da Suécia criou uma sociedade em que tanto amolece o Death Metal (passou a chamar-se de melódico graças aos Carnage) e adocica ainda mais a Pop de doce que já é. E não há volta a dar, pensem nos Ghost e no meu querido Melanie Is Demented! Fazendo Mole Says Hi parte do movimento Twee Pop - como a "nossa" Moxila - o destino já estava traçado para um "burlesco" de e para tímidos.
Ouvir em 2019 este disco pode ser considerado um exercício para induzir depressão quando já basta este fim-de-semana dedicado à criatura mais deprimente de sempre, mas que fazer? Um sueco passou por cá e deixou-me o disco. And you know what!? Gostei imenso especialmente do Lado A que começa com sons estranhos e depois lá vai prá vozinha singela etc e troca o passo. Por momentos até achei que estava a ouvir algo original, o que se pode pedir meias em 2019?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Punks perdidos no tempo e no espaço...

Montes de discos nas últimas semanas (cóf cóf) e sem paciência para dizer muito sobre eles. Não que sejam discos maus, se calhar até muito antes pelo contrário, só ando pouco inspirado para escrever sobre música nas últimas semanas (cóf cóf), especialmente depois de ler os livros do Ian F. Svenonius. Tudo parece fítul depois de ler os seus ensaios marxistas sobre o Pop / Rock.

O álbum homónimo dos Lost Sounds - o sexto deles? ou o quarto de originais? - tem uma capa patética e horrorosa mas felizmente o som é fixe. Punk Rock com sintetizadores e muito groove como só os norte-americanos sabem fazer, afinal foram eles a inventar o Rock. Editado pela importante In the Red Records. Obrigado ao boss Daniel Dias pelo disco e mostrar que o rock não morreu! Mas espera lá, este disco é de dois mil... e... quatro!


Mais para trás, o segundo (?) disco dos Logical Nonsense, Soul Pollution de 1995 - reeditado em 1997 pela Alternative Tentacles. É Hardcore, Crossover e Crust ou algo no meio. Som potente. Menos interessante que o álbum seguinte Expand the hive. Chequem estes gajos, é daquelas bandas que ninguém quer saber mas que são chapada na cara. O CD foi adquirido na loja Megastore by Largo que agora tem uma enorme variedade de discos Punk & filhos.




Daí que aproveitei e fui ao passado ouvir coisas que ou me passaram ao lado ou que ouvi de raspão em k7s de amigos nos anos 90. Como por exemplo os Mucky Pup, uns Hardcores metalizados que sempre serão recordados como uns brincalhões. Daquelas bandas meio palhaças. Certo! Quase soa a Anthrax, têm trejeitos - basta ouvir Someday - mas o que impressiona depois de 30 anos de A boy in a man's world (Torrid / Roadrunner; 1989) é o à vontade da banda em que não só arrota as suas postas de pescada mas sobretudo saltitam de sons sem haver uma repetição exaustiva de um género ou sub-género. Neste novo milénio, tudo o que é do espectro de Rock Pesado é uma chachada em loop, como se fazer uma faixa dedicada aos três porquinhos fosse denegrir a imagem de uma banda porque ela tem de ser séria e profissional. Interessante como o mundo mudou para um mundo de covardes com medo das aparências. Longe de ser uma obra-prima, é apenas um disco divertido de se ouvir na esperança de descobrir a Fonte da Juventude.

Outro de 1989 é Metal Devil Cokes (R Radical) dos MDC ou Millions Of Dead Cops ou Millions Of Damn Christians ou Millions Of Dead Children ou Millions Of Deceived Citizens ou Multi Death Corporations ou Mesinha de Cabeceira (not!). Banda punk norte-americana "engajada" politicamente - das primeiras no punk dos EUA? - na defesa dos direitos dos animais, vegetarianismo, causa queer, anti-capitalismo, anti-consumismo,... Lembrava-me de algo desagradável na banda e claro, é a parte "folk" deles. Não deixa de ser surpreendente eles fazerem, especialmente deveria ter sido duro nos concertos cheios de rapazolas suados a vomitarem testosterona apanhar com momentos mais... cantantes e menos "mosheiros". Curioso ainda assim, lembra coisas muito lá para trás.

Por fim, dois bons discos que se destacam no meio desta punkalhada:



Kylesa é mais Sludge que outra coisa - mas Time will fuse it's worth (Prosthetic; 2006) foi mais tarde reeditado pela Alternative Tentacles - com duas baterias. Isto simplifica a banda, porque falta dizer que são estaladão! Um bocado repetitivo e arrastante  (caramba, é Sludge!) mas capazes de ir buscar mais um som ou outro aqui e acolá como a Intro e Outro por exemplo tem tribalismo, pena ser só no inicio e fim do disco, ou um piano num dos temas. Fiquei fã, ei-de de procurar mais discos. Nada mau, confirma que os últimos bons discos foram quase todos gravados em 2006!
Oops! Wrong Stereotype é uma típica colectânea da Alternative Tentacles, com uma capa de Windsor Smith as bandas do momento. Neste caso em 1988 bombava NoMeansNo (que velocidade!), Alice Donut (adoro um disco deles, o que está aqui parece-me fora do que estava habituado mas contam uma história violenta que "only in America"), os industrialitas Beatnigs entre outros e claro o chefe da editora Jello Biafra com um excerto de um "spoken word" seu. De referir, facto que desconhecia, que Biafra começou a fazer "spoken words" porque achava mais emocionante confrontar o público com os seus textos políticos do que ir com uma banda repetir as mesmas lenga-lengas de sempre. Curioso, perigoso e audaz! Agora percebo tudo!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

P/B



Duas bandas míticas da cena EBM / Industrial. Um disco de merda e outro bom. Os Nitzer Ebb pode ter um dos melhores temas de dança de sempre (Getting Closer, de 1990) mas nem tudo o que fizeram era bom - os Front 242 passavam-lhes à frente - e ainda menos quando é um regresso de envelhecidos. Industrial complex (Major; 2010) é tão óbvio onde querem chegar que nem dá vontade de partir. Pior ainda é o CD extra de remisturas, perfeitamente redundante e anacrónico. A evitar. É terrível quando estas cenas acontecem. Já os Skinny Puppy nunca deixaram isto acontecer, hanDover (Synthetic Symphony / SPV; 2011) obriga a ouvir várias vezes à procura de novas leituras e desnortes sonoros. Sons de máquinas levados à procura de Humanidade e humanos a tentarem ser nano-insectos-robots, em que há lugar para drama teeny-boper, foleirada Dark e dança adulta. É o terceiro álbum quando os membros da banda voltaram a dar as mãos (ó capa tosca! nem parece da banda que é) e nem que passe 40 anos nunca nunca nunca irão desiludir!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Yo! Oi!


Ena! Fui convidado pela Zerowork para fazer o "artwork" do CD do Phantom.
Tudo correu às maravilhas ao contrário de outras experiências!
Grande Rattus!

Dizem e com razão: A urgência do hip hop cruzada com a violência do punk. O sarcasmo do rap em forma do it yourself no estado mais puro. Um murro no estômago para os mais desprevenidos!



o original... ou parte dele...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Fuck Príncipe I got Kussondulola


Em 1995 o Mikas, guitarrista dos Primitive Reason, comprou o Tá-se Bem (EMI-VC; 1995) dos angolanos, residentes em Portugal, Kussondolola (que prontamente gravei para k7) com o statement sempre radical dele que era este o melhor disco do ano em Portugal, senão o de sempre. Agarrado aos Rocks achei aquilo (muuuuito) exagerado. Passados 24 anos acho que até lhe dou razão. O álbum sai incólume ao teste do tempo, tem o melhor groove de dança alguma vez feito em Portugal, as letras de Janelo mantêm-se cantaroláveis, contundentes e emblemáticas, numa fusão inteligente de Reggae e Afro-Pop. A produção mais limpa que um rabinho de bebé (ah!?) na altura chocou-me um bocado mas mais do que nunca fez e faz todo o sentido, todos os bongos ou teclados ouvem-se com a clareza que Jah (zeus!) desejaria para os seus guerrilheiros músicos passarem a mensagem ao mundo. Um dos melhores discos dos anos 90 para começar!

Que belo natalixo, Dr. Fon-Fon!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O melhor disco de 2018 é de 1998 e de 2019


A Rastilho quase só reedita nulidades mas no final de Dezembro do ano passado acertou na mosca: The Privilege Of Making The Wrong Choice dos Zen. Os Zen foram apenas a melhor banda de Rock dos anos 90, com um som original que passado este tempo todo ainda nem sei como definir: há Rock garageiro, Funk, Groove, Soul, Blues mas não é nada disto ao mesmo tempo. Esta é a terceira edição do disco, pela primeira vez em vinil, aproveitem, caragu!
Se a Rastilho reeditar os dois primeiros de Primitive Reason, o primeiro de Kussondolola e as demos dos The Astonishing Urbana Fall, podemos fechar o século passado e seguir em frente. Ah! E caso queiram saber o que sobreviveu de Zen, é fácil chama-se Plus Ultra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

web .2 tone .2

Não há nome para esta nova música  Clipping  excitante como   #Stealing Orchestra ou   #Dälek  novos territórios  Hip hop serve de base  CLPPNG de 2014 pela   Sub Pop   exemplo   video-clips   #Whitehouse goes MTV  coros infantis  único R'n'B aceitável com alarme do despertador com o único R'n'B aceitável no Universo  berbequim Techno Tarantino    #John Cage shit  Trap mutante  Noise para as massas  how high is your low brow? Razia!  Random Music mas com  atitude   O Cage foi à disco engatar

Culpados disto tudo  se calhar  Death Grips que desde cedo com o seu segundo álbum (ou primeiro oficial?)  The Money Store   (Epic; 2012)   mostraram que seriam sempre  rock híbrido - chama-se a isso de   punk rock  ? o feeling é esse mesmo que já não se possa meter o mofo da bateria + guitarra + baixo + voz   isto é rock ciborgue  electrónica rapada  para mim é impossível dizer o que soa   Eu Juro!  já ouvi este CD   mil vezes   e sempre quando ele acaba   ainda não percebi o que se passou  o que ouvi  o que aconteceu  é como ouvir a primeira vez o Last Rights dos #Skinny Puppy  ou  Beers, Steers and Queers dos #Revolting Cocks   Rembradt Pussyhorse dos #Butthole Surfers  não é todos os dias que isto acontece ...  Punk weight!



PS  O   2 tone   era nome para um   Ska   não racista em que o ponto de honra era ter uma banda que tivesse elementos branquelas e negros  Clipping e Death Grips  sabendo das cores de peles dos seus elementos   (como se na verdade isso importasse para uma coisa - bom, na Amérikkka  importa pelos vistos)  parece isso   um 2 tone para um mundo de Trampa  mergulhado na   deep web

espera

há mais


Apareceu Zeal And Ardor... WTF!?  Imaginem o coninhas do Moby a fazer Black Metal   essa seria a melhor ilustração para este disco Devil is Fine (Reflections; 2016)  música de escravos americanos a cantarem Blues ou Gospel invertido, ou seja, a louvor de Satanás Nosso Senhor invés ao Porco Nazareno   Devil is fine (o primeiro tema) abre-nos o coração, não não são samplers como o triste do Moby a voz é verdadeira  In ashes arrebenta com os primeiros Blasts de Black Metal e ficamos confusos  claro  e mais ficaremos com intermezzos de electrónica  que tanto podem ser Trip Hop ou caixa de música de criança  como gamanço de arabescos à Çuta Kebab & Party   ou What Is A Killer Like You Gonna Do Here? é uma pequena intervenção Tom Waits    Children's summon parece o sonso do  Gonza Sufi mas com Black Metal            sempre isso "mas com Black Metal"   o idiota do José Luís Peixoto escreveu há 10 anos um artigo qualquer a dizer que o Black Metal nunca seria popular pela sua violência - já na altura o que ele escrevia era errado porque bastava entrar no metro de Berlim e ter bem presentes outdoors do último disco de #Dimmu Borgir   God good is a dead one entretanto fizeram um segundo disco a explorar a fórmula que não tem piada nenhuma apesar das revistas especializadas virem dizer muito bem, os metaleiros andam atrasados!

vi os Ho99o9 no Milhones 2016 e foi das melhores coisas que vi há             imenso       tempo      ! Era como ver Bad Brains ou Black Flag e nunca o poder ter os visto porque não tinha idade para estar lá em Washington D.C. nos anos 80 nem nunca iria/irei aos EU da amerdikkka    a sério!       Andei  louco até conseguir um disco deles  há um álbum - United States of Horror (Toys Have Powers; 2017)     fazem Hardcore melhor que a malta do Hardcore            e metalada, isto sim digno de sucessão de Discharge ou Slayer (vai na volta até samplam Slayer) ... mas fazem também dark Trap que a malta curte e tal em 2018 fuck! Tudo convive num disco de 46m que nada enjoa nada
a música pesada voltou a ter um ambiente de perigo depois de vinte anos de repetições ad nauseam


sexta-feira, 23 de novembro de 2018

yin yang


Black Sun Deve ser o único disco da Hyperdub que adormeci a ouvi-lo. Soa a pouco escrever isso, porque é um disco muito mais maior grande, ehm... Em 2011 o Dubstep já estava tão gigante que ninguém queria ser rotulado por tal, para não se pensar que isto era música para ma$$a$. Só que esta malta estava noutra, na via correcta e Kode9 & The SpaceApe (que falecia três anos depois) lançam um álbum potente, cujo livrinho inclui até uma BD xunguita. São beats urbanos de quem bomba nos headphones armado em Ghost Dog: The Way of the Samurai (1999), black music para o mundo inteiro mal sabendo que os neo-nazis estariam seis anos depois aí a céu aberto, bass music de sensações de arrepio e conforto em simultâneo, dance music para o Clubbing de quinta-feira à noite, kosmische musik para quem até 'tá sóbrio, arena music para hooligans e mitras andarem ao soco com grandas canhões de ganza entre os dedos... É raro haver álbuns "completos", com amplitude para tanta coisa, este é um deles.
Gracias Megastore by Largo!


Dois anos antes, saia um disco de Tricky com os South Rakkas Crew pela Domino, assim bem bom... O Tricky passa a vida a dar as voltas, quando está em editoras grandes faz discos lixados de ouvir no mainstream, quando está em indies faz discos acessíveis e que são delícia de pista de dança mais festiva ou mais má onda, conforme os shots baratos consumidos. Todo ele é um álbum Ragga & Grime com batidas que vão ao dito Dubstep como aos tribalismos de guerra e Dancehall. Sendo um disco de participações com outros artistas lembra o Juxtapose (1999) que tinha DJ Muggs e Grease. Voltando a ouvir o Tricky, estes discos aqui referidos e o Maxinquaye (1995) - a sua obra-prima - ele parece um pai para todo o catálogo Hyperdub e hype boys & girls da revista Wire, Yvan Tumor, Blunt and all that jazz... Tipo um Iggy Pop negro, que todos terão de venerar.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Uma surpresa com quase um quarto de século


Os austríacos são doentes, e como se sabe os doentes fazem boa Arte ou Arte boa - daaaaahhhhhh. Escrevem como ninguém - do Kafka ainda no império austro-húngaro ao tóxico Bernhard, venha o Diabo e escolha - e tem boas bandas de Metal! Só maradices que me lembre, ó: Pungent Stench, Fetish 69,... - os vizinhos nazis sempre foram uns fatelas sem gosto nenhum - e agora estes Korova que na sua estreia A kiss in the charnel fields (Napalm; 1995) chamaram-me a atenção pela pior capa de sempre - não é bem assim, há sempre UMA PIOR CAPA DE SEMPRE!!! Esta é apenas UMA DELAS.
Black Metal cheio de breaks jazzísticos, atonalidades operáticas, vocalizações barrocas em várias línguas (alemão, inglês e... não reconheço as outras), folk bullshit e até um piano Ragtime... zeus! Algumas partes lembram Cradle of Filth (ou será o contrário?) outras os Pan.Thy.Monium, num jogo excitante de mudanças sonoras com uma técnica veloz que só os metaleiros conseguem fazer. Uma surpresa sacada na sempre surpreendente Glam-O-Rama!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Quem não tem cão, caça como gato



«Ó Farrajota, qual é a tua banda favorita?»... Fácil, fácil de responder: Butthole Surfers! Ficaria bem sem ouvir mais nada do espectro Rock com a discografia completa desta cambada de lunáticos. E claro, nunca terei a satisfação de os ver ao vivo porque toda a música em Portugal é controlada por companhias de telemóveis. E sim, quem me dera ter estado AQUI apanhar com balas da caçadeira do Gibby! Há dez anos que acabaram, tal como aconteceu com o Rock e o Pop (para o fim eles estavam mais electrónicos e Hiphop). Sim, cago de alto para tudo antes e depois deles, incluindo Beatles e Nirvana.

Resta descobrir aos poucos os projectos paralelos dos seus elementos. E mesmo que se não soubesse que The History of Dogs (Rough Trade; 1991) fosse do guitarrista Paul Leary como não resistir a uma capa com uma cachorrinha loura? Leary toca tudo, canta tudo, etc... apoia-se no passado da banda como projecta caminhos que iriam trilhar mais tarde. De Punk Rock ao Cabaret, à Pop nocturna à à balada soalheira. Não é tão extravagante como possa parecer porque a comparação com os Butthole, meterá sempre alguns pontos mais abaixo. E eu que nem curto cães... lá me vou levando com o disco que tem apenas 33 minutos.

Em 1995 houve os P - sim só isso: "P" - com um álbum homónimo, pela Capitol. A banda é o encontro improvável de Gibby Haynes (vocalista dos Butt), Bill Carter (um gajo do Country), Johnny Depp e Sal Jenco - ambos actores e "teen idols" na série televisiva 21 Jump Street. Um álbum ecléctico que vai do Cow Punk ao Dub mas não deixa de ser "normie" comparando com os Butt, é mais limpo e bem tocado, pode-se assim dizer. Apesar de ser uma espécie de sucedâneo, não deixa de ter momentos bem altos como as versões de Daniel Johnson e ABBA (I save cigarette butts e Dancing Queen, respectivamente), o "hit" Michael Stipe (será baseado no passatempo dos Butthole perseguiam os elementos dos R.E.M. nos anos 80?), Jon Glenn (Megamix) que são 9 minutos do melhor Dub alguma vez feito, e o último tema que parece um auto-epitáfio, The Deal. O grafismo do disco é do Gibby e é apenas lindo!

Belos CDs adquiridos na Glam-O-Rama. Quero mais!!!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

As your lawyer I advise you to...


Que fazer quando uma banda é recomendada por um advogado e um lojista de BD? De um advogado ainda acredito, de um gajo da BD não me parece... The Knife são uns manos, boy and girl, que conseguem fazer mel em Synthpop mas sem ser tão óbvio apesar de suecos. Isso acontecia nos discos anteriores ao terminal Shaking the Habitual (Rabid; 2013) em que fogem de vez aos "trolórós" House e outras fateladas. Este disco é como uma festa que nunca mais acaba. Isso não é bom porque estás com uma broa bem fodida, até já 'tás na sala ao lado a tentar recuperar e perceber o que se passa à tua volta mas não, sem hipóteses, o "beat" não pára atravessando a parede, bombando som de forma abafada. Há algo para celebrar mas já nem sabes bem o quê, é pena porque não consegues mexer mais um pézinho sem tropeçares. O vómito, esse grande sacana, anda a ver se consegue vir cá para cima dizer-te "olá! Entãoooooo...!?".
Repetitivo, interminável e mecânico, lembra os Alien Sex Fiend (quando estes vão ficando mais electrónicos) apesar de não serem assim tão parecidos. Talvez os compare também pela duração dos temas, entre 4 a 10 minutos, e pelas mascaradas góticas e horror visual dos video-clips. Ainda assim, isto parece patético. Curiosamente, o lado feminino dos Knife, Karin, avançou com o projecto a solo, Fever Ray, e seu segundo disco, Plunge, vem ao encontro de Shaking ou é impressão minha? Banda a acompanhar...

quarta-feira, 27 de junho de 2018

You can't ween all the time

Hoje em dia basta carregar num botão para ouvir imediatamente todas as músicas do mundo em nossa casa. Vejo claramente o que se perdeu. E o que se ganhou? Para atingir a beleza, penso que são necessárias três condições: esperança, luta e conquista.

Luis Buñuel (1900-83) 
in O meu último suspiro (p. 271, Fenda; 2006 - orig. 1982)



Apesar do botão profetizado por Buñuel continuo a comprar discos sem os ouvir primeiro, desejoso que vá levar bofetadas na cara quando os ouvir virgenzinhos na aparelhagem. Isto vale para bandas que nunca ouvi falar como para projectos que pensava que já conhecia.Nem God Ween Satan The oneness (Twin/Tine; 1990) dos Ween nem Hello Young Lovers (Gut; 2005) dos Sparks são discos maus mas não era o que esperava. Quem vem alimentado de Pure Guava e protegido de Kimono my house poderá ficar na defensiva, e desconfiado... e arrependido. Ambas bandas são norte-americanas e gozonas, usam o rock como quem usa sabonete, purismos não é com eles.

No caso dos Ween conheci-os sem capa nem créditos, numa k7 com os títulos das músicas escritos pelo Brian, vocalista dos Primitive Reason, numa letra tão merdosa que a capa da k7 poderia ser realmente a edição oficial do Pure Guava. Disco esse que parece tocado por crianças com capacidades de adultos, e era aí que residia o génio da banda e do disco. God Ween Satan, apesar de ser anterior, parece aquele disco quando uma banda se vende e passam a ser chatos. É música de adultos com capacidades musicais a tentarem ser crianças.

Eles sempre fizerem música para fornicar as pessoas, o propósito principal da banda para além das drogas. Em Pure Guava a razia era total, não deixava muitas pontas por onde se pegar, uma inocência era transmitida com o acto de fazer quase tudo errado, novos mundos apareciam de música para música. Em GWS parece que temos os ZZ Top a quererem ser uns granda malucos, ou uma versão tótó dos Butthole Surfers. Previsível mesmo quando eles saltam por cima de todos os géneros musicais da altura: Hardcore, Reggae, Funk, Gospel, etc... Não admira que se tenham transformados em mascotes do South Park. Os outros discos serão melhores? Será que os devia ouvir no youtube invés de os 'tar a comprar? Dilema...



Os Ween são irmãos falsos ao contrário dos Sparks, Ron e Russel Mael, que são do mesmo ventre mas ambos falsificam a música, os Ween fingindo serem espontâneos e os Sparks com operetas sofisticadas. "Queen para queers" poderia ser um bom sound bite para esta banda, afinal há falsetes, Hard Rock, arranjos sinfónicos, etc... no entanto com maior relevância que alguma vez foram os Queen porque esta banda não trata de excitações nacionalistas nem machistas, pelo contrário temos Pop Inteligente com letras irónicas e politizadas como (Baby Baby) Can I invade your country. Para quem gosta de Residents ou They Might Be Giants, esta é a banda que fica no meio delas. Só acho os temas longos demais bem como o álbum - mesmo problema do CD dos Ween, já agora. Esperem lá, deixa ouvir isto com mais calma, é capaz ainda de bater... Amanhã digo-vos mais, ou talvez não. Entretanto saiu novo disco deles, que fazer?

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Gringos locos


O papagaio que cobre o split-EP de 7" é o vocalista da banda Death Metal Hatebeak, com quem dividem o disco com Longmont Potion Castle - edição da Reptilian, de 2004. Como afirma DJ Balli (ou se calhar não, se calhar samplou de alguém): "No more frontman, front animal!" Os vocais são alucinantes, o instrumental é bem feito q.b. (um dos elementos humanos é dos fantásticos Pig Destroyer) e assim puxam carroça prá frente muito mais desde que os Cannibal Corpse e afins engordaram e fazem álbuns todos os anos chatos como tudo - as revistas da especialidade dizem que não mas por alguma razão chamam-se revistas da especialidade. LPC faz um trote metaleiro, tipo quando Judas Priest é pesado, não indo de encontro às partidas com chamadas telefónicas que costuma fazer. Na verdade ele até tem um álbum só de Thrash Metal por isso ele deve ser um metaleiro inteligente...


Divine (1945-88) foi a "drag queen" mais importante do mundo - ou até a "mulher mais bonita do mundo, quase" - e isso não impediu de fazer música merdosa como este single You think you're a man (Proto; 1984) que até teve mãos (suadas?) de Stock Aitken Waterman, os três produtores britânicos que fizeram os maiores sucessos Pop pueris da década de 80: Kylie Minogue, Bananarama, Rick Astley e outras bostas andantes da altura. E para bom entendedor, meia palavra basta... Ou então ainda se pode dizer isto, ouvir este single é como arte contemporânea, é bom que se saiba que é uma Drag Queen, desculpem, "A Drag Queen Divine" (imagens virão logo caso alguém tenha visto os filmes do John Waters) senão não tem mérito nem interesse, tal quando se olha pra umas merdas no chão de uma exposição sem a folha de sala. Thanks Jucifer!

Enfim, os norte-americanos tem esta coisa pelo culto da extravagância, seja o que lhe cresça ou não no corpo não é razão de vergonha e toca a dar no showbizz. O mais louco deles todos será sempre Spike Jones (1911-65), o mestre da música Novelty! Mas nem tudo o que luz é ouro na sua discografia e é preciso ter cuidado com os discos dele. Os melhores são dos anos 30 e 40 em que Jones e a sua banda City Slickers eram virtuosos e tão rápidos como os Mr. Bungle em ritmo e mudança de sons. Jazz combo com cabras para berrarem ao tempo certo, disparos de pistolas, o "latrifone" e anões completavam o Freak Show. Estas colectâneas fazem esse apanhado, por exemplo:



Baratas por aqui e aqui. Mas há mais discos e os nos anos 50 e 60 passam mais a serem espectáculos radiofónicos, pode-se assim dizer. O humor passa a ser "teen", arrotos, piadolas irreverentes para putos, sintonizando com a revista Mad - aliás, Jack Davis (1924-2016) fartou-se de lhe desenhar capas.



Novamente: baratinhos aqui e aqui. Estes são LPs que reciclam as músicas dos anos 30/40 seguindo um guião temático. Por acaso a primeira parte de Dinner Music for People who aren't very hungry até acaba por ser giro porque brinca com o conceito da "alta fidelidade" sonora, que poderá ter muita importância para um brincalhão como Jones! Mas nada bate temas como o My old flame que nem o Nick Cave seria capaz de escrever tal letra violenta ou a velocidade punk de You always hurt the one you love, paródias de "hits" da altura. Aí é que está o Spike Jones que interessa.

sábado, 28 de abril de 2018

Um mundo melhor


O Alan Moore reciclou o "smile" que depois foi adoptado pela cultura Rave e tornou-se no ícone do Techno e do Ácido. O mesmo fez das máscaras do Guy Fawkes o novo ícone pseudo-anarquista / hacker / anti-globalização. Será o único autor de BD que contribuiu para um mundo melhor? [Eu não escrevi isso! Fui hackado de certeza!!]
Há o Richard McGuire, um grande ilustrador que por acaso fez uma BD seminal em 1989, "Here" na revista Raw - esqueçam a sua "graphic novel" homónima, mero exercício de estilo inútil e desinspirado. Claro que a BD percorreu apenas quem se interessa pela BD à séria, por isso não foi através dessa BD que ele influenciou meio-mundo - embora é certo que o "Here" por ser uma ruptura formal fez muitas cabeças pensarem no assunto e usarem o ensinamento noutras obras. Mas foi através da música dos seus Liquid Liquid, onde era baixista, que ele deixou marca da grande.
Ouvir o tema Optimo é ouvir o Querelle dos Pop Dell Arte, Bellhead também lembra algo nos Pop Dell Arte, o baixo de The Cavern foi samplado por sabe-se lá quantas bandas de Hip Hop e outras, logo a começar pelo Grandmasterflash and the Furious Five - no tema White Lines - que deu azo a processos  judiciais entre editoras - a mafiosa Sugarhill dos rappers contra a 99 Records que editava a No Wave nova-iorquina. A 99 perdeu dinheiro e foi-se uma editora que apostou em todo um novo universo sonoro.
O CD Slip In And Out Of Phenomenon (Domino; 2008) reúne a discografia inteira da banda, mesmo quando antes se chamavam Liquid Idiot, o que se resume a uns três EPs, entre 1981 e 1983, mais uns extras e raridades. Baixo pulsante, poliritmia, gritinhos & guinchos (nos anos 80 o pessoal guinchava e gritava muito), Rock mais perto da dança Funk e do Dub, os Liquid Liquid tiveram uma carreira fora do normal. Mais ou menos ignorados pelo grande público enquanto existiam, tiveram réplicas ao longo dos tempos, do Hip Hop aos LCD Soundsystem, dos Pop Dell'Arte aos "ringtones", enfim muita coisa não existiria sem esta banda e o baixo de McGuire...

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mesmo a tempo


Antes dos Sleaford Mods serem conhecidos houve os Von Südenfed - ou seja o recém-falecido Mark E. Smith (1957-2018) com os Mouse On Mars - num disco intitulado Tromatic Reflexxions (Domino; 2007). Um disco estranho sobretudo quando Smith era conhecido por desdenhar a música electrónica de "Clubing"- ainda assim, anos antes ele tinha feito uma participação com Ghostigital mas não lhe chamaria de "Clubing". O que dizer deste disco? Simples soa ao maluquinho da aldeia que pegou no microfone da festa enquanto o DJ Ride punha som. E não vale a pensa fantasiar que isso poderia ser interessante...

segunda-feira, 12 de março de 2018

Simétrico


Merda, enganei-me na capa do disco, não faço nem o que é uma "deluxe edition" de St Elsewhere (Warner; 2006) dos Gnarls Barkley... Parece que foi ontem que os ouvi pela primeira vez mas não, já lá foram uns bons anos e venderam milhares de discos ao ponto de em 2018 poder-se comprar um exemplar a 3 paus! Quem é que não gosta do lixo do Capitalismo?
Dupla composta por Cee-Lo Green (voz falsete) e Dangermouse (produção - o gajo do Grey Album) fizeram o álbum Pop mais descomplexado e sofisticado daquele ano ou se calhar daquela década. Lembra os Outkast por ultrapassarem o Hip Hop para uma miscelânea Pop como se fosse uma Motown do séc. XXI. As técnicas Hip Hop estão lá, os ritmos, samplagem, algum Rap, linhas de baixo e sintetizadores mas também há Soul negra, Folk branquelo e ainda Jazz e Rock de razia, quer dizer, tudo vale mas com esta lógica hip hop: um gajo canta e outro cuida da música, não é preciso muito mais, há tecnologia para tal. E é para ser orelhudo e dançavel, micro-dramático e macro-humorístico. Ninguém acredita nestas letras mas naqueles três minutos tudo é mágico - até menos do que isso, há canções com um minuto e meio. Crazy  foi o grande single de 2006. Daquela década, melhor que esse tema só mesmo o Crazy in Love da Beyoncé e Toxic da Britney Spears, ambos de 2003. Tudo o resto é merda.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Child porn


Dois Bauhaus em 1984 gravam Pop (Beggars Banquet) depois de uma série de singles. Há também uma versão diferente deste disco para os gringos - e com uma capa completamente infeliz, no que faz pensar se foi pelo pipi da miúda... Os Tone on Tail são os Bauhaus ainda mais Dub e ambientais, armados com sintetizadores e com a voz de Daniel Ash a chegar aos Love & Rockets - projecto que iria unir os três Bauhaus (sem Peter Murphy) depois do fim da banda. É um disco inesperado que tanta anda no Dark Pop do Cabaret como um psicadélico ganzado, pelo meio desvia-se em synth pop para pista de dança muito 80s mas sempre com detalhes de quem sabe o que faz. Só de pensar que em 2017 as pessoas curtem merda pura como os "cigarros depois do pinanço" dá no que pensar em quanto "devoluimos"...



E por falar nisso, nos Devo e se calhar nos Residents, onde os imaginários de troça do Rock parecem interceptar, eis Nash The Slash. Um canadiano multi-instrumentista enfaixado na cabeça como uma múmia que editava os seus próprios discos (o logo da sua editora é uma caveira catita!) mas deve ter tido os seus 15 minutos de fama porque até há uma edição portuguesa do Children of the Night (Cut-Throat / Dindisc; 1980) que encontrei na loja Glam-O-Rama. Espera, e porque não Buckethead como comparação? Sim ambos são virtuosos apesar de Nash nunca usar guitarra mas sim violino e outros instrumentos de cordas. O seu álbum de estreia é fantástico e Dark, lembra muita electrónica que ainda se faz em 2018. Este segundo LP é mais parolo, humorístico, "clean" e "pop" como se topa na versão-gozo de Smoke On The Water - como Dopes On The Water - mas ainda assim é uma peça curiosa. Comprei este disco por causa da capa e contra-capa e para desvendar o mais cedo possível que mistério musical seria este. Há ainda muita coisa para descobrir, é sempre bom perceber que afinal não conhecemos tudo tudinho e que ainda se podem arranjar discos inesperados.


Que dizer de Mater Suspiria Vision / ℑ⊇≥◊≤⊆ℜ e o maxi Zombie Rave / First Flesh (2012)? Banalidades que o "Pop come-se a si mesmo"? Imaginem que nos finais da década passada inventou-se um género de música intitulado de Witch House, música de dança para Zombies, ou melhor para pessoas já muito cansadas da festa - como aquela lua no Vida, universo e tudo o mais (Douglas Adams) onde havia uma festa há 100 anos em que a orquestra já estava cansada e faltava circulação de sangue entre os foliões. Com imaginário posto no Giallo e filmes de horror (que foi transversal a Devendra Banhart como a mil bandas Stoners que se criaram em 2010) os produtores de Witch fizeram uma vampiração do Pop anos 80 ou até Eurodance dos anos 90 em rotações erradas - técnica inventada no Hip Hop pelo DJ Screw - ou melhor em rotações mais lentas com mais uns efeitos aqui e acolá. Screw entre um gole de codeína e uma mix-tape nunca sonhou que a sua técnica viria dar bastardos bracos como o Rape Gaze ou ainda Doomduro... Em breve o DJ Balli e a Chili Com Carne irão explicar tudo com um livro do caraças! Por aqui neste bootleg (?) ou, pelo menos, white label temos temas fornicados de Mike Oldfield, U96 (mein gott!), Animals (será? está mesmo esticado!!!) e Scooter (que merda!)... Como tudo na música, depende das drogas e o século XXI tem sido generosa em sintéticas para pessoal dopado da vida. Mais irónico é que se os temas já estão arrastados, ao serem editados em vinil para 45 rotações, nada impede de alongar ainda mais os temas para 33 rpm. E agora? Post-mortem cha-cha-cha?