Felizmente com a normalização em curso da sociedade, as tribos urbanas estão a desaparecer. Felizmente a raça metaleira irá ser extinguida por serem os mais meninos deles todos. Felizmente comecei a colaborar com a revista Loud! em Janeiro deste ano e até já publicaram uma resenha escrita por mim - sobre o novo disco do DJ Balli - mas... Infelizmente, entretanto, nada mais sei se continuo, não me respondem a nada, a sério, o Metal é a terceira idade, no pior sentido do que um envelhecimento significa (rabugice, hábitos inalterados, lentidão, nostalgia, incapacidade física, paternalismo e imposição da vontade por mais irracional que possa ser). Deveriam abrir novos Centros de Dia só para esta malta - bem que armaram-se em engraçadinhos o ano passado em Vagos, mal sabiam eles que estavam era antes a revelar a sua verdadeira face e alma. Felizmente ou os infelizmente, os metaleiros estão a morrer todos?Em defesa da revista, não deixa de ser admirável que ela pura e simplesmente exista - afinal o/a Blitz foi à vida no ano passado - Adeus! Ninguém sentia a tua falta desde 2001, anyway! O público metaleiro é fetichista e ainda compra discos, CDs ou vinilo, em pleno deleite de coleccionista completista, sem critério ou gosto. É o humano mais amigo do Capitalismo a seguir ao "normie", sem ele saber apesar da sua (dita) "oposição" ao Sistema. Talvez por isso, tendo um público fiel, que o Metal ainda existe apesar da sua forma artística estar morta desde 2001 (só para coincidir com o Blitz!) com a excepção para os sunn0))) - que diga-se, ultrapassaram o submundo do Metal para reivindicar paradigmas novos prá música, tal como os Napalm Death fizeram com o Scum, em 1987. A Loud! tem tudo como outro "template" de uma revista de música Pop/Rock: agenda, bisbilhotam o que uma banda está a gravar em estúdio, Top do ano, mixtape de um músico, músicos a adivinharem as bandas que lhes dão à escuta, entrevistas, resenhas, etc... mas é tudo de Metal ou Rock Pesado, claro. Isso é fantástico, vendo a desmaterialização da cultura por todo a parte, a revista acaba por ter pertinência num quiosque - versus toda a miséria editorial feita por grandes grupos económicos como a merdosa A Nossa Prima e quejandos - para além da qualidade da informação - SE, novamente SE for para música de peso. Não há nenhuma revista assim em Portugal, é aliás a única de música, e talvez a única de crítica que se possa acreditar da sinceridade dos seus escritores, ao contrário do bordel assumido das fracas figuras (mas cheias de ego) do Público e afins.
Não expectável e que topei neste número, é a quantidade de pontuações baixas aos discos. Não deveria ser assim, ou pelos menos tradicionalmente nos fanzines de Metal não acontecia, afinal quando se é parte de uma cena, é típico dar pontuações mais altas, raramente negativas, aos "irmãos" que te dão música e carne para canhão. Ora, ou apanhei um mês mau de edições ou existe um sentimento corrosivo na almas dos críticos que começam a ficar fartos do excesso - alguém consegue dizer quantos discos de Black Metal são editados por mês? E de Death? E outro subgénero? Resposta: centenas! Isto sem mexer um milímetro do padrão criado entre os anos 70 e 90 do século passado. Tocam algo de relevante e que alguém se lembre um disco depois? Não, daí que a Nostalgia pelos "anos dourados" do Thrash (Slayer), Death (Morbid Angel), Black (Venom) e Grind (Carcass) sejam sempre ângulo de observação por todos os metaleiros. Nada bate aquele disco de Sepultura ou Candlemass... Nem no Rock há esta sensação de desamparo e orfandade, mesmo depois dos Beatles, Doors ou David Bowie terem ido desta para melhor.
Tudo em excesso, torna-se banal. Vejo os Metaleiros como crianças, as mais perdidas de sempre neste mundo do Caos da Aldeia Global. Fazem "checklists" de quantas vezes viram Godflesh (ao menos que seja Godflesh, foda-se) a tocar ao vivo aquele álbum específico, quantas edições e em cores diferentes tem um determinado disco, etc... É o consumidor mais passivo de sempre, o verdadeiro burguês mais agarrado ao "vil metal". Não percebo muito bem porquê ou como se deu esta deformação, afinal os metaleiros e as metaleiras dos anos 90 ou eram uns anjinhos lindos ou eram uns brutamontes bêbados mas ninguém parecia muito materialista. Se calhar foi romantismo meu sobre estas criaturas na altura, uma fantasia que acabou e vejo-os tornarem-se em hipopótamos, não só por ser o público mais gordo em qualquer concerto mas por serem conformistas.
Uma teoria de "nerd" será que talvez tenha sido o Goth e o Black nos anos 90 que estragaram o Metal, trazendo a velhacaria da Extrema Direita e má literatura? Ou é apenas porque o Rock e o Metal já têm 70 e 51 anos respectivamente? É difícil ter uma cabeça aberta com estas idades... É natural, como os ranchos folclóricos, tornarem-se cristalizados e tradicionalistas. Ficam pasmados por os putos irem ouvir Electrónica e Hip Hop, claro que sim! Melhor pegar num software que em riffs de dinossauros!!!
Mas o que dizer dos gajos do Jazz? São outros coleccionadores anais de discos. Mas o pessoal do Jazz é burguês, é natural que sejam uma seca per se. O Metal deveria ser um ponto de libertação da classe operária, porque são os metaleiros como bem se sabe, que conduzem os nossos metros, são eles que fazem o design dos panfletos do Continente, são eles que trazem os discos que comprastes na puta da Amazon, são eles que carregam as tubagens dos sanitários, são elas que cuidam dos nossos bebés nos jardins de infância, caramba!
























