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quinta-feira, 21 de março de 2019

Senior Metal (work-in-progress)

Felizmente com a normalização em curso da sociedade, as tribos urbanas estão a desaparecer. Felizmente a raça metaleira irá ser extinguida por serem os mais meninos deles todos. Felizmente comecei a colaborar com a revista Loud! em Janeiro deste ano e até já publicaram uma resenha escrita por mim  - sobre o novo disco do DJ Balli - mas... Infelizmente, entretanto, nada mais sei se continuo, não me respondem a nada, a sério, o Metal é a terceira idade, no pior sentido do que um envelhecimento significa (rabugice, hábitos inalterados, lentidão, nostalgia, incapacidade física, paternalismo e imposição da vontade por mais irracional que possa ser). Deveriam abrir novos Centros de Dia só para esta malta - bem que armaram-se em engraçadinhos o ano passado em Vagos, mal sabiam eles que estavam era antes a revelar a sua verdadeira face e alma. Felizmente ou os infelizmente, os metaleiros estão a morrer todos?

Em defesa da revista, não deixa de ser admirável que ela pura e simplesmente exista - afinal o/a Blitz foi à vida no ano passado - Adeus! Ninguém sentia a tua falta desde 2001, anyway! O público metaleiro é fetichista e ainda compra discos, CDs ou vinilo, em pleno deleite de coleccionista completista, sem critério ou gosto. É o humano mais amigo do Capitalismo a seguir ao "normie", sem ele saber apesar da sua (dita) "oposição" ao Sistema. Talvez por isso, tendo um público fiel, que o Metal ainda existe apesar da sua forma artística estar morta desde 2001 (só para coincidir com o Blitz!) com a excepção para os sunn0))) - que diga-se, ultrapassaram o submundo do Metal para reivindicar paradigmas novos prá música, tal como os Napalm Death fizeram com o Scum, em 1987. A Loud! tem tudo como outro "template" de uma revista de música Pop/Rock: agenda, bisbilhotam o que uma banda está a gravar em estúdio, Top do ano, mixtape de um músico, músicos a adivinharem as bandas que lhes dão à escuta, entrevistas, resenhas, etc... mas é tudo de Metal ou Rock Pesado, claro. Isso é fantástico, vendo a desmaterialização da cultura por todo a parte, a revista acaba por ter pertinência num quiosque - versus toda a miséria editorial feita por grandes grupos económicos como a merdosa A Nossa Prima e quejandos - para além da qualidade da informação - SE, novamente SE for para música de peso. Não há nenhuma revista assim em Portugal, é aliás a única de música, e talvez a única de crítica que se possa acreditar da sinceridade dos seus escritores, ao contrário do bordel assumido das fracas figuras (mas cheias de ego) do Público e afins.

Não expectável e que topei neste número, é a quantidade de pontuações baixas aos discos. Não deveria ser assim, ou pelos menos tradicionalmente nos fanzines de Metal não acontecia, afinal quando se é parte de uma cena, é típico dar pontuações mais altas, raramente negativas, aos "irmãos" que te dão música e carne para canhão. Ora, ou apanhei um mês mau de edições ou existe um sentimento corrosivo na almas dos críticos que começam a ficar fartos do excesso - alguém consegue dizer quantos discos de Black Metal são editados por mês? E de Death? E outro subgénero? Resposta: centenas! Isto sem mexer um milímetro do padrão criado entre os anos 70 e 90 do século passado. Tocam algo de relevante e que alguém se lembre um disco depois? Não, daí que a Nostalgia pelos "anos dourados" do Thrash (Slayer), Death (Morbid Angel), Black (Venom) e Grind (Carcass) sejam sempre ângulo de observação por todos os metaleiros. Nada bate aquele disco de Sepultura ou Candlemass... Nem no Rock há esta sensação de desamparo e orfandade, mesmo depois dos Beatles, Doors ou David Bowie terem ido desta para melhor.

Tudo em excesso, torna-se banal. Vejo os Metaleiros como crianças, as mais perdidas de sempre neste mundo do Caos da Aldeia Global. Fazem "checklists" de quantas vezes viram Godflesh (ao menos que seja Godflesh, foda-se) a tocar ao vivo aquele álbum específico, quantas edições e em cores diferentes tem um determinado disco, etc... É o consumidor mais passivo de sempre, o verdadeiro burguês mais agarrado ao "vil metal". Não percebo muito bem porquê ou como se deu esta deformação, afinal os metaleiros e as metaleiras dos anos 90 ou eram uns anjinhos lindos ou eram uns brutamontes bêbados mas ninguém parecia muito materialista. Se calhar foi romantismo meu sobre estas criaturas na altura, uma fantasia que acabou e vejo-os tornarem-se em hipopótamos, não só por ser o público mais gordo em qualquer concerto mas por serem conformistas.

Uma teoria de "nerd" será que talvez tenha sido o Goth e o Black nos anos 90 que estragaram o Metal, trazendo a velhacaria da Extrema Direita e má literatura? Ou é apenas porque o Rock e o Metal já têm 70 e 51 anos respectivamente? É difícil ter uma cabeça aberta com estas idades... É natural, como os ranchos folclóricos, tornarem-se cristalizados e tradicionalistas. Ficam pasmados por os putos irem ouvir Electrónica e Hip Hop, claro que sim! Melhor pegar num software que em riffs de dinossauros!!!

Mas o que dizer dos gajos do Jazz? São outros coleccionadores anais de discos. Mas o pessoal do Jazz é burguês, é natural que sejam uma seca per se. O Metal deveria ser um ponto de libertação da classe operária, porque são os metaleiros como bem se sabe, que conduzem os nossos metros, são eles que fazem o design dos panfletos do Continente, são eles que trazem os discos que comprastes na puta da Amazon, são eles que carregam as tubagens dos sanitários, são elas que cuidam dos nossos bebés nos jardins de infância, caramba!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Este tipo tem 68 anos e continua a fazer coisas tão interessantes.

A bela frase do título deste "post" é uma declaração do David Fonseca numa entrevista no último número da revista Blitz.
Pois é, Fonseca, o David Bowie tinha 68 anos e continuava a fazer coisas interessantes, ao contrário de ti que não deves ter mais de 40 e precisas de o vampirizar (camuflado de homenagem oportunista) para venderes discos com os teus outros amiguitos nulos que tal como tu nem fazem nada de interessante como não têm ideias...
Admiram-se por estar aqui a falar do Blitz? É razão para tal porque esta foi a quarta vez que comprei a "revista-ex-jornal" desde que surgiu nesta fórmula editorial em 2006. Acho que comprei os dois primeiros números por hábito de consumo do jornal semanalmente. Ao segundo número irritei-me e deixei de comprar esta trampa.
Passado mais de 10 anos, nada mudou, a revista continua a ser uma bosta de velhice burguesa que é constrangedora. O motivo de ter comprado este número? O CD dedicado à Ama Romanta que nada adianta para os colecionadores anais que tem toda a discografia alguma vez produzida em Portugal (não é o meu caso mas conhecia a maior parte do material editado) mas é um bom serviço público de divulgar o que foi a mais emblemática editora fonográfica independente nacional dos anos 80.
Com muita vergonha comprei esta publicação com a capa da banda mais nojenta do mundo - meu, se o Trump os bombardeasse até eu votaria nele nas próximas eleições (oh yeah!). A outra vez que comprei a revista foi também graças a um CD e um Canibal na capa porque de resto os discos que acompanham tem sido do pior, ou xungaria ou velhotes que ao contrário do Bowie já não tem nada para oferecer ao mundo a não ser velhas glórias. Poderiam acusar de que este CD - Ama Romanta : 1986-1990 : uma História Divergente - também poderia estar neste grupo das velhas glórias para nostálgicos mas ouvir Sei Miguel ou Mão Morta passados 30 anos garanto-vos que ainda não entraram no registo datado nem as suas produções mais recentes ao contrário de tudo mais que se produz no pop/rock português ou o que é divulgado pelo Blitz. De resto a entrevista a João Peste é suficientemente demolidora face à situação...
Futuro da revista? Só a coluna do Dr. Bakali que mesmo nos tempos do formato jornal divulgava tanto fanzines de BD como alta-tecnologia. Hoje continua ser a única voz na revista com um pingo de sanidade, inteligência, cosmopolitismo e contemporaneidade, tarefa nada fácil nos tempos do pós-modernismo e nostalgia pechisbeque.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Maximum Rock'n'Roll

A MRR é um dos fanzines punk mais emblemáticos e resistentes (existe desde 1982!!) vindos dos EUA. No entanto por vir da terra dos porcos imperialistas não significa que registe a cena nacional apenas, muito antes pelo contrário o que não faltam são artigos desde o México à Dinamarca, de Espanha ao Brasil.
A parte dos discos será a que menos me interessa porque já recebo as minhas doses homeopáticas de Rock. Embora a MRR passe muito pela música (música que tenha bateria e voz senão não entra!) também tem muitas colunas de opinião em que se discute política, prostituição, queercore, vivências, livros, filmes e arte. E até BD! Sobre o caso Mike Diana, os ataques de extrema-direita ao Le Dernier Cri, sobre Nathan Ward, Ben Passmore ou a editora Silver Procket. Os números recentes que adquiri eram números especiais, um sobre fanzines (o que eles tem a dizer depois do mundo web 0.2) e sobre "arte punk" - o que é isso?
Zeus! Mexer neste zine faz-me pensar o que aconteceu à imprensa portuguesa que deixou de existir - se isto for indício de velhice, admito que sim, meu, não era mesmo fixe pegar três em três meses um novo número da Mondo Bizarre e mais ainda da Underworld / Entulho Informativo!? De resto, o que temos de imprensa musical? Nada, só blogues feios e redacções homofóbicas como as da revista Blitz, Diário de Notícias, Expresso, Público e I - digo isto porque todas receberam exemplares do livro do Queercore e ignoraram-no, o Público que sempre escreveu sobre os livros do Rui Eduardo Paes, desta vez fechou-se nas suas copas... Pelos vistos, tem de ser como "no antigamente" (antes dos anos 90), é preciso comprar publicações estrangeiros para matar o marasmo editorial!

A hamburgeria vegetariana / discoteca Black Mamba (do Porto) distribui este fanzine em Portugal. É ir lá comer um "punkburger" e comprar o último número da MRR... é uma boa desculpa para ir ao Porto-cada-vez-mais-parecido-com-Lisboa-que-nojo! [à parte, numa recente visita ao Porto vi um grafito pintado a azul que dizia "Lisboa" apenas...] 

sábado, 24 de setembro de 2016

Brad Morrell : "Nirvana & O som de Seattle" (Relógio D'Água; 1999)

Faz hoje 25 anos que foi editado (e explodido) o Nevermind (DGC; 1991) dos Nirvana e foi há 17 anos que se publicou a versão portuguesa deste livro. Nem sabia que existia, foi daquelas compras a 5 paus na Feira do Livro de Lisboa, no stand daquela que será a maior editora portuguesa independente (no termo que não faz parte dos cabrões das Leyas e afins...).
É assim tão bizarro ter um livro sobre Rock em Portugal? Sim é muito raro editar-se sobre o tema ao ponto que os poucos livros que existem, pelos vistos, nem são bem divulgados - olhem para o Blitz que não divulga os livros do Rui Eduardo Paes como exemplo... Sim, os portugueses não gostam de ler, povinho ignorante, e ainda menos de ler sobre música. Mas lá está... temos esta pequena pérola, um livro sobre Rock escrito à americana ou à escrita Rock canalha sem papas na língua sem deixar de ser bem documentado e de bom gosto sobre o que foi a carreira desta banda tão importante - sim, ainda gosto deste trio improvável - incluindo as polémicas em volta das vidas privadas de Kurt Cobain e Courtney Love. O livro conta também porque existe o outro lado da mesma moeda sonora - os "parolo geme" - na mesma cidade que trouxe pela última vez Barulheira para as tabelas de venda.
Já agora, é de apontar que nos últimos anos houve edição portuguesa de mais "rockers" como Patty Smith (biografia e poesia) e Kim Gordon, A Miúda da Banda... Quem diria que isto é editado por cá? Ainda por cima, de "gaijas" rockers! Afinal há Esperança para este país! Para comemorar tantas razões de ânimo vamos lá pôr as colunas no máximo a bombar o Nevermind, sobretudo a faixa Endless, Nameless!

sábado, 10 de outubro de 2015

Mercantologia 8: Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology


Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology
de
Marcos Farrajota
Oitavo volume da Colecção Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines.
80p. 15 x 21 cm
666 exemplares
ISBN: 978-989-8363-34-3
PVP: 10€ (50% desconto para sócios, jornalistas e lojistas) à venda na Chili Com Carne, a partir de dia 10 de Outubro na Mundo Fantasma, BdMania, Letra Livre, Artes & Letras, brevemente na LAC, El Pep, Matéria Prima,... seguido de FNAC, Bertrand,...

Eis a terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota depois de Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne nesta mesma colecção. O novo livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology reúne material disperso em várias publicações - incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Metalfest mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por "s" como a Suécia ou a Sérvia!

As Bds que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto - Puppetmastaz, Repórter Estrábico ou Dälek - como algumas "fim-da-linha" como os Dr. Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.

O livro vai ser lançado em Outubro, primeiro numa exposição homónima na Mundo Fantasma (10 de Outubro, às 17h) e outra no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito da exposição SemConsenso a inaugurar no dia 31 de Outubro.

Ah! E o Rudolfo vai participar no livro... com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!

...

sobre o autor: Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa tendo sido responsável por várias publicações e eventos como o Salão Lisboa 2003 e 2005. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita (26 números). Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD: Publish or Perish, Amo-te, Osso da Pilinha, Stereoscomics (França), Milk & Wodka (Suiça), Prego (Brasil), Cru, White Bufallo Gazette (EUA), Shock, Blitz, Free! Magazine (Finlândia), Bíblia, V-Ludo, Umbigo, Pangrama, Stripburger (Eslovénia), Pindura (Brasil), My Precious Things, Banda, Page, Biblioteca, La Guia del Comic (Espanha), Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, Zundap, Inguine Mah!gazine (Itália), Splaft!, Kuti (Finlândia), š! (Letônia), Hoje, a BD - 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa), Crack On (Forte Pressa), Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa (Museu Berardo), Boring Europa (Chili Com Carne), Futuro Primitivo (Chili Com Carne), No Borders (Alt Com), Sculpture? (Cultural Center of Pancevo), Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti (Edizioni Del Vento), Metakatz (5éme Couche) e Quadradnhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Festival de Treviso).

Criou e escreveu a série Loverboy (4 volumes) com desenhos de João Fazenda, tal como já escreveu BDs para Pepedelrey, Jorge Coelho e Fábio Zimbres. Tem feito capas, cartazes e BD's para bandas punks e afins: Acromaníacos, Agricultor Debaixo do Tractor, Black Taiga, Censurados, Crise Total, Çuta Kebab & Party, Gnu, Gratos Leprosos, Ideas For Muscles, Jello Biafra, Lacraus, Lobster, Melanie is Demented, Peste&Sida, Rudolfo, Sci-Fi Industries, shhh..., Sunflare, Vómito e Whit. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como BD & Cafeína - performance de 24h (1997), Feira Laica (2004-2012), Pequeno é Bom (2010),... Bem como de acções de formação (Ar.Co, IPLB,...), colóquios, um programa de rádio - o Invisual (Rádio Zero, 2008-09) - e sessões de unDJing tendo já "tocado" (pffffff) nos Maus Hábitos, Festival Rescaldo, Jazz em Agosto, Bartô, Sabotage Club e Damas.

Já participou em algumas exposições de BD sobretudo colectivas - sendo de salientar a Zalão de Danda Besenhada, o último salão dos independentes na Galeria ZDB (2000), LX Comics 2001 na Bedeteca de Lisboa (2000/01); Mistério da Cultura na Work&Shop (2008) e Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011); bem como em vários festivais: BoDe, Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, KomikazenMAGA e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito gosto e lágrima no olho ao desafio de mostrar originais seus (horríveis e em visível degradação perversamente antecipada) na galeria da loja Mundo Fantasma - um grande chi-coração ao Zé e ao Júlio!

Estava previsto um "stand up comedy" para a inauguração mas o autor não foi rápido o suficiente para preparar a peça! Shame on tha nigga!


Bibliografia: É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), Loverboy (c/ desenhos de João Fazenda, 4 volumes, Polvo, Chili Com Carne; 1998-2001, 2012), NM2.3: Policial Chindogu (c/ desenhos de Pepedelrey, Lx Comics #9, Bedeteca de Lisboa; 2001), Noitadas, Deprês & Bubas (Mercantologia 3, Chili Com Carne; 2008), Raridades, vol.1 (c/ arg. Afonso Cortez Pinto, Zerowork Records; 2009); Talento Local (Mercantologia 4, Chili Com Carne; 2010), 15º SWR DVD (SWR inc.; 2013).


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FEEDBACK: Toast!!!And the Jamaican use of the word refers to "extemporary narrative poem or rap" like in reggae music, but toast also means a call to drink's at somebody's health or good news. In our case, the release of the Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology book !!! DJ Balli ... UAUH..... respect.... 666 exemplares? o must :-) Luís Lopes ... 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Luís Jerónimo e Tiago Carvalho : "Escritos de Fernando Magalhães : Volume 1 - 1988/1991" (Lulu; 2014?)

Fernando Magalhães (1955-2005) era um crítico de música que passou pelo Blitz e Público mas mais do que isso deixou (boas) memórias a muito melómanos. Qualquer morte é trágica, no seu caso com apenas 50 anos percebe-se que a injustiça - a Morte é a entidade mais democrática de sempre mas também a mais injusta porque só leva os bons mais cedo que os sacanas! Esta injustiça trás a vontade de todos os que realmente sofrem com a Morte (nós, os vivos) tenham vontade de combater o esquecimento de quem partiu. Mas não deixar que se perda a memória não quer dizer que se faça desta forma, num dos piores "livros" algumas vez feito no mundo! O objecto é um caderno A4 que até poderia lembrar as boas e velhas antologias Re/Search caso não fosse tudo do pior! Aliás, qual livro? Isto parece um trabalhinho da Secundária: com sumário, sem ficha técnica, espaçamentos horríveis, capas de discos com o pixel a rir-se de nós, tamanho de letra exagerada, etc, etc... uma lista de horrores editoriais e gráficos que até parece que quem fez isto nunca viu um livro na vida.
Que Magalhães fosse um melómano dos bons, acredito, pelas referências que aparecem nas suas críticas a discos - da Diamanda Galas ao John Zorn, de Magma a Negativland - pois acompanhava o que realmente interessava no momento em que viveu. Mas é preciso fazer livros que juntem todas as resenhas críticas que ele escreveu? Mesmo os discos de merda como os dos Talk Talk ou Garth Brooks - aqueles que era obrigado a escrever na redacção do jornal para pagar a renda e a comida? Aqueles discos que humilham qualquer um porque têm mesmo de se escrever porque senão o Editor do jornal despede-te? Mesmo que o crítico bata neles com alguma violência ou mordacidade são discos que não passam o teste do tempo e são inúteis - até para relembrar quem não gostava deles!
Uma selecção de textos não seria mais honesto? Não teria preferido isso o crítico ausente? Ou separar as águas, um livro dedicado à música que realmente Magalhães admirava e que gostava que chegasse a mais público e um outro livro do tipo humorístico? um do tipo "A Merda Pop dos Anos 80/90" para pisar a mediocridade com o seu humor crítico? Ou será que é mesmo possível conciliar os dois extremos num livro? Até pode ser que sim mas neste desastre editorial  de "boas intenções está o Inferno cheio" temos um livro (que pode ser impresso a pedido pela plataforma em linha lulu.com, creio eu) que é completamente amador e triste... E com tanto designer por aí a precisar de trabalho!
Assim mancha mais a memória do falecido... Convenhamos, alguns textos dele eram para encher-chouriços que nem passados 27 anos fazem sentido relembrar. Tudo isto lembra a expressão "deve estar a dar voltas no caixão" mas por questão de respeito, não vou escrever essa expressão... ops! Acabei por o fazer! Pois... E basicamente é esta a sensação que se tem do "livro"!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

An I been watchin' you shake dat ting


A Dona Zarzanga arranjou um verdadeiro "blast from the past" de quando ainda era GoldenShower e muito especificamente da única vez que fui expulso da cabide do DJ. 
Num bar do Pinhal Novo disseram-me que podia ter som no âmbito de um evento de BD, sabia que ia lidar com um público generalista, por isso não ia poder por Brujeria ou Einstürzende Neubauten a matar. Apesar de estar a passar Dancehall e Hip Hop, de 10 em 10 minutos o dono do bar, os empregados e o público vinham perguntar quando é que ia começar a passar House! O cabrão do dono até arranjou um DJ sobressalente (de House!) que ficou nas minhas costas! A dada altura fiquei totalmente nervoso que entornei uma imperial no amplificador, resultando na minha expulsão oficial. Gamei um CD do Sean Paul (bem bom!) como vingança e soube que passado alguns meses o sítio ardeu... Ainda bem, era uma porra cheio de gajas a cairem ao chão às 22h prontas a serem violadas por gajos de manga cava paneleiros sem puderem sair do armário e como tal prontos a morrerem num racing na ponte Vasco da Gama! Talvez a única coisa boa daquilo foi que o Esgar Acelerado conheceu o João Maio Pinto para continuar a série de bd Superfuzz no Blitz-jornal... Pensando melhor, o Superfuzz era também uma valente porcaria com ou sem Pinto...
Tenho mesmo que voltar para Portugal? Não arranjo lugar de DJ residente num bar no bairro de Kalio em Helsínquia? Bêbados por bêbados pelo menos não percebo finlandês! Eventualmente: perkele!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Loverboys


Ei! Não é a primeira vez que sou fotografado por alguém profissional... Em 1999, a Rita Carmo fez uma sessão fotográfica comigo e o João Fazenda para a promoção das bd's do "Loverboy" no jornal Blitz.
O resto é História: falhamos um prazo de entrega e o Blitz deu-nos com os pés, dizendo que estavam a publicar as últimas páginas antes dos autores terem desaparecido numa floresta italiana - o Fazenda na realidade é que falhou o prazo indo de férias para Itália esquecendo-se de entregar pranchas para as semanas que estaria fora. A ideia dos autores desaparecidos era um ripanço total à ideia do filme Blair Witch Project que estreou nessa altura... Na realidade os tipos deviam estar loucos para nos despachar das páginas do jornal porque a estória que estava a desenvolver era uma espécie de "Manoel de Oliveira em LSD" - que deu no livro Loverboy (...) muda mas fica igual (...) (Polvo; 2001) - onde nada se passava a não ser pessoal a andar de um lado para o outro após terem tomarem ácidos num acampamento selvagem. Substituiram-nos mais tarde pelo inócuo Superfuzz, granda-treta!
Pelo menos tudo foi divertido: a sessão fotográfica (o sorriso não é forçado!) e a bd mamada estava mesmoa a ser publicada semanalmente sem nada de relevante estar a acontecer... acho que se pode ainda considerar esta bd de "experimental" mesmo que o "Loverboy" fosse um produto comercial. Ainda me lembro do Fazenda perguntar-me ao telefone "o que achas que isto quer dizer?", sobre o facto de terem escrito uma caixa de texto sobre termos "desaparecido e que eram as últimas pranchas a serem publicadas". Hahahahahaha
Recentemente encontrei a Rita Carmo na inauguração da Tinta nos Nervos - daí a recuperação destas memórias parvas + foto. Uma coisa curiosa que ela disse foi que foi a inauguração no CCB com público mais eclético e com a maior presença de pais dos artistas... Com estórias assim é natural que os autores levem os pais ao CCB para mostrar que valeu a pena terem aguentado as asneiras dos filhos, certo?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quase chorei com esta entrada...


Marcos Farrajota (Lisboa, 1973) é um dos mais activos agentes da cena da banda desenhada portuguesa contemporânea, enquanto programador, editor e formador da Bedeteca de Lisboa (desde 2000) e noutros círculos mais independentes, e sobretudo enquanto editor das publicações da Associação Chili Com Carne (1995) e MMMNNNRRRG (2000), cujos títulos deram a conhecer a um público mais alargado alguns dos autores de Tinta nos Nervos, autores estrangeiros de círculos underground/independentes ou editando projectos internacionais como Crack On (Chili Com Carne/Forte Pressa: 2009). Mesmo como radialista (Invisual, Rádio Zero: 2008-2009) e “UnDJ”, a sua actividade procura as relações com a banda desenhada. A sua participação em fanzines recua alguns anos, destacando-se o ainda existente Mesinha de Cabeceira (o qual se tornou um “selo” de vários títulos), que fundou com Pedro Brito em 1992, ou os títulos Publish or Perish (com Rafael Gouveia) e Osso da Pilinha (com Joana Figueiredo); publicou muitas histórias e trabalhos em títulos tão diversos Quadrado, Zundap, os jornais Blitz e Público, as revistas Bíblia, V-Ludo e Underworld. Assinando como “Marte”, escreveu os três volumes da série Loverboy, desenhados por João Fazenda (Polvo: entre 1998 e 2001) e NM2.3: Policial Chindogu, desenhado por Pepedelrey (Lx Comics no. 9, Bedeteca de Lisboa: 2001), mas escreveu também para autores como Pedro Brito, Rui Gamito, Jorge Coelho e o brasileiro Fábio Zimbres, e desenhou uma pequena série escrita por Pedro Moura.
Enquanto autor a solo, conta na sua bibliografia com os livros É sempre tarde demais (Lx Comics no. 2, Bedeteca de Lisboa: 1998), e as antologias Noitadas, Deprês & Bubas (Chili Com Carne: 2008) e Talento Local (Chili Com Carne: 2010).
Marcos Farrajota trabalha no interior dos seus limites enquanto desenhador através de uma genuína atitude devedora do “do it yourself”, da “art brut”, composições de página inusitadas, um emprego criativo da matéria verbal que espalha pelas imagens, mas sobretudo pela intensidade das suas narrativas. Se bem que podemos encontrar já em Bordalo Pinheiro e outros autores pequenas experiências autobiográficas, é Farrajota, influenciado por autores como Harvey Pekar, Robert Crumb e todo o grupo dos autores norte-americanos dos anos 1990, quem se tornou um dos percursores mais visíveis da autobiografia moderna em banda desenhada em Portugal (que, fora parcas experiências, não é de todo um género comum no nosso país, com a possível excepção de Marco Mendes). Poderemos eventualmente irmaná-lo com autores tais como Mike Diana ou Christopher Webster, que publicou, pela veia cáustica, mas encontrando em Eddie Campbell e em Ralph Steadman possíveis modelos de um uso livre de tintas e riscos no adensamento das imagens (Hunter S. Thompson, com quem Steadman colaborou, é também um modelo no posicionamento “gonzo” das reportagens de Farrajota em torno do mundo musical). Os concertos a que assiste, as experiências - boas e más - com os amigos, as relações humanas, com o mundo, os delírios e os sonhos, transformam-se na matéria comum da franqueza das suas histórias. - Pedro Moura in catálogo da exposição Tinta nos Nervos, distribuído pela Chili Com Carne

quarta-feira, 3 de março de 2010

Em Lisboa a Cultura Beta ganhou! Confundiu a "cultura alternativa" com o "chic-freak" protagonizado pelos horror pós-colonialista dos Terrakota e materializados por espaços como a Crew Hassan que vinculam chavões para tias tontas como o Jazz (mas o Jazz técnico dos John McLaughlin que ninguém suporta), o Yoga e a Dança do Ventre (para fazer dinheiro com pessoas desiludidas com o quotidiano) e a World Music (limpa pelo empresário caucasiano).
Lisboa não tem Punk nem Metal, nem Rock nem Electrónica. Lisboa é um paraíso de ratazanas que exploram toscamente o turismo estrangeiro que deslubrado pela beleza da cidade esquece que não encontra cultura alternativa ou independente - a maioria dos turistas devem pensar que deve haver uma cultura tão "underground" em Lisboa que não conseguiram encontrar na primeira visita. E é verdade, ela está em Corroios (o punk e metal), no Barreiro e Almada (o Rock) e a Electrónica? Bem, temos de apanhar o Inter-Cidades para o Porto!

Neste panorama desolador, a tendência é sempre para piorar e serve este "post" para revelar a experiência horripilante da última Quinta-Feira à noite no Bacalhoeiro (outro sítio que propela alternativa mas é só serve para lugares-comuns) e o concerto de Pássaro, organizado pelo Movimento Alternativo Rock (!) que copiam o "template" FlorCaveira nas formas mais fúteis, nomeadamente o DIY (meramente) tecnológico mas sem o pathos, a estrutura colectiva (porque pensa-se que "União faz a Força" mesmo sem talento) e o regresso do português e/ou do cantautor mas com resultados succedâneos e chatos. Ou seja, um bocejo total porque tudo é bonitinho e certinho. Com letras de poesia asséptica e tão impessoal que se pensa que foi um Robot que a escreveu. Mas cada vez que acabava uma canção os amigos todos aplaudiam, claro. Na casa-de-banho percebi que alguém mijou contra as todas paredes, bidé, tampo da sanita e por todo o lado, talvez desesperado para se divertir de tanta modorra ou tentar, de forma frustrada, imagino eu, fazer com que a estadia de todos nós ficasse o mais desagradável possível - é realmente anti-democrático esta atitude mas até entendo! Depois do concerto ainda me passaram um CD poluente, um CD-R só com uma música do concerto - giro não é? receber um "recuerdo" do que se acabou de ver! - mas que 1) a capa foi para o papelão, 2) a rodela foi para o plasticão e 3) a caixa foi usada para outro CD-R. Vamos Limpar Portugal! E a começar por Lisboa!

Na mesma semana saiu na revista Blitz a única capa que não tem um artista vendido ou morto, ou seja o grande Adolfo Luxúria Canibal de cigarro na boca e a fazer de talhante. Um aberração do século passado, um primitivo dinossáurio dirão os estúpidos de Lisboa tão habituados a serem asseados e pseudo-cosmopolitas. Além da entrevista ao Canibal, a revista vinha acompanhada de um CD, E-Spam 001 (Enchufada; 2010).
A capa do disco é nojenta - desde de quando é que um ambiente de conta e-mail é uma boa ideia para uma capa!? E se começa muito mal com os PAUS - uma imitação perfeita dos Battles, que chega a ser díficil de perceber quem é quem a dada altura, até no grafismo da banda houve cópia! É mesmo uma imitação de sem-vergonha feita por lisboetas fraudulentos com poder mediático nas mãos, tão falso como foi CAVEIRA ou os Vicious 5! Depois... depois quase que ouvimos sempre "kuduro progressivo", ou seja, o "up-grade" do Kuduro (Techno xunga que apareceu em Angola) reinventado pelos Buraka Som Sistema em 2006. Há também algum Soul-House (Orelha Negra, Coca o F.S.M.) e Rock Electrónico (Youthless) sofríveis (porque sofro quando os oiço!), e ainda Dubstep (DJ Riot) e o Trip-Soul dos 1-UIK project com a óptima voz e letra de Kalaf que impressiona sempre que se mete num projecto - será o Kalaf o Canibal neste milénio da letargia?
Escrevia-se no Expresso neste fim-de-semana que ao menos esta colectânea cheirava a 2010, o que é quase verdade uma vez que a revolução Buraka e o álbum de estreia dos Battles foram em 2007 mas sempre mais vale ouvir algo com três anos de atraso do que música de «setenta, oitenta e noventa» como o resto do panorama português. A edição em Portugal continua eternamente com 3 anos de atraso, o que quer dizer que apesar do excelente esforço dos Buraka (e este CD é mais um esforço sendo eles os editores / promotores do disco) ainda não se conseguiu romper o muro de cinzento de Portugal nem se conseguiu chegar à tão desejada mestiçagem. Mas sinceramente, onde se pode ouvir Kuduro em Lisboa quando nem se quer existe B.Leza? E Mão Morta onde se ouve? Em casa (às escondidas?) como nos tempos do Dr. Salazar...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

#13

HOJE: 22 de Outubro, é um dia que marca duas datas importantes, por um lado comemora 15 anos de existência do zine Mesinha de Cabeceira (MdC) e por outro 10 anos da publicação do número 13, a primeira edição da Associação Chili Com Carne. Estando em curso as comemorações da CCC e uma vez que a edição em papel encontra-se quase esgotada (só sobram pouco mais que sete exemplares), foi decidido criar uma versão em PDF que pode ser descarregada gratuitamente para que o seu conteúdo não desapareça da fraca memória nacional. Do que faz este número algo de tão extraordinário? De facto, as questões envolta da edição seriam solipsistas e pouco interessantes para o público, por isso, acreditamos que só há uma razão para o MdC ser importante: a bd sem título de 39 páginas da autoria de Nunsky.
O Nunsky, cujos dados biográficos não são significativos ou divulgados, foi um cometa na enfadonha bd portuguesa. Participou em vários números do MdC quando este ainda era um zine em fotocópias, sempre com bd's de temática Punk'n'Roll mas com um significativo virtuosismo gráfico ímpar. No "número 13", as influências de Charles Burns ou de Love & Rockets poderão ser óbvias, é certo, no entanto nunca foi feito um trabalho deste tipo, uma catarse de amor psycho-punk-goth, regada de referências de Série B. Uma estória de uma banda obscura cujo vocalista sofre de alcoolismo e obsessão psico-patológica por um amor impossível. Os ambientes de concertos suados, violentos e brutais, bem como da vida urbana são minuciosamente gritados acompanhados por uma bateria narrativa perfeita.
No meio da bd portuguesa, esta bd/edição foi perfeitamente ignorada pelos pretensos divulgadores e críticos. As únicas reacções (e muito positivas) vieram da imprensa musical: «fanzine de intenso punk meio gótico, revela uma coesão gráfica e narrativa acima do que nos habituámos a encontrar nestas publicações» in Blitz «com problemas psíquicos (Alien Sex Fiend). Altamente recomendável» in Underworld / Entulho Informativo.
Dez anos depois, ainda hoje em Portugal ninguém faz 39 páginas de bd mesmo como catarse.

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sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Quem ouve música também gosta de ler sobre música - IV

Falava eu da tristeza da imprensa musical em Agosto, e nada melhor que uma rentrée para ver UM novo projecto a brotar do deserto português. Falo do jornal UM, em que só o título é que nos relembra a tão referida tristeza - UM é mesmo UM mau nome, caramba!
De resto, há bom grafismo e usa-se a ilustração como ferramenta util, há bons textos vindos dos restos mortais da redacção do antigo Blitz-quando-este-era-o-Blitz, há atenção ao que se passa por ai (espaços culturais, bandas, formatos editoriais, etc...) e de forma geral, existe boa comunicação (que é a simbiose de todos os elementos referidos).
É quinzenal e apanha-se gratuitamente nas FuNAC's (infelizmente), Trem Azul, Galeria ZDB, XM (Coimbra), Louie Louie (Porto) e mais NUM sítio ou dois.
Já tem UM sítio na 'net onde se pode consultar (quase) todos os números em formato PDF.
Parabéns!

PS
Entretanto, no último número (ainda não está online) dois artigos sobre os direitos conexos, o primeiro defendido por Miguel Guedes (da pior banda de sempre, os Blind Zero e membro da Direcção da Gestão de Direito dos Artistas) e o segundo que coloca em dúvida o que se pretende implantar escrito por Ricardo Salazar. E se no segundo caso, as questões são óbvias e concordo com elas, quanto às intenções do Guedes, penso que são preocupantes. Quer ele criar mais um monopólio nojento como a SPA através de uma brecha de mercado esquecida? Prepara-se para receber a reforma económica já que de uma banda azeiteira como os Blind Zero não se pode ganhar muito? Prepara-se para foder pela segunda vez* a música portuguesa? Cuidado com este Loverboyzeco, o menino vem do Direito (logo tem a cabeça atrofiada pela metafísica da Justiça), não é nada burro e pelos vistos não tem virtudes - ainda me pergunto porque raios o gajo esteve metido na revista Cânhamo...

*a primeira foi com os Blind Zero em que passaram o ser o paradigma da música portuguesa dos anos 90: só há banda se houver profissionalismo, inoquidade, imitação de moldes e boa produção.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

all gone from V to X

V/A
Looking for stars
Your imagination
CD 2002 · Bor Land
Dois discos antológicos de nova música portuguesa: O 1º reúne 5 bandas representadas com 3 músicas cada. São elas: Old Jerusalem, Alla Polacca, Polaroid, Boiar e Abstrakt Circkle, todas elas ligadas ao Pop/Rock inteligente. As três primeiras bandas estão próximas das vertentes Folk/Alt.Country e Indie-Pop, já as duas últimas são mais difíceis de rotular pois divagam em atmosferas Jazz misturadas com Pop/Rock dos gloriosos tempos da MMP em que não havia vergonha em misturar qualquer tipo de sons para o melhor e para o pior: Pop dell Arte, Mler Ife Dada, Ocaso Épico, Lucretia Divina, Repórter Estrábico... Acho as primeiras bandas menos interessantes mas são as mais bem produzidas e confiantes mesmo quando copiam modelos óbvios. Um exemplo paradoxal, o tema "Geonav" dos Alla Polacca parece mesmo um inédito dos Radiohead (entre o "The bends" e o "OK Computer"), uma réplica tão perfeita que (até) soa bem - eu sei, é uma heresia... As últimas duas não parecem nem confiantes nem bem produzidas, o que é mesmo uma pena pois tem um imaginário maior! 2º disco, 12 faixas, 12 bandas: Bildmeister, The Unplayable Sofa Guitar, Old Jerusalém, Bypass, Alla Polacca, Wave Simulator, Boiar, Zoë, Dead Sea Israel, Stealing Orchestra, Polaroid e Moving Coil ou seja mais Folk/Alt.Country e Indie-Pop lamechas tirando os excelentes Stealing Orchestra (com uma faixa homónima da estreia "Stereogamy"). Acima de tudo o que se pode admirar destas bandas são as suas capacidades de composição e desconcertante intimidade exposta aos "receptores". E por falar em intimidade, esta é a linha editorial da Bor Land - basta olhar pelo minimalista design dos seus discos. Já não me lembro bem onde li o slogan da Bor Land mas era algo do tipo "não é por gritares alto que vais conseguir o que queres"... uhm... acho que era isso... uma piada às bandas do Metal!? 3 e 3,5 respectivamente

V/A: Matarroêses CD 2003 · Matarroa / SóHipHop
Colectânea do clã Matarroa, isto é, a Matarroa é um colectivo e uma editora de Hip-Hop com base em Matosinhos cujo o trabalho editorial tem sido exemplar. Sendo mais um lançamento (o terceiro) da Matarroa só vem confirmar o que a Matarroa pretende:
«Música alternativa porque não é para a maioria Música agressiva porque não tem fantasia» [in "Música Alternativa" por VRZ]
É certo que falamos aqui de Hip-Hop mas é um Hip-Hop bem produzido, bem trabalhado, consciente e inteligente, neste caso especifico este disco é um excelente catálogo das várias tendências do Hip-Hop suficientemente eclético para não enjoar: luta desgarrada de palavras entre MC's ("Yoko vs IP" por Yoko-Zoona & Inspector Mórbido), frases em velocidade desfreada ("Expansão suspeita" por Nokas), fusões com Reggae'n'Ragga (duas faixas por Bezegol) e Allah Drum'n'Bass (com o Fuse), letras com ligeira pronúncia africana e/ou divertidas ("A conspiração dos moskitos inofensivos" por Ikonoklasta), um instrumental "cool" (por Buster Bitz)... tudo razões para sentirmos que estamos a descobrir uma nova cidade musical, um El Dorado... em português! 3,8

V/A: Portuguese Nightmare, a tribute to the Misfits CD 2005 · Raging PlanetNão contem comigo para falar de discos que servem para fazer guita à pala de nomes famosos por parte de bandas obscuras. E é o caso deste disco? Por um lado acho que o sistema “associação a nome famoso para promover os que não são” é o que se passa por aqui mas por outro há aqui um estranho magnetismo, tão estranho como era o dos Misfits – uma banda medíocre mas com um carisma tão forte que se tornaram incontornáveis. E é o que se passa aqui, as bandas portuguesas são o que são (médias ou boas mas nunca brilhantes) mas conseguiram apanhar o brilho maléfico dos Misfits cada uma ao seu género: Core diversificado (Easyway, Simbiose, Day of the Dead), Metal pesadão (Decayed, Grog), Rock variado (The Temple, Capitão Fantasma, No-Counts D.O.M.), Nu-Goth (Cinemuerte, [f.e.v.e.r.]),... colocando a compilação numa confortável situação de que é possível unir (quase) todas tribos num bom disco. Destaco Mata-Ratos e Dead Combo (apesar de não gostar das bandas) por terem tido os tomates de fazer as versões em português (“Sementes do ódio”, “Hate Breeders” no original) e em instrumental (“Angelfuck”), respectivamente. Outro destaque para D’Evil Leech Project (uma violência de Extreme Metal!) e TwentyInchBurial – sem dúvida a banda com o binómio groove/peso mais equilibrado na cena Metalcore portuguesa e a confirmar que versões é com eles! Resta saber quem são os psicadélicos Octopus in the Fisherman’s Style – já que não se canta em português ao menos que se brinque com a língua inglesa... 4,2

v/a Summer One DVD 2005 · Metro Discos
Os tipos da editora Metro não nos enviaram o último CD dos excelentes Bizarra Locomotiva (quando até havia uma entrevista a esta banda no último número), mas enviaram um DVD de Surf! Que fixe! Que bom ver uma hora de homo-erotismo desportivo: betinhos em tronco nu, ondas a rebentar como uma ejaculação gigante do Rei Mar, rapazes bronzeadinhos a fazerem gestos obscenos com os dedões das mãos porque falharam uma ondita. O que aconteceu àqueles vídeos de Surf em que as melhores partes eram aqueles cortes de poucos segundos com gajas boas e enjoadinhas e de rabos bem queimadinhos? E de maminhas redondinhas? Ah! Este é o primeiro DVD de surf português com banda sonora só de bandinhas portuguesas, cujas músicas nem sempre se ajustam às imagens - nada de escandaloso, maus são os separadores digitais. Temos Rock electrónico, pós-Grunge, Nu-Metal, Funk, Dub num ecletismo saudável e atletismo participativo dos Braindead, Blasted Mechanism, Mofo, Tendrills, Anger, Rollana Beat, More República Masónica, Cool Hipnoise, e (oh, não!) Blind Zero (a banda mais azeiteira de sempre?). Pergunta-se porque não estão os Dr. Frankenstein – a banda surf!? Bem, pelo menos não estão aquelas bandinhas de Hardcore melódico, ufa! 2,7

V/A: Superfuzz - o.s.t. CD 2005 · Lowfly
A LowFly lançou mais uma colectânea, desta vez uma selecção de 26 temas de Retro-Garage-Rock’n’Roll-Punk-Blues-Surf escolhida pelo “Paiva” em pessoa! Conceito inédito, pelo menos em Portugal, uma vez que o “Paiva” é uma personagem de BD publicada no Blitz, da autoria de Esgar Acelerado e Rui Ricardo (actualmente desenhada por João Maio Pinto que colabora aqui no Underworld). Ok! Na verdade quem escolheu Dirtbombs, 5.6.7.8’s (sim, as japonesas do filme Kill Bill!), Monkeywrench, Knockout Pills, Act-Ups, Dr. Frankenstein, Insomniacs, Legendary Tiger Man entre outros foram o autor Esgar Acelerado e o editor da Mondo Bizarre, Hugo Moutinho. Curiosamente o disco cheira a “disco de oferta” desta revista (não digo isto como má língua!) pois 90% das bandas costumam flutuar por lá. A excepção a isso e a quase tudo no mundo (este sim um evento inédito!) são a estreia de Garina Sem Vagina, uma banda que existia... na BD. Cheira-me a piada dos autores! Já agora, “elas” soam a Surf Rock. Por fim, e mais uma razão para comprar o disco, a editora oferece uma impressão offset limitada de 1000 exemplares, numerada e assinada por Rui Ricardo. 3,7

VIVE LA FETE Grand Prix CD 2005 · Surprise / NTM
São 4 e meia da manhã, a festa cá em casa já acabou… Olha, chegaram os meus primos emigrantes… vêm da Bélgica e estão cheios de pica. (eu queria era pelo menos tirar as garrafas do quarto)
Os cabrões puseram uma cena qualquer na aparelhagem e estão a dançar aquela porra…
- “O que estamos a ouvir? (tosse de excesso de nicotina) Alguém tem um cigarro?”
– “É uma banda d'um gajo dos dEUS”, responde-me a Antoine Vanessa.
– “Ah!” (amanhã tenho tirar os vidros partidos por detrás do frigorifico) ... Foda-se! Quando é que eles se vão embora? E levam esta treta Electro-pop? Não tem a ironia fun & lo-fi dos Stereo Total (que os meus primos emigrados na Alemanha deram-me a conhecer), não tem a escatologia ou o carisma da Peaches, nem a estética lesbian-chic da Miss Kittin, nem… nada. (porra, quem é que vomitou no bidé!?)
E esta voz da gaja da capa (que a estas horas da manhã parece boa comó-milho!) viola as figuras da Brigitte Bardot e da Jane Birkin,… os anos 80 nos países francófonos devem ter sido um pesadelo como está a ser agora! Não admira que queiram meter fogo naquela merda... (Claro, alguém tinha de apagar os cigarros nos copos e nas canecas)
– “MALTA, C'EST FINI! A FESTA ACABOU!!!”
2

WHITE STRIPES Get Behind Me Satan CD 2005 · Third Man / XL / Pop Stock
O que posso escrever mais do que aquilo que já foi escrito sobre o último álbum dos White Stripes? Todos já sabem que não é um álbum típico de quem conquistou o planeta inteiro e a discoteca da província com o tema "Seven Nation Army". O que estamos presentes é o princípio que o duo sempre defendeu e pelo facto de serem umas estrelas mundiais não os tirou do caminho, ou seja, de provar que se pode fazer boa música sem mega-produções. O duo conhecido por só usar voz/guitarra/bateria ama a sua raiz musical norte-americana saltita pelo Blues e pelo Rock só que desta vez e contra a lógica comercial estão menos Blues e menos Rock pois vão alternando com um piano que soluça Ragtime. Para completar à riqueza musical ainda há triângulo, marimba e sinos. Este disco é como um delicioso Hambúrguer cada vez mais cheio de ketchup e outros molhos. O que não deixa de ser um "Hambúrguer White Stripes" nem de ser delicioso. Os não-irmãos-incestuosos são inteligentes. Se venderam a Alma ao Diabo, negociaram-na muito bem. Devemos afastá-los das prateleiras dos "sons retros" que nos empestaram nos últimos anos e também do "mais do mesmo". 4

WHY? Sanddollars the EP CD-EP 2005 · Anticon / Sabotage
Quando 'tou na fila para pagamento no Mini Preço há sempre uns expositores com coisinhas para levar, como embalagens de fritos-chamados-Doritos-sabor-Tex-Mex. E eu, consumidora como outra pessoa qualquer muitas vezes levo um pacotito. Quero dizer com isto que este EP do Why? tem de algo de Tex-Mex? Sim, mas só se for daquelas embalagens pequenas porque estamos perante um EP só de 20 minutos e 31 segundos que sabem a pouco e obrigam-nos ao "replay" - como os tais Doritos-sabor-Tex-Mex: ficamos viciados logo na primeira trinca daquela merda e não descansamos enquanto não acabarmos a embalagem toda como se fossemos uns animais! Why? sempre foi o artista mais "Pop" da Anticon, editora / colectivo de Hip-Hop alternativo (ver Entulho de Marte in Under #16) e com este EP que antecede o disco "Elephant eyelash" faz a sua grande viragem. Hip-Hop aqui? Aonde? Há restos deste género de música lá no fundo (da embalagem de Tex-Mex?) no uso das técnicas de Hip-Hop: samplagens, uso de beats, forma de cantar mas o que temos mais aqui é Indie-Pop/Rock (da boa!) acompanhada quase sempre de piano. É também um disco que Why? deixa de ser Yoni Wolf para passar a ser Yoni Wolf e mais 3 gajos. No fim do disco, depois de desistir de procurar o "HipHop" vamos encontrar grandes canções inteligentemente fabricadas sobre uma esquecida Miss Ohio, perdedores vários, a vida mundana, o quotidiano melancólico. Empacotado em brilho humano, como poucos ainda o fazem. Será a embalagem grande (o disco "Elephant eyelash") tão boa como esta mini-embalagem? No próximo número do Under alguém dirá... 4,1 assinado como Axima Bruta

WIRE The Scottish Play CD + DVD 2004 · Pink Flag / Ananana
Afinal esta edição é um DVD ou um CD? É difícil de adivinhar, por um lado temos um CD áudio com o concerto de 30.04.04 no festival Triptych (Glasgow) e por outro temos um DVD (muito simples) que também reproduz esse mesmo concerto (com imagem, claro) e ainda excertos de outro dado a 26.04.03 no Barbican (uma espécie de CCB de Londres) com uma excelente instalação de Es Devlin. A propósito disso, a banda está separada em quatro salas no palco, de frente (viradas para o público) são projectadas imagens – as mais impressionantes são as ampliações de partes das caras dos elementos da banda: nariz, olho, boca – enquanto a banda debita o seu high-energy Rock mesmo quando a média dos membros da banda deve ser igual à idade do meu pai. É pena que se fique pela típica imagem de gajos a tocarem, o que no caso dos Wire ainda é pior dada à sua mítica distância com o público. Aparte: nunca percebi lá muito bem porque o pessoal curte ter "ao vivos" de bandas... são sempre uma grande seca com as devidas excepções o que não é este caso. Porque não reproduziram o concerto do Barbican na totalidade? Ou pelos menos metade/metade. Se por um lado é incrível a energia e chinfrim debitado por estes cotas (pós)punkers – um gajo ainda pensa que os Stones são uns malucos – por outro passado um pouco a coisa começa a aborrecer, o melhor é ficar pelo CD áudio. Ainda assim, só na Inglaterra é que podia haver um fenómeno assim, uma banda mítica dos gloriosos anos do Punk que volta com temas originais. Em Portugal a cultura musical só dá para insistir no regresso dos Pixies, bah! 3,9

XEG Conhecimento, 1978-2004 CD 2004 · Matarroa / SoHipHop
Geralmente os press-releases dos discos são sempre uma seca, uma tentativa bacoca de convencer o crítico que o disco é muito bom e/ou de o ajudar a não pensar... bem, ou porque hoje é domingo ou porque o press-release desta nova produção da Matarroa (uma das melhores editoras portuguesas de Hip-Hop) traduz com sinceridade o produto que estão a promover, eis uma reprodução da mesma, sendo que subscrevo/acredito com aquilo o que é escrito. Marte «Xeg é um dos MCs mais populares no meio Underground do Hip-Hop Português. Com um currículo extenso que incluí participações em Álbuns e Mixtapes já considerados clássicos (Sam the Kid, Bomberjack, DJ Cruzfader), e outras mais recentes (Nbc, Kacetado, MatoZoo), não nos devemos de esquecer do seu disco de estreia, “Ritmo e Poesia” editado em 2001, com assinalável sucesso. [ok, esqueçam esta parte porque nunca ouvi nada disto tirando os excelentes MatoZoo] Ao longo da sua carreira Xeg, caracteriza-se por controlar a mesma, da forma como controla a sua vida, simples. Sem papas na língua, fala do que vê e sente, o que lhe tem rendido alguma animosidade e, claro, a falta de reconhecimento típica de quem lidera e não segue, num meio tão pequeno como é o nosso. Sejam os tópicos, sociais (Racismo, Guerra no Iraque e o Governo), passionais, ou direccionados para o interior do movimento Hip Hop, o resultado é sempre o mesmo: honesto, directo e no final, arrasador. [um bocado reaccionário de vez em quando mas percebe-se porque o Hip-Hop em Portugal está a ser a voz das novas gerações já que é a única música urbana politizada com uma actualidade viva] Vivendo e respirando Hip-Hop, da forma mais pura, este B-Boy dos anos 80, faz questão de nunca esquecer as 4 vertentes nos seus discos. E “Conhecimento”, não foge à regra, sendo um disco de batidas harmoniosas e melódicas, maioritariamente produzido pelo próprio, podendo considerar-se este segundo registo, como um filme da sua vida, onde muitas histórias são (deliciosamente) contadas.» 3,4

XEG Remisturas vol.1 CD 2004 · Matarroa / SóHipHop
Sétima edição da Matarroa, uma editora exemplar do Hip-Hop que é lançada agora mais uma edição toda XPTO de Xeg com um cortante bonito como sempre. Sobre o conteúdo da rodela, é de referir que é um álbum que Xeg remistura uma série de músicas de Hip-Hop: dele, de uns clássicos como os Líderes da Nova Mensagem (de 1994) e de "clássicos" recentes como NBC, Kacetado, Sam the kid, Valete, MatoZoo... As remisturas implicam uma nova produção, novas versões e na maior parte dos casos novas rimas. O disco é bastante fluído e porreiro de se ouvir, não chega a entrar muito nas disputas internas do pessoal do Hip-Hop, tem músicas bem funky e com pica - destaco "Crise financeira" e "Combate mortal" que são super-catchy - e só tem uma intro que é foleira - como geralmente são foleiras todas as intros. Foi uma boa forma de acabar o ano de 2004! Parabéns à Matarroa pelo trabalho desenvolvido! 3,9

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Quem ouve música também gosta de ler sobre música - I

É preciso ter tomates para por a Nelly Furtado na capa de uma revista de música. Ou a editora da gaja pagou muita bem à revista ou então a imagem de um editor com um testículo de boi na cabeça é digna de imaginarmos.
Não bastava os dinossáurios Rolling Stones no primeiro número do Blitz-Nova-Fórmula-Revista como agora temos uma campónia cujas músicas se resistirem um verão já é muito. O ano passado o Blitz andava em agonia, com sucessivos Directores a perpetuarem estupidez, mau-gosto e critérios mal-amanhados - o último saiu uma rica prenda, diga-se, foi ele que impingiu que uma capa boa para um jornal de música seriam os Abba, duas vezes seguidas os nojentos dos U2 ou qualquer coisa que se mexa e tenha mais de 40 anos de idade.
A desculpa desta decadência será o facto de não se vender tanto como nos velhos tempos por causa da 'net e outras desculpas esfarrapadas. Se calhar o que os editores esquecem é que não é pelo facto de haver mais informação livre e gratuita que isso possa equivaler à morte de um jornal ou revista. É (sempre foi) a capacidade de comunicar ou de ter conteúdos interessantes que fazem as revistas e jornais.
Ora essa "vontade" está cada vez mais ausente - se alguma vez esteve presente - nos meios de comunicação portugueses impressos. Pergunto-me a quem querem vender a revista? A jovens? Eles preferem as cabritas Shakira, Beyoncé e Britney Spears (é só escolher a pele, cabelo, ancas e rabo) e duvido que tenham tesão pela Nelly. Aos trintões para cima? Eles preferem ler as boas revistas inglesas que cada vez são cada vez mais fáceis de arranjar em presscenters - cada uma na sua área, como a Uncut (música e cinema), Mojo (arquealogia Pop) ou Wire (vanguardas e outros poemas) - com as vantagens que ao comprarem estas revistas ganham um CD e não parece que estão a comprar uma revista com aquelas das tipas das telenovelas e afins. E se puderem ir a Espanha sempre podem comprar a Rockdelux, que ao menos tem na capa os Gnarls Barkley no número de Julho-Agosto. É que os nossos irmãos ibéricos sempre souberam copiar bem o que vêem, e é por isso que a revista "sofre" de "moderno" e "arejado" e oferece como "regalo" um CD porreiro: Trojan: classic Jamaican sounds since 1968 (Trojan / PIAS Spain / Sinedín / Rockdelux; 2006) com Ibon Errazkin (um espanholito, ex-Le Mans e outros projectos), como "selector".
Não é porque tudo o que vêm de fora seja melhor mas que a parolada anacrónica tem de ser denunciada tal como as atrocidades dos infiéis norte-americanos e israelitas, lá isso tem!

terça-feira, 6 de junho de 2006

É Punk, estúpido!


v/a: "Trash! The roots of Punk!" (Mojo; 2006)

Apesar da 3ª Guerra Mundial já ter começado e ninguém ter dado por ela - é natural, ela começou e desenvolveu-se de uma forma que não a esperada -, o espectro do desemprego ou emprego precário e a impossibilidade de gozarmos a vida em plena riqueza material e espiritual, vivemos o melhor dos mundos porque actualmente é tudo à pala! Jornais no metro, revistas de música, toda a música do mundo (Viva Soulseek!), e não sei o quê mais. Basta comprar um pacote de fritos para engasgarmos com um brinquedo de plástico. Compramos o Expresso e levamos um DVD ou um bife de porco atrás. E uma revista sem CD áudio é impossível não haver - só o triste Blitz-versão-revista é que ainda não o faz sabe-se lá porquê mas quem quer saber?
Infelizmente a maior parte dos CD's de oferta são sempre feitas com um Design popularucho cheio de brilhos e efeitos feios (iguais aos dos refrigerantes e das t-shirts com temas do Wrestling americano), tem uma falta de coerência editorial na selecção das faixas e do seu ordenamento. São CD's que promovem um mercado limitado no tempo e na ocasião, e raramente ficam nas estantes dos fãs de música porque raramente podemos ver estes CD's como "discos" ou de "álbuns" - são promoções tão importantes como os samples de perfumes no Shopping ou nas revistas de mulheres.
Por mero acaso, o DJ Milkshake há alguns anos indico-me a Mojo - uma revista britânica de arqueologia Pop cujas capas tem sempre bandas de tipos com mais de 40 anos e/ou mortos, ex.: Rolling Stones, Led Zep, Sex Pistols, Radiohead... ok! já tiveram os betinhos dos Strokes na capa mas só porque a editora deve ter mexido uns bons cordéis - mas dizia... o Milkshake indicou-me a revista porque a dada altura eles começaram a fazer umas colectâneas bem interessantes na lógica comercial e linear do CD de oferta mensal. Foram quatro volumes de uma série intitulada Mojo Music Guide e cada volume tratava de géneros musicais como o Garage-Punk, as raízes do HipHop, a Soul e o Blues. Isto com um grafismo (muito) atraente e uma selecção bem esgalhada e pedagógica. Infelizmente, fizeram só quatro volumes e voltaram à xungaria de sempre. Ainda fazem algumas colectâneas temáticas engraçadas mas insistem nas capas mais impróprias ao conceito de Belo.
Por acaso, o CD do número de Junho até surpreendeu (o Iggy está sempre bem, man!) ao dedicar-se às origens do Punk britânico e onde vamos encontrar inesperadamente (ou nem por isso) bandas pré-1976 de Pub-Blues-Rock, Glitter/Glam Rock, Hard Rock, Psicadélico e Krautrock - e os Stooges, claro! Começa logo com a promiscuidade dos New York Dolls e o clássico Personality Crisis, T-Rex a seguir («Calling all destroyers») e vai por uma listagem de gente desconhecida (*) ou mais ou menos conhecida como os (alemães) Can, Mott the Hoople (potente!), Dr. Feelgood, Hawkwind (o tema é, curiosamente, Motorhead)... Assim até vale a pena ler sobre estórias da carochinha Pop/Rock da Mojo. No fim, ainda temos esperança no Rock'n'Roll Reeditado porque o que se ouve nos dias de hoje é mesmo uma meninagem frente às guitarradas destes burgessos dos inícios de 70 quando eles saiam malcheirosos das fábricas (quando havia fábricas na Europa e não na Malásia, foda-se!) prontos a emborcar pints, a pintar os lábios com baton rasca, a usar lantejoulas e botas de canudo cor-de-rosa ultra-choque. Ah!

Qualidade numérica: 4,2/5 Objectivo pós-audição: A capa não envergonha ninguém no meio da colecção!

(*) pelo menos para mim nomes como Hollywood Brats, Jook, Count Bishops, Hammersmith Gorillas, Kilburn and the High Roads, Eddie and the Hot Rods, Be-Bop Deluxe e Groundhogs não me dizem nada...

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

#19 : CanibalCriCa Ilustrada 1/3



48p. p/b + 16p. a 2 cores 26 x 21 cm, capa a cores, edição agrafada.


com BD's de Joana Figueiredo, Mike Diana (EUA), Estrompa & Pepedelrey, Tatiana Gill (EUA), Crizzze, Pedro Moura & Marcos Farrajota, André Lemos, Aleksandar Opacic (Sérvia e Montenegro), Dice Industries (Alemanha) e ainda com Nuno Valério (capa e ilustrações), Rafael Dionísio (texto com ilustração de Pedro Zamith), Mário Augusto (texto com ilustração de André Ruivo), João Cabaço (desenho) e João Bragança (ilustração).

apoios: CM de Cascais, IPJ e JF de Cascais

muito, muito bom aspecto! BD, ilustração e textos (na quase totalidade inéditos), de primeira qualidade para leitores de gosto exigente! Blitz Entre dessins agressifs, textes d'opinions et de bd's hétéroclites, cette revue graphique se veut un excellent portail pou rentrer de plein fouet dans l'univers de la BD underground Portugaise Underground Society liberdade editorial, formal e temática, um laboratório de experimentação narrativa e plástica por excelência publicação muito recomendável Mondo Bizarre um autêntico festim de loucura, humor, sexo e ironia, à mistura com textos corrosivos e inteligentes, traços livres e caóticos, num tom de orgia de nonsense criativo Umbigo arte insana, para finalizar o desvio dos sentidos Entulho Informativo Irreverente, directo, perturbador ou mesmo diabólico é este colectivo de artistas Elegy Ibérica

terça-feira, 22 de outubro de 2002

#16 : Super Fight II


George Grosz vs André Lemos

10 desenhos-boxe em serigrafia

livro agrafado 20p. 23x21cm, capa a duas cores, 60 exemplares com ex-libris
editado como o número 16 do zine Mesinha de Cabeceira, na comemoração dos seus 10 anos de existência
tiragem limitada de 199 exemplares, Outubro 2002 / ESGOTADO, exemplar disponível para consulta na Bedeteca de Lisboa
folheamento do livro possível aqui

Historial : exposição colectiva na galeria Kunstraum via 113 (Hildesheim, Alemanha) sob o título "Willi, George & Busch" ... acervo na Telefontilchefen ... referido no Zine Soup - A collection of International Zines and Self-Published Art Books

Feedback : fará a delícia dos leitores mais fetichistas Blitz É um trabalho de intervenção política, simbólico e pessimista Diário de Notícias

sexta-feira, 4 de janeiro de 2002

#15 : Sourball Prodigy


Mike Diana

edição em livro da bd mais longa de Diana, em inglês com um útil glossário

52p. 23x16 cms, capa 2 cores
ISBN: 972-98515-1-5
editado como o número 15 do zine Mesinha de Cabeceira e com o apoio da Associação Chili Com Carne
edição limitada de 666 exemplares. ESGOTADO
folheamento parcial do livro disponível aqui, exemplares para consulta e empréstimo na Bedeteca de Lisboa / BLX.

Historial : Obra seleccionada para a BEDETECA IDEAL da Bedeteca de Lisboa ... últimos 66 exemplares foram assinados e numerados pelo autot

Feedback : um longo desfile de fluidos corporais Diário de Notícias A sucessão de acontecimentos menos próprios é vertiginosa: Sadomasoquismo, abuso de drogas, assasinato e sexo, muito sexo! necrofilia... Sempre em imagens explícitas, que ganham outra violência num registo gráfico "naif". Curiosos? Blitz Provocação gratuita, mau-gosto declarado ou um apurado sentido estético e artístico? Mondo Bizarre É mais um azarado que cai nas mãos de um juíz idiota desse grande país de imbecis Janus Diana foi importante por ter suscitado um violento debate nos EUA em relação aos limites da liberdade de expressão Ler