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domingo, 15 de janeiro de 2012

Infecção bicéfala...



Portugal no seu jardim plantado à beira mar /
nasceram Morangos e Floribelas na campa de Salazar
Halloween in Um jardim à beira mar


O Hip Hop Tuga (péssima expressão!) tem o grande feito de ter trazido de volta a língua portuguesa para a música de cariz urbana, depois de oportunistas bacocos como os Blind Zero e Silence 4 terem tentado sepultado a língua numa enorme campanha de pseudo-globalização – previsivelmente falhada dada a óbvia falta de originalidade desses projectos. Só que os “hip hop tugas” ficaram-se por aqui, foram a resistência para o uso da língua lusa mas falharam tudo o resto ao apropriaram-se deste estilo musical de forma dogmática sem reflectirem se o modelo norte-americano fazia ou não sentido para a realidade portuguesa. Talvez por isso quase não há personalidades distintas no Hip Hop português, ou pelo menos é muito raro encontrar. Não faltam, claro, figuras inchadas, cheias de si, que contribuem apenas para que esse “Hip Hop Tuga” seja aquilo o que vernacularmente se pode chamar de uma “grande punheta” – digo-o não de forma gratuita porque basta ouvir as letras autofagicas e masturbatórias para perceber o que digo.

Claro que temos uma serie de instrumentistas competentes ou esgrimistas exímios de palavras (Sam The Kid, X-E-G) mas estas excepções surgem por serem os virtuosos de uma cena medíocre que segue um “beat” unilateral. Nas periferias deste movimento ainda vamos encontrar dois casos interessantes embora equidistantes, por um lado os Niggapoison, descendentes de Cabo Verde que começaram como banda de Hip Hop e cada vez são mais Dancehall e Kuduro, e do outro os beirões Factor Activo, vindos do Rock e que usam o Hip Hop para retratar a urbanização da província. São dois casos tangenciais ao âmago da cena. Dentro dela conheço só dois rappers que fugiram aos “templates”, são o Nerve e o Ex-Peão. O primeiro fazendo uma caricatura da vida “white-trash” e o segundo como retrato do homem desesperado versus a máquina do sistema. A juntar a estes dois artistas, (re)conheço agora Allen Halloween, com o seu novo e segundo álbum A Árvore Kriminal (Sonoterapia; 2011), que sim senhora, considero o “álbum do ano” em Portugal!

Escreve-se sobre ele nas “wikipedias”, que Allen é um luso-guineense que vive em Portugal desde os 4 anos num subúrbio lisboeta e que é um tipo reservado. Talvez por causa disso que o concerto que assisti na Music Box no final do ano tenha sido uma treta, não parece que o Halloween seja um tipo “live” – embora geralmente os concertos naquela casa nocturna não são bons, diga-se, ou porque não enche, ou porque é estupidamente cara a entrada e consumo, ou o habitual: o som da sala é péssimo. Seja como for, desconfio que Allen é bicéfalo – não se nota, ele esconde muito bem e realmente no concerto não descobri a sua segunda cabeça! Uma delas trata de temas que poderiam ser autobiográficas e pessoais enquanto que a outra encarna personagens malditas do gueto como o dealer durão ou o bêbado irrecuperável. Pelo facto de haver uma intersecção das duas cabeças – serão siamesas? – explode uma fantasia urbana brutal que criou o Halloween, personagem psico-dramática que deixa as pessoas fascinadas quando se cruzam com as suas músicas.

Em Portugal, Halloween “rapa” de forma pouco canónica, ora de forma lenta e degenerada, ora com inesperados berros. É muito raro no Hip Hop Tuga haver rimas que sejam debitadas sem ser uma lenga-lenga melosa, nunca é onomatopaico (como os Fu-Schnickens), gritado (Onyx) ou monstruoso – como o Horrorcore dos seminais Gravediggaz ou as produções da Psycho+Logical Records. Até os convidados de Halloween no disco estão numa linha longe do horizonte habitual, trazendo realmente mais-valias ao disco – ao contrário das dezenas de convidados que os discos de Hip Hop trazem e que nada acrescentam faixa a faixa, fenómeno aliás que também já passou há muito para a Pop ou o Metal com resultados similares. De destacar os vocais “dreadas” no tema Aleleuia A Ressurreição do Kriminal com Buts MC, J-Cap e Lord-G, que lembram os momentos mais ganzados pré-milenares de Tricky ou o gangsta assustador de Wu-Tang Clan – duas influências que se sentem nitidamente. Como vêem, Halloween é realmente Dark! E em Portugal nós gostamos de música Dark!

Os seus “beats” (o som instrumental) são minimalistas mas com uma carga dramática que une sons consensuais nas produções de Hip Hop como o banal sinfónico mas quando menos se espera acrescenta “solos” ou feedback de guitarras e sons concretos, tácticas abandonadas no Hip Hop mundial – que só os velhotes Public Enemy iniciaram e perpetuaram e deixaram Dälek como dos poucos herdeiros. Halloween não é barulhento o suficiente para estar nesta liga de peso-pesados mas não foge com o rabo à seringa, não se entregando totalmente à harmonia simplicista.

Outro ponto positivo, até diria o ponto máximo, é que não há aqui R’n’B ranhoso! É um mistério total que em todos os discos de Hip Hop haja faixas ou coros R’n’B, talvez para realçar um momento “sentimental” ou “sensível” dos artistas. O problema é que ser “sensível” não deveria significar “piroso”, e neste disco fica provado que se pode dar volta à questão. Crazy e O Ódio são os momentos “softs” mas os instrumentais destas músicas invés de irem ao vómito R’n’B lembram antes as melancolias dos Gorillaz - ou melhor, de Augustus Pablo (1954-99) uma vez que os Gorillaz rapinam este jamaicano com pompa e circunstância, e numa lógica de multiplicação Halloween também foi atrás. Mais estranho é como o disco acaba. Ainda antes de uma “faixa escondida”, o tema Debaixo da Ponte poderia ser uma balada dos Xutos & Pontapés – não que ser comparado aos Xutos seja um valor positivo (o mais certo é não ser) mas mostra como A Árvore Kriminal é tão imprevisível como uma rusga da bófia.


Mais uma música, mais um vigarista /
mais um estúpido que dança na pista /
ninguém precisa de ser um bom artista /
tu só precisas é de mais uma bebida
Halloween in O convite

Também em Halloween não há lugar para a “moralzinha”. Quase todo o Hip Hop Tuga é padreco, ou seja, os MCs dizem o que deveríamos ou deixar de fazer. Não sei o que é pior, se ser “pastor” ou não ter talento para o fazer acabando por ser reaccionário. Com Halloween não há nada disso. Os retratos que ele nos vai oferecendo não procuram convencer-nos de nada. Claro que como qualquer artista, acaba por ser “moralista” – e acho que devo esclarecer qual a diferença entre o “moralista-moralzinha” e o “moralista-artista”. Há uma mania que o público têm de achar que os artistas mais explícitos, como o Mike Diana (autor de bd norte-americano acusado de obscenidade) ou os Carcass, são depravados e “muita malucos” justamente por mostrarem imagens ou letras/sons chocantes. Mas muitas vezes estes autores são o contrário, extremamente introvertidos, e os trabalhos que produzem são imagens que necessitam de exteriorizar para não enlouquecerem – ex.: Mike Diana em julgamento teve de explicar as suas imagens ao tribunal da Florida, uma delas havia um padre a molestar crianças, Diana disse que esta imagem surgiu porque ouviu uma notícia na rádio de um padre que violava menores, que lhe ficou a imagem horrível na cabeça e teve uma necessidade de a desenhar, justamente para se libertar dela. Muito provavelmente Diana desenhou a imagem justamente para criticar a nossa realidade – bem pior que as ficções mais sádicas já criadas, escritas, desenhadas, etc... – o que no fundo mostra esse lado de crítica que acaba por ter haver com a moralização dos costumes. A diferença entre Diana, Carcass ou Halloween e os “artistas positivos” é que os primeiros não dizem explicitamente que está errado, será o receptor / leitor / ouvinte que irá julgar o que a obra lhe mostra mesmo se o desenho seja revoltante por estar cheio de genitais e esperma nas bocas das criancinhas. Halloween nas suas letras dá-nos acesso a personagens violentas, violentas com os outros ou consigo próprias, e se as letras muitas vezes são exibicionistas, Halloween não um é animal “gangsta” que anda prái a dar tiros no meio da rua, o que ele pretende é uma expiação pelos crimes cometidos por ele ou por outras pessoas que conheceu.

Se escrevia que o Halloween era bicéfalo em que a sua arte funciona da intersecção dos “dois cérebros”, é curioso que ela sintetiza de uma história oculta do Hip Hop, ignorada em Portugal mas que está mais adequada à nossa realidade do que se podia imaginar. Era um trabalho sujo que algum gajo tinha de o fazer... mesmo quando ele escreve letras que não rimam em Noite de Lisa: Não toques na bicicleta se não tens pedalada / até gosto da tua conversa mas... cala-te! Uma heresia para os puritanos do Rap? Ainda bem!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Raízes do Kriminal



Halloween : Projecto Mary Witch (Sonoterapia; 2006)

Este é o primeiro álbum de Halloween, a melhor coisa que aconteceu em Portugal neste milénio... É um disco mais pesado e primário do que o segundo álbum (de 2011 e tão aclamado aqui neste blogue como noutros media). A misantropia e sexismo estão no pico, a decadência urbana é mais descascada, e os instrumentais são simples, há alguns clichés do Hip Hop 'tuga (ou do Hip Hop em geral) mas já temos aqui o Halloween que todos adoram: letras para quem ignora a realidade dos pobres e dos negros em Portugal, rimas arrastadas pela voz ganzada, retratos de marginais e criminosos do guetho. É o CD que cria uma figura ímpar no panorama de música portuguesa.
Entretanto descobri que o Allen é Testemunha de Jeová, facto chocante apesar de acreditar em liberdade religiosa. Por outro lado não surpreende, quem leva uma vida criminosa mais tarde ou mais cedo "arrepende-se" e viram-se para a cena dos otários (religião) - o que não faltam são casos de muita malta radical que acaba numa Igreja qualquer... Não sei se faz parte de uma "desinformação" para gozar com as pessoas mas este caso até poderá ter piada porque se o gajo levar balázios de um rival, Halloween vai bater as botas porque não pode aceitar sangue de outros! Será das mortes de estrela nacional Pop mais iconográfica desde o António Variações! Cool!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Hinos Nacionais

Nástio Mosquito com Se eu fosse angolano (Dzzzz; 2014) mostra que a música angolana moderna não precisa de ser bronca-populista-kudurista nem de intervenção-máquina-do-tempo como Ruy Mingas. A verdade desta frase é sobretudo provada no CD de "remix" (mas que também tem temas novos) intitulado S.E.F.A. Fast Food que acompanha o CD "oficial", o original, o que dá título à coisa e que é mais Mingas que "electrónico".
No Fast food os complexos são mandados às favas e lá se vai ouvindo temas com pendor Electro / House que podem rolar na boa num bar ou numa discoteca de música "alternativa"... Um sopro de ar fresco para a lusofonia! Só é estranho não estarem todos as músicas dois CDs numa só rodela uma vez até que cabiam num só disco. Vaidade de artista com orçamento?
Os temas de Mosquito passam pela crise de identidade de um angolano cuja pátria pouco lhe diz - e realmente, para que serve a Pátria a não ser para os tarados nazis? Ou ainda, o que é que o teu país fez por ti? E afinal, pensando melhor, do que há de angolano destes discos? A produção é de bifes, Mosquito deve ter vivido mais em Portugal ou fora de Angola do que viver lá. Se eu fosse...





Já escrevi várias vezes em publicações físicas ou em linha que o Hip Hop português tem apenas duas ou três personagens que valham a pena ouvir os discos do princípio ao fim. Ou seja, artistas com visões próprias que recusam serem carneiros do género musical e que ousam quebrar barreiras. Um era o Ex-Peão que entretanto entrou num jogo comercial muito pouco interessante, os outros dois são Allen HalloweenNerve. 2015 foi o ano de regresso de ambos e foram os álbuns do ano do Pop/Rock/música urbana portuguesa. Se não concordarem ide ouvir o Stoner de trazer por casa!

(..) o público não compreende a gente (...) porque as letras agora (..) não interessam (...) não sabem apreciar o trabalho do poeta até dizem: isto é tão grande (...) a letra é tão grande - um "sample" no tema Conhaque in "Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança" (Mano a Mano; 2015). Esse "sample" de um poeta português do século passado (?) poderia justificar o enorme tempo que levou a saída deste CD desde o primeiro de Nerve na saudosa Matarroa... sete anos! O mundo web.2 impôs uma velocidade alucinante em qualquer campo das nossas vidas. A única forma de fazer Arte é desacelerar e até é justo que se consumam sete anos para elaborar, idealizar, realizar e despejar manifestos de como esta nossa modern life is rubbish... ou a vida não presta e ninguém merece a tua confiança.
Nerve faz-se de bobo moderno, vomita bílis por cima do PC e do engate "one night stand", nada é poupado e sendo o bobo não lhe cortam a cabeça. E ainda bem, precisamos de alguém que nos esgote a nossa esperança fazendo de espelho (não muito) distorcido e misantrópico para recuperarmos o que pudermos das cinzas deixadas no fim de cada audição. É preciso um sentido de humor bem negro para aceitar este disco como algo fixe! Obrigado Nerve!
Duas notas negativas numa produção fabulosa, a primeira é a capa que parece uma composição da C+S e tal como Allen Halloween podiam ser menos óbvios no aproveitamento daquela ideia do Tyler The Creator da segunda voz, ou seja, aquela voz distorcida de diabinho da consciência a dizer aos nossos queridos rappers para serem maus e xungas. Come on! Cena cristã batida!


Ops! O que fui dizer! Com Híbrido (ed. de autor), terceiro álbum de Allen Halloween, este despede-se da vida gangsta, dá aquela lição de moral aos putos apelando ao facto de que Deus é que é - virou Jeová como acontece qualquer africano de gueto a dada altura da sua miserável vida, invés de se virar para o anarquismo ou qualquer projecto social, infelizmente existe esta tendência do homem do gueto preferir-se enganar e aos seus próprios irmãos com patranhas religiosas. Seja como for, neste disco ainda não é grave a mensagem evangélica mas ai dele que avance com um próximo disco vestido de branco missionário e com orquestrações celestiais!
Para além das questões luso-africanas e de guetização social dos negros em Portugal, Allen é mais do que um panfleto da miséria local e consegue tratar de miséria... universal! Sendo um álbum com 13 faixas inesquecíveis há dois temas transversais para Portugal 2015 ou 2016 tanto faz: Gangsta Junkie é um surf rock melhor que qualquer banda garageira que ande por aí com uma letra tuk tuk que no seu primeiro minuto faz a polaróide lisboeta que ainda ninguém musicou. Será um hino para a Capital do Turismo se é que já não é! Mr. Bullying é uma narrativa alucinante (e terrivelmente orelhuda) de um potencial Columbine 'tuga. É tão assustador que nos deixa na merda e penso como ainda não aconteceu algo assim em Portugal? Bem... no ano passado houve um puto em Salvaterra de Magos que assassinou outro por causa de umas sapatilhas ao que parece. Para 2016 prevê-se o tiroteio numa escolinha, não? Afinal, seja para brancos ou negros, nada mudou, as nossas vidas continuam pendulares casa-trabalho como Nerve denuncia, os putos na escola ou na prisão é quase o mesmo resultado - estão lá, esquecidos pelos pais - e já foi anunciada nova crise financeira.
Bro, a Bíblia deixa-nos interpretar todos estes sinais do Apocalipse por causa do nosso próprio ADN cristão que aborve imediatamente as suas fábulas como verdades normativas. As soluções estão noutros livros mais à esquerda, citar os Clash já não é mau mas vai ler Bakunin, Halloween, e mete Javé no teu cu!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

On 2012/01/24, at 15:35, L.B. wrote:

Quase nunca recebo este tipo de coincidências da vida. Eis uma nova finalmente:

Desculpa não te ter recebido quando vieste cá a casa, não deu mesmo… Mas ao menos conheceste a minha mãe (eheh). (...) Eu curto bué as tuas cenas meu, acho que é preciso ter colhões para ser autobiográfico na bd e eu não sou um grande conhecedor de BD conheço poucas coisinhas mas tu és um dos que estão no topo para mim (ao lado do Bagge e do Clowes quer queiras ou não!!!), identifico-me bué com as tuas historias meu, tb tens um bocadinho de Harvey Pekar em ti (sorry…). Curto bué a historia da Bifa, sou pouquinho eu com as ladies também… as tuas listas de ódio são brutais, e também acontecia-me pouquinhas vezes ficar paranoico em o meu pai e a minha mãe descobrirem que eu fumo ganzas! Agora já não porque os meus pais ja sabem e não foi assim tao dramático quanto pensei que ia ser. A primeira cena que li tua foi o Talento Local porque um amigo meu comprou quando estava a haver uma exposição no CCB de bd tuga e curti bué! Apixei acho que na Feira Laica do ano passado no verão, a ti mesmo se não me engano. E este ultimo que comprei (Noitadas, Deprês & Bubas) foi para dar a minha namorada (que também gosta imenso das tuas cenas, ela ontem disse-me isto "O Halloween tá para o hip hop como o Marcos ta pa bd na tuga" se não gostares de Halloween não leves a mal nós curtimos e é bem) no Natal, e meu sem exageros foi uma das cenas mais fixes que li da tuga! Só me falta mesmo ler o Boring Europa se não me engano, a minha namorada já leu (porque a irmã mais velha dela tinha em casa) e curtiu bué também. (...) 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Medo do escuro



Spectre : The last shall be first (Wordsound; 2016)

Spectre já é mais velho que a potassa (1995 já é muito lá para trás, meu!), grande cromo de Hip Hop na veia do Horrorcore que dispensa apresentações a não ser que se esteja morto desde... ehm... sempre? Neste 11º álbum serve-se de diálogos de filmes de série B, de assustador nada tem dado ao kitsch que naturalmente que esses filmes encarnam (encarnam, nham nham nham). Os beats tem o ritmo típico do Hip Hop, gingões demais para ser levado para um "Dark Side", mucho cool o suficientes para destruírem qualquer mais outro som que possa criar tensão. Soa a andar na grande cidade de headphones, tipo Ghost Dog (filme do Jim Jarmush), vestido de monstro das bolachas na noite de Halloween. Nada se altera com este disco...

PS - Sem relação com o "nada se altera", este disco podia ser a banda sonora para a inauguração da próxima exposição de Paulo Mendes - como comissário, na Galeria Municipal do Porto, dia 2 de Junho, Them or Us, tomem nota!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

sweet15

1. Alberto Manguel : Uma História da Leitura (Presença; 1998)
2. Olivier Schrauwen : Arséne Schrauwen (Fantagraphics; 2014) + Cinzas (MMMNNNRRRG + Mundo Fantasma) + Olá, o meu nome é O. Schrauwen (exposição Mundo Fantasma)
3. Almanac for noise & politics 2015 (Datacide / Praxis)
4. Allen Halloween : Híbrido (ed. de autor)
5. AtilA : V (Bisnaga / Signal Rex)
6. Chris Hedger + Joe Sacco : Days of Destruction, Days of Revolt (Perseus; 2012)
7. Die Antwoord : Donker Mag (Zef; 2014)
8. Aaron Lange : Trim (3 números, The Comix Company; 2014-15)
9. Plus Ultra (k7 + concerto Milhões de Festa)
10. Nerve : "Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança" (Mano a Mano)
11. Verney + Tardi : Putain de Guerre! (2 vol.; Casterman; 2008-09)
12. Ghost : Opus Eponymous (Rise Above; 2010)
13. Tournê dos 15 anos da MMMNNNRRRG (5-10 Maio)
14. Alan Moore + Melinda Gebbie : Lost Girls (Top Shelf; 2012)
15. Maurice Louca : Salute The Parrot (Nawa; 2014)



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Last night the DJ saved my... my... my... ehm... hum... (reprise)

De facto não tenho tido paciência para escrever sobre música. Isto em meses que comprei mais músicas alguma vez na minha vida! Estranho não é? Ainda por cima chegando-me às mãos discos novos de Mão Morta, Allen Halloween, Nerve, Die Antwoord,... Talvez porque estou a ficar velhinho e já não me impressiono com mais nada sonoro, talvez porque ando deprimido pela minha querida gata Lucifera ter desaparecido na boca de cão ou porque estou cheio de trabalho e não dá para escrever sobre dezenas de discos que não me bateram pura e simplesmente... Não sei! Agora que já despachei parte do que menos me interessavam, vamos lá a isto! Começo pelos "electrónicos", daí a reprise do título!

Começo pelo Matthew Herbert e o seu badalado Plat du jour (Accidental; 2005), disco em que aborda a indústria da alimentação e todas injustiças sociais e económicas que esta cria, já para não falar dos danos à saúde. A capa do disco - que parece mais um livro do que um CD - tem cores baseadas nos colorantes colocados na comida. O resultado é parece-nos tudo "sexy" e atraente ao olho como as embalagens no supermercado. Até que lê-los os químicos cancerígenos nos ingredientes e tudo se torna repugnante. A música e a embalagem deste disco tem o mesmo resultado. Herbert faz uma música fria e minimal usando sons "concretos" como pessoas a dentarem maçãs, batidas em latas de refrigerantes, sons de porcos e galinhas em cativeiro, a água dos esgotos de Londres... o tempo das músicas ou os seus BPMs são feitos de estatísticas - os 85 bpms em Fatter, slimmer, faster, slower é porque 85% de jovens britânicas com menos de 13 anos já começaram a fazer dietas. Tudo é estruturado de forma tão tecnocrata como o mundo que vivemos e precisamos para cada música ler os textos explicativos como acontece com as peças de arte contemporânea e as suas úteis folhas de sala (senão não percebemos porque está um pedaço de lixo no meio da sala de exposições, né?). Como acção artística parece-me combater o fogo com mais fogo e sinceramente, além de ter ficado com o estômago revoltado a ler a merda tóxica que todos nós comemos, apetece é passar o disco a outra pessoa...

Invisible Soundtracks, Macro 2 (Leaf; 1998) é que se pode dizer "é tão 90s" nem que seja pelo facto de usar os 80m do CD... É uma colectânea de música electrónica em que os projectos criam bandas sonoras para filmes inexistentes, segue na essência uma linha de bom-gosto dessa década para o bar de criativos que tinham aqueles Macs com ar de televisão. Beats de Hip Hop, lógicas de Techno e Dub, quase tudo certinho, agradável e "trippy"(hop).
Acho que em 1998 não teria paciência para ouvir isto mas agora que os bares de Lisboa dividem-se o seu som entre o House merdoso e a Nostalgia (Pop dos 80, ou pior, Rock Garages), sem dúvida que este cosmopolitismo dos anos 90 é uma bênção!
Nomes conhecidos aqui To Rococo Rot, Laika e Paul D. Miller mais conhecido como DJ Spooky That Subliminal Kid - que só neste mês percebi que é uma citação de um texto do William Burroughs!


Os Durian Brothers não são irmãos da mesma genitália do pai e da mãe mas são sem dúvida irmãos de alma para estarem tão empenhados em fazer uma espécie de "techno minimal" (não é!) com sons que fazem lembrar uma tribo perdida que ficou electrificada de repente - uma espécie de Konono nº1 da Lapónia.
Falta Magia negra para ser mesmo bom como se pode verificar no EP Cubs (Diskant; 2009) porque são alemães que aposto que só devem dançar se tomarem MDMA ou cervejas no Oktober Fest. Mas o som (a ideia) é fascinante para os ouvidos, e não eles não usam paus para fazer música mas sim dois gira-discos (sem discos) e uns pedais de efeitos. Graças a isso soam a étnicos, objectivo máximo da nossa civilização ocidental nos tempos que correm. Cool shit!


Que dizer do último disco de End? O seu disco de 2004, The Sounds of Disaster, é capaz de ser um dos melhores discos algumas vez feitos neste planeta. E este  álbum The Dangerous Class (Hymen; 2009) segue as suas pisadas mas falta algo. Falta o caos!
A mistura de Breakcore / Breakbeat com músicas retro-garage-lounge-big-band continua a ser divertida mas falta mais Noise, algo extremo ou simplesmente inesperado. Entre sons que lembram o 007 e diálogos no tom de Reefer Madness o tema deste disco são as drogas e excessos das gerações de hedonistas no mundo Ocidental. Se calhar o disco tem de ser histriónico por causa do tema e nunca poderia ter uma elegância e emotividade como o Foetus no seu projecto "industrial-lounge" Steroid Maximus - projecto que se pode comparar com End tendo até JG Thirlwell (Foetus!) feito uma "remix" para ele. Ainda assim é um disco que serve para uma festa de malta que curte música rápida e pesada mas com um gin tónico todo pipi na mão... Peso gourmet, topas?

sábado, 8 de março de 2014

Vou tentar dizer mal deste álbum...



Secret Chiefs 3 : Book of Souls : Folio A (Web of Mimicry; 2013)

Queria escrever que este álbum não é tão bom como os outros... E que aquela ideia do Spruance dividir os SC3 em outras 6 ou 7 sub-bandas não resulta porque cada vez mais elas soam iguais entre si - comparando com o primeiro volume desta trilogia, Book of Horizons (Web of Mimicry; 2004), quando ele começou esse conceito, as bandas tinham muito mais definição... Queria também escrever que numa altura que ninguém compra CDs, o "artwork" deste disco é feio e que se o mentor deste projecto diz que gosta de esoterismo, a julgar pela informação que coloca no livrinho do CD parece-me pouco profundo e até naíve. Enfim, o gajo é norte-americano, como poderia fazer algo esotérico num país que abateu os índios e vive pró dollar? Mas aí está, é norte-americano, sabe entreter e o disco just grows on you!
Rendição!
Como viram, tentei rejeitar o disco mas de audição em audição, os poucos 39 minutos levam a repetições infinitas e cada vez mais o álbum vai-se mostrando bonito. As fronteiras estão expostas daquilo que é SC3, ou seja, música oriental a rodos, o habitual Surf Death Metal, banda sonora de "gialo" existente ou não (por acaso até faz uma versão de um tema do Halloween de Carpenter), colagens cabotinas e canções Pop vintage - surpresa Mike Patton aparece neste disco em registo Mondo Cane, ou seja, volta a trabalhar com Spruance depois de anos de arrufos, numa versão de uma fantástica canção de Jacques Brel.
Nada de novo no horizonte, trata-se do aperfeiçoamento das fórmulas do som da banda. Os fãs até se queixam que muitos destes temas já sairam em singles nos últimos 9 anos entre os álbuns de originais desta trilogia que já agora chama-se Book of Truth. Ainda assim, apesar disto tudo, acreditem!, continua a ser da música mais excitante do planeta para se ouvir como novidade editorial. Também se pode dizer que o disco que fizeram com composições de John Zorn será a perfeição das fusões estílisticas dos SC3, só que este disco continua a ser bom, ponto.

sábado, 31 de dezembro de 2011

10 + 1 de 2011




Halloween : A Árvore Kriminal (Sonoterapia)
Secret Chiefs 3 : Masada Book 2 : Book of Angels 9 : Xaphan (Tzadik; 2008)
Monotonix (ZDB; 27 Fev)
Feira do Jeco (Maus Hábitos; 2 e 3 Abril)
v/a: Tinta nos Nervos (CCB; Jan-Mar + catálogo)
Çuta Kebab & Party (Chili Com Carne + Faca Monstro)
Stealing Orchestra : Deliverance (YANSR)
D.R.I. (Revólver; 11 Mar)
Melanie is Demented : Melanie är Demented + MXLXNXXXSDXMXNTXD (Wormfood)
Neuro : Neuro-Trip (MMMNNNRRRG) + expo Trem Azul (24 Jun - 30 Jul)


+ Aaron Shunga : Vacuum Horror (MMMNNNRRRG)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Eu quero que o Fado se foda!


Nigga Poison : Simplicidadi (Optimus; 2011)

Na Sexta passada, os Nigga Poison deram um concerto na Musicbox para lançar o seu terceiro álbum. Casa semi-vazia - pudera, o bilhete era a 10 euros (?) - e mesmo com o disco gratis à entrada, não se conseguiu a festa que o disco pede. Talvez as pessoas sabem que não vale a pensa ir à Musicbox porque esta casa tem uma acústica de merda, ou porque o concerto estava marcado à meia-noite (e não haja transportes públicos para os subúrbios) ou talvez apenas porque os Nigga Poison chegaram a um disco de "terra de ninguém" que deve ter afastado os fãs de Hip Hop ao mesmo tempo que ainda não atraiu o público mais generalista. A verdade é que de Hip Hop este disco nada têm, em 10 temas encontramos dois temas de Reggae/ Dancehall, um Jungle raggazado com cítara (ripanço total a Asian Dub Foundation), três temas de Kuduro e um dancehall voodoo (Sentimentu Klaru, grande tema!). Sobra... um Hip Hop Snoopy à canzana e outros dois "normais". 
Que se lixe o Hip Hop, se só o Nerve, Halloween (álbum do ano?) e Ex-Peão conseguem fazer algo de jeito mais vale investir noutras áreas que aliás os Nigga Poison já deram entender que poderiam ser geniais - refiro-me a Ke ki rapasis kre?, talvez o melhor tema de música urbana alguma vez gravada em Portugal, perdida numa colectânea medíocre e nunca regastada pela banda noutro registo nem (pelos vistos) ao vivo. Mas ao contrário do tema referido ou outros cabo-verdeanos Blackside capazes de fazer fusão de estilos, os Nigga não conseguem sair do "cada tema um estilo musical" o que faz pensar que eles não se esforçam muito, o que é mesmo uma pena.
Nigga Poison apesar da confusón-confusón que vivem ultrapassam o último álbum de Buraka Som Sistema - não é muito dificil, o último de BSS consegue ser mais estúpido que o Kuduro angolano mesmo quando um dos BSS seja cronista no Público. Confusón-confusón, rewind. Escrevia que os Nigga apesar da sua falta de direcção conseguiram fazer um disco bastante bom com temas fortes que mostram um cosmopolitismo que não existe em Portugal de forma oficial mas que existe numa série de cidadãos.
Para quem achar isto hermético, eis uma ideia do nosso Apocalipse: este fim-de-semana o Fado foi reconhecido como Património Mundial, ou seja, teremos mais histeria oficial e investimento unidireccional neste género, reforçando o cliché que Portugal é "Fado, Futebol e Fátima". Teremos de aguentar com esta porra reaccionária e fascista porque ela será a única coisa que as editoras irão apostar, para já não falar no espaço que o género irá ocupar em rádios, TV e eventos públicos e privados. O lado urbano contemporâneo não vinga porque é como uma prostituta junkie controlada por um sistema ilusório de "star system" instigado pelas empresas de telecomunicações. Paranóia? Teoria de Conspiração? Basta observar: a TMN que tem uma sala de espectáculos em Lisboa, todas elas patrocinam festivais de música, possuem estações de rádio (!) e a Optimus edita quase todos os discos de música portuguesa que não seja o Fado. As fadistas também eram umas putas há 100 anos e agora são património mundial, teremos de esperar 100 anos para os Nigga Poison serem reconhecidos como a grande música do século XXI?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Single again

Admito que não resisti em pegar no nome do DJ Single Again para este "post". Isto porque Jucifer ofereceu-me uns singles em vinil de 7", objectos de colecção marados q.b.

O primeiro é dos Misfits, Monster Mash (Misfits.com; 1999), uma música catita para comemorar o Halloween da forma mais cartunesca possível, como aliás, a segunda vida desta mítica banda se tornou. Sem o "spooky" sr. Glenn Danzig, os Misfits são uma anedota kitsch digna de pouco interesse. Claro que este tema é viciante - como é Tra-la-la song dos Banana Splits - e talvez por isso que nos dois lados do vinil branco fluorescente se ouve mesma música...

O segundo single é das Dead Disco com o tema You're out (679; 2007) nesta edição em picture disc e recortado como se fosse um balão de fala de banda desenhada. O desenho Pop-Art revela o que é a banda. Exacto, Pop VAMPpirismo 80's, e se quisermos continuar com bananas, sendo as tipas três, porque não compará-las com as Bananarama mas versão estudante de arte da província & Electro - o lado B tem uma remistura mais virada prá pista de dança do Lux. Ouve-se bem como qualquer bom tema Pop que se preze. O lixado é por o disco a tocar sem bater com a filactera do balão.

Será que o título deste "post" deveria ter sido "Discos de Banana"?