sábado, 25 de abril de 2015

#26


Edição MMMNNNRRRG. Capa de Dr. Uránio. BDs de Marcos Farrajota. Design: Joana Pires
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Este novo Mesinha de Cabeceira faz uma conclusão com este ciclo de números (o 24 e 25) que publicam BDs autobiográficas realizadas na Saari Residence, na Finlândia. É o terceiro capítulo de Desobediência é um artigo de colecção, um romance gráfico que fica aqui concluído ou não - não sabe / não responde.
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Edição limitada de 333 exemplares. Lançado na Feira Morta (25 de Abril 2015)
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28p. A5 p/b, capa a cores
PVP: 3€ à venda EXCLUSIVAMENTE na Chili Com Carne, sendo que dia 2 de Maio está disponível na Mundo Fantasma
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Em digital e grátis é ver aqui.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Lovefool

É incrível o que os suecos fazem para nos agradar! Ninguém sabe porque o fazem, talvez porque ninguém lhes liga peva mas a verdade é que este país desenvolveu os ABBA, a pornografia popular, os Europe, móveis simpáticos prá malta, Ace of Base, uma sociedade quase igualitária, Dr. Alban, Roxette, o som de Gotemburgo (ou Death Metal melódico), The Hives, a editora Cold Meat Industry (pffff), I'm From Barcelona, Melanie is Demented (um génio Pop este puto!) e os Cardigans. Este últimos até fizeram uma das melhores versões de Sabbath Bloody Sabbath e não é de admirar que nesta linhagem tenham aparecido os Ghost, banda mariquinhas de Metal que conquistou o mundo inteiro de um dia para o outro, fazendo já "escola" - ou se preferirem, bandas a quererem explorar o filão aberto, como os "nossos" A Tree of Signs.
Ouvir Opus Eponymous (Rise Above; 2010) é um miminho que saca com muito bom gosto e pica o que se fez nos anos 70 no Hard Rock e Heavy Psych bem como nas bandas sonoras de filmes italianos de Terror (Goblin) mas com um sentido Pop extremamente apurado que se deve aos Beatles, ou será antes ao Pop sueco? É neste ambiente que vão desfilando temas satânicos e negros - como o da nossa querida Erzsébet Bathory - tornando-os em docinhos e de tão orelhudos que até qualquer mãe poderá gostar de os ouvir. Sem sabermos estamos a cantarolar que venha praí o Grande Bode e/ou o Anti-Cristo enquanto se aspira a casa, que curtimos Bruxas e orgias de sangue enquanto se lava a loiça ou fazemos um inconsciente alegre chamamento 666 enquanto se muda a areia dos gatos. Os Ghost são uma verdadeira subversão que deve ter deixado a Igreja de boca aberta, e por isso muito mais eficiente que as discografias de Marilyn Manson e de Immortal todas juntas. Talvez por isso que eles guardem as suas identidades de forma secreta como os Residents. Ou isso ou então é porque tem vergonha de ter feito uma versão dos ABBA. Pouco importa, no fundo no fundo, são uns luteranos "kiduxos" como todos os suecos. Amén!

EGOtripping tio!

Marcos Farrajota es una de las personalidades más interesantes en el panorama independiente de edición gráfica a nivel europeo (...) además de ser autor prolífico, sarcástico e inquieto. (...) su artículo “Comix Remix”, en el que da un repaso por algunas obras y autores que trabajan (o han trabajado) en los límites de la narración gráfica a partir del collage, el ensamblaje, el found footage entre otras técnicas. En tiempos ya bien entrados en una era digital y sociedades sumergidas en la información instantánea, el artículo de Farrajota nos pone en perspectiva, primero trazando un paralelismo con la música (cómo no hablar del remix sin empezar por el sampleo), y nos plantea cómo dentro de la creación, surge también la idea de edición. Después de todo, de eso se trata mezclar. Caracoles! Muchas gracias Martin!!! (30/07/13)

Und... depois deste elogio o artigo continua a seguir por aí! Tradução para alemão às mijinhas no Drei Mal Alles dirigido por Christian Maiwald e em Agosto será em sueco numa nova revista sobre BD...


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Vanity Blues


Ir à Feira da Ladra de Lisboa já pouco adianta, tudo está inflacionado para sacar mais Euros aos turistas, as colecções de discos, BD e livros dos portugueses são pouco interesantes (devido à pobreza do país e às décadas de isolamento imposto pelo beato Salazar) e como todos os portugueses apesar de pobretanas todos têm smartphones e acesso à 'net em banda larga para saberem o valor real das coisas que estão a vender... Ou seja, a hipótese de ir à Ladra à procura de aventuras culturais já acabou mas... uma vez ou outra até de apanham coisas curiosas por tuta e meia como um livro de Edogawa Rampo, uma edição portuguesa ilustrada da Afrodite do Masoch ou um disco de Blues como este Bluescene USA, Vol. 1: Rhythm & Blues of Chicago (Storyville; 1975). Edição luso-espanhola de 1982 além de trazer para casa um género pouco ouvido, tem uma boa selecção de temas e uma contra-capa com um texto crítico que desmistifica os clichés do Blues (em inglês!). Do som à capa tudo é vintage no objecto, custou um Euro e é este o preço que as velharias deveriam custar. Afinal ainda há esperança prá Ladra e amanhã é dia dela...

sábado, 18 de abril de 2015

King for a Day, Fool for a Lifetime

Os Faith No More vão voltar, e parece que vai ser mais um "cash-in comeback"... Duvido que consigam voltar ao génio de 1992, ano em que a banda acabou sem eles saberem disso.
Fizeram a Obra Prima Angel Dust (Slash) e tudo o que fizeram depois é derivativo e sem pica. Em parte talvez porque deixaram de ter o seu guitarrista white trash Jim Martin e digo "white trash" porque esta era a imagem que transmitia, para além de que depois deste álbum passou a cultivar abóboras - Wikipedia dixit.
Disse ele que saiu da banda porque neste álbum as composições deram mais destaque à voz (de Mike Patton) do que às guitarras - como deveria ser em The Real Thing. Parece uma declaração da treta porque ambos discos referidos tem trabalhos de guitarras de excelência, Patton neste disco parou de ser um clone do primeiro vocalista que gravou com a banda (Chuck Mosley) e o resto da banda acompanhada por uma samplagem alucinante conseguiu fazer uma massa sonora única - os sons samplados, já agora, eram de gente grande como Z'EV, Kronos Quartet, passando ainda por Simon e Garfunkel (!) à Diamanda Galás...
E claro, tal como Martin os metaleiros não perceberam a Obra Prima, tudo bem, muito mais pessoas alinharam no disco demonsrado pelo sucesso nos Tops e tournês mundiais. Não é um disco que se possa meter num saco do género "funk metal" que se inventou na altura ou de "nu metal" que ainda não existia e não faz sentido referir. É um dos (poucos) discos pós-modernos dentro do Heavy Metal ou da "música pesada" - no ano seguinte iria sair outro ao mesmo nível: Bloody Kisses dos Type O Negative - e "pós-moderno" no Metal não deveria significar as modorras do pós-metal daquelas bandas que fazem Neurosis ad nauseaum.
Depois deste disco, os FNM passaram a soar a mil bandinhas de Rock MTV que na realidade eram imitações "softcore" deles mesmos - como os betos dos Incubus. Como dizia Jules Renard: Se tens talento, Corvo, imitam-te. Se te imitam, estás na moda. Se estás na moda, passas de moda...

sábado, 11 de abril de 2015

Je suis Charlie



Mussolini Headkick : Themes For Violent Retribution (World Domination; 1989)

Com a Suástica não se brinca... nem com os judeus... e agora nem com os muçulmanos... Meu, 2015... que seca! Mas nos anos 80 ainda se podia ter nomes bizarros e ter estas capas sugestivas ou de mau-gosto, se preferirem. É claro que os Mussolini Headkick não são nazis nem fachos, aliás, o nome deve-se ao facto de quando a besta do Mussolini foi abatida no final de Abril de 1945, com a derrota total aparente, tentou fugir para a Suíça, porém, foi rapidamente capturado e sumariamente executado próximo ao Lago de Como por guerrilheiros italianos. Seu corpo foi então trazido para Milão onde foi pendurado de cabeça para baixo em uma estação petrolífera para exibição pública e a confirmação de sua morte. E ao que parece levou com pontapés na cabeça após execução ou quando o cadáver estava exposto publicamente. Para tanta fotografia gloriosa que o seu regime de propaganda criou nos anos 30 é mesmo um final um coche triste, não? E por este final moralista que esta banda inglesa usa este nome? Claro que a explicação mais rápida será que sacaram o nome ao tema dos Cabaret Voltaire já para não falar dos DAF... Não muito mais para escrever, o álbum é de um Synthpop / EBM / Industrial na linha do primeiro disco de Nine Inch Nails - ou dos primórdios Front 242 para os mais velhos - com temas para paramilitares dançarem, e outros que parecem interlúdios para a malta cortar os pulsos (actividade lúdica dos anos 80) ou pegar numas uzis e dar uns tiritos na escola (actividade lúdica dos anos 90 para cima).

domingo, 5 de abril de 2015

Sepul culture


Os mortos não descansam no mundo do "anarquivismo" da web.2. Se é fácil ressuscitar Elvis para mais um passo de dança-mash-up, lançar campanhas publicitárias de refrigerantes da nossa infância, descobrir toda a produção fonográfica High Life do Gana e mais algo que me escape ao meu cinismo cultural. Faltava a má-onda em ressuscitar a própria Morte, ou melhor os seus registos excluindo o circo colorido do Pop. O English Heretic soa a um cruzamento gótico de Negativland com Pink Floyd ou Death in June geneticamente transformado em Trip Hop, ou ainda This Mortal Coil a transmitir um "podcast" com o registo perturbado electro-magnético do Ian Curtis (RIP). É verdade, o disco The Underworld Service (2014) soa a isso tudo... e também a ingleses a molharem "scones" no chá, enquanto lêem uma biografia sobre o alquimista Fulcanelli [quem? não sabe / não (deve) responder] enquanto bomba na TV uma "soap-opera" merdosa da BBC. É de incluir ainda Monges do Vietname, Zombies, Hiroshima, Polanski, mausoléus, catacumbas, ossadas (a lembrar Infiltrate Assimilate Propagate Disseminate de Nomex) e toda uma reinterpretação de factos culturais mórbidos, ficcionais ou reais, num caldeirão sonoro e literário - pode-se comprar o disco com um livro mas este último objecto é tão hermético que não se consegue ler sem pensar que estamos a perder tempo... para a Morte. A música no entanto é bastante agradável... tanto como morrer afogado pelo que se diz.

Vendendo Cabo Verde ao quilo


Incrível o que o dinheiro faz... E obrigado ao Camarada Fom Fom por ir contra a maré. Há menos de 5 anos atrás, comprar Bonga ou um disco de Afropop lusófono significava duas coisas: 1) comprava-se essa magnífica música a menos de 5 euros por LP / vinilo e 2) não se encontraria quase nenhuma informação sobre o disco ou banda ou editora ou seja o que for...

Mas como África está na moda e Lisboa cheia de franceses e outros bifes que seja como for sempre tiveram mais cuidado na preservação da Cultura - seja ela qual for - do que os toinos lusitanos, os discos das Áfricas aumentaram de preço. Se o Camarada Fom Fom não me tivesse oferecido este Pepé Lopi (ed. de autor; 1976) eu nunca iria saber como eram os Tubarões antes de entrarem naquele binómio do resto da carreira discográfica deles: uma música para bailar, seguida por um "slow", e repete! É o primeiro disco, gravado na Holanda (o que faz sentido com a diáspora caboverdeana para este país), com conteúdo politizado e músicas mais focadas nas raízes mas também aberta para o mundo -oiçam o orgão de Strela Negra. O disco parece mais significativo que outros que ouvi no passado.

Agora que já sei quais são os outros discos deles porque a Carbono ou outros privados já colocaram entradas no Discogs da discografia [(re)conhecida] da banda para poderem vender as suas cópias, fico a saber que pedem por qualquer álbum dos anos 70 e 80 uns 25 euros para cima! Já para não falar dos que pedem 100 euros... Enfim, é África, a eterna explorada pelos europeus.

E agora que se começa a ter uma ideia destas discografias, falta realmente escrever algo crítico sobre o que foi a História da música Pop da África PALOP... mas isso será mais díficil porque não dá guita, né?

quarta-feira, 25 de março de 2015

Black Taiga / Melanie is Demented



Está pronta a nossa primeira edição fonográfica!!! É uma split-tape com Melanie Is Demented (da Suécia) e Black Taiga (Congo / Portugal / Irlanda)!!! Sim, é uma cassete - ou k7 para os amigos - que é o formato áudio favorito pela MMMNNNRRRG e que assim usa esta edição para começar a celebração dos 15 anos desta editora "só para gente bruta"!



No primeiro projecto, é um "best of" de temas (entre 2008 e 2014) seleccionado por unDJ MMMNNNRRRG, com uma capa desenhada pelo André Lemos + Silvestre. Inclui os seguintes temas:
1. Allting rimmar på dör
2. Sverige är äntligen rasistiskt (ambos de Melanie är demented)
3. God Loves us all (de How to succed in the musicbusiness without really dyuing)
4. The party is over get out (de How to succeed in the waste management business without really dying)
5. Meat (and that's where babies come from) (de How to die institutionalized without any chance of surviving)
6. Congratulations Bob! (de Fuck you and thanks for nothing)
7. Language (de Blind)
8. Ode to simulacra (de MXLXNXXXSDXMXNXTD)

No segundo projecto são só temas inéditos, ou seja, é um novo EP intitulado Festa Privada na Selva:
1. S. Tomé e Príncipe (das Trevas)
2. Marduka
3. Fomos minadas
4. Berço de Sujidade

A capa foi encontrada em Badajoz e a autoria é de Cisco Bellabestia (o ilustrador do regime na Aristas Martinez). A edição é limitada a 66 cópias, cuja a impressão é em risografia pela Duo DesignMundo Fantasma e embalado pela Joana Pires.

À venda na loja em linha da Chili Com Carne.

ATENÇÃO: em Maio Melanie is Demented irá fazer uma mini-tournê por Portugal e Espanha para promover esta k7 e comemorar em (milhões!) de Festas os nossos 15 anos! Vai ser pesado!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Luís Jerónimo e Tiago Carvalho : "Escritos de Fernando Magalhães : Volume 1 - 1988/1991" (Lulu; 2014?)

Fernando Magalhães (1955-2005) era um crítico de música que passou pelo Blitz e Público mas mais do que isso deixou (boas) memórias a muito melómanos. Qualquer morte é trágica, no seu caso com apenas 50 anos percebe-se que a injustiça - a Morte é a entidade mais democrática de sempre mas também a mais injusta porque só leva os bons mais cedo que os sacanas! Esta injustiça trás a vontade de todos os que realmente sofrem com a Morte (nós, os vivos) tenham vontade de combater o esquecimento de quem partiu. Mas não deixar que se perda a memória não quer dizer que se faça desta forma, num dos piores "livros" algumas vez feito no mundo! O objecto é um caderno A4 que até poderia lembrar as boas e velhas antologias Re/Search caso não fosse tudo do pior! Aliás, qual livro? Isto parece um trabalhinho da Secundária: com sumário, sem ficha técnica, espaçamentos horríveis, capas de discos com o pixel a rir-se de nós, tamanho de letra exagerada, etc, etc... uma lista de horrores editoriais e gráficos que até parece que quem fez isto nunca viu um livro na vida.
Que Magalhães fosse um melómano dos bons, acredito, pelas referências que aparecem nas suas críticas a discos - da Diamanda Galas ao John Zorn, de Magma a Negativland - pois acompanhava o que realmente interessava no momento em que viveu. Mas é preciso fazer livros que juntem todas as resenhas críticas que ele escreveu? Mesmo os discos de merda como os dos Talk Talk ou Garth Brooks - aqueles que era obrigado a escrever na redacção do jornal para pagar a renda e a comida? Aqueles discos que humilham qualquer um porque têm mesmo de se escrever porque senão o Editor do jornal despede-te? Mesmo que o crítico bata neles com alguma violência ou mordacidade são discos que não passam o teste do tempo e são inúteis - até para relembrar quem não gostava deles!
Uma selecção de textos não seria mais honesto? Não teria preferido isso o crítico ausente? Ou separar as águas, um livro dedicado à música que realmente Magalhães admirava e que gostava que chegasse a mais público e um outro livro do tipo humorístico? um do tipo "A Merda Pop dos Anos 80/90" para pisar a mediocridade com o seu humor crítico? Ou será que é mesmo possível conciliar os dois extremos num livro? Até pode ser que sim mas neste desastre editorial  de "boas intenções está o Inferno cheio" temos um livro (que pode ser impresso a pedido pela plataforma em linha lulu.com, creio eu) que é completamente amador e triste... E com tanto designer por aí a precisar de trabalho!
Assim mancha mais a memória do falecido... Convenhamos, alguns textos dele eram para encher-chouriços que nem passados 27 anos fazem sentido relembrar. Tudo isto lembra a expressão "deve estar a dar voltas no caixão" mas por questão de respeito, não vou escrever essa expressão... ops! Acabei por o fazer! Pois... E basicamente é esta a sensação que se tem do "livro"!

quinta-feira, 19 de março de 2015

Paulo Lemos : "Vida Suburbana" (Burra de Milho; 2014)



A melhor cena do livro é quando acaba e é citado o nosso querido Rui Eduardo Paes (in Diário de Lisboa, edição de final de ano de 1984!): Vem aí o século XXI e o terceiro milénio, e lembrem-se: se há punks é porque a rapaziada não é feliz. Parece-me uma frase assertiva para explicar porque a cultura Punk apesar da sua auto-destruição logo à nascença insiste em existir, ora na sua faceta conservadora ora nas suas "n" mutações evolutivas. Passados 40 anos em que a fórmula original está bem morta, esta cultura na sua forma "cristalizada" já não incomoda os conservadores, por isso aparecem os cânones e as oficializações para desinfectar e neutralizar o que o Punk foi, a começar pelos estudos académicos tal como o projecto KISMIF ou este livro de Paulo Lemos que é a sua tese de Mestrado.
Da Academia nada se espera de bom, com os seus processos lentos e de auto-referência e este é mais um exemplo disso. Um livro vindo desse meio consegue sempre a proeza de não aquecer nem arrefecer. E talvez porque o autor tem uma banda Hardcore chamada Resposta Simples felizmente até conseguiu fazer um livro... simples!
A favor é que não entrou no esquema da lista completista para cromos baterem punhetas com as suas colecções discográficas e memorabilia mercantilista, nem mata ninguém de tédio. Porquê? Porque o seu academismo é... simples!
Com uma ponta de pretensiosismo saudável queria ser o primeiro livro sobre o Punk português, tudo bem formalmente conseguiu fazer isso mas como não conta nada de novo, ou de interessante ou de picaresco (em relação a outros escritos espalhados em livros, revistas e jornais) é apenas uma vitória "formal".
Este livro é bom resumo ou um "1-0-1" sobre o que é o Punk, o Punk português e a banda Mata-Ratos. Até o título está deslocado do conteúdo: Vida Suburbana? Aonde? Não há biografias nem estudos sobre essa "vida suburbana" e como isso afecta a cultura Punk - ao contrário deste zine que parece contar na realidade tudo o que se precisa mesmo saber do Punk em Portugal nos anos 90. Parece que foi uma forma (simples) do autor não meter um título "à la" Universidade como Punk Português para Principiantes, seguido de Estudo do Agrupamento Mata-Ratos, que seria um título mais honesto dada à sua completa falta de risco intelectual. Não deixa de ser uma reportagem bem feita que poderia estar publicada num semanário mas até no jornalismo seco dos dias de hoje seria preciso despertar a curiosidade ao leitor ou analisar o "fenómeno" de uma forma inédita e/ou cativante. No fundo este trabalho vai a favor da maré das milhares de teses da treta que se produzem todos os anos na Universidade, até em Coimbra, essa "Cidade do Conhecimento" (pfff!) onde foi redigida a tese.
E invés dela ter ficado no Arquivo Morto da Universidade ao menos foi publicada para qualquer um a poder ler, sem envergonhar ninguém porque é coerente no seu restrito espaço de investigação e não se espalha como os outros livros de Pop/Rock feitos por coleccionadores e crominhos.
O Design é... é... é simples! O tamanho da letra é demasiado minúscula para que os Punks velhos não possam ler o livro e resmungar - é uma forma de os desarmar? O preço é "true" Punk: 7,57€ (mas não é simples!); o que é de salutar dada ao exagero dos preços do mercado livreiro. Tal como o livro do Dico foi uma "oportunidade perdida" este também sofre disso. Mais sobre estes temas (o Underground, o Metal, o Punk, o Industrial, o Noise, o Indie, bla bla bla) irão aparecer no futuro, até com melhores resultados, sendo que estes documentos (simples) irão servir de base... de copos.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Loverboys há muitos, seu palerma!


Obrigado M. Morais pela descoberta!

terça-feira, 10 de março de 2015

Algaraviada do papagaio

No Monstre andava por lá à procura de um WC (não, não do livro mas realmente de uma casa-de-banho) quando a porta que me parecia com as instalações sanitárias era afinal uma discoteca (não, não uma "dancetaria" mas onde se vendem discos, sabem?). Um sítio que já é mítico pelos vistos, a Urgence Disk que era um sonho de sítio para quem gosta de Industrial e afins. Os tipos da loja foram impecáveis e ficaram logo com três cópias do vinilo dos Çuta Kebab & Party para espalhar por lá! Conversa puxa conversa e foi parar ao catálogo da Barraka El Farnatshi, editora suiça de "arabtronics".
Trouxe o terceiro disco dos Ahlam (sonho), Les Riam (1997) que significa "miúdas" e talvez por isso que eles tenham abandonado os temas sociais que caracterizavam os primeiros discos. Para mim, dá igual sem domínio da linguagem marroquina, restam as linguagens musicais alinhadas ao Techno / Hip Hop / Dub - com algumas passagens pelo Reggae - sem nenhuma inspiração especial. Soa bem mas falta sair do artifício. A capa diz tudo porque roça o mau gosto ácido-digital misturado com universos New Age, ainda assim o que falta mesmo é o ácido na música. A editora é de pesquisar por mais discos de outros projectos, sem dúvida!

Já tinha avisado aqui do meu interesse pelo Maurice Louca, um egípcio que faz manipulação electrónica sobre música árabe mas ao contrário de Çuta Kebab & Party e outros projectos electrónicos do tipo, Louca tem uma série de músicos a quem recebe peças originais para trabalhar. Salute the Parrot (Nawa; 2014) é um álbum simples que nem chega aos 40 minutos mas é viciante de se colocar em "loop" eterno a qualquer hora do dia. A lógica de "remix" está incrustado nos beats e na mesa de mistura que vão alterando, adicionando ou retirando elementos sonoros e que devido aos padrões melódicos e rítmicos da música árabe (o maqam), facilmente consegue-se efeitos psicadélicos e de beleza narcotizante. Técnicas nada novas se pensarmos em My life in the bush of ghost de Eno e Byrne, passando ainda pelo poderoso tema industrial Hizbollah dos Ministry ou as centenas de músicas de Muslimgauze. Não sei se em relação ao último isso acontecia mas nos primeiros os músicos usaram cantares muçulmanos sem pensar (ou saber?) o que estavam a usar (?), talvez por isso que a edição de My life (...) tem temas retirados após a pressão de associações muçulmanas que acharam mal usar textos "divinos" do Corão para fazer música pueril - vulgo "Pop". Com Louca e o seu "papagaio" ou também os Ahlam (ou já agora os Checkpoint 303!) isso não deverá ser um problema porque usam também instrumentos e vocalizações originais, embora claro que não percebemos peva, talvez até haja "esquerda" nestas letras dado às "primaveras orientais" mas não sei! Só sei que com Corão ou com Esquerda Unida Jamais Será Vencida soa sempre bem todos estes arabescos!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Laurence Yadi & Nicolas Cantillon : "Multi Styles FuittFuitt" (Bulbooks; 2014)


Acho que foi a única que trouxe da Monstre - ou melhor, a única coisa que quis mesmo trazer... Trata-se de um guia prático para dançar FuittFuitt, uma dança contemporânea desenvolvida pela Compagnie 7273 - que ainda no mês passado actuou em Portugal. O livro foi desenhado, editado e publicado pelo suiço Nicolas Robel - quem é que se lembra da exposição na CHILI! em 2009?
Esta dança é uma espécie de "punkice" na cena, liberta de formalismos e dogmatismos desta área performativa, conseguindo fazer um ponto de encontro de ideias tão díspares como citar Bruce Lee ou referir a Mohamed Matar mas é sobretudo no "Tarab" em que se focam. Esse êxtase árabe que não há palavra ocidental para a traduzir e que permite uma liberdade de movimentos e de conceitos que não se deve encontrar em mais lado nenhum... Robel fez um excelente trabalho, daqueles que merecem ser copiados por outros de tão exemplar que é, em que mistura fotografia, desenho, infografia, (a técnica de) flipbook e texto num livrinho de simples consulta que até vai ao requinte de fazer padrões árabes no corte dianteiro (o lado oposto da lombada, ou seja todas as folhas do miolo que fazem também uma "lombada") para surpresa dos seus utilizadores. Duvido que olhe para este livro para começar a dançar, mas para roubar boas ideias editoriais é quase certo que voltarei a ele...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Free James Brown so he can run me down!

Como é que esta merda me veio parar? É curioso, na realidade comprei a um tipo português no Discogs  um CD do Maurice Louca (em breve deverei escrever sobre ele) e no envelope vinha esta colectânea de Northern Soul pela Sony em 2007. "Fixe!" pensei eu, porque não é todos os dias que um gajo recebe prendas embora nessa semana um restaurante "fast-food" deu-me 10 euros a mais de troco e aconteceu-me mais uma borla porreira noutra situação que não me lembra... e "fixe!" porque pensava que poderia gostar disto já que curto Motowns e afins. Mas falar de Motown na Northern é um grande "no no!", quem gosta deste tipo de som rejeita Motown porque esta era muito "comercial".
O termo apareceu numa forma de fixar nas lojas de discos ingleses um tipo de "Black Music" que já não era contemporânea (dos finais dos anos 60) para uma classe operária britânica que nada queria saber das evoluções do Soul para o Funk. Toda esta subcultura foi sustentada na ideia da raridade do disco de Soul que ninguém queria e mesmo a raridade desses discos era falsificada porque assim que algum tipo colocava as mãos num disco desconhecido ia reproduzi-lo com cópias piratas. O valor da música era e é puramente fetichista porque não é a qualidade da música que vale mas sim pela descoberta de single 7" esquecido e sem sucesso. Com isso toda a História do Northern Soul é uma salganhada de pretensões e reanimações forçadas, que Simon Reynold no Retromania ao explicar estes tristes escreveu e simplificou bem este movimento, para ele a Northern Soul is pop history rewritten by losers. E é verdade, a música é bimba suficiente, o som é cru e xunga, uma verdadeira segunda divisão que não morreu porque, meu querido Allah, bimbos no Ocidente é o que não falta...  Quem quiser comprar este disco que me avise, não terei saudades desta palhaçada!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Marcos na Fátima da BD!

foto de Jucifer / Julho 2007
O blogue Universo BD entrevistou-me... a fotografia foi tirada na "Disneylândia dos Católicos" da primeira vez que fui lá - cruz-credo e talvez a última espero - e que achei adequada para esta entrevista em que sentia que tinha a Inquisição em cima!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

E perguntam vocês: "porque é que The Bug não 'tá nos melhores de 2014?"


Sempre a defender The Bug como um dos músicos do milénio, o gajo lança o LP Angels & Devils (Ninja Tune; 2014) e não aparece nestas listas parvas? Como se explica isto pá?
Poisé! Mas é possível quando se sai desiludido de algo... mas isto não são arrufos de namorados... ou talvez até seja. É assim, acho que é um álbum burguês... invés de o gajo ter ido buscar aqueles MCs todos ganzados dos Narcóticos Anónimos como nos discos anteriores, foi buscar a nata da música actual: o gajo dos terroristas Death Grips, a sobrevalorizada Grouper, o camarada Justin (Godflesh / Jesu) que juntos fizeram God, Ice, Techno Animal e Curse of The Golden Vampire (ou seja, só coisas boas!), o fantasmagórico sonsinho do Gonjasufi, etc... e na realidade parece um colectênea com faixas de Death Grips (embora estes já estejam muito mais à frente do que The Bug fez com o vocalista!), de Jesu ou Godflesh "remisturado", de Grouper, de Gonjasufi, etc...
E isso é mau?
Não caralho! Mas o que queria era um álbum de The Bug! Outra coisa irritante é ouvir este álbum na versão LP, em vinil - na realidade um desperdício industrial e atentado ecológico para quem parece estar tão preocupado com a destruição irracional do mundo! O álbum tem cerca de 48 minutos e talvez seja verdade que se fosse só uma rodela de vinilo a coisa poderia ter menos qualidade sonora com a compressão / impressão do disco. Resultado, o álbum foi separado em dois discos 12".
O gajo devia ter tirado um minuto ou dois nas músicas para caber tudo num disco vinilo, é isso?
Tentem ouvir em casa um disco em que de 7 em 7 minutos temos de ir mudar de lado... A mim parece-me insensato fazer isto quando desde o Punk que os músicos podem definir com liberdade a sua música e o formato onde ela irá ser editada. Num mundo imaterial que é esta nossa cultura digital, fazer álbuns com 3 faixas ou 33 parece ser o mesmo porque a circulação de ficheiros será sempre caótica - como alguém afirmou, voltamos aos tempos do "single" porque as pessoas num álbum podem escolher só ouvir uma música / faixa que gostem. Mas se The Bug queria fazer disto um vinilo então deveria ter pensado um bocado, não? Já que pensou em grafismo tão "state of the art" prá capa... É que parece que caiu neste fenómeno que poderia-lhe chamar de "vanity vinyl press" que à três ou quatro anos para cá, trouxe a ideia que para a música ser boa é preciso que ela esteja editada em vinilo - der por onde der...
Mas o álbum é mau?
Não, como poderia ser? É THE BUG!!! (mais ou menos) E é verdade que ouvir Angels & Devils em vinilo sai de lá muito mais bujarda do que em digital! O gajo é um dos masters da música Bass, Dub, Dubstep,... - mas deixou o Dancehall para trás, e isso não dá para perdoar! Isso ainda é piro que pensar que afinal estou a ouvir o Gonjasufi a lacrimejar...