quarta-feira, 22 de julho de 2015
Arto Paasilinna : "A Lebre de Vatanen" (Relógio D'Água; 2009)
segunda-feira, 20 de julho de 2015
My kind of people...
Estes manos do Estado Islâmico são tudo menos fixes mas admito sentir uma ponta de admiração em terem explodido com um estádio olímpico no Iraque. Se há algo que merece uma bomba nos cornos são os templos do Desporto. Obrigado por me alegrarem a Segunda-Feira!
terça-feira, 14 de julho de 2015
Recordando Estrompa (a cores)
Na casa dos meus pais em Agosto do ano passado descobri pra lá a maquete do MdC #6 com a tal sessão de fotomaton com o Estrompa gloriosamente a cores.
Este Sábado, fazendo um ano do desaparecimento do Estrompa, a El Pep lança um número especial do fanzine Shock em homenagem ao autor/editor e à sua personagem Tornado. Como a malta da BD são todos uns granda piços não me avisaram do projecto e estive a fazer uma BD às pressas das minhas memórias com o Estrompa. Sairá como um mini-zine-suplemento dessa publicação. Eis a capa cheia de divertida e perigosa nostalgia:
Entretanto já é pública a capa do novo Shock, em que curiosamente é usada também uma fotografia, desta vez do Estrompa, claro, autoria de Marco Peixoto.
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
João Paulo Ferro : "Roll Over : Adeus anos 70" (Documenta; 2013)

Odeio a expressão "oportunidade perdida", seja vindo de um rabeta que nunca faz nada de jeito na vida seja de um intelectual com a sua tese empinada! O que é que as pessoas sabem dos bastidores da produção de um livro ou de um espectáculo para dizerem isso? O que sabem das dificuldades ou objectivos de quem criou uma peça artística ou editorial?
Infelizmente, ao folhear este livro deixei-me levar por essa expressão ressabiada... Outra expressão terrível é "uma imagem vale por mil palavras", como se um médium pudesse substituir outro! E aqui estou eu a olhar para um livro lindo que, paradoxalmente, as imagens dizem pouco, muito pouco... Os prefácios do livro acham que não, que estas fotografias tiradas à boémia de uma certa elite social lisboeta são diferentes aos da geração Instagram / Vice que tudo fotografam e que deixam mais facilmente uma pegada documental. Olhando para estas fotos do livro, subtraindo as roupas e máquinas que são dos finais dos anos 70, o que fica são jovens iguais aos de 2015 - até porque nos últimos anos, os "70s" estão na moda - nas suas poses, risos e excessos. Temos jovens betos em Cascais, Sintra, Caldas da Rainha e Lisboa a falarem, drogando-se, apanhando carraspanas, com poses sensuais, algumas sexualmente ambíguas outras libertárias, a dançarem, a curtirem a vida à noite em espaços públicos ou em casas particulares. Alguns até estão vestidas à rocker que realmente podia ser "vanguarda" em Portugal mas já era anacrónica noutra parte do planeta - é sem dúvida retro em 2015 mas ainda existe malta assim sabe-se lá porquê!
As fotografias mostram actuações ao vivo de bandas como Anar Band, os Xutos & Pontapés no primeiro concerto, Faíscas mas também de outras futuras personalidades como Miguel Sousa Tavares e o Al Berto com ares de putos (que eram). Mas é preciso conhecer estas pessoas publicamente, não há legendas a indicá-las nem explicações de outra hora. Nem precisa e o livro pode ser o que é, uma recolha autónoma de imagens de uma geração pós-PREC e pré-Cavaquistão I. Havendo um défice de informação sobre esses tempos em relação à cultura urbana portuguesa é realmente uma "oportunidade perdida" não haver um livro que tenha textos com a mesma qualidade destas fotografias que contem histórias da altura, histórias com sangue e suor, tão íntimas como a da fotografia do gajo a chutar-se - e que encerra o livro, como se profetizasse a merda toda que viria aí e que iria destruir ou queimar muita gente nos anos 80 e 90.
É impossível publicar um livro destes sem que se deseje um relato pessoal do fotógrafo longe da preguiça que este almejou e cumpriu. Se calhar não foi possível, se calhar o autor não se sente à vontade, se calhar "uma imagem vale por mil palavras" - o caralho que vale!
quarta-feira, 10 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Arto Paasilinna : Um aprazível suicídio em grupo (Relógio D'Água; 2010)
Uma capa tão horrorosa em 2010 é mais escandalosa que a escrita deste finlandês em 1990 - realmente a Relógio D'Água pode ser uma grande editora mas deveria repensar a imagem gráfica!O suicídio pelos países nórdicos é uma catástrofe humana e não se deve brincar com isso mas Paasilinna brincou e com bastante estilo... Não é um livro pesado, na realidade está na linha de filmes "celebração da vida" - tipo Kusturika ou "o destino de Emélie" - em que se consegue prever o final - e que será nesse "fim do mundo" que é Sagres, daí a capa manhosa?
Tal como ler os romances gráficos de Jarno Latva-Nikkola ou os filmes de Aki Kaurismäki ou ainda saber de histórias da Finlândia (e eu sei um bom par delas desde 2002) encontramos uma linha comum nisto tudo e percebermos o que será um "Finlandês verdadeiro", e é fácil: são casmurros, deprimidos, moralistas e dados a um sentido de "non-sense" cujo estereótipo seria mais fácil de identificar com o "Sul". Este livro é uma polaróide daquela sociedade apesar da história começar com um militar reformado e um empresário falido a encontrarem-se por coincidência no mesmo estábulo para se suicidarem. Depois de desistirem de acabarem ali com as suas vidas, gozam o verão finlandês (diz-se que ninguém tira um finlandês do seu país nesta estação do ano) e decidem criar uma Sociedade de Suicidas Anónimas com o objectivo de se matarem em colectivo e com dignidade. Situações trágicas e cómicas sucedem-se de forma a viciar o leitor. Torna-se um bocado inconsequente tal como o "nosso" Saramago foi com As intermitências da Morte mas pelo menos Paasilinna é mais divertido, perfeito para as férias.
Ler sobre suicídio na época balnear? Why the fucking not? Na realidade este livro é um verdadeiro "fun fun fun in the Autobahn", um mórbido "road-movie" com excursionistas "kamikazes",... como não ler isto a assar bem de frente aos cancerosos raios solares?
Já agora, como o mercado livreiro em Portugal é uma selva de oportunidades, os livros de Paasilinna já se encontram a 5 euros na Feira do Livro. Valem isso!
sexta-feira, 22 de maio de 2015
À Reconquista da Mouraria III ... 22 MAIO ... BARTÔ
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22 MAIO - unDJ FarraJ - 22h - entrada livre - Bartô - Costa do Castelo, 7, Lx
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O regresso das 1001 noites farsolas... com unDJ FarraJ nos pratos e desta vez com o lançamento do zine/livro Malmö Kebab Party
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unDJ FarraJ é mais um disfarce de um elemento ligado ao DJihad ao Bairro Autismo, outrora ligado ao colectivo OSAMAsecretLOVERS e não se sabe ao certo que relação ao unDJ MMMNNNRRRG. Nesta persona dúbia sabemos que passa música do Médio-Oriente do passado e contemporânea sem a protecção de Alá.
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Malmö Kebab Party é um volume especial da colecção LowCCCost e conta as aventuras e desventuras de cinco autores de BD que foram até ao festival AltCom, em Malmö (Suécia) apresentar as antologias QCDA, nomeadamente Afonso Ferreira, Amanda Baeza, Hetamoé, Rudolfo e Sofia Neto. É que para além de ser uma cidade com uma dieta rica à base de kebabs, Malmö mostrou-se habitat natural para um senhor ananás muito simpático, desenhos rasgados, psicadelia, BDs do ALF, e afogamento de mágoas via consumo de álcool.
Spektakulära!!
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Esta colecção de livros de viagens da Associação Chili Com Carne é dirigida "a quem gosta de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro" e já contou como foi uma turnê punk-mas-com livros por uma "Europa aborrecida", seis meses de David Campos na Guiné-Bissau e viver fora de Portugal...
A edição será feita em parceria com a Ruru Comix.
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Para quem não curtir as a-rabices no unDJ FarraJ pode ir ao Lounge que o DJ Nobita (aka Rudolfo) também estará lá a lançar o livro a por sons japonocas!
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Um anjo em Lisboa!
Ontem vi na ZDB o norte-americano Jad Fair pela quarta vez - a primeira até registei em BD e que pode ser lida no Talento Local - e foi manhosamente mágico como sempre apesar de mais uns 13 anos em cima desde a última vez que o vi (curiosamente também na ZDB e a solo) e de estar acompanhado por um betinho dos Teenage Fan Club - banda escocesa Indie-Pop que já era fácil de esquece-la nos anos 90 quanto mais agora.
Com muito cabelo branco e tiques nervosos Jad atacou o palco mostrando ser um "Rock'n'Roll animal" dando uma bofetada de Rock primitivo e lo-fi - nunca vi uma guitarra tão xunga, desafinada e partida como a dele! E no entanto ele não deixa de também usar alguma sofisticação tecnológica sem comprometer o seu universo amoroso, por exemplo, pela forma divertida como usou pedais de loops para a sua voz. Admito que estava apreensivo no início a pensar se o tipo aos 61 anos ainda teria piada e se teria aquela energia positiva tão típica dele... meu, se tens uma banda de Garage ou de Stoner onde estavas ontem à noite? És do Improv ou da Cafetra? Perdeste uma "masterclass"...
Próxima paragem: Jad Fair aos 71 anos!!!
terça-feira, 5 de maio de 2015
quinta-feira, 30 de abril de 2015
IndieFestMagInterview
Entrevista para a IndyFest Magazine (EUA)...
Até pode ser uma revista digital mas ainda assim estou na capa!
:)
sábado, 25 de abril de 2015
#26
Edição MMMNNNRRRG. Capa de Dr. Uránio. BDs de Marcos Farrajota. Design: Joana Pires
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Este novo Mesinha de Cabeceira faz uma conclusão com este ciclo de números (o 24 e 25) que publicam BDs autobiográficas realizadas na Saari Residence, na Finlândia. É o terceiro capítulo de Desobediência é um artigo de colecção, um romance gráfico que fica aqui concluído ou não - não sabe / não responde.
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Edição limitada de 333 exemplares. Lançado na Feira Morta (25 de Abril 2015)
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28p. A5 p/b, capa a cores
PVP: 3€ à venda EXCLUSIVAMENTE na Chili Com Carne, sendo que dia 2 de Maio está disponível na Mundo Fantasma
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Em digital e grátis é ver aqui.
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
Lovefool
É incrível o que os suecos fazem para nos agradar! Ninguém sabe porque o fazem, talvez porque ninguém lhes liga peva mas a verdade é que este país desenvolveu os ABBA, a pornografia popular, os Europe, móveis simpáticos prá malta, Ace of Base, uma sociedade quase igualitária, Dr. Alban, Roxette, o som de Gotemburgo (ou Death Metal melódico), The Hives, a editora Cold Meat Industry (pffff), I'm From Barcelona, Melanie is Demented (um génio Pop este puto!) e os Cardigans. Este últimos até fizeram uma das melhores versões de Sabbath Bloody Sabbath e não é de admirar que nesta linhagem tenham aparecido os Ghost, banda mariquinhas de Metal que conquistou o mundo inteiro de um dia para o outro, fazendo já "escola" - ou se preferirem, bandas a quererem explorar o filão aberto, como os "nossos" A Tree of Signs.
Ouvir Opus Eponymous (Rise Above; 2010) é um miminho que saca com muito bom gosto e pica o que se fez nos anos 70 no Hard Rock e Heavy Psych bem como nas bandas sonoras de filmes italianos de Terror (Goblin) mas com um sentido Pop extremamente apurado que se deve aos Beatles, ou será antes ao Pop sueco? É neste ambiente que vão desfilando temas satânicos e negros - como o da nossa querida Erzsébet Bathory - tornando-os em docinhos e de tão orelhudos que até qualquer mãe poderá gostar de os ouvir. Sem sabermos estamos a cantarolar que venha praí o Grande Bode e/ou o Anti-Cristo enquanto se aspira a casa, que curtimos Bruxas e orgias de sangue enquanto se lava a loiça ou fazemos um inconsciente alegre chamamento 666 enquanto se muda a areia dos gatos. Os Ghost são uma verdadeira subversão que deve ter deixado a Igreja de boca aberta, e por isso muito mais eficiente que as discografias de Marilyn Manson e de Immortal todas juntas. Talvez por isso que eles guardem as suas identidades de forma secreta como os Residents. Ou isso ou então é porque tem vergonha de ter feito uma versão dos ABBA. Pouco importa, no fundo no fundo, são uns luteranos "kiduxos" como todos os suecos. Amén!
Ouvir Opus Eponymous (Rise Above; 2010) é um miminho que saca com muito bom gosto e pica o que se fez nos anos 70 no Hard Rock e Heavy Psych bem como nas bandas sonoras de filmes italianos de Terror (Goblin) mas com um sentido Pop extremamente apurado que se deve aos Beatles, ou será antes ao Pop sueco? É neste ambiente que vão desfilando temas satânicos e negros - como o da nossa querida Erzsébet Bathory - tornando-os em docinhos e de tão orelhudos que até qualquer mãe poderá gostar de os ouvir. Sem sabermos estamos a cantarolar que venha praí o Grande Bode e/ou o Anti-Cristo enquanto se aspira a casa, que curtimos Bruxas e orgias de sangue enquanto se lava a loiça ou fazemos um inconsciente alegre chamamento 666 enquanto se muda a areia dos gatos. Os Ghost são uma verdadeira subversão que deve ter deixado a Igreja de boca aberta, e por isso muito mais eficiente que as discografias de Marilyn Manson e de Immortal todas juntas. Talvez por isso que eles guardem as suas identidades de forma secreta como os Residents. Ou isso ou então é porque tem vergonha de ter feito uma versão dos ABBA. Pouco importa, no fundo no fundo, são uns luteranos "kiduxos" como todos os suecos. Amén!
EGOtripping tio!
Marcos Farrajota es una de las personalidades más interesantes en el panorama independiente de edición gráfica a nivel europeo (...) además de ser autor prolífico, sarcástico e inquieto. (...) su artículo “Comix Remix”, en el que da un repaso por algunas obras y autores que trabajan (o han trabajado) en los límites de la narración gráfica a partir del collage, el ensamblaje, el found footage entre otras técnicas. En tiempos ya bien entrados en una era digital y sociedades sumergidas en la información instantánea, el artículo de Farrajota nos pone en perspectiva, primero trazando un paralelismo con la música (cómo no hablar del remix sin empezar por el sampleo), y nos plantea cómo dentro de la creación, surge también la idea de edición. Después de todo, de eso se trata mezclar. Caracoles! Muchas gracias Martin!!! (30/07/13)
Und... depois deste elogio o artigo continua a seguir por aí! Tradução para alemão às mijinhas no Drei Mal Alles dirigido por Christian Maiwald e em Agosto será em sueco numa nova revista sobre BD...
Und... depois deste elogio o artigo continua a seguir por aí! Tradução para alemão às mijinhas no Drei Mal Alles dirigido por Christian Maiwald e em Agosto será em sueco numa nova revista sobre BD...
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Vanity Blues
Ir à Feira da Ladra de Lisboa já pouco adianta, tudo está inflacionado para sacar mais Euros aos turistas, as colecções de discos, BD e livros dos portugueses são pouco interesantes (devido à pobreza do país e às décadas de isolamento imposto pelo beato Salazar) e como todos os portugueses apesar de pobretanas todos têm smartphones e acesso à 'net em banda larga para saberem o valor real das coisas que estão a vender... Ou seja, a hipótese de ir à Ladra à procura de aventuras culturais já acabou mas... uma vez ou outra até de apanham coisas curiosas por tuta e meia como um livro de Edogawa Rampo, uma edição portuguesa ilustrada da Afrodite do Masoch ou um disco de Blues como este Bluescene USA, Vol. 1: Rhythm & Blues of Chicago (Storyville; 1975). Edição luso-espanhola de 1982 além de trazer para casa um género pouco ouvido, tem uma boa selecção de temas e uma contra-capa com um texto crítico que desmistifica os clichés do Blues (em inglês!). Do som à capa tudo é vintage no objecto, custou um Euro e é este o preço que as velharias deveriam custar. Afinal ainda há esperança prá Ladra e amanhã é dia dela...
sábado, 18 de abril de 2015
King for a Day, Fool for a Lifetime
Os Faith No More vão voltar, e parece que vai ser mais um "cash-in comeback"... Duvido que consigam voltar ao génio de 1992, ano em que a banda acabou sem eles saberem disso.
Fizeram a Obra Prima Angel Dust (Slash) e tudo o que fizeram depois é derivativo e sem pica. Em parte talvez porque deixaram de ter o seu guitarrista white trash Jim Martin e digo "white trash" porque esta era a imagem que transmitia, para além de que depois deste álbum passou a cultivar abóboras - Wikipedia dixit.
Disse ele que saiu da banda porque neste álbum as composições deram mais destaque à voz (de Mike Patton) do que às guitarras - como deveria ser em The Real Thing. Parece uma declaração da treta porque ambos discos referidos tem trabalhos de guitarras de excelência, Patton neste disco parou de ser um clone do primeiro vocalista que gravou com a banda (Chuck Mosley) e o resto da banda acompanhada por uma samplagem alucinante conseguiu fazer uma massa sonora única - os sons samplados, já agora, eram de gente grande como Z'EV, Kronos Quartet, passando ainda por Simon e Garfunkel (!) à Diamanda Galás...
E claro, tal como Martin os metaleiros não perceberam a Obra Prima, tudo bem, muito mais pessoas alinharam no disco demonsrado pelo sucesso nos Tops e tournês mundiais. Não é um disco que se possa meter num saco do género "funk metal" que se inventou na altura ou de "nu metal" que ainda não existia e não faz sentido referir. É um dos (poucos) discos pós-modernos dentro do Heavy Metal ou da "música pesada" - no ano seguinte iria sair outro ao mesmo nível: Bloody Kisses dos Type O Negative - e "pós-moderno" no Metal não deveria significar as modorras do pós-metal daquelas bandas que fazem Neurosis ad nauseaum.
Depois deste disco, os FNM passaram a soar a mil bandinhas de Rock MTV que na realidade eram imitações "softcore" deles mesmos - como os betos dos Incubus. Como dizia Jules Renard: Se tens talento, Corvo, imitam-te. Se te imitam, estás na moda. Se estás na moda, passas de moda...
Fizeram a Obra Prima Angel Dust (Slash) e tudo o que fizeram depois é derivativo e sem pica. Em parte talvez porque deixaram de ter o seu guitarrista white trash Jim Martin e digo "white trash" porque esta era a imagem que transmitia, para além de que depois deste álbum passou a cultivar abóboras - Wikipedia dixit.
Disse ele que saiu da banda porque neste álbum as composições deram mais destaque à voz (de Mike Patton) do que às guitarras - como deveria ser em The Real Thing. Parece uma declaração da treta porque ambos discos referidos tem trabalhos de guitarras de excelência, Patton neste disco parou de ser um clone do primeiro vocalista que gravou com a banda (Chuck Mosley) e o resto da banda acompanhada por uma samplagem alucinante conseguiu fazer uma massa sonora única - os sons samplados, já agora, eram de gente grande como Z'EV, Kronos Quartet, passando ainda por Simon e Garfunkel (!) à Diamanda Galás...
E claro, tal como Martin os metaleiros não perceberam a Obra Prima, tudo bem, muito mais pessoas alinharam no disco demonsrado pelo sucesso nos Tops e tournês mundiais. Não é um disco que se possa meter num saco do género "funk metal" que se inventou na altura ou de "nu metal" que ainda não existia e não faz sentido referir. É um dos (poucos) discos pós-modernos dentro do Heavy Metal ou da "música pesada" - no ano seguinte iria sair outro ao mesmo nível: Bloody Kisses dos Type O Negative - e "pós-moderno" no Metal não deveria significar as modorras do pós-metal daquelas bandas que fazem Neurosis ad nauseaum.
Depois deste disco, os FNM passaram a soar a mil bandinhas de Rock MTV que na realidade eram imitações "softcore" deles mesmos - como os betos dos Incubus. Como dizia Jules Renard: Se tens talento, Corvo, imitam-te. Se te imitam, estás na moda. Se estás na moda, passas de moda...
sábado, 11 de abril de 2015
Je suis Charlie
Mussolini Headkick : Themes For Violent Retribution (World Domination; 1989)
Com a Suástica não se brinca... nem com os judeus... e agora nem com os muçulmanos... Meu, 2015... que seca! Mas nos anos 80 ainda se podia ter nomes bizarros e ter estas capas sugestivas ou de mau-gosto, se preferirem. É claro que os Mussolini Headkick não são nazis nem fachos, aliás, o nome deve-se ao facto de quando a besta do Mussolini foi abatida no final de Abril de 1945, com a derrota total aparente, tentou fugir para a Suíça, porém, foi rapidamente capturado e sumariamente executado próximo ao Lago de Como por guerrilheiros italianos. Seu corpo foi então trazido para Milão onde foi pendurado de cabeça para baixo em uma estação petrolífera para exibição pública e a confirmação de sua morte. E ao que parece levou com pontapés na cabeça após execução ou quando o cadáver estava exposto publicamente. Para tanta fotografia gloriosa que o seu regime de propaganda criou nos anos 30 é mesmo um final um coche triste, não? E por este final moralista que esta banda inglesa usa este nome? Claro que a explicação mais rápida será que sacaram o nome ao tema dos Cabaret Voltaire já para não falar dos DAF... Não muito mais para escrever, o álbum é de um Synthpop / EBM / Industrial na linha do primeiro disco de Nine Inch Nails - ou dos primórdios Front 242 para os mais velhos - com temas para paramilitares dançarem, e outros que parecem interlúdios para a malta cortar os pulsos (actividade lúdica dos anos 80) ou pegar numas uzis e dar uns tiritos na escola (actividade lúdica dos anos 90 para cima).
domingo, 5 de abril de 2015
Sepul culture
Os mortos não descansam no mundo do "anarquivismo" da web.2. Se é fácil ressuscitar Elvis para mais um passo de dança-mash-up, lançar campanhas publicitárias de refrigerantes da nossa infância, descobrir toda a produção fonográfica High Life do Gana e mais algo que me escape ao meu cinismo cultural. Faltava a má-onda em ressuscitar a própria Morte, ou melhor os seus registos excluindo o circo colorido do Pop. O English Heretic soa a um cruzamento gótico de Negativland com Pink Floyd ou Death in June geneticamente transformado em Trip Hop, ou ainda This Mortal Coil a transmitir um "podcast" com o registo perturbado electro-magnético do Ian Curtis (RIP). É verdade, o disco The Underworld Service (2014) soa a isso tudo... e também a ingleses a molharem "scones" no chá, enquanto lêem uma biografia sobre o alquimista Fulcanelli [quem? não sabe / não (deve) responder] enquanto bomba na TV uma "soap-opera" merdosa da BBC. É de incluir ainda Monges do Vietname, Zombies, Hiroshima, Polanski, mausoléus, catacumbas, ossadas (a lembrar Infiltrate Assimilate Propagate Disseminate de Nomex) e toda uma reinterpretação de factos culturais mórbidos, ficcionais ou reais, num caldeirão sonoro e literário - pode-se comprar o disco com um livro mas este último objecto é tão hermético que não se consegue ler sem pensar que estamos a perder tempo... para a Morte. A música no entanto é bastante agradável... tanto como morrer afogado pelo que se diz.
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