sábado, 30 de janeiro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

António Concorda Contador & Emanuel Lemos Ferreira : “Ritmo & Poesia : Os Caminhos do Rap” (Assírio & Alvim; 1997)

Um livro publicado há quase 20 anos ainda faz sentido ler sobretudo quando trata de cultura Pop? Eis um caso positivo até porque depois dele acho que não saiu mais nada que tratasse sobre o Hip Hop em Portugal.
Ainda assim, pensava que seria um livro mais interessante, com uma componente portuguesa mais vincada ou até uma análise sobre as letras dos rappers portugueses. Não, quase todo o livro trata da História do Hip Hop norte-americano, algumas tretas para encher-chouriços (listas de bandas pelo globo fora e um glossário de calão dos "dreadas") sendo mínimo a que se dedica a Portugal. uma História do movimento, umas entrevistas e fotografias aos nossos hiphopers. Ainda assim é um livro que  mostra que a Assírio & Alvim era A editora nos anos 90 apostando num livro que tratava de uma cultura marginalizada. Claro que hoje há Hip Hop em toda a rádio ou TV, o Pac Man/Carlão só diz merda, as gajas kotas que não tem cuidado com a alimentação vão prá dança Hip Hop do ginásio e as câmaras municipais arranjaram uma fonte de fazer guito com os graffitis (sem mexer uma palha nos problemas urbanos de base) mas em 1997 os discursos dos seus agentes ainda é de confusão e de ansiedade dada às más experiências, inexperiências e ignorância de todos: jornalistas, editoras, promotores de festas e claro dos próprios artistas - no livro até se apanha um belo de um achado: em 1996 um tal de DJ Groove fez um rap de campanha presidencial pró mete-nojo do Cavaco, "coerência onde estás tu?" escrevem os autores...
O Hip Hop é a primeira música pós-moderna do século XX, ao contrário do Blues, Jazz e Rock que vêm de raízes rurais na transição para a urbanidade, ou seja tem uma narrativa linear e cronológica enquanto que o Hip Hop não tem um centro mas sim vários. Não é fácil perceber a sua História nem fixar as suas figuras importantes, até porque muitas vezes parecem-se com pessoas que podiam estar a apanhar o metro no Bronx (é de ver os livros Hip Hop Family Tree de Ed Piskor para perceber esse mundanismo) ao contrário do Pop onde há Reis Camalões, Lagartos e outros drogados. para além de usarem pseudónimos que distraem mais do que ajuda a memorizar. Pode-se procurar origens nos Last Poets ou nos Watts Prophets, nas festas jamaicanas ou nas "blockparties", nos Sugar Hill Gang ou no Grandmaster Flash mas ao contrário de, por exemplo, no Punk em que imediatamente se diz "Sex Pistols" ou "Ramones", no Hip Hop porque - bom, vou deixar de dar desculpas politicamente correctas - era "música de pretos" ou de pobres (que não interessam a ninguém quando se é da classe "mé(r)dia") são poucas as pessoas que diriam "Kool Herc", por exemplo, ou saibam dizer um tema musical seminal do Hip Hop.
Em Portugal, um livro destes é uma pérola a porcos porque estando nós sempre atrasados em relação a tudo e em especial à cultura Pop, em 1997 conseguiu-se produzir um documento bastante credível quase sem tempo de ressacar o importante disco Rapública (Columbia; 1994) que aguenta o peso do tempo e que realmente educa a quem quiser saber sobre o tema - devia estar um exemplar nas bibliotecas escolares!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Colectivo Rock On : "David Bowie : Três Décadas de Metamorfoses" (Centelha; 1983)

 Foi com algum espanto e agrado que li esta mini-biografia de David Bowie (1947-2016) assinada pelo Colectivo Rock On que albergava Álvaro Costa, Fernando Costa e Francisco Pacheco e que também dava título à colecção da Centelha sobre música Pop/Rock. É de admirar a qualidade das reproduções fotográficas e dos textos cosmopolitas (aposto que em 1983 a maior parte dos leitores não percebiam as expressões anglo-saxónicas usadas) comparando com a edição nacional actual de escrita sobre música.
Claro que a Wikipedia em 2015 bate o livro (que ainda teve uma segunda edição em 1986 mas não deverá ter sido actualizado) mas ainda assim por ser impresso - ponto a favor contra a radiação dos aparelhos electromagnéticos - e por estar bem feito, ainda é um excelente guia para quem quiser saber mais sobre o "Camaleão do Rock" que faleceu ontem.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

sweet15

1. Alberto Manguel : Uma História da Leitura (Presença; 1998)
2. Olivier Schrauwen : Arséne Schrauwen (Fantagraphics; 2014) + Cinzas (MMMNNNRRRG + Mundo Fantasma) + Olá, o meu nome é O. Schrauwen (exposição Mundo Fantasma)
3. Almanac for noise & politics 2015 (Datacide / Praxis)
4. Allen Halloween : Híbrido (ed. de autor)
5. AtilA : V (Bisnaga / Signal Rex)
6. Chris Hedger + Joe Sacco : Days of Destruction, Days of Revolt (Perseus; 2012)
7. Die Antwoord : Donker Mag (Zef; 2014)
8. Aaron Lange : Trim (3 números, The Comix Company; 2014-15)
9. Plus Ultra (k7 + concerto Milhões de Festa)
10. Nerve : "Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança" (Mano a Mano)
11. Verney + Tardi : Putain de Guerre! (2 vol.; Casterman; 2008-09)
12. Ghost : Opus Eponymous (Rise Above; 2010)
13. Tournê dos 15 anos da MMMNNNRRRG (5-10 Maio)
14. Alan Moore + Melinda Gebbie : Lost Girls (Top Shelf; 2012)
15. Maurice Louca : Salute The Parrot (Nawa; 2014)



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Comprei um disco de Emocore...


Pensava que podia comprar um disco de Drumcorps sem pensar em ouvi-lo e ficar louco por ele à primeira audição (todos procuramos o áudio virgem, certo?) porque o álbum anterior, Grist (Ad Noiseam; 2006), foi das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. Falling Forward saiu agora, é o segundo disco deste projecto e é uma valente merda!

Não sou um fã de Breakcore do tipo dogmático - como os punks bestas ou metaleiros com palas - mas este disco parece que é Emocore! Armado em Rock Star de merda? Um trabalho para fazer guita? Eis perguntas estranhas... a verdade é que o Breakcore que teve uma explosão de criatividade na primeira metade deste milénio não conseguiu - e ainda bem! admito, afinal, ter uma costela dogmática e fanática - saltar de um grupo mais ou menos pequeno de radicais para esquemas comerciais, como aconteceram com todas as outras subculturas urbanas. O que acontece é que neste disco há uma série de músicas cantadas por Aaron Spectre (é assim que se chama o gajo de Drumcorps) numa onda tão Emo que até mete nojo...

Sua bestinha, esta é a razão porque se ouve barulho Breakcore, é justamente para não ouvir trampa!! Por causa disso (nada contra projectos Breakcore com vozes) funciona como um produto para massas, sem muito a transmitir, tipo Nine Inch Nails desde que eles se tornaram irrelevantes. Há faixas que mostram Spectre sabe des/cons/truir "beats" completamente alucinantes que o deveria protagonizar como uma vanguarda do corpo morto e putrefacto do Metal - um género incapaz de ter ideias novas há uma década. Drumcorps é maquinaria mas também é uma guitarra de riffs metaleiros, daí a aproximação possível à Arena Rock sem desdenhar a pista de dança.

A sua vozinha de mosca morta estraga o que poderia ser apenas um bom disco mesmo que a parte instrumental não tenha ideias assim tão brilhantes como há 9 anos atrás. Está num beco sem saída? Pior, que faço eu com isto agora!? Prendinha de Natalixo de certeza... Vingança final: uma pontuação  à fanzine Metal: 3,2 em 5, toma lá ó vendido!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Nadja em triplicado!

Triplicado? Como assim?
Nadja a banda, certo!
Nadja a BD, certo!

Dia 17 de Dezembro vão perceber SE aparecerem!

Co-organização ATR e MNRG

Feliz Natalixo!



Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno de Nunsky

Publicado pela MMMNNNRRRG ... 44 páginas a cores 16x23cm

PVP: 9,5€ (30% desconto para sócios da CCC) à venda na loja em linha da Chili Com Carne, El Pep, BdMania, Artes & Letras, Letra Livre e este fim-de-semana chegará à Mundo Fantasma, Matéria Prima e Utopia.


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou neste zine, o Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Em 2014 o regresso deste autor foi feito com o romance gráfico Erzsébet (Chili Com Carne), 144 páginas que regista a brutalidade da Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude. O livro venceu o Melhor Desenho do Festival de BD da Amadora em 2015.

Em 2015 Nunsky apresenta-nos este Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno... verdadeiro deboche gráfico anti-cristão para quem curte bandas de Hair Metal de Los Angeles dos 80, fãs distópicos do RanXerox e revivalistas da heroína. A MMMNNNRRRG nunca deseja "Feliz Natal" aos seus amigos mas com a Nadja até... ehhh





Historial: lançado no dia 17 de Dezembro 2015 no Lounge Bar com o concerto da banda canadiana Nadja, organizado pela Associação Terapêutica do Ruído.


|
|
---
|

Brouhaha do Erzsébet:

Muito boa BD, me inspira para criar logotipos - Lord of The Logos

Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… - Rui Eduardo Paes

Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho

o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. - Pedro Moura




Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Virgin Teenie From Hell (promo)
Published by MMMNNNRRRG. Released 17th December in Lounge Bar (Lisbon) with Nadja gig, organized by Associação Terapêutica do Ruído.

Nunsky (b. 1972) is a comics artist from the north of Portugal and has published most of his work in the Mesinha de Cabeceira zine. In 1997 he made an incredible 39 page comix for the 13rd issue and the 5th anniversary of this mutant zine. Actually this was the first professional looking book that the Chili Com Carne Association made, starting an important publishing history in the Portuguese scene. The comix was entitled 88 and was a unique comix in Portuguese panorama at the time - and still is nowadays! Not only the "psycho-goth" ambience was different from all Portuguese comics but also the graphic quality was astonishing for such artist coming from nowhere. It reminded the Love & Rockets and Charles Burns but had it’s own voice. Since Nunsky is such a lone wolf, almost nobody knows about him and his whereabouts. After the 88 comix he created a rock band called The ID's and that's it. Or that’s what we thought…

In 2014 he returned with the graphic novel Erzsébet (published by Chili Com Carne), a 144 pages black and white document of Erzsébet Bathory, the infamous Hungarian countess that slayed hundreds of young girls in search of the eternal youth. This book won the Best Drawing Prize in 2015 by the Amadora Comics Fest - the more important mainstream Comics festival in Portugal. The book was appraised by music and comics critics but also by other artists... Here’s some Erzsebet brouhaha:

Very good comic, inspiring to make logos!!!
- Lord of The Logos (Belgium artist known for this work for Metal bands logos, he is really the meister of the black art!)

He gets that spirit from Jess Franco movies, where the most important is the iconography and esoteric symbols than a logic narrative, which builds a tension and insanity during the book...
- André Coelho (Portuguese artist and musician in Sektor 304, Méchanosphère, Pagan)


So… in 2015 Nunsky is presenting this Nadja - Virgin Teenie From Hell comix for all you fans of L.A. Hair Metal sleazy bands, RanXerox fucked up dystopians and heroin revivalists. This graphic novel is full color and it's a blast! It's published in Portuguese language but we are offering this poor one-color-only promotion edition to you because we want to find some publishers with balls to do this book somewhere in the world!! So come on, take a speedball and contact us by e-mail [ccc@chilicomcarne.com] or facebook.com/nunskycomics.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Linha Clara



Eis o segundo disco de Fay Lovsky & La Bande Dessinée intitulado Numbers (Basta; 1997). Porquê, ó Farrajota? Cheguei a esta senhora holandesa da forma estranha, pois sou um fã incondicional da banda sonora de Natural Born Killers (não do filme, atenção!) e como preparo uma BD sobre isso andei às voltas de uma das faixas de uns tais A.O.S. Projecto esse que não existe para além do elegante tema da banda sonora e cujos elementos são Klaus Buhler (compositor), Thomas Wilbrandt (condutor de orquestra) e a cantora Lovsky que grava desde 1980.
Entretanto descobri na discografia da cantora este CD com um tema dedicado a Portugal, capa do autor de BD Joost Swarte (pró ano e aqui poderão ler um texto sobre ele, estejam atentos), uma banda chamada de "banda desenhada" e o discogs.com a bombar barato... como não comprar tal coisa?
Revelou-se feio o objecto fonográfico em que só a capa de Swarte é que se safa. O resto é uma americanice com fundos orquestrais, tudo bom gosto como aliás A.O.S. já prometia. O tema Portugal é realmente fixe e a melhor coisa do disco, nacionalismo-barato à parte.
E agora?
Volta para o discogs, né? Podia ter passado no Invisual se ainda fizesse rádio, bah!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Tascas e Rãs





Não muita gente que goste do meu trabalho de BD como autor (snif snif) mas os poucos são bons e alguns passam pelo transhumanismo como é caso de rãs leitoras! Oh yeah!

Onde é que elas estão? No balcão da Tasca Mastai (na rua da Rosa 14, Bairro Alto, Lisboa), um “comix bar”! O que é isso? Sacando daqui a explicação: Por favor limpe as mãos da bebida e da comida antes de pegar nos livros de BD portuguesa e italiana. Um casal muito simpático fartou-se de Bolonha, trouxeram para cá este conceito híbrido de bar e livraria de BD como também a apetitosa bebida “spritz”! De tasca é que não tem nada…

A autoria do mural do balcão é de Andrea Tarli

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Zeichnungen Des Patienten O.T.

Texto prá newsletter da Flur no âmbito do lançamento do Breakdance do André Ruivo, no dia 8 de Dezembro.

Esta semana a grande má notícia é justamente esta, dois jornais de notícias vão deixar de existir. Não que tenha muita pena que o Sol e o I desapareçam, não eram lá grande espingarda mas dá no que pensar…

Realmente existe toda esta questão da desmaterialização da cultura, ora porque estamos a ficar habituados a encontrar todos os conteúdos na Web, ora porque por “novo-riquismo” acha-se melhor não ter objectos culturais amontoados nas estantes de casa para estarem todos enfiados num “i-qualquer-coisa” ou no disco rígido do computador. Esta atitude irá trazer mazelas no futuro (se é que já não está a acontecer agora!) porque sem objectos não há referências para a memória, sem memória a ignorância passa a ser o padrão comum. Por isso e antes de mais: viva a Flur e outras “discotecas” que ainda existem para termos nas mãos música… e livros!

Asger Jorn, artista do COBRA e do Situacionismo, escreveu algo curioso em 1962: When one sees the colossal spread of the modern strip cartoon, one wonders why newspapers do not formulate their news in the same way. Como já disse, os dois jornais referidos não eram lá muitos bons mas apostaram em “imagem”, sobretudo o I publicou informação em BD, ilustração e infografia e com isso conquistou algumas gerações perdidas consumidoras de jornais. Em contraponto, olhando para a edição dos 25 anos do Público, alarvemente afirma que os desenhos de Álvaro Siza são “BD e/ou flip-book” porque sim. Na fundação do Público, o seu director Vicente Jorge Silva trouxe muita BD para este periódico, será que foi por isso que ainda gostamos de pensar neste jornal como uma referência?

A verdade é que se os jornais e revistas cada vez vendem menos, parte da culpa é a falta de cultura visual dos seus responsáveis – directores e redacções. Na música já se percebeu que grafismo e discos têm de andar de mãos juntas mesmo que seja para boiar num bandcamp.

Portugal intitula-se um país de poetas mas seria bom mudar isto, seria mais interessante se fosse um país de “poetas gráficos” ou “poetas músicos” já agora.

Entre 2003 e 2010 fiz “tiras humorísticas” sobre discos e concertos. Foi com alguma resistência que consegui metê-las em algumas publicações nacionais – na Finlândia foi muito mais fácil, diga-se, além do que o director da publicação era espanhol! – até que desisti porque… também não sobraram muitas publicações em papel.

Algumas dessas tiras foram reeditadas no meu novo livro, Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology. Sei que sou um desenhador medíocre e só faço esta auto-publicidade desenvergonhada (desculpem lá!) não porque queira promover-me mas sim porque quero promover é esta ideia de retratar música em BD, e que é o desenho que vai salvar a imprensa portuguesa e o mercado fonográfico e tudo mais. Aliás, já há acólitos que acreditam piamente nesta ideia como é o caso do Tiago da Bernarda, topem lá as criticasfelinas.tumblr.com.

Sim, é isso que queria dizer, olhando prá miséria da imprensa nacional…

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Exposição "Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology" || MUNDO FANTASMA até 13 de Novembro



Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa desde 2000. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita. Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD pelo mundo fora. Criou a série Loverboy com desenhos de João Fazenda. Tem feito capas e cartazes para bandas punks e afins. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como a Feira Laica, bem como acções de formação, colóquios, rádio e "unDJing". Participou em várias exposições de BD colectivas como o Zalão de Danda Besenhada na ZDB (2000) ou Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011) bem como em festivais como Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, Komikazen em Ravenna e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito prazer o desafio de mostrar originais seus na galeria da loja Mundo Fantasma - inauguração dia 10 de Outubro, às 17h.

A acompanhar e de título homónimo será lançado o livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology. Tal como os seus livros anteriores, Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne, este novo livro reúne mais BDs autobiográficas suas dispersas em várias publicações desde 2010, incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Barroselas Metalfest.

EGOtripping 2


Assumindo-se a tentativa e erro como parte do processo criativo, consegue-se seguir em frente sem grandes preocupações quanto a possíveis catalogações estéticas. “... descobri que desenho é o que você quiser fazer dele e a qualidade não está na perfeição da cópia da realidade.” afirma acertadamente Fábio Zimbres, autor brasileiro que serviu de referência a toda uma geração de criadores contemporâneos. - André Azevedo

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Finger lickin' good



Fudge Tunnel : Creep Diets (Earache / Columbia; 1993)

Meu, cada vez acho que os anos 90 foi a última década de música Rock à séria, ou pelo menos para o Rock "pesado"... E com isto admito ficar velho, quadrado e estúpido. Que se lixe... Nunca ouvi os Fudge Tunnel nos anos 90 embora soubesse que um tal de Alex Newport fosse da banda. Sabia que este cromo Newport era um produtor conceituado e soube que ele existia através daquela bomba de pregos "Indus-trash" que eram os Nailbomb - a única merda de jeito que o Max Cavalera fez fora dos Sepultura.
Fudge é Rock sujo, a roçar Hardcore e Metal, muito nas linhas de Helmet ou Nirvana-porque-não, são ingleses da mesma cidade da editora Earache e dos Napalm Death, por isso, se falamos de rock barulhento é isto. São do melhor. O resto pouco importa...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Christoph Fringeli e Lynx : "Almanac for noise & politics 2015" (Datacide / Praxis; 2015)

 Livro em formato A6 que faz uma espécie de "best of" do fanzine Datacide, publicação internacional que trata de "barulho e política". Se o livro "anarquista" do Rui Eduardo Paes apontava que o pensamento anarco-libertário foi ultrapassando o punk/ hardcore para outros géneros musicais, a maior falta que o nosso respeitado crítico cometeu foi não ter encontrado a ligação política ao Breakcore e à música pós-rave - a entrevista a Fringeli (cabeça da publicação e da editora Praxis) é bastante interessante sobre a intersecção entre música de dança que é essencialmente instrumental e a transmissão de ideias políticas, tema aliás que tem sido bastante debatido nos últimos números da Wire.
O Datacide tem conseguido fazer a ligação contemporânea sobre música e política, ora relembrando movimentos sócio-políticos que o status quo tenta apagar, alguns exclusivamente políticos como a "Autonomia" em Itália nos anos 70 outros alguns ligados à música de embate contra o Estado - a cena Rave inglesa dos anos 80 e a consequente "Criminal Justice Bill". Mas não é só relembrar o que se tenta ser apagado com a cultura dominante que a Datacide pretende fazer, noutros casos, também denuncia ou desmistifica situações como a de Boyd Rice - fuck, sinto-me envergonhado com isto - que se não é um Nazi mas apenas um provocador cultural então o seu narcisismo público e discurso artístico analisado como foi nesta publicação deixa poucas dúvidas sobre tal. E isto é o melhor que estas cento e poucas páginas fazem, dão-nos coordenadas novas para quem não quer estagnar culturalmente. Leitura obrigatória para 2015!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tristezas não pagam dívidas


Sleep Chamber : Siamese Succubi (Fünfundvierzig; 1992)

Industrial, EBM, Gótico, S/M, drogas, suspeitas de homicídios, Chaos Magick ... Ah! América! Ah! Os anos 90! Hoje seria impossível aparecer uma banda com mulheres em lingerie a executarem bondage em palco - as Barbitchuettes, só o nome... - com a banda a tocar. A primeiira reação que se pensam sobre isto é se isto seria uma forma de disfarçar os gajos feios da banda ou então o som manhoso. Ouvindo este disco e acusar isso à banda não faz muito sentido, o som é coerente com os temas pois todos eles são ambientes "erodark", que ora vão pela veia do Rock Pós-Punk ou pelo Rock Industrial. Curiosamente a música até resiste ao tempo e ainda mais curioso quando a formação (o projecto já teve dezenas de músicos mantendo-se sempre e apenas o agarrado do vocalista, John Zewizz) desta gravação é composta metade dela por mulheres - Elaine Walker (teclas, percussão, computador) e Laura Chopelas (saxofone).
Parece que os inícios da banda são mais experimentais na linha de Throbbing Gristle mas nos anos 90 o som da banda tornou-se mais funcional para alegrar (ironia espontânea) os sado-masoquistas que precisam de ritmo para copular e chicotear o parceiro. Uma surpresa este CD!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fucky fucky


Die Antwoord : Donker Mag (Zef; 2014)

Terceiro disco da banda mais excitante do novo milénio que baralha coordenadas a toda a hora. Ou talvez não, ao terceiro disco já há poucos mistérios e ilusões de quem é esta gente sul-africana que entretanto parece que vive em Los Angeles ao lado de outras estrelas de Hollywood.
A estratégia deste disco é "aumentar o volume" para dar nas vistas, uma vez que já serão poucos que não viram as fronhas destes "afrikaners artsy gunas góticos trash bling blings". Essa funcionalidade chega ao ponto que este disco até podia ser um dos Prodigy mas está lá ainda tudo que é dos Antwoord: som super-viciante cheio de micro-narrativas (algumas explicadas pelo livrinho do CD), roubos descarados a outras músicas mas com a capacidade de lhes dar novas vidas, representações cartoonescas da vida ao ponto de por todas as bestas humanas a dançar. A ambiguidade pela estética xunga continua a funcionar, o que se poderia querer mais aqui?

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MdC na exposição SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política

Inaugurou no Sábado, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política, comissariada por Pedro Moura.

Trata-se de uma mostra de trabalhos que compreenderá banda desenhada publicada em livros, jornais, revistas, publicações de vário cariz, assim como ilustrações editoriais, cartoons, e outros objectos menos comuns que, de uma forma ou outra, “abrem um novo espaço da política” (…). É uma constelação que não tem respostas nem pretende seguir os caminhos já trilhados ou pré-preparados para a “discussão séria”. Bem pelo contrário, são colocadas muitas perguntas. 


Esta exposição contará com a presença de trabalhos dos seguintes autores, de forma mais alargada ou mais concentrada: Alice Geirinhas, Álvaro Santos, Amanda Baeza, António Jorge Gonçalves, Bruno BorgesCarlos Pinheiro, Cristina Sampaio, Daniel Seabra Lopes, João Fazenda, José Feitor, José Smith Vargas, JuciferMarco Mendes, Marcos FarrajotaMarriette Tosel, Miguel Carneiro, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Nuno Sousa, PepedelreyTiago Baptista e ainda mural de Pepedelrey & André Lemos.


Ficam aqui algumas fotografias de trabalhos relacionados com o Mesinha de Cabeceira e o Mercantologia. Obrigado Pedro Moura pelo "fist fucking institucional"!









O Mesinha de Cabeceira #23 por ali...

O Mesinha de Cabeceira #25 lá no canto...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Last night the DJ saved my... my... my... ehm... hum... (reprise)

De facto não tenho tido paciência para escrever sobre música. Isto em meses que comprei mais músicas alguma vez na minha vida! Estranho não é? Ainda por cima chegando-me às mãos discos novos de Mão Morta, Allen Halloween, Nerve, Die Antwoord,... Talvez porque estou a ficar velhinho e já não me impressiono com mais nada sonoro, talvez porque ando deprimido pela minha querida gata Lucifera ter desaparecido na boca de cão ou porque estou cheio de trabalho e não dá para escrever sobre dezenas de discos que não me bateram pura e simplesmente... Não sei! Agora que já despachei parte do que menos me interessavam, vamos lá a isto! Começo pelos "electrónicos", daí a reprise do título!

Começo pelo Matthew Herbert e o seu badalado Plat du jour (Accidental; 2005), disco em que aborda a indústria da alimentação e todas injustiças sociais e económicas que esta cria, já para não falar dos danos à saúde. A capa do disco - que parece mais um livro do que um CD - tem cores baseadas nos colorantes colocados na comida. O resultado é parece-nos tudo "sexy" e atraente ao olho como as embalagens no supermercado. Até que lê-los os químicos cancerígenos nos ingredientes e tudo se torna repugnante. A música e a embalagem deste disco tem o mesmo resultado. Herbert faz uma música fria e minimal usando sons "concretos" como pessoas a dentarem maçãs, batidas em latas de refrigerantes, sons de porcos e galinhas em cativeiro, a água dos esgotos de Londres... o tempo das músicas ou os seus BPMs são feitos de estatísticas - os 85 bpms em Fatter, slimmer, faster, slower é porque 85% de jovens britânicas com menos de 13 anos já começaram a fazer dietas. Tudo é estruturado de forma tão tecnocrata como o mundo que vivemos e precisamos para cada música ler os textos explicativos como acontece com as peças de arte contemporânea e as suas úteis folhas de sala (senão não percebemos porque está um pedaço de lixo no meio da sala de exposições, né?). Como acção artística parece-me combater o fogo com mais fogo e sinceramente, além de ter ficado com o estômago revoltado a ler a merda tóxica que todos nós comemos, apetece é passar o disco a outra pessoa...

Invisible Soundtracks, Macro 2 (Leaf; 1998) é que se pode dizer "é tão 90s" nem que seja pelo facto de usar os 80m do CD... É uma colectânea de música electrónica em que os projectos criam bandas sonoras para filmes inexistentes, segue na essência uma linha de bom-gosto dessa década para o bar de criativos que tinham aqueles Macs com ar de televisão. Beats de Hip Hop, lógicas de Techno e Dub, quase tudo certinho, agradável e "trippy"(hop).
Acho que em 1998 não teria paciência para ouvir isto mas agora que os bares de Lisboa dividem-se o seu som entre o House merdoso e a Nostalgia (Pop dos 80, ou pior, Rock Garages), sem dúvida que este cosmopolitismo dos anos 90 é uma bênção!
Nomes conhecidos aqui To Rococo Rot, Laika e Paul D. Miller mais conhecido como DJ Spooky That Subliminal Kid - que só neste mês percebi que é uma citação de um texto do William Burroughs!


Os Durian Brothers não são irmãos da mesma genitália do pai e da mãe mas são sem dúvida irmãos de alma para estarem tão empenhados em fazer uma espécie de "techno minimal" (não é!) com sons que fazem lembrar uma tribo perdida que ficou electrificada de repente - uma espécie de Konono nº1 da Lapónia.
Falta Magia negra para ser mesmo bom como se pode verificar no EP Cubs (Diskant; 2009) porque são alemães que aposto que só devem dançar se tomarem MDMA ou cervejas no Oktober Fest. Mas o som (a ideia) é fascinante para os ouvidos, e não eles não usam paus para fazer música mas sim dois gira-discos (sem discos) e uns pedais de efeitos. Graças a isso soam a étnicos, objectivo máximo da nossa civilização ocidental nos tempos que correm. Cool shit!


Que dizer do último disco de End? O seu disco de 2004, The Sounds of Disaster, é capaz de ser um dos melhores discos algumas vez feitos neste planeta. E este  álbum The Dangerous Class (Hymen; 2009) segue as suas pisadas mas falta algo. Falta o caos!
A mistura de Breakcore / Breakbeat com músicas retro-garage-lounge-big-band continua a ser divertida mas falta mais Noise, algo extremo ou simplesmente inesperado. Entre sons que lembram o 007 e diálogos no tom de Reefer Madness o tema deste disco são as drogas e excessos das gerações de hedonistas no mundo Ocidental. Se calhar o disco tem de ser histriónico por causa do tema e nunca poderia ter uma elegância e emotividade como o Foetus no seu projecto "industrial-lounge" Steroid Maximus - projecto que se pode comparar com End tendo até JG Thirlwell (Foetus!) feito uma "remix" para ele. Ainda assim é um disco que serve para uma festa de malta que curte música rápida e pesada mas com um gin tónico todo pipi na mão... Peso gourmet, topas?