domingo, 24 de abril de 2016

A fotografia selvagem de Conan!


S.G., Conan, André Coelho e eu no SWR'16

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Guilty pleasure

 

Prince : Batman - motion picture soundtrack (Warner; 1989)

Era puto, o filme Batman pelo Tim Burton saía no mesmo ano que ia a Inglaterra pela primeira vez na vida... Comprei a cassete porque na altura não havia dinheiro para CDs ou vinil, k7 essa que todos os anos oiço no auto-rádio do carro mas em 2012 eis-me a comprar a versão em vinil, em segunda mão numa loja em Lisboa. Qual a desculpa? Pá, um dia nas minhas sessões de unDJ poderei passar uma das faixas, nem sei qual, são todas boas... Até a baladinha xungeta é bem esgalhada. O Prince é o James Brown e Stevie Wonder dos anos 80/90, o gajo faz caldeirão de Pop, Rock, Soul, Funk, Hip Hop e tudo o mais que for necessário para meter a malta a curtir. A banda sonora é melhor que este filme sobre o fascista do Homem Morcego! Duvido que o filme se aguente ao teste do tempo como a música, garanto-vos! Agora só falta contratarem-me para uma noite para eu passar o Partyman ou o Batdance. E a pensar que troquei o Prince pelo Punk...

Prince deixou-nos ontem entregues aos lobos da Pop de merda que se produz hoje. 1989 sempre!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Infecção Urinária Etíope

O mundo é feito de encontros e descobertas, acontecimentos esses que podem trazer desgraças ou glórias para a Humanidade. Os encontros inesperados, diria eu, são os melhores pois quem alguma vez iria supor que os The Ex, uma banda anarco-punk holandesa criada em 1979, iria juntar-se a Getatchew Mekuria, um músico etíope já com 71 anos? Melhor que ser um “evento bizarro” é que ofereceu jóias à coroa divina da Música! Desde 2004 que estas duas entidades têm-se encontrado para concertos e discos (incluindo um DVD ao vivo), trazendo todo um sopro de ar fresco na música que conhecemos. Nem sei muito bem por onde começar esta história…

Se calhar deve-se afirmar logo que os The Ex não são os típicos “punk biesta” fechados no 4/4 e gritos básicos de ódio ao sistema. No auge do movimento Punk, é verdade, que começaram com singles a chamarem de estúpidos aos americanos e tudo mais mas ao longo da carreira foram progredindo sob várias formas musicais que merece o respeito de qualquer melómano – famosas são as suas colaborações com membros de Sonic Youth (outros que se podem nivelar num patamar de Rockeiros de mente aberta), o violoncelista Tom Cora (1953-1998), os provocadores e recém-extintos Chumbawamba,…Não é de admirar que em 2011 tocaram no festival lisboeta Jazz em Agosto com dois conhecidos improvisadores do Jazz: Paal Nilssen-Love e Ken Vandermark.

Depois, há toda a Música da Etiópia, impossível de sintetizar num texto como este mas quem tiver curiosidade pode ser ouvida (e lida em francês e em inglês) nos 27 discos da série Éthiopiques pela editora francesa de “world music” Buda Musique. Focada essencialmente na “época de ouro” da música etíope – ou seja, o seu Jazz registado entre 1969 e 1975 – esta série de discos também faz desvios para documentos étnicos como o volume 12, Kirba Afaa Xonso (2001), dedicado à música do povo Konso; ou o segundo volume, Tètchawèt! : Urban Azmaris of the 90’s (de 1997) dedicada à música urbana dos anos 90 depois da queda do “Derg”.

O “Derg” foi um regime militar de inspiração "comunista" que desde os anos 70 governou o país com recolheres obrigatórios, censura e propaganda, levando a músicos à prisão ou ao exílio, destruindo a rica cultura da Etiópia e, em triste apoteose, às epidemias de fome nos anos 80 – que levou à famosa manifestação musical Live Aid, em 1985, talvez um dos primeiros fenómenos mediáticos da Aldeia Global ou «a maior operação de braqueamento de dinheiro do tráfico de cocaína» segundo o Frank Zappa. Seja como for, o lado negativo do Live Aid é hoje ainda evidente, pois transformou a imagem de um país de forte personalidade - ao contrário dos outros países africanos, a Etiópia nunca foi colonizado pelos europeus, tirando a curta estadia dos italianos (1936-41) - em algo ultrajante como um país desértico e miserável.

Como afirma Andy Moor (guitarrista dos The Ex) no artigo da The Wire 337 (Mar’12), na Etiópia come-se e bebe-se bem, e a hospitalidade é de uma refinação ancestral. E claro, há o tal Jazz Etíope que será de agrado de qualquer pessoa que embirre com os saxofones do Jazz ocidental. É uma música bastante peculiar que nas suas origens dos anos 60 procurava a modernidade ocidental em sintonia com o espírito rebelde que acontecia em todos os países no mundo dessa altura, e que os músicos desenvolveram um estilo de som de sopros metálicos que nos embalam numa perspectiva mais “soft” e exótica, misturando raízes próprias com o Jazz e o Blues norte-americanos. As bandas etíopes vinham de grupos de fanfarras da polícia ou bandas do exército e que, pouco a pouco, tornaram-se independentes tocando em sessões para clientes de hotéis e mais tarde em outros circuitos privados. Aconselho ouvir, por exemplo, Alèmayèhu Esthèté, que é dado destaque no volume 22 (de 2007) das Éthiopiques.

Com o regime do Coronel Mengistu perdeu-se uma geração musical entre 1975 e 1991, e pior, criou-se uma geração que não conhece o seu próprio passado, situação essa que o coordenador das Éthiopiques, Francis Falceto tenta perspectivar, seja pela tal programa de reedição dos discos antigos como descobrindo linguagens quer contemporâneas quer etnógrafas. Mas ele não é o único apaixonado pelos sons daquela terra, há outros tipos como estes holandeses The Ex, completamente enfeitiçados pelo país, onde alguns dos seus membros viajaram nos meados dos anos 90.

Nos meados nos anos zero deste milénio começaram a tocar pela Etiópia, a organizar eventos e workshops e em 2004 começaram a editar discos de artistas etíopes, na sua sub-label Terp Records. Os The Ex, tal como os Fugazi com a sua Dischord ou Jello Biafra e a Alternative Tentacles, são punks que controlam os seus meios de produção, no melhor esprírito DIY, e usam o nome da banda para a sua editora, The Ex Records. A Terp é uma “subsidiária” para discos de música improvisada em que os seus membros participam ou para os artistas africanos que desejam dar a conhecer, colaborando ou não com eles. Daí que tenham editado Ililta! New Ethiopian Dance Music (2009) que é seguimento cronológico de Tètchawèt! onde se intercepta o cantor cego Mohammed “Jimmy” Mohammed (?-2006) nas duas colectâneas. Nesta última escolheram uma nova geração de músicos que pegam em temas tradicionais etíopes com novas roupagens dançáveis mas sem ser a produção plástica Pop. Nada de sintetizadores e “drum machines” foleiros nem a prática “dance mix” tal como a conhecemos no Pimba, Turbo-Folk e outras variedades. A selecção que nos é mostrada é sobretudo uma atitude acústica que remete para uma transformação da música etíope sem entrar nos esquemas cosmopolitas e imundos da Aldeia Global. Já agora, aconselho vivamente o single Gue / Selame, que lançaram dois anos depois da colectânea, em que dois músicos dos The Ex intervêm conjurando duas “trips” etno-cósmicas que fazem mexer as ancas em tremeliques, especialmente o primeiro tema, com a voz feminina de Tirudel Zenebe que revela ser um inesperado docinho saltitão.

Ao comemorar os seus 25 anos de existência, The Ex organizaram um festival em Amsterdão em 2004, com convidados de vários estilos musicais onde trouxeram também Getatchew Mekuria, de 71 anos a actuar pela primeira vez na Europa. Assim chegamos a Moa Anbessa (2006), primeiro registo de Mekuria com The Ex e com convidados – um combo de metais – num disco explosivo que consegue mesclar todo o saber de um saxofonista “sénior” com os “punkers” pouco-ortodoxos. Temas como Ethiopia Hagere ou Che Belew Shellela acrescentam algo de novo no mundo musical, contrariando os cínicos de “já se fez de tudo”. É um disco ingenuamente eclético em os temas de guerra são revistos à percussão do Punk ou com recitais de panfletismo anarca. Ainda pelo meio há temas mais puros do Jazz Etíope dos anos 70, mesclas desses temas com as guitarras sub-reptícias dos The Ex e um solo ao vivo de Mekuria. Um disco de música pura, que estaleja o cérebro e o pontapeia o corpo relembrando-os quando a música nos fazia sentir algo inesperado.

Entretanto os músicos viajaram pela Europa, Etiópia e Norte da América com o disco na mão, entrelaçando o seu companheirismo e sintonias musicais e lançam Y’Anbessaw Tezeta (2012), duplo CD que cheira infelizmente a epitáfio e a documentário. No primeiro CD é feita mais uma colaboração entre estes amigos e o segundo CD é o registo de várias participações de Mekuria ao vivo. Apesar de ambos os discos de 2006 e 2012 terem partido do saxofonista a convidar os The Ex como “sua banda de estúdio”, existem algumas diferenças nas condições - como a saída da banda do vocalista dos The Ex - e nos resultados pois de alguma forma o primeiro disco (de 2006) é nitidamente uma “parceria” (por mais eurocentristas que possamos ser) enquanto o de 2012 soa realmente a “convite”. Em 2012 temos um saxofonista com 76 anos que acha que este será o seu último disco após uma vida cheia, especialmente nos últimos anos em digressão mundial cheia de histórias hilariantes – que o livrinho do CD conta – e parece que os The Ex tomam uma posição submissa.

Os discos que Mekuria gravou tem sempre duas facetas, uma telúrica “militar” vinda da tradição de bandas militares onde todos os músicos modernos etíopes ensaiavam e tocavam, e outra faceta, melancólica com sabores orientais num Jazz mais tipificado mas que não corresponde ao “template” do Jazz norte-americano até porque os músicos etíopes não tiveram, ou por questões económicas ou por censura estatal acesso aos discos estrangeiros. O caso de Mekuria é sintomático, agora que foi descoberto no Ocidente, os críticos musicais tentaram compará-lo a Ornette Coleman, o que o senhor respondeu que nada sabe, não o conhece… e que só toca música etíope!

Y’Anbessaw Tezeta é mais cristalizado, mais calmo, uma espécie de testemunho musical que Mekuria quis deixar do seu estilo, do teu talento e da qualidade musical da Etiópia, que até está mais patente no segundo CD deste novo álbum onde encontramos vários registos ao vivo de Mekuria: com o grupo holandês e mutante de música improvisada ICP no clube Paradiso (onde se comemorou o tal festival dos 25 anos dos The Ex), gravações de Mekuria e The Ex em tournê de promoção do seu primeiro disco em conjunto e dois temas do saxofonista com a Orquestra de Polícia Fukera e Orquestra do Teatro Haile Selassie 1 durante os anos 60 gravados numa k7 qualquer encontrada pelos The Ex.

Para quem tiver com orçamento apertado Y’Anbessaw Tezeta é uma salganhada tão agradável, diga-se, que permite ter um bocadinho de tudo que se escreveu até aqui. E já agora, este CD duplo custa só 15 euros (portes incluídos) pedindo directamente à Terp. É DIY puro e duro!

Artigo escrito em Setembro de 2012 para a Infektion Magazine, hoje recuperado porque soube do falecimento de Mekuria a 4 de Abril, com 81 anos.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Que se lixe!


Skrew : Shadow of Doubt (Metalblade; 1996)

Devem meter ácido na água do Texas tal é a quantidade de bandas estranhas que aparecem por lá. Os Skrew nem são assim tão marados como uns Butthole Surfers mas estão bem para um universo Industrial Metal, ou seja um crossover de géneros para quem gosta de Ministry e My Life With The Thrill Kill Kult. Todo o disco é bem 90s: pesado, agressivo, sujo mas pronto para o disco-headbanging de forma a render a quem não acredita em pureza sonora. É o terceiro disco da banda, lembro-me que os primeiros disocs eram melhores ou mais pesados. Acabaram em 1998 e voltaram à pouco tempo mais metaleiros que electrónicos ao que parece. Em 2016 ninguém quer saber deles por isso bem vale 1 euro comprado num metal-feirante de Barroselas...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Ubik para todos


Telectu : Ctu Telectu (iPlay; 2008)

Caramba, 'tá difícil escrever práqui, é muitos discos e livros para consumir, pouco tempo e dedos cansados com a recente colaboração de resenhas críticas para o sítio da Mundo Fantasma. Como este disco tem muita relação com a BD, aqui vai: este é o primeiro disco dos Telectu, duo de música experimental que marcaram os anos 80 em Portugal fazendo parte Jorge Lima Barreto (1949-2011) e Vítor Rua. Segundo, uma conversa recente com o músico e autor de BD Carlos "Zíngaro" por causa de um projecto da Chili Com Carne para reeditar BD's dos anos 70, este autor disse-me que quer na área da BD "alternativa" quer na da música improvisada/ experimental/ vanguarda, os anos 80 foi a pior década.
Não quer dizer com isto que não pudessem aparecer OVNIs como este disco de 1982, editado pela Valentim de Carvalho (sabe-se lá porquê). Ctu Telectu soa a um primitivo Art Rock nas suas improvisações - o vocalista que aparece neste disco recita de forma aleatória textos de BDs inglesas e italianas (!) - enquanto bate num No Wave qualquer. Soa a dimensões alternativas não fossem todos os títulos das músicas dedicados/roubados ao escritor PK Dick, falecido nesse mesmo ano.
É bem provável que o álbum tenha sido ignorado na altura e tenha batido a quem recebe raios lazer divinos cor-de-rosa. Se Ctu Telectu foi um OVNI em 82, passados sete anos aconteceria o mesmo com os Santa Maria, Gasoolina em teu ventre! É importante que se recupere a discografia dos Telectu, dado aos seus preços proibitivos da segunda mão e a importância do projecto.
Ah! Na reedição deste disco (sabe-se lá porquê, estranhamente numa editora de Pimba, Fado e Pop) estão dois "Ruis amigos", o grande Rui Eduardo Paes escreve as notas sobre o disco e o Rui Garrido (designer da terceira série da revista Quadrado e que entra num sonho meu no MdC #24) que fez a adaptação gráfica de LP para CD. Zoing!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Velho Anarquista


O Rafael Dionísio tem um novo livro... e é uma colecção de contos! Um deles é dedicado a mim, snif snif... Sempre é melhor ter um título como este que "O Lenine fodia-te todas as Sextas" ou algo do tipo.
O livro é O Fantasma de Creta e outros contos, co-edição Bicicleta e Chili Com Carne, capa é do João Chambel e sai oficialmente HOJE na Leituria. 'Tá fixe o livro!
E já está à venda pelo sítio da Chili...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Cagufa da Revolução



The Last Poets (Celluloid; 1984 - orig. Douglas, 1970)

Recentemente escrevia sobre uma antologia de BD de um autor queer e dizia que o que gostava no trabalho desse autor era que ele não tinha um discurso só para a sua comunidade diferenciada e que alguns sentimentos das suas BDs seriam universais para qualquer ser humano. Os oprimidos podem ter a cor de pele ou outra coisa qualquer que os faz serem reprimidos pelo "Velho Branco Europeu" mas é bom que o discurso do reprimido seja entendido por outros reprimidos.
Estes vovôs do Hip Hop tinham A Fúria contra a miséria que o negro era submetido nos EUA. The Last Poets com três vozes e uns batuques fazem mais barulho contestário que qualquer banda de Grindcore.
Stop! Escrevi "era submetido"?
Sim "era"... desde os anos 70 que passou a haver uma classe média de população negra norte-americana, até mais do que isso, passou haver ricos e até elegeu-se um Presidente inútil duas vezes. Pelo caminho continuam haver milhares de miseráveis. Negros. Ameríndios. Brancos (o racismo do capitalismo: o "white trash"). Outras etnias.
Ouvir  em 2016 os The Last Poets por mais que se dirigam a uma comunidade negra nos finais dos anos 60 fazem ainda todo o sentido ouví-los mesmo sendo eu branco, português e hetereossexual (o típico repressor!). O que eles gritavam em 1970 tem ainda A Força. A Mensagem deles pode ser absorvida/adaptada para qualquer outra situação de quem vive vítima sobre a marcha incontrolada do Capitalismo brutal (todos nós, quer queiramos quer não). Dizem eles nos seus recitais que os "niggers" gostam de anúncios de publicidade ou que "niggers" tem medo da revolução, substituam "branquela" invés de "niggers" e o significado é o mesmo. Os brancos daqui da esquina embrigados por futebol, roupa e Kuduro? Uma miséria idêntica a de 50 anos no Harlem, a diferença é que os poetas 'tugas são todos uns meninos.

sábado, 26 de março de 2016

Riccardo Balli : "Apocalypso Disco" + "Frankenstein Goes to Holocaust" (Agenzia X; 2013-16)

DJ Balli (aka de Riccardo Balli) esteve cá em Lisboa e deixou-me uns livros dele... O primeiro é este Apocalyso Disco que ainda tem um subtítulo catita: "a rave-o-lução do post techno".
Há quem diga (Simon says) que o Techno foi a última revolução na música urbana. É bem capaz de bem ser verdade porque ela envolve a derradeira tecnologia que nos acompanha desde a Revolução Industrial (sons de máquinas a trabalhar, máquinas que nos controlam, etc...), a rebelião (drogas, festas ilegais, o anonimato das produções e edições) e por fim o "life-style" pois... Para quem ficou a arder com o "exta-si-exta-no" dos anos 80-90, novidade: entretanto muito mais se avançou neste tipo de música, seja na sua desconstrução de batidas (jungle, drum'n'bass, breakcore), velocidade das mesmas (o excesso do Extratone, a proposta mais radical que li neste livro) e os métodos de produção - o cut/paste primitivo da Jamaica passou a ser um "hyper-mash-up" com um clique de rato e que está a tornar a cultura mestiça - yes! sempre achei esta melhor forma de erradicar o nazismo e outros "ismos" tontos e fanáticos.
Tudo isto é descrito neste livro de Balli de uma forma orgânica pois ele não faz uma "História" mas apresenta apontamentos ou entrevistas como a músicos / produtores politizados como Christoph FringeliVJs como os Sansculote ou ainda um académico que trata do Psy-Trance e Goa Trance (sendo referido com muito respeito o festival Boom em Portugal). Para além deste lado documental há a provocação, não fosse Balli o DJ conceptual que é, que apresenta conceitos de mestiçagem como o "Mutant Dancefloor" onde poderia estar lá os ritmos Doomduro dos Black Taiga, para além dos "mash up" textuais de excertos de Philip K. Dick ou Fulcanelli.
No caso de PKD, Balli usa um capítulo de Os Clãs da Lua de Alfa em que substitui os nomes das várias tribos de doentes (dessa lua) pelos vários tipos de produtores de música de dança: gabbers, hiphopers, etc... mais do que um mero gesto brincalhão, existe uma lógica por detrás, pois Balli mostra ao longo do livro como o tipo de diferentes músicas de dança moldam a personalidade dos seus consumidores - e voltamos ao princípio, o Techno é a música que melhor expõe a puerilidade das nossas vidas de robots ao serviço do Capitalismo.
O livro está redigido em italiano, é óbvio que não apanhei tutto... ma... o que apanhei fez sentido! Não fosse ele certificado por Steward Home, para bom entendedor meia-palavra basta. Tradução obrigatória! Aspetta:

O "Frankenstein" já é mais manhoso, pelo menos fiquei à espera de algo que depois não se concretizou. A culpa pode ter sido, outra vez, do meu fraco italiano mas também do conteúdo mais gerido pelo formato editorial.
Balli tenta criar um livro todo ele um "mash up" literário e ensaísta que talvez fracasse pelo design saloio da editora, colocando imagens de Frankensteins a torto e a direito, apenas porque sim, ou pelo excesso de compartimentos em capítulos. Deveria ser um livro mais fluído e labiríntico na sua leitura. O corpo (cadáver?) do texto é "plundertext" que pega no famoso romance de Marry Shelley, escrito em 1818 (808 State?), para ser remisturado com episódios autobiográficos de Balli na sua relação com a música, seja de uma forma muito fortuita seja densa quando escreve uma carta a explicar que ele não é o Billy Corgan -é uma carta aberta a uma gaja que foi prá cama com ele porque ela pensava que ele era esse "grande poeta das abóboras de Chicago". Há textos gamados ao John Oswald e artigos de convidados sobre os KLF ou V/VM, enfim, a dada a altura pergunta-se o que o Balli escreveu realmente para ter o seu nome da capa - piada reaccionária!
O que ele faz é "brand new, you're retro" (Tricky) porque ao misturar isto tudo ele não é só o "DJ literário" pós-moderno como parte da base da cultura como ela deveria ter sido sempre antes de virem as ideias parvas da "originalidade" e do "copyright" no século XIX. Dizia um compositor de música clássica que o melhor compositor é aquele que absorve todas as obras à sua volta e faz algo de novo com elas - o Girltalk parece um velhinho depois disto... Balli parte de mil pedaços de corpos musicais - da clássica à "novelty" (Spike Jones), da xenocronia de Zappa ao Horrorcore - para montar um ensaio de música contemporânea sobre um "monstro sónico" do século XXI que ele imaginou. Só que este ensaio deve ser lido como um romance de terror, não esperem daqui um livro "factual" mas sim uma ficção de referências reais. Génio ou fraude? Muitas vezes não há diferenças entre ambos.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Split-tape Black Taiga + BLEID / nova edição fonográfica da MMMNNNRRRG



Talvez a MMMNNNRRRG tenha de mudar o slogan da editora de "só para gente bruta" para "só para gente muda" porque voltou a fazer uma split-tape, outra vez com Black Taiga e desta vez com essa "beata do beat" que é a BLEID!

Sai esta HOJE no Damas quando começarem as festas barulhentas com DJ Balli e outros extremistas sonoros! Esta noite haverá um live-act de BLEID e uma sessão unDJ MMMNNNRRRG.
+ informação aqui

Black Taiga é o encontro entre um congolês e um português, um foi para a gélida Irlanda mas nunca abandonou o calor africano, o outro queimou-se em Setúbal. Com EPs em linha e em k7 este projecto teve um feedback de sectores inesperados da aldeia Global:

Yes yours it's doom-kuduro but stil pretty core. I like it, nice one!!! ;) 
DJ Balli (Sonic Belligeranza, AAA, Antibothis, autor de Apocalypso Disco)

parece-me Jibóia se tivesse mergulhado num banho de ansiolíticos.!!!! já percebi! Throes + The Shine? Será? Não me acredito 
Fúa (Lovers & Lollipops, Milhões de Festa)

Top das 10 Melhores Cassetes Nacionais pela revista Arte Sonora

Cumbia Rebajada from hell? 

O dito cujo é como que o cruzamento do doom metal satânico escandinavo com o kuduro de Angola, tudo decorrendo muuuuuuuuuuito leeeeeeentameeeeeeeente, com peso de hipopótamo alimentado a papas de sarrabulho. Não se tinham lembrado da possibilidade de tal… como dizer… convergência geocultural, pois não? (...) os Black Taiga, projecto que envolve gente do Congo, de Portugal e da Irlanda (não, não participam suecos nem angolanos). Este ouve-se como se um disco em vinil de 45 rotações fosse passado em 33: até as vozes se arrastam, cavernosas. 



BLEID surgiu em 2015, é um projecto de música digital residente num computador. Com o intuito de percorrer as diversas linguagens nas quais a música electrónica se tem vindo a desenvolver nos últimos anos - como o footwork, o techno, o afrobeat, o IDM - procura explorar diferentes sonoridades a velocidades improváveis numa miscelânea ritmada e esquizofrénica.

...
2 EPs:

- Cristão Casmurro de Black Taiga : três temas de puro Doomduro produzidos por Walt Thisney + um remix inédito e exclusivo desta edição por Bleid

- Voltan de Bleid : um tema de Techno-não-canónico de 23 minutos

edição limitada a 66 cópias.
46m de música.
cartonila vermelha com dois autocolantes impressos em vinilo.
artwork de unDJ MMMNNNRRRG (BT) e Neuro (Bleid)
embalagem por Joana Pires

PVP: 6,66€ (portes incluídos)
em breve disponível na loja em linha da Chili Com Carne 



De resto, para quem anda distraído neste blogue, eis a antiga versão quadrada:


E um Jogo das 7 Diferenças aqui

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

EGOtripping 3



O estilo das pranchas é decididamente punk: os desenhos são horríveis. «Epá, eu não sei desenhar, mas também não preciso», diz ele. É só meia verdade: assim como se compram calças rasgadas e se despenteiam artisticamente as cabeças, o Farrajota faz questão que os seus bonecos sejam feios.Quando um sai bem, chateia-se. Folha embrulhada em bola e nova imagem vai surgindo em substituição, mais tosca. Marcos Farrajota é a reincarnação de Francis Bacon, com a diferença de que, se este veio afrontar os presunçosos meios das artes plásticas, o português parece ter como missão chagar a tonta e alegrinha cultura pop.Não conheço ninguém que tenha como maior ambição piorar em vez de melhorar, só esta ave rara. Coisas bonitas são para betinhos, acha. Presumo que seja um trauma, pois o rapaz cresceu em Cascais. (...) Anti-BD à Tintim e anti-DJ de “entertainment”. Assim é o Farrajota, situacionista discordiano que incomoda mesmo os anarquistas cá do burgo. Aliás, a sua própria aparência forja o desengano. Se olharem para ele vêem o cabelo e as patilhas de Wolverine, mas não só não lhe saem lâminas dos braços como desdenha dos super-heróis da Marvel.Ele é ainda mais «trashy». É mais «arte povera», mais arte bruta, um Dubuffet alfacinha dedicado aos valores especiais do autodidactismo, da ingenuidade e da idiossincrasia. É isso que o torna tão cativante. Dizia o francês, em tradução livre: «O normal é psicótico. Normal significa falta de imaginação, falta de criatividade. A razão que se lixe. Precisamos é do mais elevado nível de delírio.» Temos o Farrajota para isso, e bem que a música necessita deste par de ouvidos com ligação directa aos olhos e a um lápis. Rui Eduardo Paes

Amo-Te Lisboa | An ignominious street a̶̶r̶̶t̶̶ movie


No meio de tanta merda de street-art - patrocinada e institucionalizada pela Câmara Municipal de Lisboa como forma muito matreira e 'tuga de disfarçar os problemas urbanísticos da capital - surge uns genuínos, italianos, brutos e canídeos. Os Cane Morto, andaram por aí em Lisboa a grafitar de "forma errada" segundo os cânones de uma arte morta.
Entretanto isto chegou numa altura em que se sabe que o DJ Balli virá em Março a Lisboa destruir os nosso ouvidos! Estejam atentos e preparem-se!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Hinos Nacionais

Nástio Mosquito com Se eu fosse angolano (Dzzzz; 2014) mostra que a música angolana moderna não precisa de ser bronca-populista-kudurista nem de intervenção-máquina-do-tempo como Ruy Mingas. A verdade desta frase é sobretudo provada no CD de "remix" (mas que também tem temas novos) intitulado S.E.F.A. Fast Food que acompanha o CD "oficial", o original, o que dá título à coisa e que é mais Mingas que "electrónico".
No Fast food os complexos são mandados às favas e lá se vai ouvindo temas com pendor Electro / House que podem rolar na boa num bar ou numa discoteca de música "alternativa"... Um sopro de ar fresco para a lusofonia! Só é estranho não estarem todos as músicas dois CDs numa só rodela uma vez até que cabiam num só disco. Vaidade de artista com orçamento?
Os temas de Mosquito passam pela crise de identidade de um angolano cuja pátria pouco lhe diz - e realmente, para que serve a Pátria a não ser para os tarados nazis? Ou ainda, o que é que o teu país fez por ti? E afinal, pensando melhor, do que há de angolano destes discos? A produção é de bifes, Mosquito deve ter vivido mais em Portugal ou fora de Angola do que viver lá. Se eu fosse...





Já escrevi várias vezes em publicações físicas ou em linha que o Hip Hop português tem apenas duas ou três personagens que valham a pena ouvir os discos do princípio ao fim. Ou seja, artistas com visões próprias que recusam serem carneiros do género musical e que ousam quebrar barreiras. Um era o Ex-Peão que entretanto entrou num jogo comercial muito pouco interessante, os outros dois são Allen HalloweenNerve. 2015 foi o ano de regresso de ambos e foram os álbuns do ano do Pop/Rock/música urbana portuguesa. Se não concordarem ide ouvir o Stoner de trazer por casa!

(..) o público não compreende a gente (...) porque as letras agora (..) não interessam (...) não sabem apreciar o trabalho do poeta até dizem: isto é tão grande (...) a letra é tão grande - um "sample" no tema Conhaque in "Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança" (Mano a Mano; 2015). Esse "sample" de um poeta português do século passado (?) poderia justificar o enorme tempo que levou a saída deste CD desde o primeiro de Nerve na saudosa Matarroa... sete anos! O mundo web.2 impôs uma velocidade alucinante em qualquer campo das nossas vidas. A única forma de fazer Arte é desacelerar e até é justo que se consumam sete anos para elaborar, idealizar, realizar e despejar manifestos de como esta nossa modern life is rubbish... ou a vida não presta e ninguém merece a tua confiança.
Nerve faz-se de bobo moderno, vomita bílis por cima do PC e do engate "one night stand", nada é poupado e sendo o bobo não lhe cortam a cabeça. E ainda bem, precisamos de alguém que nos esgote a nossa esperança fazendo de espelho (não muito) distorcido e misantrópico para recuperarmos o que pudermos das cinzas deixadas no fim de cada audição. É preciso um sentido de humor bem negro para aceitar este disco como algo fixe! Obrigado Nerve!
Duas notas negativas numa produção fabulosa, a primeira é a capa que parece uma composição da C+S e tal como Allen Halloween podiam ser menos óbvios no aproveitamento daquela ideia do Tyler The Creator da segunda voz, ou seja, aquela voz distorcida de diabinho da consciência a dizer aos nossos queridos rappers para serem maus e xungas. Come on! Cena cristã batida!


Ops! O que fui dizer! Com Híbrido (ed. de autor), terceiro álbum de Allen Halloween, este despede-se da vida gangsta, dá aquela lição de moral aos putos apelando ao facto de que Deus é que é - virou Jeová como acontece qualquer africano de gueto a dada altura da sua miserável vida, invés de se virar para o anarquismo ou qualquer projecto social, infelizmente existe esta tendência do homem do gueto preferir-se enganar e aos seus próprios irmãos com patranhas religiosas. Seja como for, neste disco ainda não é grave a mensagem evangélica mas ai dele que avance com um próximo disco vestido de branco missionário e com orquestrações celestiais!
Para além das questões luso-africanas e de guetização social dos negros em Portugal, Allen é mais do que um panfleto da miséria local e consegue tratar de miséria... universal! Sendo um álbum com 13 faixas inesquecíveis há dois temas transversais para Portugal 2015 ou 2016 tanto faz: Gangsta Junkie é um surf rock melhor que qualquer banda garageira que ande por aí com uma letra tuk tuk que no seu primeiro minuto faz a polaróide lisboeta que ainda ninguém musicou. Será um hino para a Capital do Turismo se é que já não é! Mr. Bullying é uma narrativa alucinante (e terrivelmente orelhuda) de um potencial Columbine 'tuga. É tão assustador que nos deixa na merda e penso como ainda não aconteceu algo assim em Portugal? Bem... no ano passado houve um puto em Salvaterra de Magos que assassinou outro por causa de umas sapatilhas ao que parece. Para 2016 prevê-se o tiroteio numa escolinha, não? Afinal, seja para brancos ou negros, nada mudou, as nossas vidas continuam pendulares casa-trabalho como Nerve denuncia, os putos na escola ou na prisão é quase o mesmo resultado - estão lá, esquecidos pelos pais - e já foi anunciada nova crise financeira.
Bro, a Bíblia deixa-nos interpretar todos estes sinais do Apocalipse por causa do nosso próprio ADN cristão que aborve imediatamente as suas fábulas como verdades normativas. As soluções estão noutros livros mais à esquerda, citar os Clash já não é mau mas vai ler Bakunin, Halloween, e mete Javé no teu cu!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

sábado, 30 de janeiro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

António Concorda Contador & Emanuel Lemos Ferreira : “Ritmo & Poesia : Os Caminhos do Rap” (Assírio & Alvim; 1997)

Um livro publicado há quase 20 anos ainda faz sentido ler sobretudo quando trata de cultura Pop? Eis um caso positivo até porque depois dele acho que não saiu mais nada que tratasse sobre o Hip Hop em Portugal.
Ainda assim, pensava que seria um livro mais interessante, com uma componente portuguesa mais vincada ou até uma análise sobre as letras dos rappers portugueses. Não, quase todo o livro trata da História do Hip Hop norte-americano, algumas tretas para encher-chouriços (listas de bandas pelo globo fora e um glossário de calão dos "dreadas") sendo mínimo a que se dedica a Portugal. uma História do movimento, umas entrevistas e fotografias aos nossos hiphopers. Ainda assim é um livro que  mostra que a Assírio & Alvim era A editora nos anos 90 apostando num livro que tratava de uma cultura marginalizada. Claro que hoje há Hip Hop em toda a rádio ou TV, o Pac Man/Carlão só diz merda, as gajas kotas que não tem cuidado com a alimentação vão prá dança Hip Hop do ginásio e as câmaras municipais arranjaram uma fonte de fazer guito com os graffitis (sem mexer uma palha nos problemas urbanos de base) mas em 1997 os discursos dos seus agentes ainda é de confusão e de ansiedade dada às más experiências, inexperiências e ignorância de todos: jornalistas, editoras, promotores de festas e claro dos próprios artistas - no livro até se apanha um belo de um achado: em 1996 um tal de DJ Groove fez um rap de campanha presidencial pró mete-nojo do Cavaco, "coerência onde estás tu?" escrevem os autores...
O Hip Hop é a primeira música pós-moderna do século XX, ao contrário do Blues, Jazz e Rock que vêm de raízes rurais na transição para a urbanidade, ou seja tem uma narrativa linear e cronológica enquanto que o Hip Hop não tem um centro mas sim vários. Não é fácil perceber a sua História nem fixar as suas figuras importantes, até porque muitas vezes parecem-se com pessoas que podiam estar a apanhar o metro no Bronx (é de ver os livros Hip Hop Family Tree de Ed Piskor para perceber esse mundanismo) ao contrário do Pop onde há Reis Camalões, Lagartos e outros drogados. para além de usarem pseudónimos que distraem mais do que ajuda a memorizar. Pode-se procurar origens nos Last Poets ou nos Watts Prophets, nas festas jamaicanas ou nas "blockparties", nos Sugar Hill Gang ou no Grandmaster Flash mas ao contrário de, por exemplo, no Punk em que imediatamente se diz "Sex Pistols" ou "Ramones", no Hip Hop porque - bom, vou deixar de dar desculpas politicamente correctas - era "música de pretos" ou de pobres (que não interessam a ninguém quando se é da classe "mé(r)dia") são poucas as pessoas que diriam "Kool Herc", por exemplo, ou saibam dizer um tema musical seminal do Hip Hop.
Em Portugal, um livro destes é uma pérola a porcos porque estando nós sempre atrasados em relação a tudo e em especial à cultura Pop, em 1997 conseguiu-se produzir um documento bastante credível quase sem tempo de ressacar o importante disco Rapública (Columbia; 1994) que aguenta o peso do tempo e que realmente educa a quem quiser saber sobre o tema - devia estar um exemplar nas bibliotecas escolares!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Colectivo Rock On : "David Bowie : Três Décadas de Metamorfoses" (Centelha; 1983)

 Foi com algum espanto e agrado que li esta mini-biografia de David Bowie (1947-2016) assinada pelo Colectivo Rock On que albergava Álvaro Costa, Fernando Costa e Francisco Pacheco e que também dava título à colecção da Centelha sobre música Pop/Rock. É de admirar a qualidade das reproduções fotográficas e dos textos cosmopolitas (aposto que em 1983 a maior parte dos leitores não percebiam as expressões anglo-saxónicas usadas) comparando com a edição nacional actual de escrita sobre música.
Claro que a Wikipedia em 2015 bate o livro (que ainda teve uma segunda edição em 1986 mas não deverá ter sido actualizado) mas ainda assim por ser impresso - ponto a favor contra a radiação dos aparelhos electromagnéticos - e por estar bem feito, ainda é um excelente guia para quem quiser saber mais sobre o "Camaleão do Rock" que faleceu ontem.