Na António Arroios...
sexta-feira, 21 de abril de 2017
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Simon Reynolds : "Rip it up and start again : Postpunk 1978-1984" (Faber and Faber; 2005)
As maiores queixas que fazem deste magnífico livro é que as escolhas de Reynolds são solipsistas, feitas através da sua relação pessoal com esse período de ouro do Rock. Ora bem, entre o enciclopedista chato ou o académico puta, venha o Diabo e escolha. Por mim, um trabalho como este que abrange música tão variada e rica, de PIL a Duran Duran, Gang of Four a Chrome, Joy Division a ABC, 23 Skidoo a Talking Heads, Frankie Goes To Hollywood a Lydia Lunch, etc, etc, é um livro que merece ser lido e celebrado. E claro que o texto deve ser subjectivo. Viva a Humanidade, fora com os robots!Seja como for, as acusações são injustas, tirando umas quatro ou cinco observações nitidamente pessoais - num livro de 500 e tal páginas - o livro é um trabalho profissional de critica musical, em que Reynolds soube acertadamente ir colocando temas / estilos / formas de capítulo em capítulo com uma cronologia possível, ou apenas uma progressão temporal, tarefa quase impossível quando temos dois países como os EUA e Inglaterra a revolucionar o Pop/Rock cada mês desde a morte do Punk básico dos Ramones e Sex Pistols. Como se sabe a vida e as carreiras de artistas ou das pessoas em geral não são estanques conforme as "grandes datas", Reynolds soube dar bem a volta. Para quem gosta de Rock e perdeu a esperança devido à "retromania" e derivativos deste século, eis seis anos do passado para descobrir e para no final dizer que "já foi tudo inventado" (not!!!).
domingo, 16 de abril de 2017
Ghostalking
Dois carros param no vermelho no meio de um deserto (um semáforo no meio de nenhures já é uma grande cena). Num dos carros o condutor é um israelita, no outro é um palestiniano. Ficam ali parados, à espera do verde, a ouvir uma versão trip-hop-arabesca de I Put a Spell on You pela maravilhosa Natacha Atlas, talvez a melhor versão de sempre desta emblemática música de Screamin' Jay Hawkins (1929-2000). Reparem como a letra ganha contornos irónicos perante a javardice territorial-política daquela zona: I put a spell on you / Because you're mine / You better stop the things you do / I tell ya I ain't lyin' I ain't lyin' / You know I can't stand it / You're runnin' around / (...) I can't stand it 'cause you put me down / Oh no I put a spell on you / Because you're mine / You know I love you I love you I love you I love you anyhow / And I don't care if you don't want me / I'm yours right now (...) Esta era a melhor cena do filme Intervention Divine (2002) do palestiniano Elia Sulelman.
Não sei porque raios só gravei metade da banda sonora original, em 2003 (?), para uma k7, toda ela é uma maravilha, ora mostrando alguns clássicos da música árabe como Mohamed Abdel Wahab ou Nour El Houda, novas estrelas Pop como Amr Diab, indies libaneses como os Soapkills ou ainda produtores electrónicos como Amon Tobin, Mirwais ou Marc Collin. Esta grande miscelânea de velho e moderno é uma joia. Compra-se isto nos dias de hoje por 3 euros, vale bem a pena...
sábado, 8 de abril de 2017
Já não fazia isto há muito tempo
| Fotos de Vera Marmelo |
Zine do Tremor aqui
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memorabilia
sábado, 1 de abril de 2017
Não é mentira...
O Seminário Banda Desenhada e Pensamento Político, através de obras de banda desenhada de autores portugueses (preferencialmente) e estrangeiros, procura debater temas e conceitos relevantes de um ponto de vista social e político. Estabelecendo um diálogo entre académicos, artistas, fãs de banda desenhada e público em geral, as sessões tocarão em assuntos como Corpo, Género, Cibernética e Transhumanismo, Cidade e Multidão, Utopia e Distopia, Totalitarismo...
Entende-se que a banda desenhada tem sido um meio privilegiado para a abordagem destes temas, muitas vezes de um modo vanguardista, experimentalista e independente, jogando com as potencialidades e limitações do próprio meio.
Com este Seminário, que junta unidades de investigação da FCSH/UNL, UAc e FLUL, pretende-se valorizar a banda desenhada enquanto matéria susceptível de reflexão académica.
No dia das mentiras, entre as 16h e as 18h, na Zaratan (Lisboa) acontece a quinta sessão com o tema Cidade e Multidão com as participações de António Baião (moderação), José Smith Vargas e Marcos Farrajota.
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domingo, 26 de março de 2017
Arto Paasilinna : "As dez mulheres do Industrial Rauno Rämekorpi" (Relógio D'Água; 2010)
O livro em português que me faltava deste escritor finlandês! Sempre naquela promoção de 5 paus na Feira do Livro de Lisboa. Parece-me que este é o livro que acusam Paasilinna de porco sexista porque mete um capitalista (um empresário é um capitalista?) a foder dez mulheres em 24 horas (!). Um proeza digna dos 12 trabalhos de Hércules e sendo um trabalho de 2001 de certeza que há aqui uma sátira ao Viagra - criado ou autorizado anos antes, em 1998. Nem é bem "foder foder", algumas mulheres que o inDUSTrial visita não acontece cópulas substituindo por alguma candura e amor. Elas ao saberem das demasiadas visitas do maroto SEXagenário vingam-se na sua segunda ronda de visitas que realiza nas festas de final de ano.Numa era P.C. é um livro que pode ser realmente mal entendido mas é estranho que mesmo que o velho Rauno seja um porcalhão (é um coche, admito) é ainda mais estranho as pessoas achem que as personagens de um escritor tenham de ser necessáriamente os seus avatares tout-court. Não poderá um escritor pôr-se na pele do lobo, sendo ou não ovelha? Fingir-se ser um cabrãozinho? Ou será inveja do público conservador terem de admitir que os velhos gostam de pinar e que tem as mesmas fantasias de predação sexual do rapazito cheio de vigor?
Este livro não é impressionante como o esqueleto do César Monteiro na cena de cama d'As Bodas de Deus porque Arto faz o de sempre com boa disposição, ou seja, mostrar o estado da situação da sociedade finlandesa. O leitmotiv pouco importa aqui mas realmente falta-lhe a extravagância dos excursionistas suicidas ou do protector anarquista da lebre. Por mais Viagra que tenha tomado para escrever este livro, ele saiu frouxo...
Bruma
El deslumbrante debut de Baeza (...) Autobiografía de vanguardia para el siglo XXI.
The Watcher
.
un estilo y una narrativa subversiva en la que la artista (...) utiliza el humor, juega con la ironía y desarrolla un discurso en el campo social y político que la propia autora ha decidido bautizar como activismo visual.
Cactus
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Amanda Baeza nasceu em Lisboa, em 1990, cresceu no Chile e regressou a Portugal com 10 anos. Talvez seja por ter crescido entre dois hemisférios que haja quem diga que os seus desenhos vêm de outro mundo.
No entanto sabemos que as bandas desenhadas seleccionadas neste volume baseiam-se em eventos e sentimentos reais. O seu grafismo tem tanto de assertivo como de mutante e é na fusão com as palavras que nos surgem estas originais narrativas e poesias visuais.
Baeza actualmente reside em Lisboa e desde 2012 que trabalha para várias publicações internacionais. Bruma compila quase duas dezenas de histórias, a maior parte delas inéditas em Portugal, uma delas com texto de Pedro Moura.
Já se encontra à venda na nossa loja em linha e na Linha de Sombra, Letra Livre, Artes & Letras, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), MOB, A Ilha, Pó dos Livros, BdMania, Matéria Prima, Tasca Mastai, STET, Tigre de Papel, Bertrand, FNAC, Utopia, LAC (Lagos) e Mundo Fantasma.
10º volume da colecção Mercantologia
160p. 15x21cm a cores, edição brochada
edição apoiada pelo IPDJ
Sairam entre o final de 2016 e juntamente com esta edição, um livro em castelhano pela Fulgencio Pimentel - Nubes de Talco (128p., formato 17x24cm) - e em inglês pela letã kuš! - Brume (116p., formato A5). Na realidade isto foi uma parceria entre os três editores para reunir o trabalho desta estimada autora sendo a edição portuguesa a mais completa, a espanhola a mais bonita e a inglesa a mais universal.
:)
Dankas very muchas Cesar & David!
;.;
sobre o livro:
Apresentado oficialmente no dia 26 de Março 2017 na Feira Morta na Estrela (Lisboa) com uma exposição dos trabalhos da autora.
...
Quando a maioria das obras de banda desenhada portuguesa editadas anualmente é distribuída por canais alternativos às livrarias e aos pontos de venda de periódicos (...) cabe ao leitor interessado fazer um esforço extra para acompanhar as obras dos autores que lhe interessam, sem garantias absolutas de sucesso nesta demanda. A sua exposição reduzida implica que sejam lidas e analisadas por poucos, correndo o risco da memória histórica nem sempre as considerar. Foi a pensar em tal, que a Chili Com Carne concebeu a sua série Mercantologia, dedicada à reedição de “material perdido”. O seu 10.º volume (...) não poderia simbolizar mais o propósito da coleção. Amanda Baeza é uma das mais interessantes e prolíficas autoras nacionais – com o devido respeito à sua origem chilena – cuja obra mui raramente chegou às livrarias e, nesses poucos casos, sempre em antologias de vários autores. A acrescentar ao nem sempre fácil acesso ao mundo dos zines e demais edição independente, Baeza tem sido publicada em diversas línguas e países, por vezes com material inédito em Portugal. Por tudo isto, uma antologia dedicada à obra de Baeza era imperativa há já algum tempo e finalmente os leitores interessados poderão conhecer um importante conjunto de bandas desenhadas representativo do seu trabalho. Bandas Desenhadas
...
Foda-se, este livro é mesmo bom. Para além de ser um assombro, de ser bonito - coisa rara na Era Irónica -, para além de ser o melhor que a BD pode ser, para além de ser um livro em que se sente o que se está a ver como se fosse um deleite déjà-vu, é um livro que deve ser aberto quando precisamos de nos relembrar ocasionalmente de que somos humanos.
Obrigado, Amanda Baeza. Filipe Felizardo
Uma compilação de quase duas dezenas de histórias, grande parte inéditas em território nacional, muito "focadas em temas sociais", conta a jovem de 26 anos ao P3. E "muito íntimos" e biográficos. (...) uma brevíssima BD em que Amanda fala da sua experiência ao chegar a Portugal e do "estigma" que enfrentou desde criança como imigrante. "Embora as ruas tenham um ambiente multicultural, é por trás de quatro paredes que as pessoas expressam todos os seus medos e preconceitos", lê-se, num dos balões. O traço tem sempre algo de mutante e alienígena, quebrando as barreiras tradicionais da BD ("Tenho muito a influência do design e, como não estudei banda desenhada, quebro muito a estrutura") e, hoje em dia, dando especial importância à cor ("Não é apenas decorativo, é outra linguagem"). P3 / Público
Aquilo que é salientado, em primeiro lugar, é o campo magnífico visual em que Amanda Baeza trabalha. Há aqui um felicíssimo encontro entre uma figuração ultra-estilizada e uma liberdade dos espartilhos estruturais mais clássicos da banda desenhada que a lança a vários experimentos de organização do campo visual, da estruturação narrativa, da concatenação de linhas divergentes, modos de atenção, etc.(...) A re-descobrir de um modo sustentado ou como primeira apresentação, Bruma, esperemos, será um gesto de introdução de uma autora com uma voz particularmente original Pedro Moura in Ler BD
(...) Amanda consegue fazer um trabalho perfeitamente perturbador. Tiago Baptista in Cleópatra #10
....
Sobre a edição espanhola: Las escenas no responden a una lógica, porque Baeza parte de una certeza que muchos otros autores autobiográficos soslayan: los hechos tal y como sucedieron se han perdido para siempre y son irrecuperables. ¿Qué queda, entonces? Las emociones, las imágenes deformadas tras años de anidar en nuestro cerebro, a veces algo inconexas. Baeza no reconstruye lo que pasó, sino la impronta que dejó en ella. Es una autobiografía emocional, por inventar algún palabro que alcance a explicar un poco su trabajo. The Watcher
Sobre a edição em inglês: They experience a broad range of nuanced emotions, but they also seem to be completely untethered to our world of muddled pop-cultural references and political worries, as well as a little more physically amorphous than earthly people. Rookie
sexta-feira, 24 de março de 2017
Jim DeRogatis : "Milk It!: Collected Musings on the Alternative Music Explosion of the '90s" (Da Capo Press, 2003)
Eis um livro que tem o não-sei-o-quê de vulgaridade e até o Steve Albini avisa num texto que o autor, o jornalista DeRogatis é capaz de divulgar farsolas como os Urge Overkill invés de coisas realmente novas ou que valem a pena. Folheando o livro topa-se à distância nomes consensuais do que foram os 90s: Nirvana, Courtney Love, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Mudhoney, R.E.M., U2, Jesus Lizard, Tori Amos, Ride, Jon Spencer's Blues Explosion, Flaming Lips, Ween,... enfim, isto mais ou menos e por esta ordem de importância. O retracto da década está mais ou menos correcto e o perfil dos seus intervenientes também, sem que o "fairplay" - que publica a diatribe com Albini - do autor seja mundano. DeRogatis é acima de tudo um jornalista e se ele muda de opinião, como crítico, uma vez ou outra sobre uma ou outra figura, percebe-se porquê. Porque as confrontou sem aquela atitude bovina do escritor Pop/Rock (como acontece com a nossa imprensa musical), porque foi incisivo nas grandes questões de ética e de negócio ou porque discutiu na cara a incapacidade de alguns músicos serem mesmo do Rock - e o que é isso de ser do Rock? Algures, a filha de Kurt Cobain e Love tem a resposta: "o rock dura mais tempo, pop não dura muito", certo...Tal como os Bestiários do Camarada REP, Milk it! é uma colectânea de escritos, artigos, resenhas e entrevistas entre 1990 e 2001 apanhando uma década em que pareceu ser tudo possível (outra vez) como ter uma pose genuína de anti-heróis do Rock (todos os músicos antes do suicídio de Kurt), a batalha dos Pearl Jam versus a monopolista vendedora de bilhetes Ticketmaster (boicotem! não é só a MacDonalds ou a Padaria Portuguesa que merecem boicote!) ou ouvir na rádio comercial três ou quatro temas seguidos de bom Rock (caralho! já foi possível!!!). E claro, também são mostradas as falhas e os paradoxos como os dois Woodstocks exploratórios, as multinacionais a riparem o que podiam das bandas ou do público ou como uma banda que se diz revolucionária como os Rage Against the Machine sempre fez parte da máquina (editados pela Sony), a falta de ética do jornalista que escreveu a biografia (mais ficção que outra coisa) do Marilyn Manson, etc...
O livro é bom no espectro que pretende abordar, mesmo que o seu design seja medíocre e que não se leia nada de novo ou que já não se saiba, há pelo menos uma construção metódica para perceber quais as bandas que valia ou valem a pena ouvir e conhecer e quem é a maralha oportunista.
"Alternative Music" significa Rock e Pop porque Electrónica (um género que também deu uma grande explosão nessa década) significa neste livro apenas três nomes: Kraftwerk, The Orb e Aphex Twin. Albini tinhas razão... como sempre!
segunda-feira, 6 de março de 2017
Fantasma Colonial
Depois do Jarno e da Tea, sou outra vez representado por um autor finlandês, desta vez pelo grande Marko Turunen que usa o meu nome e do Pedro Moura para contar através do seu avatar Fantasma Colonial - in Vies de Marko Turunen - as suas aventuras lisboetas em 2005 quando visitou o saudoso Salão Lisboa... Não é BD, é um texto com algumas ilustrações mas ainda assim devo ser o português mais representado na Finlândia, facto tão importante como a bibliografia do José Luís Peixoto...
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Este tipo tem 68 anos e continua a fazer coisas tão interessantes.
A bela frase do título deste "post" é uma declaração do David Fonseca numa entrevista no último número da revista Blitz.
Pois é, Fonseca, o David Bowie tinha 68 anos e continuava a fazer coisas interessantes, ao contrário de ti que não deves ter mais de 40 e precisas de o vampirizar (camuflado de homenagem oportunista) para venderes discos com os teus outros amiguitos nulos que tal como tu nem fazem nada de interessante como não têm ideias...
Admiram-se por estar aqui a falar do Blitz? É razão para tal porque esta foi a quarta vez que comprei a "revista-ex-jornal" desde que surgiu nesta fórmula editorial em 2006. Acho que comprei os dois primeiros números por hábito de consumo do jornal semanalmente. Ao segundo número irritei-me e deixei de comprar esta trampa.
Passado mais de 10 anos, nada mudou, a revista continua a ser uma bosta de velhice burguesa que é constrangedora. O motivo de ter comprado este número? O CD dedicado à Ama Romanta que nada adianta para os colecionadores anais que tem toda a discografia alguma vez produzida em Portugal (não é o meu caso mas conhecia a maior parte do material editado) mas é um bom serviço público de divulgar o que foi a mais emblemática editora fonográfica independente nacional dos anos 80.
Com muita vergonha comprei esta publicação com a capa da banda mais nojenta do mundo - meu, se o Trump os bombardeasse até eu votaria nele nas próximas eleições (oh yeah!). A outra vez que comprei a revista foi também graças a um CD e um Canibal na capa porque de resto os discos que acompanham tem sido do pior, ou xungaria ou velhotes que ao contrário do Bowie já não tem nada para oferecer ao mundo a não ser velhas glórias. Poderiam acusar de que este CD - Ama Romanta : 1986-1990 : uma História Divergente - também poderia estar neste grupo das velhas glórias para nostálgicos mas ouvir Sei Miguel ou Mão Morta passados 30 anos garanto-vos que ainda não entraram no registo datado nem as suas produções mais recentes ao contrário de tudo mais que se produz no pop/rock português ou o que é divulgado pelo Blitz. De resto a entrevista a João Peste é suficientemente demolidora face à situação...
Futuro da revista? Só a coluna do Dr. Bakali que mesmo nos tempos do formato jornal divulgava tanto fanzines de BD como alta-tecnologia. Hoje continua ser a única voz na revista com um pingo de sanidade, inteligência, cosmopolitismo e contemporaneidade, tarefa nada fácil nos tempos do pós-modernismo e nostalgia pechisbeque.
Pois é, Fonseca, o David Bowie tinha 68 anos e continuava a fazer coisas interessantes, ao contrário de ti que não deves ter mais de 40 e precisas de o vampirizar (camuflado de homenagem oportunista) para venderes discos com os teus outros amiguitos nulos que tal como tu nem fazem nada de interessante como não têm ideias...
Admiram-se por estar aqui a falar do Blitz? É razão para tal porque esta foi a quarta vez que comprei a "revista-ex-jornal" desde que surgiu nesta fórmula editorial em 2006. Acho que comprei os dois primeiros números por hábito de consumo do jornal semanalmente. Ao segundo número irritei-me e deixei de comprar esta trampa.
Passado mais de 10 anos, nada mudou, a revista continua a ser uma bosta de velhice burguesa que é constrangedora. O motivo de ter comprado este número? O CD dedicado à Ama Romanta que nada adianta para os colecionadores anais que tem toda a discografia alguma vez produzida em Portugal (não é o meu caso mas conhecia a maior parte do material editado) mas é um bom serviço público de divulgar o que foi a mais emblemática editora fonográfica independente nacional dos anos 80.
Com muita vergonha comprei esta publicação com a capa da banda mais nojenta do mundo - meu, se o Trump os bombardeasse até eu votaria nele nas próximas eleições (oh yeah!). A outra vez que comprei a revista foi também graças a um CD e um Canibal na capa porque de resto os discos que acompanham tem sido do pior, ou xungaria ou velhotes que ao contrário do Bowie já não tem nada para oferecer ao mundo a não ser velhas glórias. Poderiam acusar de que este CD - Ama Romanta : 1986-1990 : uma História Divergente - também poderia estar neste grupo das velhas glórias para nostálgicos mas ouvir Sei Miguel ou Mão Morta passados 30 anos garanto-vos que ainda não entraram no registo datado nem as suas produções mais recentes ao contrário de tudo mais que se produz no pop/rock português ou o que é divulgado pelo Blitz. De resto a entrevista a João Peste é suficientemente demolidora face à situação...
Futuro da revista? Só a coluna do Dr. Bakali que mesmo nos tempos do formato jornal divulgava tanto fanzines de BD como alta-tecnologia. Hoje continua ser a única voz na revista com um pingo de sanidade, inteligência, cosmopolitismo e contemporaneidade, tarefa nada fácil nos tempos do pós-modernismo e nostalgia pechisbeque.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Manuel João Vieira : "Só desisto se for eleito" (Artemágica; 2004)
Eis o livro que é uma paródia artística, social e política do artista "homeostético" Manuel João Vieira, mais conhecido por ser músico dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. Se ele tivesse levado a sério (mas a brincar) poderia ter antecipado o Trump a 15 anos de diferença!!! Portugal poderia estar na vanguarda política - embora esteja se formos a ver bem, temos a "geringonça" de Esquerda enquanto que o resto do Mundo está a virara à Direita fascista. Ainda por cima com as vantagens sobre Trump é que o machismo de Vieira é proto-feminista, o ser alcoolismo é pseudo-abstémio, a sua alimentação omnívora é pós-vegetariana, o seu conservadorismo é vanguarda do catano, além de que de longe que Vieira seja monossilábico, pelo contrário é polígamonossilábico! Teria sido o primeiro Presidente do mundo reaccionário aberto. Um verdadeiro político Ying / Yang da escola de pensamento Hon-Hin-Hom.Como é bem dito sobre este livro, Vieira concebeu em 2002 a sua maior (...) obra de arte pública: candidatou-se a Presidente da República de Portugal. Uma candidatura firme assente numa campanha completa - teve tempo de antena televisivo, radiofónico e na imprensa; percorreu Portugal de lés-a-lés; discursou de varandas e palanques; escreveu reivindicações; teve seguidores. Só desisto se for eleito é a reunião de textos, desenhos, fotografias, cartas, situações vividas, enfim, de um sem número de manifestações do povo português que nestes meses reagiu surpreendentemente.
Se a partir de hoje começa a luta contra a Grande Puta na gringolândia, é preciso estar atento que à nossa porta estão outros parecidos com ele pela Europa fora e nunca se sabe quando aparece um bardamerdas mais carismático que o António de Sousa Marinho e Pinto.
Um bom livro para relembrar que no tapete da Democracia tudo é possível por isso nunca se pode dormir sobre ele com o risco de ser-se pisado pelos porcos. Obrigado Dr. Gamão por esta literatura tão necessária para descomprimir da época natalixa.
sábado, 31 de dezembro de 2016
1666
1. Histórias Com Tempo e Lugar : Prosa de Autores Austríacos (1900-1938) (Europa-América; 1980?)
2. Ho99o9 (Milhoes de Festa 2016) {foto}
3. Amir El-Saffar : Crisis (Pi; 2015)
4. Frantz Fanon : Os condenados da terra (Letra Livre; 2015)
5. Umberto Eco : O Pêndulo de Foucault (Difer; 1989)
6. Heta-Uma / Mangaro (Le Dernier Cri + MIAM; 2015)
7. Clipping : CLPPNG (Sub Pop; 2014)
8. Franky et Nicole, vol. 3 (Les Requins Marteaux; 2015)
9. Zeal and Ardor : Devil is fine (Reflections)
10. Jonathan Lethem : The ecstasy of influence : a plagiarism mosaic in Sound Unbound de Paul D. Miller (MIT; 2008)
11. Balani Show Super Hits - Electronic Street Parties From Mali (Sahel Sounds; 2014)
12. David Collier : Chimo (Conundrum; 2011)
13. Posy Simmonds : Gemma Bovary (Pantheon; 1999)
14. DJ Balli (Damas + Disgraça; 10-11 Março) + Apocalypso Disco (Agenzia X; 2013) + Frankenstein Goes to Holocaust (Agenzia X)
15. Timothy Leary : Chaos & Cyberculture (Ronin; 1994)
16. Edgar Pêra : O Espectador Espantado (Bando à Parte)
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Negative Born Killers na Stress FM
Eis o podcast da "gracinha" transmitida por rádio em linha Stress FM - e "à antiga" na linha de Cascais através da sede da SMUP (Parede) em o 88.3 - no passado dia 5 de Dezembro.
Voltei a fazer a graçinha que fiz no dia 4 Maio no Republica Caffe Bar em Viana do Castelo, ou seja recriar a banda sonora de Negative Born Killers! Livrinho de BD inserido na colecção O Filme da Minha Vida da Associação Ao Norte que lança o repto a autores portugueses de BD para criarem um mini-álbum inspirado num filme que tenha deixado marcas nas suas vidas.
Como sabem, a minha escolha recaiu sobre o Natural Born Killers de Oliver Stone, não pelo filme mas pela banda sonora criada por Trent Reznor (dos Nine Inch Nails). Assim sendo fiz um set a tentar invocar a narrativa sonora criada por Reznor mas sem as mesmas músicas. Porquê? Porque não tenho os mesmos discos nem os diálogos do filme. Nesta caótica sessão houve música de Nusrat Fateh Ali Khan, Diamanda Galas, Human League, Scott Walker, Soul Warrior Lard e muitos outros... convence?
domingo, 25 de dezembro de 2016
Kim Gordon : "A miúda da banda" (Bertrand; 2016)
Gordon é uma ex-libris de uma geração "alternativa" graças a fundação dos Sonic Youth, banda que partilhava com o seu ex-marido Thurston Moore. Juntos eram vistos como um casal de sonho ou modelo para quem acharia impossível nos séculos XX e XXI ter dois artistas íntegros a fazerem as caretices como casar e ter filhos (só tiveram uma criança, calma) mas mantendo uma banda de Rock que era "do contra". O divórcio de ambos foi uma pedra no charco para muitos, quase tão chocante como o tiro na cabeça de Kurt Cobain em 1994.O livro apesar de ser muito abrangente devido à vida rica de experiências de Gordon, acaba ter algo de ressabiado e de lavagem de roupa suja mesmo que Gordon escreva com elegância e energia suficiente para não estarmos a ler um romance de cordel ou livro de escândalos dos famosos mas é verdade que Moore aparece mesmo como um teenager idiota no que diz à crise e final da sua relação com Gordon. Para uma banda de cinquentões a chamarem-se ainda de "Youth" ele deveria levar isso muito a sério, pelos vistos...
O livro é bem melhor do que parece depois disto dito, é uma biografia que vai desde a infância até aos dias pós-divórcio e final da banda, tendo Gordon tiradas certeiras sobre uma série de temas como o casamento, maternidade, espectáculo e arte no mundo do Rock ou ainda da história ou evolução da música Rock. Algumas vezes cândida outras vezes agressiva (mas sem ser bruta nem burra), a escrita de Gordon parece-se as oscilações e texturas da música dos Sonic Youth, o que se calhar mostra que a banda era mais dela do que dos outros...
sábado, 17 de dezembro de 2016
Okupa Montijo
A noite no Montijo é tão excitante que até num bar semi-vazio há cadeiras no chão - sem razão para tal e sem ninguém em preocupar-se em levantá-las! Dois produtores culturais comemoram esse acontecimento com esta fotografia.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
André Costa : "As aventuras subjetivas de Björk" (ed. autor; 2014)
Não há artista Pop que mais fascine que a Björk - só mesmo os Die Antwoord para competir com ela - dado ao seu estatuto de estrela mundial sem que exponha a bundinha por tudo e por nada como as porcas das Madonnas & Britney Spears. Mais que uma cantora ou música, ela é uma artista mutante e com conteúdo. É natural que apareçam leituras sobre ela, como o caso deste livro brasileiro que faz uma actualização à dissertação de mestrado As aventuras subjetivas de Björk: da emergência de novas subjetividades no universo pop contemporâneo defendida em 2003 na Faculdade de Comunicação da Universidade do Brasil.
Feita uma actualização dos 10 anos de carreira da artista não contemplados pelo trabalho original de André Costa, este deve ter tido gozo em colaborar com a artista visual Adriana Peliano e o projecto gráfico de Maurício Chades para construir um livro manipulável com surpresas inesperadas, fazendo jus à carreira da islandesa. À primeira vista o livro é sem dúvida uma pérola, como se tivesse descido num pedaço de gelo lá da ilha com a bença da Santa B. Uma capa recortada, imagens-postais inseridas entre folhas, vários tipos de papeis e um texto paginado de forma pouco canónica - lê-se primeiro as primeiras páginas, salta-se lá mais para a frente do livro e como um "split-book" continua-se a leitura virando o livro. Sem dúvida a melhor forma de homenagear a sofisticação de Björk.
No entanto, o que temos é mais um texto académico a brincar com o fascínio pelo mundo Pop. Não é o pior texto que já li do género, dá até bastantes referências filosóficas e pensamentos sobre o ambiente da música para quem for curioso mas é aquela escrita que baralha e volta a baralhar em discurso circular para que o leitor comum não se sinta à vontade ou aprenda ideias de forma clara. Constata-se o óbvio, na Academia não há ideias só constatações do óbvio. O livro não é uma biografia da artistas mas uma análise sobre o seu trabalho. Interessante mas péssimo para ler na cama...
As fotografias que ao principio dá-nos estímulo para comprar o livro revelam-se tão monótonas como a tese, sempre imagens de uma boneca cheia de ambiente bling bling infantil e onírico, tornando-se um cliché na terceira foto desvendada. Pior que isso é que imagética imposta recusa a hipótese de ter uma visão análoga de Björk para além de uma bonequinha vintage no País das Maravilhas quando a tese afirma que ela é muito mais do que isso (como bem sabemos): teen punk islandesa emigrada, inocente cosmopolita, princezinha regressada, mulher artista exploratória, mãe colaborativa, divorciada politizada, pedagoga vanguardista, fora todos os avatares que vai criando ou irá criar ainda. Aqui ficamos com a sensação que ela sempre será uma boneca islandesa, pior, um objecto e não uma pessoa. Preguiça intelectual paga-se com preguiça estética.
Por fim, o design do livro é uma boa experiência com "o que um livro pode" para além de ter uma arranjo gráfico super-legível - convenhamos que o texto também não é assim tão grande, o que facilita o design. Faltam mais imagens dos materiais björkianos (capas dos discos, frames dos vídeos, fotos promocionais) para ilustrar melhor o texto, senão temos de estar com o computador aberto para ir acompanhando o que o texto analisa.
Não sendo um seguidor desta artista, sabia que estava a adquirir, um livro giro para ter ideias para futuras edições que venha a fazer. Obrigado, nesse caso.
Para os fãs portugueses assanhados, o livro foi comprado durante o super-porreiro evento Zinefest Pt mas creio que podem pedir à Montra Graphics.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Maximum Rock'n'Roll
A MRR é um dos fanzines punk mais emblemáticos e resistentes (existe desde 1982!!) vindos dos EUA. No entanto por vir da terra dos porcos imperialistas não significa que registe a cena nacional apenas, muito antes pelo contrário o que não faltam são artigos desde o México à Dinamarca, de Espanha ao Brasil.
A parte dos discos será a que menos me interessa porque já recebo as minhas doses homeopáticas de Rock. Embora a MRR passe muito pela música (música que tenha bateria e voz senão não entra!) também tem muitas colunas de opinião em que se discute política, prostituição, queercore, vivências, livros, filmes e arte. E até BD! Sobre o caso Mike Diana, os ataques de extrema-direita ao Le Dernier Cri, sobre Nathan Ward, Ben Passmore ou a editora Silver Procket. Os números recentes que adquiri eram números especiais, um sobre fanzines (o que eles tem a dizer depois do mundo web 0.2) e sobre "arte punk" - o que é isso?
Zeus! Mexer neste zine faz-me pensar o que aconteceu à imprensa portuguesa que deixou de existir - se isto for indício de velhice, admito que sim, meu, não era mesmo fixe pegar três em três meses um novo número da Mondo Bizarre e mais ainda da Underworld / Entulho Informativo!? De resto, o que temos de imprensa musical? Nada, só blogues feios e redacções homofóbicas como as da revista Blitz, Diário de Notícias, Expresso, Público e I - digo isto porque todas receberam exemplares do livro do Queercore e ignoraram-no, o Público que sempre escreveu sobre os livros do Rui Eduardo Paes, desta vez fechou-se nas suas copas... Pelos vistos, tem de ser como "no antigamente" (antes dos anos 90), é preciso comprar publicações estrangeiros para matar o marasmo editorial!
A hamburgeria vegetariana / discoteca Black Mamba (do Porto) distribui este fanzine em Portugal. É ir lá comer um "punkburger" e comprar o último número da MRR... é uma boa desculpa para ir ao Porto-cada-vez-mais-parecido-com-Lisboa-que-nojo! [à parte, numa recente visita ao Porto vi um grafito pintado a azul que dizia "Lisboa" apenas...]
A parte dos discos será a que menos me interessa porque já recebo as minhas doses homeopáticas de Rock. Embora a MRR passe muito pela música (música que tenha bateria e voz senão não entra!) também tem muitas colunas de opinião em que se discute política, prostituição, queercore, vivências, livros, filmes e arte. E até BD! Sobre o caso Mike Diana, os ataques de extrema-direita ao Le Dernier Cri, sobre Nathan Ward, Ben Passmore ou a editora Silver Procket. Os números recentes que adquiri eram números especiais, um sobre fanzines (o que eles tem a dizer depois do mundo web 0.2) e sobre "arte punk" - o que é isso?
Zeus! Mexer neste zine faz-me pensar o que aconteceu à imprensa portuguesa que deixou de existir - se isto for indício de velhice, admito que sim, meu, não era mesmo fixe pegar três em três meses um novo número da Mondo Bizarre e mais ainda da Underworld / Entulho Informativo!? De resto, o que temos de imprensa musical? Nada, só blogues feios e redacções homofóbicas como as da revista Blitz, Diário de Notícias, Expresso, Público e I - digo isto porque todas receberam exemplares do livro do Queercore e ignoraram-no, o Público que sempre escreveu sobre os livros do Rui Eduardo Paes, desta vez fechou-se nas suas copas... Pelos vistos, tem de ser como "no antigamente" (antes dos anos 90), é preciso comprar publicações estrangeiros para matar o marasmo editorial!
A hamburgeria vegetariana / discoteca Black Mamba (do Porto) distribui este fanzine em Portugal. É ir lá comer um "punkburger" e comprar o último número da MRR... é uma boa desculpa para ir ao Porto-cada-vez-mais-parecido-com-Lisboa-que-nojo! [à parte, numa recente visita ao Porto vi um grafito pintado a azul que dizia "Lisboa" apenas...]
Greñudos locos del Porto! Brujeria te va joder tu ojo del culito!
Ontem houve Brujeria em Lisboa e hoje há no Porto... Aconselha-se ir ver, é um bom show!!! Vi-os há 10 anos em Madrid e se por um lado estão mais "cartoonescos" por outro a presença do vocalista loco Pinche Peach torna tudo mais energético. Pocho Aztlan (Nuclear Blast; 2016), novo álbum 16 anos depois do último de originais, quase nem é tocado porque eles sabem que é azeite artificial... A banda tende para ser uma espécie de "Ramones do Grind narco-satânico", mais caricatura de si mesma do que exploradora da estética zapatista que os tipificou e mitificou quando apareceram - nesse mundo sem web 0.2.
Em Lisboa, como há malta fixe ao contrário do que se pensa, até apareceu pelo concerto o número 5 do fanzine de BD Olho do Cu que tem uma capa fabulosa... bom, é apenas um olho do cu realmente mas está impresso com umas cores impecáveis. Fuerza Sandro!
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