sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Em tempos em que o fascismo é eleito...
136 páginas de BDs curtas de Francisco Sousa Lobo, criadas desde 2004 até este ano.
Algumas são inéditas outras já publicadas, muitas em publicações estrangeiras, que assim são publicadas em português pela primeira vez.
Algumas BDs são a preto e branco, outras tem mais uma cor e algumas são a cores.
O formato é aquele típico do nosso catálogo: 16,5x23cm
Vais estar disponível este fim de semana na BD Amadora mas também está na nossa loja em linha, e muito em breve na BdMania, Tigre de Papel, Mundo Fantasma, Linha de Sombra e mais lojas a anunciar.
A Sara Figueiredo Costa assina um prefácio que aqui transcrevemos parte:
Diz-nos a física quântica que o tempo não existe, pelo menos do modo cronológico, arrumado e em sucessão, o modo como o conseguimos ver e sentir. E diz-nos que tempo e espaço se relacionam de tal modo que serão, juntos, uma categoria única de descrição do que nos rodeia, uma ferramenta funcional para obtermos respostas tão precisas quanto o universo permite sobre si próprio. A física quântica não é fácil de perceber para a maioria da humanidade e é frequente que outras linguagens nos deixem intuir respostas que, não sendo mais claras, são mais facilmente apreendidas pela intuição. As histórias curtas de Francisco Sousa Lobo não falam de física quântica, cultivando as perguntas com muito mais dedicação do que qualquer resposta, mas talvez por isso mesmo sejam uma espécie de mapa possível para certas declinações do mundo, não as que descrevem o cosmos, mas as que envolvem o indivíduo, esse lugar estranho e inóspito onde o espaço-tempo tantas vezes ameaça desintegrar-se.
(...) O desconforto que muitas das histórias reunidas neste volume criam no leitor não nasce tanto do desamparo encenado em cada prancha, ou da possibilidade de alguns ou muitos reconhecimentos emocionais, mas talvez do contraste provocado pela procura de uma racionalidade, um gesto narrativo e visual que transforme a matéria das histórias nas histórias em si. É esse o esforço que se descobre em cada história, e é esse o percurso que estrutura esta primeira narrativa do livro, de certo modo, uma antecipação certeira das que se lhe seguem. (...) Não é preciso mergulhar na física quântica quando temos à mão a nossa própria cabeça, o nosso próprio corpo e o lastro imenso de memórias e vivências que confirmam, a cada momento, que estamos sempre em presença efectiva de muitos momentos e que aquilo a que chamamos passado talvez seja, por inconveniente que soe, o nosso presente constante.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
I've seen the future and it will be
Em 2004, estive para fazer com o João Maio Pinto um cartaz (ele desenhava, eu daria ideias) para algo mais ou menos como os Captured! By Robots, eis um esboço de um projecto que ficou pela gaveta.
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
As your lawyer I advise you to...
Que fazer quando uma banda é recomendada por um advogado e um lojista de BD? De um advogado ainda acredito, de um gajo da BD não me parece... The Knife são uns manos, boy and girl, que conseguem fazer mel em Synthpop mas sem ser tão óbvio apesar de suecos. Isso acontecia nos discos anteriores ao terminal Shaking the Habitual (Rabid; 2013) em que fogem de vez aos "trolórós" House e outras fateladas. Este disco é como uma festa que nunca mais acaba. Isso não é bom porque estás com uma broa bem fodida, até já 'tás na sala ao lado a tentar recuperar e perceber o que se passa à tua volta mas não, sem hipóteses, o "beat" não pára atravessando a parede, bombando som de forma abafada. Há algo para celebrar mas já nem sabes bem o quê, é pena porque não consegues mexer mais um pézinho sem tropeçares. O vómito, esse grande sacana, anda a ver se consegue vir cá para cima dizer-te "olá! Entãoooooo...!?".
Repetitivo, interminável e mecânico, lembra os Alien Sex Fiend (quando estes vão ficando mais electrónicos) apesar de não serem assim tão parecidos. Talvez os compare também pela duração dos temas, entre 4 a 10 minutos, e pelas mascaradas góticas e horror visual dos video-clips. Ainda assim, isto parece patético. Curiosamente, o lado feminino dos Knife, Karin, avançou com o projecto a solo, Fever Ray, e seu segundo disco, Plunge, vem ao encontro de Shaking ou é impressão minha? Banda a acompanhar...
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Para-raios
Lightning strikes the postman (Warner; 2016) é uma "remix" do "clássico" Clouds Taste Metallic (Warner; 1995) dos Flaming Lips, que deverá ser a única banda que se manteve numa "major" depois das contratações doidas dos anos 90 à procura dos próximos Nirvana. O disco é uma seca, explora-se e modela-se as gravações das guitarras eléctricas e respectivo "feedback" do guitarrista Ronald Jones (que deixa a banda depois do Clouds) num exercício mnemónico. A acompanhar o CD, um mini "comic-book" escrito e desenhado pelo Wayne Coyne, bem giro, assim naíf, em que conta porque razão Jones desapareceu - mete OVNIs, "spoiler", yeah!Coisa para coleccionadores caso não tivesse saído este disco num "Record Store Day" - um dia mundial da loja de discos em que saem discos únicos para nos lembrarmos que a música não é só Spotify e merdas do tipo.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Quinta dos Acordes
Não porque raios passo a ser um gajo que vale a pena fazer perguntas mas depois das Senhoras agora foi a Acordes de Quinta a perguntar 5 livros, discos e filmes... bof!
Admito que quase chorei com estas gentis palavras: De ar tímido, relaxado e "na dele" está muitas vezes Marcos Farrajota a rabiscar um caderno quando o encontramos em eventos independentes, festivais de música, exposições de banda desenhada/ fanzines. No festival SWR Barroselas Metalfest, podemo-lo encontrar, por exemplo, a relatar, num diário desenhado, tal qual Jack Kerouac, episódios que despertam a sua atenção. (...) Autores honestos como Marcos Farrajota não se deixam intimidar por outras vozes, precisamos de mais autores assim.
Jack, não te passes!
Admito que quase chorei com estas gentis palavras: De ar tímido, relaxado e "na dele" está muitas vezes Marcos Farrajota a rabiscar um caderno quando o encontramos em eventos independentes, festivais de música, exposições de banda desenhada/ fanzines. No festival SWR Barroselas Metalfest, podemo-lo encontrar, por exemplo, a relatar, num diário desenhado, tal qual Jack Kerouac, episódios que despertam a sua atenção. (...) Autores honestos como Marcos Farrajota não se deixam intimidar por outras vozes, precisamos de mais autores assim.
Jack, não te passes!
sexta-feira, 13 de julho de 2018
Ontem morreu o Frankenstein, o Frankenstein morre amanhã
O italiano Riccardo Balli, aka DJ Balli, visita-nos pela segunda vez em Lisboa e pela primeira vez ao Porto. Desde as suas quatro performances no festival Ruído Terapêutico da Klasse Operária no Damas, Disgraça e afins, houve muitas novidades suas. Muitas mix-tapes, novos discos e a Chili Com Carne e a Thisco publicaram o seu quarto livro: Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus : micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary.
Livro inclassificável de mashup literário e de ensaio sobre cultura pós-Rave, que tanto celebra os 200 anos da publicação do romance de Mary Shelley como a divertida editora de Balli, a Sonic Belligeranza, evocando os espíritos MIDIevais e dos jogos de arcada.
É nesse contexto que irá apresentar, no dia 12 de Julho, o seu livro na Tasca Mastai, no Bairro Alto, às 20h, seguida de uma festa com um DJ set seu no Lounge, Cais do Sodré, às 23h.
No dia seguinte, às 22h, Balli segue para o Porto para realizar uma "Sessão Espírita em Baixa Definição", do seu livro Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus, no âmbito da exposição O Ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã, na Galeria Municipal do Porto.
A Galeria convidou a artista Carla Filipe a desenvolver um projecto que se debruçasse sobre as práticas sociais em nightclubs, enquanto espaços de fuga às possíveis falências de sistemas sociais diurnos. (...) Associada ao ambiente nocturno – meio em que Carla Filipe se movimentou com uma participação activa como artista plástica na criação de posters e imagens alusivos à programação de eventos de música electrónica e DJ set – esta exposição (...) contará com uma selecção de artistas locais e internacionais que se enquadram nesta convergência música/ imagem mas cujo corpo de trabalho mantém um carácter autónomo enquanto criação plástica, reflectindo a relação do particular com o plural (do indivíduo com a comunidade), e evocando pelo caminho a história da arte e a sua ligação à música através de um conjunto de referências autorais. Rudolfo, que fez o cartaz e o design do livro do Balli, está com trabalhos expostos juntamente com os de Raymond Pettibon (o gajo das capas de Black Flag e Sonic Youth, caraguuuu!!!) nesta exposição!!!
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terça-feira, 10 de julho de 2018
Alguém me está a ajudar a vender livros...
Este monte de merda (a obra? o artista? os dois?) aparece numa BD minha no Free Dub Metal Punk Hardcore (...) e saudamos o povo de Sto Tirso fazer Arte à séria! Ainda têm lá muita escultura horrível para destruir, não se fiquem pelo gordinho!
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quarta-feira, 27 de junho de 2018
You can't ween all the time
Hoje em dia basta carregar num botão para ouvir imediatamente todas as músicas do mundo em nossa casa. Vejo claramente o que se perdeu. E o que se ganhou? Para atingir a beleza, penso que são necessárias três condições: esperança, luta e conquista.
- Luis Buñuel (1900-83)
in O meu último suspiro (p. 271, Fenda; 2006 - orig. 1982)
Apesar do botão profetizado por Buñuel continuo a comprar discos sem os ouvir primeiro, desejoso que vá levar bofetadas na cara quando os ouvir virgenzinhos na aparelhagem. Isto vale para bandas que nunca ouvi falar como para projectos que pensava que já conhecia.Nem God Ween Satan The oneness (Twin/Tine; 1990) dos Ween nem Hello Young Lovers (Gut; 2005) dos Sparks são discos maus mas não era o que esperava. Quem vem alimentado de Pure Guava e protegido de Kimono my house poderá ficar na defensiva, e desconfiado... e arrependido. Ambas bandas são norte-americanas e gozonas, usam o rock como quem usa sabonete, purismos não é com eles.
No caso dos Ween conheci-os sem capa nem créditos, numa k7 com os títulos das músicas escritos pelo Brian, vocalista dos Primitive Reason, numa letra tão merdosa que a capa da k7 poderia ser realmente a edição oficial do Pure Guava. Disco esse que parece tocado por crianças com capacidades de adultos, e era aí que residia o génio da banda e do disco. God Ween Satan, apesar de ser anterior, parece aquele disco quando uma banda se vende e passam a ser chatos. É música de adultos com capacidades musicais a tentarem ser crianças.
Eles sempre fizerem música para fornicar as pessoas, o propósito principal da banda para além das drogas. Em Pure Guava a razia era total, não deixava muitas pontas por onde se pegar, uma inocência era transmitida com o acto de fazer quase tudo errado, novos mundos apareciam de música para música. Em GWS parece que temos os ZZ Top a quererem ser uns granda malucos, ou uma versão tótó dos Butthole Surfers. Previsível mesmo quando eles saltam por cima de todos os géneros musicais da altura: Hardcore, Reggae, Funk, Gospel, etc... Não admira que se tenham transformados em mascotes do South Park. Os outros discos serão melhores? Será que os devia ouvir no youtube invés de os 'tar a comprar? Dilema...
terça-feira, 26 de junho de 2018
Em frente em todas as direcções!
Num ano é música dos Balcãs, noutro é Cubano, no seguinte é Afrobeat e Highlife, depois é Klezmer, etc... O Ocidente capitalista e bronco vai descobrindo a música do "resto do mundo" desta forma homeopática. Para quem quer tudo ao mesmo tempo há uma solução e não, não são os Clash nem os Mano Negra!
É uma banda inglesa que se pode meter no meio dessas duas, os 3 Mustaphas 3, um verdadeiro "melting pot" de músicas do mundo pelos quais não temos de esperar pelo David Byrne ou pela Soul Jazz para esperar pela moda musical primavera / verão. Estes ingleses eram uns sete em palco mais o seu frigorífico, onde guardavam fruta fresca - colocando o Bez dos Happy Mondays numa situação complicada: o que é melhor ter como elemento extra de uma banda? Um gajo que dança ou um electrodoméstico que dá vitaminas? O Bez arranjava drogas, hummmm...
Quer ouvindo Shopping (1987) ou Heart of Uncle (1989) não encontro grande diferenças entre os discos. A base desta banda é Balcãs, Klezmer, música árabe e cigana mas nada impede que eles mudem para ritmos Africanos e Afro-latinos ou até para Funk e Rap. A diferença passa pelos formatos de edição apenas, Shopping é ainda um disco pensado para LP e o outro já se estica para o tempo de uma hora graças à tecnologia do CD - que se imponha na altura como o formato áudio do futuro [rir nesta parte]. Uncle incluía mais vozes femininas também ou assim parece, se calhar tem a mesma proporção para uma hora de música... Quem sabe?
Apesar de serem todos uns branquelos britânicos - e tal como todos os ingleses tem focinho que parece que gostam de tau tau - os 3M3 (posso-vos tratar assim?) eram contra as fronteiras físicas e musicais, estavam nitidamente 30 anos à frente da Inglaterra-Brexit de hoje. Em 2018 é bom ouvir música destes tipos com aqueles chapéus marados (o chapéu chama-se "fez" ou "tarbush"), ainda dá alguma esperança na Humanidade ou naquela ilha...
Thanks Fikaris for the tip. Obrigado à Glam-O-Rama por ser o único sítio em Lisboa (essa capital tão falsamente cosmopolita) que tem estes discos!
PS - entretanto apanhei Soup of the Century (Ace / Ryko; 1990), o último disco desta banda e é uma grande seca. A inspiração passou a gordura de comer muito, provavelmente... pena!
segunda-feira, 25 de junho de 2018
CIA info 88.7
Capa para um single 7" de uma banda lisboeta que não dá bocas - como alguns cabrões que andam por aí... Falo dos mutantes dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS que lançaram o disco no passado Domingo 28 de Janeiro, no Atelier Concorde (Rua Leite Vasconcelos, 43A à Graça). E decidiram fazer exposição das capas até dia 1 de Fevereiro!
Resta dizer que o single é limitado a 33 cópias e cada cópia tem um desenho original do ilustrador!!!
Obrigado Boris & João pelo convite!
O novo single dos infames dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS foi gravado, misturado e masterizado
pelo maestro Milo
Gomberoff no estúdio Hukot
em Barcelona durante a KsChNpSk
Tour e que foi lançado
numa edição ultra-limitada em vinil transparente com capas originais de 33
artistas, a saber: Aleksi Laisi, Anafaia Supico,
Ana Farias, Anatureza, André AFTA3000, André Lança, Animal Sentimental, Aude Barrio, Bárbara
Assis Pacheco, Barbara
Meuli, Begoña Claveria, Binau,
Carlos Gaspar, Daniela
Rodrigues, Germes Dean,
Gonçalo Duarte, Irene
Fernández Arcas, Jaime Rydel, José Smith
Vargas, Juanito, Kro,
Luís Luz, Marcos
Farrajota, Mariana
Marques, Mário Pegado, Marta Sales, Martina Manyà, Miss Inês, Moca,
Nuno Barroso, Pedro Costa, Sara Franco e Vicente
Nunes.
Soube esta semana que a "minha" cópia foi para um comprador de Viseu e que foi feito um fanzine com todas as ilustrações, yes!!! Isto sim, gente que faz e cumpre! Punks à séria!
Até há vídeo do tema e tudo:
terça-feira, 5 de junho de 2018
A Morte da Besta (2000-2020)
18 anos a praticar Suicídio Comercial é muito tempo.
Em 2020 já cá não estaremos.
Extinção.
Isto porque nos prometeram, em 2000, no mesmo ano que aparecemos, que as nações do mundo iam até 2015 acabar com a pobreza extrema, promover a igualdade de género, assegurar a sustentabilidade ambiental entre outras belas patranhas. Estamos em 2018 e tudo piorou. 2020 não será melhor. Não estaremos cá para isso.
Passados 18 anos ainda ninguém consegue dizer MMMNNNRRRG!
Dezoito anos depois de apresentarmos autores em Portugal e no mundo que fazem toda a diferença, continua-se a papar grupos como "novelas gráficas" secas, vazias e redundantes. Pior que a "bedófilia" do super-herói e outros lixos "teenagers" é ver este gato a passar por lebre nas livrarias. Mete-nos nojo e percebemos que perdemos tempo. Já chega.
Em 2020 damos o berro. Não o fazemos antes porque temos ainda finlandeses, contorcionistas e k7s para editar. E um número redondo é um número redondo. 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo... Aproveitando enquanto decorre este cemitério de livros, que é a Feira do Livro de Lisboa, anunciamos o nosso FIM em modo de "fade out".
A Associação Chili Com Carne, que desde o início nos tem apoiado na promoção, irá gerir esta falência espiritual com campanhas de desconto e promoções dos últimos exemplares das nossas edições.
Não será um final humilhante como outros que acontecem por aí.
Até 2020 ainda lançaremos algumas edições para irritar os fatalistas. Um novo livro de Tommi Musturi, um livro de outro autor finlandês a divulgar em breve, uma k7 com originais e remixes de Black Taiga, em parceria com a Rotten Fresh, os últimos objectos da AcontorcionistA - o mais recente, é o Baralho que já circula e um muito desejado segundo número do Subsídios com o Dr. Urânio.
A Besta sempre teve dignidade, até na Morte.
Até já e obrigado!
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Fundada por Marcos Farrajota em 2000 e dirigida com Joana Pires desde 2010, a MMMNNNRRRG publica "Art Brut Comix" de artistas de BD "outsider" de toda a parte do planeta: Portugal, EUA, Reino Unido, Croácia, Finlândia, Sérvia, Roménia, Holanda, África do Sul, Bélgica, Grécia, Rússia e Suécia. Tendo a primazia o livro em offset mas não impediu de inaugurar o boom dos graphzines em serigrafia em Portugal e experimentado outros formatos menos convencionais. Desde 2015 que lança k7's de "música inesperada" - Black Taiga, Melanie is Demented, Traumático Desmame, BLEID - com as embalagens mais saudáveis do planeta.
Trabalhámos com algumas instituições como a Escola Ar.Co. (num projecto que incluía Ana Hatherly, António Poppe,...) ou o Cinanima, recebemos o prémio TITAN em 2010 com Já não há maçãs no Paraíso de Max Tilmann; em 2011, cinco dos autores que publicamos (Janus, André Lemos, Pepedelrey, João Maio Pinto e Tiago Manuel) tinham trabalhos expostos na exposição Tinta nos Nervos no Museu-Colecção Berardo; Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi foi seleccionado para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die de Paul Gravett; em 2014 W.C. de Marriette Tosel foi selecionado para um concurso da Society of Illustrators de Nova Iorque; em 2016, Anton Kannemeyer participou na polémica conferência da Fundação Gulbenkian Foundation e ganhou o Prémio Nacional de Melhor Álbum de autor Estrangeiro com Papá em África na Amadora BD.
Em 2020 já cá não estaremos.
Extinção.
Isto porque nos prometeram, em 2000, no mesmo ano que aparecemos, que as nações do mundo iam até 2015 acabar com a pobreza extrema, promover a igualdade de género, assegurar a sustentabilidade ambiental entre outras belas patranhas. Estamos em 2018 e tudo piorou. 2020 não será melhor. Não estaremos cá para isso.
Passados 18 anos ainda ninguém consegue dizer MMMNNNRRRG!
Dezoito anos depois de apresentarmos autores em Portugal e no mundo que fazem toda a diferença, continua-se a papar grupos como "novelas gráficas" secas, vazias e redundantes. Pior que a "bedófilia" do super-herói e outros lixos "teenagers" é ver este gato a passar por lebre nas livrarias. Mete-nos nojo e percebemos que perdemos tempo. Já chega.
Em 2020 damos o berro. Não o fazemos antes porque temos ainda finlandeses, contorcionistas e k7s para editar. E um número redondo é um número redondo. 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo... Aproveitando enquanto decorre este cemitério de livros, que é a Feira do Livro de Lisboa, anunciamos o nosso FIM em modo de "fade out".
A Associação Chili Com Carne, que desde o início nos tem apoiado na promoção, irá gerir esta falência espiritual com campanhas de desconto e promoções dos últimos exemplares das nossas edições.
Não será um final humilhante como outros que acontecem por aí.
Até 2020 ainda lançaremos algumas edições para irritar os fatalistas. Um novo livro de Tommi Musturi, um livro de outro autor finlandês a divulgar em breve, uma k7 com originais e remixes de Black Taiga, em parceria com a Rotten Fresh, os últimos objectos da AcontorcionistA - o mais recente, é o Baralho que já circula e um muito desejado segundo número do Subsídios com o Dr. Urânio.
A Besta sempre teve dignidade, até na Morte.
Até já e obrigado!
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Fundada por Marcos Farrajota em 2000 e dirigida com Joana Pires desde 2010, a MMMNNNRRRG publica "Art Brut Comix" de artistas de BD "outsider" de toda a parte do planeta: Portugal, EUA, Reino Unido, Croácia, Finlândia, Sérvia, Roménia, Holanda, África do Sul, Bélgica, Grécia, Rússia e Suécia. Tendo a primazia o livro em offset mas não impediu de inaugurar o boom dos graphzines em serigrafia em Portugal e experimentado outros formatos menos convencionais. Desde 2015 que lança k7's de "música inesperada" - Black Taiga, Melanie is Demented, Traumático Desmame, BLEID - com as embalagens mais saudáveis do planeta.
Trabalhámos com algumas instituições como a Escola Ar.Co. (num projecto que incluía Ana Hatherly, António Poppe,...) ou o Cinanima, recebemos o prémio TITAN em 2010 com Já não há maçãs no Paraíso de Max Tilmann; em 2011, cinco dos autores que publicamos (Janus, André Lemos, Pepedelrey, João Maio Pinto e Tiago Manuel) tinham trabalhos expostos na exposição Tinta nos Nervos no Museu-Colecção Berardo; Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi foi seleccionado para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die de Paul Gravett; em 2014 W.C. de Marriette Tosel foi selecionado para um concurso da Society of Illustrators de Nova Iorque; em 2016, Anton Kannemeyer participou na polémica conferência da Fundação Gulbenkian Foundation e ganhou o Prémio Nacional de Melhor Álbum de autor Estrangeiro com Papá em África na Amadora BD.
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Tommi Musturi
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Arroto Dub e outros poemas
Quando é que um disco de música experimental não é chato?
1) Quando vamos a meio do disco e não damos por ele
2) Quando se ouve várias peças e há variedade q.b.
3) Quando há humor das peças (até o John Zorn sabe disso!)
O festival Avanto, de música electrónica experimental que acontecia no Kiasma, editada alguns CDs com os artistas que convidava, podia ser "brutistas" como o japonês KK Null ou "gender-bender" como o Terre Thaemlitz mas sobretudo não parecia ser chato. Porquê?
Porque os finlandeses gostam de se divertir mesmo ao ponto de não serem sérios como geralmente são este tipo de iniciativas. Kiitos.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Gringos locos
Divine (1945-88) foi a "drag queen" mais importante do mundo - ou até a "mulher mais bonita do mundo, quase" - e isso não impediu de fazer música merdosa como este single You think you're a man (Proto; 1984) que até teve mãos (suadas?) de Stock Aitken Waterman, os três produtores britânicos que fizeram os maiores sucessos Pop pueris da década de 80: Kylie Minogue, Bananarama, Rick Astley e outras bostas andantes da altura. E para bom entendedor, meia palavra basta... Ou então ainda se pode dizer isto, ouvir este single é como arte contemporânea, é bom que se saiba que é uma Drag Queen, desculpem, "A Drag Queen Divine" (imagens virão logo caso alguém tenha visto os filmes do John Waters) senão não tem mérito nem interesse, tal quando se olha pra umas merdas no chão de uma exposição sem a folha de sala. Thanks Jucifer!
Enfim, os norte-americanos tem esta coisa pelo culto da extravagância, seja o que lhe cresça ou não no corpo não é razão de vergonha e toca a dar no showbizz. O mais louco deles todos será sempre Spike Jones (1911-65), o mestre da música Novelty! Mas nem tudo o que luz é ouro na sua discografia e é preciso ter cuidado com os discos dele. Os melhores são dos anos 30 e 40 em que Jones e a sua banda City Slickers eram virtuosos e tão rápidos como os Mr. Bungle em ritmo e mudança de sons. Jazz combo com cabras para berrarem ao tempo certo, disparos de pistolas, o "latrifone" e anões completavam o Freak Show. Estas colectâneas fazem esse apanhado, por exemplo:

Baratas por aqui e aqui. Mas há mais discos e os nos anos 50 e 60 passam mais a serem espectáculos radiofónicos, pode-se assim dizer. O humor passa a ser "teen", arrotos, piadolas irreverentes para putos, sintonizando com a revista Mad - aliás, Jack Davis (1924-2016) fartou-se de lhe desenhar capas.
Novamente: baratinhos aqui e aqui. Estes são LPs que reciclam as músicas dos anos 30/40 seguindo um guião temático. Por acaso a primeira parte de Dinner Music for People who aren't very hungry até acaba por ser giro porque brinca com o conceito da "alta fidelidade" sonora, que poderá ter muita importância para um brincalhão como Jones! Mas nada bate temas como o My old flame que nem o Nick Cave seria capaz de escrever tal letra violenta ou a velocidade punk de You always hurt the one you love, paródias de "hits" da altura. Aí é que está o Spike Jones que interessa.
domingo, 29 de abril de 2018
Procissão
sábado, 28 de abril de 2018
Um mundo melhor
O Alan Moore reciclou o "smile" que depois foi adoptado pela cultura Rave e tornou-se no ícone do Techno e do Ácido. O mesmo fez das máscaras do Guy Fawkes o novo ícone pseudo-anarquista / hacker / anti-globalização. Será o único autor de BD que contribuiu para um mundo melhor? [Eu não escrevi isso! Fui hackado de certeza!!]
Há o Richard McGuire, um grande ilustrador que por acaso fez uma BD seminal em 1989, "Here" na revista Raw - esqueçam a sua "graphic novel" homónima, mero exercício de estilo inútil e desinspirado. Claro que a BD percorreu apenas quem se interessa pela BD à séria, por isso não foi através dessa BD que ele influenciou meio-mundo - embora é certo que o "Here" por ser uma ruptura formal fez muitas cabeças pensarem no assunto e usarem o ensinamento noutras obras. Mas foi através da música dos seus Liquid Liquid, onde era baixista, que ele deixou marca da grande.
Ouvir o tema Optimo é ouvir o Querelle dos Pop Dell Arte, Bellhead também lembra algo nos Pop Dell Arte, o baixo de The Cavern foi samplado por sabe-se lá quantas bandas de Hip Hop e outras, logo a começar pelo Grandmasterflash and the Furious Five - no tema White Lines - que deu azo a processos judiciais entre editoras - a mafiosa Sugarhill dos rappers contra a 99 Records que editava a No Wave nova-iorquina. A 99 perdeu dinheiro e foi-se uma editora que apostou em todo um novo universo sonoro.
O CD Slip In And Out Of Phenomenon (Domino; 2008) reúne a discografia inteira da banda, mesmo quando antes se chamavam Liquid Idiot, o que se resume a uns três EPs, entre 1981 e 1983, mais uns extras e raridades. Baixo pulsante, poliritmia, gritinhos & guinchos (nos anos 80 o pessoal guinchava e gritava muito), Rock mais perto da dança Funk e do Dub, os Liquid Liquid tiveram uma carreira fora do normal. Mais ou menos ignorados pelo grande público enquanto existiam, tiveram réplicas ao longo dos tempos, do Hip Hop aos LCD Soundsystem, dos Pop Dell'Arte aos "ringtones", enfim muita coisa não existiria sem esta banda e o baixo de McGuire...
sábado, 21 de abril de 2018
quarta-feira, 18 de abril de 2018
Mesmo a tempo
Antes dos Sleaford Mods serem conhecidos houve os Von Südenfed - ou seja o recém-falecido Mark E. Smith (1957-2018) com os Mouse On Mars - num disco intitulado Tromatic Reflexxions (Domino; 2007). Um disco estranho sobretudo quando Smith era conhecido por desdenhar a música electrónica de "Clubing"- ainda assim, anos antes ele tinha feito uma participação com Ghostigital mas não lhe chamaria de "Clubing". O que dizer deste disco? Simples soa ao maluquinho da aldeia que pegou no microfone da festa enquanto o DJ Ride punha som. E não vale a pensa fantasiar que isso poderia ser interessante...
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