terça-feira, 26 de março de 2019

John Peel e Sheila Ravenscroft : "Margrave of the Marshes" (Corgi; 2006)

 É a biografia oficial de um DJ que passou durante décadas a melhor música do mundo à pala dos impostos dos ingleses nas rádios estatais, executando real serviço público ao contrário de todas as outras putas e lixo que se encontram no sistema - como acontece cá com a nossa RDP e os seus "alvins". Apesar de alguma intimidade revelada pelo próprio e a sua esposa/ viúva, a escrita não é brilhante nem há histórias tão impressionantes apesar de ficarmos com a consciência plena que era um santo com pés de barro - ainda bem, nada pior que biografias higienizadas de virtudes. Através do livro dá para conhecer a figura de Peel (1939-2004) uma vez que nunca ouvi os seus famosos programas para perceber a personalidade deste melómano que tanto passava Reggae como Grindcore. Se a referência a estes dois géneros de música tão díspares parece uma graçola apenas, para mostrar um gosto ecléctico, no entanto quando Peel passou Reggae (finais dos 60) ou Hip Hop (anos 80) chegou a receber ameaças de morte por ser "música de pretos" ou de "música de pretos criminosos". Só por isso, merece respeito... e um livro!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Simon Spence : "The Stones Roses - War and Peace" (Penguin; 2013)

Bloody soap opera! É a forma mais simples de resumir este livro. Ou ainda se poderia dizer que esta é a história da melhor banda Pop dos finais dos anos 80 que assinou o pior contrato de sempre - até incentivaram a isso, tão convencidos que eram. Não deixa de ser fascinante a história desta banda e como estava sempre a dar um passo prá frente e dois para trás. Como trabalho jornalístico parece estar bem feito, sem histerias típicas da Britpop e os seus periódicos, levando a narrativa com justiça desta cambada de "lads" estoicos - imagino como será sobre os Happy Mondays que Spence escreveu posteriormente.
De resto é burrice, egos, curte de vida Rock'n'Roll, dinheiro ou dívidas a mais, fracassos e sucessos - aliás, é uma banda que produziu pouco mas tudo o que fez foi sempre para os Tops de vendas, mesmo quando se tratavam de reedições décadas depois, poucas poderão ter este estatuto.
Dois cenas curiosas que este livro mostra, os grandes números da indústria do Pop britânico comparados com os dos EUA são "peanuts" e é incrível a quantidade de palavras gastas por Spence para descrever as roupas dos elementos da banda cena a cena. Uma biografia da Lady Gaga será tão diferente como esta? Talvez não...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Punks perdidos no tempo e no espaço...

Montes de discos nas últimas semanas (cóf cóf) e sem paciência para dizer muito sobre eles. Não que sejam discos maus, se calhar até muito antes pelo contrário, só ando pouco inspirado para escrever sobre música nas últimas semanas (cóf cóf), especialmente depois de ler os livros do Ian F. Svenonius. Tudo parece fítul depois de ler os seus ensaios marxistas sobre o Pop / Rock.

O álbum homónimo dos Lost Sounds - o sexto deles? ou o quarto de originais? - tem uma capa patética e horrorosa mas felizmente o som é fixe. Punk Rock com sintetizadores e muito groove como só os norte-americanos sabem fazer, afinal foram eles a inventar o Rock. Editado pela importante In the Red Records. Obrigado ao boss Daniel Dias pelo disco e mostrar que o rock não morreu! Mas espera lá, este disco é de dois mil... e... quatro!


Mais para trás, o segundo (?) disco dos Logical Nonsense, Soul Pollution de 1995 - reeditado em 1997 pela Alternative Tentacles. É Hardcore, Crossover e Crust ou algo no meio. Som potente. Menos interessante que o álbum seguinte Expand the hive. Chequem estes gajos, é daquelas bandas que ninguém quer saber mas que são chapada na cara. O CD foi adquirido na loja Megastore by Largo que agora tem uma enorme variedade de discos Punk & filhos.




Daí que aproveitei e fui ao passado ouvir coisas que ou me passaram ao lado ou que ouvi de raspão em k7s de amigos nos anos 90. Como por exemplo os Mucky Pup, uns Hardcores metalizados que sempre serão recordados como uns brincalhões. Daquelas bandas meio palhaças. Certo! Quase soa a Anthrax, têm trejeitos - basta ouvir Someday - mas o que impressiona depois de 30 anos de A boy in a man's world (Torrid / Roadrunner; 1989) é o à vontade da banda em que não só arrota as suas postas de pescada mas sobretudo saltitam de sons sem haver uma repetição exaustiva de um género ou sub-género. Neste novo milénio, tudo o que é do espectro de Rock Pesado é uma chachada em loop, como se fazer uma faixa dedicada aos três porquinhos fosse denegrir a imagem de uma banda porque ela tem de ser séria e profissional. Interessante como o mundo mudou para um mundo de covardes com medo das aparências. Longe de ser uma obra-prima, é apenas um disco divertido de se ouvir na esperança de descobrir a Fonte da Juventude.

Outro de 1989 é Metal Devil Cokes (R Radical) dos MDC ou Millions Of Dead Cops ou Millions Of Damn Christians ou Millions Of Dead Children ou Millions Of Deceived Citizens ou Multi Death Corporations ou Mesinha de Cabeceira (not!). Banda punk norte-americana "engajada" politicamente - das primeiras no punk dos EUA? - na defesa dos direitos dos animais, vegetarianismo, causa queer, anti-capitalismo, anti-consumismo,... Lembrava-me de algo desagradável na banda e claro, é a parte "folk" deles. Não deixa de ser surpreendente eles fazerem, especialmente deveria ter sido duro nos concertos cheios de rapazolas suados a vomitarem testosterona apanhar com momentos mais... cantantes e menos "mosheiros". Curioso ainda assim, lembra coisas muito lá para trás.

Por fim, dois bons discos que se destacam no meio desta punkalhada:



Kylesa é mais Sludge que outra coisa - mas Time will fuse it's worth (Prosthetic; 2006) foi mais tarde reeditado pela Alternative Tentacles - com duas baterias. Isto simplifica a banda, porque falta dizer que são estaladão! Um bocado repetitivo e arrastante  (caramba, é Sludge!) mas capazes de ir buscar mais um som ou outro aqui e acolá como a Intro e Outro por exemplo tem tribalismo, pena ser só no inicio e fim do disco, ou um piano num dos temas. Fiquei fã, ei-de de procurar mais discos. Nada mau, confirma que os últimos bons discos foram quase todos gravados em 2006!
Oops! Wrong Stereotype é uma típica colectânea da Alternative Tentacles, com uma capa de Windsor Smith as bandas do momento. Neste caso em 1988 bombava NoMeansNo (que velocidade!), Alice Donut (adoro um disco deles, o que está aqui parece-me fora do que estava habituado mas contam uma história violenta que "only in America"), os industrialitas Beatnigs entre outros e claro o chefe da editora Jello Biafra com um excerto de um "spoken word" seu. De referir, facto que desconhecia, que Biafra começou a fazer "spoken words" porque achava mais emocionante confrontar o público com os seus textos políticos do que ir com uma banda repetir as mesmas lenga-lengas de sempre. Curioso, perigoso e audaz! Agora percebo tudo!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

P/B



Duas bandas míticas da cena EBM / Industrial. Um disco de merda e outro bom. Os Nitzer Ebb pode ter um dos melhores temas de dança de sempre (Getting Closer, de 1990) mas nem tudo o que fizeram era bom - os Front 242 passavam-lhes à frente - e ainda menos quando é um regresso de envelhecidos. Industrial complex (Major; 2010) é tão óbvio onde querem chegar que nem dá vontade de partir. Pior ainda é o CD extra de remisturas, perfeitamente redundante e anacrónico. A evitar. É terrível quando estas cenas acontecem. Já os Skinny Puppy nunca deixaram isto acontecer, hanDover (Synthetic Symphony / SPV; 2011) obriga a ouvir várias vezes à procura de novas leituras e desnortes sonoros. Sons de máquinas levados à procura de Humanidade e humanos a tentarem ser nano-insectos-robots, em que há lugar para drama teeny-boper, foleirada Dark e dança adulta. É o terceiro álbum quando os membros da banda voltaram a dar as mãos (ó capa tosca! nem parece da banda que é) e nem que passe 40 anos nunca nunca nunca irão desiludir!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

EVROPSKO NASLEĐE U SAVREMENOM AUTORSKOM STRIPU I ILUSTRACIJI


Fiz uma BD para o Festival Nova na Sérvia, como sempre através do amigo Aleksandar Zograf
É sobre os fascistas do Pingo Doce e a Herança Europeia. 

Foi no ano passado
+ informações da exposição AQUI!

O catálogo chegou todo em papa e bem encharcado - coincidência máxima, as únicas páginas que consegui abrir deste bloco de celulose foi na minha (ena!) e do do Zograf (a sério!), há magia ou quê? Espero por outro exemplar e ficam imagens da cena...








Textos a acompanhar o catálogo

Europe have this perverse idealist image that "we" are better than “Amerikkka”. That we're more educated with a superior humanistic heritage but… just try to draw Tintin without permission and you’ll see what will happen to you. Or doing a reinterpretation of Maus – remember how Flammarion obliged the destruction of the Katz book by Ilan Manouach and 5éme Couche? No, my friends, Europe is rotten to the core with a disgusting corporative culture. This comix is a small slice-of-life, a simple observation of another person working in a big company that it’s shaping his life. 

Marcos Farrajota (1973) works in Lisbon Comics Library and is founder of Mesinha de Cabeceira zine (27 issues), Chili Com Carne association and MMMNNNRRRG label. He’s also a comics author with nine books out, four as complete autobiographical author, other as fiction writer with João Fazenda and Pepedelrey. International bibliography includes comix and articles in zines, newspapers and books like Stereoscomics Special SPX (France), Milk+Wodka (Switzerland), Prego and Pindura (Brazil), White Buffalo Gazette (USA), Free! Magazine and Kuti (Finland), Stripburger (Slovenia), La Guia del Comic (Spain), Inguine Mah!gazine, Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti, Crack On and Quadradinhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Italy), Kuš! (Latvia), Metakatz (5éme Couche, Belgium), No Borders (Alt Com), Sekvenser and Bild & Bubbla (Sweden) and Skulptura? (Cultural Center of Pancevo).

O catálogo ensopado:



E ontem recebi os catálogos como deve ser, ufa!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Bob Dylan : "Crónicas - volume 1" (Ulisseia; 2005)

Os poucos livros sobre música editados em Portugal são algumas letras de músicos ou as suas biografias. Esta é uma delas da controversa figura de Bob Dylan, que apresenta uma série de "crónicas" ou memórias soltas escritas de forma não-linear, da mesma forma como a sua figura e música também não são lineares de todo. Livro bem escrito e tal, não deixa de me fazer sentir que poderia estar a ler o Mein Kampf ou a biografia de um jogador da bola. Há um "eu" tão grande como o iate dele que se quebrou nos anos 80. Ian Svenonius no The Psychic Soviet (Drag City; 2006) diz que o Dylan foi um traidor na luta de classes quando electrificou a guitarras para tocar Folk e faz sentido, o individualismo gringo intrínseco dele é/foi o que fez dele o maior da sua geração. Não é um gajo que possa cheirar o chulé dos outros. Por mim, não será depois de ler este livro que irei ouvir as suas musiquinhas. E além disso, prefiro o Leonard Cohen...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Yo! Oi!


Ena! Fui convidado pela Zerowork para fazer o "artwork" do CD do Phantom.
Tudo correu às maravilhas ao contrário de outras experiências!
Grande Rattus!

Dizem e com razão: A urgência do hip hop cruzada com a violência do punk. O sarcasmo do rap em forma do it yourself no estado mais puro. Um murro no estômago para os mais desprevenidos!



o original... ou parte dele...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Fuck Príncipe I got Kussondulola


Em 1995 o Mikas, guitarrista dos Primitive Reason, comprou o Tá-se Bem (EMI-VC; 1995) dos angolanos, residentes em Portugal, Kussondolola (que prontamente gravei para k7) com o statement sempre radical dele que era este o melhor disco do ano em Portugal, senão o de sempre. Agarrado aos Rocks achei aquilo (muuuuito) exagerado. Passados 24 anos acho que até lhe dou razão. O álbum sai incólume ao teste do tempo, tem o melhor groove de dança alguma vez feito em Portugal, as letras de Janelo mantêm-se cantaroláveis, contundentes e emblemáticas, numa fusão inteligente de Reggae e Afro-Pop. A produção mais limpa que um rabinho de bebé (ah!?) na altura chocou-me um bocado mas mais do que nunca fez e faz todo o sentido, todos os bongos ou teclados ouvem-se com a clareza que Jah (zeus!) desejaria para os seus guerrilheiros músicos passarem a mensagem ao mundo. Um dos melhores discos dos anos 90 para começar!

Que belo natalixo, Dr. Fon-Fon!

domingo, 20 de janeiro de 2019

Curiosidades sonoras



Dois livros comprados na Blackwell (uma alternativa para quem acha que não há formas de combater a merda da Amazon e sua subsidiária Book Depository). A History of Silence :  From the Renaissance to the Present Day (Polity; 2018) do francês Alan Corbin desilude quem espera algo mais cronológico e organizado. Corbin salta pela Literatura, Arte e Filosofia vários temas relacionados com o silêncio, seja no seu aspecto mais íntimo ou repressor. Aos dias de hoje pouco chega, talvez porque vivemos em ruído absoluto e panóptico. The Sound of Nonsense (Bloomsbury; 2018) do inglês Richard Elliott é uma tese engraçada sobre justamente o que soa o "sem sentido" na música, como ele está muitas vezes disfarçado por outros elementos mais "sérios". Partindo da Literatura até à música Pop, é dada comida pró cérebro. São dois livros que mereciam tradução portuguesa. Senão já sabem, antes que o Brexit dê cabo da circulação de livros, são edições inglesas e se há quem saiba fazer livros são os porcos dos ingleses!

sábado, 19 de janeiro de 2019

Que bem! O gato vai ter livro!


O Gato Mariano : Críticas Felinas (2014-2018) 
 de 
Tiago da Bernarda

A lançar dia 19 de Janeiro de 2019 na Casa Independente.





 A música portuguesa sob o escárnio de um gato desbocado.

Peludo, porte médio, língua afiada. É assim que Tiago da Bernarda descreve o seu alter-ego, mais conhecido como Gato Mariano, o crítico felino que vagueia os confins da Internet. É nesse lugar amorfo e amoral que, desde 2014, tem vindo a discutir sobre os mais recentes projectos da música alternativa portuguesa.

 O que começou como webcomic vira agora uma antologia que reúne as melhores tiras dos últimos quatro anos, num intenso volume de  144 páginas, muitas delas a cores (18x25cm) e uma super-capa com cortante de gato assanhado!

 O Gato Mariano é uma das grandes criações da década (estimativa conservadora) em Portugal. Possivelmente nunca lhe será feita devida justiça, até porque um dos encantos que tem é a "subterraneidade", o traço e as reflexões como nos grandes mestres de apelo clandestino na BD do final do século passado. Não é um Kochalka português, nem um Tony Millionaire português, nem um Mike Diana português; é um Tiago da Bernarda português. 
Samuel Úria

...


Volume 13 da Colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido no mundo dos fanzines e afins. Editado por Marcos Farrajota, design de Joana Pires e publicado pela Associação Chili Com Carne, o presente volume apresenta uma selecção de várias BDs da série O Gato Mariano publicado originalmente em várias plataformas em linha, desde 2014, com o nome Críticas Felinas (actualmente em instagram.com/ogatomariano_), no sítio Rimas e Batidas, nos zines O Gato Mariano Não Fez Listas em 2015O Gato Mariano não fez listas e confrontou um fã que disse não perceber as suas reviews em 2016 e O Gato Mariano não fez listas em 2017 e nos dois números do fanzine Mariano (2016-17).

Esta edição teve o apoio do IPDJ, Lovers & Lollypops e Thisco.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Letra para uma banda Crusty

Em Agosto de 2014 escrevi uma letra baseada nesta fotografia:



teu cérebro é anónimo 
fala do Fawkes 
produto Hollywood 
e nada sabes do Moore 

metes a máscara 
armado em anti-capitalista 
palhaço do caralho 
"made in China" 'tá fora da tua vista


O título é P for Punheta... Os FDPDC aceitaram fazer a música mas mudaram a letra por questões de métrica e não sei o quê. Fez parte da colectânea em CD do(s) livro(s) Punk Comix / Corta-E-Cola lançado no dia 10 de Junho de 2017 na Feira do Livro de Lisboa, pela Chili Com Carne e Thisco em colaboração com a Zerowork Recordings.

Só depois de tema gravado é que me lembrei que afinal é "made in Brazil" e pior é nem me ter lembrado disto:



Entretanto sobraram cópias do CD e está para ser lançado um graphzine com 13 autores a ilustrarem as músicas dos disco. Eu fiquei com a minha, mesmo à egocêntrico!






quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Byron Coley e Branden Joseph: Hungry for Death: Destroy All Monsters (Boston University Art Gallery; 2011)

Os Destroy All Monsters são daquelas bandas que aparecem em mil referências mas nunca se liga a elas, não sei porquê, é como os Pere Ubu (que são da mesma altura) ou os Metal Urbain, mesmo sabendo que são obrigatórias e sem elas não existiriam os grandes Big Black, Sonic Youth, Pixies, etc...
Foi por mero acaso que cai neste livro com CD, que é um catálogo de uma exposição dedicada à banda que tem uma formação complexa quase de colectivo aberto ou mutante como os Amon Düül, Scritti Politti ou dUASsEMIcOCHEIASiNVERTIDAS com todas devidas distâncias. Pelo que se percebe do livro mais o CD com 30 anos de gravações a banda era mais virada para um esquema de Arte do que um circuito roqueiro, embora o tenha frequentado. Vê-se pelas imagens que dilapidam o lixo Pop à sua volta, muitas das imagens eram produções para um fanzine homónimo. As gravações durante anos foram limitadas a poucos registos oficiais e quase tudo que foi editado é posterior à existência da banda ou às suas segundas e terceiras vidas (já vista como uma referência musical). A postura era experimental no espírito dos Velvet Underground embora nos registos oficiais se oiça mais Punk Rock (com membros de Stooges e MC5 a passaram por aqui) do que neste CD que mete o dedo na ferida do Drone, pedaços áudio e experimentalismo Rock brutinho, sobretudo ao vivo, onde pelos vistos a performance seria mais importante que a música. Enfim, tudo para descobrir! Foram avisados ! (Se calhar já alguém vos tinha indicado os DAM mas não ligaram, né?)

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O melhor disco de 2018 é de 1998 e de 2019


A Rastilho quase só reedita nulidades mas no final de Dezembro do ano passado acertou na mosca: The Privilege Of Making The Wrong Choice dos Zen. Os Zen foram apenas a melhor banda de Rock dos anos 90, com um som original que passado este tempo todo ainda nem sei como definir: há Rock garageiro, Funk, Groove, Soul, Blues mas não é nada disto ao mesmo tempo. Esta é a terceira edição do disco, pela primeira vez em vinil, aproveitem, caragu!
Se a Rastilho reeditar os dois primeiros de Primitive Reason, o primeiro de Kussondolola e as demos dos The Astonishing Urbana Fall, podemos fechar o século passado e seguir em frente. Ah! E caso queiram saber o que sobreviveu de Zen, é fácil chama-se Plus Ultra.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

18 coisas favoritas



- Mário Rui Pinto [ed.]: Os Cangaceiros (Barricada de Livros; 2017)
- Ian Svenonius : The Psychic Soviet (Drag City; 2006)
- Mário Moura : O design que o design não vê (Orfeu Negro)
- Abbas Kiarostami : Close-up (1990)
- David Byrne (11/7, Hipódromo Manuel Possolo, Cascais)
- Luis Buñuel : O meu último suspiro (Fenda; 2006 - orig. 1982)
- Alfred Kubin : O Império do Sonho (Vega; 1986 - orig. Die Andere Seite; 1908)
- Ruppert & Mulot : O Reino (Douda Correria)
- Kode9 + The SpaceApe: Black Sun (Hyperdub; 2011)
- David Mazzucchelli : Asterios Polyp (Pantheon; 2009)
- Romeo Castellucci : Democracy in America (25/2, Teatro São Luiz)
- Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippo : The Lobster (2015)
- Exotic Esotérique, vol. 2 (Arte Tetra; 2017)
- Henfil : Diário de um Cucaracha (2ª edição, Record; 1983 - orig. 1976)
- Ho99o9 : United States of Horror (Toys Have Powers; 2017)
- Roberto Arlt : Escritor Fracassado e outros contos (Snob) 
- Apolo Cacho : El taco psicotrópico (AIA)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Senhores du Guerra!



Saiu a k7 Dor de Costuleta Deluxe !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Todos os anos a MMMNNNRRRG lança uma k7 de música provocadora, só par desenjoar dos livros! 
Este ano foi a edição de luxo do primeiro disco de Black Taiga com uma faixa extra com DJ Privilégio e remixes do tema Porcos de Guerra pela editora / colectivo Rotten / Fresh e o seu incrível "roster" de produtores electrónicos: Buhnnun, DJ Crime, Império Pacífico, Östrol e UNITEDSTATESOF.

limitada a 66 cópias, a ilustração supavaporwave é do André dos Madokas com design-de-caixa-supimpa pela So What Produções.

à venda aqui



Dor de Costuleta Deluxe
é uma co-edição MMMNNNRRRG + Rotten \\ Fresh e contem:

Lado A - Dor de Costuleta (2014) produzido por Walt Thisney
Anos do Leão
Vila Glútea (Tanzânia)
Porcos da Guerra
DJ Privilégio vs BT : Porcos de Guerra ODC (faixa extra)

Lado B - Remixes  Rotten \\ Fresh (2018)
Porcos da Guerra - Linha 3 / Buhnnun
Porcos de Guerra (Taiga Riddim) / DJ Crime
Porcos di Guerra IP Remix / Império Pacífico
Porcos do Guerra Polizei rmx / UNITEDSTATESOF
Porcos du Guerra Honeyglass remix / Oströl




Historial:

lançamento no dia 22/12/18 no Desterro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

web .2 tone .2

Não há nome para esta nova música  Clipping  excitante como   #Stealing Orchestra ou   #Dälek  novos territórios  Hip hop serve de base  CLPPNG de 2014 pela   Sub Pop   exemplo   video-clips   #Whitehouse goes MTV  coros infantis  único R'n'B aceitável com alarme do despertador com o único R'n'B aceitável no Universo  berbequim Techno Tarantino    #John Cage shit  Trap mutante  Noise para as massas  how high is your low brow? Razia!  Random Music mas com  atitude   O Cage foi à disco engatar

Culpados disto tudo  se calhar  Death Grips que desde cedo com o seu segundo álbum (ou primeiro oficial?)  The Money Store   (Epic; 2012)   mostraram que seriam sempre  rock híbrido - chama-se a isso de   punk rock  ? o feeling é esse mesmo que já não se possa meter o mofo da bateria + guitarra + baixo + voz   isto é rock ciborgue  electrónica rapada  para mim é impossível dizer o que soa   Eu Juro!  já ouvi este CD   mil vezes   e sempre quando ele acaba   ainda não percebi o que se passou  o que ouvi  o que aconteceu  é como ouvir a primeira vez o Last Rights dos #Skinny Puppy  ou  Beers, Steers and Queers dos #Revolting Cocks   Rembradt Pussyhorse dos #Butthole Surfers  não é todos os dias que isto acontece ...  Punk weight!



PS  O   2 tone   era nome para um   Ska   não racista em que o ponto de honra era ter uma banda que tivesse elementos branquelas e negros  Clipping e Death Grips  sabendo das cores de peles dos seus elementos   (como se na verdade isso importasse para uma coisa - bom, na Amérikkka  importa pelos vistos)  parece isso   um 2 tone para um mundo de Trampa  mergulhado na   deep web

espera

há mais


Apareceu Zeal And Ardor... WTF!?  Imaginem o coninhas do Moby a fazer Black Metal   essa seria a melhor ilustração para este disco Devil is Fine (Reflections; 2016)  música de escravos americanos a cantarem Blues ou Gospel invertido, ou seja, a louvor de Satanás Nosso Senhor invés ao Porco Nazareno   Devil is fine (o primeiro tema) abre-nos o coração, não não são samplers como o triste do Moby a voz é verdadeira  In ashes arrebenta com os primeiros Blasts de Black Metal e ficamos confusos  claro  e mais ficaremos com intermezzos de electrónica  que tanto podem ser Trip Hop ou caixa de música de criança  como gamanço de arabescos à Çuta Kebab & Party   ou What Is A Killer Like You Gonna Do Here? é uma pequena intervenção Tom Waits    Children's summon parece o sonso do  Gonza Sufi mas com Black Metal            sempre isso "mas com Black Metal"   o idiota do José Luís Peixoto escreveu há 10 anos um artigo qualquer a dizer que o Black Metal nunca seria popular pela sua violência - já na altura o que ele escrevia era errado porque bastava entrar no metro de Berlim e ter bem presentes outdoors do último disco de #Dimmu Borgir   God good is a dead one entretanto fizeram um segundo disco a explorar a fórmula que não tem piada nenhuma apesar das revistas especializadas virem dizer muito bem, os metaleiros andam atrasados!

vi os Ho99o9 no Milhones 2016 e foi das melhores coisas que vi há             imenso       tempo      ! Era como ver Bad Brains ou Black Flag e nunca o poder ter os visto porque não tinha idade para estar lá em Washington D.C. nos anos 80 nem nunca iria/irei aos EU da amerdikkka    a sério!       Andei  louco até conseguir um disco deles  há um álbum - United States of Horror (Toys Have Powers; 2017)     fazem Hardcore melhor que a malta do Hardcore            e metalada, isto sim digno de sucessão de Discharge ou Slayer (vai na volta até samplam Slayer) ... mas fazem também dark Trap que a malta curte e tal em 2018 fuck! Tudo convive num disco de 46m que nada enjoa nada
a música pesada voltou a ter um ambiente de perigo depois de vinte anos de repetições ad nauseam


sábado, 24 de novembro de 2018