David Soares não pára! De performances spoken word a discos, de livros para a infância a livros de BD, agora este de ensaios, o homem está possesso!!! E damos Deo Gratias a isso, não é todos os dias que podemos ter acesso a livros novos de alguém que estimula a inteligência aos (seus) leitores. No caso deste novo título então, a bandeja de conhecimento é nos oferecida de forma simples e com algum humor negro.
Seja sobre Nazis, como foram criadas as câmaras de gás, bruxas, vampiros, a palavra badagaio, a autoridade, temos um rol de temas tenebrosos que a Humanidade criou em toda a sua História, toda ela corrompida por deturpações, mitos e mentiras pelos "Vencedores da História". Felizmente aprece Soares com espada de luz e erudição como aliás ele já o fazia nos seus blogues oficiais... E curiosamente do último blogue, já com a papa toda feita, Soares aproveitou apenas um texto ou outro. A maioria do livro são escritos inéditos invés de ter ido repescar ao passado como muita gente faz. É de se tirar o chapéu!
Só falta audácia gráfica no livro que funciona demasiado em chapa cinco - texto corrido, fotografias com legendas - tudo sem sal. Os Designers poderiam aprender muito com as composições das BDs para paginar livros. Ou então o Soares devia escrever um livro sobre isso para eles perceberem de vez!
De resto, se David Soares fizer disto uma série de livros será bem positivo. O Compêndio não é um livro "light" de graçolas (escrito por algum parvalhão mediático, por exemplo) mas também não é um manual científico de arrasar a mioleira ao pobre comum dos mortais. É um interessante apanhado de boas histórias de Alta Cultura e Baixa Cultura que Soares seleccionou para nos entreter - à beira da piscina, no café da esquina a beber minis, whatever... - mas sem NUNCA cair na futilidade. Há pouca gente que nos ofereça cultura desta forma. Venham mais cinco!
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Benjamin Brejon, Manuel João Neto [coor. ed.] : "Sonores : Sound / Space / Signal" (Soopa + Guimarães 2012; 2012)
Com um ano de diferença entre eles, eis dois livros que se complementam ou será o contrário? Ou não há relação possível?
A nível gráfico é nítido, o caos de Soopa (Soopa; 2011) era um assumir de uma estética do colectivo, quase uma declaração de intenções, um manifesto cacofónico impresso. Melhor ainda um mimo para quem gosta de livros... diferentes... ou até de músicas diferentes. Este novo título é um catálogo de eventos a decorrer na programação da Soopa para a Guimarães Capital da Cultura intitulada Sonores. Infelizmente mostra-se um livro pesado, institucional, luxuoso, limpinho e todos os defeitos que se quiserem apontar para os livros das instituições públicas (e privadas). É quase um novo-riquismo endérmico à portugalidade. Não que a Soopa não mereça o seu momento de "glória impressa", muito pelo contrário, e não quer dizer que o livro seja fútil - mais uma vez: muito pelo contrário. Só há aqui um primeiro choque de quem "os viu e quem os vê" pois é graficamente um objecto antagónico em relação ao primeiro livro do colectivo.
A nível de conteúdo complementam-se e até revela de forma mais clara as obsessões de Benjamin, Jonathan, Filipe & cia: a rádio enquanto shamã de fantasmas culturais e emissões obscuras; o Dub e o eco; o Amor, embora platónico, entre o foguete russo Sputnik e o Rei do Rock Elvis, que mesmo assim fecundaram a nossa cultura "trash"; o electro-paganismo; a mutação da tecnologia e do corpo humano musical;... temas recorrentes do colectivo Soopa, que são aqui mais bem arrumados para um público menos especializado.
A nível gráfico é nítido, o caos de Soopa (Soopa; 2011) era um assumir de uma estética do colectivo, quase uma declaração de intenções, um manifesto cacofónico impresso. Melhor ainda um mimo para quem gosta de livros... diferentes... ou até de músicas diferentes. Este novo título é um catálogo de eventos a decorrer na programação da Soopa para a Guimarães Capital da Cultura intitulada Sonores. Infelizmente mostra-se um livro pesado, institucional, luxuoso, limpinho e todos os defeitos que se quiserem apontar para os livros das instituições públicas (e privadas). É quase um novo-riquismo endérmico à portugalidade. Não que a Soopa não mereça o seu momento de "glória impressa", muito pelo contrário, e não quer dizer que o livro seja fútil - mais uma vez: muito pelo contrário. Só há aqui um primeiro choque de quem "os viu e quem os vê" pois é graficamente um objecto antagónico em relação ao primeiro livro do colectivo.
A nível de conteúdo complementam-se e até revela de forma mais clara as obsessões de Benjamin, Jonathan, Filipe & cia: a rádio enquanto shamã de fantasmas culturais e emissões obscuras; o Dub e o eco; o Amor, embora platónico, entre o foguete russo Sputnik e o Rei do Rock Elvis, que mesmo assim fecundaram a nossa cultura "trash"; o electro-paganismo; a mutação da tecnologia e do corpo humano musical;... temas recorrentes do colectivo Soopa, que são aqui mais bem arrumados para um público menos especializado.
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