terça-feira, 20 de agosto de 2019

Dear 2019

foto: Simão Simões.
Marcos Farrajota curte Freaker Unltd#6 após visita a excelente exposição Sunshowers.
Sem tretas, ao contrário do Pinóquio-Led que está a engrupir a dama num jantar nada romântico na merda da Lx Factory

- Ian F. Svenonius : Censorship now!! (Akashic; 2015)
- Charlotte Salomon : Vida? Ou Teatro? Charlotte Salomon. Berlim, 1917 – Auschwitz, 1943 (Museu Colecção Berardo) + Life? Or Theatre? (Taschen; 2017)
- Pietro Citati :  Israel e o Islão : As Centelhas de Deus (Cotovia; 2005)
- Ian F. Svenonius : Supernatural Strategies for Making a Rock 'n' Roll Group (Akashic; 2013)
- Zen : The Privilege Of Making The Wrong Choice (Rastilho; 2018 - orig. 1998)
- Olivier Schrauwen: Vies Parallèles (L'an 2 / Act Sud; 2018)
- Jafar Panahi : Dayereh / O Círculo (2000)
- Amedeo Bertolo : Anarquistas e orgulhosos de o ser (Barricada de Livros; 2018)
- Ethel Grodzins Romm : The Open Conspiracy: What America’s Angry Generation is Saying (Avon; 1971)
- Tom Hart : Hutch Owen - Unmarketable (Top Shelf; 2004)
- Rob Zombie : Hellbilly Deluxe (Geffen; 1998)
- Enda Walsh : Ballyturk (Artistas Unidos; 16/04)
- Rafael Álvarez, "El Brujo" : Ésquilo, nascimento e morte da tragédia (Festival de Teatro de Almada)
- Marcel Schmitz e Thierry Van Hasselt : Vivre à / Living in FranDisco (Frémok; 2018)
- Ema Gaspar (curadoria) : Sunshowers (5 Jan - 3 Fev; galeria da Ler Devagar)
- Beherit : Electric Doom Synthesis (KVLT; 2017 - orig. 1996)
- Joyce Farmer : Special Exits (Fantagraphics; 2014)
- Philip K. Dick : O Tempo dos Simulacros (Livros do Brasil; 1993 - orig.: 1964)
- Kurt Vonnegut : Matadouro cinco ou a Cruzada das Crianças (Caminho; 1990 - orig.: 1969)

terça-feira, 25 de junho de 2019

JAMM #1 (Fábio Lopes; Abr'19)


Dizem no seu manifesto que "gastaste três euros e meio nisto... [uma página] ...pode ser lixo mas ao menos é reciclável [página seguinte]". Ceeeeeeeeeeeeerto! Eu gastei mais porque mandei vir por correio entusiasmado pelo facto de ter aparecido "mais uma revista de música" / "just another music magazine", ainda mais uma publicação "indie" num país amorfo em que que só sobrou os senis dos metaleiros a publicarem uma revista sobre música (pesada) nas bancas. Devia ter desconfiado logo quando o Gato Mariano desmascarou logo as bizarras intenções desta malta. Afinal é uma revista profissional ou um fanzine a lutar por ideais e estéticas? 
Qualquer resposta seria interessante, pelo menos para mim. Uma revista profissional sobre música é sempre útil como uma revista sobre caça ou aeromodelismo, e um fanzine ainda mais porque é feito de obsessões dos seus editores e colaboradores. Nem carne nem peixe, apenas cáca!
Os editores da JAMM não são uns porcos capitalistas a querem-nos impingir música de merda (embora também o façam), são apenas uns "milleneals", vulgo, ignorantes e narcisistas. Que o seu editor queira aparecer em todas as fotografias da revista, tudo bem, mas que dê ao menos conteúdo nas suas 70 e tal páginas bem impressas maiores que A4. Na JAMM não se escreve uma única linha sobre música - conseguem acreditar? Entrevista figuras institucionais (presidentes de câmara e outros sinistros), escreve a explicar o que é uma mixtape ou um vinil (porque não existe wikipedia em 2019) mas não fala de uma única banda! A não ser que considerem duas sessões de fotografias tontas do Luís Severo (a pensar que ele já se chamou Cão da Morte!) e das Golden Slumbers (quem?) e pouco mais como promoção musical. Parece um jornal de escola para jovens empreendedores que precisam de alguma informação básica para investirem dinheiro. "Just Another Bitches and Money" deveria ser o título. 
Diz Fábio Lopes, o "boss" desta bosta, que não tem curso superior como desculpa por ter feito uma publicação inútil! Olha, meu, sabes não foram quadros de técnicos superiores que fizeram outras publicações sobre música no passado mas sim pessoas que se entregaram de coração e alma para divulgar bandas e projectos de outros sem pensar duas vezes se iam aparecer em fotos catitas! 
Dica da semana: a música é criada para além de preocupações de plataformas digitais ou fronteiras. Outra dica: a música electrónica de dança veio dos guethos dos EUA e das batalhas campais contra a bófia na Inglaterra, por isso nada mais estúpido do que escrever sobre instituições como entregas de galardões MTV (get off the air!? oh, obscura citação!) ou discotecas londrinas de "boom-tchica-boom-boom-boom" - um relato aliás, revelador da ética destes gajos que perdem uma amigo no meio de Londres mas 'tá-se bem, ele deve estar bem, Londres é tão pacífica à noite...
Quem me dera ter perdido apenas 3,5 euros! Mas a quem revenderia isto pelo mesmo preço ou menor? Vai é para o papelão e é já!

terça-feira, 4 de junho de 2019

Especialista em Shoegaze


Um exemplo de uma necessidade extrema de arranjar diversão no festival de BD mais aborrecido do planeta (yup, Beja!). Foto de André Pereira para o instangrana da Chili

terça-feira, 28 de maio de 2019

Eles nitidamente precisavam de mais tempo para gravar...


...Yes please (Factory; 1992) era o álbum dos Happy Mondays que iria safar a editora da falência mas pelo contrário engoliu-a de vez. Que se aprenda daqui, nunca fiar em agarrados e boémios para qualquer tipo de negócios. Disco considerado abaixo dos anteriores (porque é!), há pelo menos duas faixas más (Theme from Netto parece um ensaio de um grupo de baile), outras duas redundantes, aliás, quase tudo é puro Happy Mondays em repetido, o que não é propriamente mau uma vez que ninguém se queixou disso em Ramones ou Motorhead ou Slayer, por exemplo. 

Brilhante é o tema Cut'em Loose Bruce que compensa todo o caos do álbum, tema com um vocal feminino potente de Rowetta, um mini-Rap de Kermit, sons empilhados aos montes mas sobretudo com a banda transformada numa fodidíssima orquestra afro-cubana. Quem não mexer o rabo com este tema é porque tem problemas! Ah, pois, o disco foi gravado nos Barbados com a banda de rastos e totalmente intoxicada em drogas. Shaun Ryder acrescentou a voz só mais tarde, já em Inglaterra depois de alguma desintoxicação clínica. É um estranho disco, feito de camadas de Caribe e depressão branquela.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

terça-feira, 21 de maio de 2019

Homis ta tchora també



 Nem sempre se pode acertar, Mentis Afro (Edietox; 2008) dos Mundu Infernal é um CD de hip hop consciente com rap crioulo tuga. Pena que seja chato, mesmo com o crioulo a descoordenar as palavras deste pula, não bate, muito USA, apesar da boa produção e gravação. Ironia das ironias a melhor faixa do disco intitula-se Deja vú... Mas nunca se sabe quando se acerta! Terra Terra e o seu Volume 1 (auto-edição; 2007) já uma babilónia de sons cabo-verdianos e Hip Hop sem vergonha... Informação na 'net, zero. Tocar no PC também não dá porque está com um programa marado (anti-pirataria?), como não perder tempo com este underground luso-africano?

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Arabi Jazz



Antes de Amir ElSaffar e antes das foleiradas da ERC Records, em 1958 já se tinha fundido o Jazz com os sons das Arábias, graças a Ahmed Abdul-Malik (1927-1993) a tocar oud no East Meets West (Riverside). Nascido nos EUA, dizia que o pai dele era sudanês, mas "wikis" consultados dizem que o pai era das Caraíbas, bof, talvez por isso que Abdul-Malik não voltará a fazer discos assim (a peta não pegou?) - FAKE, volta a fazer um disco este-encontra-oeste em 1963!
No primeiro LP a fórmula ainda está para se descobrir mas é melhor que o segundo disco e mais tarde e melhor em Jazz Sahara (RCA, 1960) porque tem faixas mais longas, e por isso, mais adequadas às expansões melódicas da música árabe - especialmente a faixa El Haris / Anxious. Há muito saxofones intrometidos ao ritmo dromedário da coisa mas mais tarde ou mais cedo calam-se. Uma boa descoberta que me faz esquecer o excesso de ElSaffar...

terça-feira, 7 de maio de 2019

RIP Barbosa, RIP RE, RIP MMP


Faleceu o Barbosa e com isso qualquer hipótese de voltar a ver os Repórter Estrábico ou ouvir discos novos. Significa também que se já nem ouvia bandas Pop/Rock portuguesa - ficava-me por ler as tiras do Gato Mariano mas nem ia ouvir a merda que se produz - agora nada irá mover-me para ouvir o quer que for desse espectro. Foram os melhores!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Prova dos Nove

Para provar a inabalável certeza deste texto vamos lá ver, estive recentemente na Feira de Metal de Almada e trouxe uma mão cheia de CDs, compras aleatórias de gajo que ainda curte discos a 10 paus ou mais.
Tomb of Finland adquiri pelo nome parvo associado ao grande fazedor e ícone de BD gay Tom of Finland, só por isso valia a pena pegar nele se Frozen Death (Target; 2018) não fosse dos discos mais chatos de Doom/Death do mundo, e de sempre! São finlandeses gordos, bem na vida sem nada para dizer a não ser banalidades, curtem a Morte? Olham suicidem-se agora em Abril que é a altura mais popular para essas acções na Escandinávia. Ainda por cima tive de esperar uma eternidade para que o vendedor soubesse o preço desta merda, além que foi o mais caro do lote que trouxe e ainda ouvi a boca "isto é Doom com onda Death mas não é para Hipsters!". Ou o CD é uma grande merda ou eu sou uma grande merda de hipster, o que me estou bem a cagar porque sei que irei vender isto no discogs.com e recuperar o meu guito... E foi o que aconteceu, uma semana depois foi para um grego com falta de bom gosto!

Felizmente trouxe dois CDs de Beherit que deixam qualquer um K.O. Engram (KVLT; 2016) é de 2009 e é o mais purista na forma, ou seja Black Metal. Desta banda finlandesa que volta a ser banda e não projecto de um músico só. Vamos lá ver, Beherit faz parte da segunda geração de Black Metal, digna de rivalidade com os broncos noruegueses mas que rapidamente se desfez ficando Nuclear Holocausto (voz, guitarras e sintetizadores da banda e sim é o pseudónimo de um músico), dizia, Nuclear Holocausto ficou sozinho a criar mais dois discos electrónicos de má onda ambiental. Engram é puxado para os ouvidos virgens de BM, Aqui e acolá ouve-se uns samplers de Ambient a completar a coisa, mas mostra de quem sabe sabe e que não é preciso mais gente neste subgénero de música. Electric Doom Synthesis (KVLT; 2017) já é outro campeonato, é dos tais discos electrónicos de (Dark) Ambient, de 1996, e parece mesmo música feita para festa do Santo Cabrão, sobretudo impressiona por ser dinâmico na sua estrutura, pouco dado a repetições e drones tão na moda do século XXI. Lembra Throbbing Gristle que tinha feito algo 20 anos antes, tudo bem, mas um metaleiro é um metaleiro e vice-versa. Álbum impressionante que deve ter posto muita gente a pensar no futuro da música e na ninfa loura com maminhas à mostra do livrinho do CD - em LP deve ser melhor, claro!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Senior Metal

Felizmente com a normalização em curso da sociedade, as tribos urbanas estão a desaparecer. Felizmente a raça metaleira irá ser extinguida por serem os mais meninos delas todas. Felizmente comecei a colaborar com a revista Loud! em Janeiro deste ano e até já publicaram uma resenha escrita minha sobre o novo disco do DJ Balli mas... Infelizmente, entretanto, nada mais sei se continuo na redacção, não me respondem aos emails, os anormais.

A sério, o Metal é a terceira idade! No pior sentido do envelhecimento, ou seja, rabugice, hábitos inalterados, lentidão, nostalgia, incapacidade física, paternalismo e imposição da vontade por mais irracional que possa ser. Deveriam abrir novos Centros de Dia só para esta malta - bem que armaram-se em engraçadinhos o ano passado em Vagos, mal sabiam eles que estavam era antes a revelar a sua verdadeira face.

Em defesa da revista, não deixa de ser admirável que ela pura e simplesmente exista. O/a Blitz foi à vida no ano passado - adeus! Ninguém sentia a sua falta desde 2001 anyway! Porque que é que a Loud existe? Simples, o público metaleiro é fetichista e ainda compra discos, CDs ou vinilo, em pleno deleite de coleccionista completista, sem critério ou gosto. É o humano mais amigo do Capitalismo a seguir ao "normie", sem ele saber, apesar da sua dita oposição ao Sistema. Com um público fiel, o Metal ainda existe apesar da sua forma artística estar morta desde 2001 - só para coincidir com o Blitz!

A Loud! tem tudo como qualquer outro "template" de revista de música Pop/Rock: agenda, bisbilhotam o que uma banda está a gravar em estúdio, Top do ano, mixtape de um músico, músicos a adivinharem as bandas que lhes dão à escuta, entrevistas, resenhas, etc... SE novamente SE for no universo da "música pesada". Isto é fantástico! Vendo a desmaterialização da cultura por todo a parte, a revista acaba por ter pertinência num quiosque - versus a miséria editorial feita por grandes grupos económicos como a merdosa A Nossa Prima e quejandos.  Não há nenhuma revista assim em Portugal, é aliás a única de música e talvez a única de crítica que se possa acreditar da sinceridade dos seus escritores - ao contrário do bordel assumido das fracas figuras (mas cheias de ego) do Público e afins.

Não expectável e que topei neste número em que participei, é a quantidade de pontuações baixas aos discos. Não deveria ser assim, ou pelos menos tradicionalmente nos fanzines de Metal não acontecia isto, afinal quando se faz parte de uma cena é típico dar pontuações altas, raramente negativas, aos "irmãos" que te dão música e carne para canhão. O que aconteceu? Apanhei um mês mau de edições? Ou existe uma corrosão nas almas dos críticos que estão fartos do excesso?

Alguém consegue dizer quantos discos de Black Metal são editados por mês? E de Death? E de outro subgénero? Resposta: centenas! Isto sem mexer um milímetro do padrão criado entre os anos 70 e 90 do século passado. Tocam algo de relevante e que alguém se lembre um disco depois? Não! Daí que a Nostalgia pelos "anos dourados" do Thrash (Slayer), Death (Morbid Angel), Black (Venom) e Grind (Carcass) sejam sempre o ângulo de observação por todos os metaleiros. Nada bate aquele disco de Sepultura ou Candlemass. Nem no Rock tradicional há esta sensação de desamparo e orfandade, mesmo depois dos Beatles, Doors ou David Bowie terem ido desta para melhor.

Os Metaleiros são velhinhos xexés perdidos neste mundo do Caos da Aldeia Global. Tentam clarificar o espírito fazendo "checklists" de quantas vezes viram Godflesh (ao menos que seja Godflesh, foda-se) a tocarem ao vivo aquele álbum específico, quantas edições em cores diferentes têm de um disco de Black Sabbath, etc... É o consumidor mais passivo de sempre, o verdadeiro burguês agarrado ao "vil metal". Não percebo muito bem porquê ou como se deu esta deformação, afinal os metaleiros e as metaleiras dos anos 90 ou eram uns anjinhos lindos ou eram uns brutamontes bêbados mas não pareciam ser materialistas. Se calhar pensei assim, romantismo meu destas criaturas na altura. Uma fantasia que acabou e agora vejo-os como hipopótamos, não só por serem o público mais gordo em qualquer concerto mas sobretudo por serem conformistas.

Talvez tenha sido o Goth e o Black nos anos 90 que estragaram o Metal, trazendo a velhacaria da Extrema Direita e da má literatura. Ou a explicação mais simples é que o Rock e o Metal já têm 70 e 51 anos, respectivamente. É difícil ter uma cabeça aberta com estas idades, sejam de forma individual seja de forma colectiva. É natural, como os ranchos folclóricos, que o metaleiros e o Metal cristalizaram em tradicionalismos. Ficam pasmados por verem os putos irem ouvir Electrónica ou Hip Hop. Claro que sim! Melhor pegar num Software do que em riffs de dinossauros!!

Mas também não são assim os gajos do Jazz? Coleccionadores anais de discos. Tal como Jazz nos anos 60 quando era popular, o Metal deveria ser um ponto de libertação da classe operária. Os metaleiros como bem se sabe, são os que conduzem os nossos metros e taxis, são eles que fazem o design dos panfletos do Continente, são eles que trazem os discos e dildos que comprastes na puta da Amazon, são eles que carregam as tubagens dos sanitários, são elas que cuidam dos nossos bebés nos jardins de infância, caramba! No entanto... nada disso, só existe Morte e Demência.

Metaleiros do Mundo, zuni-vos e erguei-vos contra a alienação consumista! Só há uns Morbid Angel! Ou uns Mayhem! Não é preciso mais e mais e mais, sei que por cada metaleiro que comprar um CD será menos um “normal” a comprar um CD de Beyoncé ou dos Cure mas lutar fogo com fogo, meus amigos, nunca deu grandes resultados. Que tal, antes um encontro de todos vós, a bloquear as entradas de um Shopping num Sábado? De garrafão e/ou litrosa na mão, com picos nos braços e piaçabas em riste à entrada da H&M? Que tal oferecer os vossos milhares de discos de milhares de bandas sucedâneas que apodrecem nas vossas mediotecas a putos à porta da escola? Eles não conhecem Death mas podem ouvir uns outros quaisquer. É preciso é começar por algum lado… E se só um puto for convertido ao Doom, o sacrifício de ter oferecido todo o vosso lixo já terá valido a pena!!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

No fds do porco nazareno


Quem não consegue ouvir Beherit neste fim-de-semana deprimente, então que fique pelo EP Lily Lavender "Joy Of It" Fusion Confusion (Hockey Rawk; 2012) da (ou das?) Mole Says Hi. O mel social-democrata da Suécia criou uma sociedade em que tanto amolece o Death Metal (passou a chamar-se de melódico graças aos Carnage) e adocica ainda mais a Pop de doce que já é. E não há volta a dar, pensem nos Ghost e no meu querido Melanie Is Demented! Fazendo Mole Says Hi parte do movimento Twee Pop - como a "nossa" Moxila - o destino já estava traçado para um "burlesco" de e para tímidos.
Ouvir em 2019 este disco pode ser considerado um exercício para induzir depressão quando já basta este fim-de-semana dedicado à criatura mais deprimente de sempre, mas que fazer? Um sueco passou por cá e deixou-me o disco. And you know what!? Gostei imenso especialmente do Lado A que começa com sons estranhos e depois lá vai prá vozinha singela etc e troca o passo. Por momentos até achei que estava a ouvir algo original, o que se pode pedir meias em 2019?

terça-feira, 26 de março de 2019

John Peel e Sheila Ravenscroft : "Margrave of the Marshes" (Corgi; 2006)

 É a biografia oficial de um DJ que passou durante décadas a melhor música do mundo à pala dos impostos dos ingleses nas rádios estatais, executando real serviço público ao contrário de todas as outras putas e lixo que se encontram no sistema - como acontece cá com a nossa RDP e os seus "alvins". Apesar de alguma intimidade revelada pelo próprio e a sua esposa/ viúva, a escrita não é brilhante nem há histórias tão impressionantes apesar de ficarmos com a consciência plena que era um santo com pés de barro - ainda bem, nada pior que biografias higienizadas de virtudes. Através do livro dá para conhecer a figura de Peel (1939-2004) uma vez que nunca ouvi os seus famosos programas para perceber a personalidade deste melómano que tanto passava Reggae como Grindcore. Se a referência a estes dois géneros de música tão díspares parece uma graçola apenas, para mostrar um gosto ecléctico, no entanto quando Peel passou Reggae (finais dos 60) ou Hip Hop (anos 80) chegou a receber ameaças de morte por ser "música de pretos" ou de "música de pretos criminosos". Só por isso, merece respeito... e um livro!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Simon Spence : "The Stones Roses - War and Peace" (Penguin; 2013)

Bloody soap opera! É a forma mais simples de resumir este livro. Ou ainda se poderia dizer que esta é a história da melhor banda Pop dos finais dos anos 80 que assinou o pior contrato de sempre - até incentivaram a isso, tão convencidos que eram. Não deixa de ser fascinante a história desta banda e como estava sempre a dar um passo prá frente e dois para trás. Como trabalho jornalístico parece estar bem feito, sem histerias típicas da Britpop e os seus periódicos, levando a narrativa com justiça desta cambada de "lads" estoicos - imagino como será sobre os Happy Mondays que Spence escreveu posteriormente.
De resto é burrice, egos, curte de vida Rock'n'Roll, dinheiro ou dívidas a mais, fracassos e sucessos - aliás, é uma banda que produziu pouco mas tudo o que fez foi sempre para os Tops de vendas, mesmo quando se tratavam de reedições décadas depois, poucas poderão ter este estatuto.
Dois cenas curiosas que este livro mostra, os grandes números da indústria do Pop britânico comparados com os dos EUA são "peanuts" e é incrível a quantidade de palavras gastas por Spence para descrever as roupas dos elementos da banda cena a cena. Uma biografia da Lady Gaga será tão diferente como esta? Talvez não...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Punks perdidos no tempo e no espaço...

Montes de discos nas últimas semanas (cóf cóf) e sem paciência para dizer muito sobre eles. Não que sejam discos maus, se calhar até muito antes pelo contrário, só ando pouco inspirado para escrever sobre música nas últimas semanas (cóf cóf), especialmente depois de ler os livros do Ian F. Svenonius. Tudo parece fítul depois de ler os seus ensaios marxistas sobre o Pop / Rock.

O álbum homónimo dos Lost Sounds - o sexto deles? ou o quarto de originais? - tem uma capa patética e horrorosa mas felizmente o som é fixe. Punk Rock com sintetizadores e muito groove como só os norte-americanos sabem fazer, afinal foram eles a inventar o Rock. Editado pela importante In the Red Records. Obrigado ao boss Daniel Dias pelo disco e mostrar que o rock não morreu! Mas espera lá, este disco é de dois mil... e... quatro!


Mais para trás, o segundo (?) disco dos Logical Nonsense, Soul Pollution de 1995 - reeditado em 1997 pela Alternative Tentacles. É Hardcore, Crossover e Crust ou algo no meio. Som potente. Menos interessante que o álbum seguinte Expand the hive. Chequem estes gajos, é daquelas bandas que ninguém quer saber mas que são chapada na cara. O CD foi adquirido na loja Megastore by Largo que agora tem uma enorme variedade de discos Punk & filhos.




Daí que aproveitei e fui ao passado ouvir coisas que ou me passaram ao lado ou que ouvi de raspão em k7s de amigos nos anos 90. Como por exemplo os Mucky Pup, uns Hardcores metalizados que sempre serão recordados como uns brincalhões. Daquelas bandas meio palhaças. Certo! Quase soa a Anthrax, têm trejeitos - basta ouvir Someday - mas o que impressiona depois de 30 anos de A boy in a man's world (Torrid / Roadrunner; 1989) é o à vontade da banda em que não só arrota as suas postas de pescada mas sobretudo saltitam de sons sem haver uma repetição exaustiva de um género ou sub-género. Neste novo milénio, tudo o que é do espectro de Rock Pesado é uma chachada em loop, como se fazer uma faixa dedicada aos três porquinhos fosse denegrir a imagem de uma banda porque ela tem de ser séria e profissional. Interessante como o mundo mudou para um mundo de covardes com medo das aparências. Longe de ser uma obra-prima, é apenas um disco divertido de se ouvir na esperança de descobrir a Fonte da Juventude.

Outro de 1989 é Metal Devil Cokes (R Radical) dos MDC ou Millions Of Dead Cops ou Millions Of Damn Christians ou Millions Of Dead Children ou Millions Of Deceived Citizens ou Multi Death Corporations ou Mesinha de Cabeceira (not!). Banda punk norte-americana "engajada" politicamente - das primeiras no punk dos EUA? - na defesa dos direitos dos animais, vegetarianismo, causa queer, anti-capitalismo, anti-consumismo,... Lembrava-me de algo desagradável na banda e claro, é a parte "folk" deles. Não deixa de ser surpreendente eles fazerem, especialmente deveria ter sido duro nos concertos cheios de rapazolas suados a vomitarem testosterona apanhar com momentos mais... cantantes e menos "mosheiros". Curioso ainda assim, lembra coisas muito lá para trás.

Por fim, dois bons discos que se destacam no meio desta punkalhada:



Kylesa é mais Sludge que outra coisa - mas Time will fuse it's worth (Prosthetic; 2006) foi mais tarde reeditado pela Alternative Tentacles - com duas baterias. Isto simplifica a banda, porque falta dizer que são estaladão! Um bocado repetitivo e arrastante  (caramba, é Sludge!) mas capazes de ir buscar mais um som ou outro aqui e acolá como a Intro e Outro por exemplo tem tribalismo, pena ser só no inicio e fim do disco, ou um piano num dos temas. Fiquei fã, ei-de de procurar mais discos. Nada mau, confirma que os últimos bons discos foram quase todos gravados em 2006!
Oops! Wrong Stereotype é uma típica colectânea da Alternative Tentacles, com uma capa de Windsor Smith as bandas do momento. Neste caso em 1988 bombava NoMeansNo (que velocidade!), Alice Donut (adoro um disco deles, o que está aqui parece-me fora do que estava habituado mas contam uma história violenta que "only in America"), os industrialitas Beatnigs entre outros e claro o chefe da editora Jello Biafra com um excerto de um "spoken word" seu. De referir, facto que desconhecia, que Biafra começou a fazer "spoken words" porque achava mais emocionante confrontar o público com os seus textos políticos do que ir com uma banda repetir as mesmas lenga-lengas de sempre. Curioso, perigoso e audaz! Agora percebo tudo!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

P/B



Duas bandas míticas da cena EBM / Industrial. Um disco de merda e outro bom. Os Nitzer Ebb pode ter um dos melhores temas de dança de sempre (Getting Closer, de 1990) mas nem tudo o que fizeram era bom - os Front 242 passavam-lhes à frente - e ainda menos quando é um regresso de envelhecidos. Industrial complex (Major; 2010) é tão óbvio onde querem chegar que nem dá vontade de partir. Pior ainda é o CD extra de remisturas, perfeitamente redundante e anacrónico. A evitar. É terrível quando estas cenas acontecem. Já os Skinny Puppy nunca deixaram isto acontecer, hanDover (Synthetic Symphony / SPV; 2011) obriga a ouvir várias vezes à procura de novas leituras e desnortes sonoros. Sons de máquinas levados à procura de Humanidade e humanos a tentarem ser nano-insectos-robots, em que há lugar para drama teeny-boper, foleirada Dark e dança adulta. É o terceiro álbum quando os membros da banda voltaram a dar as mãos (ó capa tosca! nem parece da banda que é) e nem que passe 40 anos nunca nunca nunca irão desiludir!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

EVROPSKO NASLEĐE U SAVREMENOM AUTORSKOM STRIPU I ILUSTRACIJI


Fiz uma BD para o Festival Nova na Sérvia, como sempre através do amigo Aleksandar Zograf
É sobre os fascistas do Pingo Doce e a Herança Europeia. 

Foi no ano passado
+ informações da exposição AQUI!

O catálogo chegou todo em papa e bem encharcado - coincidência máxima, as únicas páginas que consegui abrir deste bloco de celulose foi na minha (ena!) e do do Zograf (a sério!), há magia ou quê? Espero por outro exemplar e ficam imagens da cena...








Textos a acompanhar o catálogo

Europe have this perverse idealist image that "we" are better than “Amerikkka”. That we're more educated with a superior humanistic heritage but… just try to draw Tintin without permission and you’ll see what will happen to you. Or doing a reinterpretation of Maus – remember how Flammarion obliged the destruction of the Katz book by Ilan Manouach and 5éme Couche? No, my friends, Europe is rotten to the core with a disgusting corporative culture. This comix is a small slice-of-life, a simple observation of another person working in a big company that it’s shaping his life. 

Marcos Farrajota (1973) works in Lisbon Comics Library and is founder of Mesinha de Cabeceira zine (27 issues), Chili Com Carne association and MMMNNNRRRG label. He’s also a comics author with nine books out, four as complete autobiographical author, other as fiction writer with João Fazenda and Pepedelrey. International bibliography includes comix and articles in zines, newspapers and books like Stereoscomics Special SPX (France), Milk+Wodka (Switzerland), Prego and Pindura (Brazil), White Buffalo Gazette (USA), Free! Magazine and Kuti (Finland), Stripburger (Slovenia), La Guia del Comic (Spain), Inguine Mah!gazine, Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti, Crack On and Quadradinhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Italy), Kuš! (Latvia), Metakatz (5éme Couche, Belgium), No Borders (Alt Com), Sekvenser and Bild & Bubbla (Sweden) and Skulptura? (Cultural Center of Pancevo).

O catálogo ensopado:



E ontem recebi os catálogos como deve ser, ufa!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Bob Dylan : "Crónicas - volume 1" (Ulisseia; 2005)

Os poucos livros sobre música editados em Portugal são algumas letras de músicos ou as suas biografias. Esta é uma delas da controversa figura de Bob Dylan, que apresenta uma série de "crónicas" ou memórias soltas escritas de forma não-linear, da mesma forma como a sua figura e música também não são lineares de todo. Livro bem escrito e tal, não deixa de me fazer sentir que poderia estar a ler o Mein Kampf ou a biografia de um jogador da bola. Há um "eu" tão grande como o iate dele que se quebrou nos anos 80. Ian Svenonius no The Psychic Soviet (Drag City; 2006) diz que o Dylan foi um traidor na luta de classes quando electrificou a guitarras para tocar Folk e faz sentido, o individualismo gringo intrínseco dele é/foi o que fez dele o maior da sua geração. Não é um gajo que possa cheirar o chulé dos outros. Por mim, não será depois de ler este livro que irei ouvir as suas musiquinhas. E além disso, prefiro o Leonard Cohen...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Yo! Oi!


Ena! Fui convidado pela Zerowork para fazer o "artwork" do CD do Phantom.
Tudo correu às maravilhas ao contrário de outras experiências!
Grande Rattus!

Dizem e com razão: A urgência do hip hop cruzada com a violência do punk. O sarcasmo do rap em forma do it yourself no estado mais puro. Um murro no estômago para os mais desprevenidos!



o original... ou parte dele...