sexta-feira, 16 de março de 2018

18 coisas favoritas



- Mário Rui Pinto [ed.]: Os Cangaceiros (Barricada de Livros; 2017)
- Scurú Fitchadu : Scurú Fitchadu (Zerowork; 2017)
- Holy Palms : Jungle Judge (Arte Tetra; 2016)
- Tones on Tail : Pop (Beggar's Banquet; 1984)
- Jared Gardner :  Projections : Comics and the History of the Twenty-First-Century Storytelling (Post 45 / Stanford University Press; 2012)
- Billy Wilder : Quanto mais quente melhor (1959)
- José Sainz &Alejandro Bidegaray [ed.]: El Volcán - Un presente de la historieta latinoamericana (EMR + Musaraña; 2017)
- Abbas Kiarostami : Close-up (1990)
- Julinho da Concertina : Diabo Tocador (Celeste Mariposa)
- Michael Cook : O Alcorão (Quasi; 2006)
- Pedro Almodovar : Que fiz eu para merecer isto! (1984)
- Tiago da Bernarda : O Gato Mariano não fez listas em 2017 (ed. de autor)
- Rabu Mazda & Van Ayres : Acácia / Cinza (Cafetra?; 2016?)
- Martin Scorcese : O Rei da Comédia (1982)
- Sidney Lumet : 12 Angry Men (1957)
- Armando Silva Carvalho:  Portuguex (Diabril, 1977)
- Carlos Natálio, Luís Mendonça e Ricardo Vieira Lisboa [ed.]: O Cinema Não Morreu : Crítica e Cinefilia à pala de Walsh  (Linha de Sombra)
- Mater Suspiria Vision / ℑ⊇≥◊≤⊆ℜ : Zombie Rave / First Flesh (2012)



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CIA info 88.5


Capa para um single 7" de uma banda lisboeta que não dá bocas - como alguns cabrões que andam por aí... Falo dos mutantes dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS que lançaram o disco no passado Domingo 28 de Janeiro, no Atelier Concorde (Rua Leite Vasconcelos, 43A à Graça). E decidiram fazer exposição das capas até dia 1 de Fevereiro!

Resta dizer que o single é limitado a 33 cópias e cada cópia tem um desenho original do ilustrador!!!
Obrigado Boris & João pelo convite!



O novo single dos infames dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS foi gravado, misturado e masterizado pelo maestro Milo Gomberoff no estúdio Hukot em Barcelona durante a KsChNpSk Tour e que foi lançado numa edição ultra-limitada em vinil transparente com capas originais de 33 artistas, a saber: Aleksi Laisi, Anafaia Supico, Ana Farias, Anatureza, André AFTA3000, André Lança, Animal Sentimental, Aude Barrio, Bárbara Assis Pacheco, Barbara Meuli, Begoña Claveria, Binau, Carlos Gaspar, Daniela Rodrigues, Germes Dean, Gonçalo Duarte, Irene Fernández Arcas, Jaime Rydel, José Smith Vargas, Juanito, Kro, Luís Luz, Marcos Farrajota, Mariana Marques, Mário Pegado, Marta Sales, Martina Manyà, Miss Inês, Moca, Nuno Barroso, Pedro Costa, Sara Franco e Vicente Nunes.



parece que prá semana já há o fanzine de todas as ilustrações, yes!!! isto sim, gente que faz e cumpre!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Child porn


Dois Bauhaus em 1984 gravam Pop (Beggars Banquet) depois de uma série de singles. Há também uma versão diferente deste disco para os gringos - e com uma capa completamente infeliz, no que faz pensar se foi pelo pipi da miúda... Os Tone on Tail são os Bauhaus ainda mais Dub e ambientais, armados com sintetizadores e com a voz de Daniel Ash a chegar aos Love & Rockets - projecto que iria unir os três Bauhaus (sem Peter Murphy) depois do fim da banda. É um disco inesperado que tanta anda no Dark Pop do Cabaret como um psicadélico ganzado, pelo meio desvia-se em synth pop para pista de dança muito 80s mas sempre com detalhes de quem sabe o que faz. Só de pensar que em 2017 as pessoas curtem merda pura como os "cigarros depois do pinanço" dá no que pensar em quanto "devoluimos"...



E por falar nisso, nos Devo e se calhar nos Residents, onde os imaginários de troça do Rock parecem interceptar, eis Nash The Slash. Um canadiano multi-instrumentista enfaixado na cabeça como uma múmia que editava os seus próprios discos (o logo da sua editora é uma caveira catita!) mas deve ter tido os seus 15 minutos de fama porque até há uma edição portuguesa do Children of the Night (Cut-Throat / Dindisc; 1980) que encontrei na loja Glam-O-Rama. Espera, e porque não Buckethead como comparação? Sim ambos são virtuosos apesar de Nash nunca usar guitarra mas sim violino e outros instrumentos de cordas. O seu álbum de estreia é fantástico e Dark, lembra muita electrónica que ainda se faz em 2018. Este segundo LP é mais parolo, humorístico, "clean" e "pop" como se topa na versão-gozo de Smoke On The Water - como Dopes On The Water - mas ainda assim é uma peça curiosa. Comprei este disco por causa da capa e contra-capa e para desvendar o mais cedo possível que mistério musical seria este. Há ainda muita coisa para descobrir, é sempre bom perceber que afinal não conhecemos tudo tudinho e que ainda se podem arranjar discos inesperados.


Que dizer de Mater Suspiria Vision / ℑ⊇≥◊≤⊆ℜ e o maxi Zombie Rave / First Flesh (2012)? Banalidades que o "Pop come-se a si mesmo"? Imaginem que nos finais da década passada inventou-se um género de música intitulado de Witch House, música de dança para Zombies, ou melhor para pessoas já muito cansadas da festa - como aquela lua no Vida, universo e tudo o mais (Douglas Adams) onde havia uma festa há 100 anos em que a orquestra já estava cansada e faltava circulação de sangue entre os foliões. Com imaginário posto no Giallo e filmes de horror (que foi transversal a Devendra Banhart como a mil bandas Stoners que se criaram em 2010) os produtores de Witch fizeram uma vampiração do Pop anos 80 ou até Eurodance dos anos 90 em rotações erradas - técnica inventada no Hip Hop pelo DJ Screw - ou melhor em rotações mais lentas com mais uns efeitos aqui e acolá. Screw entre um gole de codeína e uma mix-tape nunca sonhou que a sua técnica viria dar bastardos bracos como o Rape Gaze ou ainda Doomduro... Em breve o DJ Balli e a Chili Com Carne irão explicar tudo com um livro do caraças! Por aqui neste bootleg (?) ou, pelo menos, white label temos temas fornicados de Mike Oldfield, U96 (mein gott!), Animals (será? está mesmo esticado!!!) e Scooter (que merda!)... Como tudo na música, depende das drogas e o século XXI tem sido generosa em sintéticas para pessoal dopado da vida. Mais irónico é que se os temas já estão arrastados, ao serem editados em vinil para 45 rotações, nada impede de alongar ainda mais os temas para 33 rpm. E agora? Post-mortem cha-cha-cha?

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O melhor disco de... [raios, o que se passa comigo?]


Um russo com nome de Holy Palms fez um disco do caraças! Lançado em digital e em k7 pela italiana Arte Tetra, soa a um "up grade" dos Secret Chiefs 3 ou ao disco novo que nunca irá acontecer dos Çuta Kebab &Party. Mais do que isso, é um labirinto...
Metam a versão k7 de Jungle Judge (2016) em "loop" no vosso leitor (ok, na treta do leitor mp3 também serve em "loop") e vão sentir que estão andar à roda pelo deserto - sim, aquela imagem típica de quem se perde no deserto - e que ao descobrir as pegadas feitas anteriormente, ao contrário do normal, não haverá desespero mas antes alegria em identificar alguma parte desse deserto.
É um disco que tem o exotismo ao gosto Muzak, ao mesmo tempo que é denso em informação. Ouvem-se guitarradas Surf ou Metal (Secret Chiefs 3 sem tirar nem por) com ritmos manipulados tradicionais e Hip Hop / Techno (Çuta!) sempre em constante mutação, o que torna cada faixa difícil de identificar. Ao todo é uma hora de música instrumental de metamorfoses várias que estimula uma audição constante, ora para o festão/ orgia ora para o repouso de sofá / "siesta". Acredito piamente que se pode passar isto a toda a hora num "shopping" ou naquelas lojas de roupa durante um ano que tudo seria diferente e mais interessante.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O melhor disco de 2017 é de 1967



O Kárlon que me perdoe mas o disco dos Devil's Anvil - Hard Rock From The Middle East (Columbia; 1967; reed. Rev-Ola; 2009) - é um concorrente para melhor disco do momento para qualquer um que o descubra.

Há 10 anos escrevi sobre eles mas designados por Kareem Issaq & Middle Eastern e tenho pena que não escrito isto: a malha deles é tão potente que quase apetece vestir um cinto de explosivos e suicidar-me para dentro de uma carrinha de transporte de putos israelitas. Isto era sobre outra banda muito boa que desconfio que não se chama Raks... Ainda assim escrevi que o tema deles na colectânea: numa língua incompreensível usa um "fuzz" infernal e um andamento mortal, Besaha é o nome desta petita de ouro negro!

10 anos depois lembrei-me de procurar pela banda e descobri que tinham um álbum inteiro! Yes! Comprei o disco em formato CD baratinho claro, não há cu para pagar balúrdios pelas edições originais e tal. No CD vêm a história todo do grupo... É malta árabe e norte-americana de Nova Iorque que fazem fusão de Rock e Folk árabe (usando instrumentos tradicionais). Tiveram um azar com a carreira porque lançaram este (único) disco no meio da guerra entre Israel e os países árabes. Ninguém quis pegar neles. Com as ondulações típicas da música que se celebram na voz, ritmos e cordas acrescente-se peso Rock garageiro, bem sujo e energético - oiçam o tema Selim Alai e não me digam que não é o tinido juvenil desejado!!! A combinação é explosiva (as piadas são para manter, desculpem lá) e sem uma ruga do tempo. Há quem diga que é um disco feito antes do seu tempo. Em 2017 estava fresco, em 2018 vai continuar a bombar nas colunas...

E já agora: FREE AHED TAMINI!!!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Melhor disco de versões de sempre


Sempre foi e sempre será e quem disser o contrário que vá ouvir Lady Gaga... Virus 100 (Alternative Tentacles; 1992) comemorava os 10 anos da editora de Jello Biafra (Dead Kennedys) e o seu centésimo disco. Sendo os DK o "alfa e ómega" da editora, como dizia algures: 16 artists stone and assassinate these hardcore classics! 
Os álbuns de tributo e versões são sempre grandes tretas em que quem faz as versões tem medo de mexer nos "clássicos" e ofendê-los, não é o que se passa aqui - os NoMeansNo tocam Forward to Death no à cappela completamente demente. Ou quem organiza mete bandas que tenham haver com o universo do estilo musical , não é o que se passa aqui: Sepultura (Death Metal), Napalm Death (Grindcore), Disposable Heroes of Hiphoprisy (Hip Hop), Mojo Nixon and the Toad Liquors (Country), Kramer (Pop psicadélico?) convivem com bandas mais próximas do Punk / Hardcore como os Steel Pole Bathtub, Didjits,... Embora realmente quase não há a tabelinha Punk / Hardcore por aqui. Quem edita discos assim nunca iria repetir temas, não é o que se passa aqui: Faith No More e as L7 tocam Let's Lynch the Landlord mas cada versão mais diferente que a outra, as L7 tocam o seu Rock sujo enquanto os Faith No More transformam o tema numa peça Cajun, completamente longe do que Metal de Fusão que tocavam na altura. De resto o que dizer mas malhas pervertidas de Alice Donut e Neurosis?
No mundo burocrático do algoritmo dos gostos nunca se poderá fazer um disco assim. Temos pena...

domingo, 31 de dezembro de 2017

Suomis cubanos


Já sabia dos Força Macabra, banda Hardcore finlandesa que canta em português brasileiro sem saber a língua. Agora apanhei os El Septeto que são finlandeses a fazerem música cubana tradicional, mais verdadeira que os próprios cubanos. Que país fodido da cabeça... Que saiba só existe este CD: Somos El Septeto (Mipu; 1993). Para quem não tinha música para a festa de hoje... Bom Ano Novo!!

MPT 2017


Karlon : Passaporti (Fazuma; 2016)
K-X-P :  III part II (Svart; 2016)
Devil's Anvil : Hard Rock From The Middle East (Columbia; 1967; reed. Rev-Ola; 2009) 
10 000 Russos : Distress Distress (Fuzz Club)
DJ Zoologist : The Animal Musicians (Urbsounds)

espectáculos
Billy Wilder : Sunset Boulevard (1950)
Sally Potter : Orlando (1992)
Artistas Unidos : A Estupidez de Rafael Spregelburd (24/01)
Manu Louis + Yves Tumor (Festival Tremor; 8/04)
Valerio Zurlini : O Deserto dos Tártaros (1976)



livros
Alberto Manguel : A Biblioteca à Noite (Tinta da China; 2016)
Jesse Jacobs : They Live in Me (Hollow Press)
Susan Sontag : Ensaios sobre Fotografia (Quetzal; 2015)
Ulli Lust : Hoje é o último dia do resto da sua vida (Martins Fontes; 2015)
Asper Jorn : A Roda da Fortuna (Frenesi; 1996)

revistas
Almanac for Noise & Politics 2016 (Praxis; 2016)
Cleópatra (Façam Fanzines & Cuspam Martelos), de Tiago Baptista
Wire
Raw Vision
La Revue Dessinée

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Suomis velhos


A recente visita do Tommi Musturi à Mundo Fantasma deu numa prenda catita: Chief (Svart; 2016), segundo disco dos Talmud Beach. A primeira audição irrita bastante, parece que fui parar a um LP dos Eagles of Death Metal com aquele Blues contemporâneo, "clean" e branquelas. Convenhamos, são os piores temas do disco, os temas mais ritmados e roqueiros. Eles próprios admitem que já são velhos demais para curtirem estas vidas loucas - e ainda só devem ter uns 40 e tal anos, finlandeses velhadas! Ainda por cima dizem isto quando um deles até toca nestes javardolas... Os temas mais calminhos são bem bons! Mais Folk que Blues, mais psicadélicos que presenciais, são músicas de Natal para estar a ouvir num jantar com amigos em casa a comer "crumble" ou com a gata a ronronar enquanto se lê um livro do tipo "coffe-table". Sim, música de quarentões calminhos... Kiitos Tommi!

domingo, 24 de dezembro de 2017

Fuck Xmas, I got McKenna


The Shamen c/ Terence McKenna : Re: Evoltution (One Little Indian; 1993)

É Natalixo em 2017 e continuamos a foder o planeta com prendas inúteis numa cerimónia falsa de um deus falso (espera, todos os deuses são falsos) criada por uma igreja com milénios de savoir-faire em matéria de corrupção. Em 1993 o psiconauta McKenna e a primeira geração da cultura Rave acreditavam que iriam mudar a sociedade com as ferramentas digitais & web, psicadelismo & música repetitiva (xamanismo techno), drogas & comunidades. Cá estamos em 2017 outra vez à beira de uma guerra total - convenhamos que a queda do muro de Berlim aliviou muita gente após décadas de terror mas voltamos a ter Neros no poder - com o fascismo disfarçado ou não de Democracia, desastres ecológicos, consumismo desenfreado, individualismo cego, doenças psicopatológicas mais perigosas de sempre (que safoda, vou despenhar este avião com esta malta toda cá dentro) e claro com deuses mais falsos do que nunca. Papai nóel, este ano quero uma metralhadora e uma série de granadas para festejar prá rua cheia de turistas estúpidos. É isto 2017.
Este Maxi é uma área de conforto, uma cápsula do tempo que se pode ir lá sentir promessas não cumpridas - McKenna morreria em 2000, talvez com optimismo porque viu a cultura digital a bombar utopias e nunca saberia do 11 de Setembro que veio desviar de vez qualquer esperança de paz mundial. São cinco faixas de House/ Techno muito "british" (cheio de "bleeps" brilhantes) com o senhor a debitar mundovisões de optimismo freak, em estúdio ou ao vivo (que cena marada, o gajo a dar sermão numa festa) e à cappela.  
Mensagem de Natal: Amigos, desliguem as televisões, minem as bebidas do jantar de famelga com MDMA, ponham este disco a bombar, o dia seguinte será... diferente!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Arte física vs Música Digital

A minha recente ida ao Porto levou-me também a gastar alguns Euros em discos na Louie Louie que estava bem guarnecida de Electrónica / Indústrial desta vez. Admito que comprei quase tudo por causa das capas e acertei nelas, na música nem por isso.

Terminal 11 já conhecia e fui outra vez na onda. Sei lá, era só 5 paus e há de se confiar em editoras como a Hymen dos quais seguem os próximos três discos aqui descritos. O CD Fractured Sunshine (2007) é um bom disco de IDM e Breakbeat caso o género em si já não cheirasse a mofo, a um anacronismo musical chato da mesma forma como o Drum'n'Bass se tornou insuportável de ouvir passado 20 anos depois. As imagens de paisagens desoladoras que percorrem a capa, contra capa e o livrinho nada têm haver com a música. Já os pássaros da capa fazem mais sentido, o IDM / Breakbeat soa à lógica desta espécie de animais, tipo irrequieto, pouco cérebro (birdbrain?) e com um bico que pode fazer barulho quando aplicado noutro material - os pica-paus são Industrial, pá! Reparo até que as últimas quatro faixas tem títulos de "bird qualquer coisa" mas nem faz muito sentido. Seja como for, é um disco porreiro de ouvir uma vez ou outra. E sempre é melhor que ouvir discos portugueses, por exemplo.

Snog é o que todos nós deveríamos ser: anti-consumistas, anti-copyright, anti-capitalistas, anti-fascistas, iconoclastas, etc... Mas como título do CD revela - Relax into the abyss (2000) - preferimos relaxar para cairmos no abismo (do Capitalismo). Mesmo passando 17 anos a capa de Chris Woods (e outras pinturas na embalagem) fazem sentido: as grandes marcas comerciais controlam a vida do planeta e tudo o que fazemos e pensamos. Mas não me parece que é também com Snog que se muda de atitude de tão pouco imaginativo que é - não que a música seja má mas também não tem nada de outro mundo. Nem fazendo misturas novas dos temas se vai lá. E como todos os discos de "remix", é um pot-pouri de intenções e desconstruções, puzzles mal-amanhados mesmo que não se tenha ouvido os temas originais. Simpático mas sem génio.

Trevor Brown na capa! Ok, ok, ok, o CD é do Venetian Snares! VS merece respeito mas o Brown tem feito capas icónicas para os terroristas sónicos Whitehouse, já para não falar da censurada capa Once upon the cross dos satânicos Deicide. Só por isso vale este disco intitulado Doll Doll Doll (2001) mas também poderia ser Dull Dull Dull. Breakcore muito excessivo em breakbeats e batidas com sabor metálico com algumas paragens em ambientes jazzísticos, não se sabe bem porquê dado ao teor pseudo-necro-pedófilo das músicas. Uma seca, é como ouvir três CDs de drum'n'bass ao mesmo tempo. As ilustrações de Brown é que são fixes, só que são de um tamanho minúsculo que dá dó. Sabem? Merda prós CDs! Ou melhor, merda para os designers idiotas que não sabem pensar em centímetros. Custava muito ter as ilustrações ampliadas ao formato do CD tal como as pinturas de Woods no "digipack" de Snog? Dah!

Não havia cinta a identificar os Monokrom e o seu CD One fine Day in the Pyramid (Ant-Zen; 2008) mas como resistir a uma embalagem feita de gesso? ... ah!?
Noise branco como umas tirinhas virgens de múmia. Felizmente faixa sim, faixa não, os Monokrom dão um bocado de ritmo à barulheira assim a dar para o Teknoise... Quando assim é, é música para foder na cama, à bruta, sonho de qualquer "teenager" - Noise + ritmo não acham? (Senão concordam é porque nunca foram jovens normais!)
Ainda estou para perceber se vou ficar com isto. Se sim é só por causa do gesso ou se é pelo gesso mais alguma barulheira que fica sempre bem lá em casa. A verdade é que já não sou "teenager" nem a minha mulher... Hum... complicado...

E por fim... Manuel Ocampo e Skinny Puppy, yes! Provavelmente uma das melhores bandas do mundo! Mythmaker (Synthetic Symphony + Hell-O dEathday; 2007) é o segundo álbum após o regresso destes destes Industrialitas de referência após um fim nos meados dos anos 90. Se o Synth sempre foi o que mais promoviam, as mutações das tecnologias obrigam-nos a irem cada vez a serem mais artificiais. Também soam mais Pop tal como aconteceu com a carreira a solo de OhGr (membro deste "cão escanzelado"). 'Tá difícil ouvir isto sem achar que é uma chachada, nem cão nem ogre. A verdade é que os Skinny conseguem sempre um bom equilíbrio entre música funcional e experimental. Um disco que é preciso dar tempo ao tempo para entrar neste emaranhado de sons.

Conclusão: Arte 5 Música 2 - a Arte ganha. O que isso quer dizer ao certo?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Jesus Cafetra


Fiz o cartaz para esta gentil malta da Fetra. Vai ser na ZDB, que seca, voltem lá a fazer a Noite Fetra & amigos na Caixa Económica Operária, porra!!! Isso é que era!!!

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Publicidade anarquista... cof cof cof


Já fiz esta "PUB" em Agosto para sair no novo número da revista Ideia (que saiu este fim-de-semana) mas sem a publicidade. Vai haver merda e mais uma dissidência aposto! Até lá, saiu o novo número d'A Batalha que continua com a minha nova tira CAPAM... ao menos isso!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

CIA info 87.2


Já não me pediam para participar em calendários há algum tempo e fiz uma uma BD para o calendário de 2018 da Casa da Achada. Já saiu...


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

The Melvins : "Neither here nor there" (Ipecac; 2004)

Depois dos "Led Zep", Black Sabbath e Napalm Death, só há mais uma banda essencial para quem gosta de Rock Pesado. Os Melvins! Este livrão é a cara deles, junta mais imagens do que texto, e o pouco que há está impresso em letra tão minúscula e a prateado que mal se consegue ler.
Pouco interessa, as imagens do "artwork" dos discos, dos cartazes ou da colecção neurótica dos seus elementos falam mais do que se calhar qualquer outra biografia escrita. Parece mais um catálogo de arte do que uma seca biográfica, ou pior, um "photo-book" de banda - embora, um "photo-book" dos Melvins seria sempre melhor do que qualquer outra banda. Estes gajos são uns monstros de riffs pesados que cagam de alto para as porras Stoner & Drone que andam por aí. Estes são os gajos que criam instrumentais narrativos que nos empurram para mundos bizarros, pequenas fantasias de plástico a derreter. O livro é a ilustração física disso tudo.
A acompanhar o tijolo há um o CD "best of" que numa banda sem "top 10" deixa de fazer sentido comercial logo à partida. No entanto é um "best of" bem esgalhado, de demo-tapes dos anos 80 aos temas dos discos Stag ou Houdini da Atlantic - uma "major" que contratou-os nos anos 90 para apanhar a vaga de "música alternativa" dessa década - passando por singles vários e claro pelos discos da casa que eles quase que criaram, a Ipecac, e que lhes tem editado quase todos os álbuns de originais desde 1999. É difícil pensar se a selecção dos temas passou por todos os mais emblemáticos, só os fãs "hardcore" é que poderiam dizer isso, como os japoneses Boris que foram buscar o nome a um tema de 1991 (aqui incluído, claro está).

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

CIA info 85.7


A fazer uma t-shirt para uma banda punk, os Systemic Viølence... Os punks preferem cães, não curtem gatos nos seus "visuais" e vou ter de mudar para... porco! Um porco bófia com um A.C.A.B. no boné! Não era melhor T.B.S.C. (todos bófias são cabrões)?
...
Enquanto desenho o porco-cabrão-bófia-morto, este gato foi para um fanzine chamado Olho do Cu... I shit you not!!!

E eis o Porco Morto!
Die like a pig!!!


que deverá ficar assim na t-shirt:


But wait! Acho que será também para um disco, patch, vídeo e o catano... foi o que me disseram, nem sei se deva acreditar... Um split com Dokuga para sair em Barroselas MetalFest, nem acredito!
...

E não é para acreditar, saiu o disco (atrasado) este mês sem o meu desenho. 
Que borregos do caralho!