segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Negative Born Killers na Stress FM / SMUP, Parede


Vou voltar a fazer a graçinha que fiz no passado dia 4 Maio no Republica Caffe Bar em Viana do Castelo, ou seja recriar a banda sonora de Negative Born Killers! Livrinho de BD inserido na colecção O Filme da Minha Vida da Associação Ao Norte que lança o repto a autores portugueses de BD para criarem um mini-álbum inspirado num filme que tenha deixado marcas nas suas vidas.

Como sabem, a minha escolha recaiu sobre o Natural Born Killers de Oliver Stone, não pelo filme mas pela banda sonora criada por Trent Reznor (dos Nine Inch Nails). Assim sendo farei um set a tentar invocar a narrativa sonora criada por Reznor mas sem as mesmas músicas. Porquê? Porque não tenho os mesmos discos nem os diálogos do filme. Nesta divertida sessão haverá música de Nusrat Fateh Ali Khan, Diamanda Galas e Lard, será suficiente?

A "gracinha" será transmitida por rádio em linha Stress FM mas que nestes últimos dias tem mesmo transmitido "à antiga" na linha de Cascais através da sede da SMUP (Parede). Sintonizem então 88.3 no dia 5 de Dezembro entre as 15h e qualquer coisa...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

web .2 tone

Não há nome para esta nova música  Clipping  excitante como   #Stealing Orchestra ou   #Dälek  novos territórios  Hip hop serve de base  CLPPNG de 2014 pela   Sub Pop   exemplo   video-clips   #Whitehouse goes MTV  coros infantis  único R'n'B aceitável com alarme do despertador com o único R'n'B aceitável no Universo  berbequim Techno Tarantino    #John Cage shit  Trap mutante  Noise para as massas  how high is your low brow? Razia!  Random Music mas com  atitude   O Cage foi à disco engatar

Culpados disto tudo  se calhar  Death Grips que desde cedo com o seu segundo álbum (ou primeiro oficial?)  The Money Store   (Epic; 2012)   mostraram que seriam sempre  rock híbrido - chama-se a isso de   punk rock  ? o feeling é esse mesmo que já não se possa meter o mofo da bateria + guitarra + baixo + voz   isto é rock ciborgue  electrónica rapada  para mim é impossível dizer o que soa   Eu Juro!  já ouvi este CD   mil vezes   e sempre quando ele acaba   ainda não percebi o que se passou  o que ouvi  o que aconteceu  é como ouvir a primeira vez o Last Rights dos #Skinny Puppy  ou  Beers, Steers and Queers dos #Revolting Cocks   Rembradt Pussyhorse dos #Butthole Surfers  não é todos os dias que isto acontece ...  Punk weight!



PS  O   2 tone   era nome para um   Ska   não racista em que o ponto de honra era ter uma banda que tivesse elementos branquelas e negros  Clipping e Death Grips  sabendo das cores de peles dos seus elementos   (como se na verdade isso importasse para uma coisa - bom, na Amérikkka  importa pelos vistos)  parece isso   um 2 tone para um mundo de Trampa  mergulhado na   deep web

espera

há mais


foram os Ho99o9 que fazem Hardcore melhor que a malta do Hardcore e agora apareceu Zeal And Ardor... WTF!?  Imaginem o coninhas do Moby a fazer Black Metal   essa seria a melhor ilustração para este disco Devil is Fine (Reflections; 2016)  música de escravos americanos a cantarem Blues ou Gospel invertido, ou seja, a louvor de Satanás Nosso Senhor invés ao Porco Nazareno   Devil is fine (o primeiro tema) abre-nos o coração, não não são samplers como o triste do Moby a voz é verdadeira  In ashes arrebenta com os primeiros Blasts de Black Metal e ficamos confusos  claro  e mais ficaremos com intermezzos de electrónica  que tanto podem ser Trip Hop ou caixa de música de criança  como gamanço de arabescos à Çuta Kebab & Party   ou What Is A Killer Like You Gonna Do Here? é uma pequena intervenção Tom Waits    Children's summon parece o sonso do  Gonza Sufi mas com Black Metal
sempre isso "mas com Black Metal"   o idiota do José Luís Peixoto escreveu há 10 anos um artigo qualquer a dizer que o Black Metal nunca seria popular pela sua violência - já na altura o que ele escrevia era errado porque bastava entrar no metro de Berlim e ter bem presentes outdoors do último disco de #Dimmu Borgir

bute fazer petição para virem ao Milhões!? God good is a dead one

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

1666


1. Histórias Com Tempo e Lugar : Prosa de Autores Austríacos (1900-1938) (Europa-América; 1980?)
2. Ho99o9 (Milhoes de Festa 2016)
3. Amir ElSaffar : Crisis (Pi; 2015)
4. Frantz Fanon : Os condenados da terra (Letra Livre; 2015)
5. Umberto Eco : O Pêndulo de Foucault (Difer; 1989)
6. Heta-Uma / Mangaro (Le Dernier Cri + MIAM; 2015)
7. Timothy Leary : Chaos & Cyberculture (Ronin; 1994)
8. Clipping : CLPPNG (Sub Pop; 2014)
9. Franky et Nicole, vol. 3 (Les Requins Marteaux; 2015)
10. Norberto Lobo - João Lobo : Oba Loba (Shhpuma; 2015)
11. Jonathan Lethem : The ecstasy of influence : a plagiarism mosaic in Sound Unbound de Paul D. Miller (MIT; 2008, orig. 2007)
12. Balani Show Super Hits - Electronic Street Parties From Mali (Sahel Sounds; 2014)
13. Edgar Pêra : O Espectador Espantado (Bando à Parte)
14. David Collier : Chimo (Conundrum; 2011)
15. Posy Simmonds : Gemma Bovary (Pantheon; 1999)
16. DJ Balli (Damas + Disgraça; 10-11 Março) + Apocalypso Disco (Agenzia X; 2013) + Frankenstein Goes to Holocaust (Agenzia X)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Farrajota, narração gráfica off-the-road; uma conversa


Conversa entre Marcos Farrajota, André Pereira, Gonçalo Pena e quem aparecer sobre o todo-o-terreno das publicações gráficas alternativas. A inscrita para além da escrita.
No BAR IRREAL, às 21h30

sábado, 26 de novembro de 2016

Jon Savage & Stuart Baker: "Punk 45: The Singles Cover Art of Punk 1976-80" (Souljazz; 2013)

Livro de mesa de café (ou será de chá uma vez que é britânico?) que compila uma selecção de capas de singles e EPs de 7" do Punk entre 1976 e 1980. Quem o faz e escreve sabe do que fala e como tal uma série de peças raras são aqui reunidas para deleite de todos. A restrição a discos do formato 7" deve-se ao facto de haver uma numerologia cripo-esotérica ao Punk. 1977 foi o ano do Punk, não a sua criação mas o seu auge, e os discos de 7" eram o médium favorito para quem aprendeu "os três acordes e agora faz uma banda" (e grava um disco). O livro lavra o que é preciso saber sobre o punk e as suas origens.

O maior choque é só agora aperceber-me que o Punk sempre teve um fetichismo pelo coleccionismo, algo que pensava que só teria acontecido mais tarde após uma geração aburguesada... mas não, desde do inicio que se falam de edições limitadas, de vinis coloridos e outros exercícios mercantis manhosos que repudio. Não admira que se diga que o Punk salvou a indústria fonográfica da crise, essa mesmo que queriam destruir...

Visualmente mostra duas ou três coisas, uma é sem dúvida o visual das capas dos discos que é empobrecido pelos orçamentos DIY mas que em compensação acabam por ser mais ricas em força gráfica. Basta dois exemplos tão díspares como a capa dos Offs que trazem a violência para este mundo puro e virginal dos vinis ou uma dos The Special A.K.A. a mostrarem a sua audiência 8uma troca de papeis interessante), para se perceber as novas potencialidades de comunicação que as capas trouxeram. No entanto, pela fragilidade destes objectos tão simples é também imediato perceber-se quem queria ser "boys band" do rock mantendo capas de fotografias da banda e quem queria fazer manifesto e agitação com capas com outro tipo de mensagens - e daí os Sex Pistols (inconscientemente) e os Crass (conscientemente) terem sido os mestres do complicado triângulo música-grafismo-politica.

Por fim, é sempre de referir os quatro singles que davam instruções de como era fácil fazer um disco: a estreia dos The Desperate Bicycles (1977) a gravar os dois temas e acabar por dizerem "it was easy, it was cheap - go and do it!",  no segundo single tem um dos melhores títulos de sempre, The Medium was Tedium e cantam em Don't Back the Front: "cut it, press it, distribute it / Xerox music's here at last". A seguir temos o single Being boiled (1978) dos Human League a admitirem o custo de 2,50 libras para gravar o disco (o valor da k7 para onde gravaram?) e por fim o icónico (ou deveria ser) Work In Progress 2nd Peel Session (de 1978) dos Scritti Politti com um orçamento mais exacto de como editar um single... Com estes gestos começa todo um novo mundo, se calhar este livro é o "Génesis" da Bíblia Punk, não?

sábado, 19 de novembro de 2016

CIA info 86.5


Nova BD minha, para o número 6 do fanzine Preto no Branco, a sair este a 19 de Novembro no Terraço da ZDB, a partir das 22h,..

Apareçam também para um drink, uma dança, uma conversa, uma fatia de bolo (classic)! A música vai estar a cargo da dupla de Disk Jockeys mais disfuncionais da cidade: unDJ MMMNNNRRRG e DJ Watteau. Os artistas que aceitaram gentilmente participar neste fanzine são: Ana Braga, Andreia César, Bruno Silva, Catarina Domingues, Catarina Figueiredo Cardoso, Conxita Herrero, Francisco Domingues, Isabel Baraona, Márcio Matos, Marcos Farrajota, Maria Condado, Marta Castelo, Marta Moreria, Mattia Denisse, Sílvia Prudêncio, Sofia Gomes e Tiago Baptista.

domingo, 13 de novembro de 2016

Outros tempos...

Lolita Storm: Girls Fucking Shit Up (DHR; 2000)

Se há coisa fantástica nos Atari Teenage Riot é que passados estes anos todos, pode-se ver neles uma importância extra-musical tão importante como a dos Crass. Mais do que música e contestação política, significaram acção em várias frentes. Uma delas e talvez uma das mais importantes terá sido impulsionar mulheres a fazerem Digital Hardcore, género punk na cultura Rave, ou seja, não ter limites da abordagem sonora e sobretudo ter uma posição anarco e anti-sistema.

No meio de meia-dúzia de projectos editados pelos Atari nos seus tempos dourados (anos 90) encontra-se este/a/s Lolita Storm, três gajas e um gajo da ilha britânica, que soam a Ramones tocado em Drum'n'Bass. Faixas que nunca ultrapassam os 2 minutos são básicas, auto-repetitivas e previsiveis após ouvirmos três músicas. Parece também um coro de "cheerleaders" que snifaram buéda coca no balneário. Passado 16 anos chega a roçar o rídiculo mas acredito que era feito com graça e fé.

Resta saber o que foi feitas desta malta, aposto que uma vende aspiradores para limpar ácaros, outra é directora de recursos humanos da Starbucks e assim por adiante... vai uma aposta?

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

#28 : Espero chegar em breve



Novo número do Mesinha de Cabeceira outra vez com o Nunsky!!!

Já está no stand da BD Amadora, na nossa loja em linha e na BdMania e Tasca Mastai...

Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou no Mesinha de Cabeceira. Assinou o número treze com 88 considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Desde 2014 que este autor regressou à BD e com toda a força: primeiro com Erzsébet sobre a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude, e em 2015 com Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno, verdadeiro deboche gráfico entre o Hair Metal de L.A. dos 80 e a distopia do RanXerox.

Este ano apresenta este um belo trabalho sobre um homem que recupera consciência do seu sono criogénico a bordo de uma nave especial. A Inteligência Artificial não consegue reparar o problema e Kemmings vê-se obrigado a manter-se acordado mas fisicamente paralisado durante dez anos da travessia sideral. Como a maior parte da obra de Philip K. Dick (1928-82), este conto questiona o que é ser humano e o que é a realidade. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Baza prás Dorgaria... dlogaria... dlogas, topas?


New York Times bestseller

Autor publicado em 13 países diferentes chega a Portugal finalmente!

O trabalho de Hanselmann explora a toxicodependência, depressão e o ansiedade quotidiana com precisão e subtileza… É tão pueril como trágico, ordinário como carinhoso. E pode ser, como na vida, muito divertido 
- The Guardian 

uma profunda inquietante, hilariante visão do ennui milenar
- Paste 

parece o triângulo amoroso da Krazy Kat mas da geração MDMA ou do crack, nem sei bem...
- Marte (Loverboy)

 As piadas envolvem montes de drogas mas não são piadas de ganzados...
- Walt Thisney 

Simon Hanselmann é a cena à séria. Ele apanha o ganzado caseiro de forma tão correcta que acho as suas BDs muito deprimentes e graças a Deus que já não tenho de conviver com malta deste tipo...
– Daniel Clowes (Mundo Fantasma)

Estas são actualmente as melhores BDS a serem feitas no mundo, eu acredito mesmo nisso.
– James Kochalka (Magic Boy)


Megg, Mogg & Mocho 
por 
35º volume da MMMNNNRRRG 
64p a cores, 16,5x23,5cm 

Tradução e legendagem por André Pereira. Design de Joana Pires.

PVP: 12€ à venda na loja virtual da Associação Chili Com Carne. Em breve na Mundo Fantasma e mais outros pontos de venda... 

Nas próximas semanas encontra-se no stand da Chili Com Carne (nos fim-de-semanas) e Comics Heart (dias da semana) na BD Amadora.

.|.

Sobre o autor:


Simon Hanselmann (Lauceston, 1981) nasceu na Tasmânia e passou a sua infância e adolescência num dos  sítios de maior taxa de criminalidade da Austrália. O seu pai era motoqueiro e a mãe toxicodependente que efectuava pequenos furtos e vivia da segurança social para sustentar a sua criança. Também é sabido que roubada livros da Fantagraphics Books da biblioteca para o seu filho.

Aos 8 anos, Simon começou a fazer BD mas na sua juventude passou por várias terapias de combate à ansiedade e depressão, acabando por consumir álcool e drogas psicotrópicas em grande quantidade. Saiu de casa da mãe em 2001 e viajou pelo mundo estabelecendo-se actualmente nos EUA com a sua mulher. Antes disso Simon casou-se com a BD - não é erro nosso, ele casou-se mesmo com a BD numa convenção! É conhecido pela sua inclinação para o transvestismo aparecendo publicamente vestido de mulher, muitas vezes de Megg, a bruxa da série Megg, Mogg e Mocho.

Foi esta série que lhe trouxe fama à escala global ao ponto de até ser publicado em Portugal! Há quem diga que é uma mistura de Todd Solondz, Peter Bagge e Os Simpsons. Apesar da predominância humorística da série, ela é compensada várias vezes com estados emocionais do autor, admitindo usá-la como terapia pessoal.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

CIA info 85.5


A fazer uma t-shirt para uma banda punk, os Systemic Viølence... Os punks preferem cães, não curtem gatos nos seus "visuais" e vou ter de mudar para... porco! Um porco bófia com um A.C.A.B. no boné! Não era melhor T.B.S.C. (todos bófias são cabrões)?
...
Enquanto desenho o porco-cabrão-bófia-morto, este gato foi para um fanzine chamado Olho do Cu... I shit you not!!!

E eis o Porco Morto!
Die like a pig!!!


que deverá ficar assim na t-shirt:


But wait! Acho que será também para um disco, patch, vídeo e o catano... foi o que me disseram, nem sei se deva acreditar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Zombie Porcalhota Blues

Deve ter sido o ano mais desorganizado de sempre do Festival de BD da Amadora. O que é cagativo porque geralmente só há exposições e programação de merda. Este ano, a excepção é - não, não vou escrever "desculpem a modéstia" - a do Anton Kannemeyer. A do "melhor desenhador de 2015", o nosso querido amigo Nunsky, enfim... é pequena! Esta frase acho que já mostra como o melhor desenho foi tratado - já o "melhor argumento" era bem maior de espaço. Talvez estão a tentar justificar o injustificável que é ao colocar a banda desenhada no modelo fordiano de produção ou tem medo de mostrar o terror gráfico que é Erzsebet. Mas achar isto é achar que "A Amadora" pensa! Não não há intelectualização por aquelas bandas como mostra a exposição do tempo-espaço ou da arquitectura, em que não se percebe nada porque vale tudo... Enfim, diria que se não fosse a exposição do Anton mais valia não ir lá - ainda estou para ver a exposição do Underground comix patente na Bedeteca da Amadora, tudo indica que está muito boa, só que eu só acredito vendo com os próprios olhos!

De repente, esteve neste fim-de-semana o Miguel Angel Martin, uma autor espanhol que já trabalhei no passado... Ninguém sabia que ele vinha. Por mero acaso conheci o inglês Savage Pencil que foi ao stand a Chili Com Carne, se ele não disse-se quem era nunca teria adivinhado - a sua acreditação tinha o seu nome real e não o pseudónimo por o qual é conhecido!

Sem NINGUÉM saber estiveram cá dois ícones do underground da intersecção da BD e música. Dois artistas já fizeram trabalhos gráficos para Dälek, Whitehouse, sunn0))), Big Black - iá, as melhores bandas do mundo, meu! Ao contrário do CD em repeat da Rádio Comercial. Uma coisa é ser "comercial", outra coisa é ser "puta"!!! E é esse tipo de música que passa o dia inteiro no Festival (e pelos vistos nas ondas radiofónicas do país)... Eu que não tenho TV nem escuto rádio (tirando a Antena 2 e RTP África) há 14 anos fiquei a saber de chofre que existem uma avalanche de merda portuguesa chamada Azeitonas, Dama e não sei o quê mais... Menos uma razão para visitar o festival, certo?

fotos de Joana Pires

Sim, não resisti armar-me em "fanboy" e pedir uma fotografia com o Savage Pencil, que andava para lá a arrastar-se a pensar "Que caralho faço aqui!?" Ao nosso lado está o Filipe Abranches...

desenhos a tapar os nulos por Marcos Farrajota

Mais ridículo da minha parte mas teve de ser para que o velhote não ficar ali a apanhar mais secas com os cromos da BD nas sessões de autógrafos, foi no Domingo em que lhe fui pedir para autografar o que tinha dele (não peço autógrafos há mais de 10 anos) e ironicamente, foi a BD de duas páginas da revista The Wire dedicadas à morte de Lou Reed e uma capa de um CD dos Jazkamer intitulado... Metal Music MachineGet it!?

Esta semana o Kannemeyer estará presente e teremos um novo livro do Nunsky... A não ser que haja mais surpresas, o resto é prá treta!

PS - Ok! Lembrei-me, na tal expo dobre BD e Espaço ou lá o que é, há dois originais que rendem: um da Krazy Kat e outro de Kim Deitch... E claro há a exposição do Marco Mendes mas que parece que já vi dezenas de vezes, erro profissional.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Frans De Waard : "This is supposed to be a record label" (Timeless; 2016)

 Se este não for o melhor título de sempre para um livro sobre uma editora (de música) então que me caia um raio na cabeça! Livro sobre a mítica Staalplaat, editora e loja de música experimental situada em Amsterdão e mais tarde em Berlim - onde ainda sobrevive mas já sob uma outra identidade, a Le Petit Mignon. Aliás, o que melhor mostra o livro é que a Staalplaat era uma espécie de empresa quase sem hierarquia, em qualquer um que estivesse por lá fazia o que lhe apetecia - é exagerado o que afirmo mas algumas das histórias reveladas e olhando para o catálogo da editora, sobretudo nas "sub-labels" percebe-se que reinava uma feliz anarquia. No entanto, o que seria de esperar quando se trata de Arte ou de Vanguarda (ou as duas neste caso)? Senão houver uma criatividade louca e uma vontade de fazer piças ao dinheiro e valores, como fazer algo diferente e que rompa com tudo? Apesar de ser mais rock, pode-se sentir paralelos em algumas partes sobre a editora Sub Pop no livro sobre os Nirvana que escrevi aqui. Muitas distâncias à parte, o rock vende, o "toing toing" é mais complicado de comercializar mas até se consegue com alguma cabeça. Talvez o espírito mitra de holandês - assim intercalado entre os estereótipos do Judeu e do Protestante - tenha mantido a casa desde os anos 80 até hoje. Como se sabe, noutros exemplos do passado, pouco a pouco todas as casas editoriais e lojas foram fechando. Aliás, hoje, com os centros gentrificados e turistificados, já se sabe que tudo que é "alternativo" tem fechado, seja em Londres seja em Lisboa.
A editora diz que o livro não é sobre os "anos 80 ou 90" mas é impossível não pensar que os testemunhos de De Waard sobre a sua estadia na Staalplaat não deixa de se cercar de uma época com balizas bem precisas: antes da 'net, antes do 11 Setembro, antes da imaterialidade da cultura, antes da web.02, antes dos Fachos no poder, antes da crise, antes do lowcost e do bnb... É uma divertida leitura para quem sabe ainda o que é uma discoteca - uma loja de discos, man! - que goste de música ou de "comércio cultural"... De resto, é de salutar todo a edição exemplar de uma editora exemplar, a Timeless.
Obrigado ao Camarada Thisco pelo empréstimo!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Simplesmente Samuel já saiu!


As novas caminhadas existênciais de Samuel

Simplesmente Samuel de Tommi Musturi

160p. 20x20cm a cores em papel Orla Cream 140g
capa dura a cores, marcador de fita
PVP: 20€

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, El Pep... em breve na FNAC, Mundo Fantasma, Artes & Letras, Letra Livre, Pó dos Livros...

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Simplesmente Samuel é uma narrativa visual silenciosa, uma homenagem à vida e à existência humana. Samuel é uma figura fantasmagórica que caminha por um mundo colorido (muito parecido com o nosso) praticamente invisível para o que está ao seu redor, como um verdadeiro herói da nossa vida quotidiana e mundana. As vinhetas sem palavras de Simplesmente Samuel lidam com o individualismo e o conceito de liberdade, ponderando nossas atitudes diárias, escolhas e os valores por trás delas - tudo isso através das acções e expressões de Samuel.

Simplesmente Samuel é a continuação de Caminhando Com Samuel (2009), primeiro trabalho de Tommi Musturi com este "pequeno fantasma que caminha", e escolhido pelo jornalista Paul Gravett para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die.

O traço de Musturi exprime uma narrativa contundente, combinando psicadelismo dos seus mundos interiores com uma precisão matemática no acabamento e no design. O universo rico em cores e formas funciona como uma parte da narrativa ecléctica que continua a surpreender o leitor página a página.

Simplesmente Samuel é um romance gráfico peculiar, que induz o leitor a ver e experimentar a arte impressa em um outro nível.

Simplesmente Samuel foi lançado simultaneamente em nove países diferentes - a edição portuguesa foi em parceria com a brasileira A Bolha - e será lançado em 2017 nos EUA.

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Sobre o Caminhando Com Samuel:

um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) 4 estrelas em 5

edição excelente da MMMNNNRRRG é sobretudo uma obra que precisa de ser saboreada - João Ramalho Santos / Jornal de Letras

Belo objecto - Jornal de Notícias














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Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes!

Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009. Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem.

As bandas desenhadas de Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finalndesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Este autor já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.

sábado, 24 de setembro de 2016

Brad Morrell : "Nirvana & O som de Seattle" (Relógio D'Água; 1999)

Faz hoje 25 anos que foi editado (e explodido) o Nevermind (DGC; 1991) dos Nirvana e foi há 17 anos que se publicou a versão portuguesa deste livro. Nem sabia que existia, foi daquelas compras a 5 paus na Feira do Livro de Lisboa, no stand daquela que será a maior editora portuguesa independente (no termo que não faz parte dos cabrões das Leyas e afins...).
É assim tão bizarro ter um livro sobre Rock em Portugal? Sim é muito raro editar-se sobre o tema ao ponto que os poucos livros que existem, pelos vistos, nem são bem divulgados - olhem para o Blitz que não divulga os livros do Rui Eduardo Paes como exemplo... Sim, os portugueses não gostam de ler, povinho ignorante, e ainda menos de ler sobre música. Mas lá está... temos esta pequena pérola, um livro sobre Rock escrito à americana ou à escrita Rock canalha sem papas na língua sem deixar de ser bem documentado e de bom gosto sobre o que foi a carreira desta banda tão importante - sim, ainda gosto deste trio improvável - incluindo as polémicas em volta das vidas privadas de Kurt Cobain e Courtney Love. O livro conta também porque existe o outro lado da mesma moeda sonora - os "parolo geme" - na mesma cidade que trouxe pela última vez Barulheira para as tabelas de venda.
Já agora, é de apontar que nos últimos anos houve edição portuguesa de mais "rockers" como Patty Smith (biografia e poesia) e Kim Gordon, A Miúda da Banda... Quem diria que isto é editado por cá? Ainda por cima, de "gaijas" rockers! Afinal há Esperança para este país! Para comemorar tantas razões de ânimo vamos lá pôr as colunas no máximo a bombar o Nevermind, sobretudo a faixa Endless, Nameless!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AfroTechno

Os Buraka Som Sistema quando afirmaram no disco de estreia que o seu primeiro disco era "From Buraca to the world", eles tinham mais razão do que imaginaram há 10 anos atrás... Como projecto criativo morreu logo no segundo registo mas fizeram o impensável, abriram o Techno africano para o mundo. Agora fala-se em Gqom de África do Sul ou em "batida" dos subúrbios de Lisboa. Seja qual a designação que apareça trata-se de uma renovação da música Techno à escala global.

Em relação à "batida", ela é feita por jovens africanos em Portugal metidos em guetos à procura de uma identidade que foi perdida pela diáspora dos seus pais e negada pelas instituições portuguesas ao não se esforçarem em integrar uma massa enorme de gente. Felizmente para eles existe um "Príncipe encantado" que tem explorado (o termo parece neo-colonialista, bem sei) de forma ética (ah bom!) os DJs "foxes" que andam pelos bairros "fodidos" de Lisboa. E melhor tem conseguido projectá-los pelo mundo fora, como se bem sabe pelo sucesso internacional do Marfox. Nessa senda deu-se também uma edição de três mini-LPs pela grande editora britânica Warp numa série intitulada de Cargaa em 2015. Comprei o último que prometia, segundo uma crítica da revista The Wire, mas não fiquei muito surpreendido. Quer dizer, se o som tem algo de novo e fresco, serão os doidos da dance music que o poderão dizer, por mim, leigo na matéria passa-me ao lado e até acho a música bastante fria. Pode-se dizer o mesmo do drum'n'bass, EBM ou outras correntes dançantes mas talvez o meu principal embirranço seja justamente ao ouvir estes "ecos de África" não oiça vozes humanas. Essa falta de vocalizações dá a entender que a identidade destes descendentes africanos foi apagada, criando um desconforto pouco estimulante para quem não é DJ ou oiça música de dança de forma quotidiana. Percebo a euforia em volta desta música pelo seu ingénuo "afrofuturismo" cujas texturas são tão sintéticas como um cromado de um carro quitado "lá do bairro" e que isso seja um ponto positivo para muitos.

Muito mais entusiasmante achei a colectânea Balani Show Super Hits: Electronic Street Parties From Mali (Sahel Sounds; 2014) porque os gajos que fazem de MC estão presentes. Ouvem-se vozes! Até podem estar a dizer as maiores barbaridades, nunca saberei porque apesar da língua oficial ser o francês, é óbvio que quem grava música popular caga bem de alto na língua do opressor. Festa assumida porque o "Balani Show" é uma festa de rua, eis um LP para mexer o rabo (mesmo o dos caucasianos chatos) em que o kuduro aparece como caminho principal, tendo como paralelas instrumentos locais e o Hip Hop.

Mais agressivo, rápido e estimulante são os Supreme Talent Show também do Mali - a Sahel lançou uma k7 homónima em 2015. Inserem-se numa corrente musical chamada de "Ambience" que incorpora o Balani mas com mais Rap, o uso de sintetizadores e suponho eu letras socialmente interventivas. Ao que parece o género Ambience (atenção que de Ambiental não tem nada!) trata-se de um som underground no Mali por isso apreciem quando os descobrirem... Bring tha noize!


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Intermezzo


Music from Saharan Cellphones (Sahel Sounds; 2011) é um LP (originalmente editado em k7) que compila a múica mais popular que se ouvia em 2010 no deserto do Saara através da transferência de ficheiros via Bluetooh dos telemóveis... Já quando o autor Bruno Borges foi à Mauritânia (creio...) tinha-me contado que não encontrou nem k7s nem CD-Rs das músicas regionais, como se esperava para quem pensar por exemplo na Awesome Tapes of Africa. Invés disso, era preciso ter uma pen USB para os locais colocassem músicas nela. Uma sofisticação tecnológica inesperada sem dúvida. Voltando à compilação, uns gringos de Portland, andaram pelo Saara, gamaram essas músicas e fizeram a tal k7. Mais tarde depois de localizar os compositores saiu o LP, supostamente pagando os royalties aos seus autores. Alguns deles aliás que se transformaram em stars do circuito "world music" como Mdou Moctar ou repetentes para outras colectâneas da Sahel como Kaba Blon. Além do "Blues tuaregue" que já há muitos anos tem sido difundido pelos Tinariwen à escala global, encontra-se Hip Hop e Techno do Mali - a lembrar o kuduro - mostrando de quem anda de camelo no meio do deserto sabe curtir mais a vida do que os coninhas ocidentais que ouvem Arcade Fire e outras bandinhas indie da tanga.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Kebab de fusão

Os Trans-global Underground são uma instituição de como a música podia trazer a paz mundial se isso implicasse apenas fazer uma amalgama de sons de um bocado de todo o planeta. A prova é que o pouco que os TGU apanham em Londres, nas lojas de indianos ou de exilados do médio-oriente ou de África, ao qual juntam os "big beats" da música ocidental mostra que resulta e podiamos ser uma verdadeira Aldeia Global, feliz e em festa. Yes Boss Food Corner (Ark 21; 2001) é o sexto disco que mantendo o pézinho de dança de sempre não avança muito mais naquilo que eles projectaram quando começaram a sua carreira fonográfica em 1993. Falta a presença da fantástica cantora Natacha Atlas para que o disco tenha uma aura emblemática.
Desconfio que nesta altura do campeonato (seja em 2001 seja em 2016) algures na Índia ou no Egipto alguém já fez melhor do que isto. Mas como disse logo início, os TGU são tão importantes como a ONU, para o melhor e para o pior, com ou sem apoio da Coca-Cola.

E se o TGU são uma instituição, Nusrat Fateh Ali Khan (1948-97) é uma Lenda. A sua voz e música lembram banhos no mar atlântico, aquele ir e vir de ondas potentes que vão contra o corpo de um gajo, naquela luta inútil e imersa na Natureza, em que só quem se banha perde energia, o mar ganha sempre. Resta depois descansar satisfeito na toalha no meio da areia com a sensação que se foi espancado mas que soube bem! É o que sinto sempre que oiço Body and Soul (Real World; 2001) e deve ser a única vez que fico feliz com a capacidade do CD ultrapassarem o tempo do disco vinil LP. Se isto foi uma das razões porque a música tornou-se balofa nos anos 90 e seguintes com o pessoal a encher chouriços nos discos só porque podiam ir aos 80 minutos, aqui o excesso sabe bem, preenche a Alma com o sufismo e a anca com Qawwali. E por escrever sobre excessos, foi a obesidade mórbida desta voz paquistanesa que lhe causou a morte demasiado cedo. Mesmo morto ele continua a bater-nos...

Crisis (Pi; 2015) de Amir ElSaffar / Two Rivers Ensemble é um grande disco para quem não gosta de Jazz ou de música "árabe" - ou "maqams" iraquianos em especial. Os dois géneros fundem-se em perfeição total, sob as composições e improvisações deste trompetista norte-americano (de pai iraquiano e mãe americana) num formação de sexteto. Disco e temas dedicados à Primavera Árabe, tem tanto de dramático como de exaltação física, de fuga emocional como de conservador ao mesmo tempo. Quem não gosta de Jazz nem reparará que ele está lá. Quem não gosta de "world music" achará que está aqui algo diferente e que se encontra até em algumas ideias dos Secret Chiefs 3 mas muito sinceramente, quem é que não gosta de música árabe?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016