terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n'A Batalha



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livro co-editado pela Chili Com Carne e o jornal de expressão anarquista A Batalha - no âmbito do seu centenário.

Quando o nome de Stuart Carvalhais (1887-1961) é referido pela segunda vez no diário A Batalha, a 22 de Fevereiro de 1921, dificilmente se poderia augurar um futuro radiante para o cartoonista nas publicações periódicas ligadas à Confederação Geral do Trabalho. Nessa data, o jornalista Mário Domingues escrevia as seguintes linhas: “O sr. Stuart de Carvalhais, colega de Jorge Barradas, sujeito como este a ser amanhã vilmente caluniado por aqueles que ora o afagam, não se envergonhou de aceitar apressadamente o cargo de director do ABC a rir, sabendo como foi injustamente tratado o que o antecedeu. O sr. Stuart Carvalhais julga os seus actos como entende, bem sei; procede a seu bel-prazer. É possível que considere correcta a sua acção. Eu, porém, classifico-a simplesmente de traição”. (...) Apenas dois dias depois, Domingues retratar-se-ia deste duro julgamento. Alegadamente, o Barradinhas teria mesmo merecido ser despedido, mas isso não impediu o jornalista de sublinhar que “no lugar do sr. Stuart, não [aceitaria] esse lugar, não porque isso acarretasse para [si] rebaixamento moral, mas porque esse acto poderia fazer crer ao público, desconhecedor dos bastidores da questão, que não tinha sido leal a sua forma de proceder”. 

Por esta altura, o percurso de Stuart estava ainda afastado do periodismo libertário (...) tinha já colaborado proficuamente no Século Cómico, O Zé, Gil Blas, A Lanterna ou na Ilustração Portuguesa. Em 1914, contribui para o monárquico O Papagaio Real, sob a direcção artística de Almada Negreiros. No ano seguinte, regressa ao Século Cómico, onde inicia a série «Aventuras do Quim e Manecas», e em 1920 junta-se a Barradas em O Riso da Vitória. Depois de se tornar director do ABC a rir, colaborará no ABC e no ABCzinho. Até que se chega a 1923, mais precisamente a 30 de Novembro, e logo na primeira página do n.º 1539 de A Batalha pode ler-se: “Inicia hoje a sua colaboração em A Batalha o conhecido caricaturista e nosso prezado amigo Stuart Carvalhais, cujo lápis exímio e irreverente irá dar aos nossos leitores monumentos de incomparável prazer. Stuart Carvalhais, cujo mérito está acima dos nossos elogios, principia a sua colaboração no nosso jornal com uma série de desenhos, plenos de graça, de comentário ao caso da falsificação dos bilhetes de Tesouro, que tanto tem dado que falar”. 

Os diferendos entre Stuart e a redacção do jornal estariam, agora, plenamente sanados, iniciando-se uma colaboração de três anos com a Secção Editorial de A Batalha. Durante este período, não houve periódicos que tenham recebido mais contributos de Stuart do que o diário, o Suplemento Literário e Ilustrado de A Batalha e a Renovação. Significa isto que Stuart se teria convertido à Ideia anarquista? Ou que teria passado por uma fase monárquica, por ter colaborado em O Papagaio Real e na Ideia Nacional, de Homem Cristo Filho? Provavelmente o mais sensato será rejeitar qualquer uma destas conclusões apressadas. Talvez Osvaldo de Sousa não esteja muito longe da verdade quando afirma que “Stuart era um céptico na política, um anarquista na destruição ideológica e um político-desenhador na expressão do sofrimento, miséria e vida do povo”. 

(...) Ao viver de avenças, de uma produção de uma “média de 15 desenhos por semana”, certamente que não se pode afirmar que Stuart foi, pelo menos nesta década de 1920, “um homem livre” (...) Stuart foi um fura-vidas, que provavelmente viu nas publicações de A Batalha uma forma de se sustentar a si e à sua família e também um conjunto de jornais e revistas que seriam a casa natural para receber o seu golpe de vista impressionista sobre a desigualdade, a exploração infantil, o desemprego, a fome, a crise da habitação, a mendicidade, a prostituição e a questão feminina. 

(...) Apesar de a colaboração de Stuart se iniciar no diário A Batalha, no qual publicou 23 cartoons até à edição de 25 de Dezembro de 1925, é no Suplemento Literário e Ilustrado de A Batalha, fundado em Dezembro de 1923, que se podem encontrar mais trabalhos gráficos da sua autoria. Ao todo são 66, entre cartoons e ilustrações. 

(...) Stuart não mais regressaria aos periódicos de A Batalha, que passavam por uma situação interna complexa: além da instauração da ditadura militar (...), a direcção da secção editorial estava sob fogo do jornal O Anarquista, que acusava os colaboradores do Suplemento, do diário e da Renovação de serem jornalistas profissionais, sem ligação ao meio operário. (...) Não será displicente considerar-se que esta também foi uma das razões para que Stuart não mais emprestasse a sua caneta a A Batalha e que aqui terminasse a sua aventura libertária: à sua espera estava agora a redacção do Sempre Fixe, que o acolheu até à sua morte em 1961. 

 As várias monografias acerca da vida e obra de Stuart (...), pecam todas pela quase total omissão da sua passagem pelos periódicos libertários. Se estas falhas são voluntárias ou mero desleixo pouco interessa aqui, mas certo é que as breves e raras menções a esse período se resumem a um punhado de reproduções gráficas, a considerações genéricas sobre o seu “anarquismo de rua”(?), tudo enquanto se aflora en passant que o autor também fez uns bonecos para as publicações libertárias. 

(...) Sirva então este modesto livro para dar melhor conta, a um tempo, da riqueza múltipla do trabalho de Stuart, sem no entanto cair numa ardilosa hagiografia do seu papel autoral, nem reivindicar uma actualidade que cabe apenas a cada leitor avaliar. E, por outro lado, para mostrar como Stuart foi, entre muitos, um importante contribuidor para a feitura da obra colectiva e centenária de A Batalha. - António Baião no prefácio do livro

domingo, 1 de dezembro de 2019

Olive Metal


Os metaleiros são hipócritas como se sabe, anda sempre a arrotar postas de pescada que tem de ser "True" isto e aquilo mas assim que há uma nova tendência no mercado da música pesada, viram-se logo para ela. Estes Earth Electric nitidamente surfam sobre a onda retro-metaleira criada pelos Ghost e o seu Metal para donas-de-casa. Não haja dúvidas sobre a qualidade instrumental de Vol.1 : Solar (Season of Mist; 2017)! É Hard Rock pesadão com uns sintetizadores ácidos, guitarradas bem rasgadas, uma bateria energética (como aliás, já não ouvia há muitos anos do Camarada Martins) e breaks de quem sabe. Som do caraças! Mas cada vez que oiço aquela vozinha de virgem da Carmen Simões lembro-me que o problema não é chupar os anos 70 mas antes o Gógó Metal dos anos 90. Vade retro! Ah, o disco acaba com um ripanço à Michael Gira porque os metaleiros passaram a ouvir Swans há 15 anos para cá...

sábado, 30 de novembro de 2019

Tipo... não!


Pensava que os Type Non seriam daquelas bandas (projectos?) com centenas de discos e k7s obscuras, afinal de contas, até tem um disco editado em Portugal pela Simbiose. Pois, é o segundo disco / álbum / CD... e o último! 
O primeiro é este Phantasmagoria (SDV; 1991) e que dizer sobre isto? 
Não!
Caramba nem sobre os gajos dá para encontrar o quer que seja na 'net mas lembro-me de vários anúncios sobre o grupo no jornal Blitz. A História espezinha qualquer um, não? 
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Há faixas que parece Residents, outras Dead Can Dance e de forma geral Thobbling Gristle porque tudo que é Electro e Industrial é TG até prova contrária... O segundo disco era ainda mais Dark do que este, e prontooooos, é isto...

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

CRAZY!


O sítio onde meti música pela primeira vez reabriu e com toda a pujança! 
Sim, fica em S. Romão, Seia, Serra da Estrela. 
Chequem Oráculo Bar se forem para aquelas bandas!

Não estava lá em 1989... talvez em 1994...

Café Estádio from paulo abreu on Vimeo.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Amusing regime uvula


Existem ainda lojas de discos na Lisboa dos turistas! E uma delas tem um acervo de discos Punk e quejandos que celebra as velhas glórias - é a Mega-Store By the Largo (do Intendente), by the way... Onde encontrei este CD que mete um colhão de bandas que não foram muito longe a fazerem versões dos grandes Subhumans (ingleses, há também uns canadianos). É o velho "covers album" / álbum de tributo, etc... em que a maior parte das vezes as versões pouco ou nada acrescentam aos originais, por falta de confiança ou originalidade da banda. Das poucas vezes que esta fórmula correu bem foi com o Red, Hot + Blue (dedicado a Cole Porter) e Virus 100 (Dead Kennedys) mas ou por nostalgia barata ou porque até há bandas a foderem os temas originais este CD ouve-se sem ser chato. Punk Rock, Hardcore simpático (Whippasnappa), D-Beat cavaleiro (Rectify), Crust mal-disposto e outras variações possíveis do Punk. Algures uma ida ao Folk (Wat Tyler), ao Dub (Bungalow Band), Post-Punk (Ten Tennats) e ao Indie Pop (LD50), assim a servir quase como interlúdios para as energias agressivas do Punk. Nice. Ah! o CD chama-se  Still Can't Hear The Words: The Subhumans Covers Album (Blackfish; 1999).

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Dear 2019

foto: Simão Simões.
Marcos Farrajota curte Freaker Unltd#6 após visita a excelente exposição Sunshowers.
Sem tretas, ao contrário do Pinóquio-Led que está a engrupir a dama num jantar nada romântico na merda da Lx Factory

- Ian F. Svenonius : Censorship now!! (Akashic; 2015)
- Charlotte Salomon : Vida? Ou Teatro? Charlotte Salomon. Berlim, 1917 – Auschwitz, 1943 (Museu Colecção Berardo) + Life? Or Theatre? (Taschen; 2017)
- Halfdan Pisket : Dansker (Presque Lune; 2018)
- Pietro Citati :  Israel e o Islão : As Centelhas de Deus (Cotovia; 2005)
- Ian F. Svenonius : Supernatural Strategies for Making a Rock 'n' Roll Group (Akashic; 2013)
- Zen : The Privilege Of Making The Wrong Choice (Rastilho; 2018 - orig. 1998)
- Olivier Schrauwen: Vies Parallèles (L'an 2 / Act Sud; 2018)
- Jafar Panahi : Dayereh / O Círculo (2000)
- Mark Greif : Against Everything (Verso; 2017)
- Seth : Clyde Fans (Drawn & Quarterly)
- Amedeo Bertolo : Anarquistas e orgulhosos de o ser (Barricada de Livros; 2018)
- Ethel Grodzins Romm : The Open Conspiracy: What America’s Angry Generation is Saying (Avon; 1971)
- Tom Hart : Hutch Owen - Unmarketable (Top Shelf; 2004)
- Enda Walsh : Ballyturk (Artistas Unidos; 16/04)
- Rafael Álvarez, "El Brujo" : Ésquilo, nascimento e morte da tragédia (Festival de Teatro de Almada)
- Marcel Schmitz e Thierry Van Hasselt : Vivre à / Living in FranDisco (Frémok; 2018)
- Ema Gaspar (curadoria) : Sunshowers (5 Jan - 3 Fev; galeria da Ler Devagar)
- Beherit : Electric Doom Synthesis (KVLT; 2017 - orig. 1996)
- Joyce Farmer : Special Exits (Fantagraphics; 2014)

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Chaka chaka boom

Gozo com os gajos e ainda me deixam escrever na revista! Sim, escrevi uma resenha na Loud! 
Quem a encontrar, ofereço alvíssaras!

domingo, 20 de outubro de 2019

Exposição É Só Vaidade! Colecção da Fundação Farrajota (dias 10 a 20 Outubro) @ Casa José Joaquim Santos

imagem: Tiago Baptista in fanzine Cleópatra (2006)

O mundo gira sempre de forma inesperada e quando o PEQUENO é bom! Encontros Sobre Edição Independente preparava-se para seguir um rumo - a vinda de autores internacionais para conversas com o público - eis que somos convidados para integrar a programação do FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorre de 10 a 20 de Outubro

Uma coisa não impede uma outra e vamos em frente com um encontro mais complexo e completo.


PROGRAMAÇÃO



fotos de Thy-Lande Monnet, montagem fuck off do designer da Fundação


Exposição É Só Vaidade! Colecção da Fundação Farrajota (dias 10 a 20 Outubro) @ Casa José Joaquim Santos 
Os Fanzines poderão ser um artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade bibliográfica, galerias nómadas e precárias, reacções à tirania da História. Desde os anos 30 que sofrem mutações e provocam dores de cabeças a todos que gostam de gavetas bibliográficas. Nesta exposição, da colecção particular de Marcos Farrajota, são mostradas uma série de publicações independentes deste universo, buscando mostrar a sua riqueza de temas e formatos, tudo graças à sua livre circulação.


Conferências (dias 19 e 20 Outubro, respectivamente) @ Livria Artes & Letras - Espaço Ó, às 15h
Casa de Papel - quando os zines invadem espaços físicos 
com 
Cecília Silveira (Sapata Press), Madame Zine (Atelier 3|3) e Xavier Almeida (Revista Decadente)

Tradição já não é... metamorfoses do fanzine 
com
Hetamoé (Clube do Inferno), Tiago Baptista (Façam Fanzines Cuspam Martelos) e Rodolfo Mariano (Rock Bottom)


Workshops por Patrícia Guimarães (dias 19 e 20 de Outubro)
E se o Medo fosse uma personagem de BD? 
para maiores de 7 anos

Folio um outro formato de fanzine
para maiores de 12 anos


Mercado de Fanzines e Edição Independente (dias 19 e 20 Outubro, entre 10h-18h) @ Rua da Porta da Vila
com 
Atelier 3|3 (c/ Casa Azul, Inkprint, Mundo Fantasma, Quarto de Jade), Chili Com Carne, Clube do Inferno, Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG, Paperview, Patrícia Guimarães, Revista Decadente, Rodolfo Mariano, Sapata Press Tiago Baptista.


Novidades Editoriais
Instant Gratification (Paperview) de Abdrew Kuykendall
O Colecionador de Tijolos (Chili Com Carne) de Pedro Burgos
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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Greta Thunberg sings Swedish Death Metal



Escola de Gotemburgo! Melodic Death Metal!

terça-feira, 25 de junho de 2019

JAMM #1 (Fábio Lopes; Abr'19)


Dizem no seu manifesto que "gastaste três euros e meio nisto... [uma página] ...pode ser lixo mas ao menos é reciclável [página seguinte]". Ceeeeeeeeeeeeerto! Eu gastei mais porque mandei vir por correio entusiasmado pelo facto de ter aparecido "mais uma revista de música" / "just another music magazine", ainda mais uma publicação "indie" num país amorfo em que que só sobrou os senis dos metaleiros a publicarem uma revista sobre música (pesada) nas bancas. Devia ter desconfiado logo quando o Gato Mariano desmascarou logo as bizarras intenções desta malta. Afinal é uma revista profissional ou um fanzine a lutar por ideais e estéticas? 
Qualquer resposta seria interessante, pelo menos para mim. Uma revista profissional sobre música é sempre útil como uma revista sobre caça ou aeromodelismo, e um fanzine ainda mais porque é feito de obsessões dos seus editores e colaboradores. Nem carne nem peixe, apenas cáca!
Os editores da JAMM não são uns porcos capitalistas a querem-nos impingir música de merda (embora também o façam), são apenas uns "milleneals", vulgo, ignorantes e narcisistas. Que o seu editor queira aparecer em todas as fotografias da revista, tudo bem, mas que dê ao menos conteúdo nas suas 70 e tal páginas bem impressas maiores que A4. Na JAMM não se escreve uma única linha sobre música - conseguem acreditar? Entrevista figuras institucionais (presidentes de câmara e outros sinistros), escreve a explicar o que é uma mixtape ou um vinil (porque não existe wikipedia em 2019) mas não fala de uma única banda! A não ser que considerem duas sessões de fotografias tontas do Luís Severo (a pensar que ele já se chamou Cão da Morte!) e das Golden Slumbers (quem?) e pouco mais como promoção musical. Parece um jornal de escola para jovens empreendedores que precisam de alguma informação básica para investirem dinheiro. "Just Another Bitches and Money" deveria ser o título. 
Diz Fábio Lopes, o "boss" desta bosta, que não tem curso superior como desculpa por ter feito uma publicação inútil! Olha, meu, sabes não foram quadros de técnicos superiores que fizeram outras publicações sobre música no passado mas sim pessoas que se entregaram de coração e alma para divulgar bandas e projectos de outros sem pensar duas vezes se iam aparecer em fotos catitas! 
Dica da semana: a música é criada para além de preocupações de plataformas digitais ou fronteiras. Outra dica: a música electrónica de dança veio dos guethos dos EUA e das batalhas campais contra a bófia na Inglaterra, por isso nada mais estúpido do que escrever sobre instituições como entregas de galardões MTV (get off the air!? oh, obscura citação!) ou discotecas londrinas de "boom-tchica-boom-boom-boom" - um relato aliás, revelador da ética destes gajos que perdem uma amigo no meio de Londres mas 'tá-se bem, ele deve estar bem, Londres é tão pacífica à noite...
Quem me dera ter perdido apenas 3,5 euros! Mas a quem revenderia isto pelo mesmo preço ou menor? Vai é para o papelão e é já!

terça-feira, 4 de junho de 2019

Especialista em Shoegaze


Um exemplo de uma necessidade extrema de arranjar diversão no festival de BD mais aborrecido do planeta (yup, Beja!). Foto de André Pereira para o instangrana da Chili

terça-feira, 28 de maio de 2019

Eles nitidamente precisavam de mais tempo para gravar...


...Yes please (Factory; 1992) era o álbum dos Happy Mondays que iria safar a editora da falência mas pelo contrário engoliu-a de vez. Que se aprenda daqui, nunca fiar em agarrados e boémios para qualquer tipo de negócios. Disco considerado abaixo dos anteriores (porque é!), há pelo menos duas faixas más (Theme from Netto parece um ensaio de um grupo de baile), outras duas redundantes, aliás, quase tudo é puro Happy Mondays em repetido, o que não é propriamente mau uma vez que ninguém se queixou disso em Ramones ou Motorhead ou Slayer, por exemplo. 

Brilhante é o tema Cut'em Loose Bruce que compensa todo o caos do álbum, tema com um vocal feminino potente de Rowetta, um mini-Rap de Kermit, sons empilhados aos montes mas sobretudo com a banda transformada numa fodidíssima orquestra afro-cubana. Quem não mexer o rabo com este tema é porque tem problemas! Ah, pois, o disco foi gravado nos Barbados com a banda de rastos e totalmente intoxicada em drogas. Shaun Ryder acrescentou a voz só mais tarde, já em Inglaterra depois de alguma desintoxicação clínica. É um estranho disco, feito de camadas de Caribe e depressão branquela.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Homis ta tchora també



 Nem sempre se pode acertar, Mentis Afro (Edietox; 2008) dos Mundu Infernal é um CD de hip hop consciente com rap crioulo tuga. Pena que seja chato, mesmo com o crioulo a descoordenar as palavras deste pula, não bate, muito USA, apesar da boa produção e gravação. Ironia das ironias a melhor faixa do disco intitula-se Deja vú... Mas nunca se sabe quando se acerta! Terra Terra e o seu Volume 1 (auto-edição; 2007) já uma babilónia de sons cabo-verdianos e Hip Hop sem vergonha... Informação na 'net, zero. Tocar no PC também não dá porque está com um programa marado (anti-pirataria?), como não perder tempo com este underground luso-africano?

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Arabi Jazz



Antes de Amir ElSaffar e antes das foleiradas da ERC Records, em 1958 já se tinha fundido o Jazz com os sons das Arábias, graças a Ahmed Abdul-Malik (1927-1993) a tocar oud no East Meets West (Riverside). Nascido nos EUA, dizia que o pai dele era sudanês, mas "wikis" consultados dizem que o pai era das Caraíbas, bof, talvez por isso que Abdul-Malik não voltará a fazer discos assim (a peta não pegou?) - FAKE, volta a fazer um disco este-encontra-oeste em 1963!
No primeiro LP a fórmula ainda está para se descobrir mas é melhor que o segundo disco e mais tarde e melhor em Jazz Sahara (RCA, 1960) porque tem faixas mais longas, e por isso, mais adequadas às expansões melódicas da música árabe - especialmente a faixa El Haris / Anxious. Há muito saxofones intrometidos ao ritmo dromedário da coisa mas mais tarde ou mais cedo calam-se. Uma boa descoberta que me faz esquecer o excesso de ElSaffar...

terça-feira, 7 de maio de 2019

RIP Barbosa, RIP RE, RIP MMP


Faleceu o Barbosa e com isso qualquer hipótese de voltar a ver os Repórter Estrábico ou ouvir discos novos. Significa também que se já nem ouvia bandas Pop/Rock portuguesa - ficava-me por ler as tiras do Gato Mariano mas nem ia ouvir a merda que se produz - agora nada irá mover-me para ouvir o quer que for desse espectro. Foram os melhores!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Prova dos Nove

Para provar a inabalável certeza deste texto vamos lá ver, estive recentemente na Feira de Metal de Almada e trouxe uma mão cheia de CDs, compras aleatórias de gajo que ainda curte discos a 10 paus ou mais.
Tomb of Finland adquiri pelo nome parvo associado ao grande fazedor e ícone de BD gay Tom of Finland, só por isso valia a pena pegar nele se Frozen Death (Target; 2018) não fosse dos discos mais chatos de Doom/Death do mundo, e de sempre! São finlandeses gordos, bem na vida sem nada para dizer a não ser banalidades, curtem a Morte? Olham suicidem-se agora em Abril que é a altura mais popular para essas acções na Escandinávia. Ainda por cima tive de esperar uma eternidade para que o vendedor soubesse o preço desta merda, além que foi o mais caro do lote que trouxe e ainda ouvi a boca "isto é Doom com onda Death mas não é para Hipsters!". Ou o CD é uma grande merda ou eu sou uma grande merda de hipster, o que me estou bem a cagar porque sei que irei vender isto no discogs.com e recuperar o meu guito... E foi o que aconteceu, uma semana depois foi para um grego com falta de bom gosto!

Felizmente trouxe dois CDs de Beherit que deixam qualquer um K.O. Engram (KVLT; 2016) é de 2009 e é o mais purista na forma, ou seja Black Metal. Desta banda finlandesa que volta a ser banda e não projecto de um músico só. Vamos lá ver, Beherit faz parte da segunda geração de Black Metal, digna de rivalidade com os broncos noruegueses mas que rapidamente se desfez ficando Nuclear Holocausto (voz, guitarras e sintetizadores da banda e sim é o pseudónimo de um músico), dizia, Nuclear Holocausto ficou sozinho a criar mais dois discos electrónicos de má onda ambiental. Engram é puxado para os ouvidos virgens de BM, Aqui e acolá ouve-se uns samplers de Ambient a completar a coisa, mas mostra de quem sabe sabe e que não é preciso mais gente neste subgénero de música. Electric Doom Synthesis (KVLT; 2017) já é outro campeonato, é dos tais discos electrónicos de (Dark) Ambient, de 1996, e parece mesmo música feita para festa do Santo Cabrão, sobretudo impressiona por ser dinâmico na sua estrutura, pouco dado a repetições e drones tão na moda do século XXI. Lembra Throbbing Gristle que tinha feito algo 20 anos antes, tudo bem, mas um metaleiro é um metaleiro e vice-versa. Álbum impressionante que deve ter posto muita gente a pensar no futuro da música e na ninfa loura com maminhas à mostra do livrinho do CD - em LP deve ser melhor, claro!