segunda-feira, 13 de agosto de 2018

18 coisas favoritas



- Mário Rui Pinto [ed.]: Os Cangaceiros (Barricada de Livros; 2017)
. Mário Moura : O design que o design não vê (Orfeu Negro)
- Abbas Kiarostami : Close-up (1990)
- David Byrne (11/7, Hipódromo Manuel Possolo, Cascais)
- Luis Buñuel : O meu último suspiro (Fenda; 2006 - orig. 1982)
- Alfred Kubin : O Império do Sonho (Vega; 1986 - orig. Die Andere Seite; 1908)
- Ruppert & Mulot : O Reino (Douda Correria)
- Jorge Ferraz: Machines for Don Quixote et Viva la Muerte (Cobra)
- David Mazzucchelli : Asterios Polyp (Pantheon; 2009)
- Romeo Castellucci : Democracy in America (25/2, Teatro São Luiz)
- Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippo : The Lobster (2015)
- Exotic Esotérique, vol. 2 (Arte Tetra; 2017)
- Igor Hofbauer : Mister Morgen (Conundrum; 2017)
- Solveid Nordlund : A Filha (2003)
- Scurú Fitchadu : Scurú Fitchadu (Zerowork; 2017)
- Holy Palms : Jungle Judge (Arte Tetra; 2016)
- Tones on Tail : Pop (Beggar's Banquet; 1984)
- Achille Mbembe : Crítica da razão negra  (Antígona; 2014)

terça-feira, 31 de julho de 2018

CIA info 89.0


Fiz uma BD para o Festival Nova na Sérvia, como sempre através do amigo Aleksandar Zograf
É sobre os fascistas do Pingo Doce e a Herança Europeia. 
Em Outubro terei + informações da exposição e catálogo.
Boas férias!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

domingo, 29 de julho de 2018

Selling Portugal by the pound


Participação na revista sueca Bild & Bubbla sobre eventos de verão em Portugal ligados à BD... falhou o Necromancia Editoral porque o Milhões de Festa parecia que não ia haver e de repente mudou a data para Setembro...



sábado, 28 de julho de 2018

Falta de notícias?


Não falta nada, são sempre as mesmas... Se faltam notícias neste blogue então devo dizer que continuo a colaborar com A Batalha com a tira CAPAM (a fotografia é do número anterior). E agora inclui também resenhas escritas sobre zines, livros e discos, fartei-me de o fazer para o blogue da Chili Com Carne, prefiro que saiam em papel / físico / analógico. Seja como for, cada número custa apenas 70 cêntimos, cada vez está mais ilustrado e interessante, procurem este Jornal de Expressão Anarquista! Não há desculpas! Se houver continuem a engolir merda com os outros jornais dos betos!

A Batalha está à venda na Tortuga, Letra Livre, Barata, Linha de Sombra, Leituria, RDA69, Tigre de Papel, Zaratan - Arte Contemporânea, nos quiosques junto ao Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano e na Rua Camilo Castelo Branco (Lisboa), no Gato Vadio e na Utopia (Porto), na Uni Verso (Setúbal), na SMUP (Parede) e na Fonte de Letras (Évora).

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Quinta dos Acordes

Não porque raios passo a ser um gajo que vale a pena fazer perguntas mas depois das Senhoras agora foi a Acordes de Quinta a perguntar 5 livros, discos e filmes... bof!

Admito que quase chorei com estas gentis palavras: De ar tímido, relaxado e "na dele" está muitas vezes Marcos Farrajota a rabiscar um caderno quando o encontramos em eventos independentes, festivais de música, exposições de banda desenhada/ fanzines. No festival SWR Barroselas Metalfest, podemo-lo encontrar, por exemplo, a relatar, num diário desenhado, tal qual Jack Kerouac, episódios que despertam a sua atenção. (...) Autores honestos como Marcos Farrajota não se deixam intimidar por outras vozes, precisamos de mais autores assim. 

Jack, não te passes!

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Ontem morreu o Frankenstein, o Frankenstein morre amanhã


O italiano Riccardo Balli, aka DJ Balli, visita-nos pela segunda vez em Lisboa e pela primeira vez ao Porto. Desde as suas quatro performances no festival Ruído Terapêutico da Klasse Operária no Damas, Disgraça e afins, houve muitas novidades suas. Muitas mix-tapes, novos discos e a Chili Com Carne e a Thisco publicaram o seu quarto livro: Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus : micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary.

Livro inclassificável de mashup literário e de ensaio sobre cultura pós-Rave, que tanto celebra os 200 anos da publicação do romance de Mary Shelley como a divertida editora de Balli, a Sonic Belligeranza, evocando os espíritos MIDIevais e dos jogos de arcada.

É nesse contexto que irá apresentar, no dia 12 de Julho, o seu livro na Tasca Mastai, no Bairro Alto, às 20h, seguida de uma festa com um DJ set seu no Lounge, Cais do Sodré, às 23h.

No dia seguinte, às 22h, Balli segue para o Porto para realizar uma "Sessão Espírita em Baixa Definição", do seu livro Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus, no âmbito da exposição O Ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã, na Galeria Municipal do Porto.

A Galeria convidou a artista Carla Filipe a desenvolver um projecto que se debruçasse sobre as práticas sociais em nightclubs, enquanto espaços de fuga às possíveis falências de sistemas sociais diurnos. (...) Associada ao ambiente nocturno – meio em que Carla Filipe se movimentou com uma participação activa como artista plástica na criação de posters e imagens alusivos à programação de eventos de música electrónica e DJ set – esta exposição (...) contará com uma selecção de artistas locais e internacionais que se enquadram nesta convergência música/ imagem mas cujo corpo de trabalho mantém um carácter autónomo enquanto criação plástica, reflectindo a relação do particular com o plural (do indivíduo com a comunidade), e evocando pelo caminho a história da arte e a sua ligação à música através de um conjunto de referências autorais. Rudolfo, que fez o cartaz e o design do livro do Balli, está com trabalhos expostos juntamente com os de Raymond Pettibon (o gajo das capas de Black Flag e Sonic Youth, caraguuuu!!!) nesta exposição!!!

Quanto à performance de Balli: Através de uma séance de baixa-resolução mediada por links de Game Boy, Ricardo Balli irá evocar nesta sessão o espírito de Giovanni Aldini (1762 – 1834), famoso ressuscitador de defuntos que inspirou a obra Frankenstein: or the Modern Prometheus. Aldini contará uma versão comprimida da história original de Frankenstein, cruzando a linguagem do livro com elementos de retro-gaming, simplificando a sua narrativa como se de um jogo Arcade se tratasse. Aldini era sobrinho de Luigi Galvani, célebre cientista italiano do séc. XVIII, e vivia na Bologna MIDIeval tal como o autor desta performance.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Alguém me está a ajudar a vender livros...


Este monte de merda (a obra? o artista? os dois?) aparece numa BD minha no Free Dub Metal Punk Hardcore (...) e saudamos o povo de Sto Tirso fazer Arte à séria! Ainda têm lá muita escultura horrível para destruir, não se fiquem pelo gordinho!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

You can't ween all the time

Hoje em dia basta carregar num botão para ouvir imediatamente todas as músicas do mundo em nossa casa. Vejo claramente o que se perdeu. E o que se ganhou? Para atingir a beleza, penso que são necessárias três condições: esperança, luta e conquista.

Luis Buñuel (1900-83) 
in O meu último suspiro (p. 271, Fenda; 2006 - orig. 1982)



Apesar do botão profetizado por Buñuel continuo a comprar discos sem os ouvir primeiro, desejoso que vá levar bofetadas na cara quando os ouvir virgenzinhos na aparelhagem. Isto vale para bandas que nunca ouvi falar como para projectos que pensava que já conhecia.Nem God Ween Satan The oneness (Twin/Tine; 1990) dos Ween nem Hello Young Lovers (Gut; 2005) dos Sparks são discos maus mas não era o que esperava. Quem vem alimentado de Pure Guava e protegido de Kimono my house poderá ficar na defensiva, e desconfiado... e arrependido. Ambas bandas são norte-americanas e gozonas, usam o rock como quem usa sabonete, purismos não é com eles.

No caso dos Ween conheci-os sem capa nem créditos, numa k7 com os títulos das músicas escritos pelo Brian, vocalista dos Primitive Reason, numa letra tão merdosa que a capa da k7 poderia ser realmente a edição oficial do Pure Guava. Disco esse que parece tocado por crianças com capacidades de adultos, e era aí que residia o génio da banda e do disco. God Ween Satan, apesar de ser anterior, parece aquele disco quando uma banda se vende e passam a ser chatos. É música de adultos com capacidades musicais a tentarem ser crianças.

Eles sempre fizerem música para fornicar as pessoas, o propósito principal da banda para além das drogas. Em Pure Guava a razia era total, não deixava muitas pontas por onde se pegar, uma inocência era transmitida com o acto de fazer quase tudo errado, novos mundos apareciam de música para música. Em GWS parece que temos os ZZ Top a quererem ser uns granda malucos, ou uma versão tótó dos Butthole Surfers. Previsível mesmo quando eles saltam por cima de todos os géneros musicais da altura: Hardcore, Reggae, Funk, Gospel, etc... Não admira que se tenham transformados em mascotes do South Park. Os outros discos serão melhores? Será que os devia ouvir no youtube invés de os 'tar a comprar? Dilema...



Os Ween são irmãos falsos ao contrário dos Sparks, Ron e Russel Mael, que são do mesmo ventre mas ambos falsificam a música, os Ween fingindo serem espontâneos e os Sparks com operetas sofisticadas. "Queen para queers" poderia ser um bom sound bite para esta banda, afinal há falsetes, Hard Rock, arranjos sinfónicos, etc... no entanto com maior relevância que alguma vez foram os Queen porque esta banda não trata de excitações nacionalistas nem machistas, pelo contrário temos Pop Inteligente com letras irónicas e politizadas como (Baby Baby) Can I invade your country. Para quem gosta de Residents ou They Might Be Giants, esta é a banda que fica no meio delas. Só acho os temas longos demais bem como o álbum - mesmo problema do CD dos Ween, já agora. Esperem lá, deixa ouvir isto com mais calma, é capaz ainda de bater... Amanhã digo-vos mais, ou talvez não. Entretanto saiu novo disco deles, que fazer?

terça-feira, 26 de junho de 2018

Fora do baralho!



Eis o quarto volume da AcontorcionistA, uma Rapsódia Erótica de autoria do Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer, publicada pela MMMNNNRRRG e promovida e comercializada pela Associação Chili Com Carne. 

Desta vez, trata-se de um jogo apolíneo para jogadores dionisíacos, contendo um baralho original composto por 68 cartas, com regras para descobrir ou criar. Foram feitos apenas 200 exemplares.


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AcontorcionistA / The ContorcionisT is an erotic rhapsody consisting of a series of multi-format illustrated books authored by a mysterious collective called Empireo. 

 This is the forth issue of AcontorcionistA this time disguised as an Apollonian card-game for Dionysian players, containing an original 68 units deck with rules to be discovered and created. 


 There's only 200 copies of this fabulous object.

 


Lançado debaixo do balcão durante a Feira do Livro de Lisboa, o Baralho encontra-se à venda na loja em linha da Chili Com CarneLinha de Sombra, ArchiBooks (Fac. Arquitectura de Lx) e Tigre de Papel. Brevemente na Purple Rose e mais lojas atrevidas.

Em frente em todas as direcções!


Num ano é música dos Balcãs, noutro é Cubano, no seguinte é Afrobeat e Highlife, depois é Klezmer, etc... O Ocidente capitalista e bronco vai descobrindo a música do "resto do mundo" desta forma homeopática. Para quem quer tudo ao mesmo tempo há uma solução e não, não são os Clash nem os Mano Negra!

É uma banda inglesa que se pode meter no meio dessas duas, os 3 Mustaphas 3, um verdadeiro "melting pot" de músicas do mundo pelos quais não temos de esperar pelo David Byrne ou pela Soul Jazz para esperar pela moda musical primavera / verão. Estes ingleses eram uns sete em palco mais o seu frigorífico, onde guardavam fruta fresca - colocando o Bez dos Happy Mondays numa situação complicada: o que é melhor ter como elemento extra de uma banda? Um gajo que dança ou um electrodoméstico que dá vitaminas? O Bez arranjava drogas, hummmm...

Quer ouvindo Shopping (1987) ou Heart of Uncle (1989) não encontro grande diferenças entre os discos. A base desta banda é Balcãs, Klezmer, música árabe e cigana mas nada impede que eles mudem para ritmos Africanos e Afro-latinos ou até para Funk e Rap. A diferença passa pelos formatos de edição apenas, Shopping é ainda um disco pensado para LP e o outro já se estica para o tempo de uma hora graças à tecnologia do CD - que se imponha na altura como o formato áudio do futuro [rir nesta parte]. Uncle incluía mais vozes femininas também ou assim parece, se calhar tem a mesma proporção para uma hora de música... Quem sabe?

Apesar de serem todos uns branquelos britânicos - e tal como todos os ingleses tem focinho que parece que gostam de tau tau - os 3M3 (posso-vos tratar assim?) eram contra as fronteiras físicas e musicais, estavam nitidamente 30 anos à frente da Inglaterra-Brexit de hoje. Em 2018 é bom ouvir música destes tipos com aqueles chapéus marados (o chapéu chama-se "fez" ou "tarbush"), ainda dá alguma esperança na Humanidade ou naquela ilha...


Thanks Fikaris for the tip. Obrigado à Glam-O-Rama por ser o único sítio em Lisboa (essa capital tão falsamente cosmopolita) que tem estes discos!

PS - entretanto apanhei Soup of the Century (Ace / Ryko; 1990), o último disco desta banda e é uma grande seca. A inspiração passou a gordura de comer muito, provavelmente... pena!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

CIA info 88.7


Capa para um single 7" de uma banda lisboeta que não dá bocas - como alguns cabrões que andam por aí... Falo dos mutantes dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS que lançaram o disco no passado Domingo 28 de Janeiro, no Atelier Concorde (Rua Leite Vasconcelos, 43A à Graça). E decidiram fazer exposição das capas até dia 1 de Fevereiro!



Resta dizer que o single é limitado a 33 cópias e cada cópia tem um desenho original do ilustrador!!!
Obrigado Boris & João pelo convite!



O novo single dos infames dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS foi gravado, misturado e masterizado pelo maestro Milo Gomberoff no estúdio Hukot em Barcelona durante a KsChNpSk Tour e que foi lançado numa edição ultra-limitada em vinil transparente com capas originais de 33 artistas, a saber: Aleksi Laisi, Anafaia Supico, Ana Farias, Anatureza, André AFTA3000, André Lança, Animal Sentimental, Aude Barrio, Bárbara Assis Pacheco, Barbara Meuli, Begoña Claveria, Binau, Carlos Gaspar, Daniela Rodrigues, Germes Dean, Gonçalo Duarte, Irene Fernández Arcas, Jaime Rydel, José Smith Vargas, Juanito, Kro, Luís Luz, Marcos Farrajota, Mariana Marques, Mário Pegado, Marta Sales, Martina Manyà, Miss Inês, Moca, Nuno Barroso, Pedro Costa, Sara Franco e Vicente Nunes.



Soube esta semana que a "minha" cópia foi para um comprador de Viseu e que foi feito um fanzine com todas as ilustrações, yes!!! Isto sim, gente que faz e cumpre! Punks à séria!

Até há vídeo do tema e tudo:


terça-feira, 5 de junho de 2018

A Morte da Besta (2000-2020)

18 anos a praticar Suicídio Comercial é muito tempo. 
Em 2020 já cá não estaremos. 
Extinção.

Isto porque nos prometeram, em 2000, no mesmo ano que aparecemos, que as nações do mundo iam até 2015 acabar com a pobreza extrema, promover a igualdade de género, assegurar a sustentabilidade ambiental entre outras belas patranhas. Estamos em 2018 e tudo piorou. 2020 não será melhor. Não estaremos cá para isso.


Passados 18 anos ainda ninguém consegue dizer MMMNNNRRRG!

Dezoito anos depois de apresentarmos autores em Portugal e no mundo que fazem toda a diferença, continua-se a papar grupos como "novelas gráficas" secas, vazias e redundantes. Pior que a "bedófilia" do super-herói e outros lixos "teenagers" é ver este gato a passar por lebre nas livrarias. Mete-nos nojo e percebemos que perdemos tempo. Já chega.

Em 2020 damos o berro. Não o fazemos antes porque temos ainda finlandeses, contorcionistas e k7s para editar. E um número redondo é um número redondo. 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo... Aproveitando enquanto decorre este cemitério de livros, que é a Feira do Livro de Lisboa, anunciamos o nosso FIM em modo de "fade out".

A Associação Chili Com Carne, que desde o início nos tem apoiado na promoção, irá gerir esta falência espiritual com campanhas de desconto e promoções dos últimos exemplares das nossas edições.



Não será um final humilhante como outros que acontecem por aí. 

Até 2020 ainda lançaremos algumas edições para irritar os fatalistas. Um novo livro de Tommi Musturi, um livro de outro autor finlandês a divulgar em breve, uma k7 com originais e remixes de Black Taiga, em parceria com a Rotten Fresh, os últimos objectos da AcontorcionistA - o mais recente, é o Baralho que já circula e um muito desejado segundo número do Subsídios com o Dr. Urânio.


A Besta sempre teve dignidade, até na Morte.
Até já e obrigado!



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Fundada por Marcos Farrajota em 2000 e dirigida com Joana Pires desde 2010, a MMMNNNRRRG publica "Art Brut Comix" de artistas de BD "outsider" de toda a parte do planeta: Portugal, EUA, Reino Unido, Croácia, Finlândia, Sérvia, Roménia, Holanda, África do Sul, Bélgica, Grécia, Rússia e Suécia. Tendo a primazia o livro em offset mas não impediu de inaugurar o boom dos graphzines em serigrafia em Portugal e experimentado outros formatos menos convencionais. Desde 2015 que lança k7's de "música inesperada" - Black Taiga, Melanie is Demented, Traumático Desmame, BLEID - com as embalagens mais saudáveis do planeta. 
Trabalhámos com algumas instituições como a Escola Ar.Co. (num projecto que incluía Ana Hatherly, António Poppe,...) ou o Cinanima, recebemos o prémio TITAN em 2010 com Já não há maçãs no Paraíso de Max Tilmann; em 2011, cinco dos autores que publicamos (Janus, André Lemos, Pepedelrey, João Maio Pinto e Tiago Manuel) tinham trabalhos expostos na exposição Tinta nos Nervos no Museu-Colecção Berardo; Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi foi seleccionado para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die de Paul Gravett; em 2014 W.C. de Marriette Tosel foi selecionado para um concurso da Society of Illustrators de Nova Iorque; em 2016, Anton Kannemeyer participou na polémica conferência da Fundação Gulbenkian Foundation e ganhou o Prémio Nacional de Melhor Álbum de autor Estrangeiro com Papá em África na Amadora BD.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Arroto Dub e outros poemas


Quando é que um disco de música experimental não é chato? 
1) Quando vamos a meio do disco e não damos por ele
2) Quando se ouve várias peças e há variedade q.b.
3) Quando há humor das peças (até o John Zorn sabe disso!)

O festival Avanto, de música electrónica experimental que acontecia no Kiasma, editada alguns CDs com os artistas que convidava, podia ser "brutistas" como o japonês KK Null ou "gender-bender" como o Terre Thaemlitz mas sobretudo não parecia ser chato. Porquê?

Porque os finlandeses gostam de se divertir mesmo ao ponto de não serem sérios como geralmente são este tipo de iniciativas. Kiitos.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Gringos locos


O papagaio que cobre o split-EP de 7" é o vocalista da banda Death Metal Hatebeak, com quem dividem o disco com Longmont Potion Castle - edição da Reptilian, de 2004. Como afirma DJ Balli (ou se calhar não, se calhar samplou de alguém): "No more frontman, front animal!" Os vocais são alucinantes, o instrumental é bem feito q.b. (um dos elementos humanos é dos fantásticos Pig Destroyer) e assim puxam carroça prá frente muito mais desde que os Cannibal Corpse e afins engordaram e fazem álbuns todos os anos chatos como tudo - as revistas da especialidade dizem que não mas por alguma razão chamam-se revistas da especialidade. LPC faz um trote metaleiro, tipo quando Judas Priest é pesado, não indo de encontro às partidas com chamadas telefónicas que costuma fazer. Na verdade ele até tem um álbum só de Thrash Metal por isso ele deve ser um metaleiro inteligente...


Divine (1945-88) foi a "drag queen" mais importante do mundo - ou até a "mulher mais bonita do mundo, quase" - e isso não impediu de fazer música merdosa como este single You think you're a man (Proto; 1984) que até teve mãos (suadas?) de Stock Aitken Waterman, os três produtores britânicos que fizeram os maiores sucessos Pop pueris da década de 80: Kylie Minogue, Bananarama, Rick Astley e outras bostas andantes da altura. E para bom entendedor, meia palavra basta... Ou então ainda se pode dizer isto, ouvir este single é como arte contemporânea, é bom que se saiba que é uma Drag Queen, desculpem, "A Drag Queen Divine" (imagens virão logo caso alguém tenha visto os filmes do John Waters) senão não tem mérito nem interesse, tal quando se olha pra umas merdas no chão de uma exposição sem a folha de sala. Thanks Jucifer!

Enfim, os norte-americanos tem esta coisa pelo culto da extravagância, seja o que lhe cresça ou não no corpo não é razão de vergonha e toca a dar no showbizz. O mais louco deles todos será sempre Spike Jones (1911-65), o mestre da música Novelty! Mas nem tudo o que luz é ouro na sua discografia e é preciso ter cuidado com os discos dele. Os melhores são dos anos 30 e 40 em que Jones e a sua banda City Slickers eram virtuosos e tão rápidos como os Mr. Bungle em ritmo e mudança de sons. Jazz combo com cabras para berrarem ao tempo certo, disparos de pistolas, o "latrifone" e anões completavam o Freak Show. Estas colectâneas fazem esse apanhado, por exemplo:



Baratas por aqui e aqui. Mas há mais discos e os nos anos 50 e 60 passam mais a serem espectáculos radiofónicos, pode-se assim dizer. O humor passa a ser "teen", arrotos, piadolas irreverentes para putos, sintonizando com a revista Mad - aliás, Jack Davis (1924-2016) fartou-se de lhe desenhar capas.



Novamente: baratinhos aqui e aqui. Estes são LPs que reciclam as músicas dos anos 30/40 seguindo um guião temático. Por acaso a primeira parte de Dinner Music for People who aren't very hungry até acaba por ser giro porque brinca com o conceito da "alta fidelidade" sonora, que poderá ter muita importância para um brincalhão como Jones! Mas nada bate temas como o My old flame que nem o Nick Cave seria capaz de escrever tal letra violenta ou a velocidade punk de You always hurt the one you love, paródias de "hits" da altura. Aí é que está o Spike Jones que interessa.

domingo, 29 de abril de 2018

Procissão


Um disco inesperado este Gahvoreh (Transmedia; 1988) de António Emiliano, músico e académico, para um bailado do luso-iraniano Gagik Ismailian na Gulbenkian. Que existam peças destas não seria de admirar mas editadas é que é inesperado. New Age manhoso, com travos de Rão Kyao, mistura música persa com sintetizadores, eis uma espécie de Dead Can Dance mais oriental que ocidental. É um LP instrumental que deixa a dúvida entre a beleza, o kitsch e o insuportável, ainda assim é bom saber que em 1988 nem tudo neste país atrasado era só GNR ou Xutos... Claro que isto passou-me ao lado quando era puto e descobri recentemente na Megastore by Largo, no Intendente.

sábado, 28 de abril de 2018

Um mundo melhor


O Alan Moore reciclou o "smile" que depois foi adoptado pela cultura Rave e tornou-se no ícone do Techno e do Ácido. O mesmo fez das máscaras do Guy Fawkes o novo ícone pseudo-anarquista / hacker / anti-globalização. Será o único autor de BD que contribuiu para um mundo melhor? [Eu não escrevi isso! Fui hackado de certeza!!]
Há o Richard McGuire, um grande ilustrador que por acaso fez uma BD seminal em 1989, "Here" na revista Raw - esqueçam a sua "graphic novel" homónima, mero exercício de estilo inútil e desinspirado. Claro que a BD percorreu apenas quem se interessa pela BD à séria, por isso não foi através dessa BD que ele influenciou meio-mundo - embora é certo que o "Here" por ser uma ruptura formal fez muitas cabeças pensarem no assunto e usarem o ensinamento noutras obras. Mas foi através da música dos seus Liquid Liquid, onde era baixista, que ele deixou marca da grande.
Ouvir o tema Optimo é ouvir o Querelle dos Pop Dell Arte, Bellhead também lembra algo nos Pop Dell Arte, o baixo de The Cavern foi samplado por sabe-se lá quantas bandas de Hip Hop e outras, logo a começar pelo Grandmasterflash and the Furious Five - no tema White Lines - que deu azo a processos  judiciais entre editoras - a mafiosa Sugarhill dos rappers contra a 99 Records que editava a No Wave nova-iorquina. A 99 perdeu dinheiro e foi-se uma editora que apostou em todo um novo universo sonoro.
O CD Slip In And Out Of Phenomenon (Domino; 2008) reúne a discografia inteira da banda, mesmo quando antes se chamavam Liquid Idiot, o que se resume a uns três EPs, entre 1981 e 1983, mais uns extras e raridades. Baixo pulsante, poliritmia, gritinhos & guinchos (nos anos 80 o pessoal guinchava e gritava muito), Rock mais perto da dança Funk e do Dub, os Liquid Liquid tiveram uma carreira fora do normal. Mais ou menos ignorados pelo grande público enquanto existiam, tiveram réplicas ao longo dos tempos, do Hip Hop aos LCD Soundsystem, dos Pop Dell'Arte aos "ringtones", enfim muita coisa não existiria sem esta banda e o baixo de McGuire...

sábado, 21 de abril de 2018

5 IPM


Punks leitores? A falar com Senhoras? É um mundo em mutação? É o que parece...