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domingo, 13 de junho de 2010

Fim-de-semana obscuro : Domingo

A exposição åbroïderij! HA! foi para Setúbal e tiveram a boa ideia de por os Traumático Desmame para a inauguração e a tocarem dentro de uma capela... Ambiente bem fixe com os filmes bizarros que aguentaram 8 minutos de concerto até a organização cortar a electricidade... censura beata do tempo do Salazar mas que até foi bom, assim foi curto e ficará para a História (Obscura), se tivesse que aguentar 40 minutos de barulheira dos Desmame iria-me esquecer do sítio e da experiência... Foi melhor assim, quem disse que a censura não é uma coisa fixe?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mitra sound baby


A primeira semana do Furacão Mitra em termos de registos aúdio não me correu nada mal - se esquecermos o desastroso directo para a Rádio Zero. Primeiro veio-me prás mãos o vinil de 10" dos [f.e.v.e.r.], The Laptop Mixes (Raging Planet, 2008) que edita a passagem da banda pela sessão "3 pistas" comissariadas por Henrique Amaro e a Antena 3. Editado em vinil branco ao sabor de produção DIY para fã desnaturado... Interessante sem acrescentar nada de novo. O mesmo para o novo single dos Haxixins, Depois de um Lsd / Espelho invisível (Groovie Records; 2008) em vinil verde radioactivo... Radioactivo ou retroactivo? Conforme quiserem, são uma verdadeira máquina do tempo para gostava de ter vivido a Swinging London com o fuzz eléctrico das drogas... giro mas eu prefiro o Século XXI!
Depois houve Traumático Desmame com a banda a atirar k7's ao público - pertença antiga do Dr. Gama - apesar de estar a fazer um directo pró Invisual de alguma forma consegui uma k7 de 90m com Ancient Wisdom (Doom Metal chato) e Dark Funeral (Black Metal que ainda não ouvi com atenção). Troca feita com o Gama e resultou no Split-DVD dos Desmame com Josué o Salvador em Busca da Perdição (Useless Poorductions; 2008). Ainda não tive tempo para ver... o Furacão não tem sido Mitra mas tem sido um furacão na minha vida!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Mitra, Mamede e Desmame

Mamede (Filipe Abranches + João Maio Pinto + Ricardo Martins) na inauguração do Furacão Mitra



Depois Traumático Desmame (Filipe Leote + João Gama + João Trovão)

Invisual 8.2 || RÁDIO ZERO

Esta Quarta, às 20h vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a oitava emissão da "segunda temporada" do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
Produzido por
Marcos Farrajota, este programa será um especial em directo do Furacão Mitra em que pelo menos o polémico autor norte-americano Mike Diana será entrevistado e se calhar ainda poderemos ouvir os Mamede - cujo um membro da banda fez o cartaz do evento ------>
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É repetido no Sábado, às 13h. Playlist: Traumático Desmame (ao vivo), Iron Monkey e Authopsy Protocol.
Podcast aqui depois da emissão.
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Já agora fiquem com a programação musical do evento:

--- Inauguração com Mamede e Traumático Desmame ::: gratis, às 19h

--- Festival Rajada Famélica
dia 11: I had Plans + Kill me Tomorrow (usa) ::: 5€, às 22h
dia 12: HüsqVarna + The Living Dead Orchestra ::: 3€, às 22h
dia 19: Lobo + The Sound of Typewriters ::: 3€, às 22h

--- DJ's: Ardo Zilef (dia 10), Festa FUCK 80's com GoldenShower e Slug (dia 13), GoldenShower (dia 17), Milkshake dos Campeões do Yé Yé (dia 18), Pirata (dia 20, a confirmar)...

terça-feira, 5 de junho de 2018

A Morte da Besta (2000-2020)

18 anos a praticar Suicídio Comercial é muito tempo. 
Em 2020 já cá não estaremos. 
Extinção.

Isto porque nos prometeram, em 2000, no mesmo ano que aparecemos, que as nações do mundo iam até 2015 acabar com a pobreza extrema, promover a igualdade de género, assegurar a sustentabilidade ambiental entre outras belas patranhas. Estamos em 2018 e tudo piorou. 2020 não será melhor. Não estaremos cá para isso.


Passados 18 anos ainda ninguém consegue dizer MMMNNNRRRG!

Dezoito anos depois de apresentarmos autores em Portugal e no mundo que fazem toda a diferença, continua-se a papar grupos como "novelas gráficas" secas, vazias e redundantes. Pior que a "bedófilia" do super-herói e outros lixos "teenagers" é ver este gato a passar por lebre nas livrarias. Mete-nos nojo e percebemos que perdemos tempo. Já chega.

Em 2020 damos o berro. Não o fazemos antes porque temos ainda finlandeses, contorcionistas e k7s para editar. E um número redondo é um número redondo. 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo e um número redondo é um número redondo, ora 2020 é bonito porque é um número redondo... Aproveitando enquanto decorre este cemitério de livros, que é a Feira do Livro de Lisboa, anunciamos o nosso FIM em modo de "fade out".

A Associação Chili Com Carne, que desde o início nos tem apoiado na promoção, irá gerir esta falência espiritual com campanhas de desconto e promoções dos últimos exemplares das nossas edições.



Não será um final humilhante como outros que acontecem por aí. 

Até 2020 ainda lançaremos algumas edições para irritar os fatalistas. Um novo livro de Tommi Musturi, um livro de outro autor finlandês a divulgar em breve, uma k7 com originais e remixes de Black Taiga, em parceria com a Rotten Fresh, os últimos objectos da AcontorcionistA - o mais recente, é o Baralho que já circula e um muito desejado segundo número do Subsídios com o Dr. Urânio.


A Besta sempre teve dignidade, até na Morte.
Até já e obrigado!



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Fundada por Marcos Farrajota em 2000 e dirigida com Joana Pires desde 2010, a MMMNNNRRRG publica "Art Brut Comix" de artistas de BD "outsider" de toda a parte do planeta: Portugal, EUA, Reino Unido, Croácia, Finlândia, Sérvia, Roménia, Holanda, África do Sul, Bélgica, Grécia, Rússia e Suécia. Tendo a primazia o livro em offset mas não impediu de inaugurar o boom dos graphzines em serigrafia em Portugal e experimentado outros formatos menos convencionais. Desde 2015 que lança k7's de "música inesperada" - Black Taiga, Melanie is Demented, Traumático Desmame, BLEID - com as embalagens mais saudáveis do planeta. 
Trabalhámos com algumas instituições como a Escola Ar.Co. (num projecto que incluía Ana Hatherly, António Poppe,...) ou o Cinanima, recebemos o prémio TITAN em 2010 com Já não há maçãs no Paraíso de Max Tilmann; em 2011, cinco dos autores que publicamos (Janus, André Lemos, Pepedelrey, João Maio Pinto e Tiago Manuel) tinham trabalhos expostos na exposição Tinta nos Nervos no Museu-Colecção Berardo; Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi foi seleccionado para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die de Paul Gravett; em 2014 W.C. de Marriette Tosel foi selecionado para um concurso da Society of Illustrators de Nova Iorque; em 2016, Anton Kannemeyer participou na polémica conferência da Fundação Gulbenkian Foundation e ganhou o Prémio Nacional de Melhor Álbum de autor Estrangeiro com Papá em África na Amadora BD.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Remexer no lixo

A Matéria-Prima fechou as portas em Lisboa no final de Janeiro como anunciei aqui. Fui lá comprar em promoções alguns discos, curiosamente todos caiem de uma forma ou de outra na repropriação / remix / re-qualquer-coisa.

Começo por um clássico que nem sabia que existia... Christian Marclay, que pelos vistos bate o John Oswald que era a minha referência para quem rouba e manipula a música de outros, na verdadeira atitude "plunderphonics". Este artista suiço-americano pelos vistos desde os anos 70 que faz destas coisas, trabalha música com o gira-discos como instrumento, em paralelo com a malta do Hip Hop - o que mostra que as ideias podem tanto fluir num tipo com educação universitário como como no "guetho". No caso de Marclay até é um bocado mais radical porque também trabalha os próprios vinis para além do gira-discos. Como se pode saber pelas notas de More Encores (ReR; 1997) na faixa de John Cage, ele chega a pegar em vários discos deste compositor, corta pedaços e colá-os fazendo um novo disco (literalmente). As faixas deste CD (originalmente lançado como um vinil de 10" em 1988) têm os títulos dos músicos que Marclay manipulou mas apesar de tudo não os descontextualiza, por isso John Zorn ou Fred Frith continuam a soar a "aliens" do Free, ou Martin Denny a sonhos exóticos... Talvez o caso mais radical será o de Jimi Hendrix que soa mais a uma fritaria feita em estúdio pelos Butthole Surfers do que Hendrix per se. Fruto de masturbação é Marclay manipular o seu próprio trabalho na última faixa. You know, artists...

V/VM diz-vos alguma coisa? Não!? James Leyland Kirby? Não!? E que tal The Caretaker? Ahhh... pois! Antes da moda dos termos "Hypnagogic Pop" e "Hauntology", especialmente neste último caso em que The Caretaker é o seu expoente máximo, o tipo fez parte da linha da frente da "música indefenivel" que explodiu especialmente após o myspace.com (teoria do Gamão dos Traumático Desmame). Se o Punk aproveitou a fotocopiadora e a k7 para cortar de vez os cordões umbilicais da cultura que tinha de ser feita sob um acordo social qualquer, com a Internet, ou melhor, a web.2 essa atitude popularizou-se ainda mais porque qualquer um pode publicar (no sentido de se expor e não no sentido tradicional de edição física) a merda que quiser. E quando escrevo "merda" não é para armar-me em escritor mal-criado que diz "merda" para dar estilo. Não senhor! É MERDA mesmo! Ao início ainda chamavam a este tipo de música de Noise mas como o Noise ainda assim era uma estrutura intelectual com gente séria (alguns até vinham da Direita) o termo não era suficiente. No máximo apanhou-se a vaga do "Mash Up" para rotular "isto". O pessoal já que fazia o que lhe apetecia, então porque também não se livrar dos espartilhos comuns e criar os seus próprios termos musicais? Talvez foi isso que fez aparecer o "shitcore" (ah pois!) ou "chungwave" (lá pra Braga). Pelo planeta deve haver milhares de pessoas a fazer esta música não muito séria, que usa tudo o que tem há mão, do Techno ao Grind, do Hip Hop à Pop, para gozar e desconstruir o que existe. É que existe muita merda para reciclar por aí - basta olhar para a capa deste disco, It's Fan-Dabi-Dozi! (V/Vm Test‎ ; 2003). A V/Vm (editora) ou o V/Vm (artista) lançou singles, mini-CDs, CDs duplos (como é o caso deste), enfim todos os formatos possíveis, com V/VM ao leme, ou usando mil pseudónimos, ou com artistas na mesma onda. Nesta compilação vale tudo: Noise como é o caso de Cock ESP, o Porno Hop dos Suicidal Rap Orgy, músicas "cartoonescas" do Gorse, Breakcore de Toecutter, versões adulteradas e estupidificadas de Stevie Wonder, Whitney Houston (com a Kevin Blenchdom) ou Bangles - o Eternal Flame com voz Death é o sonho de qualquer gajo que cresceu a ouvir a merda dos 80s. Obrigado Rank Sinatra! Divertido e desafiante, ouve-se como se estivessemos a ouvir rádio, uma rádio cujas ondas passaram pela retrete da Interzona, claro, ou cujo director da estação são os Negativland num dia mau.

Já agora aproveito para relembrar que por cá também tivemos coisas do género como foi a compilação Xupa (Useless Poorductions; 2007), verdadeira marmelada de lixo psicótico. Hum... isto até dá que pensar em duas teorias...

Uma delas tem haver com este senhor: Albert Kuvezin e a sua banda Yat-Kha e o disco Re-Covers (2005). O CD é um disco de versões de temas Pop, passando pelo mais emblemático do que há no Blues, Rock, Hard Rock, Reggae, Electrónica, easy-listening,... Por isso temos Led Zeppelin, Kraftwerk, Hank Williams, Joy Division, Motorhead, Paul Mauriat, Bob Marley, Rolling Stones transformados em folclore transiberiano porque os senhores são de Tuva, em que a técnica gutural de música mongol também se aplica por aqui.
De resto nada de novo no factor exótico. Quarteto de cordas a fazer versões de temas Metal? Já é velho. Easy listening de Grunge? Claro que sim... Êxitos Pop em estilo Bossa Nova? Nem comento. Já para já não falar do grande Richard Cheese ou do Señor Coconut... Se já se tornou prática comum a versão de um estilo musical por outro, ou de um lado do planeta para o outro, só nos resta - e isto é uma das teorias - que um dia esse mundo oculto do Pop anglo-saxónico comece mesmo a fazer "trash" (shitcore?) como o da V/VM. Essa será a grande descoberta nos próximos anos, quando alguém da Somália fizer uma versão toda fodida de um tema popular de lá ou coisa que o valha.

Outro mestre que transforma lixo em luxo é Jason Forrest. Lady Fantasy (Sonig; 2005) é um EP que vale a pena ter em vinil porque tem um tema extra no labo B. Apesar do susto inicial da primeira faixa levarnos para sítios meramente "indie" ao segundo tema arranca o Breakcore / IDM respingador de Disco e o que houver dos anos 70 para samplar, modificar, acrescentar beats Techno e o que for necessário para identificar a música como Jason Forrest.
O lado ou tema B é a confirmação do som Forrest mesmo que a samplagem vá ao Jazz com pinta de careta e o ritmo abrande para um "chill-cool" de bar da moda. No entanto é isso que a samplagem ou a música feita sobre outras musicas têm de vantagem. Melhorar o que foi feito para trás e torná-lo excitante. A caveira cristalizada é justamente a antítese do que Forrest, ou ainda Otto Von Schirach ou End, fazem. É o ataque ao museu que os marialvas dos Futuristas não tiveram coragem de o fazer.

E se o EP de Forrest é acolhido cá em casa com o prazer por ser em vinil, já IIron (Mego; 2011) de CoH tenho as minhas dúvidas. Nada contra a música, muito antes pelo contrário mas porque a música dele confunde-se tanto com os problemas de ouvir vinil (ou seja, o disco estar sujo e riscado) que foi difícil perceber se estava a ouvir bem a obra, para além da seca que é ter de virar o disco para ouvir duas músicas de cada vez - é uma chatice a edição de álbuns em vinil-duplo!
Com tempo e coragem lá fui conseguindo entrar neste universo de Glitch-Metal. CoH é russo e neste disco recupera (recicla? não é este o tema deste "post"?) alguns riffs de Heavy Metal que ele tocou nos anos 80 quando este género de música era proíbido na Rússia - que país merdoso, não acham? A melhor forma de pensar neste disco é pensar como os sunn0))) fariam um disco de música electrónica - a associação até é meio óbvia porque a capa do disco é de autoria de Stephen O'Malley! Uma lógica de música electrónica - quase numa veia de Techno minimal - percorre o disco mas invés de procurar fantasmas nas máquinas ou os seus erros electro-magnéticos e digitais (um cliché da música electrónica nos últimos 20 anos), CoH escolhe como matéria-prima o ruído da gravação e da riffagem metaleira para construir um mundo épico para máquinas gadelhudas. Ainda não percebi se é música para estar no sofá a imaginar decadências ou se é para estar numa pista de dança pós-industrial. Espero que tenha sido considerado um dos discos do ano de 2011!

Peraí, não faltava uma outra ideia ou teoria ou lá o que é? Ah sim, que isto do "shitcore" e do "noise" são estilos realmente estranhos de criticar porque desde logo assumem-se como algo "mau" ou "anti-música", ou que mostra que ou vivemos uma sociedade sem critérios ou que a Anarquia já chegou e não sabemos ainda. É curioso que o Noise tenha sido o género que mais se tem destacado neste novo milénio pós-web.02, ou seja, numa altura que a informação tende para ser horizontal. Sendo díficil criticar Noise e afins, deixa de haver críticos, ou seja menos um intermediário e uma relação de poder. Não sei se isto faz sentido mas tenho de me ir embora agora!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Invisual No More

Pensava que este ano poderia haver uma terceira temporada do Invisual, programa que pretendia divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música, produzido por Marcos Farrajota para a Rádio Zero. Incompatiblidades de horários e logística interromperam a sua continuidade desde Setembro 2009 e a falta de comunicação e total indiferença da parte da sua Direcção permitiram acabar com ele.
Para quem nunca ouviu eis o link para sacar os "podcasts" das duas temporadas, que incluem momentos grandiosos como entrevistas a David Soares, Tommi Musturi, Sara Figueiredo Costa, ao vivo no Furacão Mitra com o Mike Diana e Traumático Desmame, o Filipe Abranches a responder às perguntas com a sua guitarra eléctrica ou um especial sobre Le Dernier Cri: archive.radiozero.pt/invisual.xml.
E para quem vai ficar com saudades e isso tudo eis uma possível alternativa muito mais profissional mas sem música, em francês e mensal: Radio Grand Papier.

[foto de Rafael Gouveia]

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || GRÉMIO LISBONENSE"

Talvez dada às temperaturas desta canícula que vivemos, infelizmente, a primeira sessão deste novo ciclo de Festas de Troca de Discos não correu bem dada a falta de público que se sentiu. Ainda assim, paradoxalmente, foi a festa que mais troquei! Tendo levado para casa discos de Jazz, Jazz-Metal, Metal, Industrial, Drone, Electro e Pop. Tudo graças ao Traumático Desmame Gama e ao Sr. Fred.

A começar pelas secas Drone, ou seja Kobi com Drone Syndrome (Silber; 2005) com um tipo dos Sigur Ros (por isso tão chato como os Sigur Ros apesar do ambiente opressivo que desenvolve), e Jeremy Boyle com Songs from the guitar solos (Southern; 1999), este último tem como curiosidade ser um exercício de solos de guitarra de Heavy (Kiss, Van Halen, Black Sabbath, Led Zeppelin e Jimi Hendrix) que são esticados, distorcidos e refeitos (não são remisturas mas os solos são apenas matéria-prima) até ficarem irreconhecíveis. Aliás, a simetria é evidente: de Riffs pesadões passam a fantasmagóricas "landscapes" mas ainda assim, ao que parece houve problemas legais por Boyle usar os sacro-santos deuses do Rock. Não se percebe porquê... a coisa é penosa de se ouvir e impossivel de associar aos AC/DC por exemplo a não ser pelo título.
Um clássico é Comprendido!... Time stop!... and world ending (Cold Meat Industry; 1997) de Deutsch Nepal em que se se pode incluir na divisão Drone, é claro associado a "ritualista", "industrial" e "dark ambient". No caso deste disco trata-se uma compilação de material disperso entre 1992 e 1997, em que mostra como se faz um áudio-hipnose sem ser chato ao contrário de tanto projecto sem talento que anda por aí. Como dizia, é um clássico... feito por alguém que é Homem o suficiente para se chamar Lina Der Baby Doll General (hohohohoho) e Menino o suficiente para ficar fascinado por um Esoterismo de um mundo que há muito Deus cagou de alto (hehehehehehe). O pessoal facho adora isto!

Continuando pela Suécia (Deutsch Nepal não é alemão nem do Nepal) mas desta vez pelos terrenos ferteís do Metal, perdão, pelo pseudo-Metal dos Tiamat com Judas Christ (Century Media; 2002) e Carbonized com Screaming machines (Foundation 2000; 1996). O primeiro caso é Goth-Metal ou Rock psicadélico onde se detecta semelhanças a Sisters of Mercy ou Pink Floyd, uma calmaria quase Pop pós-moderna que de Metal já quase não tem nada, como aliás acontece desde A Deeper Kind Of Slumber. O pessoal do Metal também é sensível como os chorosos Indies e Emos, só que deviam era ter vergonha de ainda serem metaleiros. E ainda deveriam ter mais vergonha em meter nos créditos do disco que "Tiamat drink PATRON VODKA exclusively". Também sem vergonha na cara a julgar pela capa nojenta mas fazendo um bom trabalho são os Carbonized. O nome poderia enganar: escatologia Death/Grind dos velhos tempos da Earache? Não! Jazz Metal cheio de incursões sónicas e psicadélicas, e paragens rítmicas que lembra o Jazzcore dos NoMeansNo. Muito interessante e de referir que os músicos fizeram ou fazem parte dos conhecidos Therion.

E por falar em Jazz: The Jazz Networks com Blues'n'Ballads (BMG; 1994) e Herbie Hancok com Piano genius (MCPS; ?) foram os discos deste género. Do último pelos vistos não é o que o Gama e eu procuramos do Hancock daí que tanto o Gama se anda a despachar deles como eu ando a aceitá-los. No caso deste disco, ele não passa de Jazz standard assim Bop como nos fartamos de ouvir sempre que se vai a qualquer bar de Jazz. Ao que parece, este CD nem faz parte da discografia oficial como basta olhar prá capa - que nem me vou dar ao trabalho de scanar e carregar para aqui como devem bem perceber. Os Networks são modernitos e tocam os monstros (Coltrane, Ellington, Gillespie) entre o Be-Bop, a Fusão e aquela sensação que já ouvimos isto umas mil vezes. Se ainda ao menos soubessemos que bebiam exclusivamente Vodka... sorry guys, but Rock'n'Roll rules!!!

Na onda da música de vanguarda, recebi um sampler-CD da revista Resonance, o volume 10 (London Musicians Collective; 2006?) dedicado a "Art Radio" com trabalhos de ClingRadio, Sherre DeLys, David Grubbs + RLW, Elsa Justel, Georges Perec (um escritor OuLiPoano), Ergo Phizmiz, Walter Ruttmann, John Wynne entre outros... Cacofonia über alles.

Lembram-se de uma coisa chamada Big Beat? Era aquela música Techno e Hip-Hop de "batidas gordas" em que o Fatboy Slim foi a figura de proa. Lonesome spaceboy (La Douce / Irma; 2001) de Tommy Bass é o que se pode chamar de uma banhada. Na altura com sons de Lounge e Cocktail Music ou Musak com as tais batidas cheias de banha funky podiam ser uma novidade e ter alguma piada, seis anos depois é quase impossível pensar que isto servirá para alguma coisa. Os Deelite envelheceram bem (sem relação ao Big Beat mas o seu ambiente de festa aparece neste CD), o Fatboy não sei porque não tenho ouvido mas o italiano Tó do Baixo é que não envelheceu nada, nada bem! C'est la vie!

Mais Pop europeia, o último álbum de originais dos franceses Rinoçérose, Schizophonia (V2; 2005) é Electro-Pop/Rock da linha dos New Order com toques a Nova Iorque via !!! ou LCD Soundsystem mas que consegue irritar quanto mais se prolonga e/ou se ouve o disco. O pior mesmo não é a parte instrumental que é competente e dançavel mas antes as letras num inglês da treta, exemplo: «oooh my bitch / oooh yeah yeah bitch (...) bitch / cause you're gonna be my bitch». Felizmente só ouvi este CD em casa duas vezes porque não dá para ouvir no PC do trabalho, ainda bem...
Ise dize Nu-Eurotrashe? Non, seulement des cons!

Último género musical desta "festa", os CD's de Industrial: primeiro com um blast from the past, ou seja, Filth Pig (Warner; 1996), um álbum incompreendido dos Ministry, dado ser mais virado para Stoner-Rock ou Doom Metal do que aquele Industrial Crossover que os fez ter sucesso no final dos anos 80 e príncipios dos anos 90. A heroína está cá toda na veia, no estúdio e nos instrumentos, começa com uma falsa partida, Reload, como para enganar os fãs do Psalm 69 mas depois é pura Lava Rock, "sabbathiano" até à medula tal como aliás o tema Scarecrow já indicava (no Psalm!) A versão de Bob Dylan permanece inexplicável passados 11 anos. Mas fazer o quê com pessoal agarrado?

E por fim, a colectânea One nation under surveillance : Arable Farmland Sampler Volume 3 (Arable Farmland; 2007) que trata de temas da terra do Asno-Bush e as conspirações 11/9. Vamos encontrar 17 faixas de 11 projectos vindos da Suécia (Smea - a lembrar misturas Dub dos Godflesh), EUA (Searad, ROPS56, RDS, Metagnathous, Crypto Fascist), Canadá (PIN) e Austrália (Pask, Flood of Rain, Empty). O Industrial que soa é mais velha-guarda que outra coisa, embora ROPS56 lembre mais Prog meloso. Algumas faixas são boas, outras não, como é normal nas colectâneas. O CD lembra aqueles tempos dos discos Hardcore cheios de informação anti-autoritária. [A maior parte destes CD's vai poder ser ouvida na próxima sessão.]

A grande novidade deste ciclo foi que revistas, zines e livros sobre música também podem ser trocadas mas como isso não foi suficiente para tirar as pessoas dos seus lares mais refrescantes, pensa-se em mudar os dias destas festas no Grémio Lisbonense [rua dos sapateiros nº226, 1º, rossio, lisboa] talvez para as quintas-feiras e lá prás 22h. Brevemente mais detalhes...