segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Carbono 14



Mais uma ida à Carbono para comprar xungaria-refundida-a-2,5-euros na dita loja. E curiosamente na zona Metal/ Dark / Industrial (tudo mais assinalado naquela loja!) um CD dos Genaside II. Não é a primeira que encontro este projecto misturado na zona "heavy" das lojas de discos. A capa, grafismo e nome da banda remetem para algo Death Metal underground mas não é Jungle / Big Beat e onda dançável UK. Return of the Redline Evangelist (Copasetik; 2002) realmente engana muito para quem não sabe o que é, daí a necessidade de resgatar um dos projectos basilares da cena Rave / Jungle, admirados pelos Prodigy e Tricky (para o qual até gravaram um álbum). Este é o último da carreira do projecto e que infelizmente soa a "auto-vintage". Para um álbum de 2002 realmente soa demasiado a 1992, embora o projecto admita para sim mesmo que é realmente "old school". São DJs / produtores e não-músicos, que pegam na joías do passado para fazerem música funcional pela via mais festiva histriónica Ragga / Big Beat como pelo o "down" introspectivo via Dub/ Trip Hop. Não é mau para quem goste dos géneros já aqui citados mas enerva que não tenha faixas tão carismáticas como o primeiro álbum - o único que conheço. Um salto a um passado recente, não reconhecido e mal-compreendido. Vale a pena descobrí-lo.
Segue-se o último álbum dos Loretta's Doll, Creeping Sideways (Middle Pillar + World Serpent; 2001) que só comprei porque na ficha técnica aparecia Orson Welles (uma obsessão da bnada pelo que descobri entretanto) e Genesis P-Orridge. Som Gótico-Industrial sem no entanto se deixar encurralar por géneros - o único possível será defini-lo como Dark - apresenta-se mais estimulante do que se espera (capa, editora, caras dos bichos, vídeos) justamente pela capacidade de fazer metamorfoses electrónicas que não se estão à espera neste tipo de bandas que gostam de ser marciais e/ou indutoras de transe e meta-física do chinelo. Acho que só pelo facto de terem uma banda com nome de gaja (é sempre estranho isso, não?) é que não vou ficar com este interessante disco. 
Good as gold (Homestead; 1989) dos OWT não é bom como ouro. O duo constituido por David Leaton (bateria, eletrónicas) e Zeena Parkins (harpa, teclados) com constrangimento escondem publicamente que fizeram este disco. Por acaso, até se compreende, é uma coisinha fraquita vinda de dois cromos da música. Um esquema Improv mais ou menos orientado pelo Rock, sem grandes surpresas e momentos mas sem chegar a ser pica-miolos. Realmente este disco é uma nota de rodapé "mal-paginado" na secção "dark" da loja...
Por fim, o melhor do lote, outra classificação desonrientada, The Hellbender Suite (Some Place Else; 2005) do finlandês Reptiljan - um dos mil projectos de Niko Skorpio. Soma de trabalhos entre 2003 e 2005, em que as vertentes mais extremas e modernas da Electrónica são aplicadas: Grindcore digital, Breackcore, Technoise, etc... havendo ainda lugar para uma inserção Dub ou Glitch aqui e ali. Não tem a qualidade de produção de Bong-Ra ou The Corps, parece, até feito no PC do quarto decorado com colchas cor-de-rocha com naprons feitos pela mãezinha mas ao menos é música que não rapina cadáveres com 30 anos em cima como faz toda a produção Rock/Pop actual. Belo erro de catalogação! Valeu a pena acertar nisto!

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