sábado, 24 de janeiro de 2026

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- Adam Curtis : Shifty (BBC; 2025)

- Ammar 808 : Maghreb United (Glitterbeat; 2018)

- Jazmín Varela : Campeón (Sigilo; 2025)

- Silvio Lorusso : Entreprecariat : Everyone is an entrepreneur. nobody is safe (Onomatopee 170; 2019)

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- L'ego + Hi$t : Biologia (SPH; 2025 - orig. 1989)

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- Crawling Chaos : The Gas Chair (Factory Benelux; 1981)

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- Marga Alfeirão : Lounge (TBA; 09.01)

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-  Kleber Mendonça Filho : O Agente secreto (2025)

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- Richard Linklater : Nouvelle Vague (2025)

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- Sally Wainwright + Amanda Brotchie : Riot Women (BBC; 2025)

- Ben Lawrence : The People vs Robodebt (SBS, 2025)

- Shigeru Mizuki : Hitler (Devir; 2025 - orig. 1971)

- David Lai : Operação Scorpio (1991)

- António Jorge Gonçalves : O Caminho de volta (Companhia das Letras / Penguin; 2025)

- Ricardo Araújo Pereira : Mundo, pára quieto (Tinta da China; 2025)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Martin Aston : "Facing the Other Way : The Story of 4 AD" (HarperCollins; 2014)

Na Feira do Livro de Lisboa, o amigo Afonso mostrou-me que se podia ver a discografia toda por ano no Discogs - já que não se vende nada por lá, ao menos um gajo com o Youtube, pode checar os discos todos que não conhece da Earache, por exemplo, ou da 4AD. Devo desde já dizer que ouvir os discos não conhecidos da Earache foi uma revelação e desilusão, esperava mais bandas Grind/Death e invés disso saiu muito Gabber (ok, tudo bem, gosto e gosto da fusão de Gabber com Metal) e projectos sub-merda - seja em Metal seja em Electrónica da treta.

Já a 4AD não desilude mesmo que possa não gostar deste disco ou daquela banda, tudo tem uma qualidade acima da média Rock/Pop. Para começar, fiquei surpreso com os nomes de Bauhaus, The Birthday Party e The The (antes de o ser) no catálogo desta "indie". Bauhaus é Alfa e Ómega. Sem comentários, tudo bem que a 4AD era no início uma "sublabel" da Beggars Banquet e que esta passou a ser o representante dos Bauhaus mas só isto indica o que as qualidades para descobrir talento do homem detrás da editora, Ivo Watts-Russell

E os nomes sucedem: This Mortal Coil (projecto de estúdio do Ivo), Cocteau Twins, Dead Can Dance, X Mal Deutschland,  Clan Of Xymox, Throwing Muses, "o mistério das vozes búlgaras",  o marado mega--sucesso Pump up the volume dos M|A|R|R|S, Pixies, Lush, Pale Saints, Breeders, Belly, Lisa Germano, Gus Gus, Thievery Corporation (WTF!?),... isto no reinado do seu fundador Ivo até ele sair em 1999. Não sendo o catálogo revolucionário na música Pop, indirectamente foram sem sombra de dúvida, projectos que mudaram as suas coordenadas - Nirvana não seria o que era sem os Pixies, por exemplo. 

Dois comentários possíveis, o primeiro foi a quantidade de bandas ou projectos que envolviam mulheres em bandas - um elemento na bandas ou bandas exclusivamente de mulheres. Tal parece-me importante referir mais do que a arte das mesmas - sem desconsiderar, os nomes acima referidos provam a qualidade alta dos seus projectos - porque numa sociedade patriarcal, a vida delas no meio musical não era (e ainda não será) fácil. Esse legado continuou mesmo depois de Ivo ter saído da editora e isso ainda se vê no actual catálogo da editora.

Onde Ivo "falhou" foi no acompanhamento das carreiras das bandas, ele só queria gravar bons discos, arriscando em projectos variados e inusitados, todo o jogo do negócio passava-lhe ao lado, ou porque o desprezava ou porque não tinha perfil para tal - tendo até desenvolvido problemas de saúde mental com o stress da indústria fonográfica. Ao longo do livro não faltam queixas de desorientação dos músicos face ao sucesso que alcançavam mas para Ivo o que interessava era fazer mais um disco excelente, ponto.

De resto, o livro esmiúça tudo o que e preciso esmiuçar, a vida de Ivo, as histórias das bandas e seus relacionamentos, o grafismo icónico de Vaughan Oliver /23 Envelope / v23 - fiquei a saber que ele nunca usou computador, wow! -, os negócios da editora, a saída de Ivo e mais alguma década de história depois dessa saída. Um livro obrigatório sobre os anos 80 e 90 no Pop/Rock.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Manuel João Vieira : "Só desisto se for eleito" (Artemágica; 2004)

 

Recupera-se aqui um textinho escrito a 20 de Janeiro de 2017 como forma de apoio à candidatura de Manuel João Vieira a Presidente da República: 

Eis o livro que é uma paródia artística, social e política do artista "homeostético" Manuel João Vieira, mais conhecido por ser músico dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. Se ele tivesse levado a sério (mas a brincar) poderia ter antecipado o Trump a 15 anos de diferença!!! Portugal poderia estar na vanguarda política - embora esteja se formos a ver bem, temos a "geringonça" de Esquerda enquanto que o resto do Mundo está a virara à Direita fascista. Ainda por cima com as vantagens sobre Trump é que o machismo de Vieira é proto-feminista, o seu alcoolismo é pseudo-abstémio, a sua alimentação omnívora é pós-vegetariana, o seu conservadorismo é vanguarda do catano, além de que de longe que Vieira seja monossilábico, pelo contrário é polígamonossilábico! Teria sido o primeiro Presidente do mundo reaccionário aberto. Um verdadeiro político Yin / Yang da escola de pensamento Hon-Hin-Hom.

 Como é bem dito sobre este livro, Vieira concebeu em 2002 a sua maior (...) obra de arte pública: candidatou-se a Presidente da República de Portugal. Uma candidatura firme assente numa campanha completa - teve tempo de antena televisivo, radiofónico e na imprensa; percorreu Portugal de lés-a-lés; discursou de varandas e palanques; escreveu reivindicações; teve seguidores. Só desisto se for eleito é a reunião de textos, desenhos, fotografias, cartas, situações vividas, enfim, de um sem número de manifestações do povo português que nestes meses reagiu surpreendentemente.

Se a partir de hoje começa a luta contra a Grande Puta na gringolândia, é preciso estar atento que à nossa porta estão outros parecidos com ele pela Europa fora e nunca se sabe quando aparece um bardamerdas mais carismático que o António de Sousa Marinho e Pinto. Um bom livro para relembrar que no tapete da Democracia tudo é possível por isso nunca se pode dormir sobre ele com o risco de ser-se pisado pelos porcos. 

Obrigado Dr. Gamão por esta literatura tão necessária para descomprimir da época natalixa.