sábado, 24 de janeiro de 2026

26

- Adam Curtis : Shifty (BBC; 2025)

- Ammar 808 : Maghreb United (Glitterbeat; 2018)

- Jazmín Varela : Campeón (Sigilo; 2025)

- Silvio Lorusso : Entreprecariat : Everyone is an entrepreneur. nobody is safe (Onomatopee 170; 2019)

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- L'ego + Hi$t : Biologia (SPH; 2025 - orig. 1989)

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- Crawling Chaos : The Gas Chair (Factory Benelux; 1981)

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- Marga Alfeirão : Lounge (TBA; 09.01)

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-  Kleber Mendonça Filho : O Agente secreto (2025)

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- Richard Linklater : Nouvelle Vague (2025)

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- Sally Wainwright + Amanda Brotchie : Riot Women (BBC; 2025)

- Ben Lawrence : The People vs Robodebt (SBS, 2025)

- Shigeru Mizuki : Hitler (Devir; 2025 - orig. 1971)

- David Lai : Operação Scorpio (1991)

- António Jorge Gonçalves : O Caminho de volta (Companhia das Letras / Penguin; 2025)

- Ricardo Araújo Pereira : Mundo, pára quieto (Tinta da China; 2025)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Martin Aston : "Facing the Other Way : The Story of 4 AD" (HarperCollins; 2014)

Na Feira do Livro de Lisboa, o amigo Afonso mostrou-me que se podia ver a discografia toda por ano no Discogs - já que não se vende nada por lá, ao menos um gajo com o Youtube, pode checar os discos todos que não conhece da Earache, por exemplo, ou da 4AD. Devo desde já dizer que ouvir os discos não conhecidos da Earache foi uma revelação e desilusão, esperava mais bandas Grind/Death e invés disso saiu muito Gabber (ok, tudo bem, gosto e gosto da fusão de Gabber com Metal) e projectos sub-merda - seja em Metal seja em Electrónica da treta.

Já a 4AD não desilude mesmo que possa não gostar deste disco ou daquela banda, tudo tem uma qualidade acima da média Rock/Pop. Para começar, fiquei surpreso com os nomes de Bauhaus, The Birthday Party e The The (antes de o ser) no catálogo desta "indie". Bauhaus é Alfa e Ómega. Sem comentários, tudo bem que a 4AD era no início uma "sublabel" da Beggars Banquet e que esta passou a ser o representante dos Bauhaus mas só isto indica o que as qualidades para descobrir talento do homem detrás da editora, Ivo Watts-Russell

E os nomes sucedem: This Mortal Coil (projecto de estúdio do Ivo), Cocteau Twins, Dead Can Dance, X Mal Deutschland,  Clan Of Xymox, Throwing Muses, "o mistério das vozes búlgaras",  o marado mega--sucesso Pump up the volume dos M|A|R|R|S, Pixies, Lush, Pale Saints, Breeders, Belly, Lisa Germano, Gus Gus, Thievery Corporation (WTF!?),... isto no reinado do seu fundador Ivo até ele sair em 1999. Não sendo o catálogo revolucionário na música Pop, indirectamente foram sem sombra de dúvida, projectos que mudaram as suas coordenadas - Nirvana não seria o que era sem os Pixies, por exemplo. 

Dois comentários possíveis, o primeiro foi a quantidade de bandas ou projectos que envolviam mulheres em bandas - um elemento na bandas ou bandas exclusivamente de mulheres. Tal parece-me importante referir mais do que a arte das mesmas - sem desconsiderar, os nomes acima referidos provam a qualidade alta dos seus projectos - porque numa sociedade patriarcal, a vida delas no meio musical não era (e ainda não será) fácil. Esse legado continuou mesmo depois de Ivo ter saído da editora e isso ainda se vê no actual catálogo da editora.

Onde Ivo "falhou" foi no acompanhamento das carreiras das bandas, ele só queria gravar bons discos, arriscando em projectos variados e inusitados, todo o jogo do negócio passava-lhe ao lado, ou porque o desprezava ou porque não tinha perfil para tal - tendo até desenvolvido problemas de saúde mental com o stress da indústria fonográfica. Ao longo do livro não faltam queixas de desorientação dos músicos face ao sucesso que alcançavam mas para Ivo o que interessava era fazer mais um disco excelente, ponto.

De resto, o livro esmiúça tudo o que e preciso esmiuçar, a vida de Ivo, as histórias das bandas e seus relacionamentos, o grafismo icónico de Vaughan Oliver /23 Envelope / v23 - fiquei a saber que ele nunca usou computador, wow! -, os negócios da editora, a saída de Ivo e mais alguma década de história depois dessa saída. Um livro obrigatório sobre os anos 80 e 90 no Pop/Rock.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Manuel João Vieira : "Só desisto se for eleito" (Artemágica; 2004)

 

Recupera-se aqui um textinho escrito a 20 de Janeiro de 2017 como forma de apoio à candidatura de Manuel João Vieira a Presidente da República: 

Eis o livro que é uma paródia artística, social e política do artista "homeostético" Manuel João Vieira, mais conhecido por ser músico dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. Se ele tivesse levado a sério (mas a brincar) poderia ter antecipado o Trump a 15 anos de diferença!!! Portugal poderia estar na vanguarda política - embora esteja se formos a ver bem, temos a "geringonça" de Esquerda enquanto que o resto do Mundo está a virara à Direita fascista. Ainda por cima com as vantagens sobre Trump é que o machismo de Vieira é proto-feminista, o seu alcoolismo é pseudo-abstémio, a sua alimentação omnívora é pós-vegetariana, o seu conservadorismo é vanguarda do catano, além de que de longe que Vieira seja monossilábico, pelo contrário é polígamonossilábico! Teria sido o primeiro Presidente do mundo reaccionário aberto. Um verdadeiro político Yin / Yang da escola de pensamento Hon-Hin-Hom.

 Como é bem dito sobre este livro, Vieira concebeu em 2002 a sua maior (...) obra de arte pública: candidatou-se a Presidente da República de Portugal. Uma candidatura firme assente numa campanha completa - teve tempo de antena televisivo, radiofónico e na imprensa; percorreu Portugal de lés-a-lés; discursou de varandas e palanques; escreveu reivindicações; teve seguidores. Só desisto se for eleito é a reunião de textos, desenhos, fotografias, cartas, situações vividas, enfim, de um sem número de manifestações do povo português que nestes meses reagiu surpreendentemente.

Se a partir de hoje começa a luta contra a Grande Puta na gringolândia, é preciso estar atento que à nossa porta estão outros parecidos com ele pela Europa fora e nunca se sabe quando aparece um bardamerdas mais carismático que o António de Sousa Marinho e Pinto. Um bom livro para relembrar que no tapete da Democracia tudo é possível por isso nunca se pode dormir sobre ele com o risco de ser-se pisado pelos porcos. 

Obrigado Dr. Gamão por esta literatura tão necessária para descomprimir da época natalixa.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

25

 

- Fabrice Neaud :  Le Dernier Sergent vol. 1 : Les Guerres Immobiles (Delcourt; 2023) + Nu-Men (Soleil; 2012-13)

- Jafar Pahari : Foi só um acidente / Yek tasādof-e sāde

- Liu Cixin : O Problema dos Três Corpos + A Floresta Sombria + A Morte Eterna (Relógio D'Água; 2021-24 - orig. 2007-10)

- Anders Nilsen : Tongues #1-6 + Supplement #1 (Nomiracles; 2017-2024)

- Rudolfo : Fusão Dimensional : A Ascensão do Governo Sombra (Palpable Press)

- Nathan Fielder : The Curse (2023) + The Rehearsal (2022-25)

- Douglas Coupland : Generation A (Cornerstone; 2010)  

Miragem : Encontros de BD e Publicação Independente (Biblioteca de Marvila, 24+25.05)

- Magius : Primavera para Madrid (Autsaider Cómics; 2020) + Black Metal (Autsaider Cómics)

- Sherill Tippins : Inside the Dream Palace - The life and Times of New York's Legendary Chelsea Hotel (Simon & Schuster; 2013)

- Shintaro Kago : Parasitic City #0-2 (Hollow Press; 2022-24)

- Baro D'Evel : Qui som? (CCB; 5 Julho)

- Joe Sacco : War on Gaza (Fantagraphics; 2024)

- Guitar Wolf (Barracuda; 28.06)

- Martin Dupont : Hot Paradox (Infrastition; 2011 - orig. 1987) + Just because... (Infrastition; 2011 - orig. 1984)

- Samplerman : Bedetruire (Le Dernier Cri)

- DJ Balli : Scrap Vinyl (Vinilificio; 2024)

- Queimada + Spitgod (Vortex; 15.03)

- Romain Gary : White Dog (University of Chicago Press; 2004 - orig. 1970) 

- Realidade Virtual (Fast Forward Recordings; 1991)

- Bies Podziemi : How to eat Christians without decreasing your I.Q. (Opuntia Books)

- Karen Finley : Tratamento de Choque (Frenesi; 2003 - orig. 1990)

- Jessica Hausner : Clube Zero (2023) + Little Joe / A Flor da Felicidade (2019)

- Stefan Golaszewski : Mariage / Casamento (2022)

- Henri-Georges Clouzot : Les Diaboliques (1955)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

#44: 2125



Este fim-de-semana, sai o novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - no FLOP nos Açores e na Parangona (Lisboa).

É o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!

Edição limitada de 100 exemplares, 20 páginas 16,5x22cm agrafada, com uma capa em cartolina cinzenta. 

 Já se encontra na loja virtual da Chili Com Carne.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

BIG Catálogo!!

 


Acontece até ao final do ano a BIG em Guimarães e já recebi o catálogo que tem um texto meu, meio resumo dos artigos que tem saído no jornal Carne para Canhão mas que na verdade é uma tentativa de síntese relativo à palestra que dei em 2023 no BIG.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

CIA info 94.0


 Aqui acabei a minha carreira de autor de BD... mas pode ser que volte no mesmo fanzine, quem sabe?

sábado, 27 de setembro de 2025

#43: A Cada Sete Ondas


Para a rentrée de todos os excessos culturais, a Chili Com Carne vai ter o lançamento da obra vencedora dos 500 paus deste ano!!

 


A CADA SETE ONDAS 

de 

Beatriz Brajal

 

 

Brajal decidiu que o seu trabalho faria sentido ser publicado no fanzine Mesinha de Cabeceira, o que faz todo o sentido dada a tradição de três décadas desta publicação em mostrar talentos novos e frescos no panorama nacional - e internacional. 

O Júri do concurso descreveu a obra com imaginação, conteúdo refrescante e divertido, e excelente técnica e expressividade... sendo que a sinopse não desmente: Nesta catártica e imaginária banda desenhada autoficcionada, Bea e Solha têm uma complicada amizade inter-espécies. Ambos o espelho um do outro, dependentes e erráticos, deparam-se com uma circunstância da vida real.



Número 43 do Mesinha de Cabeceira. Edição limitada de 300 exemplares, 48 páginas 16,5x23 cm todas a cores, agrafada e disponível a 5 euros na loja em linha da Chili Com Carne e em algumas livrarias como a Greta, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB...



Feedback

(...) Bea e o homem-solha (sem nome no livro) passam um dia juntos: estão numa esplanada, depois leem no jardim (não sendo de todo importante, habitantes de Lisboa reconhecerão os cantos), dançam e deitam-se à sombra das árvores, e finalmente participam numa qualquer performance – drama teatral, espectáculo de dança, vídeo-clip, baile de máscaras, concurso, procissão? Nesse convívio, falam, descobrem-se, e é sobretudo ele que, atento observador, nota nas transformações íntimas dela. A expressão da paixão surge de formas fantasiosas e físicas, tangíveis. (...)

Pedro Moura in Ler BD



Historial

 Lançamento a 27 Setembro 2025 na Tinta nos Nervos com as presenças da autora, Marcos Farrajota (editor), Daniel Lima e João Carola (artistas e docentes) para alegre conversa. E com uma exposição a acompanhar. 

 


sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A banda desenhada é política?


Por mais incrível que pareça*, voltarei HOJE às 19h30, à Amadora para um debate com Sara Figueiredo Costa sobre se A banda desenhada é política? em que se irá responder a estas questões: Nem só por palavras se questiona o mundo. Uma conversa onde exploramos como a BD lê o universo político, desafia poderes e cria novas narrativas para pensar o presente.

Evento da Festa do Livro da Amadora, programado pela Gerador, que pelos vistos tem mais olho e/ou inteligência que o Festival da BD Amadora, para programar BD - num festival literário ou não, se olharmos para o resto da programação da "Festa" parece estar a milhas das punhetas da BD Amadora ou de qualquer outro festival de BD em Portugal. 

De admirar? Nem por isso, a BD continua ser uma área que está na sua zona de conforto da "bedófilia", não se quer chatear com o mundo que a rodeia, prefere viver na terra da Fantasia, textos "lights" e lamechas (o caso Melo), é profundamente reacionária (quando deveria ser o oposto) e retrógada - ou pelo menos é o que acontece com a BD que é programada pelos "profissionais" da área em Portugal. 

Obrigado desde já, à organização, pela clareza de espírito.


*uma vez que a Chili Com Carne que participava na BD Amadora desde 2015, foi saneada desde o ano passado recusando a organização a aceitar as exposições propostas e a forma de pagamento pelo stand dentro do regulamento previsto e escrito pela própria Câmara Municipal da Amadora.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

O meu Sérgio

 

esboço de Pedro Burgos


De 22 de agosto a 7 de setembro de 2025, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, nos Jardins do Palácio de Cristal, Porto, recebe a exposição O Meu Sérgio, um projeto editorial que homenageia o impacto profundo de Sérgio Godinho na cultura e na vida coletiva portuguesa.

Esta mostra reúne obras de oito destacados autores da banda desenhada nacional — Alexandra Saldanha, Joana Mosi, José Smith Vargas, Maria João Worm, Mariana Pita com João Marcelo, Pedro Burgos, Rodolfo Mariano e Tiago Baptista — sob curadoria de Marcos Farrajota. Inspirados pela vasta obra de Sérgio Godinho, estes artistas visuais constroem pontes para as novas gerações, mantendo viva a força das palavras e da música num tempo marcado por desafios e incertezas.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Metal ao Cubo

Hammer of the Gods : Led Zeppelin Unauthorised (Pan; 1995) de Stephen Davis, é daqueles achados de "1 pau" algures num buraco que já nem me recordo de onde o saquei. A edição original é de 1985 e é um livro repudiado pelos três músicos sobreviventes da maior banda de Rock de sempre. Quando li não sabia das controvérsias e muito sinceramente quem quer saber? A verdade é esta, os Led Zep foram os primeiros a montar o circo do Rock a um nível estratosférico que é natural que as coisas fujam de controlo, e que provavelmente este livro esteja apimentado. O que li se calhar é treta? Ok, que seja, who cares? Life is short e estes gajos curtiram à grande.
Mais do que isso, o que é também interessante é que o discurso e a acção da banda foge aos modelos normais das bandas que são exploradas por produtores ou editoras. A confiança dos Led Zep em si mesmo era avassaladora, eles sabiam muito bem o que valiam mesmo quando eram vistos como um produto juvenil e rasco. Criaram a sua própria editora para licenciar a saída dos seus álbuns segundo os seus termos, controlando a produção artística e lidando mano-a-mano com o negócio porco da altura.
De resto, está aqui as discografias para escutar, pré-Led Zep e as músicas negras que rapinaram, a cena oficial e não oficial e pós-final da banda. Os gajos eram mesmo bons e criaram o imaginário todo do Heavy Metal, primeiro com as músicas de engate e depois com as mitologias celtas e batalhas gloriosas, para mal dos nossos pecados.

Este texto surge curiosamente no fim-de-semana em que os Black Sabbath arrumaram as botas... Fechando uma Era do Metal se calhar, senão o que dizer de livros "tontos" como Heavy : How Metal Changes the Way We see the World (Constable; 2021) de Dan Franklin que já nem me lembro do que trata mesmo... Fucki fucki! Vou ter de o reler? Sim, ou melhor revi algumas partes e parece-me afinal até bem, o livro... 
Não é uma História do Metal mas antes um percurso pessoal do autor que aproveita para descrever as várias facetas deste mega-género: as suas origens, as vestes (Judas Priest), a ameaça nuclear, o satanismo (Morbid Angel), o mórbido (Carcass), o mito do super-homem (Pantera), a ganzaria (Sleep), o imaginário gótico (Craddle of Filth), etc... não dando tréguas às parvoíces que existe neste universo enorme e e em expansão que é o Heavy Metal. No fim de contas como qualquer cultura humana sujeita-se a discussões e pensamentos, muito para além de que só barulheira de teenagers. Franklin acerta nas suas análises e parece-me até uma boa literatura leve para (re)ler no Verão...


Raios, o tempo passa e o Ozzy morreu! Agora sim uma Era, foi-se! Acho que só depois das férias é que volto aqui... Sorry sorry... Mas pelo menos deixo aqui a imagem da capa do livro que queria escrever: Black Metal Rainbows (PM Press; 2023), colectânea de ensaios académicos, arte e textos diversos sobre a "queerização" do Black Metal. Tema que deve irritar muito em especial os BM arcaicos e parvalhões, uma vez que o BM foi criado para pessoal isolacionista, misantropo e com vários problemas de saúde mental. Ora ser queer no BM poderá ser um contrassenso porque ser queer requere sociabilização. No entanto como tudo na vida, tal como um martelo foi feito para fazer móveis e não para assassinar pessoas, ou tal como não se pensava que a fotografia como uma forma de popularizar a pornografia, o BM não foi feito para ficar no meio de bárbaros do Nore e hoje, o que não falta são mulheres, queers e não-binários a rebentar decíbeis desta música deprimente. O livro explorar bem a história do BM, incluindo o seu lado fascista e a regista como se ele está a libertar-se do seu lado anacrónico. Seja como for, 'tou-me a cagar pró BM e olha, fica assim escrito que quero é ir de férias!

sexta-feira, 11 de julho de 2025

CIA info 93.0


 Rastas para papeis para se fazer ganzas... Complicado? Depois explico melhor...

quinta-feira, 12 de junho de 2025

NITZER EBB || Getting Closer


melhor início de música de sempre!
melhor sintetizador tb!
RIP

domingo, 1 de junho de 2025

Mantra sexalien e tal

 

 

Estes gajos é KMFDM, nunca falham... Queres ouvir Alien Sex Fiend? Então é o que vais ouvir! Não se vão a fazer merda ou baixar a qualidade. É sempre o mesmo mas sempre bom! Possessed (13th Moon / Cherry Red; 2018) é o 13º álbum da "banda" (é mais um duo passadas estas décadas) e à primeira é um disco que nada diz - tirando o habitual deles: escatologia e tripalhices - mas repetem as frases mil vezes, o que parece é que muda o pano de fundo musical: mais Dark Surf aqui, mais beat electro acolá,  ecos góticos por todo o lado, etc... mas sempre a dizer o mesmo ou até mesmo nada de especial porque a merda é uma realidade. E desilude pensando nos tempos mais famosos do projecto. Vai criando mossa aos poucos, em "repeat" até nem se sabe quando começa o disco e acaba. Grandes demónios sexuais estes gajos! Grandes grandes...

só para dizer que este blogue não tem muito público por isso não há mal em dizer que amanhã é Vai à praia e Bas Rotten... arf arf arf arf


Ou isso ou porque a realidade é uma merda... sei lá!

Lançamento OFICIAL da reedição do Corta-E-Cola & Punk Comix!
 
 
Depois de uma primeira tentativa de tirar o punk em portugal da
obscuridade e de um esforço de dissociá-lo dos moicanos que ainda o
caracterizam, porque o livro esgotou e continua desconhecido ou
ignorado, é tempo de lhe dar uma segunda vida, idealmente mais útil, nem
que seja pela ajuda que dará à Disgraça.

Assim, 7 anos depois, o relançamento de Corta e Cola / Punk Comix terá
lugar, novamente, na
Disgraça, no domingo, dia 1 de Junho, às 17h, com
uma conversa informal com alguns falsos especialistas sobre anarco-punk,
straight edge e sharp, fanzines e centros sociais, e tudo o mais que
quem estiver a assistir também queira partilhar ou discutir.

Depois da conversa, cantina vegana disgraçada!!

Depois da cantina vegana,
dois concertos! 
banda não identificada
(regresso às catacumbas do grind lisboeta mais desejado)+ 
banda não
identificada (é diy, é lo-fi, é queer-core, é post-punk! é banger!)

"Ahhh mas nem sei quem vai tocar... Acho que não vou." Então vai à igreja seu granda borrego!
 
Todo os trocos angariados revertem para a compra da Disgraça.

sábado, 19 de abril de 2025

José António Moura: "Cadernos de Divulgação # 1.4" (Marte Instantânea; 2025)

 

Não vale a pena repetir o que já foi escrito, embora esta capa do novo volume cor de salmão meta o Cadernos de Divulgação muito próximo do Isto vai acabar em lágrimas! O arquivo do melómano José António Moura é incrível e até poderá ser visto como excessivo mas o facto é que se não se mostrar tudo do arquivo deste percurso de JAM quando poderemos alguma vez outra vez? Excelente as bandas industriais que remexe, e é de cagar a rir o facto dos Front Line Assembly terem pegado no logótipo do PS (OMG! Portugal is so Socialist!!!) do punho fechado para usarem para si. Estamos nos anos 80, ainda não seria altura da mudança para o logo da florzinha rosa, felizmente os homens de barba rija do PS voltaram aos tempos do punho e à fantástica intervenção social, credo, não há ironia possível... Isso é que seria uma bela capa em papel vermelho! 

Sempre desejoso de mais e mais, que venham mais episódios dos tempos do Cavaquistão Industrial. Ei! Acho que falta aqui o episódio em que gamaram um pedal de guitarra aos Sprung Aus Den Wolken depois do concerto no Rock Rendez-Vous... Bons velhos tempos!

quinta-feira, 27 de março de 2025

Adalberto Alves : "Arabesco : da Música Árabe e da Música Portuguesa" (Assírio & Alvim; 1989)

 Há livros que nos mudam para sempre. Este simples ensaio sobre as possíveis ligações da música portuguesa com a árabe poderá ser visto como um livro para melómanos tarados ou algum musicólogo com tendências etnográficas. Certo certíssimo! Talvez até o seja embora como admita desde logo que é apenas um pequeno contributo para tal.

Eu cá não percebo nada de instrumentos nem de notas, pautas, etc... E o livro fala disso também. O mais importante nem é isso, é o fascinante explanar de que a cultura árabe sempre fez parte do ADN português - péssima altura para ser neonazi! - muito mais do que se pensava, ou pelo menos o que nos ensinaram na escola. Agora percebo porque somos como somos, realmente nada temos em comum com os babacas da Europa do Norte. A nossa relação com os Mouros não foi de porrada neles e pô-los fora da Península. Houve negócio, houve cortes misturadas, havia fascínio pela música e cultura árabe porque na altura a cultura árabe era superior, houve parcerias entre os dois povos (três se contarmos com os Judeus). Os árabes estiveram séculos na Península antes da "reconquista". Moravam cá, copulavam como qualquer outro mamífero, constituíram famílias e tudo o mais que é normal numa civilização colonial. Como só no século XX é que se inventaram aquelas ideias funcionais como campos de extermínio, a questão é: depois dos "Afonsinhos do Condado" terem conquistado este rectângulo para onde raios foram parar todos Mouros que viviam cá?

Integraram-se, cristianizaram-se quando havia maior pressão católica, e só muito mais tarde os que não conseguiram apagar o rasto religioso é que foram apagados pela barbárie da Inquisição. Ou seja houve desta gente até muito mais tarde do que foi considerado com a terra conquistada e com bandeirinha portuguesa espetada. Significa que o nosso espírito está mais no Magrebe que em Roma e que estamos mais virados para o Oriente do que prá Cruz! Não admira que passamos sempre tristonhos e no canto da "saudade" - deve ser saudades das Mil e Uma Noites que perdemos graças à tirania cristã e à sua falta de imaginação monoteísta.

No fundo sabemos que algo está mal na nosso modo de ser. Algo foi imposto, não é suposto sermos assim, cristãos! Bem, ninguém deveria ser cristão para dizer a verdade mas falando só de Portugal, o que acontece é que não nos damos bem com a batuta da civilização europeia - aliás, os europeus do Norte tem a mania de dizer que Portugal é onde começa África. Eles tem razão!!! Somos tão estúpidos como os cabo-verdianos (que acham que são europeus!) por não assumirmos o outro continente, o africano. Realmente num país que todos devem a todos, que passa a vida a tentar a dar voltas ao sistema, que gosta de receber, de conversar e de conviver, que é hospitaleiro e de vida despreocupada, não são características bem sintonizadas com os tecno-protestante do Norte. Sempre senti que "o meu coração era árabe", agora tenho a certeza.

PS - o texto foi escrito em 2011 e fui repescá-lo porque além de não sentir vergonha dele, aconteceu-me aquilo que acontece quando se fica "velho". Com 51 anos, em Dezembro do ano passado comprei uma nova edição deste livro, pela Althum em 2016. Ia jurar que já o tinha ou que já o tinha lido ou... enfim, memória o que andas a fazer!? Mal não fez até porque a edição da Assírio já estava bem estragada e com traços de humidade. E foi um prazer reler este livro, relembrar que a Amália ("voz de todos nós") Rodrigues admitia que "A Oum Kalsum foi a melhor cantora que ouvi até hoje..." e ir procurar a discografia recomendada por Alves. Agora, só falta descobrir o que fiz aos Cadernos de Divulgação que não os encontro em casa!