Mais foi porque me obrigaram, mesmo assim obrigado Zaratan!
Vai haver este cartaz em múltiplos assinados, numerados e todas essas paneleirices...
Fundado por Pedro Brito e Marcos Farrajota em 1992, este zine de BD é um projecto mutante que começou em fotocópia, passou pelo "perzine" (com as autobiografias de Farrajota), monografias (Nunsky, Isabel Carvalho, Mike Diana, André Lemos, João Maio Pinto) e edições colectivas. Desde 2021 que voltámos às bases, publicando monográficos de novos talentos, projectando-os prá praça pública.
As maiores queixas que fazem deste magnífico livro é que as escolhas de Reynolds são solipsistas, feitas através da sua relação pessoal com esse período de ouro do Rock. Ora bem, entre o enciclopedista chato ou o académico puta, venha o Diabo e escolha. Por mim, um trabalho como este que abrange música tão variada e rica, de PIL a Duran Duran, Gang of Four a Chrome, Joy Division a ABC, 23 Skidoo a Talking Heads, Frankie Goes To Hollywood a Lydia Lunch, etc, etc, é um livro que merece ser lido e celebrado. E claro que o texto deve ser subjectivo. Viva a Humanidade, fora com os robots!| Fotos de Vera Marmelo |
O livro em português que me faltava deste escritor finlandês! Sempre naquela promoção de 5 paus na Feira do Livro de Lisboa. Parece-me que este é o livro que acusam Paasilinna de porco sexista porque mete um capitalista (um empresário é um capitalista?) a foder dez mulheres em 24 horas (!). Um proeza digna dos 12 trabalhos de Hércules e sendo um trabalho de 2001 de certeza que há aqui uma sátira ao Viagra - criado ou autorizado anos antes, em 1998. Nem é bem "foder foder", algumas mulheres que o inDUSTrial visita não acontece cópulas substituindo por alguma candura e amor. Elas ao saberem das demasiadas visitas do maroto SEXagenário vingam-se na sua segunda ronda de visitas que realiza nas festas de final de ano.
Eis um livro que tem o não-sei-o-quê de vulgaridade e até o Steve Albini avisa num texto que o autor, o jornalista DeRogatis é capaz de divulgar farsolas como os Urge Overkill invés de coisas realmente novas ou que valem a pena. Folheando o livro topa-se à distância nomes consensuais do que foram os 90s: Nirvana, Courtney Love, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Mudhoney, R.E.M., U2, Jesus Lizard, Tori Amos, Ride, Jon Spencer's Blues Explosion, Flaming Lips, Ween,... enfim, isto mais ou menos e por esta ordem de importância. O retracto da década está mais ou menos correcto e o perfil dos seus intervenientes também, sem que o "fairplay" - que publica a diatribe com Albini - do autor seja mundano. DeRogatis é acima de tudo um jornalista e se ele muda de opinião, como crítico, uma vez ou outra sobre uma ou outra figura, percebe-se porquê. Porque as confrontou sem aquela atitude bovina do escritor Pop/Rock (como acontece com a nossa imprensa musical), porque foi incisivo nas grandes questões de ética e de negócio ou porque discutiu na cara a incapacidade de alguns músicos serem mesmo do Rock - e o que é isso de ser do Rock? Algures, a filha de Kurt Cobain e Love tem a resposta: "o rock dura mais tempo, pop não dura muito", certo...
Gordon é uma ex-libris de uma geração "alternativa" graças a fundação dos Sonic Youth, banda que partilhava com o seu ex-marido Thurston Moore. Juntos eram vistos como um casal de sonho ou modelo para quem acharia impossível nos séculos XX e XXI ter dois artistas íntegros a fazerem as caretices como casar e ter filhos (só tiveram uma criança, calma) mas mantendo uma banda de Rock que era "do contra". O divórcio de ambos foi uma pedra no charco para muitos, quase tão chocante como o tiro na cabeça de Kurt Cobain em 1994.