segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

18 coisas favoritas



- Mário Rui Pinto [ed.]: Os Cangaceiros (Barricada de Livros; 2017)
- Ian Svenonius : The Psychic Soviet (Drag City; 2006)
- Mário Moura : O design que o design não vê (Orfeu Negro)
- Abbas Kiarostami : Close-up (1990)
- David Byrne (11/7, Hipódromo Manuel Possolo, Cascais)
- Luis Buñuel : O meu último suspiro (Fenda; 2006 - orig. 1982)
- Alfred Kubin : O Império do Sonho (Vega; 1986 - orig. Die Andere Seite; 1908)
- Ruppert & Mulot : O Reino (Douda Correria)
- Kode9 + The SpaceApe: Black Sun (Hyperdub; 2011)
- David Mazzucchelli : Asterios Polyp (Pantheon; 2009)
- Romeo Castellucci : Democracy in America (25/2, Teatro São Luiz)
- Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippo : The Lobster (2015)
- Exotic Esotérique, vol. 2 (Arte Tetra; 2017)
- Henfil : Diário de um Cucaracha (2ª edição, Record; 1983 - orig. 1976)
- Ho99o9 : United States of Horror (Toys Have Powers; 2017)
- Roberto Arlt : Escritor Fracassado e outros contos (Snob) 
- Apolo Cacho : El taco psicotrópico (AIA)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Senhores du Guerra!



Saiu a k7 Dor de Costuleta Deluxe !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Todos os anos a MMMNNNRRRG lança uma k7 de música provocadora, só par desenjoar dos livros! 
Este ano foi a edição de luxo do primeiro disco de Black Taiga com uma faixa extra com DJ Privilégio e remixes do tema Porcos de Guerra pela editora / colectivo Rotten / Fresh e o seu incrível "roster" de produtores electrónicos: Buhnnun, DJ Crime, Império Pacífico, Östrol e UNITEDSTATESOF.

limitada a 66 cópias, a ilustração supavaporwave é do André dos Madokas com design-de-caixa-supimpa pela So What Produções.

à venda aqui



Dor de Costuleta Deluxe
é uma co-edição MMMNNNRRRG + Rotten \\ Fresh e contem:

Lado A - Dor de Costuleta (2014) produzido por Walt Thisney
Anos do Leão
Vila Glútea (Tanzânia)
Porcos da Guerra
DJ Privilégio vs BT : Porcos de Guerra ODC (faixa extra)

Lado B - Remixes  Rotten \\ Fresh (2018)
Porcos da Guerra - Linha 3 / Buhnnun
Porcos de Guerra (Taiga Riddim) / DJ Crime
Porcos di Guerra IP Remix / Império Pacífico
Porcos do Guerra Polizei rmx / UNITEDSTATESOF
Porcos du Guerra Honeyglass remix / Oströl




Historial:

lançamento no dia 22/12/18 no Desterro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

yin yang


Black Sun Deve ser o único disco da Hyperdub que adormeci a ouvi-lo. Soa a pouco escrever isso, porque é um disco muito mais maior grande, ehm... Em 2011 o Dubstep já estava tão gigante que ninguém queria ser rotulado por tal, para não se pensar que isto era música para ma$$a$. Só que esta malta estava noutra, na via correcta e Kode9 & The SpaceApe (que falecia três anos depois) lançam um álbum potente, cujo livrinho inclui até uma BD xunguita. São beats urbanos de quem bomba nos headphones armado em Ghost Dog: The Way of the Samurai (1999), black music para o mundo inteiro mal sabendo que os neo-nazis estariam seis anos depois aí a céu aberto, bass music de sensações de arrepio e conforto em simultâneo, dance music para o Clubbing de quinta-feira à noite, kosmische musik para quem até 'tá sóbrio, arena music para hooligans e mitras andarem ao soco com grandas canhões de ganza entre os dedos... É raro haver álbuns "completos", com amplitude para tanta coisa, este é um deles.
Gracias Megastore by Largo!


Dois anos antes, saia um disco de Tricky com os South Rakkas Crew pela Domino, assim bem bom... O Tricky passa a vida a dar as voltas, quando está em editoras grandes faz discos lixados de ouvir no mainstream, quando está em indies faz discos acessíveis e que são delícia de pista de dança mais festiva ou mais má onda, conforme os shots baratos consumidos. Todo ele é um álbum Ragga & Grime com batidas que vão ao dito Dubstep como aos tribalismos de guerra e Dancehall. Sendo um disco de participações com outros artistas lembra o Juxtapose (1999) que tinha DJ Muggs e Grease. Voltando a ouvir o Tricky, estes discos aqui referidos e o Maxinquaye (1995) - a sua obra-prima - ele parece um pai para todo o catálogo Hyperdub e hype boys & girls da revista Wire, Yvan Tumor, Blunt and all that jazz... Tipo um Iggy Pop negro, que todos terão de venerar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

CHILI vs AMADORA

7/11/18

Ex.mos. Dra Carla TavaresDr. José Marques e Dr. Nelson Dona:

A Associação Chili Com Carne vem por este meio apresentar uma reclamação pela forma como os seus autores foram maltratados nos pretensos Prémios Nacionais de BD deste ano. Sucederam-se as seguintes situações:
  1. Como é tradição em todos os eventos do Festival de BD da Amadora, o Júri dos ditos prémios é constituído por cinco elementos, sendo um deles o autor que tenha recebido o prémio principal – Melhor Álbum - do ano anterior. Este ano, o autor Francisco Sousa Lobo (vencedor de três prémios do ano passado: Melhor Álbum, Melhor Argumento e Melhor Álbum em Língua Estrangeira), deveria estar incluído no Júri. No entanto, foi afastado, substituído por outro autor (vencedor do Melhor Álbum de Humor), sem que Sousa Lobo tenha sido avisado do seu afastamento e substituição. Segundo o mesmo nos transmitiu: Na primeira reunião que tive com a Amadora disseram-me que eu seria parte integrante do júri. Que depois logo se veria a logística de me fazer chegar livros, etc. Perguntei ao Nelson Dona se sempre faria parte do júri, dias antes do festival começar, por email, e o Nelson não respondeu. Tinham mudado de ideias mas sem me avisar…
  2. O livro Lá fora com os Fofinhos / Outside with the cuties de Mariana Pita, co-editado por nós e pelo O Panda Gordo foi colocado nas nomeações de Melhor Fanzine com a seguinte designação: “Improvized Zine 1.5”, editado por Marcos Farrajota, Chili com Carne (in https://pt-pt.facebook.com/amadorabd, post de 2 Novembro, 19:51). Até hoje ainda não percebemos como foram buscar esta informação ao livro! Lá fora com os fofinhos é nitidamente um livro que compila BDs várias da autora impressas em fanzines e outros suportes, é um título da mesma colecção que o Festival já premiou no passado, a saber: Revisão: Bandas Desenhadas dos anos 70 (há 2 anos – Melhor Clássico) e Bruma (no ano passado – Melhor Desenho) de Amanda Baeza. Assim sendo, o Júri (ou quem faz a pré-selecção: uma caixa negra de informação sem acesso público) descrimina uma autora e o seu trabalho, impedindo que este pudesse concorrer com os outros livros e autores.
  3. O mesmo acontece com a revista Pentângulo #1, editado por nós e a escola Ar.Co., também colocado na nomeação de Melhor Fanzine, quando se trata de uma antologia profissionalmente editada com trabalhos de alunos, ex-alunos e professores desta instituição – entre eles: Francisco Sousa Lobo e Amanda Baeza que premiaram no ano passado. Outra vez podemos falar de descriminação aos participantes deste projecto.
  4. Na nomeação do Melhor Argumento não é referido Pato Bravo que é co-autor com Xavier Almeida do livro Santa Camarão. Um desleixo de quem não lê o que nomeia? Talvez mas o facto é que no Sábado de manhã, do dia 3 de Novembro, às 11h, veio ao nosso stand o sr. Hugo Valente perguntar para eu verificar erros nas nomeações – e cito de memória: para não acontecer como o ano passado em que a autora Amanda Baeza apareceu como “Amando” Baeza. Emendei os erros e chamei a atenção para nada…
  5. De forma desinteressada este ano oferecemos uma série de fanzines para que o Júri (ou a organização do Festival) tomasse conhecimento destas publicações amadoras de difícil acesso. Pelo que percebemos, foram completamente ignoradas e colocadas nas vitrines da exposição “Ano Editorial” sem que tenham podido ter apreciadas pelo Júri, mais uma vez discriminando novos autores e editores – os mesmo que se queixam que a BD Amadora não liga às novas gerações e tendências. Para contrariar esse pensamento oferecemos várias publicações mas de nada serviu…
Depois descobrimos de onde vinha o estranho título! Vem da legenda em inglês de o nome da BD "Zone ao Improvizo 1.5" (inédita) de Pita no livro Lá fora com os fofinhos

Que fique claro que estas reclamações não se devem ao facto de não termos ganho nenhum prémio deste ano. Só concorremos uma vez na nossa existência, em 1997, aos prémios da BD Amadora. O resultado desgostoso e injusto fez-nos ignorar os vossos prémios durante décadas. Até que em 2014 começaram-nos a premiar por sugestão do Júri. Nunca concorremos mas insistiram em dar-nos prémios, que pessoalmente nunca os fui levantar na vossa sessão de entrega. Agradecemos pelo eco que os prémios trazem a nível comercial e mediático. No entanto, não podemos permitir que nos usem de forma negativa como aconteceu este ano:

1 – segregando os autores, como o caso da Mariana Pita e dezenas de autores do Pentângulo. No primeiro caso, o mais grave, o seu livro nem foi descrito como deve ser,nem foi nomeado na categoria correcta, perdendo a oportunidade de concorrer com os outros autores e obras. No segundo caso também não nomeando em nenhuma categoria correcta - o que não impediu de colocar um trabalho de uma outra antologia (termo com que identificamos a Pentângulo #1) nos prémios e que acabou por vencer (Melhor Argumento);
2 - instrumentalizando os prémios por motivos de programação do ano seguinte. Esta acusação não será injusta porque nem o processo de selecção das obras nem do próprio Júri é transparente – como aconteceu com Francisco Sousa Lobo, que até hoje não obteve resposta quando perguntou quando iria votar. Que aconteça em iniciativas privadas pode ser infeliz. Grave é quando a origem provém de uma instituição pública que oferece “prémios nacionais”.

Lamentamos ter achado que nestes últimos quatro anos que a BD Amadora tivesse evoluído ao sabor dos novos tempos e tendências. Os resultados deste ano mostram que não. Isto será sempre discutível e podemos ser tomados de arrogantes com estas afirmações. Que seja. Até poderíamos respeitar que o Júri vote em anacronismos. O problema é vosso… Mas se insistem em atribuir prémios “nacionais” tendo no vosso Júri o próprio programador e director do festival, que não está isento dos seus próprios interesses de programação do ano seguinte, então tenham a dignidade de voltarem a chamarem os prémios de “Zé Pacóvio e Grilinho”, designação mais adequado a uma iniciativa municipal.

Queremos que
  1. O título do livro da Mariana Pita seja colocado de forma correcta nos vossos meios oficiais, advertindo que a Organização do Festival e o Júri erraram no título, nome da autoria, da edição e na nomeação de categoria;
  2. Pedido de desculpas público aos prejudicados: nomeadamente à autora Mariana Pita, ao autor Pato Bravo, aos autores participantes da Pentângulo #1 e aos editores Ar.Co., Chili Com Carne e O Panda Gordo;
  3. E que seja justificada publicamente o afastamento silencioso de Francisco Sousa Lobo, o vosso autor principal deste ano, tão premiado no ano passado e tão ignorado pela vossa organização.
E por falar nisso, já reclamamos ao Dr. Nelson Dona e algumas pessoas que integraram o Júri (o autor Álvaro e a jornalista Sílvia Silva) e Comissários da exposição “Ano Editorial” (Pedro Moura e Sílvia Silva) dos quais não nos chegou nenhuma resposta satisfatória. Da BD Amadora, houve silêncio total. Do Júri, uma resposta vaga de Sílvia Silva. Dos comissários, a concordância de Pedro Moura de que não faz sentido as nomeações que deram ao Melhor Fanzine, havendo outro material disponível. Não chega, Pedro Moura foi apenas comissário da exposição “Ano Editorial”. Por desespero restou-nos enviar esta carta e fazer estes pedidos razoáveis, dado aos erros que cometeram, à vossa falta de rigor e sobretudo ao silêncio obscuro da vossa organização.

Com os melhores cumprimentos,

Marcos Farrajota
Presidente da Direcção da Associação Chili Com Carne

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Faço as coisas e esqueço-me de as promover... ops!

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Fui editor convidado do Portuguese Small Press Yearbook 2017O tema deste ano é a Banda Desenhada. Por ter já completado um ciclo de "números redondos", tudo mudou no PSPY: o formato e design (assinado por Rudolfo) e o facto de a coleccionadora e editora Catarina Cardoso ter passado a convidar outras pessoas a editar os próximos volumes. 
Redigi dois textos, entre eles o "famoso" relatório de edição independente relativo ao ano passado e que tenho recusado colocar em linha desde o Maga. E convidei uma série de artistas para fazerem BDs sobre edição independente: Bruno Borges, Ema Gaspar, Filipe Felizardo, Francisco Sousa Lobo, Fuko Ito, Han Teng Yung, João Carola, Juli Majer, Mao, Nhozagri, Nicole Shinn, Paulo Mendes e Xavier Almeida.
O PSPY é o testemunho físico deste movimento a começar pelos seus registos bibliográficos ou de eventos, é uma ferramenta essencial de estudo "disto que se está a passar"... Pode ser adquirido aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Uma surpresa com quase um quarto de século


Os austríacos são doentes, e como se sabe os doentes fazem boa Arte ou Arte boa - daaaaahhhhhh. Escrevem como ninguém - do Kafka ainda no império austro-húngaro ao tóxico Bernhard, venha o Diabo e escolha - e tem boas bandas de Metal! Só maradices que me lembre, ó: Pungent Stench, Fetish 69,... - os vizinhos nazis sempre foram uns fatelas sem gosto nenhum - e agora estes Korova que na sua estreia A kiss in the charnel fields (Napalm; 1995) chamaram-me a atenção pela pior capa de sempre - não é bem assim, há sempre UMA PIOR CAPA DE SEMPRE!!! Esta é apenas UMA DELAS.
Black Metal cheio de breaks jazzísticos, atonalidades operáticas, vocalizações barrocas em várias línguas (alemão, inglês e... não reconheço as outras), folk bullshit e até um piano Ragtime... zeus! Algumas partes lembram Cradle of Filth (ou será o contrário?) outras os Pan.Thy.Monium, num jogo excitante de mudanças sonoras com uma técnica veloz que só os metaleiros conseguem fazer. Uma surpresa sacada na sempre surpreendente Glam-O-Rama!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Selling Portugal by the pound


Participação na revista sueca Bild & Bubbla sobre eventos de Verão em Portugal ligados à BD. Falhou o Necromancia Editoral porque o Milhões de Festa parecia que não ia haver e de repente mudou a data para Setembro... 
Finalmente recebi o meu exemplar, passado sei lá quantos meses mostrando que a eficácia nórdica é uma bela de uma treta, aliás, já bem sabia das minhas experiências hilariantes em Estocolmo! Mas 'tá bonita e um exemplar desta revista irá prá Bedeteca de Lisboa, para quem quiser consultá-la.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Falta de notícias?


Não falta nada, são sempre as mesmas... Se faltam notícias neste blogue então devo dizer que continuo a colaborar com A Batalha com a tira CAPAM (a fotografia é de dois números atrás).

E agora inclui também resenhas escritas sobre zines, livros e discos, fartei-me de o fazer para o blogue da Chili Com Carne, prefiro que saiam em papel / físico / analógico. Seja como for, cada número custa apenas 70 cêntimos, cada vez está mais ilustrado e interessante, procurem este Jornal de Expressão Anarquista! Não há desculpas! Se houver continuem a engolir merda com os outros jornais dos betos!

A Batalha está à venda na Tortuga, Letra Livre, A Banca 31, Barata, Linha de Sombra, Leituria, RDA69, MOB, Tigre de Papel, Zaratan - Arte Contemporânea, nos quiosques junto ao Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano, na Rua Camilo Castelo Branco e no Largo do Chiado (Lisboa), no Gato Vadio e na Utopia (Porto), na Uni Verso (Setúbal), na SMUP (Parede) e na Fonte de Letras (Évora)."

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Em tempos em que o fascismo é eleito...


136 páginas de BDs curtas de Francisco Sousa Lobo, criadas desde 2004 até este ano.
Algumas são inéditas outras já publicadas, muitas em publicações estrangeiras, que assim são publicadas em português pela primeira vez.
Algumas BDs são a preto e branco, outras tem mais uma cor e algumas são a cores.
O formato é aquele típico do nosso catálogo: 16,5x23cm

Vais estar disponível este fim de semana na BD Amadora mas também está na nossa loja em linha, e muito em breve na BdMania, Tigre de Papel, Mundo Fantasma, Linha de Sombra e mais lojas a anunciar.

A Sara Figueiredo Costa assina um prefácio que aqui transcrevemos parte:

Diz-nos a física quântica que o tempo não existe, pelo menos do modo cronológico, arrumado e em sucessão, o modo como o conseguimos ver e sentir. E diz-nos que tempo e espaço se relacionam de tal modo que serão, juntos, uma categoria única de descrição do que nos rodeia, uma ferramenta funcional para obtermos respostas tão precisas quanto o universo permite sobre si próprio. A física quântica não é fácil de perceber para a maioria da humanidade e é frequente que outras linguagens nos deixem intuir respostas que, não sendo mais claras, são mais facilmente apreendidas pela intuição. As histórias curtas de Francisco Sousa Lobo não falam de física quântica, cultivando as perguntas com muito mais dedicação do que qualquer resposta, mas talvez por isso mesmo sejam uma espécie de mapa possível para certas declinações do mundo, não as que descrevem o cosmos, mas as que envolvem o indivíduo, esse lugar estranho e inóspito onde o espaço-tempo tantas vezes ameaça desintegrar-se. 

(...) O desconforto que muitas das histórias reunidas neste volume criam no leitor não nasce tanto do desamparo encenado em cada prancha, ou da possibilidade de alguns ou muitos reconhecimentos emocionais, mas talvez do contraste provocado pela procura de uma racionalidade, um gesto narrativo e visual que transforme a matéria das histórias nas histórias em si. É esse o esforço que se descobre em cada história, e é esse o percurso que estrutura esta primeira narrativa do livro, de certo modo, uma antecipação certeira das que se lhe seguem. (...) Não é preciso mergulhar na física quântica quando temos à mão a nossa própria cabeça, o nosso próprio corpo e o lastro imenso de memórias e vivências que confirmam, a cada momento, que estamos sempre em presença efectiva de muitos momentos e que aquilo a que chamamos passado talvez seja, por inconveniente que soe, o nosso presente constante.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

I've seen the future and it will be



Em 2004, estive para fazer com o João Maio Pinto um cartaz (ele desenhava, eu daria ideias) para algo mais ou menos como os Captured! By Robots, eis um esboço de um projecto que ficou pela gaveta.


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

As your lawyer I advise you to...


Que fazer quando uma banda é recomendada por um advogado e um lojista de BD? De um advogado ainda acredito, de um gajo da BD não me parece... The Knife são uns manos, boy and girl, que conseguem fazer mel em Synthpop mas sem ser tão óbvio apesar de suecos. Isso acontecia nos discos anteriores ao terminal Shaking the Habitual (Rabid; 2013) em que fogem de vez aos "trolórós" House e outras fateladas. Este disco é como uma festa que nunca mais acaba. Isso não é bom porque estás com uma broa bem fodida, até já 'tás na sala ao lado a tentar recuperar e perceber o que se passa à tua volta mas não, sem hipóteses, o "beat" não pára atravessando a parede, bombando som de forma abafada. Há algo para celebrar mas já nem sabes bem o quê, é pena porque não consegues mexer mais um pézinho sem tropeçares. O vómito, esse grande sacana, anda a ver se consegue vir cá para cima dizer-te "olá! Entãoooooo...!?".
Repetitivo, interminável e mecânico, lembra os Alien Sex Fiend (quando estes vão ficando mais electrónicos) apesar de não serem assim tão parecidos. Talvez os compare também pela duração dos temas, entre 4 a 10 minutos, e pelas mascaradas góticas e horror visual dos video-clips. Ainda assim, isto parece patético. Curiosamente, o lado feminino dos Knife, Karin, avançou com o projecto a solo, Fever Ray, e seu segundo disco, Plunge, vem ao encontro de Shaking ou é impressão minha? Banda a acompanhar...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Para-raios

Lightning strikes the postman (Warner; 2016) é uma "remix" do "clássico" Clouds Taste Metallic (Warner; 1995) dos Flaming Lips, que deverá ser a única banda que se manteve numa "major" depois das contratações doidas dos anos 90 à procura dos próximos Nirvana. O disco é uma seca, explora-se e modela-se as gravações das guitarras eléctricas e respectivo "feedback" do guitarrista Ronald Jones (que deixa a banda depois do Clouds) num exercício mnemónico. A acompanhar o CD, um mini "comic-book" escrito e desenhado pelo Wayne Coyne, bem giro, assim naíf, em que conta porque razão Jones desapareceu - mete OVNIs, "spoiler", yeah!
Coisa para coleccionadores caso não tivesse saído este disco num "Record Store Day" - um dia mundial da loja de discos em que saem discos únicos para nos lembrarmos que a música não é só Spotify e merdas do tipo.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Quinta dos Acordes

Não porque raios passo a ser um gajo que vale a pena fazer perguntas mas depois das Senhoras agora foi a Acordes de Quinta a perguntar 5 livros, discos e filmes... bof!

Admito que quase chorei com estas gentis palavras: De ar tímido, relaxado e "na dele" está muitas vezes Marcos Farrajota a rabiscar um caderno quando o encontramos em eventos independentes, festivais de música, exposições de banda desenhada/ fanzines. No festival SWR Barroselas Metalfest, podemo-lo encontrar, por exemplo, a relatar, num diário desenhado, tal qual Jack Kerouac, episódios que despertam a sua atenção. (...) Autores honestos como Marcos Farrajota não se deixam intimidar por outras vozes, precisamos de mais autores assim. 

Jack, não te passes!

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Ontem morreu o Frankenstein, o Frankenstein morre amanhã


O italiano Riccardo Balli, aka DJ Balli, visita-nos pela segunda vez em Lisboa e pela primeira vez ao Porto. Desde as suas quatro performances no festival Ruído Terapêutico da Klasse Operária no Damas, Disgraça e afins, houve muitas novidades suas. Muitas mix-tapes, novos discos e a Chili Com Carne e a Thisco publicaram o seu quarto livro: Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus : micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary.

Livro inclassificável de mashup literário e de ensaio sobre cultura pós-Rave, que tanto celebra os 200 anos da publicação do romance de Mary Shelley como a divertida editora de Balli, a Sonic Belligeranza, evocando os espíritos MIDIevais e dos jogos de arcada.

É nesse contexto que irá apresentar, no dia 12 de Julho, o seu livro na Tasca Mastai, no Bairro Alto, às 20h, seguida de uma festa com um DJ set seu no Lounge, Cais do Sodré, às 23h.

No dia seguinte, às 22h, Balli segue para o Porto para realizar uma "Sessão Espírita em Baixa Definição", do seu livro Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus, no âmbito da exposição O Ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã, na Galeria Municipal do Porto.

A Galeria convidou a artista Carla Filipe a desenvolver um projecto que se debruçasse sobre as práticas sociais em nightclubs, enquanto espaços de fuga às possíveis falências de sistemas sociais diurnos. (...) Associada ao ambiente nocturno – meio em que Carla Filipe se movimentou com uma participação activa como artista plástica na criação de posters e imagens alusivos à programação de eventos de música electrónica e DJ set – esta exposição (...) contará com uma selecção de artistas locais e internacionais que se enquadram nesta convergência música/ imagem mas cujo corpo de trabalho mantém um carácter autónomo enquanto criação plástica, reflectindo a relação do particular com o plural (do indivíduo com a comunidade), e evocando pelo caminho a história da arte e a sua ligação à música através de um conjunto de referências autorais. Rudolfo, que fez o cartaz e o design do livro do Balli, está com trabalhos expostos juntamente com os de Raymond Pettibon (o gajo das capas de Black Flag e Sonic Youth, caraguuuu!!!) nesta exposição!!!

Quanto à performance de Balli: Através de uma séance de baixa-resolução mediada por links de Game Boy, Ricardo Balli irá evocar nesta sessão o espírito de Giovanni Aldini (1762 – 1834), famoso ressuscitador de defuntos que inspirou a obra Frankenstein: or the Modern Prometheus. Aldini contará uma versão comprimida da história original de Frankenstein, cruzando a linguagem do livro com elementos de retro-gaming, simplificando a sua narrativa como se de um jogo Arcade se tratasse. Aldini era sobrinho de Luigi Galvani, célebre cientista italiano do séc. XVIII, e vivia na Bologna MIDIeval tal como o autor desta performance.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Alguém me está a ajudar a vender livros...


Este monte de merda (a obra? o artista? os dois?) aparece numa BD minha no Free Dub Metal Punk Hardcore (...) e saudamos o povo de Sto Tirso fazer Arte à séria! Ainda têm lá muita escultura horrível para destruir, não se fiquem pelo gordinho!