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sábado, 25 de julho de 2026

Corrupção moral da velhice ou Contra a Imprensa Escrita (rapinando Svenonius) ou Eu só quero é bazar de férias!

 Faz 50 anos que o Punk nasceu oficialmente e se por um lado não se espera festejos académicos da oportunista do Norte nem bibliografia nova portuguesa*, por outro deverá aparecer uma avalanche de publicações estrangeiras sobre o assunto, como este número especial da Les Inrockuptibles.

Já se sabe que a imprensa escrita está pela rua da amargura mas que fazer quando ela assume-se como um media velho para pessoas velhas? Quando coisas inúteis como o Blitz que só serve de "clickbait" para o Expresso** ou a Mojo continuaram a ser o gabinetes de curiosidades da cultura passada pouco irá interessar a novos leitores. O espectáculo das publicações que se vê em quiosques ou "press-centers" é inacreditavelmente deprimente, só se vê o passado e a nostalgia, e nem me refiro apenas a revistas sobre música, até porque pouco mais sobreviveu que a Super Interessante ou a National Geographic, ambas voltadas para a ciência e História.

Presente ou futuro só na The Wire e n'A Batalha, sendo esta incapacidade da imprensa de relatar o presente e os miúdos que fazem coisas AGORA é o seu auto-túmulo. Claro que sabia ao que ia quando comprei esta revista francesa e apetecia-me um "guilty-pleasure", uma leveza para as férias, sabia que viriam os habituais artigos sobre os Sex Pistols, Ramones e afins. Que ainda não li. Se calhar estão bem escritos e documentados - e já apanhei algums fotos divertidas de cus britânicos da loja Sex. Espero pela praia cheio de bifes bêbados para pegar nisto com mais calminha, o que fico admirado (ou nem por isso) é mais por não haver referências à continuação do Punk, os outros monstros míticos que daí virão - Crass, Napalm Death, Fugazi, Nirvana, God is my Co-Pilot, Bikini Kill - ou sobre as bandas underground que ainda por cima há milhares em França. De resto, nada de novo no horizonte, já Albini tinha se queixado disto, e já agora, também eu... Quando a revista pega no presente nada convence. A política fica de fora. O DIY também. Resta e fica exposto o fundo de catálogo das empresas fonográficas multinacionais. 


* a Chili Com Carne vai reeditar o Corta-E-Cola / Punk Comix como já tinha sido anunciado - só que uma das novas capas vai ser do Nunsky (rapinada à sua BD "Inadaptados" publicado no MdC #4) substituindo o João Silvestre.

** para quem não conhece, é um jornal de "extremo-centro", cujos colunistas são capazes de escrever merdas do tipo "pá, sou a favor dos LGBTs mas também não precisam de exagerar" ou "não sou contra a greve mas é preciso não prejudicar os outros" ou ainda, pérola incrível de um destes betos ecunémicos (devia ter guardado o recorte!), que era anacrónico representar os patrões como aquelas caricaturas de gordos com chapéus altos e charuto na mão dos inícios do século passado, porque é possível ser amigo do chefe, neste caso, do falecido Balsemão. Iá, meu! Eu também tive a sorte de travar amizades com os meus "bosses", e sim é possível ser amigo do chefe em ambientes de redação de jornais ou escritórios de centros culturais mas agora tenta ser operário ou trabalhar no inferno dos centros de logística e ser amigo do chefe de departamento, meu tarado de merda! O "Espesso" é o exemplo perfeito como as "elites" não vivem a realidade do povo mas é de admirar que os cronistas do semanário, no máximo diria, tem uma boa casa em Lisboa, um monte alentejano / casa no ALLgarve / apartamento em Troia (riscar o que não interessa), um ou dois carros de qualidade, um relógio de marca ou uma colecção de relógios caros (riscar o que não interessa), os putos estão no colégio francês / inglês / alemão (riscar o que não interessa), ou seja, nem tem assim tanta pasta para serem tão insensíveis... que se passa maninhos, ser extremo-centro é um caminho árduo na escalada social?

quinta-feira, 16 de julho de 2026

André Lemos : "Fim de Emissão #" (Nariz Entupido; 2026)

 

 Eis um livro ou "graphzine" que não se se escreva para este blogue, na sua secção de "leituras" sobre música, ou se no blogue da Chili que divulga produções independentes. Eis um livro de edição limitada impresso em risografia que coleciona os cartazes que André Lemos (artista que tanto o Mesinha de Cabeceira editou nos seus 30 anos de actividade) executou para o ciclo de programação musical "Fim de Emissão", organizado pela Nariz Entupido - entre Abril do ano passado e Maio deste ano.
O que seria normal era a publicação reproduzir os cartazes como eles são e ficarmos com um arquivo, ponto final. Mas o André tem vindo a brincar - aliás, sempre brincou - ao "DJ das imagens" como se tem testemunhado com os Opuntias intitulados de Reforma. Se o seu trabalho sintetiza surrealismos e vanguardas mortas com que ele ressuscita como um Comissário de Arte em Ácidos - LOL - quando pega nos seus desenhos e ainda os remonta é preciso apreciar os reseultados com calminha... ufa! Neste "Fim de Emissão", menos radical, Lemos decide isolar os elementos do cartaz, os desenhos, o título do ciclo (e sua respetiva numeração) e o nome dos artistas ou dos espectáculos, separando-os e colocando em secções de forma a que os desenhos respirem e a informação exista na mesma. 
Boa!! 
E fica a resenha neste blogue!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Lina Brion & Detlef Diederichsen : "Looking at music" (Spector; 2021)

 Ao que parece "estive" numa "polémica" em linha (mais uma vez) sem que houvesse realmente "discussão" (outra vez). Desta vez era sobre um fanzine de BD que é um desperdício de tempo para quem o ler. As suas editoras e outras pessoas ficaram indignadas pelo "tom" da resenha crítica mas nenhuma foi capaz de escrever uma linha a reflectir sobre a resenha ou contestá-la, pelo menos no blogue onde foi publicada, se aconteceu em redes sociais, não sei nem me interessa não participo nesse circo. Pouco dias apareceu um fanzine de música, This is the night mail, a "dar-me razão", isto é, tem de ser um fanzine de música a fazer entrevistas a artistas gráficos para que quem goste de "BD" possa ter um bocado de comida para a cérebro. Aparentemente a malta da BD não só não sabe escrever como percebe que deve dar muito trabalho transcrever entrevistas para papel ao ponto de, pura e simplesmente, não as fazerem. Ou será que está tudo na 'net para sabermos dos artistas (?) que nem vale a pena fazer entrevistas para imprimir? Ou então, não vale a pena escrever sobre outros artistas, sei lá...  Ou então, a BD não inspira a ninguém a pensar de outras formas e ângulos, como acontece com a música ou dança ou teatro ou arquitectura ou...

Mais visível se vê essa diferença entre a BD e as outras artes na sua incapacidade de ter mundivisão, quando apanho livros como este Looking at music. Com o aspecto "cool" e excessos de design  cosmopolita (não o tivesse encontrado na excelente Matéria Prima) é um "caderno" de informação catita com meia-dúzia de ensaios sobre música e mais especificamente sobre como "vemos a música". O caso mais óbvio desta temática será a "computer music" em que um texto recuperado de 1997 de Terre Thaemlitz parece ainda estar oxigenado, tratando da resistência em irmos a um sítio ouvir música de um gajo que está provavelmente a jogar ao Solitaire do seu portátil. Mais que resistência, o facto é que se preza em excesso a execução em tempo real do que o músico faz em palco, mesmo que em alguns casos, o que podemos estar a ver possa ser só uma performance física sem intervenção sonora real - como o falecido Zé Maria me contou uma vez, que a maquinaria que o Mike Patton levava para o palco (ou em Fantomas ou em Tomahawk, já não me lembro) era só para o "espectáculo", a maior parte daquilo não fazia nada mas dava-lhe um ar de grande maluco, não só ele tem a fama mundial de animal do Rock como lhe ficará bem parecer um Doutor do Noise a manipular aparelhos electrónicos! 

Como justificar a Hatsune Miku, uma voz sintetizada personificada numa personagem Anime & Idol, que enche estádios de Otakus "coolonizados" (nada contra Otakus, o fenómeno é o mesmo em qualquer espectáculo de massas, do Triunfo da Vontade da Riefenstahl ao "Benfica-Porto", do concerto de "Merdallica" aos "dois minutos de ódio" idealizados em 1984 e patrocionados pelo Instagram), ou seja, não há uma pessoa a cantar mas um "robot" lolicon, que pensar sobre isto? Um texto responde, relacionando-o ao teatro japonês e ao Anime, em que o público nipónico (e global) tem consciência dos exageros vocais dos "fantoches" e que por detrás de um fantoche está alguém - mesmo que no caso de Miku a situação seja mais complexa porque é um personagem multiuso com milhares de pessoas a participarem no seu reportório. Outro texto fala-nos do movimento (dança) que acompanha a música, fazendo uma ligação entre kuduristas, praticantes de "Air Guitar" e de "Air Djing" (opá!) está ligada à performance visual que se pode ver em filmes do género "musical" até a videos em linha para se estudar os movimentos dos executantes, tudo isto afecta(rá) o espectro musical, a começar pelo exagero que os músicos actuarão ao vivo - olha o Patton outra vez!

Tudo isto é matéria para discutir em horas de café com os amigos, coisa que nunca irá acontecer na BD. Nunca irei apanhar uma publicação que explore ideias sobre a BD que não seja as fórmulas "boa história" / "mau desenho" / "bem impresso" / "má legendagem"... ou reflexões que não sejam meta remastigado como Aquela cena do Animal Man que ele toma peyote e olha para o leitor e diz "'tou-ta ver!". Talvez por isso que a maior parte dos CoCos do Ilan Manouach rocem ainda a piadas de arte contemporânea. Talvez por isso que mesmo numa conversa em privado com um amigo, por email, sobre a dita "polémica", no final ele afunilou a discussão para a questão do dinheiro na BD - a "paca" foi também a única questão que apareceu num comentário das editoras à minha resenha. Se na música discute-se géneros e subgéneros, "aging", atonalidade, minimalismo, maximalismo, duração extrema de uma peça, performance, discos riscados impossíveis de tocar, a veracidade da gravação, biografias, política, Arte (com "a" maiúsculo mesmo!), etc, na BD é mais bolos bling bling...

domingo, 12 de abril de 2026

Joe Mulhall : "Rebel Sounds : Music as Resistance" (Footnote; 2024)

 É um livro para "todo o público", daqueles que pouco adiantam se o sr. e sra. "normie" não souberem o que é uma wikipedia ou youtube, ou apenas terem um mínimo de cultura geral sobre a Irlanda, racismo nos EUA, Apartheid, ditaduras africanas, sul-americanas e soviéticas. Se parece desprezível para um snobe como eu, por outro lado é daqueles livros que devia ser obrigatório na sala de aulas ou qualquer coisa do tipo, devia estar publicado pelo mundo inteiro sei lá - mas dizem que livros sobre música não vendem, coisa que desminto como editor de tais publicações. Enfim, façam como quiserem, pessoas do mundo!
É constituído por oito artigos bem escorreitos que passam por músicas de resistência em vários pontos do globo entre o século XX e XXI: resistências armadas da Irlanda e da Ucrânia, a música dos direitos civis gringos dos anos 60, canções contra os neo-nazis ingleses (anos 70), a Tropicália como oposição à ditadura militar brasileira, os confrontos entre Fela Kuti e a ditadura nigeriana, as proibições de ouvir música decadente capitalista na URSS e a música sul-africana contra o Apartheid. Haverá pouco a descobrir para quem saiba alguma coisa da vida e da cultura mas são bons resumos e "comida para o cérebro" para reflectir se a música pode mudar este mundo horroroso que vivemos. E por falar nisso, no caso de Kuti faltou ao Joe realmente pensar um bocado sobre a comunidade machista deste musico - como bem escreveu o Rui Eduardo Paes num texto no "a" maiúsculo com círculo à volta - independente de toda a violência que o Estado trouxe aos seus participantes. Nada é perfeito e os "normies" precisam ainda assim de abrir os olhos (e os ouvidos). Comprem para oferecer a um puto que saiba ler livros...

sexta-feira, 6 de março de 2026

BM2

Republico aqui a resenha de 2012 e acrescento um "PS". 

Há obras que se seguem com as movidas musicais e esta é claramente uma delas. Se os Fabulous Freak Brothers de Gil Shelton era Rock psicadélico, se Love & Rockets dos Hernandez Bros era Punk californiano, o Peter Pank de Max sobre a movida espanhola, o Hate de Peter Bagge era sobre o Grunge, se Loverboy de Marte e João Fazenda (olha a modéstia, cabrão!) era sobre o Indie 'tuga (coisa que não existiu mas que se fingiu seja na ficção da série seja na realidade), se Psychowhip de unDJ GoldenShower e Jorge Coelho (isso é coisa pouca para te auto-citares outra vez!!!) é sobre o Rock industral, Sicotronic Records de Miguel Angel Martin é sobre Harsh Noise, ufa!... 

Então, Black Metal Cómix (F.O.G. Cómix; 2012) de Magius é sobre... BLACK METAL, claro!

Trata-se de um volume auto-editado de 208 páginas A5 dos fanzines homónimos publicados entre 2001 e 2012 em que Magius em curtas BDs vai contando a história mórbida do Black Metal com um "alto-relevo" para a cena seminal norueguesa, em especial para a banda Mayhem e o seu fundador e instigador da cena Black, Euronymous (1968-1993), que é a capa do livro. Não esquecendo que Euronymous foi morto pelo Varg Vikernes (na altura auto-intitulado de Count Grishnackh, mais conhecido pelo influente projecto Burzum), estes queimaram dezenas de igrejas (a única coisa boa da cena Black Metal), Euronymous fotografou o corpo do vocalista Dead (1969-1991) após o seu suicidio com um tiro de espingarda na pouca mioleira que devia ter, usou essas fotos para um "bootleg" da banda e segundo consta, oferecia restinhos do crânio do Dead em forma de colar de pescoço às pessoas que ele achasse merecedoras do seu respeito. 

Tudo isto soa "a BD" ou a desenhos animados escatológicos do tipo South Park mas não! Tudo isto foi verdade nos primórdios dos anos 90 e talvez porque a realidade ultrapassa sempre a ficção, todo o livro é feito com um "comic relief" para não entrarmos nas profundezas destes putos estúpidos noruegueses.

Por falar em South Park, a abordagem é realmente idêntica no que diz ao movimento dos corpos, uma vez que Euronymos ou o gajo de Burzum aparecem sempre como criaturas que não crescem e com os membros imobilizados (como se fossem ícones fofinhos) mesmo que estejam a fotografar - a máquina fica suspensa no ar e os braços caídos sempre imobilizados. Não se trata de uma falta de capacidade técnica do autor conseguir desenhar corpos com movimentos mas antes de gozo iconoclasta. De corrigir ainda que o autor desenha ambientes negros e góticos com bastante perícia que muitas vezes parece que são colagens ou montagens de imagens. Mas não são como o autor me chamou a atenção...

Também são interessantes as outras histórias que mesclam ficção com realidade, sobretudo quando tratam dos temas do Nacional Socialismo a que muitas das pessoas da cena Black Metal estão associadas. Estas BDs são um retrato da estupidez da cultura popular extrema, que só dá mesmo para rir! Infelizmente!

PS - entretanto o "louco" do Magius não satisfeito com o livro decidiu refazê-lo e saiu no ano passado, uma edição mesmo satânica pela Autsider Cómics (viva a Espanha com os seus "Juanitos Camiñantes" e "Pijota Harbey"), assim musculada, capa de couro e muito negra, claro! 

Magius refez tudo, concentrou-se e esmiuçou ainda mais as relações entre os dois demónios, Euronymous e Vikernes. A narrativa está mais complexa e completa de detalhes mesmo que Magius tenha reforçado de os retratar como duas crianças parvas e mimadas que abriram uma caixa de Pandora para o mundo. Os aspectos do BM ligados ao Nazismo são não aparecem como ensaios como na "edição anterior" (o correcto é escrever "obra anterior") mas ainda assim tal é abordado quando Vikernes vai escavando a sua própria tumba de imbecilidade.

Um livro "pesado" - para alinhar à ideia falsa que a BD é sempre leve - de pesquisa e minúcia, uma igreja narrativa, tal aliás, como tem acontecido com os livros de Magius desde que começou a publicar pela Autsider, destacando-se o Primavera para Madrid sobre os meandros corruptos da cultura "pija" (betalhada), a banca, o governo, a família real... Impresso a dourado o livro, que parece uma barra de ouro, recebeu o Prémio Nacional de BD em Espanha, o que inclui no protocolo almoçar com os reis, que obviamente nunca leram o livro. Viva a leveza da BD!   

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Flexi-comics para todos os gostos! (embora só o do Panter é que vale a pena!)

Não deve haver formato mais xunga que o "flexi-disc". Para quem não sabe trata-se de geralmente de um formato "single"/ 7 polegadas tão fininho que parece uma folha de papel. E no entanto cabe lá música - e até software antes das k7s substituírem este formato nos tempos do ZX Spectrum. Servia sobretudo como uma prenda ou objecto de promoção que era metido em revistas e livros de qualquer assunto - até BD! - tanto que acho que curto bués do tema Dead Embrionic Cells dos Sepultura à pala de um flexi que ouvi numa revista qualquer de Rock... Mais recentemente no número comemorativo dos 30 anos da revista italiana Neural (e 20 da Crónica) vinha com um flexi com30 projectos de música a mandarem 9 segundos de som, entre eles Philippe Petit, Francisco López, Clock DVA, Alva Noto, Scanner, @c,... Formato morto com alguma ou outra ressurreição mas sem a loucura vaidosa do vinil, o "street-cred" da K7 e o retorno do CD para breve, uma vez que os outros formatos estão caros e demorados de produzir...

Mais tarde apanhei ainda nos anos 90 o livro Invasion of the Elvis Zombies do Gary Panter, que parece que teve edição nos EUA (Raw Books; 1984), França (?) e na Espanha (Arrebato; 1985) - sempre à frente, Espanha e Valência em especial, cá ainda só deve haver dez pessoas que sabem que é este artista! 

BD iconoclasta de filmes de série B, tem um flexi do próprio Panter com uma música, Precambrian Bath, que lembra algo entre um funk branco e a estranheza de uns Big Stick. A música é tão bizarra como o trabalho gráfico-narrativo. 

É curioso assistir esta coerência artística usando media tão diferentes mas faz sentido quando se tem mesmo uma visão clara da Arte que se ambiciona. Um verdadeiro artista é assim, aliás, em Portugal podemos pensar no mesmo de André Coelho (com as suas bandas Sektor 304 e Metadevice, por exemplo), André Lemos (com o projecto Blunt Instrument) e Rudolfo da Silva seja em zine, CD-R, livro ou "escultura"...

Recentemente encontrei mais umas maluquices de BDs com flexis incluídos. 

O número 3 de Nexus (Capital Comics; 1982) de Mike Baron (a) e Steve Rude (d). Série de BD que é uma Space-opera com um gajo de fato de super-herói, uma treta que vale mais pelos desenhos de Rude, antecipando uma década o grafismo "retro" na indústria dos "comics". O flexi é ainda mais parvo pois adapta em som a BD que se está a ler. O que é incrível é a quantidade tempo que o flexi consegue aguentar (neste caso ouve-se dos dois lados)

Recebe o estatuto de "primeiro flexi-comic" do mundo (LOL), completamente inútil a não ser que se ignore a BD e oiça-se como uma dramatização radiofónica. Intermedia cómica dos anos "dourados" da BD independente norte-americana.

Algumas semanas atrás o 40 Ladrões deu-me um álbum de BD medíocre q.b. Paris Skouille-T-il? (Les Humanoides Associes; 1981) de Dodo (a) e Ben Hardi (d) que entra numa linha de paródia ao Rock que bateu nos finais dos anos 70 na revista Métal Hurlant - com outros autores da altura como Jano, Tramber, Frank Margerin, Yves Chalant, Serge Clerc... Ou seja, uma "linha clara" ao serviço do Rock que faria mais sentido do que aplicar a aventuras parvas à Tintin, embora os negros são ainda representados com aquela boca de salsicha, terrível! O que só reforça que ao contrário dos exemplos anteriores, neste aqui haja menos talento, piada ou interesse. Ah! A banda que existe na BD e que grava música oferecida no álbum chama-se Les Closh - que significa sinos ou idiotas - paródia dos... ehm... Clash!

Aliás, reflete-se também na música que o flexi do álbum, duas músicas que soam a Grace Jones ou The Selecter sem brilho. Nunca chega a ser Ska mas um Pop / Funk com letras parvas - que estão reproduzidas ao longo das páginas do álbum, uma linha / frase é reproduzida debaixo da página da BD / álbum, ideia interessante mas também impossível de resultar em alguma coisa entre a BD e a música, não se consegue absorver os dois mediuns ao mesmo tempo. Sem piada como aliás muita da produção francesa dos anos 80, adormecida pelos confortos de Jack Lang na Cultura. Bobo!

PS - Mais tarde em 1990 a "banda" volta com um single, Toutes ces filles, que nem comento... Putain! Quel bobozada!!!

domingo, 1 de fevereiro de 2026

"Eles nos devem uma vida - Crass : Escritos Diálogos e Gritos" (Imprensa Marginal + No Gods No Masters; 2017)

 O que dizer sobre os Crass que não tenha já sido dito? Ainda mais no ano de 2026 em que parece estamos no centro de todas as distopias a 85 segundos do Apocalipse
Ainda assim, qual a diferença dos finais dos anos 70 com os dias de hoje? Na altura, o cerco às contra-culturas era tão selvagem como as "guerras culturais" de hoje. (Re)Lendo os textos deste precioso livro, não me parece que haja diferença, sobretudo quando a banda tinha uma clareza anarquista para analisar o que se passava ao seu redor, longe das manipulações das industrias do entretenimento e das reacções violentas da esfera política - fosse da skinaria fosse dos "tankies", os Crass levaram dos dois lados. Falar de Crass é falar de Anarquia nos finais do século XX, o seu rejuvenescimento no mundo "Ocidental" dado que a banda foi mais que uma banda DIY de [anarco(punk)rock]. Redigiram panfletos e fanzines, fizeram filmes, acções de solidariedade, fixaram uma ética sobre as políticas de preços dos seus discos (que podia ser observada mais tarde até na "nossa" Thisco), constrangeram políticos (sobretudo a porkkka Maggie), puseram ao ridículos estruturas de opressão (a famosa k7 de uma conversa montada entre Reagan e Thatcher, em que o primeiro ameaçava invadir a Europa - olha 2026 e o Trump!), reinventaram o imaginário anarquista que ainda hoje tem ecos em milhares de estruturas pelo mundo fora.
Textos como O último Hippie - Um Romance Histérico de Penny Rimbaud, de 1982 mantem toda a actualidade ao ponto que deveria ser dado nas escolas secundários e universitárias, em que nada sai ileso, a destruição das contraculturas Hippie e Punk, a absorção do Punk pela Direita - com o Oi e a invenção do rock do proletariado - e o monopólio da violência do Estado sobre qualquer dissidência - o que se passa no Irão, poderia acontecer na Europa? Claro que sim, ainda alguém se lembra dos Coletes Amarelos e a quantidade de pessoas que ficaram cegas que a bófia fez - foi quando, há quê? Sete anos atrás? Ena! Será por isso que os estudos académicos dos últimos 10 anos sobre o Punk, quando chegava à parte da política os "investigadores" borravam-se todos e ignoravam essa veia do Punk? Até a Intelligentsia (Greil e Reynolds) teve a dignidade de os ignorar reconhecer, quer pela música quer pelo fenómeno - menos o "nosso" REP!! Entre 1977 e 1984 ainda não havia "google" para descobrir esta malta, do que estás à espera?
 
PS - De resto, a nível pessoal devo ainda escrever que é sempre um "prazer" (re)ver a arte de Gee Vaucher - as colagens e as pinturas - e que tive oportunidade de ver alguns originais há muitos anos no Happening Internazionale Underground (2003) no Centro Social Leoncavallo - espaço autogerido desde 1975 e estretanto fechado pela facharia italiana no ano passado, 40 anos de resistência. Eles nos devem uma vida!

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Martin Aston : "Facing the Other Way : The Story of 4 AD" (HarperCollins; 2014)

Na Feira do Livro de Lisboa, o amigo Afonso mostrou-me que se podia ver a discografia toda por ano no Discogs - já que não se vende nada por lá, ao menos um gajo com o Youtube, pode checar os discos todos que não conhece da Earache, por exemplo, ou da 4AD. Devo desde já dizer que ouvir os discos não conhecidos da Earache foi uma revelação e desilusão, esperava mais bandas Grind/Death e invés disso saiu muito Gabber (ok, tudo bem, gosto e gosto da fusão de Gabber com Metal) e projectos sub-merda - seja em Metal seja em Electrónica da treta.

Já a 4AD não desilude mesmo que possa não gostar deste disco ou daquela banda, tudo tem uma qualidade acima da média Rock/Pop. Para começar, fiquei surpreso com os nomes de Bauhaus, The Birthday Party e The The (antes de o ser) no catálogo desta "indie". Bauhaus é Alfa e Ómega. Sem comentários, tudo bem que a 4AD era no início uma "sublabel" da Beggars Banquet e que esta passou a ser o representante dos Bauhaus mas só isto indica o que as qualidades para descobrir talento do homem detrás da editora, Ivo Watts-Russell

E os nomes sucedem: This Mortal Coil (projecto de estúdio do Ivo), Cocteau Twins, Dead Can Dance, X Mal Deutschland,  Clan Of Xymox, Throwing Muses, "o mistério das vozes búlgaras",  o marado mega--sucesso Pump up the volume dos M|A|R|R|S, Pixies, Lush, Pale Saints, Breeders, Belly, Lisa Germano, Gus Gus, Thievery Corporation (WTF!?),... isto no reinado do seu fundador Ivo até ele sair em 1999. Não sendo o catálogo revolucionário na música Pop, indirectamente foram sem sombra de dúvida, projectos que mudaram as suas coordenadas - Nirvana não seria o que era sem os Pixies, por exemplo. 

Dois comentários possíveis, o primeiro foi a quantidade de bandas ou projectos que envolviam mulheres em bandas - um elemento na bandas ou bandas exclusivamente de mulheres. Tal parece-me importante referir mais do que a arte das mesmas - sem desconsiderar, os nomes acima referidos provam a qualidade alta dos seus projectos - porque numa sociedade patriarcal, a vida delas no meio musical não era (e ainda não será) fácil. Esse legado continuou mesmo depois de Ivo ter saído da editora e isso ainda se vê no actual catálogo da editora.

Onde Ivo "falhou" foi no acompanhamento das carreiras das bandas, ele só queria gravar bons discos, arriscando em projectos variados e inusitados, todo o jogo do negócio passava-lhe ao lado, ou porque o desprezava ou porque não tinha perfil para tal - tendo até desenvolvido problemas de saúde mental com o stress da indústria fonográfica. Ao longo do livro não faltam queixas de desorientação dos músicos face ao sucesso que alcançavam mas para Ivo o que interessava era fazer mais um disco excelente, ponto.

De resto, o livro esmiúça tudo o que e preciso esmiuçar, a vida de Ivo, as histórias das bandas e seus relacionamentos, o grafismo icónico de Vaughan Oliver /23 Envelope / v23 - fiquei a saber que ele nunca usou computador, wow! -, os negócios da editora, a saída de Ivo e mais alguma década de história depois dessa saída. Um livro obrigatório sobre os anos 80 e 90 no Pop/Rock.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Manuel João Vieira : "Só desisto se for eleito" (Artemágica; 2004)

 

Recupera-se aqui um textinho escrito a 20 de Janeiro de 2017 como forma de apoio à candidatura de Manuel João Vieira a Presidente da República: 

Eis o livro que é uma paródia artística, social e política do artista "homeostético" Manuel João Vieira, mais conhecido por ser músico dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. Se ele tivesse levado a sério (mas a brincar) poderia ter antecipado o Trump a 15 anos de diferença!!! Portugal poderia estar na vanguarda política - embora esteja se formos a ver bem, temos a "geringonça" de Esquerda enquanto que o resto do Mundo está a virara à Direita fascista. Ainda por cima com as vantagens sobre Trump é que o machismo de Vieira é proto-feminista, o seu alcoolismo é pseudo-abstémio, a sua alimentação omnívora é pós-vegetariana, o seu conservadorismo é vanguarda do catano, além de que de longe que Vieira seja monossilábico, pelo contrário é polígamonossilábico! Teria sido o primeiro Presidente do mundo reaccionário aberto. Um verdadeiro político Yin / Yang da escola de pensamento Hon-Hin-Hom.

 Como é bem dito sobre este livro, Vieira concebeu em 2002 a sua maior (...) obra de arte pública: candidatou-se a Presidente da República de Portugal. Uma candidatura firme assente numa campanha completa - teve tempo de antena televisivo, radiofónico e na imprensa; percorreu Portugal de lés-a-lés; discursou de varandas e palanques; escreveu reivindicações; teve seguidores. Só desisto se for eleito é a reunião de textos, desenhos, fotografias, cartas, situações vividas, enfim, de um sem número de manifestações do povo português que nestes meses reagiu surpreendentemente.

Se a partir de hoje começa a luta contra a Grande Puta na gringolândia, é preciso estar atento que à nossa porta estão outros parecidos com ele pela Europa fora e nunca se sabe quando aparece um bardamerdas mais carismático que o António de Sousa Marinho e Pinto. Um bom livro para relembrar que no tapete da Democracia tudo é possível por isso nunca se pode dormir sobre ele com o risco de ser-se pisado pelos porcos. 

Obrigado Dr. Gamão por esta literatura tão necessária para descomprimir da época natalixa.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Metal ao Cubo

Hammer of the Gods : Led Zeppelin Unauthorised (Pan; 1995) de Stephen Davis, é daqueles achados de "1 pau" algures num buraco que já nem me recordo de onde o saquei. A edição original é de 1985 e é um livro repudiado pelos três músicos sobreviventes da maior banda de Rock de sempre. Quando li não sabia das controvérsias e muito sinceramente quem quer saber? A verdade é esta, os Led Zep foram os primeiros a montar o circo do Rock a um nível estratosférico que é natural que as coisas fujam de controlo, e que provavelmente este livro esteja apimentado. O que li se calhar é treta? Ok, que seja, who cares? Life is short e estes gajos curtiram à grande.
Mais do que isso, o que é também interessante é que o discurso e a acção da banda foge aos modelos normais das bandas que são exploradas por produtores ou editoras. A confiança dos Led Zep em si mesmo era avassaladora, eles sabiam muito bem o que valiam mesmo quando eram vistos como um produto juvenil e rasco. Criaram a sua própria editora para licenciar a saída dos seus álbuns segundo os seus termos, controlando a produção artística e lidando mano-a-mano com o negócio porco da altura.
De resto, está aqui as discografias para escutar, pré-Led Zep e as músicas negras que rapinaram, a cena oficial e não oficial e pós-final da banda. Os gajos eram mesmo bons e criaram o imaginário todo do Heavy Metal, primeiro com as músicas de engate e depois com as mitologias celtas e batalhas gloriosas, para mal dos nossos pecados.

Este texto surge curiosamente no fim-de-semana em que os Black Sabbath arrumaram as botas... Fechando uma Era do Metal se calhar, senão o que dizer de livros "tontos" como Heavy : How Metal Changes the Way We see the World (Constable; 2021) de Dan Franklin que já nem me lembro do que trata mesmo... Fucki fucki! Vou ter de o reler? Sim, ou melhor revi algumas partes e parece-me afinal até bem, o livro... 
Não é uma História do Metal mas antes um percurso pessoal do autor que aproveita para descrever as várias facetas deste mega-género: as suas origens, as vestes (Judas Priest), a ameaça nuclear, o satanismo (Morbid Angel), o mórbido (Carcass), o mito do super-homem (Pantera), a ganzaria (Sleep), o imaginário gótico (Craddle of Filth), etc... não dando tréguas às parvoíces que existe neste universo enorme e e em expansão que é o Heavy Metal. No fim de contas como qualquer cultura humana sujeita-se a discussões e pensamentos, muito para além de que só barulheira de teenagers. Franklin acerta nas suas análises e parece-me até uma boa literatura leve para (re)ler no Verão...


Raios, o tempo passa e o Ozzy morreu! Agora sim uma Era, foi-se! Acho que só depois das férias é que volto aqui... Sorry sorry... Mas pelo menos deixo aqui a imagem da capa do livro que queria escrever: Black Metal Rainbows (PM Press; 2023), colectânea de ensaios académicos, arte e textos diversos sobre a "queerização" do Black Metal. Tema que deve irritar muito em especial os BM arcaicos e parvalhões, uma vez que o BM foi criado para pessoal isolacionista, misantropo e com vários problemas de saúde mental. Ora ser queer no BM poderá ser um contrassenso porque ser queer requere sociabilização. No entanto como tudo na vida, tal como um martelo foi feito para fazer móveis e não para assassinar pessoas, ou tal como não se pensava que a fotografia como uma forma de popularizar a pornografia, o BM não foi feito para ficar no meio de bárbaros do Nore e hoje, o que não falta são mulheres, queers e não-binários a rebentar decíbeis desta música deprimente. O livro explorar bem a história do BM, incluindo o seu lado fascista e a regista como se ele está a libertar-se do seu lado anacrónico. Seja como for, 'tou-me a cagar pró BM e olha, fica assim escrito que quero é ir de férias!

domingo, 1 de junho de 2025

só para dizer que este blogue não tem muito público por isso não há mal em dizer que amanhã é Vai à praia e Bas Rotten... arf arf arf arf


Ou isso ou porque a realidade é uma merda... sei lá!

Lançamento OFICIAL da reedição do Corta-E-Cola & Punk Comix!
 
 
Depois de uma primeira tentativa de tirar o punk em portugal da
obscuridade e de um esforço de dissociá-lo dos moicanos que ainda o
caracterizam, porque o livro esgotou e continua desconhecido ou
ignorado, é tempo de lhe dar uma segunda vida, idealmente mais útil, nem
que seja pela ajuda que dará à Disgraça.

Assim, 7 anos depois, o relançamento de Corta e Cola / Punk Comix terá
lugar, novamente, na
Disgraça, no domingo, dia 1 de Junho, às 17h, com
uma conversa informal com alguns falsos especialistas sobre anarco-punk,
straight edge e sharp, fanzines e centros sociais, e tudo o mais que
quem estiver a assistir também queira partilhar ou discutir.

Depois da conversa, cantina vegana disgraçada!!

Depois da cantina vegana,
dois concertos! 
banda não identificada
(regresso às catacumbas do grind lisboeta mais desejado)+ 
banda não
identificada (é diy, é lo-fi, é queer-core, é post-punk! é banger!)

"Ahhh mas nem sei quem vai tocar... Acho que não vou." Então vai à igreja seu granda borrego!
 
Todo os trocos angariados revertem para a compra da Disgraça.

sábado, 19 de abril de 2025

José António Moura: "Cadernos de Divulgação # 1.4" (Marte Instantânea; 2025)

 

Não vale a pena repetir o que já foi escrito, embora esta capa do novo volume cor de salmão meta o Cadernos de Divulgação muito próximo do Isto vai acabar em lágrimas! O arquivo do melómano José António Moura é incrível e até poderá ser visto como excessivo mas o facto é que se não se mostrar tudo do arquivo deste percurso de JAM quando poderemos alguma vez outra vez? Excelente as bandas industriais que remexe, e é de cagar a rir o facto dos Front Line Assembly terem pegado no logótipo do PS (OMG! Portugal is so Socialist!!!) do punho fechado para usarem para si. Estamos nos anos 80, ainda não seria altura da mudança para o logo da florzinha rosa, felizmente os homens de barba rija do PS voltaram aos tempos do punho e à fantástica intervenção social, credo, não há ironia possível... Isso é que seria uma bela capa em papel vermelho! 

Sempre desejoso de mais e mais, que venham mais episódios dos tempos do Cavaquistão Industrial. Ei! Acho que falta aqui o episódio em que gamaram um pedal de guitarra aos Sprung Aus Den Wolken depois do concerto no Rock Rendez-Vous... Bons velhos tempos!

quinta-feira, 27 de março de 2025

Adalberto Alves : "Arabesco : da Música Árabe e da Música Portuguesa" (Assírio & Alvim; 1989)

 Há livros que nos mudam para sempre. Este simples ensaio sobre as possíveis ligações da música portuguesa com a árabe poderá ser visto como um livro para melómanos tarados ou algum musicólogo com tendências etnográficas. Certo certíssimo! Talvez até o seja embora como admita desde logo que é apenas um pequeno contributo para tal.

Eu cá não percebo nada de instrumentos nem de notas, pautas, etc... E o livro fala disso também. O mais importante nem é isso, é o fascinante explanar de que a cultura árabe sempre fez parte do ADN português - péssima altura para ser neonazi! - muito mais do que se pensava, ou pelo menos o que nos ensinaram na escola. Agora percebo porque somos como somos, realmente nada temos em comum com os babacas da Europa do Norte. A nossa relação com os Mouros não foi de porrada neles e pô-los fora da Península. Houve negócio, houve cortes misturadas, havia fascínio pela música e cultura árabe porque na altura a cultura árabe era superior, houve parcerias entre os dois povos (três se contarmos com os Judeus). Os árabes estiveram séculos na Península antes da "reconquista". Moravam cá, copulavam como qualquer outro mamífero, constituíram famílias e tudo o mais que é normal numa civilização colonial. Como só no século XX é que se inventaram aquelas ideias funcionais como campos de extermínio, a questão é: depois dos "Afonsinhos do Condado" terem conquistado este rectângulo para onde raios foram parar todos Mouros que viviam cá?

Integraram-se, cristianizaram-se quando havia maior pressão católica, e só muito mais tarde os que não conseguiram apagar o rasto religioso é que foram apagados pela barbárie da Inquisição. Ou seja houve desta gente até muito mais tarde do que foi considerado com a terra conquistada e com bandeirinha portuguesa espetada. Significa que o nosso espírito está mais no Magrebe que em Roma e que estamos mais virados para o Oriente do que prá Cruz! Não admira que passamos sempre tristonhos e no canto da "saudade" - deve ser saudades das Mil e Uma Noites que perdemos graças à tirania cristã e à sua falta de imaginação monoteísta.

No fundo sabemos que algo está mal na nosso modo de ser. Algo foi imposto, não é suposto sermos assim, cristãos! Bem, ninguém deveria ser cristão para dizer a verdade mas falando só de Portugal, o que acontece é que não nos damos bem com a batuta da civilização europeia - aliás, os europeus do Norte tem a mania de dizer que Portugal é onde começa África. Eles tem razão!!! Somos tão estúpidos como os cabo-verdianos (que acham que são europeus!) por não assumirmos o outro continente, o africano. Realmente num país que todos devem a todos, que passa a vida a tentar a dar voltas ao sistema, que gosta de receber, de conversar e de conviver, que é hospitaleiro e de vida despreocupada, não são características bem sintonizadas com os tecno-protestante do Norte. Sempre senti que "o meu coração era árabe", agora tenho a certeza.

PS - o texto foi escrito em 2011 e fui repescá-lo porque além de não sentir vergonha dele, aconteceu-me aquilo que acontece quando se fica "velho". Com 51 anos, em Dezembro do ano passado comprei uma nova edição deste livro, pela Althum em 2016. Ia jurar que já o tinha ou que já o tinha lido ou... enfim, memória o que andas a fazer!? Mal não fez até porque a edição da Assírio já estava bem estragada e com traços de humidade. E foi um prazer reler este livro, relembrar que a Amália ("voz de todos nós") Rodrigues admitia que "A Oum Kalsum foi a melhor cantora que ouvi até hoje..." e ir procurar a discografia recomendada por Alves. Agora, só falta descobrir o que fiz aos Cadernos de Divulgação que não os encontro em casa!

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Michel Faber : Listen - on music, sound and us (Canongate; 2023)

Foi a Flur que recomendou este livro e ainda bem que caí na esparrela... Só que ainda estou a processar este generoso epitáfio sobre o ideal de consumo da música do século XX. Talvez venha a editar este "post" daqui uns dias...

Faber nem é académico da música (ainda bem) nem é um crítico especialista de música, é "apenas" um escritor que sabe do seu métier para condensar e redigir - mas sobretudo alertar - sobre a maneira como sentimos a música. Do colecionismo em negação - o capítulo em que tenta livrar-se do disco This Inheritance must be refused é hilariante! -, a falocracia em negação que absorvemos seja da Wikipedia seja da imprensa especializada (curiosamente estava a ler o livro quando os escândalos sexuais no Jazz português explodiram), o holiganismo em negação como nos deixamos influenciar pelos outros ou ainda os malefícios da Nostalgia... tema a tema, taco a taco, sem ficarmos a conhecer mais sobre esta ou aquela banda - nem sempre é verdade mas os exemplos são demasiado aleatórios quer para o mau quer para o bom, para que isso seja a essência do livro - ficamos a compreender melhor as nossas escolhas musicais. 

Ou pelo menos as dos consumidores anglo-saxónicos. Há música a rodos neste mundo para descobrir sendo uma missão impossível poder ouvir toda a música que existe e que vai existir. Faber diz-nos que não temos de ficar pelos cânones de gajos brancos (e "gajos" significa literalmente mesmo humanos com pénis) e como tal podemo-nos libertar de qualquer pressão de grupo, basta ter curiosidade pelo "outro". Há uma ternura e um humor neste livro que o torna numa mensagem de amor e de esperança para todos os melómanos - e até para os não-melómanos!

 PS - ele "trasha" um coche no Henry Rollins que se acha muito esperto. Boa Faber! Nunca curti esse caralho!

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Brix Smith Start: "The Rise, The Fall, and the Rise" (Faber & Faber; 2016)

 Verão e biografias de roqueiros e outros loucos relacionados. I love it! Total sucker! E saiu-me esta Brix - nome vindo pelo seu amor (partilho o mesmo) pelo tema Guns of Brixton dos Clash, e da música punk e post-punk britânica.

Princesinha californiana que foi parar ao pesadelo do proletário inglês e as suas morcelas, Brix é daquelas figuras que teve mais vidas que um gato e cujas relações ultrapassam os famosos "seis graus de separação". Rodeada por uma família disfuncional, com problemas de auto-estima (que inclui bulimia e anorexia), abusada sexualmente (esse desporto nacional dos EUA - perdoem-me a piada mas é uma nação culturalmente baseada em "rape culture" e já não há paciência para o que se passa por lá até as mulheres americanas tomarem os ensinamentos de Solanas e Bobbitt de vez) e que conheceu, apaixonou-se e casou-se (e divorciou-se) do Mark E. Smith (1957-2018) dos The Fall
 
A única coisa de boa que este peido velho (e morto) de Manchester foi de lhe dar (e tirar) confiança para investir na música - ao que parece ela fez parte de um período dourado dos The Fall, entre 1983 e 1989 mas sinceramente não faço mínima, nunca foi banda que me tivesse interessado. Confiança que esgotou a dada altura, tendo-se dedicada à moda desde 2002. Entretanto desde 2016 que voltou com bandas suas que ainda não tive tempo para ouvir.
 
Sincera - como é normal nestas obras autobiográficas - sem filtros, sem ser ordinária a lavar roupa suja ou à procura de vingança barata, eis um livro perfeito para as férias ou para os transportes públicos de regresso ao trabalho. Só digo mais isto, Brix ainda teve relações com o Rato Mickey (shit you not!) e o foleiro Nigel Kennedy. Os seis graus vão ainda às Bangles e Hole... e Donovan! Ufa! Intenso! Aliás, intensa!

Uma nota final: no sítio da Faber atrevem-se a dizer que The Fall foi "most powerful and influential anti-authoritarian postpunk band in the world"... WTF!? Anti-autoritária? Toda gente sabe, e não é preciso ler este livro, para saber que Smith era um filho da puta de primeira! E autoritário! JIIsus fuck! Pelo som da banda parecer tão "free form", lembra o que escreveu em tempos o Rui Eduardo Paes sobre Sun Ra, Zappa, Kuti e Captain Beafheart que também pareciam todos estes líderes de bandas (e a palavra "líder" não engana) uns grandas malucos, anarquistas, improvisadores sem hierarquias mas são sabidas as histórias como todos estes gajos despediam, torturavam, abandonavam nas estradas estrangeiras das tournês e oprimiam os seus "colegas" músicos. Está tudo louco!

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Ritalina

O mercado português do livro anda cheia de paca e até edita duas autobiografias da brasileira-mutante Rita Lee (1947-2023). A julgar pela falta de tradução de português brasileiro para o de Portugal, a editora Contraponto (do grupo Bertrand) têm a consciência que existe uma enorme população brasileira a viver por cá, por isso não vale a pena perder tempo com "traduções" até porque temos um acordo ortográfico merdoso que "une" as duas línguas. Lee alguma vez foi grande em Portugal comparando com outros músicos brasileiros? Acho que não... A escrita da maior "porra-louca" é "multiculti", divertida, descomprometida, cheia de estrangeirismos sobretudo em inglês gringo (isto sim é traduzido) e expressões mestiças como "roquerou". Sendo verdade que os portugueses estão expostos ao português BR desde sempre com a importação de "quadrinhos" (Disney, Marvel, DC, Turma da Mônica), exibição de 'novelas na TV e vídeos de parvalhões do Youtube, ainda assim há expressões que passam ao lado ao português "iluminado" e que não justifica não terem feito um "aportuguesamento PT" da sua escrita.

Uma Biografia (2017) é uma colecção de memórias de família, de intimidades, toxicidades e da sua carreira musical. É engraçado que Rita Lee sendo uma mulher "sem qualidades" - não é de uma beleza espampanante, não tem uma voz magistral nem é virtuosa como músico - consegue ser isso tudo e melhor que todas as criaturas que vão aos programas de talentos para serem mastigadas pelo putedo da indústria fonográfica e afins. O que Rita nos ensina é que quando se tem algo para dizer e imaginação, estas podem ter mais força que os corpos perfeitos da máquina do sistema. E mesmo quando se vive em estado de repressão, afinal Rita viveu durante a Ditadura Militar, tendo sido censurada e até foi presa durante a gravidez do seu primeiro filho. Cheia de esquemas e histórias cómicas e trágicas, eis uma leitura para o Verão que se aproxima, até porque a música dela, a solo, pós-Mutantes, é quase toda ela Pop levezinha e descartável, como tudo nesta altura.

A sua sinceridade é inspiradora, seja para as boas ou más decisões, é sempre divertida mesmo quando vai ao fundo. Esta escrita será repetida no Outra autobiografia (2023) que regista o final de vida de Lee numa luta contra o Cancro. No meio de medicamentos e terapias mil, dores e a percepção que a Morte se aproxima, Rita é a última a rir.

De resto, as edições incluem as fotografias memorabilia de praxe (fotos da família, animais, concertos, celebridades, acidentes, etc...) sendo as mais impressionantes as do último livro, claro, uma Rita desgastada pela doença e pela velhice mas também com desejos psicadélicos. 
 
Uma figura extraordinária que se soube reinventar até ao fim. Fofa!

terça-feira, 4 de junho de 2024

José Moura : "Turning the crank : The NoHo Scene 1979-1982" (Holuzam; 2024)

 José Moura tem sido uma caixinha de surpresas com os seus Cadernos de Divulgação, e eis que se lançou noutra aventura impressa musical, a de compilar informação de uma micro-cena num livrinho, oficialmente companheiro de um EP mas que pode ser vendido e lido separadamente... 
Que importância terão três projectos musicais efémeros - a saber, The Higher Primates, The Scientific Americans e Human Error? Talvez o nome de Elliott Sharp se destaque para que ninguém fique à toa. E algures no meio Stevie Wonder e os Pere Ubu em poucos graus de separação... Mesmo o que estes ilustres desconhecidos não sei se terão o ónus de ser os pioneiros da comunhão Rock e Dub, No Wave e Dance, parecem alinhados aos seus tempos - peno nos ricaços YelloYello. Talvez um especialista o possa reparar, não sei... Nem sei se o livro o dá atender na realidade nem percebo o investimento de uma loja e editora de música de Lisboa a pegar numa micro-cena dos gringos, até pode parecer ser irónico, porque geralmente são os grandes países que vão recuperar o passado dos desgraçados... 
Escrevem nos press: Northampton, Massachusetts. As Cinco Universidades. Universidade de Hampshire. Educação progressista. Cursos de Música Electrónica. Uma vasta população estudantil criou e sustentou uma vibrante cena cultural. Isto é apenas um vislumbre de uma fracção, mas fértil e com impacto nas vidas de muitos que com ela contactaram. O livro segue um grupo de indivíduos que se juntaram, fizeram música, promoveram-na e editaram-na, criaram condições para outros gravarem e editarem música, programaram bandas e, no fim, dispersaram-se pelo interior e Costa Leste dos Estados Unidos. 
De resto, independentemente das intenções editoriais e autorais, é sempre fixe ler uma história "menor", longe das grandes narrativas. Como dizia o recém-falecido Albini, a história do Rock não vai dos Beatles aos Sex Pistols e destes aos Nirvana, sempre houve muito mais coisas pelo meio. Há episódios bem divertidos neste livrinho, documentos gráficos e o modus operandi de um mundo que já lá vai...

domingo, 5 de maio de 2024

Paul Henley : "Leave the Capital" (Route; 2017)

 Este livro e como os últimos livros sobre música que tenho escrito aqui recentemente vieram ou devem ir parar à Neat Records, simpática loja de discos em Lisboa. Aliás, este veio de lá e lá voltará. Não que seja mau, até me confirmou o facto que o José Carlos Fernandes ter sido sempre um "name-dropper" chato, mas acaba por ser um livrinho leve e curioso sobre a música gravada em Manchester. 

Como qualquer outra segunda maior cidade de um país, acaba sempre por ser mais interessante que os riquinhos da Capital, olha Lisboa / Porto, por exemplo - mas espera, no Porto é só malta com pasta, certo? Ops! Manchester por ser operária, longe dos "snobs" de Londres, "faz as coisas de forma diferente" (frase lapidar de Tony Wilson), e realmente olhando para bandas como Buzzcocks ou The Smiths, percebemos que faziam de forma diferente.

Mas estas coisas não acontecem por geração espontânea e daí este livrinho ser especial para perceber a história das gravações em "Madchester" para chegarmos aos Stone Roses. Foi nos anos 60 que elementos de bandas Rock com mais ou menos 15 minutos de fama que começaram a investir dinheiro em estúdios para não se terem de se deslocar ao caos / vampirismo de Londres para gravar, contruindo de uma forma orgânica estas estruturas e que se tornaram emblemáticos como o Strawberry e o Pluto, ligados aos elementos dos Mindbenders e Herman's Hermits, respectivamente. Ou aos 10cc, banda Pop/Rock foleira mas que devido às suas experiências e maquinaria desenvolvida no estúdio, criaram o húmus sonoro para o LP Unknown Pleasures dos Joy Division, por exemplo. Este espectro glacial e melancólico tornou-se emblema da cidade e das suas bandas - ou de alguns dos seus  seus temas - tanto que se vai encontrar isso no tema Bankrobber dos londrinos The Clash que gravaram esse tema no Pluto. Por isso, sim havia algo de peculiar em Manchester, tal como noutras cidades também já foram peculiares, antes de tudo ser arrasado pelo menor denominador comum do capitalismo, qual Boring Europa...

Ah! O autor fez parte dos The Fall, e não sei se é por isso (ou pelo espírito da cidade) que escreve com bastante humor. Perfeito para ler no autocarro, ide lá à Neat sacá-lo!

quinta-feira, 18 de abril de 2024

João Lisboa : "Provas de Contacto" (Assírio & Alvim; 1998)

 Passo a vida a queixar-me que há poucos livros portugueses sobre música e no entanto é como as Bruxas, não acredito nelas, mas que existem, existem! Descobri recentemente este aglomerado de entrevistas a cromos como Leonard Cohen, Tom Waits (maravilhosos conversadores!), John Cale, David Bowie (sempre espertinho), David Byrne, Laurie Anderson, Robert Wyatt e a princesa (na altura, hoje Raínha) islandesa Björk. Escreve Lisboa que a gaja dos Sonic 'tava armada em parva ou em punk (porque sempre foi, punk! Nada parva!!!) e não tava numa de lhe responder (imagino ela a topar o ar de beto de Lisboa, crítico do Expresso) mas está boa a entrevista. Rende! Lisboa faz boas perguntas, os textos estão bem encaminhados - não segue uma cronologia mas temas que se vão desenvolvendo ao longo das diferentes personalidades. É um testemunho de uma era que já lá foi, passam-se boas horas de nostalgia e há poucas descobertas para quem tenha andado por ali nos anos 80 e 90, sobretudo na faceta mais burguesa, como é óbvio Lisboa nunca irá perceber Ministry, por exemplo. Sonic Youth já é um pau barulhento para ele e o público do semanário dos cotas - o Expresso era dos cotas na altura e ainda o é, claro. 
Sem comentários em relação à capa mais chata do mundo!! Sempre ouvi falar na ignorância gráfica de quem escreve sobre música, e Lisboa não deverá ter culpa das escolhas da editora mas isto é quase tão grave como a do Baton!

segunda-feira, 11 de março de 2024

No comprendo

Para quê editar, espera, espera..., para quê escrever um livro como Charlie's Good Tonight : A vida, a época e os Rolling Stones (HarperCollins; 2023) de Paul Sexton? Iá, o baterista mais velho que os outros velhos que faleceu em 2021.

Biografia sem interesse de um novo rico sem interesse - as tentativas de mostrar que ele foi uma pessoa generosa, é de puxar os limites da bondade de um cinzento tecnocrata... Fuck!... Espera espera,... para quê ler esta merda? (porque me ofereceram...) 

Espera espera,... para quê escrever esta resenha!!??? Oh fuck... sei lá...

Já é a segunda vez que leio Sober living for the Revolution : Hardcore Punk, Straight Edge and Radical Politics (PM Press; 2010) de Gabriel Kuhn (edição), passado 30 anos depois de ver os X-Acto na Jukebox e conhecer esta subcultura ainda não percebi um caralho o que é o Straight Edge... A entrevista de Ian MacKaye (Minor Threat, Pailhead, Fugazi) é reveladora. Começou pela sua comunidade que para se proteger de gangues de xungaria, criaram espaços seguros onde pudessem curtir sem a violência dos Punks bêbados e agarrados. Não acreditando no niilismo da primeira geração Punk, afunilaram-se dois factos numa ideia, uma consciência política e a sobriedade. Depois disso, criaram-se manifestos de maninhos sem cultura (América, o que esperar dela?) que invés de dar frutos políticos radicais imediatos, deu antes em fanáticos, alguns até próximos de religiões organizadas, e dentro de pensamentos absurdos como anti-aborto e homofóbicos. Felizmente houve quem pensasse mesmo, e tenha ido mais longe com associações acratas ou progressistas. À primeira vista, até parece que serei contra a sobriedade, longe disso, será assim que se poderá ter acções realmente revolucionárias - como os anarco-ilegalistas Bonnot - ou como forma de defesa contra o Imperialismo Capitalista - que o digam as comunidades ameríndias, dizimadas pelo álcool europeu, ou como os Zapatistas baniram o seu uso para se defenderem contra o Estado mexicano. De resto, ainda não percebo a razão de existir desta "coisa" depois de um primeiro momento, no Punk sempre houve liberdade de pensamento e ideais revolucionários, quem ouviu Dead Kennedys ou Crass, sabe disso. Talvez num mundo de deuses zombies (disseram que Deus 'tá morto mas olhando para quantidade de malucos que andam por aí, parece que a notícia foi exagerada), o "X" seja um ritual de passagem espiritual, tal como noutras subculturas há outros. Só assim se explica, talvez... Momentos altos no livro: entrevistas a Jonathan Pollack (recentemente entrevistado também n'A Batalha) e a Nick Riotfag.