quinta-feira, 13 de junho de 2024

24h


- Thierry Van Hasselt : La Véritable Histoire de Saint-Nicolas (Frémok; 2023)

- Will Self : The Butt (Bloombury; 2008)

- Octopoulpe (19 Maio; Disgraça)

- Saeed Roustayi : Os irmãos de Leila (2022)
- Anthony Burgess : 1985 (Arrow Books; 1980 -orig. 1978)
- Deborah Shamoon : Passionate Friendship - The Aesthetics of the Girl's Culture in Japan (University of Hawai'i Press; 2012)
- João Abel Manta : Livre (Palácio Anjos, Algés)
- Michelangelo Setola : Les Déchets (Misma; 2021 - orig. 2019)
- Claire Barel-Moisan & Matthieu Letourneux : Albert Robida - De la satire à l'anticipation (Les Impressions Nouvelles; 2022)
- Frederik Pohl : Jem (Bantam; 1982 - orig. 1979)
- Bill Griffith : Three Rocks : The story of Ernie Bushmiller : The man who created Nancy (Abram; 2023)
- Anna Sommer : L'Encre (Frémok; 2023)
- Laï Tat Tat Wing : L'enfer de Jade (Casterman; 2007)
- Evin Collis : Litterpig (3 vol.; ed. de autor; 2020-2023) + Transcontinental (3 vol.; ed. de autor; 2016-2018)
- Rob Gowers [ed.] : Pink Banana (Showa Showcase; orig.: 1968-73)
- Jeanne Waltz : Vento assobiando nas gruas (2023?)
- Elias Suleiman : O que resta do tempo / The Time that remains (2009)
- BCC + Triunfo dos Acéfalos (24 Fev; Damas)
- Frederik Peeters : Oleg (Nemo; 2021 - orig. 2020)
- A.T. Pratt : Dot Comics #1 (2023)
- João Canijo : Viver Mal + Mal viver (2023)
- Mark Cousins : Women make film / As mulheres fazem Cinema (2018)
- Steve McQueen : Fome / Hunger (2008)
- James Tynion IV, Álvaro Martínez Bueno e Jordie Bellaire : The Nice house in the lake (2 vol., DC Comics; 2021-23)

terça-feira, 11 de junho de 2024

Farra & Diana


16 anos depois de passar por Lisboa, eis Mike Diana pela Feira do Livro de Lisboa a passear um bébé espancado que adoptou na feira da ladra... E já agora, ele está a usar uma t-shirt serigrafada pelo Gonçalo Duarte, procurem se quiserem passar vergonhas públicas!

terça-feira, 4 de junho de 2024

José Moura : "Turning the crank : The NoHo Scene 1979-1982" (Holuzam; 2024)

 José Moura tem sido uma caixinha de surpresas com os seus Cadernos de Divulgação, e eis que se lançou noutra aventura impressa musical, a de compilar informação de uma micro-cena num livrinho, oficialmente companheiro de um EP mas que pode ser vendido e lido separadamente... 
Que importância terão três projectos musicais efémeros - a saber, The Higher Primates, The Scientific Americans e Human Error? Talvez o nome de Elliott Sharp se destaque para que ninguém fique à toa. E algures no meio Stevie Wonder e os Pere Ubu em poucos graus de separação... Mesmo o que estes ilustres desconhecidos não sei se terão o ónus de ser os pioneiros da comunhão Rock e Dub, No Wave e Dance, parecem alinhados aos seus tempos - peno nos ricaços YelloYello. Talvez um especialista o possa reparar, não sei... Nem sei se o livro o dá atender na realidade nem percebo o investimento de uma loja e editora de música de Lisboa a pegar numa micro-cena dos gringos, até pode parecer ser irónico, porque geralmente são os grandes países que vão recuperar o passado dos desgraçados... 
Escrevem nos press: Northampton, Massachusetts. As Cinco Universidades. Universidade de Hampshire. Educação progressista. Cursos de Música Electrónica. Uma vasta população estudantil criou e sustentou uma vibrante cena cultural. Isto é apenas um vislumbre de uma fracção, mas fértil e com impacto nas vidas de muitos que com ela contactaram. O livro segue um grupo de indivíduos que se juntaram, fizeram música, promoveram-na e editaram-na, criaram condições para outros gravarem e editarem música, programaram bandas e, no fim, dispersaram-se pelo interior e Costa Leste dos Estados Unidos. 
De resto, independentemente das intenções editoriais e autorais, é sempre fixe ler uma história "menor", longe das grandes narrativas. Como dizia o recém-falecido Albini, a história do Rock não vai dos Beatles aos Sex Pistols e destes aos Nirvana, sempre houve muito mais coisas pelo meio. Há episódios bem divertidos neste livrinho, documentos gráficos e o modus operandi de um mundo que já lá vai...

sexta-feira, 17 de maio de 2024

European Arapaima


Manipular os media é sempre bom porque assim de passados 6 anos pode-se ouvir Breakcore na Rádio Nacional. O Domestic Arapaima foi aconselhado aqui pela casa... 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Play a Phil Collins song at me while I'm grocery shopping? Pay me twenty dollars. Def Leppard? Make it a hundred. Miley Cyrus? They don't print money big enough.

Steve Albini RIP (Rapeman In Peace)

O meu verdadeiro ídolo e herói. 

A partir de agora, só fica a merda..


PS - agora percebo porque há mesma hora que foi anunciado a sua morte estava a ler este artigo... A coincidência estava-me a parecer demasiado "creepy"...


domingo, 5 de maio de 2024

Paul Henley : "Leave the Capital" (Route; 2017)

 Este livro e como os últimos livros sobre música que tenho escrito aqui recentemente vieram ou devem ir parar à Neat Records, simpática loja de discos em Lisboa. Aliás, este veio de lá e lá voltará. Não que seja mau, até me confirmou o facto que o José Carlos Fernandes ter sido sempre um "name-dropper" chato, mas acaba por ser um livrinho leve e curioso sobre a música gravada em Manchester. 

Como qualquer outra segunda maior cidade de um país, acaba sempre por ser mais interessante que os riquinhos da Capital, olha Lisboa / Porto, por exemplo - mas espera, no Porto é só malta com pasta, certo? Ops! Manchester por ser operária, longe dos "snobs" de Londres, "faz as coisas de forma diferente" (frase lapidar de Tony Wilson), e realmente olhando para bandas como Buzzcocks ou The Smiths, percebemos que faziam de forma diferente.

Mas estas coisas não acontecem por geração espontânea e daí este livrinho ser especial para perceber a história das gravações em "Madchester" para chegarmos aos Stone Roses. Foi nos anos 60 que elementos de bandas Rock com mais ou menos 15 minutos de fama que começaram a investir dinheiro em estúdios para não se terem de se deslocar ao caos / vampirismo de Londres para gravar, contruindo de uma forma orgânica estas estruturas e que se tornaram emblemáticos como o Strawberry e o Pluto, ligados aos elementos dos Mindbenders e Herman's Hermits, respectivamente. Ou aos 10cc, banda Pop/Rock foleira mas que devido às suas experiências e maquinaria desenvolvida no estúdio, criaram o húmus sonoro para o LP Unknown Pleasures dos Joy Division, por exemplo. Este espectro glacial e melancólico tornou-se emblema da cidade e das suas bandas - ou de alguns dos seus  seus temas - tanto que se vai encontrar isso no tema Bankrobber dos londrinos The Clash que gravaram esse tema no Pluto. Por isso, sim havia algo de peculiar em Manchester, tal como noutras cidades também já foram peculiares, antes de tudo ser arrasado pelo menor denominador comum do capitalismo, qual Boring Europa...

Ah! O autor fez parte dos The Fall, e não sei se é por isso (ou pelo espírito da cidade) que escreve com bastante humor. Perfeito para ler no autocarro, ide lá à Neat sacá-lo!

quinta-feira, 18 de abril de 2024

João Lisboa : "Provas de Contacto" (Assírio & Alvim; 1998)

 Passo a vida a queixar-me que há poucos livros portugueses sobre música e não entanto é como as Bruxas, não acredito nelas, mas que existem, existem! Descobri recentemente este aglomerado de entrevistas a cromos como Leonard Cohen, Tom Waits (maravilhosos conversadores!), John Cale, David Bowie (sempre espertinho), David Byrne, Laurie Anderson, Robert Wyatt e a princesa (na altura, hoje Raínha) islandesa Björk. Escreve Lisboa que a gaja dos Sonic 'tava armada em parva ou em punk (porque sempre foi, punk! Nada parva!!!) e não tava numa de lhe responder (imagino ela a topar o ar de beto de Lisboa, crítico do Expresso) mas está boa a entrevista. Rende! Lisboa faz boas perguntas, os textos estão bem encaminhados - não segue uma cronologia mas temas que se vão desenvolvendo ao longo das diferentes personalidades. É um testemunho de uma era que já lá foi, passam-se boas horas de nostalgia e há poucas descobertas para quem tenha andado por ali nos anos 80 e 90, sobretudo na faceta mais burguesa, como é óbvio Lisboa nunca irá perceber Ministry, por exemplo. Sonic Youth já é um pau barulhento para ele e o público do semanário dos cotas - o Expresso era dos cotas na altura e ainda o é, claro. 
Sem comentários em relação à capa mais chata do mundo!! Sempre ouvi falar na ignorância gráfica de quem escreve sobre música, e Lisboa não deverá ter culpa das escolhas da editora mas isto é quase tão grave como a do Baton!

sábado, 13 de abril de 2024

Borboleta nos Nervos


 

HOJE às 16h, na Tinta nos Nervos irei entrevistar / conversar com a luso-descendente francesa Madeleine Pereira acerca do seu livro Borboleta, que versa sobre a emigração portuguesa  dos anos 60/70.

Creio que será este o quarto livro de BD que tem esta temática ou pelo menos alguma componente sobre "as minhas origens portuguesas que desconheço" de uma segunda ou terceira geração de pessoas que nasceram em França de pais portugueses e que, depois de estabelecerem-se como classe média decidiram contar as suas raízes familiares (e pobres).

Não sei porque a Tinta me convidou, e apesar das minhas suspeitas que o livro não seria um livro que publicasse ou sequer que o apresentasse em público, e também, por ser um livro para "jovens adultos", apesar de tudo gostei da forma como a autora tratou o tema, através de uma sincera autobiografia e ligeira investigação, bem como um nítido esforço gráfico de apresentar da melhor forma as humilhações da emigração clandestina dos anos 60/70.

A bientôt!

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Estamos todos a ficar velhos... (II)


O Erradiador / My Nation Underground continua a desterrar "coisas" do passado, e agora foi ao My Precious Things, que começou como suplemento do Mesinha de Cabeceira, depois passou a ser uma publicação autónoma que era enviada por correio (a publicação era muitas vezes o "envelope") até ir parar aos emails, e, prego final no caixão do papel, com o advento da blogosfera, passei a escrever sobre as "minhas queridas coisas" (mais uma cena inspirada nos Big Black, claro) no blogue da Chili.

Vou dizer isto, armado em cinquentão cagão: bons velhos tempos!

segunda-feira, 11 de março de 2024

No comprendo

Para quê editar, espera, espera..., para quê escrever um livro como Charlie's Good Tonight : A vida, a época e os Rolling Stones (HarperCollins; 2023) de Paul Sexton? Iá, o baterista mais velho que os outros velhos que faleceu em 2021.

Biografia sem interesse de um novo rico sem interesse - as tentativas de mostrar que ele foi uma pessoa generosa, é de puxar os limites da bondade de um cinzento tecnocrata... Fuck!... Espera espera,... para quê ler esta merda? (porque me ofereceram...) 

Espera espera,... para quê escrever esta resenha!!??? Oh fuck... sei lá...

Já é a segunda vez que leio Sober living for the Revolution : Hardcore Punk, Straight Edge and Radical Politics (PM Press; 2010) de Gabriel Kuhn (edição), passado 30 anos depois de ver os X-Acto na Jukebox e conhecer esta subcultura ainda não percebi um caralho o que é o Straight Edge... A entrevista de Ian MacKaye (Minor Threat, Pailhead, Fugazi) é reveladora. Começou pela sua comunidade que para se proteger de gangues de xungaria, criaram espaços seguros onde pudessem curtir sem a violência dos Punks bêbados e agarrados. Não acreditando no niilismo da primeira geração Punk, afunilaram-se dois factos numa ideia, uma consciência política e a sobriedade. Depois disso, criaram-se manifestos de maninhos sem cultura (América, o que esperar dela?) que invés de dar frutos políticos radicais imediatos, deu antes em fanáticos, alguns até próximos de religiões organizadas, e dentro de pensamentos absurdos como anti-aborto e homofóbicos. Felizmente houve quem pensasse mesmo, e tenha ido mais longe com associações acratas ou progressistas. À primeira vista, até parece que serei contra a sobriedade, longe disso, será assim que se poderá ter acções realmente revolucionárias - como os anarco-ilegalistas Bonnot - ou como forma de defesa contra o Imperialismo Capitalista - que o digam as comunidades ameríndias, dizimadas pelo álcool europeu, ou como os Zapatistas baniram o seu uso para se defenderem contra o Estado mexicano. De resto, ainda não percebo a razão de existir desta "coisa" depois de um primeiro momento, no Punk sempre houve liberdade de pensamento e ideais revolucionários, quem ouviu Dead Kennedys ou Crass, sabe disso. Talvez num mundo de deuses zombies (disseram que Deus 'tá morto mas olhando para quantidade de malucos que andam por aí, parece que a notícia foi exagerada), o "X" seja um ritual de passagem espiritual, tal como noutras subculturas há outros. Só assim se explica, talvez... Momentos altos no livro: entrevistas a Jonathan Pollack (recentemente entrevistado também n'A Batalha) e a Nick Riotfag.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

O 42 é em 2024

 


Índios do mundo anotem lá na vossa rede social estas datas de lançamento do trabalho vencedor dos 5001000 paus de 2023!


18 de Fevereiro n'O Thigaz em Santo Tirso com conversa de VIPs (very important punks!) como Alexandra Saldanha (iá! a vocalista dos Unsafe Space Garden e que faz BD psicadélica), Marcos Farrajota (um velho, ainda lúcido, da cena) e Rudolfo (Rei da BD portuguesa e Conde do Chiptune)

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24 Fevereiro na Tinta Nos Nervos em Lisboa conversa com o autor e à noite há concerto de Triunfo dos Acéfalos no Damas.

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Isto para dizer que vai sair finalmente o 

Partir a Loiça (toda) 

de 

Luís Barreto


O fanzine com os maiores custos de sempre!!!

Este Mesinha de Cabeceira tem um CD a acompanhar cheio de fofura sónica com as bandas Sindicato do PunkEntre Outros e TINNITRUS, que saíram directamente da Banda Desenhada - uma tradição em Portugal que não é fácil de ignorar se pensarmos "nas" Garina Sem Vagina da chata série "Superfuzz" (2004) e os recentes Podre e Freiras Monomamárias do divertido fanzine Olho do Cu.

Impresso com papel amarelo, as 44 páginas em formato A5 fazem o regresso dos nossos conhecidos Danny e Arby e os seus amigos Cassie e Buddy a meterem-se num comboio e vão até à "Metrópole". Vão ao primeiro concerto do Sindicato do Punk, a banda de Bobi, um amigue do duo. A banda já ganhou alguma tracção com o seu EP de estreia por isso a sala está cheia de fãs ansiosos pela estreia ao vivo da nova sensação do punk nacional. O concerto é absolutamente caótico, envolvendo vibradores, confettis, finos entornados e muito, muito mosh. Mas a actuação do Sindicato do Punk é apenas o concerto de abertura para os TINNITRUS, uma banda local de noise extremo que destrói tímpanos e PAs por onde quer que passe. 

Co-edição da Chili Com Carne e Culetivo Feira.


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Pode ser adquirido na shop da Chili e nas lojas Neat Records e Tinta nos Nervos.


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As fotos não enganam as bandas da BD existem!!!


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Ainda não saiu oficialmente e já o Pedro Moura, mais rápido que um Punk escreveu no Ler BD

(...) este projecto era a “cara” do catálogo da Chili, ainda que compreenda a diversidade editorial ofertada por esta plataforma (...).  Essa “cara” traduz-se aqui por uma atenção particular para com a realidade urbana portuguesa, real, ancorada, e jamais transfigurada em fantasias ou denominadores comuns que tentam domesticar a imagem da(s) cidade(s) e das gentes de uma forma fácil de consumir, vulgo “postal”. É algo que tem a imediaticidade da escrita diarística, apesar das suas roupagens representacionais, uma recordação de algo ainda quente na experiência, traduzido de forma simples, célere, e, pasme-se, divertida. Se não é um “espelho da sociedade contemporânea”, é um suficiente retrovisor e, como tal, talvez sirva para não sermos ultrapassados.

domingo, 31 de dezembro de 2023

A importância de enumerar 23



- Olivier Schrauwen : Sunday 5/6/7/X (Colorama)

- José Smith Vargas : Vale dos Vencidos (Chili Com Carne)

- Jarno Latva-Nikkola : Logistiikkakeskus 5 (Zum Teufel; 2022)

- Karel Čapek : A Fábrica do Absoluto (Antígona; 2022 - orig.: 1922)

- Hanane Hajj Ali : Jogging (Incrível Almadense - Salão de Festas; 9 Jul.)

- Hanneriina Moisseinen : Kannas (Kreegah Bundolo; 2018)

- Yoko Kondo sob texto de Ango Sakaguchi : Una mujer y la guerra / Sensô to hitori no onna (Gallo Nero; orig. 2012)

- Naomi Klein : The Shock Doctrine (Penguin; 2007)

- Mário Domingues : A Liberdade não se concede, conquista-se. Que a Conquistem os negros! (Falas Afrikanas + Letra Livre + A Batalha) c/ introdução de António Baião

- Michael Tau : Extreme Music, from silence to noise and eveything in between (Feral House; 2022)

- McKenzie Wark : Um Manifesto Hacker (DeStrauss; 2022 - orig. 2004)

- Aleksandr Sokurov : Fairytale / Sombras do Velho Mundo (2022) + Fausto (2011)

- Jafar Panahi : No bears / Ursos não há (2022)

- Elio Petri : Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto / Inquérito a um cidadão acima de qualquer suspeita (1970) + La classe operaia va in Paradiso / A Classe operária vaia para o Paraíso (1971)

- Bill Bryson : Breve História de Quase tudo / A short history of nearly everything (Bertrand; 2020 - orig. 2003)

- Kristoffer Borgli : Farta de mim mesma / Syk Pike (2022)

- Stefane Gil Franco : Os imperativos da Arte - Encontros com a loucura em Portugal no século XX (Caleidoscópio; 2021)

- Dominique Grange e Jacques Tardi : Elise e os novos Partisans (Ala dos Livros; orig. 2021)

- Jesse Jacobs : New Pets (Hollow Press)

- Rudolfo : Memórias Artificiais (Porto; 16 Jun.)

- Hunter S. Thompson : Hell's Angels (Texto; 2007 - orig. 1967)

- Tsugumi Ohba e Takeshi Obata : Bakuman (20 vol., Viz;  2009-12)

- Rataplan : Cannibal Zoo (Rasga; 2022) + Titã Calamita (Rasga)

sábado, 30 de dezembro de 2023

Michael Tau: "Extreme Music Silence to Noise and Everything In Between" (Feral House; 2022)

Bem fixe este livro que sintetiza todos os extremos da música: os excessos de escatologia (o Gore / Grind / Death), a velocidade e intensidade (Gabber / Extratone), sons encontrados, embalagens fodidas (a lixa na capa do disco de shhh...), formatos anacrónicos ou "disfuncionais" (disquetes de computador), o silêncio (foi o Walt Thisney que fez uma compilação de faixas silenciosas há alguns anos?), composições curtas (You suffer, but why?!!!!) e ainda os "anti-discos" (objectos que não se podem ouvir, pura e simplesmente). Duas notas críticas apenas. A primeira é o autor (canadiano) fala muito em valores dos preços dos discos para justificar as suas escolhas, num mundo americano de money money money é assim que se justifica as peças de arte? A segunda nota é sobre o capítulo "Digital Age" que é o mais fraco do livro. Apresenta o Vaporwave como música gerada pela popularização da 'net mas sinceramente, sendo esse género nostálgico apenas merdoso Muzak o que interessa se é feito com sons da 'net ou com bifes a serem batidos numa mesa? Percebo o fenómeno dos ringtones ou a referência ao género Black Midi (claro!) mas achar os "outsiders" (Wesley Willis, por exemplo, referido há pouco tempo pelo Luís Barreto n'A Batalha) e "celebridades" caídas em desgraça de Reality Shows como um fenómeno musical extremo não me parece tão interessante como ideia... Sim, a internet passou a ser uma rede social apenas, cheia de pífios desejos de poder, onde Arte é agora conteúdo (pode ser uma imagem do século XVIII ou uma "selfie" a chafurdar num prato de comida) e cultura é fama (um realizador de cinema ou um gatinho parvinho) mas daí o factor social passar a ser uma "forma" de música (ou anti-música), já não me parece correcto.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Morte 2023


Tinha de ser o Camarada Fom Fom a orientar-me um disco inesperado, quando um gajo pensa que já conhece tudo ou pelo menos que nada já bate. 

A capa deixou-me logo à toa e que caralho é um Vágtázó Halottkémek? Húngaro, nome da banda! E A Halál Móresre Tanítása? É  Teach Death A Lesson (Von Unten + Sonic Boom ; 1988)! Viva a 'net! Os punks de Leste sabiam tocar, afinal apesar das misérias da Cortina de Ferro, esta malta teve uma educação que o Ocidente bem inveja e faz questão de se vingar em destruí-la, desculpem lá o momento Svenonius. Estes "Legistas Cavalgantes" sabem o que fazem, assim, soa, com aquela língua bárbara, aos Magma com pano de fundo punk ou noise rock, sendo o estilo auto-proclamado pela banda de Punk Xamánico ou Hardcore psicadélico, antecipando em 10 anos o pós-Hardcore e outras coisas do tipo. O vocalista-mentor, Attila Grandpierre (excelente nome, nem é inventado) até tem um "paper" sobre o assunto, ó!

Já sabem, se estiverem fartos da mesma cagada Rock/Pop / Techno / Trap para a festinha de amanhã, é meter ácido ou fumar ganza e bombar esta coisa! ,E por favor ignorem que se a banda é xamánica não previu o porco Orbán! Grande falha!

Bom ano apesar de sabermos que tudo irá piorar!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Visita ganzada


Sempre se disse que BD é para ser publicada e não para se expor na parede. Não sei se é por concordar em grande parte com isso que ganhei resistência a exposições de BD, ou apenas, os meus originais são tão feios e lixados que nenhum "agente da BD" queira promover exposições minhas. Não sei mas também não é que eu me possa queixar assim tanto, logo em 1998 tive direito a uma individual na Universidade De Aveiro, "Auto da Fé(rrajota)" organizada pelo Núcleo de BD e mais recentemente (o tempo passa, meu!) em 2015, a "Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology" (título homónimo do livro) na galeria da Mundo Fantasma. Pelo meio participei em algumas exposições colectivas nacionais - destaque para a “Tintanos Nervos” no CCB (2011) - e umas três no estrangeiro (Ourense, Ravenna e Pančevo).

Fico feliz que o João Silvestre me tenha convidado e que não se atreveu a colocar como "curador" porque senão recusaria logo. Tivemos trocas de emails a pensar o que faria sentido expor, é certo, mas sem uma hierarquia e esse parasitismo do intermediário. Ele organizou e essa palavra "organização" é mais catita que "curadoria", é o que acho porque acredito na cultura DIY numa óptica colaborativa (opondo a competição do empreendorismo neoliberal DIY). Daí que a maioria dos projectos que me envolvo tenham essa pretensão da "união faz a força" mesmo que, mais tarde ou mais cedo, fique só um cromo a cuidar de tudo, especialmente da parte chata da papelada. 


Comecei o fanzine Mesinha de Cabeceira em 1992 com o Pedro Brito, tendo ele abandonado o projecto no número seis (1995) porque andava exausto com a vidinha. Da minha parte prossegui com o zine ainda mais porque tinha descoberto uma força interior para desenhar as minhas autobiografias, fascinado por Harvey Pekar (1939-2010) ou Julie Doucet. É esse o primeiro bloco de originais que é aqui mostrado, as BDs vêm dos números 10 ao 12 do Mesinha, entre 1996 e 1997, sob o título "Apontamentos de Noitadas, Deprês & Bubas". Os tempos universitários eram longos nos anos 90 (pré-Bolonha), em que uma licenciatura demorava cinco anos mas que permitia perdições e explorações várias. Nessas pranchas há concretizações como um fim-de-semana ao mítico Salão de BD do Porto - no ano de 1995 em que os convidados internacionais era a malta toda da Drawn & Quarterly: Adrian Tomine, Seth, Doucet, Joe Matt, Chester Brown e Chris Oliveros. Noutras há apenas deambulações boémias já sem número, embora o Blixa Bargeld o tente fazer. Importante para mim era tentar a tarefa impossível de colocar toda a vida em papel, fosse músicas ouvidas ou desenhos feitos num "evento" (que acabavam colados nas BDs), pensamentos tão iluminados cheios de epifania (era mais pifos!) que tinham de ser registados na hora! Isto mesmo que demorasse anos para depois desenhá-los. Foi aí que que percebi que Arte precisa de tempo para arejar e que demora tempo a fazê-la. Arte não pode competir com a vida! Por fim, as pranchas eram quadradas, nunca curti o formato A4, daí que há umas BDs no topo dos originais A4 que juntos faziam de maquete para impressão dos Mesinhas mais o suplemento Meseira de Cabecinha que era o que sobrava - depois do corte para o formato quadrado. Aqui vêem-se tiras de Leonor Gomes mas noutras passaram nomes como o Janus ou Mike Diana.


Não querendo acabar como o Joe Matt - que faleceu com 60 anos em Setembro- que era um autor que confessa, na série Peepshow, TUDO sobre a sua vida privada de tal forma que acabou por destruí-la, ou apenas porque curtia a ideia de promover a BD noutras manifestações públicas, comecei a fazer BDs de critica de concertos - e mais tarde discos e livros. Comecei onde fazia sentido, um jornal de música, xunguérimo, chamado Inside em 1998. O "deal" era simples, davam-me bilhetes para os concertos e eu fazia a resenha crítica em BD. Trabalho baratinho para eles e a precariedade que aceitava era pela satisfação de ver uns gajos a abanar a cabeça, não tendo cheta para os ver - foi assim que perdi os Cramps na primeira vez. Na BD "Recuerdos" (1998) muitos concertos foram colocados na página mas quase todos sem bilhetes vindos da redação do jornal, isto porque não havia muito para contar do concerto de Soulfly para dizer a verdade, e sempre divulgava uma variedade de gente que merecia visibilidade como o fantástico Jad Fair. Anos mais tarde, em 2012, a organização do SWR Metal Fest de Barroselas convidou-me para fazer uma BD que seria incluída no DVD comemorativo dos 15 anos deste evento! Não sei o que eles esperavam de mim, sinceramente, mas curtindo Metal como gosto de muitas outras coisas na vida aceitei avisando que não sou especialista para escrever sobre guitarras (des)afinadas, pregos de bateria ou se é mais Black ou menos Death. Fiz "gonzo journalism" como fã do Hunter S. Thompson que sou até porque a caminho do festival sofri um acidente de automóvel em que sai vivo por um triz. Achei muito sinceramente a organização do festival impecável e que tal merecia ser divulgada na BD, daí falar mais com trabalhadores do que com músicos cheios de si. Quando a revista eslovena Stripburger pediu-me para fazer uma BD prás suas páginas, em 2013, a cena de Barroselas ainda estava quente para mim. Por um lado adorei o festival, por outro ouvir mexericos por lá e percebi também do lado perverso do mundo da música - neste caso Meta mas transversal a qualquer outra cena musical, artística ou profissional. Resolvi reflectir sobre esse mundo, mostrando o seu lado mais capitalista. Nesta altura já me tinha habituado a usar imagens de outros (ou minhas) para outras BDs, assim em modo de preguiça e orgasmo digital. As minhas pranchas originais começam a ter buracos enormes e ter menos interesse gráfico - fenómeno que não é novo e que se passa com muitos autores de BD desde os finais dos anos 90 com a entrada das ferramentas digitais.

Quanto à prancha dos Napalm Death (grande-banda-grande-banda!) foi feito para um número do zine suiço Milk + Wodka (2008) que completava trilogia temática "sex, drugs & rock'n'roll" - ideia tão original que mais tarde que o zine brasileiro Prego também o fez e que eu também participei! A BD faz parte de uma fase em que não me apetecia desenhar mais e restou-me desenhar com a mão esquerda para recuperar o gosto e a concentração. Fiz mais algumas destas "BDs à canhoto" para o M&W, a antologia Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011) e o zine que acompanhava o EP 7" Raridades (Zerowork; 2008). Aconselho este exercício a todos desenhadores quando estiverem na merda...



Fecha-se o círculo com a questão da disposição da BD nas paredes, da generalizada ausência de poder plástico de originais de BD quando são expostos. Tema bastante discutido no seio da Chili Com Carne, tentou-se resolver a questão no "Zalão de Danda Besenhada", em 2000 na Galeria ZDB, com vários artistas a montarem instalações que acrescentassem uma aura expositiva às suas obras. Da minha parte, apresentei a BD "Vaiz curtir?" que retrata o percurso de casa dos meus pais para uma paragem de autocarro num subúrbio em Cascais. A BD revela as relações (a)sociais com o local e na parede da exposição as suas páginas eram intercaladas por fotografias ampliadas desse trajecto. É uma modorra paisagística que obviamente a BD nunca iria apanhá-la nem as fotos iriam reter o humor de viver na seca suburbana. "O Império Nunca Acabou" (adoro Philip K. Dick!) foi feito para a colectiva "Mistério da Cultura" (2007). Foi um engano de um casal de betos que tinham uma galeria em Lisboa. Nunca disse que fazia ilustração mas insistiram. Saiu este auto-retrato divido em nove partes que in extremis faz dele uma BD. Cada desenho trata de momentos culturais marcantes para mim, que me construíram quer eu queira quer não, seja xungaria tipo X-Men ou Mata-Ratos, seja o bom tom de Young Gods ou Daniel Clowes.

Resta dizer que deixei de desenhar o ano passado e este é o meu epitáfio. MF … Lx, 30/11/23

Fotos de João Silvestre

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Ganza Metal Guimarães


Acho que poucas pessoas sabem que parei de fazer BD, desde o ano passado. No entanto a Magma Bruta crew ainda acredita em mim e prepara uma exposição em Guimarães, aproveitando a minha passagem pela cidade. Será uma exposição de originais com mostra de diários gráficos, das publicações originais e das recolhas. Cartaz de João Silvestre. Dankas very muchas! Não são todos o dias que tenho este tipo de convites!


Entretanto, os organizadores escreveram isto, que adorei: GANZA METAL', originals by Marcos Farrajota
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Opening 8 December at 19:00
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Everything we experience can be seen through comics, it is a fact. At least for Marcos Farrajota. From being a shy and introvert teen, coming home and just wanting to read zines his dad brought him to being an international published comic artist and having his own publisher - @chili_com_carne, Marcos has always lived his life around it.
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This is the opportunity to see his work exhibited on walls, his rough originals tainted with political and cut-throat inherent thoughts.
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At Gamor - Rua Paio Galvão 3 2, Guimarães
Visit the exhibition from 8 till 10 December!
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Poster by @ojoaosilvestre with original drawings by Marcos Farrajota

domingo, 3 de dezembro de 2023

Mr. Big


 

Marcos Farrajota 
/\ 
De William Blake ao Black Metal : Apontamentos da evolução da BD independente 

A falta de cultura no campo da BD é grave, geralmente contada pelo prisma industrial e comercial, dos vencedores. Mas é sabido que os vencidos são mais queridos, resistem ao teste do tempo e são os que realmente interessam. Temos de rever, repensar essa História e sobretudo criar novas balizas para quem se interessa não perca tempo. Esta conferência aborda as formas independentes de edição e de produção de BD, partindo de William Blake (1757-1827), passando pelo “underground comix”, até aos nossos dias.