sexta-feira, 6 de março de 2026

26


- Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo, vol. 1 (Bertrand; 1975 - orig. 1949)

- Adam Curtis : Shifty (BBC; 2025)

- Shintaro Kago : Parasitic City #0.1, 0.2, 3 (Hollow Press; 2025)

- André Neto + Nu No e o Resto (18.02; Damas) + Nu No : Turva Lingua (8mm; 2019)

- Joe Sacco : The Once and Future Riot (Jonathan Cape / Vintage / Penguin Random House; 2025)

- Ammar 808 : Maghreb United (Glitterbeat; 2018)

- Jazmín Varela : Campeón (Sigilo; 2025)

- Silvio Lorusso : Entreprecariat : Everyone is an entrepreneur. nobody is safe (Onomatopee 170; 2019)

- José Feitor : Fosso #4 (Imprensa Canalha)

- Guy Colwell : Inner City Romance #1-2 (Last Gasp; 1972)

- Jim Donaghey, Will Boisseau & Caroline Kaltefleiter [ed.] : DIY or Die! : Do-it-yourself, Do-it-together & Anarchism (Active; 2024)

- Pedro Baptista : Whisky & Chips (TBA; 15.02)

- L'ego + Hi$t : Biologia (SPH; 2025 - orig. 1989)

- Holy Burger : in comics we trust (Forum Ljubljana; 2024)

- Nettwerk Sound Sampler vol.04 : Possessed (Nettwerk; 1992)

- Tânia M. Guerreiro (curadoria), Mohammad Abbasi, Ana Borralho & João Galante [et al]: Self-Uncensored [uncoding] (TBA; 25.01)  

- Prado (Vortex; 31.01)

- Catherine Ribeiro + Alpes : (Libertés ?) (Fontana; 1975)

- Crawling Chaos : The Gas Chair (Factory Benelux; 1981)

- Marga Alfeirão : Lounge (TBA; 09.01)

- Yutaka Aso : Children of the city (?;? - orig. 1947)

- Luís Moreira Gonçalves + Felipe Parucci : Dormindo entre Cadáveres (Zigurate; 2025)

- Deben Van Ham : Putain (2025)

- Kleber Mendonça Filho : O Agente secreto (2025)

- Richard Linklater : Nouvelle Vague (2025)

- Artistas Unidos : O Piloto Americano de David Greig (Teatro Variedades; 4.02)

BM2

Republico aqui a resenha de 2012 e acrescento um "PS". 

Há obras que se seguem com as movidas musicais e esta é claramente uma delas. Se os Fabulous Freak Brothers de Gil Shelton era Rock psicadélico, se Love & Rockets dos Hernandez Bros era Punk californiano, o Peter Pank de Max sobre a movida espanhola, o Hate de Peter Bagge era sobre o Grunge, se Loverboy de Marte e João Fazenda (olha a modéstia, cabrão!) era sobre o Indie 'tuga (coisa que não existiu mas que se fingiu seja na ficção da série seja na realidade), se Psychowhip de unDJ GoldenShower e Jorge Coelho (isso é coisa pouca para te auto-citares outra vez!!!) é sobre o Rock industral, Sicotronic Records de Miguel Angel Martin é sobre Harsh Noise, ufa!... 

Então, Black Metal Cómix (F.O.G. Cómix; 2012) de Magius é sobre... BLACK METAL, claro!

Trata-se de um volume auto-editado de 208 páginas A5 dos fanzines homónimos publicados entre 2001 e 2012 em que Magius em curtas BDs vai contando a história mórbida do Black Metal com um "alto-relevo" para a cena seminal norueguesa, em especial para a banda Mayhem e o seu fundador e instigador da cena Black, Euronymous (1968-1993), que é a capa do livro. Não esquecendo que Euronymous foi morto pelo Varg Vikernes (na altura auto-intitulado de Count Grishnackh, mais conhecido pelo influente projecto Burzum), estes queimaram dezenas de igrejas (a única coisa boa da cena Black Metal), Euronymous fotografou o corpo do vocalista Dead (1969-1991) após o seu suicidio com um tiro de espingarda na pouca mioleira que devia ter, usou essas fotos para um "bootleg" da banda e segundo consta, oferecia restinhos do crânio do Dead em forma de colar de pescoço às pessoas que ele achasse merecedoras do seu respeito. 

Tudo isto soa "a BD" ou a desenhos animados escatológicos do tipo South Park mas não! Tudo isto foi verdade nos primórdios dos anos 90 e talvez porque a realidade ultrapassa sempre a ficção, todo o livro é feito com um "comic relief" para não entrarmos nas profundezas destes putos estúpidos noruegueses.

Por falar em South Park, a abordagem é realmente idêntica no que diz ao movimento dos corpos, uma vez que Euronymos ou o gajo de Burzum aparecem sempre como criaturas que não crescem e com os membros imobilizados (como se fossem ícones fofinhos) mesmo que estejam a fotografar - a máquina fica suspensa no ar e os braços caídos sempre imobilizados. Não se trata de uma falta de capacidade técnica do autor conseguir desenhar corpos com movimentos mas antes de gozo iconoclasta. De corrigir ainda que o autor desenha ambientes negros e góticos com bastante perícia que muitas vezes parece que são colagens ou montagens de imagens. Mas não são como o autor me chamou a atenção...

Também são interessantes as outras histórias que mesclam ficção com realidade, sobretudo quando tratam dos temas do Nacional Socialismo a que muitas das pessoas da cena Black Metal estão associadas. Estas BDs são um retrato da estupidez da cultura popular extrema, que só dá mesmo para rir! Infelizmente!

PS - entretanto o "louco" do Magius não satisfeito com o livro decidiu refazê-lo e saiu no ano passado, uma edição mesmo satânica pela Autsider Cómics (viva a Espanha com os seus "Juanitos Camiñantes" e "Pijota Harbey"), assim musculada, capa de couro e muito negra, claro! 

Magius refez tudo, concentrou-se e esmiuçou ainda mais as relações entre os dois demónios, Euronymous e Vikernes. A narrativa está mais complexa e completa de detalhes mesmo que Magius tenha reforçado de os retratar como duas crianças parvas e mimadas que abriram uma caixa de Pandora para o mundo. Os aspectos do BM ligados ao Nazismo são não aparecem como ensaios como na "edição anterior" (o correcto é escrever "obra anterior") mas ainda assim tal é abordado quando Vikernes vai escavando a sua própria tumba de imbecilidade.

Um livro "pesado" - para alinhar à ideia falsa que a BD é sempre leve - de pesquisa e minúcia, uma igreja narrativa, tal aliás, como tem acontecido com os livros de Magius desde que começou a publicar pela Autsider, destacando-se o Primavera para Madrid sobre os meandros corruptos da cultura "pija" (betalhada), a banca, o governo, a família real... Impresso a dourado o livro, que parece uma barra de ouro, recebeu o Prémio Nacional de BD em Espanha, o que inclui no protocolo almoçar com os reis, que obviamente nunca leram o livro. Viva a leveza da BD!   

quarta-feira, 4 de março de 2026

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Não é um comeback de uma banda de Sludge


David Soares, Pedro Nora e Marcos Farrajota (a fazer de troll dada a sua capsulite) a mini-exposição de originais de Mr. Burroughs na Tinta nos Nervo, após feliz lançamento do livro. Foto de Gisela Monteiro.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

CIA info 94.2


Aqui acabei a minha carreira de autor de BD... mas volto no mesmo fanzine... Na realidade já estou arrependido, fiz merda. Saiu esta Sexta-Feira no "Feitores Fest"... É o fanzine Fora de Campo #3, publicado pela Bancarr0ta, aka, Matilde Feitor.

Meus fãs, dirijam-se a ela!

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Flexi-comics para todos os gostos! (embora só o do Panter é que vale a pena!)

Não deve haver formato mais xunga que o "flexi-disc". Para quem não sabe trata-se de geralmente de um formato "single"/ 7 polegadas tão fininho que parece uma folha de papel. E no entanto cabe lá música - e até software antes das k7s substituírem este formato nos tempos do ZX Spectrum. Servia sobretudo como uma prenda ou objecto de promoção que era metido em revistas e livros de qualquer assunto - até BD! - tanto que acho que curto bués do tema Dead Embrionic Cells dos Sepultura à pala de um flexi que ouvi numa revista qualquer de Rock... Mais recentemente no número comemorativo dos 30 anos da revista italiana Neural (e 20 da Crónica) vinha com um flexi com30 projectos de música a mandarem 9 segundos de som, entre eles Philippe Petit, Francisco López, Clock DVA, Alva Noto, Scanner, @c,... Formato morto com alguma ou outra ressurreição mas sem a loucura vaidosa do vinil, o "street-cred" da K7 e o retorno do CD para breve, uma vez que os outros formatos estão caros e demorados de produzir...

Mais tarde apanhei ainda nos anos 90 o livro Invasion of the Elvis Zombies do Gary Panter, que parece que teve edição nos EUA (Raw Books; 1984), França (?) e na Espanha (Arrebato; 1985) - sempre à frente, Espanha e Valência em especial, cá ainda só deve haver dez pessoas que sabem que é este artista! 

BD iconoclasta de filmes de série B, tem um flexi do próprio Panter com uma música, Precambrian Bath, que lembra algo entre um funk branco e a estranheza de uns Big Stick. A música é tão bizarra como o trabalho gráfico-narrativo. 

É curioso assistir esta coerência artística usando media tão diferentes mas faz sentido quando se tem mesmo uma visão clara da Arte que se ambiciona. Um verdadeiro artista é assim, aliás, em Portugal podemos pensar no mesmo de André Coelho (com as suas bandas Sektor 304 e Metadevice, por exemplo), André Lemos (com o projecto Blunt Instrument) e Rudolfo da Silva seja em zine, CD-R, livro ou "escultura"...

Recentemente encontrei mais umas maluquices de BDs com flexis incluídos. 

O número 3 de Nexus (Capital Comics; 1982) de Mike Baron (a) e Steve Rude (d). Série de BD que é uma Space-opera com um gajo de fato de super-herói, uma treta que vale mais pelos desenhos de Rude, antecipando uma década o grafismo "retro" na indústria dos "comics". O flexi é ainda mais parvo pois adapta em som a BD que se está a ler. O que é incrível é a quantidade tempo que o flexi consegue aguentar (neste caso ouve-se dos dois lados)

Recebe o estatuto de "primeiro flexi-comic" do mundo (LOL), completamente inútil a não ser que se ignore a BD e oiça-se como uma dramatização radiofónica. Intermedia cómica dos anos "dourados" da BD independente norte-americana.

Algumas semanas atrás o 40 Ladrões deu-me um álbum de BD medíocre q.b. Paris Skouille-T-il? (Les Humanoides Associes; 1981) de Dodo (a) e Ben Hardi (d) que entra numa linha de paródia ao Rock que bateu nos finais dos anos 70 na revista Métal Hurlant - com outros autores da altura como Jano, Tramber, Frank Margerin, Yves Chalant, Serge Clerc... Ou seja, uma "linha clara" ao serviço do Rock que faria mais sentido do que aplicar a aventuras parvas à Tintin, embora os negros são ainda representados com aquela boca de salsicha, terrível! O que só reforça que ao contrário dos exemplos anteriores, neste aqui haja menos talento, piada ou interesse. Ah! A banda que existe na BD e que grava música oferecida no álbum chama-se Les Closh - que significa sinos ou idiotas - paródia dos... ehm... Clash!

Aliás, reflete-se também na música que o flexi do álbum, duas músicas que soam a Grace Jones ou The Selecter sem brilho. Nunca chega a ser Ska mas um Pop / Funk com letras parvas - que estão reproduzidas ao longo das páginas do álbum, uma linha / frase é reproduzida debaixo da página da BD / álbum, ideia interessante mas também impossível de resultar em alguma coisa entre a BD e a música, não se consegue absorver os dois mediuns ao mesmo tempo. Sem piada como aliás muita da produção francesa dos anos 80, adormecida pelos confortos de Jack Lang na Cultura. Bobo!

PS - Mais tarde em 1990 a "banda" volta com um single, Toutes ces filles, que nem comento... Putain! Quel bobozada!!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Mr. B entesado!


Chegou o livro mais atrasado de sempre mas está entesado o "Mr. B." Diriamos que é até o nosso primeiro "Álbum"! 

Dia 28 de Fevereiro faremos a apresentação oficial na Tinta nos Nervos, às 16h, com as presenças dos autores David Soares e Pedro Nora e o editor Marcos Farrajota "para falarmos do passado" afinal este livro comemora 25 (26) anos da sua edição original em 2000. 

Curse go back teria dito o verdadeiro Burroughs!!... entretanto o livro já se encontra na loja em linha da Chili Com Carne


.................................................................
 
23º volume da Mercantologia, colecção dedicada à recuperação de material perdido do mundo dos fanzines e edição independente.

Publicada originalmente em Novembro de 2000 pela Círculo de Abuso, passado três anos seria publicado pela belga Fréon (futura Frémok) em francês, algo inédito na BD portuguesa na altura - o que revela a maturidade da obra e da cena portuguesa naquela época, ou seja nos meados dos anos 90 até os meados dos anos 00.

A nova edição é maior que a original - passou para 21x28 cm -, tem 56 páginas a preto e branco e uma capa em cartolina rosa. Foram emendados pequenas gralhas e dado algum tratamento sobre as páginas originais. É acrescentado um posfácio de Marcos Farrajota para contextualizar este livro nesses tempos eufóricos da BD portuguesa.

...

sinopse:

Este Mr. Burroughs não é  William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.

Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.

..............................................................................

FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)

Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante. 

Les Inrockuptibles

Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.  

Bang

(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue. 

Domingos Isabelinho in Quadrado


.......................................


sobre os autores

David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas  (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).

Pedro Nora (Vila Nova de Gaia; 1977) é um designer gráfico licenciado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desde 2001 que desenvolve trabalho na área cultural, tendo-se especializado em design gráfico para exposições de arte contemporânea, em design editorial e em design de livro de artista - de entre as suas colaborações institucionais destacam-se Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Moderna Museet Malmö (Suécia), Kunsthalle de Basel (Suíça), Palais de Tokyo (França) e Bergen Kunsthall (Noruega). Colabora com regularidade com as editoras Dafne, Ghost, Pierre von Kleist. Foi co-editor da revista Satélite Internacional (2002-05), da editora Braço de Ferro (2007-11), do jornal Buraco (2011-19). Integrou o colectivo Oficina ARARA entre 2014 e 2020. Em 2020 deu início ao projecto editorial FOJO.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

"Eles nos devem uma vida - Crass : Escritos Diálogos e Gritos" (Imprensa Marginal + No Gods No Masters; 2017)

 O que dizer sobre os Crass que não tenha já sido dito? Ainda mais no ano de 2026 em que parece estamos no centro de todas as distopias a 85 segundos do Apocalipse
Ainda assim, qual a diferença dos finais dos anos 70 com os dias de hoje? Na altura, o cerco às contra-culturas era tão selvagem como as "guerras culturais" de hoje. (Re)Lendo os textos deste precioso livro, não me parece que haja diferença, sobretudo quando a banda tinha uma clareza anarquista para analisar o que se passava ao seu redor, longe das manipulações das industrias do entretenimento e das reacções violentas da esfera política - fosse da skinaria fosse dos "tankies", os Crass levaram dos dois lados. Falar de Crass é falar de Anarquia nos finais do século XX, o seu rejuvenescimento no mundo "Ocidental" dado que a banda foi mais que uma banda DIY de [anarco(punk)rock]. Redigiram panfletos e fanzines, fizeram filmes, acções de solidariedade, fixaram uma ética sobre as políticas de preços dos seus discos (que podia ser observada mais tarde até na "nossa" Thisco), constrangeram políticos (sobretudo a porkkka Maggie), puseram ao ridículos estruturas de opressão (a famosa k7 de uma conversa montada entre Reagan e Thatcher, em que o primeiro ameaçava invadir a Europa - olha 2026 e o Trump!), reinventaram o imaginário anarquista que ainda hoje tem ecos em milhares de estruturas pelo mundo fora.
Textos como O último Hippie - Um Romance Histérico de Penny Rimbaud, de 1982 mantem toda a actualidade ao ponto que deveria ser dado nas escolas secundários e universitárias, em que nada sai ileso, a destruição das contraculturas Hippie e Punk, a absorção do Punk pela Direita - com o Oi e a invenção do rock do proletariado - e o monopólio da violência do Estado sobre qualquer dissidência - o que se passa no Irão, poderia acontecer na Europa? Claro que sim, ainda alguém se lembra dos Coletes Amarelos e a quantidade de pessoas que ficaram cegas que a bófia fez - foi quando, há quê? Sete anos atrás? Ena! Será por isso que os estudos académicos dos últimos 10 anos sobre o Punk, quando chegava à parte da política os "investigadores" borravam-se todos e ignoravam essa veia do Punk? Até a Intelligentsia (Greil e Reynolds) teve a dignidade de os ignorar reconhecer, quer pela música quer pelo fenómeno - menos o "nosso" REP!! Entre 1977 e 1984 ainda não havia "google" para descobrir esta malta, do que estás à espera?
 
PS - De resto, a nível pessoal devo ainda escrever que é sempre um "prazer" (re)ver a arte de Gee Vaucher - as colagens e as pinturas - e que tive oportunidade de ver alguns originais há muitos anos no Happening Internazionale Underground (2003) no Centro Social Leoncavallo - espaço autogerido desde 1975 e estretanto fechado pela facharia italiana no ano passado, 40 anos de resistência. Eles nos devem uma vida!

sábado, 31 de janeiro de 2026

CIA info 93.1

Rastas para papeis para se fazer ganzas... Complicado? Depois explico melhor...

Entretanto só falta colar...

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Martin Aston : "Facing the Other Way : The Story of 4 AD" (HarperCollins; 2014)

Na Feira do Livro de Lisboa, o amigo Afonso mostrou-me que se podia ver a discografia toda por ano no Discogs - já que não se vende nada por lá, ao menos um gajo com o Youtube, pode checar os discos todos que não conhece da Earache, por exemplo, ou da 4AD. Devo desde já dizer que ouvir os discos não conhecidos da Earache foi uma revelação e desilusão, esperava mais bandas Grind/Death e invés disso saiu muito Gabber (ok, tudo bem, gosto e gosto da fusão de Gabber com Metal) e projectos sub-merda - seja em Metal seja em Electrónica da treta.

Já a 4AD não desilude mesmo que possa não gostar deste disco ou daquela banda, tudo tem uma qualidade acima da média Rock/Pop. Para começar, fiquei surpreso com os nomes de Bauhaus, The Birthday Party e The The (antes de o ser) no catálogo desta "indie". Bauhaus é Alfa e Ómega. Sem comentários, tudo bem que a 4AD era no início uma "sublabel" da Beggars Banquet e que esta passou a ser o representante dos Bauhaus mas só isto indica o que as qualidades para descobrir talento do homem detrás da editora, Ivo Watts-Russell

E os nomes sucedem: This Mortal Coil (projecto de estúdio do Ivo), Cocteau Twins, Dead Can Dance, X Mal Deutschland,  Clan Of Xymox, Throwing Muses, "o mistério das vozes búlgaras",  o marado mega--sucesso Pump up the volume dos M|A|R|R|S, Pixies, Lush, Pale Saints, Breeders, Belly, Lisa Germano, Gus Gus, Thievery Corporation (WTF!?),... isto no reinado do seu fundador Ivo até ele sair em 1999. Não sendo o catálogo revolucionário na música Pop, indirectamente foram sem sombra de dúvida, projectos que mudaram as suas coordenadas - Nirvana não seria o que era sem os Pixies, por exemplo. 

Dois comentários possíveis, o primeiro foi a quantidade de bandas ou projectos que envolviam mulheres em bandas - um elemento na bandas ou bandas exclusivamente de mulheres. Tal parece-me importante referir mais do que a arte das mesmas - sem desconsiderar, os nomes acima referidos provam a qualidade alta dos seus projectos - porque numa sociedade patriarcal, a vida delas no meio musical não era (e ainda não será) fácil. Esse legado continuou mesmo depois de Ivo ter saído da editora e isso ainda se vê no actual catálogo da editora.

Onde Ivo "falhou" foi no acompanhamento das carreiras das bandas, ele só queria gravar bons discos, arriscando em projectos variados e inusitados, todo o jogo do negócio passava-lhe ao lado, ou porque o desprezava ou porque não tinha perfil para tal - tendo até desenvolvido problemas de saúde mental com o stress da indústria fonográfica. Ao longo do livro não faltam queixas de desorientação dos músicos face ao sucesso que alcançavam mas para Ivo o que interessava era fazer mais um disco excelente, ponto.

De resto, o livro esmiúça tudo o que e preciso esmiuçar, a vida de Ivo, as histórias das bandas e seus relacionamentos, o grafismo icónico de Vaughan Oliver /23 Envelope / v23 - fiquei a saber que ele nunca usou computador, wow! -, os negócios da editora, a saída de Ivo e mais alguma década de história depois dessa saída. Um livro obrigatório sobre os anos 80 e 90 no Pop/Rock.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Manuel João Vieira : "Só desisto se for eleito" (Artemágica; 2004)

 

Recupera-se aqui um textinho escrito a 20 de Janeiro de 2017 como forma de apoio à candidatura de Manuel João Vieira a Presidente da República: 

Eis o livro que é uma paródia artística, social e política do artista "homeostético" Manuel João Vieira, mais conhecido por ser músico dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. Se ele tivesse levado a sério (mas a brincar) poderia ter antecipado o Trump a 15 anos de diferença!!! Portugal poderia estar na vanguarda política - embora esteja se formos a ver bem, temos a "geringonça" de Esquerda enquanto que o resto do Mundo está a virara à Direita fascista. Ainda por cima com as vantagens sobre Trump é que o machismo de Vieira é proto-feminista, o seu alcoolismo é pseudo-abstémio, a sua alimentação omnívora é pós-vegetariana, o seu conservadorismo é vanguarda do catano, além de que de longe que Vieira seja monossilábico, pelo contrário é polígamonossilábico! Teria sido o primeiro Presidente do mundo reaccionário aberto. Um verdadeiro político Yin / Yang da escola de pensamento Hon-Hin-Hom.

 Como é bem dito sobre este livro, Vieira concebeu em 2002 a sua maior (...) obra de arte pública: candidatou-se a Presidente da República de Portugal. Uma candidatura firme assente numa campanha completa - teve tempo de antena televisivo, radiofónico e na imprensa; percorreu Portugal de lés-a-lés; discursou de varandas e palanques; escreveu reivindicações; teve seguidores. Só desisto se for eleito é a reunião de textos, desenhos, fotografias, cartas, situações vividas, enfim, de um sem número de manifestações do povo português que nestes meses reagiu surpreendentemente.

Se a partir de hoje começa a luta contra a Grande Puta na gringolândia, é preciso estar atento que à nossa porta estão outros parecidos com ele pela Europa fora e nunca se sabe quando aparece um bardamerdas mais carismático que o António de Sousa Marinho e Pinto. Um bom livro para relembrar que no tapete da Democracia tudo é possível por isso nunca se pode dormir sobre ele com o risco de ser-se pisado pelos porcos. 

Obrigado Dr. Gamão por esta literatura tão necessária para descomprimir da época natalixa.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

25

 

- Fabrice Neaud :  Le Dernier Sergent vol. 1 : Les Guerres Immobiles (Delcourt; 2023) + Nu-Men (Soleil; 2012-13)

- Jafar Pahari : Foi só um acidente / Yek tasādof-e sāde

- Liu Cixin : O Problema dos Três Corpos + A Floresta Sombria + A Morte Eterna (Relógio D'Água; 2021-24 - orig. 2007-10)

- Anders Nilsen : Tongues #1-6 + Supplement #1 (Nomiracles; 2017-2024)

- Rudolfo : Fusão Dimensional : A Ascensão do Governo Sombra (Palpable Press)

- Nathan Fielder : The Curse (2023) + The Rehearsal (2022-25)

- Douglas Coupland : Generation A (Cornerstone; 2010)  

Miragem : Encontros de BD e Publicação Independente (Biblioteca de Marvila, 24+25.05)

- Magius : Primavera para Madrid (Autsaider Cómics; 2020) + Black Metal (Autsaider Cómics)

- Sherill Tippins : Inside the Dream Palace - The life and Times of New York's Legendary Chelsea Hotel (Simon & Schuster; 2013)

- Shintaro Kago : Parasitic City #0-2 (Hollow Press; 2022-24)

- Baro D'Evel : Qui som? (CCB; 5 Julho)

- Joe Sacco : War on Gaza (Fantagraphics; 2024)

- Guitar Wolf (Barracuda; 28.06)

- Martin Dupont : Hot Paradox (Infrastition; 2011 - orig. 1987) + Just because... (Infrastition; 2011 - orig. 1984)

- Samplerman : Bedetruire (Le Dernier Cri)

- DJ Balli : Scrap Vinyl (Vinilificio; 2024)

- Queimada + Spitgod (Vortex; 15.03)

- Romain Gary : White Dog (University of Chicago Press; 2004 - orig. 1970) 

- Realidade Virtual (Fast Forward Recordings; 1991)

- Bies Podziemi : How to eat Christians without decreasing your I.Q. (Opuntia Books)

- Karen Finley : Tratamento de Choque (Frenesi; 2003 - orig. 1990)

- Jessica Hausner : Clube Zero (2023) + Little Joe / A Flor da Felicidade (2019)

- Stefan Golaszewski : Mariage / Casamento (2022)

- Henri-Georges Clouzot : Les Diaboliques (1955)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

#44: 2125



Este fim-de-semana, sai o novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - no FLOP nos Açores e na Parangona (Lisboa).

É o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!

Edição limitada de 100 exemplares, 20 páginas 16,5x22cm agrafada, com uma capa em cartolina cinzenta. 

 Já se encontra na loja virtual da Chili Com Carne.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

BIG Catálogo!!

 


Acontece até ao final do ano a BIG em Guimarães e já recebi o catálogo que tem um texto meu, meio resumo dos artigos que tem saído no jornal Carne para Canhão mas que na verdade é uma tentativa de síntese relativo à palestra que dei em 2023 no BIG.

sábado, 27 de setembro de 2025

#43: A Cada Sete Ondas


Para a rentrée de todos os excessos culturais, a Chili Com Carne vai ter o lançamento da obra vencedora dos 500 paus deste ano!!

 


A CADA SETE ONDAS 

de 

Beatriz Brajal

 

 

Brajal decidiu que o seu trabalho faria sentido ser publicado no fanzine Mesinha de Cabeceira, o que faz todo o sentido dada a tradição de três décadas desta publicação em mostrar talentos novos e frescos no panorama nacional - e internacional. 

O Júri do concurso descreveu a obra com imaginação, conteúdo refrescante e divertido, e excelente técnica e expressividade... sendo que a sinopse não desmente: Nesta catártica e imaginária banda desenhada autoficcionada, Bea e Solha têm uma complicada amizade inter-espécies. Ambos o espelho um do outro, dependentes e erráticos, deparam-se com uma circunstância da vida real.



Número 43 do Mesinha de Cabeceira. Edição limitada de 300 exemplares, 48 páginas 16,5x23 cm todas a cores, agrafada e disponível a 5 euros na loja em linha da Chili Com Carne e em algumas livrarias como a Greta, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB...



Feedback

(...) Bea e o homem-solha (sem nome no livro) passam um dia juntos: estão numa esplanada, depois leem no jardim (não sendo de todo importante, habitantes de Lisboa reconhecerão os cantos), dançam e deitam-se à sombra das árvores, e finalmente participam numa qualquer performance – drama teatral, espectáculo de dança, vídeo-clip, baile de máscaras, concurso, procissão? Nesse convívio, falam, descobrem-se, e é sobretudo ele que, atento observador, nota nas transformações íntimas dela. A expressão da paixão surge de formas fantasiosas e físicas, tangíveis. (...)

Pedro Moura in Ler BD



Historial

 Lançamento a 27 Setembro 2025 na Tinta nos Nervos com as presenças da autora, Marcos Farrajota (editor), Daniel Lima e João Carola (artistas e docentes) para alegre conversa. E com uma exposição a acompanhar. 

 


sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A banda desenhada é política?


Por mais incrível que pareça*, voltarei HOJE às 19h30, à Amadora para um debate com Sara Figueiredo Costa sobre se A banda desenhada é política? em que se irá responder a estas questões: Nem só por palavras se questiona o mundo. Uma conversa onde exploramos como a BD lê o universo político, desafia poderes e cria novas narrativas para pensar o presente.

Evento da Festa do Livro da Amadora, programado pela Gerador, que pelos vistos tem mais olho e/ou inteligência que o Festival da BD Amadora, para programar BD - num festival literário ou não, se olharmos para o resto da programação da "Festa" parece estar a milhas das punhetas da BD Amadora ou de qualquer outro festival de BD em Portugal. 

De admirar? Nem por isso, a BD continua ser uma área que está na sua zona de conforto da "bedófilia", não se quer chatear com o mundo que a rodeia, prefere viver na terra da Fantasia, textos "lights" e lamechas (o caso Melo), é profundamente reacionária (quando deveria ser o oposto) e retrógada - ou pelo menos é o que acontece com a BD que é programada pelos "profissionais" da área em Portugal. 

Obrigado desde já, à organização, pela clareza de espírito.


*uma vez que a Chili Com Carne que participava na BD Amadora desde 2015, foi saneada desde o ano passado recusando a organização a aceitar as exposições propostas e a forma de pagamento pelo stand dentro do regulamento previsto e escrito pela própria Câmara Municipal da Amadora.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

O meu Sérgio

 

esboço de Pedro Burgos


De 22 de agosto a 7 de setembro de 2025, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, nos Jardins do Palácio de Cristal, Porto, recebe a exposição O Meu Sérgio, um projeto editorial que homenageia o impacto profundo de Sérgio Godinho na cultura e na vida coletiva portuguesa.

Esta mostra reúne obras de oito destacados autores da banda desenhada nacional — Alexandra Saldanha, Joana Mosi, José Smith Vargas, Maria João Worm, Mariana Pita com João Marcelo, Pedro Burgos, Rodolfo Mariano e Tiago Baptista — sob curadoria de Marcos Farrajota. Inspirados pela vasta obra de Sérgio Godinho, estes artistas visuais constroem pontes para as novas gerações, mantendo viva a força das palavras e da música num tempo marcado por desafios e incertezas.