Faz 50 anos que o Punk nasceu oficialmente e se por um lado não se espera festejos académicos da oportunista do Norte nem bibliografia nova portuguesa*, por outro deverá aparecer uma avalanche de publicações estrangeiras sobre o assunto, como este número especial da Les Inrockuptibles.sábado, 25 de julho de 2026
Corrupção moral da velhice ou Contra a Imprensa Escrita (rapinando Svenonius) ou Eu só quero é bazar de férias!
Faz 50 anos que o Punk nasceu oficialmente e se por um lado não se espera festejos académicos da oportunista do Norte nem bibliografia nova portuguesa*, por outro deverá aparecer uma avalanche de publicações estrangeiras sobre o assunto, como este número especial da Les Inrockuptibles.quinta-feira, 23 de julho de 2026
26
- Hairspray Magazine #1-2 (Karla Paloma; 2024-26)
- Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo (2 vol., Bertrand; 1975-76 - orig. 1949)
- Yoshiharu Tsuge : He rolled me up like a grilled squid (Drawn & Quarterly)
- Shintaro Kago : Parasitic City #0.1, 0.2, 3 (Hollow Press; 2025)
- André Neto + Nu No e o Resto (18.02; Damas) + Nu No : Turva Lingua (8mm; 2019)
- Chantal Montellier : Shelter (Nueva Frontera; 1981 - orig. 1980)
- Joe Sacco : The Once and Future Riot (Jonathan Cape / Vintage / Penguin Random House; 2025)
- Robert Gordon : Newport and the Great Folk Dream (2025)
- Ammar 808 : Maghreb United (Glitterbeat; 2018)
- Jazmín Varela : Campeón (Sigilo; 2025)
- Silvio Lorusso : Entreprecariat : Everyone is an entrepreneur. nobody is safe (Onomatopee 170; 2019)
- José Feitor : Fosso #4 (Imprensa Canalha)
- Oliver Laxe : Sirât (2025)
- Guy Colwell : Inner City Romance #1-2 (Last Gasp; 1972)
- Jim Donaghey, Will Boisseau & Caroline Kaltefleiter [ed.] : DIY or Die! : Do-it-yourself, Do-it-together & Anarchism (Active; 2024)
- Pedro Baptista : Whisky & Chips (TBA; 15.02)
- L'ego + Hi$t : Biologia (SPH; 2025 - orig. 1989)
- Andrea Bruno : Punica fides (Sputnik; 2025)
- Sally Porter : Yes (2004)
- Annie Baker : Os Possessos (TBA; 10.05)
- Tânia M. Guerreiro (curadoria), Mohammad Abbasi, Ana Borralho & João Galante [et al]: Self-Uncensored [uncoding] (TBA; 25.01) + Lígia Soares, Maikon K [et al.]: Self-Uncensored #4 [on voice] (Sala Estúdio Valentim Barros; 19.07]
- Deben Van Ham : Putain (2025)
- Mohamed El Khatib & Israel Galván : Israel & Mohamed (Festival de Teatro de Almada; 14.07)
quinta-feira, 16 de julho de 2026
André Lemos : "Fim de Emissão #" (Nariz Entupido; 2026)
Eis um livro ou "graphzine" que não se se escreva para este blogue, na sua secção de "leituras" sobre música, ou se no blogue da Chili que divulga produções independentes. Eis um livro de edição limitada impresso em risografia que coleciona os cartazes que André Lemos (artista que tanto o Mesinha de Cabeceira editou nos seus 30 anos de actividade) executou para o ciclo de programação musical "Fim de Emissão", organizado pela Nariz Entupido - entre Abril do ano passado e Maio deste ano.sábado, 4 de julho de 2026
Piorando o cartaz do Punk Comix ...
Vamos a este "arraial do cu" em Tomar, levamos a exposição Punk Comix que tem viajando por Alpiarça, Caldas da Rainha, e que em Agosto aterra em Lisboa e em 2027 se ainda houver planeta, vai para o Porto.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
CIA info 93.3
Rastas para papeis para se fazer ganzas... Complicado? É um desenho para uns caderninhos que reciclam papel na Magma Bruta!!! Ou sejam, são papelitos para fazer filtros prás ganzas...
Se não fumarem dlogas podem sempre desenhar e fazer um "flipbook"!!! Aliás, eu diria mesmo que digam não às dlogas! Comprem antes BD de qualidade como as edições da Magma ou as minhas que deverão receber este flipbook à pala!
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Não julgar as capas pelos discos
Sinceramente quero lá saber se a música do Zappa é boa ou foleira quando temos o Tanino Libetarore a fazer uma capa "Frank Xerox"? The Man of Utopia é de 1983 e é o 36º álbum de Frank Zappa e não há vida para perceber o que isso quer dizer. O tema de abertura, Cocaine Decisions, não deixa de ser orelhudo e muito divertido para além de dizer as verdades da coca - o resto do disco nem me lembra do que trata... sexo anal? cozinhas sujas? Para quem não percebeu o "Frank Xerox" (ou teve a coragem de ler a entrevista acima linkada) aqui vai info mais simplificada de uma BD que ninguém terá coragem de publicar em Portugal ou neste século do PC e da extrema-direita...
Mais recentemente apanhei o Studio Tan (1978) com capa de... Gary Panter!! Não fazia ideia, sempre pensei que o Panter estaria associado mais ao Punk do que aos Hippies-mesmo-sendo-o-Zappa-anti-hippie. A capa nem foi aprovada por Zappa entre as guerras com a editora Warner, fazendo deste disco uma confusão legal e editorial. A música é cagativa, fusão-jazz-rock banda sonora para peça de BD-desenho-animado que não existe sei lá... A capa é bela, gráfica, colorida, pós-moderna e selvagem como tudo que faz Panter, outro artista de BD complicado difícil de publicar em qualquer parte do mundo menos nos EUA e Finlândia.
Colectânea com fantástica capa de Robert Williamns - o mesmo artista da capa de Appetite for destruction, o disco mais poderosos dos Guns'n'Roses, e responsável pela revista Juxtaposed - e organizada pelo poeta John Giorno (1936-2019) na sua Giorno Poetry Systems em 1989. Pelo que percebi, estas colectâneas juntam poetas - William S. Burroughs, Karen Finley (fantástica!) e o próprio Giorno - a músicos que exaltam poesia, algumas estrelas Pop como Debbie Harry e David Byrne - ambos a experimentarem sons longe das canções que nos habituaram em décadas de carreira - ou estrelas underground como Henry Rollins ou malta que não foi a lado nenhum creio, como P.M.S. (Pre Metal Syndrome!). Muitas vezes há pessoas que são boas numa área criativa mas podem ter o pior gosto noutras - olhem os escritores quando pegam em ilustradores, por exemplo - aqui Giorno sabe o que faz, além de ter Williams, ainda inclui uma BD de Panter na capa protectora interior do LP! Granda disco e grandes grafismos! I want to keep coming!!!
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Lina Brion & Detlef Diederichsen : "Looking at music" (Spector; 2021)
Ao que parece "estive" numa "polémica" em linha (mais uma vez) sem que houvesse realmente "discussão" (outra vez). Desta vez era sobre um fanzine de BD que é um desperdício de tempo para quem o ler. As suas editoras e outras pessoas ficaram indignadas pelo "tom" da resenha crítica mas nenhuma foi capaz de escrever uma linha a reflectir sobre a resenha ou contestá-la, pelo menos no blogue onde foi publicada, se aconteceu em redes sociais, não sei nem me interessa não participo nesse circo. Pouco dias apareceu um fanzine de música, This is the night mail, a "dar-me razão", isto é, tem de ser um fanzine de música a fazer entrevistas a artistas gráficos para que quem goste de "BD" possa ter um bocado de comida para a cérebro. Aparentemente a malta da BD não só não sabe escrever como percebe que deve dar muito trabalho transcrever entrevistas para papel ao ponto de, pura e simplesmente, não as fazerem. Ou será que está tudo na 'net para sabermos dos artistas (?) que nem vale a pena fazer entrevistas para imprimir? Ou então, não vale a pena escrever sobre outros artistas, sei lá... Ou então, a BD não inspira a ninguém a pensar de outras formas e ângulos, como acontece com a música ou dança ou teatro ou arquitectura ou...quinta-feira, 30 de abril de 2026
Júri Índio
Bem, vamos ver se aplico os grandes ensinamentos de "Recordo Frankenstein" do Svenonius neste IndieMusic! Gulp!
quarta-feira, 29 de abril de 2026
A Chili Com Carne e Thisco lançaram isto em Abril...
O Mesinha 'tá lá metido! Porquê? Porque entre 1993 e 1994 vendíamos lá o zine!
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Punk Comix (again)
Os restos mortais da exposição de Alpiarça estão prás Caldas!
O livro é que está esgotadão mas tentem a Neat Records e Disgraça, pode ser que ainda lá haja um exemplar à toa. Este ano seja como for a Chili Com Carne irá reeditá-lo com novas capas de José Smith Vargas e João Silvestre!
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| alguns zines expostos foram recuperados do acervo do Espaço BD Jorge Machado Dias - entre eles o Mesinha de Cabeceira #19 com a trágico-cómica BD de Jucifer! |
domingo, 12 de abril de 2026
Joe Mulhall : "Rebel Sounds : Music as Resistance" (Footnote; 2024)
É um livro para "todo o público", daqueles que pouco adiantam se o sr. e sra. "normie" não souberem o que é uma wikipedia ou youtube, ou apenas terem um mínimo de cultura geral sobre a Irlanda, racismo nos EUA, Apartheid, ditaduras africanas, sul-americanas e soviéticas. Se parece desprezível para um snobe como eu, por outro lado é daqueles livros que devia ser obrigatório na sala de aulas ou qualquer coisa do tipo, devia estar publicado pelo mundo inteiro sei lá - mas dizem que livros sobre música não vendem, coisa que desminto como editor de tais publicações. Enfim, façam como quiserem, pessoas do mundo!terça-feira, 10 de março de 2026
A original
A música original que o frankenstein sonoro BiS / Hijohkaidan tocam! É bom ter "e-penpals" no Japão para nos arranjarem estas pérolas! A letra é incrível!!!
Arigato Naoko!
domingo, 8 de março de 2026
Retratista
Além de fazer os cartões de sócios da Chili Com Carne, vou passar a fazer retratos oficiais de gente importante e não aceitar a guita em troca da pessoa retratada comprar obras de arte dos meus amigos! Quem diria que um dia eu iria imitar o Whils!? Parabéns André!
sexta-feira, 6 de março de 2026
BM2
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Não é um comeback de uma banda de Sludge
David Soares, Pedro Nora e Marcos Farrajota (a fazer de troll dada a sua capsulite) a mini-exposição de originais de Mr. Burroughs na Tinta nos Nervo, após feliz lançamento do livro. Foto de Gisela Monteiro.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Fora com a minha BD...
Aqui acabei a minha carreira de autor de BD... mas volto no mesmo fanzine... Na realidade já estou arrependido, fiz merda. Saiu esta Sexta-Feira no "Feitores Fest"... É o fanzine Fora de Campo #3, publicado pela Bancarr0ta, aka, Matilde Feitor.
Meus fãs, dirijam-se a ela!
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Flexi-comics para todos os gostos! (embora só o do Panter é que vale a pena!)
Não deve haver formato mais xunga que o "flexi-disc". Para quem não sabe trata-se de geralmente de um formato "single"/ 7 polegadas tão fininho que parece uma folha de papel. E no entanto cabe lá música - e até software antes das k7s substituírem este formato nos tempos do ZX Spectrum. Servia sobretudo como uma prenda ou objecto de promoção que era metido em revistas e livros de qualquer assunto - até BD! - tanto que acho que curto bués do tema Dead Embrionic Cells dos Sepultura à pala de um flexi que ouvi numa revista qualquer de Rock... Mais recentemente no número comemorativo dos 30 anos da revista italiana Neural (e 20 da Crónica) vinha com um flexi com30 projectos de música a mandarem 9 segundos de som, entre eles Philippe Petit, Francisco López, Clock DVA, Alva Noto, Scanner, @c,... Formato morto com alguma ou outra ressurreição mas sem a loucura vaidosa do vinil, o "street-cred" da K7 e o retorno do CD para breve, uma vez que os outros formatos estão caros e demorados de produzir...
BD iconoclasta de filmes de série B, tem um flexi do próprio Panter com uma música, Precambrian Bath, que lembra algo entre um funk branco e a estranheza de uns Big Stick. A música é tão bizarra como o trabalho gráfico-narrativo.
É curioso assistir esta coerência artística usando media tão diferentes mas faz sentido quando se tem mesmo uma visão clara da Arte que se ambiciona. Um verdadeiro artista é assim, aliás, em Portugal podemos pensar no mesmo de André Coelho (com as suas bandas Sektor 304 e Metadevice, por exemplo), André Lemos (com o projecto Blunt Instrument) e Rudolfo da Silva seja em zine, CD-R, livro ou "escultura"...
Recentemente encontrei mais umas maluquices de BDs com flexis incluídos.
O número 3 de Nexus (Capital Comics; 1982) de Mike Baron (a) e Steve Rude (d). Série de BD que é uma Space-opera com um gajo de fato de super-herói, uma treta que vale mais pelos desenhos de Rude, antecipando uma década o grafismo "retro" na indústria dos "comics". O flexi é ainda mais parvo pois adapta em som a BD que se está a ler. O que é incrível é a quantidade tempo que o flexi consegue aguentar (neste caso ouve-se dos dois lados).
Recebe o estatuto de "primeiro flexi-comic" do mundo (LOL), completamente inútil a não ser que se ignore a BD e oiça-se como uma dramatização radiofónica. Intermedia cómica dos anos "dourados" da BD independente norte-americana.
Algumas semanas atrás o 40 Ladrões deu-me um álbum de BD medíocre q.b. Paris Skouille-T-il? (Les Humanoides Associes; 1981) de Dodo (a) e Ben Hardi (d) que entra numa linha de paródia ao Rock que bateu nos finais dos anos 70 na revista Métal Hurlant - com outros autores da altura como Jano, Tramber, Frank Margerin, Yves Chalant, Serge Clerc... Ou seja, uma "linha clara" ao serviço do Rock que faria mais sentido do que aplicar a aventuras parvas à Tintin, embora os negros são ainda representados com aquela boca de salsicha, terrível! O que só reforça que ao contrário dos exemplos anteriores, neste aqui haja menos talento, piada ou interesse. Ah! A banda que existe na BD e que grava música oferecida no álbum chama-se Les Closh - que significa sinos ou idiotas - paródia dos... ehm... Clash!Aliás, reflete-se também na música que o flexi do álbum, duas músicas que soam a Grace Jones ou The Selecter sem brilho. Nunca chega a ser Ska mas um Pop / Funk com letras parvas - que estão reproduzidas ao longo das páginas do álbum, uma linha / frase é reproduzida debaixo da página da BD / álbum, ideia interessante mas também impossível de resultar em alguma coisa entre a BD e a música, não se consegue absorver os dois mediuns ao mesmo tempo. Sem piada como aliás muita da produção francesa dos anos 80, adormecida pelos confortos de Jack Lang na Cultura. Bobo!
PS - Mais tarde em 1990 a "banda" volta com um single, Toutes ces filles, que nem comento... Putain! Quel bobozada!!!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Mr. B entesado!
Este Mr. Burroughs não é William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.
Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.
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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)
Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante.
Les Inrockuptibles
Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.
Bang
(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue.
Domingos Isabelinho in Quadrado
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sobre os autores
David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).


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