A apresentar mensagens correspondentes à consulta Galo de Barcelos ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Galo de Barcelos ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

História Oficial IV.

v/a: "Portuguese Nuggets, vol.1" (Galo de Barcelos; 2007)

Para quem quiser pensar que Rui Veloso ou o José Cid são seminais no Rock português, podem começar a tirar o cavalinho da chuva. Nos últimos meses surgiram-nos uma série de artigos como este no ruadebaixo.com/conteudoRua.php?idNoticia=1889 e o myspace.com/portuguesenuggets60s (que também nos oferece dois volumes de "nuggets" portugueses) a provar o que há muito se desconfiava, ou seja um branqueamento da história da cultura popular dada à ignorância do Estado (da Biblioteca Nacional que tem todos registos?) e falta de iniciativa das empresas privadas (as editoras fonográficas). Entretanto foi colocado no mercado negro o primeiro volume do Portuguese Nuggets (com outro alinhamento do myspace) em vinílo editado pelo Galo de Barcelos Records, que se desconfia ser uma editora pirata de Angola - o que juntamente com os divertidos fiascos da produtora Casablanca (50 Cent ficou retido na aeroporto por posse de arma, Shean [sic] Paul perdeu o avião) ficamos a pensar que mais falcatruas poderão aparecer daquele país! Mas ao menos esta ilegalidade é educativa, avante! O que mais impressiona de depois de ouvir um conjunto de clássicos bem porreiros de Rock / Garage / Surf, situados entre 1964 e 1969, é ler as notas de entrada do disco, em que ficamos com aquela sensação que afinal as diferenças entre A América e Portugal são mínimas, por exemplo, na entrada do Conjunto Mistério lê-se que um dos seus elementos (Carlos Cruz) foi preso por suspeita de pedofilia... escrito em inglês temos de admitir que tem muito mais style do que ler no 24 Horas que o Carlos Cruz tinha um sinal nas virilhas ou algo parecido. Mas há mais para descobrir, como o facto dos Sheiks, verdadeiros meninos da mamã, não foram mais longe na sua carreira internacional porque os pais não os deixaram ir para o estrangeiro - será que foi por causa disso que tivemos de aguentar o Paulo de Carvalho (baterista da banda) e os Meninos à volta da Fogueira?
Neste vinil infelizmente ficaram quase de fora os temas mais Portuguese, ou seja aqueles em que os "conjuntos" faziam versões Surf de temas tradicionais como o Conjunto Mistério e os Morgans com as suas versões de "Coimbra menina e moça". Mas há grandes temas por aqui como "Sue Lin minha chinesa" e "Hully Gully do montanhês" do Conjunto Académico João Paulo, o instrumental "Tema dos Gentlemen" de Daniel Bacelar, "Hoje mais feliz do que nunca" de Paulo Machado ou ainda o power de "Tartária" dos Tártaros. Força Angola!!!

Qualidade numérica: 4,5/5 Objectivo pós-audição: encontrar mais uma cópia para ofercer ao Pai no dia de aniversário...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Too much monkey business


v/a: "Portuguese Nuggets, vol.4" (Galo de Barcelos; 2007)

Afinal os angolanos enganaram-nos duplamente. Afinal a série "Portuguese Nuggets" não acabou nem parece longe de acabar mas deveria. Se já no volume anterior só um dos lados do vinil valia a pena, neste quarto volume apenas quatro temas se safam, a saber: Ababilah, um tema psicadélico com matizes orientais dos Quarteto 1111, Uma velha foi à feira dos Impacto, Os gatos de Nuno Filipe e Poema do homem rã dos Tubarões, canções estranhas em português. O resto são ou versões de temas conhecidos como House of the Rising Sun (pelo Conjunto José Novoa) ou músicas vulgares de um género de uma certa época. O que diferenciava os outros três volumes é que eles conseguiram revelar temas seminais como o primeiro tema Rock português de Joaquim Costa gravado em 1959 mas nunca antes editado (vol.3), temas emblemáticos como Se eu enlouquecer de Daniel Bacelar (vol.2), versões de músicas tradicionais portuguesas em formato Rock/Surf como Oh Rosa arredonda a saia dos Tártaros (vol.2), bizarrias como os Steamers (vol.2) ou ingenuidades em inglês como S. Francisco Girls dos Vodkas (vol.2).
O que este quarto volume (re)edita podia estar em qualquer outro "Nuggets" de outro país. Não quero tirar a importância do trabalho destes angolanos da Galo de Barcelos - porque mais ninguém o fez ou fará - mas parece que se a ideia é ser "completista" ou "coleccionista" talvez o estatuto de "Nuggets" (pepitas) já não faça tanto sentido. Não valia mudar para "The Complete 60's Portuguese Rock"?
Apesar de haver um texto interessante sobre o Rock português no interior do disco faltam as biografias das bandas como aconteceu nos volumes 1 e 3. A pressa é inimiga da perfeição.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Coolonialismo


Beatnicks: Heavy Freaks Back In Town
Xarhanga: Bota Fora
(PPP; 2008)

Portugal enlouqueceu! É oficial! Finalmente Portugal assumiu que tem uma História de Rock para conhecer no seu próprio espaço e para partilhar com o mundo. O fenómeno começou com os angolanos da Galo de Barcelos que implantaram os Nuggets em Portugal, seguído pela Groovie Records, No Smoke, Zerowork (com as recentes Raridades Punk) e agora a PPP - que significa, e por favor não se riam, Portuguese Progressive Pearls. Como se pode prever, o objectivo da editora é reeditar material de um dos géneros musicais Rock mais gozados e odiados do planeta Rock.
Sei que houve uma antologia da PPP parecida com os Nuggets mas estas duas edições dedicam-se a compilar temas de bandas. É preciso não esquecer que o formato LP não era assim tão normal nos anos 70, e daí que o vinil dos Beatnicks coleccione os seus singles e EP's, já o CD de Xarhanga inclui o LP Bota Fora e dois singles da banda. Ambas bandas partem do Hard Rock e Heavy Metal, respectivamente, sendo por isso pioneiras do género no Portugal fascista e "orgulhosamente sós", cantando em inglês mal parido, e mais tarde progredindo (joguinho de palavras parvo) para o psicadelismo e o Prog cantado nas amígdalas de Camões (jogo de palavras ainda mais parvo!).
Os Beatnicks - que começam logo com um erro de inglês acrescentando um "c" a Beatnik - é Hardrock de setentas lembrando "softmente" os Black Sabbath ou Deep Purple nos seus discos entre 1971 e 1972 tão interessantes como conhecer o primeiro coelho a pisar o solo da Austrália. Na segunda fase da vida do grupo, mudam os membros do grupo e o single Somos o mar (de 1978) ora é abrir de um lado (com o tema homónimo) ora é ambiental-ecológico com Jardim Terra, bastante bizarro e arrepiante, quase que Gótico. Curiosidade, a futura "Portuguese Pop-Star" (PPS?) Lena D'Agua participa nesta música. A reedição em vinil colorido inclui um poster e um "badge" manhosos - o poster é uma péssima amplicação de quê? De um jpeg de 72dpi's sacado da 'net? O badge é um desenho de um hippie a ser perfurado, no ventre, por uma guitarra... Arte de fã sem dúvida que pouco se percebe, pelo menos ao tamanho reproduzido...
Também "Sabbathianos" e "Purpleanos" são os Xarhanga mas muito mais agressivos e técnicos que os Beatnicks embora também sofram de um inglês marrado - a desculpa será sempre para que as letras fugissem às mãos da Censura - e um interesse musical também relativo como a primeira banda Heavy da Itália. Mas isto do inglês e do Heavy só existe enquanto gravaram dois singles em 1973. Quando gravam Bota Fora já estão em 1975, depois do 25 de Abril e no meio da confusão PREC, já podem manifestar-se em português e cantar o tema político que querem (na "fase inglesa" já lá estava a vontade anti-militarista), neste caso, todo o álbum é contra o Colonialismo português em África. Arranjaram letras de quem sabe escrever como José Mário Branco, Fausto, Sérgio Godinho e Manuel Alegre, fingem que fazem fusão de sons africanos com música branca (Prog Rock pindérico q.b.) e prontos lixam-se porque ficam datados com as letras dedicadas à Frelimo e MPLA - não estou a gozar! Júlio Pereira fazia parte da banda e aposto que sempre que ouve este álbum deve-se arrepender da sua juventude. Quando digo que eles fingem fundir música africana é só porque só vamos encontrar alguma "batucada" no ínicio de cada música porque de resto andam atrás dos Genesis e afins - vomitem agora! O álbum até se vai ouvindo se não fossem as letras, verdadeiros fantasmas do final de uma Era.
O mais estranho, dizem rumores tão credíveis como os que dizem que quem editou os Nuggets foram angolanos, é que o responsável por estas óptimas iniciativas de recuperação histórica estão a cargo de um Punk! Prog recuperado por um Punk!? Eu não tinha avisado que Portugal tinha enlouquecido?

PS - já agora, continuando no mundo das reedições em vinil de "pérolas e pepitas" do passado, em 2008 foi feito um LP com singles e EP's de Chico Magnetic Band, que é sem sombras de dúvida o melhor que podia ter sido recuperado pelos escavadores da No Smoke. Se não tiverem com pachorra pros Beatnicks e Xarhanga - perfeitamente compreensível - investiguem esta banda francesa dos anos 70 liderado pelo louco Chico -um mulato que era um verdadeiro Karma deslocado de Jimmy Hendrix. Em 1973, Portugal era Branco & Cinzento, orgulhosamente - em França as cores eram outras. Quase foi necessário 30 anos até os Buraka Som Sistema quebrarem com essa tradição da cultura urbana/pop.
PPS - entretanto vi na casa do Camarada Seringa, o álbum original Bota Fora, e foda-se! Só um Punk para fazer merda: o álbum é creditado na capa e lombada como de Júlio Pereira e Carlos Cavalheiro e não por Xarhanga - o CD distorce os créditos quer na capa e também na lombada. Mas o pior é comparar a reprodução (redução) da capa do LP para o CD. O CD ganhou tonalidades amarelas para além do grafismo não ter sido devidamente adaptado para ser legível - se calhar é a idade que já pesa nos olhos mas ainda assim... Afinal retiro alguma parte do elogio da "óptima iniciativa". Está tudo louco!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Força Angola!


v/a: "Portuguese Nuggets, vol.2" (Galo de Barcelos, 2007)

O 50 Cent já veio a Portugal pela produtora Casablanca e já cá está o segundo volume do Portuguese Nuggets pelos angolanos Galo de Barcelos Records. Quem disse que as empresa angolanas são uma galhofa?
Eis mais um volume de gozo auditivo total com mais pepitas perdidas do Rock português entre 1965 e 1969 só que desta vez mais virada para o Psych e o Garage - e também com as primeiras divulgações de bandas das "ex-colónias": Conjunto Night Stars (Moçambique) e Os Gambuzinos (Angola). O que é engraçado nestas colectâneas é encontrar as coisas como a versão Surf de Oh! Rosa arredonda a saia dos Tártaros, os temas sociais dos Steamers mucho weirds, I am a Chancho que mostra com um humor bizarro a miséria que era o Portugal salazarista e Se assim até morrer a lembrar os Doors mas com o pé no Alentejo (I shit you not!), um tema dedicado ao Eusébio pelos meninos Sheiks... E claro, há sempre bons temas como o demoníaco Jezebel do Conjunto Académico João Paulo e o romântico Se eu enlouquecer de Daniel Bacelar & os Gentlemen, que acabou de ser revisitado pelos Capitão Fantasma ainda este ano!
Só ainda não se percebe porque raios o Zé do Rock ainda não apareceu nestas colectâneas... Então Angola!?

Qualidade numérica: 4,5/5 Objectivo pós-audição: guardar, claro! até porque deu um trabalhão a encontrar isto no mercado negro!!!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mono Mono


The Peace: "Black Power" (Groovie; 2008)
v/a: "Nigeria Rock Special: Psychedelic, Afro-Rock & Fuzz Funk in 1970's Nigeria" (Soundway / Sabotage; 2008)

Há editoras que mereciam uma espécie de medalha da UNESCO ou algo assim, falo de editoras fonográficas como a Soul Jazz, Soundway e até a "nossa" Groovie, porque andam a trabalhar para nos mostrar que a história Pop/Rock não é exclusiva dos porcos imperialistas EUA e da Inglaterra, Não! No no sir bwana!
O Rock invadiu o mundo inteiro, e esse mundo absorveu-o e tornando-o também uma linguagem de cada país para além da origem anglo-saxónica, daí que vamos encontrar Rock nos mundos árabes (para breve uma resenha), onde acaba a Europa e começa África (segundo a pespectiva de qualquer europeu que já tenha trabalhado com alguma entidade portuguesa), e claro África. Alguns dos países desenvolveram até a criar os seus próprios estilos, como na Jamaica com Rocksteady, Ska, Reggae e por aí a fora.
O Rock africano, tal como conhecemos pelas balizas Beatles/Rolling Stones e respectivas evoluções não deverá ser fácil de descobrir mas pelos vistos apareceram estes dois discos... os resultados são inesperados.
Da Zâmbia dos anos 70, foi reeditado em formato LP (vinil) os The Peace que não surpreendem - acho que sempre preferi o Funk ao Rock, deve ser por isso - com o seu "Rock'n'Rolling-stones" de garagem quase que a soar a amador, sobretudo pela voz "carregada" do vocalista... Dizem que é um álbum raro e importante da cena do Rock da Zâmbia mas tirando a música Ubdwa Ne Chamba (no lado A) que é "tribalizada" a lembrar os bons momentos de Exuma, o resto é Rock Vintage banal e uma desilusão para quem estava à espera de descobrir "algo novo". Rumores indicam que haverá compilações de Rock africano a sair para breve, esperemos que não sejam vulgares como a dada altura os Portuguese Nuggets (4 volumes, Galo de Barcelos; 2007) também passaram a ser - nos últimos 2 volumes.
Outro disco que nos fura as expectativas é o da Soundway mas por outras razões. É um bom disco, cheio de grandes malhas... Afro Beat! Segundo especialistas não, é Afro Rock. Mas do tal "Rock das Balizas" pouco tem, ou pelo menos como imaginamos o que é o Rock, o que acontece aqui é que temos Afro Beat em que a guitarra e os orgãos são devedores ao Rock Psicadélico com Jimmy Hendrix a vomitar-se todo. Claro que as trocas e baltrocas é que fazem delas Afro Rock, como por exemplo, The Funkees não têm metais fazendo deles uma banda clássica de Rock mas tocam Afro Beat na mesma, ou os Colomach que puxam pelo tribalismo mas com Fuzz de ácido marado mesmo ao lado, ou os Question Mark também roçam o Garage lá prá Inglaterra mas o pulsar é Funky.... Talvez se possa falar mesmo em Afro Rock mas é preciso ser cromo para fazer uma distinção tão precisa porque soa a Afro Beat que é um género de fusão que junta High Life, Funk, Jazz e o que for necessário...
De resto, o CD é digipack com livrinho cheia de fotos, biografias e texto de introdução a este mundo perdido embora da Nigéria, já se sabia que só podia haver grandes músicas, afinal foi lá que Fela Kuti fazia das suas: vida em comunidade a exercer poligamia, a criar e a difundir o Afro Beat, a opôr-se e a manifestar-se contra os regimes ditactoriais e militares, bem como a sofrer as respectivas e dolorosas consequências. Vale bem os Euros que vale.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

End of Trip



Joaquim Costa: "Rock and Roll canta Joaquim costa" (Groovie; 2007)
v/a: "Portuguese Nuggets, vol.3" (Galo de Barcelos, 2007)

Os angolanos lançaram o último volume do Portuguese Nuggets fechando um ciclo de descobertas de pepitas musicais do Rock português produzido nos anos 60 e escondido do público por empresas fonográficas incompetentes. Não que 1500 exemplares (500 exemplares por volume) possam ajudar muito mas a partir de agora existe enquanto documento - pelo menos para a intelligentia - que não poderá branquear a história. Na folha do disco há mais biografias de bandas e uma lista de bandas portuguesas e das ex-colónias. Uma lista impressionante, diga-se, pela quantidade inimaginável de bandas que existiram nesta altura mesmo num regime opressivo do porco Salazar. Nada mais a declarar. Obrigado Angola pelo serviço público!
E o esforço já compensou, com a editora (portuguesa) Groovie Records a apanhar o comboío da reconstituição histórica, lançando o primeiro registo de Rock'n'Roll português, ou seja as gravações inéditas e perdidas do "Elvis de Campolide". Gravações essas realizadas em 1959, perdidas durante décadas, encontradas e compradas por Joaquim Costa na Feira da Ladra e só agora reeditadas com algumas edições extras de 1978. O carimbo "primitive rock" fica bem a Costa porque ele gritava um Rock de inglês "imitado fonéticamente" sem saber o que se diz - Costa não sabia inglês. Se Elvis estivesse vivo teria aqui um outro para lhe fazer concorrência, com a mesma idade - ainda na semana passada actuou no Maxime para lançar este EP em vinilo. Parabéns a todos.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Best07_unDJGS_selecterror


Antibalas "Security" (Anti- / Epitaph)
Battles "Mirrored' (Warp)
Chrome Hoof "Pre-Emptive False Repture" (Southern)
Dälek "Abandoned Language" (Ipecac)
v/a: "Portuguese Nuggets, vol.1" (Galo de Barcelos)