O Mesinha 'tá lá metido! Porquê? Porque entre 1993 e 1994 vendíamos lá o zine!
terça-feira, 31 de março de 2026
A Chili Com Carne e Thisco preparam-se para lançar isto em Abril...
O Mesinha 'tá lá metido! Porquê? Porque entre 1993 e 1994 vendíamos lá o zine!
Rumores dizem que chega amanhã o livro...
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José Smith Vargas,
MESINHA de CABECEIRA
segunda-feira, 30 de março de 2026
Joe Mulhall : "Rebel Sounds : Music as Resistance" (Footnote; 2024)
É um livro para "todo o público", daqueles que pouco adiantam se o sr. e sra. "normie" não souberem o que é uma wikipedia ou youtube, ou apenas terem um mínimo de cultura geral sobre a Irlanda, racismo nos EUA, Apartheid, ditaduras africanas, sul-americanas e soviéticas. Se parece desprezível para um snobe como eu, por outro lado é daqueles livros que devia ser obrigatório na sala de aulas ou qualquer coisa do tipo, devia estar publicado pelo mundo inteiro sei lá - mas dizem que livros sobre música não vendem, coisa que desminto como editor de tais publicações. Enfim, façam como quiserem, pessoas do mundo!É constituído por oito artigos bem escorreitos que passam por músicas de resistência em vários pontos do globo entre o século XX e XXI: resistências armadas da Irlanda e da Ucrânia, a música dos direitos civis gringos dos anos 60, canções contra os neo-nazis ingleses (anos 70), a Tropicália como oposição à ditadura militar brasileira, os confrontos entre Fela Kuti e a ditadura nigeriana, as proibições de ouvir música decadente capitalista na URSS e a música sul-africana contra o Apartheid. Haverá pouco a descobrir para quem saiba alguma coisa da vida e da cultura mas são bons resumos e "comida para o cérebro" para reflectir se a música pode mudar este mundo horroroso que vivemos. E por falar nisso, no caso de Kuti faltou ao Joe realmente pensar um bocado sobre a comunidade machista deste musico - como bem escreveu o Rui Eduardo Paes num texto no "a" maiúsculo com círculo à volta - independente de toda a violência que o Estado trouxe aos seus participantes. Nada é perfeito e os "normies" precisam ainda assim de abrir os olhos (e os ouvidos). Comprem para oferecer a um ponto que saiba ler livros...
terça-feira, 10 de março de 2026
A original
A música original que o frankenstein sonoro BiS / Hijohkaidan tocam! É bom ter "e-penpals" no Japão para nos arranjarem estas pérolas! A letra é incrível!!!
Arigato Naoko!
domingo, 8 de março de 2026
Retratista
Além de fazer os cartões de sócios da Chili Com Carne, vou passar a fazer retratos oficiais de gente importante e não aceitar a guita em troca da pessoa retratada comprar obras de arte dos meus amigos! Quem diria que um dia eu iria imitar o Whils!? Parabéns André!
sexta-feira, 6 de março de 2026
BM2
Republico aqui a resenha de 2012 e acrescento um "PS".
Há obras que se seguem com as movidas musicais e esta é claramente uma delas. Se os Fabulous Freak Brothers de Gil Shelton era Rock psicadélico, se Love & Rockets dos Hernandez Bros era Punk californiano, o Peter Pank de Max sobre a movida espanhola, o Hate de Peter Bagge era sobre o Grunge, se Loverboy de Marte e João Fazenda (olha a modéstia, cabrão!) era sobre o Indie 'tuga (coisa que não existiu mas que se fingiu seja na ficção da série seja na realidade), se Psychowhip de unDJ GoldenShower e Jorge Coelho (isso é coisa pouca para te auto-citares outra vez!!!) é sobre o Rock industral, Sicotronic Records de Miguel Angel Martin é sobre Harsh Noise, ufa!...
Então, Black Metal Cómix (F.O.G. Cómix; 2012) de Magius é sobre... BLACK METAL, claro!
Trata-se de um volume auto-editado de 208 páginas A5 dos fanzines homónimos publicados entre 2001 e 2012 em que Magius em curtas BDs vai contando a história mórbida do Black Metal com um "alto-relevo" para a cena seminal norueguesa, em especial para a banda Mayhem e o seu fundador e instigador da cena Black, Euronymous (1968-1993), que é a capa do livro. Não esquecendo que Euronymous foi morto pelo Varg Vikernes (na altura auto-intitulado de Count Grishnackh, mais conhecido pelo influente projecto Burzum), estes queimaram dezenas de igrejas (a única coisa boa da cena Black Metal), Euronymous fotografou o corpo do vocalista Dead (1969-1991) após o seu suicidio com um tiro de espingarda na pouca mioleira que devia ter, usou essas fotos para um "bootleg" da banda e segundo consta, oferecia restinhos do crânio do Dead em forma de colar de pescoço às pessoas que ele achasse merecedoras do seu respeito.
Tudo isto soa "a BD" ou a desenhos animados escatológicos do tipo South Park mas não! Tudo isto foi verdade nos primórdios dos anos 90 e talvez porque a realidade ultrapassa sempre a ficção, todo o livro é feito com um "comic relief" para não entrarmos nas profundezas destes putos estúpidos noruegueses.
Por falar em South Park, a abordagem é realmente idêntica no que diz ao movimento dos corpos, uma vez que Euronymos ou o gajo de Burzum aparecem sempre como criaturas que não crescem e com os membros imobilizados (como se fossem ícones fofinhos) mesmo que estejam a fotografar - a máquina fica suspensa no ar e os braços caídos sempre imobilizados. Não se trata de uma falta de capacidade técnica do autor conseguir desenhar corpos com movimentos mas antes de gozo iconoclasta. De corrigir ainda que o autor desenha ambientes negros e góticos com bastante perícia que muitas vezes parece que são colagens ou montagens de imagens. Mas não são como o autor me chamou a atenção...
Também são interessantes as outras histórias que mesclam ficção com realidade, sobretudo quando tratam dos temas do Nacional Socialismo a que muitas das pessoas da cena Black Metal estão associadas. Estas BDs são um retrato da estupidez da cultura popular extrema, que só dá mesmo para rir! Infelizmente!
PS - entretanto o "louco" do Magius não satisfeito com o livro decidiu refazê-lo e saiu no ano passado, uma edição mesmo satânica pela Autsider Cómics (viva a Espanha com os seus "Juanitos Camiñantes" e "Pijota Harbey"), assim musculada, capa de couro e muito negra, claro!
Magius refez tudo, concentrou-se e esmiuçou ainda mais as relações entre os dois demónios, Euronymous e Vikernes. A narrativa está mais complexa e completa de detalhes mesmo que Magius tenha reforçado de os retratar como duas crianças parvas e mimadas que abriram uma caixa de Pandora para o mundo. Os aspectos do BM ligados ao Nazismo são não aparecem como ensaios como na "edição anterior" (o correcto é escrever "obra anterior") mas ainda assim tal é abordado quando Vikernes vai escavando a sua própria tumba de imbecilidade.
Um livro "pesado" - para alinhar à ideia falsa que a BD é sempre leve - de pesquisa e minúcia, uma igreja narrativa, tal aliás, como tem acontecido com os livros de Magius desde que começou a publicar pela Autsider, destacando-se o Primavera para Madrid sobre os meandros corruptos da cultura "pija" (betalhada), a banca, o governo, a família real... Impresso a dourado o livro, que parece uma barra de ouro, recebeu o Prémio Nacional de BD em Espanha, o que inclui no protocolo almoçar com os reis, que obviamente nunca leram o livro. Viva a leveza da BD!
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