quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Trash Converters, receptor

Com a desmaterialização da música os preços dos CD's só tem de baixar... E realmente, menos as novidades, os CD's estão a baixar. Resta saber porque ainda se quer comprar CD's nos tempos do saca-saca da 'net. Pelas capas? É melhor regressar ao vinil, como aliás, já está a acontecer... Talvez por isso que indo às lojas Cashland pode-se encontrar coisas muito boas apenas por 2,5€. Claro, que é preciso sujar os dedos e eventualmente contrair uma doença dérmica ou duas. Mas até vale a pena, lembro que em 2004 numa loja (ainda chamada Cash Converters) encontrei coisas porreiras como o louco do Eugene Chadbourne e os Die Warzau (cena da boa velha Wax Trax!). Recentemente tenho passado pela loja na Praça do Chile e tenho sido tentado a levar algumas cenas estranhas de HipHop e Metal. Há para lá CD's de Punk / Hardcore, mas sinceramente não tenho paciência para esse som de fascistas mentais.

Algumas compras, o primeiro álbum dos Zen, uma das melhores bandas portuguesas dos anos 90, bem mereciam um artigo mais extenso mas não tenho tempo para pensar nisso, para a próxima... já agora, trata-se do The Privilege of Making The Wrong Choice (Revolver; 1998)

O álbum homónimo de estreia dos The Psycho Realm (Ruffhouse /Columbia; 1997) em que participa o nasalado B-Real dos Cypress Hill, Hip-Hop retrato melodramático da podridão e da violência urbana de uma megalópole como Los Angeles - ao ponto que um dos irmãos foi atingido por uma bala em 1999, deixando-o paralizado. A samplagem tem uma forte componente hispánica (a colecção de vinis dos pais deverá ter sido pilhada?) e uma atmosfera pesada, urbana e depressiva. Não é mau de todo mas passado um pouco chateia e penso que não será um CD que ficará muito tempo na colecção...

Segue uma compilação Inhale 420: the Stoner Rock Compilation (Spitfire / Eagle Rock; 2000) com 13 bandas como os norte-americanos Crowbar, os argentinos Natas, ... mas apesar das diferentes coordenadas o caminho vai dar ao mesmo: Black Sabbath (heil heil!) e o espírito rock psicadélico dos anos 70. Algumas músicas até soam a Grunge, e na realidade estes géneros tem bastantes pontos e heranças em comum. Destaque para os suecos Terra Firma (mucho mucho sabbathiano!) e norte-americanos (e instrumentais) Mystic Krewe of Clearlite, ligados aos Crowbar, ligeiramante Kyuss e Karma to Burn.

Desta leva, já que sou um sucker for Industrial e afins, tinha de comprar um álbum dos Prong, Rude awakening (Epic / Sony; 1996). Prong é uma banda medíocre que sempre saltou ao sabor do vento da música pesada. Ora foram pelo Hardcore, ora pelo Trash e a meio da carreira foram pelo Metal Industrial na linha de Ministry mas mais virado para o Groove de um Rob Zombie. No fundo é Rock pesadito com balanço de anca. Não é mau de todo mas também não é brilhante. Creio que deverá uns bons tempos lá em casa...

Outro fenómeno porreiro para encontrar bons discos a preços fixes é andar a ver em lojas do interior. A malta do interior que tinha bom gosto, agora deve estar na casa dos 30 com filhos e um écran plasma e já não deve ouvir, resultado devem estar a despachar as loucuras da juventude. Por exemplo, na XM (Coimbra), comprei um álbum dos Pigface, uma super-banda marada que merecia um artigo extenso - e quem sabe farei isso mesmo. Notes of thee under ground (Invisible / Devotion; 1994) é mais um tratado de excentricidade e hetereogeniedade musical sempre à batuta do Martin Aktins, baterista brutal (inconfundível como será Grohl ou Lombardo), programador e produtor. Como é normal, cada música do disco é feita com músicos diferentes, embora haja uns quantos repetentes como o Ogre (Skinny Puppy) e Genesis P-Orrigde, como os gajos dos Red Hot Chili Peppers, Jello Biafra, Shonen Knife, Michael Gira entre outros dos colectivos alternativos dos anos 90. Algumas colaborações desiludem por serem umas participações muito simples como as de Shonen Knife em Fuck it up ou Jello Biafra em Hag-seed (um tema que parece Gorillaz, curiosamente) que quase nem damos por eles. A biodiversidade musical é tanta como o número de faixas: tribal & industrial, experimentações & desconstruções, noise rock & punk tótó, new age para macacos, goth psicadélico, samples irritantes e electrónica lo-fi. «It's garbage, it's garbage» repete um sample durante dois (longos) minutos. Talvez... mas o lixo de uns é o luxo de outros...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

DEA report 666

Foi ontem Lobster + Margarita + Grabba Grabba Tape numa tenda de circo! Em Carnide! Em frente à uma sebenta feira da Luz! Era para ter havido a última sessão de verão das Festas de Troca de Discos mas não havia aparelhagem, paciência o espírito high school freakshow de todo o evento valeu a pena! Além de me ter despachado das últimas Underworlds...
Foi um evento Off, ou até se preferirem uma festa particular para os amigos dos Lobster, 90% estudantes de artes, dois com máscaras de lutadores mexicanos e alguns trapezistas amadores que por mero acaso as vezes que cairam, cairam mais ou menos bem.
Lobster foi o de sempre, a abrir e potente com o guitarrista cada vez a fazer mais solos na guitarra. O bombo da bateria estava abafado. Bom concerto como sempre!
Os Marguerita nem percebi o que aconteceu, estavam com problemas técnicos? Bem, também tinham a originalidade de um caracol. Rock Noise já visto por aí desde os anos 90.
Os Grabba Grabba Tape são super-divertidos: bateria + orgão, vocoder prá voz (o vocoder foi criado para os espanhóis, como sabemos um dos povos que mais mal fala inglês), electro-punk com tipos vestidos de monstros cor-de-rosa felpudos. Excelente versão de Bullet in the head dos Rage Against the Machine!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Osso no lixo

uma bd que fiz para o zine Osso da Pilinha, em que adaptava uma fabulosa entrevista da tipa dos Garbage n'O Independente...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

gpkh0i9«ç, dg'0 -b nfn n

New York New York
(Osama rmx)

Start spreading the bombs...
I'm flying today.
I want to be a terrorist!
New York, New York!

These vagabond fools
will regret this day
I will strike the very heart of this
of old New York!

I want to take off in a silver cockpit
And find I'm over the hills!
Top of the speed!
Hitting the towers!
The number one!

These vagabonds fools
Are melting away
I will make a brand new mess of it
In old New York...

And if I can't make it there,
seven others are near somewhere
Good bye to you,
New... York... NEW YOOOORK!
PÃ, PÃ, PÃRARÃRÃ, PÃ...

Trash Converters, emissor

Garbage: "Version 2.0" (Mushroom / BMG; 1998)

Os Garbage lembram sempre pornografia, e não, não estou a escrever um texto com uma intenção simpática ou para vender alguma ideia "cool" com um início provocante. Não e sabendo a história da banda, três velhos músicos & produtores de música lembraram-se de enriquecer com uma banda Rock e que precisavam de uma tontinha qualquer... a imagem sempre que me vem à cabeça são os três safardanas encima da gaja, a penetrá-la pelos três orifícios ao mesmo tempo... Até porque quer eles quer ela tem pinta de actores porno, não sei bem porquê, talvez sejam os bigodes e óculos (com medo de serem reconhecidos? ou será só style?) no caso dos gajos ou o ar deslavado da gaja que consegue cantar letras tão boas como a de When I grow up que diz «happy hours, golden showers, on a cruise to freak you out» (obrigado, obrigado, o unDJ GoldenShower agradece!).
O som é um Pop/Rock agradável de ouvir de tão omnipresente que foi na TV e rádio (este é o segundo álbum da banda, de 1998) é feito de um Rock standartizado com a inovação técnica e assumida de sons electrónicos misturados, loops e samples - daí o nome informático 2.0? Ora soam a Rock mais sujo-para-quem-não-se-quer-sujar ora desbocam no "wall of sound" piroso de fácil absorção. Fez sucesso um tema ou outro, embora já ninguém se lembra lá muito bem (os sucessos do primeiro álbum são sempre mais fáceis de lembrar) mas I think I'm paranoid - tu lá sabes miúda, deve ser de andares a fornicar com esse kotas! - foi um dos sucessos do século passado. Parece que houve mais hits mas acho muito sinceramente que não vale muito pensar neles. Também com letras como «Do you have a opinion? A mind of your own? I thought you were special» que parecem ser o retrato de Shirley Manson (é este o nome dela? deveria checar mas não me apetece... seria simples, bastaria pegar na caixa do CD ou ver no Google, caraças!) perdemos um bocado a pica para pensar muito nesta banda.
Numa altura que ter CD's é uma questão bastante relativa graças às memórias extraordinárias nos PC's, portáteis, leitores mp3's, Ipod's e outros mil gadgets, parece bastante apropriado que se leve este CD para uma loja como a Cash Land (antigamente conhecidas por Cash Converters) para ficar lá a apodrecer como lixo que é. 'Brigado à Quá-Quá por ter trocado isto seja como for...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Sujan, wolverini & piriquiten


Qui bunitu... o periquiten descobre sempre coijas lindas...

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Black Nº1


Big Black: "Songs about fucking" + "The rich man's eight track tape" + "The hammer party" (Touch & Go; 1986/87)

Dizia-se que o Grunge foi influenciado pelos três "blacks": Black Sabbath, Black Flag e Big Black. Para mim os últimos são os que mais me mexeram, e ainda hoje passados mais de 13 anos quando os ouvi pela primeira vez, ouvir um disco dos Big Black ainda é uma loucura auditiva-física...
A carreira dos Big Black andou pelos anos 80, mais especificamente entre 1982 e 1987. Da banda a figura mais conhecida é o Steve Albini, reconhecido produtor de álbuns de bandas famosas como os Pixies, Breeders, PJ Harvey entre mil outras... Gravaram 2 discos geniais, Atomizer (1986) e Songs about fucking (1987) e uns quantos EP's que são compilados em alguns LP's como The hammer party ou no caso do The rich man's (...) que junta o Atomizer a um outro EP. Uma confusão do caraças não se sabe lá bem porquê a confusão editorial na discografia da banda. Mas quem tiver estes 3 CD's - um erro segundo Albini porque ele é um dogmático do vinil! - fica com tudo dos Big Black menos alguns discos ao vivo, também eles recomendáveis pela a energia e feedback que a banda transmitia. Mas nos tempos wikipédicos que vivemos o melhor é ver mesmo a entrada dos Big Black e começar já a puxar esta escrita prá lágrima, não?
My Precious Things lembra algo? Kerosene Kid? E o Loverboy? Tudo criações minhas e talvez por causa disso não muito memoráveis mas isto só para dizer que para mim nunca houve banda tão influente como os Big Black, quase são uma espécie de Deus "pagão" protector como Baco ou Apolo. My Precious Things a newsletter onde começei a escrever resenhas a zines e outras edições "indies" teve o título sacado à música Precious Things do Songs about fucking. O Kerosene Kid foi uma personagem que nunca saiu cá para fora - Pepe's fault! - baseada na inspiradora letra de Kerosene («I was born in this town / Live here my whole life / Probably come to die in this town ... Never anything to do in this town / Live here my whole life ... Set me on fire, Kerosene») do Atomizer. O "famoso" Loverboy também teve os Big Black como inspiração entre mil outras também ligadas à música, mas oiçam o Bad Penny do Songs (...) e percebe-se que o personagem foi criado para ser mau como as cobras.
Sem dúvida que Songs about fucking e Atomizer - não consigo quase distinguir os dois porque faziam parte da mesma abusada k7 de 90m que incluia ainda Rapeman, a banda-continuação de Albini - são monstros sonoros de Rock Sónico-Noise feitos de três guitarristas (1 baixo e 2 guitarras) e o Roland, uma drum-machine que era vista como mais um elemento da banda, aliás, Roland TR-606. Serão os Big Black ainda mais cibernéticos que os Kraftwerk ao assumirem uma máquina como elemento da banda?
O ritmo era acelerado-repetitivo como se uma banda de punk-besta, as guitarras que eram explosões de barulho em algumas faixas pareciam que partiam pratos litealmente. Basta ouvir uma primeira faixa como Jordan, Minnesota (do Atomiser) para perceber o que era a banda, um gozo ao interior dos EUA ou uma crítica à própria arrogância norte-americana, fragmentos de barulho e uma sensação épica-urbana. A velocidade era uma sugestão desta banda perfeita para estampar o carro na auto-estrada, uma rapidez minimal como a dos Ramones (ao vivo) e tão poderosa como os Slayer. Uns proto-Ministry, não sendo à toa que os Big Black também são muitas vezes vistos como "industriais".
Realmente a edição destes CD's lixam o som (aquilo que Albini sempre nos avisou) para além do design dos discos ficar uma bela cáca. O Songs (...) tem ainda uma versão He's a whore dos Cheap Trick para além do clássico The Model dos Kraftwerk - uma versão superior a qualquer outra que tenha sido feita até aos dias de hoje, e muitas foram as tentivas feitas. O Rich Man's (...) além do Atomizer (o primeiro disco da banda) inclui o EP Headache (1987) e o single Heartbeat (1987), o último material da banda. Heartbeat soa a "puro Nirvana" antes do tempo (associação nada estranha até se considerarmos que Albini gravou o último disco dos Nirvana) embora o tema seja uma versão dos Wire (outra associação interesante, diga-se) e o resto do material é aquela barulheira Rock que os Big Black nos habituram. Bom!
Hammer party como escrevi inclui os três primeiros EP's: Lungs (1982), Bulldozer (1983) e Racer-X (1984). O primeiro é todo ele tocado e gravado por Albini e o... Roland, a simplicidade é nítida mas marca desde logo o que virá a ser este grande monstro preto. Bulldozer tem alguns temas com bateria à sério e talvez por isso perde a pica - Was!? prrreferem ein machine!? Inclue a versão (original) de estúdio de Cables (um tema quase Oi) que saiu ao vivo no Atomizer quase por acaso - não conhecia esta versão... Racer-X é um EP bombástico por duas razões, o tema The ugly american que é o melhor dos Big Black com saxofone (há alguns temas assim perdisos em EP's) e claro, a versão marada de The Big Payback de James Brown que vale nem porque seja pela curiosidade de ver um tema do "Big Boss" transformado em white-punk-noise... Por fim, é de referir que é a única edição que vale a pena ter em CD porque o livrinho reproduz algumas fotografias da banda e um texto sempre irónico de Albini.

[um obrigadão ao Opuntia por ter arranjado estes CD's]

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || GRÉMIO LISBONENSE"


Correu bem e mal, como sempre, pouca gente mas montes de trocas, estranho. O som e aparelhagens do Grémio continuam a ser um desatino mas que se lixe, não é?
Trocas:
PM arranjou-me um concerto de Mondo Cane, novo projecto de Mike Patton dedicado ao vintage Pop italiano, um miminho - já havia indiações disto em alguns bootlegs dos Mr. Bungle... ah! isto é também uma cena ao vivo sacada da 'net, acho que ainda demorará sair um disco oficial do Mondo Cane, estejam atentos ao site da Ipecac... Chi morbido!

NM, ex-companheiro do zine Entulho Informativo (é verdade, lá despachei as revistas todas, se houver próxima sessão vão os últimos números em que participei onde poderão detectar a decadência da coisa) trocou os Hardcore-seca-Hardcore-é-seca embora estes queiram fazer um bocado de Core-Prog (existe este género?) Fucked Up com Hidden World (Jade Tree; 2006); Jazz-Improv-wallpaper (bom para misturar com outra cena) de Boxhead Ensemble com Nocturnes (Atavistic; 2006); os suficientemente famosos Xiu Xiu, que nunca ouvi mas parecem ser interessantes na primeira audição, com La foret (Acuarela; 2005); e, Boedekka com The piper, the devil, the poet & the priest (Mushroom Pillow; 2004), uma cena Freakdelic-Rock que podia ter saído dos anos 70 - escolhi pela capa e livrinho do CD que tem uns bonecos bem giros!

Irrmavep, trocou uns clássicos do Electro-Industrial: Kapital (Mute; 1992) dos eslovenos Laibach, Still & Raw (XIII Bis; 2003) dos belgas Front 242, e The Voice (Accession; 2001) dos alemães Cleen (aka para Daniel Myer / Haujobb), e ainda um CD xunga (daqueles de capa metalizada) do mestre James Brown (1933-2006).

Ah! Do Lucas Malucas veio um CD-R em mp3 cheio de material marado: Robert Crumb, Shellac, Boredoms, rock do Camboja (!), ... horas e horas para ouvir no PC.

Resta saber se há mais festas destas uma vez que para a semana o Grémio é capaz de fechar para sempre!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Touch Me I'm Sick!

Depois das tretas que foram Type O Negative e Tinariwen, o concerto de Mudhoney foi o melhor que vi este ano! Flyer pelo Esgar Acelerado

domingo, 19 de agosto de 2007

DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || GRÉMIO LISBONENSE"


Mais um asessão de Troca de Discos no Grémio Lisbonense - a próxima data será dia 30 e depois disso não sei porque o Grémio está para fechar as portas em Setembro, por ordem de despejo.
Das trocas maradas - os meus amigos trouxeram todos discos para trocar, finalmente! - o resultado foi um Folk-Rock sueco [Hoven Droven, Hia Hia (Xource; 1994)], indie-pop de meter dó [o primeiro álbum a solo de Tobin Sprout, Carnival boy (Matador, 1996) dos Guided by Voices], e Bossanova japonesa que o PC do trabalho não deixa ouvir [Spiritual Vibes, Before the words (Idyllic, 1997)], tudo isto vindo de um certo Escroque! Não do Dany Filth mas de outro ainda troquei The principle of evil made flesh (Cacophonous; 1994), o primeiro dos Cradle of Filth, os campeões olímpicos do Black Metal.
Depois, Jucifer quis ficar com os Disco Doom - trocamos hoje por um CD da "Studio One" pela exemplar Soul Jazz, o Opuntia ficou a xuxar no dedo - e a Quá-Quá vai-me trazer um álbum dos Garbage - não revelo o que foi trocado por questões éticas.
Por fim, não consegui trocar os 3 primeiros números do regresso do Underworld / Entulho Informativo nem se quer por um CD-R da Romana, deixei-as lá no Grémio... a próxima fornada de números antigos do Entulho serão da sua fase de oiro... é verdade, os números 14 ao 17 em que o Opuntia ilustrava brilhantemente Mitos Urbanos, eu escrevia a secção Entulho de Marte e as capas eram realmente boas!

Galactic Zoo Dossier #7 (Drag City / Ananana; Verão'07)

Já não há coisas destas (acordem-me!): um zine todo escrito à mão, dque ainda deve usar tesouras, x-axto e cola, quase todo ele ilustrado, dedicado ao Rock Psicadélico em sensu lato (cabe aqui Mod, Garage, Soul, Free-Jazz, Prog, etc…). O tipo que edita é um coleccionador louco, músico dos Plastic Crimewave (é um tipo com cabelo à Marco Paulo ainda por cima) e fã das bd’s dos anos 60 - como tal, põe-se a mostrar as vinhetas mais ridículas possíveis, ex.: como os Hippies ou os Mod's eram representados nas bd’s de super-heróis da DC Comics.
Não bastava a GZD ter 100 páginas como ainda oferece dois CD’s com um som de garagem e de bootleg manhoso, todos eles dedicados aos sons psicadélicos vintage e modernos - um dos CD's, Teenage Meadows of Infinity, é dedicado a raridades antigas (Stooges ao vivo), bandas perdidas na História dos vencedores, bandas fora do ambiente anglo-saxónico (pura e simplesmente inacreditáveis os bósnios Teska Industrua!), músicas de discos bizarros (algumas das melhores faixas deste CD vêm do ambiente escolar: Wheeling High School Jazz Band e The Ukeleles of Halifax) e até acetatos anónimos encontrados no meio do Michingan (faixa 14). From the Ashes (o outro CD) é da malta moderna: Devendra Banhart, Charalambides, Steve McKay & Radon Ensemble (o melhor da colectânea, um mutante Free Techno), Acid Mothers Temple e claro, a banda do gajo que edita isto, os tais Plastic Crimewave. Até o som das minhas K7's tem maior qualidade!
Quando a loucura parecia impossível de superar, o gajo-do-cabelo-à-Marco-Paulo que até desenha muito bem, oferece, como tem sido hábito, ainda “trading cards” (cromos norte-americanos) de “Deuses Guitarristas Alucinados” e "Deusas astrais do Folk". São 72 cromos ilustrados que celebram gente como Ike Turner, Eddie Fisher, Claude Olmos (dos Magma), Phil Manzanera (Roxy Music), Richard H. Kirk (Cabaret Voltaire), Link Wray, Nico, Gal Costa, Vashti Bunyan, Françoise Hardy, Marianne Faithfull, entre outros e outras.
Neste número aprendemos como o Blues influenciou o Rock e o Folk, Clive Palmer dos Incredible String Band é entrevistado, são dadas dicas sobre a Motown, são escritos artigos sobre The Index, Tiny Tim, The Nice e algumas obscuras bandas psicadélicas, também há um artigo sobre o Rock nos desenhos animados da Hanna Barbera, uma entevista ao grande ilustrador / autor de bd, Gary Panther, sobre os seus "espectáculos de luz"... ufa!!! É mesmo como os americanos dizem, é um "must-have"!

sábado, 18 de agosto de 2007

CIA info 38.3

Para os amantes de música, nesta exposição poderão encontrar imagens a imortalizar os Sigue Sigue Sputnik, Mata-Ratos (com uma versão à capa do Rock Radioactivo que curiosamente foi desenhada pelo Nuno Saraiva) e o concerto de 1992 dos Young Gods na Voz do Operário.
A Joana Figueiredo também pegou nos Slayer e no King Tuby, creio...

domingo, 12 de agosto de 2007

Guna Metal


foto tirada em Braga pelo Escroque, em Janeiro durante Desastres no Espaço. Há imenso tempo que não via "grafittis" de logótipos de bandas Heavy xunga dos anos 80, que fixe, man! Muito bom, muito bom mesmo, dá mesmo vontade de dar um "xuto"!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Grande Espectáculo Lésbico

Mais uma cena de concertos Rock do meu primeiro diário gráfico (1995) desta vez com um Grande Espectáculo Lésbico no saudoso Johnny Guitar.
...
1995!? Como o tempo passa... Holly caramba, Mr. Spock!
...
PS - serve também este "post" para anunciar que os GLS preparam o segundo álbum.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

End of Trip



Joaquim Costa: "Rock and Roll canta Joaquim costa" (Groovie; 2007)
v/a: "Portuguese Nuggets, vol.3" (Galo de Barcelos, 2007)

Os angolanos lançaram o último volume do Portuguese Nuggets fechando um ciclo de descobertas de pepitas musicais do Rock português produzido nos anos 60 e escondido do público por empresas fonográficas incompetentes. Não que 1500 exemplares (500 exemplares por volume) possam ajudar muito mas a partir de agora existe enquanto documento - pelo menos para a intelligentia - que não poderá branquear a história. Na folha do disco há mais biografias de bandas e uma lista de bandas portuguesas e das ex-colónias. Uma lista impressionante, diga-se, pela quantidade inimaginável de bandas que existiram nesta altura mesmo num regime opressivo do porco Salazar. Nada mais a declarar. Obrigado Angola pelo serviço público!
E o esforço já compensou, com a editora (portuguesa) Groovie Records a apanhar o comboío da reconstituição histórica, lançando o primeiro registo de Rock'n'Roll português, ou seja as gravações inéditas e perdidas do "Elvis de Campolide". Gravações essas realizadas em 1959, perdidas durante décadas, encontradas e compradas por Joaquim Costa na Feira da Ladra e só agora reeditadas com algumas edições extras de 1978. O carimbo "primitive rock" fica bem a Costa porque ele gritava um Rock de inglês "imitado fonéticamente" sem saber o que se diz - Costa não sabia inglês. Se Elvis estivesse vivo teria aqui um outro para lhe fazer concorrência, com a mesma idade - ainda na semana passada actuou no Maxime para lançar este EP em vinilo. Parabéns a todos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || GRÉMIO LISBONENSE"

Talvez dada às temperaturas desta canícula que vivemos, infelizmente, a primeira sessão deste novo ciclo de Festas de Troca de Discos não correu bem dada a falta de público que se sentiu. Ainda assim, paradoxalmente, foi a festa que mais troquei! Tendo levado para casa discos de Jazz, Jazz-Metal, Metal, Industrial, Drone, Electro e Pop. Tudo graças ao Traumático Desmame Gama e ao Sr. Fred.

A começar pelas secas Drone, ou seja Kobi com Drone Syndrome (Silber; 2005) com um tipo dos Sigur Ros (por isso tão chato como os Sigur Ros apesar do ambiente opressivo que desenvolve), e Jeremy Boyle com Songs from the guitar solos (Southern; 1999), este último tem como curiosidade ser um exercício de solos de guitarra de Heavy (Kiss, Van Halen, Black Sabbath, Led Zeppelin e Jimi Hendrix) que são esticados, distorcidos e refeitos (não são remisturas mas os solos são apenas matéria-prima) até ficarem irreconhecíveis. Aliás, a simetria é evidente: de Riffs pesadões passam a fantasmagóricas "landscapes" mas ainda assim, ao que parece houve problemas legais por Boyle usar os sacro-santos deuses do Rock. Não se percebe porquê... a coisa é penosa de se ouvir e impossivel de associar aos AC/DC por exemplo a não ser pelo título.
Um clássico é Comprendido!... Time stop!... and world ending (Cold Meat Industry; 1997) de Deutsch Nepal em que se se pode incluir na divisão Drone, é claro associado a "ritualista", "industrial" e "dark ambient". No caso deste disco trata-se uma compilação de material disperso entre 1992 e 1997, em que mostra como se faz um áudio-hipnose sem ser chato ao contrário de tanto projecto sem talento que anda por aí. Como dizia, é um clássico... feito por alguém que é Homem o suficiente para se chamar Lina Der Baby Doll General (hohohohoho) e Menino o suficiente para ficar fascinado por um Esoterismo de um mundo que há muito Deus cagou de alto (hehehehehehe). O pessoal facho adora isto!

Continuando pela Suécia (Deutsch Nepal não é alemão nem do Nepal) mas desta vez pelos terrenos ferteís do Metal, perdão, pelo pseudo-Metal dos Tiamat com Judas Christ (Century Media; 2002) e Carbonized com Screaming machines (Foundation 2000; 1996). O primeiro caso é Goth-Metal ou Rock psicadélico onde se detecta semelhanças a Sisters of Mercy ou Pink Floyd, uma calmaria quase Pop pós-moderna que de Metal já quase não tem nada, como aliás acontece desde A Deeper Kind Of Slumber. O pessoal do Metal também é sensível como os chorosos Indies e Emos, só que deviam era ter vergonha de ainda serem metaleiros. E ainda deveriam ter mais vergonha em meter nos créditos do disco que "Tiamat drink PATRON VODKA exclusively". Também sem vergonha na cara a julgar pela capa nojenta mas fazendo um bom trabalho são os Carbonized. O nome poderia enganar: escatologia Death/Grind dos velhos tempos da Earache? Não! Jazz Metal cheio de incursões sónicas e psicadélicas, e paragens rítmicas que lembra o Jazzcore dos NoMeansNo. Muito interessante e de referir que os músicos fizeram ou fazem parte dos conhecidos Therion.

E por falar em Jazz: The Jazz Networks com Blues'n'Ballads (BMG; 1994) e Herbie Hancok com Piano genius (MCPS; ?) foram os discos deste género. Do último pelos vistos não é o que o Gama e eu procuramos do Hancock daí que tanto o Gama se anda a despachar deles como eu ando a aceitá-los. No caso deste disco, ele não passa de Jazz standard assim Bop como nos fartamos de ouvir sempre que se vai a qualquer bar de Jazz. Ao que parece, este CD nem faz parte da discografia oficial como basta olhar prá capa - que nem me vou dar ao trabalho de scanar e carregar para aqui como devem bem perceber. Os Networks são modernitos e tocam os monstros (Coltrane, Ellington, Gillespie) entre o Be-Bop, a Fusão e aquela sensação que já ouvimos isto umas mil vezes. Se ainda ao menos soubessemos que bebiam exclusivamente Vodka... sorry guys, but Rock'n'Roll rules!!!

Na onda da música de vanguarda, recebi um sampler-CD da revista Resonance, o volume 10 (London Musicians Collective; 2006?) dedicado a "Art Radio" com trabalhos de ClingRadio, Sherre DeLys, David Grubbs + RLW, Elsa Justel, Georges Perec (um escritor OuLiPoano), Ergo Phizmiz, Walter Ruttmann, John Wynne entre outros... Cacofonia über alles.

Lembram-se de uma coisa chamada Big Beat? Era aquela música Techno e Hip-Hop de "batidas gordas" em que o Fatboy Slim foi a figura de proa. Lonesome spaceboy (La Douce / Irma; 2001) de Tommy Bass é o que se pode chamar de uma banhada. Na altura com sons de Lounge e Cocktail Music ou Musak com as tais batidas cheias de banha funky podiam ser uma novidade e ter alguma piada, seis anos depois é quase impossível pensar que isto servirá para alguma coisa. Os Deelite envelheceram bem (sem relação ao Big Beat mas o seu ambiente de festa aparece neste CD), o Fatboy não sei porque não tenho ouvido mas o italiano Tó do Baixo é que não envelheceu nada, nada bem! C'est la vie!

Mais Pop europeia, o último álbum de originais dos franceses Rinoçérose, Schizophonia (V2; 2005) é Electro-Pop/Rock da linha dos New Order com toques a Nova Iorque via !!! ou LCD Soundsystem mas que consegue irritar quanto mais se prolonga e/ou se ouve o disco. O pior mesmo não é a parte instrumental que é competente e dançavel mas antes as letras num inglês da treta, exemplo: «oooh my bitch / oooh yeah yeah bitch (...) bitch / cause you're gonna be my bitch». Felizmente só ouvi este CD em casa duas vezes porque não dá para ouvir no PC do trabalho, ainda bem...
Ise dize Nu-Eurotrashe? Non, seulement des cons!

Último género musical desta "festa", os CD's de Industrial: primeiro com um blast from the past, ou seja, Filth Pig (Warner; 1996), um álbum incompreendido dos Ministry, dado ser mais virado para Stoner-Rock ou Doom Metal do que aquele Industrial Crossover que os fez ter sucesso no final dos anos 80 e príncipios dos anos 90. A heroína está cá toda na veia, no estúdio e nos instrumentos, começa com uma falsa partida, Reload, como para enganar os fãs do Psalm 69 mas depois é pura Lava Rock, "sabbathiano" até à medula tal como aliás o tema Scarecrow já indicava (no Psalm!) A versão de Bob Dylan permanece inexplicável passados 11 anos. Mas fazer o quê com pessoal agarrado?

E por fim, a colectânea One nation under surveillance : Arable Farmland Sampler Volume 3 (Arable Farmland; 2007) que trata de temas da terra do Asno-Bush e as conspirações 11/9. Vamos encontrar 17 faixas de 11 projectos vindos da Suécia (Smea - a lembrar misturas Dub dos Godflesh), EUA (Searad, ROPS56, RDS, Metagnathous, Crypto Fascist), Canadá (PIN) e Austrália (Pask, Flood of Rain, Empty). O Industrial que soa é mais velha-guarda que outra coisa, embora ROPS56 lembre mais Prog meloso. Algumas faixas são boas, outras não, como é normal nas colectâneas. O CD lembra aqueles tempos dos discos Hardcore cheios de informação anti-autoritária. [A maior parte destes CD's vai poder ser ouvida na próxima sessão.]

A grande novidade deste ciclo foi que revistas, zines e livros sobre música também podem ser trocadas mas como isso não foi suficiente para tirar as pessoas dos seus lares mais refrescantes, pensa-se em mudar os dias destas festas no Grémio Lisbonense [rua dos sapateiros nº226, 1º, rossio, lisboa] talvez para as quintas-feiras e lá prás 22h. Brevemente mais detalhes...

terça-feira, 17 de julho de 2007

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz YEAH! zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz


zZz: "Sound of zZz" (Howler; 2005)

Mais uma fufice gravada e oferecida mas desta vez menos étnica e mais Rock - embora o Rock já deveria merecer a denominação "étnico" uma vez que já tem uns 50 anos e repete fórmulas tradicionais instrumentais e vocais, hum... Os zZz são holandeses mas poderiam ser norte-americanos ou suecos pelo som de Rock ácido que fazem, a lembrar Jon Spencer's Blues Explosion com bocadinhos de Suicide e até Doors. A fórmula não é nova (Suicide): dois tipos com apenas bateria e orgão de igreja (o orgão custou 50 Dollars segundo as fontes oficiais) debitam psicadelismo garage rock com muita pica e convencem porque se sente a "soul". Originalidade? Pouca... It's Rock'n'Roll!
Curioso, fazem parte da mesma editora dos regressados Alice Donut - ainda valerão a pena estes tipos?

Qualidade numérica: 4/5 Objectivo pós-audição: vai prá troca! Bem, sendo um CD-R ofereço a alguém...

World Wide Music


v/a: "Hugh Masekela presents the Chisa years 1965-1975 (rare and unreleased)" (BBE; 2005)
Elena Horodniceanu: "Codrule, Maria Ta"" (Thisco + CM Almada; 2007)
v/a: "Borat: Cultural learnings of America for make benefit glorious nation of Kazakhstan" (Warner; 2006)
v/a: "Choubi, Choubi! Folk & Pop sounds from Iraq" (Sublime Frequencies; 2005)

O termo da World Music é como todos sabem que serve para colocar discos fora da prateleira do Rock / Pop - prateleira essa dominada durante décadas pela indústria fonográfica anglo-saxónica. De certa forma o termo é uma forma de colonializar o resto do mundo comandado pelos EUA e os cães ingleses. Ao aplicar um termo como "a música (do resto) do mundo" estamos a subjugar-nos à cultura pax romana em que não perdemos pitada dos artistas da metrópole Britney Spears ou Eminem ou Metallica que visitam de vez enquando as colónias.

Antes de haver o termo já era o Caos para as editoras norte-americanas... E apesar de uma editora como a Chisa ter namorado durante os anos 60 e 70, contratos de distribuição com as grandes editoras Buddah ou Motown, esta última não sabia o que fazer com a primeira no plano comercial, apesar de se viverem tempos de contestação negra nos EUA e em África ou apesar de artistas como o Stevie Wonder serem declaradamente fãs da música editada pela Chisa. A verdade é que tirando um sucesso inicial os colonos não estavam prontos para uma "música afro-americana" (ou seja o tradicional africano com cópulas com o Blues, Soul, Funk, Jazz, Ska) e o catálogo da Chisa, onde Masekela dirigiu, produziu e tocou em várias formações e bandas, parece ter sido esquecido e pode ser alvo de reedição e recuperação como é o caso desta colectânea de raridades e inéditos em volta de Ojah, Letta Mbulu, Baranta, The Zulus e Johanesbourg Street Band. Só o primeiro projecto é mais assumido como Afro-Beat sendo os outros mais ligados a um "popular urbano africano" vulgarizado com um folclore artificial desde os anos 80 (em que a colaboração de Masekela com Paul Simon terá a sua dose de culpa) mas aqui ainda está puro e se ao princípio podemos torcer o nariz e até achar algumas faixas "histéricas" com a segunda audição, ficamos a achar o som mucho cool. [3,8; fica bem ao lado do Ghana e Antibalas]

Seguindo para Leste, próxima paragem, a Roménia com o disco de Elena dificil-escrever-sem-olhar-para-a-capa-do-disco - também conhecida por Cucu... disco misterioso no meio do catálogo da Thisco... ainda mais misterioso que o execrável In Tempus. De electrónico Codule, Maria Ta" não tem nada!!! E de Dark também não - e digo isto porque parece que a Thisco tem tendências para o Dark-qualquer-coisa. Mas é assim mesmo, Codule (...) é um disco de música tradicional romena de uma "Diva Étnica" acompanhada por uma excelente orquestra e orquestração, Orquestra Rádio Difusão Chiginau (da Moldávia) e Anatol Golomoz e Nujnoi respectivamente. A festa dos Balcãs é facilmente reconhecivel em 13 faixas do disco mas apesar de tudo mais calma e com cheiros do Oriente. Em duas faixas parece que estamos a ouvir Fado, deve ser aqui que os nossos povos se tocam. Disco agradável de se ouvir mesmo depois de ter assistido a uma vergonhoso lançamento do disco no S. Luiz, em que a Cucu cantou por cima da música deste CD - isso mesmo, cantando até por cima da sua própria voz gravada... [3,5; Que se lixe os romenos, este também vai prá troca!]

Aprofundando o ex-império do mal, lá para o Cavaquistão ou parecido, temos a banda sonora do polémico filme humorístico de Sasha Baron Cohen que "humilhou" a gloriosa nação do Kasaquistão - que na realidade humilhou os EUA mas era mais fácil vender a indignação do Kasaquistão do que o mongolismo norte-americano. O disco é uma réplica do típico objecto discográfico xunga / pimba, ou seja, design foleiro, degradés e efeitos photoshops de quem pegou no programa pela primeira vez, uma capa que podia vir de qualquer ponto do planeta em que música popular colidisse com o expositor de CD's num café da província ou na gasolineira da auto-estrada. Desconfio até que as faixas estão trocadas ou os créditos no Media Player, síntoma de quem quer brincar ao Pimba até às últimas consequências, ao ponto até de editar música que vem de toda zona balcãnica menos do Kasaquistão (que fica a uns belos milhares de quilometros): Kocani Orkestar e Esma Redzepova são da Macedónia; Fanfare Ciocarlia, Stefan de la Barbulesti e Mahala Rai Banda (da Roménia); e Goran Bregovic (da Bósnia). Estranha manipulação e perversão da Aldeia Global intercalada com sketches do Borat e músicas preparadas pelo comediante. Divertido mas não excessivo... [3,1; emprestado e devolvido!]

Por fim, graças à Great Lesbian Lady fiquei a conhecer a música do Iraque para além da editora Subminal Frenquencies, de que já me tinham falado... Uma editora ímpar em captar som & imagem do mundo. Neste caso estas gravações são todas antes do fim do regime do saudoso Saddam Hussein, havendo até uma raridade vinda dos anos 70, Ja'afar Hassan, ligado aos movimentos socialistas. O impressionate desta música - e ao que parece, a que distingue do resto da música do médio-oriente - é a precursão de metralha que arrasa as músicas. A faixa 6 ilustra um homem a parir um camelo mas tirando isso é música do melhor que ouvi nos últimos tempos, dá quase para tudo: para relaxar (chill out para chic-freaks), para dançar e ainda a imaginar um batalhão de homens a cairem ao chão metralhados ou ainda o homem a parir o camelo... Excelente! Fica aqui a "track-track-list" para ver se conseguem sacar em algum lado já que o CD está esgotado.

1. They Taught Me - Ja'afar Hassan
2. Segue Bezikh - Unidentified
3. Oh Mother, The Handsome Man Tortures Me - Unidentified
4. Yumma, Al Hilou (Mother, Here's My Beauty) - Unidentified
5. Ahl Al Aqi (Oh, People Of Reason) - Unidentified
6. Hecha - Unidentified
7. Choubi Choubi - Unidentified
8. Ya Binaya Goumi (Oh Girl, Stand Up) - Bawin
9. Front My Hope - Ja'afar Hassan
10. Ala Honak (Take It Easy) - Sajada Al Ubaid
11. Mawal / Choubi - Unidentified
12. (Unknown) - Mohammed Al Madloul
13. Ashhad Biannak Hilou (I Admit You Are Beautiful) - Sadun Jabir
14. Walla (By God) - Salah Abd Alghafour
15. Palestinian - Ja'afar Hassan
16. (Unknown) - Souad Abdullah

[4,5; repeat!]