quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Malditos humanos

Mechanics: "Music for Anthropomorphics" (Monstro + Voodoo / Chili Com Carne; 2006)

A ideia de juntar dois produtos culturais num só projecto não é nova. Nem quando esses produtos são um livro de bd e um disco de rock - e como chama atenção as editoras envolvidas, juntar duas das formas culturais mais populares do século XX que são marginalizadas pela "Alta Cultura" que são a bd e o rock. O que é curioso nesta edição, foi o desenvolvimento do trabalho entre duas entidades sobre uma mesma raiz - ou será antes raízes? Os Mechanics fizeram uma base instrumental, o autor Fábio Zimbres (editor da extinta e para sempre memorável Animal) e criou conceitos, um universo para eles e depois cada um foi para o seu lado: Zimbres fez bd's (com títulos), os Mechanics criaram as letras (em inglês), títulos para as músicas (que não coincidem com os títulos das bd's!) e finalizaram as gravações.
O som dos Mechanics é um rock duro, sujo e potente a lembrar muita coisa boa dos anos 90, quando o "rock alternativo" era sónico e musculado e não uma paneleirada teenager Emocore como nos dias de hoje. Sente-se algum ambiente cinematográfico em alguns sons mais ambientais/experiementais, e algumas passagens lembram os Killing Joke - inclusive a voz. A maioria dos temas são curtos o que dá uma dinâmica muito forte ao álbum. Quanto às letras, bem... o melhor é ler as bd's mesmo.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Invisual #4 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a quarta emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Rui Tomás e Marcos Farrajota, o quarto programa, pela primeira vez, incide mais sobre as novidades editoriais: o livro+disco Music for Anthropomorphics de Fábio Zimbres e os Mechanics, El Bueno de Cuttlas de Calpurnio que inclui uma aventura com os Kraftwerk (imagem), o CD Places like this dos Architecture in Helsinki com capa desenhada por William Sweeney e sobre os Lobster.
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

DEA report 7

Estive no fim-de-semana em Madrid, e o amigo Karlos convidou-me para o programa Miscelánea que passa na rádio local Radio Utopia. Falámos de bd e de música - os nossos hermanos espanhóis também estão a ser enganados pela marca "Rock in Rio" - e passei alguma música, nomeadamente os melhores discos do ano, segundo a selecção do DJ GoldenShower - que pode ser consultada na barra direita. Gracias, coño!
De compras nada de especial a acrescentar, de Espanha nem bom vento nem bom casamento nem boa música como se bem sabe. Uma revista como a Zona de Obras ofereceu um CD de bandas espanholas e sul-americanas insípidas. Ao que parece o melhor da música castelhana passa pelo HipHop, e mesmo assim... ah! afinal não houve umas compras que me esqueci à editora Discos de Mierda, uma editora de vinis de 7" em edição limitada com embalagens tão idiotas como o conteúdo. Dois singles, um dos Hitler's Clones e outro dos Lentejas dos Miércoles, ambos emissores de Synth-punk mais poluento e ordinário. Assim tipo (e porque também são espanholitos) Grabba Grabba Tape mas pior...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Invisual #3 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a terceira emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Rui Tomás e Marcos Farrajota, o terceiro programa é dedicado à editora Grain of Sound - uma editora portuguesa de música que tem um cuidado muito especial com o grafismo das suas edições, como se pode observar pelas últimos discos editados.
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Rock da Pesada! E lerda!

v/a: "Workship the Riff" (Exile in Mainstream / Sabotage; 2007)

Este é o sampler-CD de uma editora alemã de "música da pesada" que serve de cartão de apresentação do seu catálogo. Estão aqui 12 bandas, 16 faixas, com temas retirados dos álbuns e alguns inéditos. Começa com os Dÿse, uma dupla holandesa de Rock pesadão a caminho do esquizofrénico por usar uns quantos bons truques de "beatbox", aliás, dão-nos a a sensação que vamos ouvir um disco de HipHop antes de partirem para a "barulheira Rock". Seguem-se os alemães Prog-Stoner Beehoover que já tinha escrito sobre eles no Underworld, aqui com um tema da sua demo e um novo tema do álbum de estreia - é também uma dupla mas menos convencional porque usam baixo e bateria. Os End of Level Boss com a faixa do álbum de 2004 (Prologue) mostram que até não maus, mucho stoner e isso... já Mr. Dinosaur is lost do álbum de 2007 parece que temos um maldito revial dos Alice in Chains - cheguem pra lá, bichos! E mais chato que os anteriores, são os Ostinato e os seu "post-metal" (o que raios quer isto dizer!?), ou seja aquela chachada psicadélica instrumental que tem estado muito em voga como os aclamados Iris ou Pelican, é mais uma banda para juntar à caderneta de cromos. A faixa do álbum Left too far behind (2004) até que é fixe.
Da cartilha Black Sabbath e Pentagram aparecem os The Hidden Hand e os Place of Skulls, bandas formadas pelos nomes fortes de Wino (St. Vitus) e Victor Griffin (que era dos Pentagram), respectivamente sendo que Wino fez parte dos Place of Skulls durante um período de tempo. Sem comentários sobre estes Real McCoys! Na continuação desta estética estão os alemães Voodooshock mas com vozinha fatela de virgem que nunca fumou um charro, entretanto os Beehoover fazem parte desta banda sem trazer mais-valia. Mais alemães: os energéticos Volt na linha de Melvins, rápidos, barulhentos, poderosos e orelhudos; chucrute vulgar são os Spitting Off Tall Buildings com um Rockito Poppy que poderia ser confundido pelos Guano Apes, só não digo pior deles porque a voz feminina veio alegrar este disco de gajos barbudos que berram muito. A Whisper in the Noise é um nome tão horroso tal como a sensibilidade space-rock/pop - é um som que está na moda naquilo que se chama "alternativo". São norte-americanos e foram produzidos pelo Steve Albini mas quem não é produzido pelo mestre nos dias que correm? Ah! Pois! Os "cuspidelas de edíficios altos" também o foram, esqueci de escrever... Os franceses We insist! também não aquece muito com declarações Emo mas deve-se dizer que apesar destes baixos a colectânea mantem-se sempre à tona da boa audição... até que na última faixa, uns tais de Beyond Vengeance, em menos de um minuto lixam tudo! O que é isto? Uma gravação ao vivo de uma banda Hardcore? Um tribalismo noise!? Bem, será o próximo lançamento da editora, para 2008... Promete!!!

Garry Shandling


Butthole Surfers: Pioughd + Windowermaker  (Latino Buggerveil / Sabotage; 2007)

Esta reedição do psicótico Pioughd (Rough Trade; 1991) e um EP (Touch&Go; 1989) só nos lembra que não foram os Flaming Lips, os primeiros Punks a tomarem ácidos. Também nos faz abrir os olhos o quão pouco divertida é esta onda de neo-folk e psicadelismo que anda por aí. Os Butthole eram todos pró-ácido mas sem contemplações filosóficas - aliás, como é possível fazer Yoga e outras tretas num mundo de plástico? Nesta idade de gelo a derreter, uma banda texana misturava humor negro, riffs Sabbathianos e uma voz de Pato Donald (No, I'm Iron Man), estupidez, sentido melódico, country infra-humano, feedback sónico (Something é parte versão de uma música de Jesus & Mary Chain), barulho concreto como sirenes de bombeiros ou buzinas de circo. Um caleidoscópio de escatologia musical de uma das melhores bandas de sempre. A reedição em CD é pobre no que diz a tratamento gráfico, infelizmente.

Zombie Blues Explosion

Jon Spencer Blues Explosion: "Jukebox Explosion" (In the Red / Sabotage; 2007)

Colectânea de singles raros, perdidos, esgotados e amaldiçoados daquela que é a maior máquina de Rock'n'Roll dos últimos anos. São 18 faixas e uma escondida (a gozar com o Tupac) em que a ordem começa pelos temas dos lados A dos discos vinis e os últimos temas são os lados B. Quase nunca os temas ultrapassam os dois minutos e meio de tão rápidos e furiosos que eles são. É um álbum para fãs completistas (dado adquirido) mas também é mais um grande álbum de Rock para qualquer um - Ei! Isso também não é um dado adquirido?
Afinal de contas quando na capa mostra o grupo a sair do solo tal como zombies (ilustração mesmo à EC Comics!) e a enterarem discos de Alice in Chains, Lemonheads, Hole, Pixies e outras paneleiradas dentro de uma campa, onde se lê "good riddance", o que mais se pode dizer? Eu dizer mal do Jon Spencer? Nem pensar, ainda levo com uma pázada do gajo!

Invisual #2 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a segunda emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música
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Produzido por Rui Tomás e Marcos Farrajota, o segundo programa é dedicado à editora nortenha Lowfly - que deve ser a única editora portuguesa (e até do mundo) que é profundamente promíscua nisto da bd e da música. Quase sempre teve capas ilustradas e a bd aparecia aqui e acolá nas suas edições. Durante o programa é feita uma passagem pelas suas edições mais emblemáticas como Astro Girl (uma bd de Rui Ricardo, musicada pelos "índios" Sound Destructors) ou o caso inédito no mundo, a passagem de uma banda de uma série de bd para o mundo dos vivos, como foram as "garageiras" Garina Sem Vagina da série Superfuzz que gravaram no disco homónimo de 2005.
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Invisual #1 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a primeira emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Rui Tomás e Marcos Farrajota, o primeiro programa é dedicado ao zine suiço Milk+Wodka - inclui uma entrevista ao editor/autor Roman Maeder que esteve entre nós numa Feira Laica e as músicas ficam a cargo dos mil projectos e bandas do Herr Maeder.
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É repetido às Segundas-Feiras pelas 11h30.

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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

CIA info 37.3

O jornal finlandês Free! Magazine para onde estava a colaborar acabou após 5 números mensais entre Janeiro e Maio. Para além de os turistas à Finlândia terem perdido um bom guia de cultura "suomi" também eu deixei de receber pelo trabalho de fazer críticas a discos no formato de tira de bd. O projecto irá continuar online bem como a minha participação como poderão ver pelo blogue interno: www.freemagazine.fi/content/blogcategory/93/228.
Kiitos por tudo - aliás, Gracias porque os editores são espanhóis!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Coldcut || CASINO ESTORIL / LISBOA

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Inédito

#13

HOJE: 22 de Outubro, é um dia que marca duas datas importantes, por um lado comemora 15 anos de existência do zine Mesinha de Cabeceira (MdC) e por outro 10 anos da publicação do número 13, a primeira edição da Associação Chili Com Carne. Estando em curso as comemorações da CCC e uma vez que a edição em papel encontra-se quase esgotada (só sobram pouco mais que sete exemplares), foi decidido criar uma versão em PDF que pode ser descarregada gratuitamente para que o seu conteúdo não desapareça da fraca memória nacional. Do que faz este número algo de tão extraordinário? De facto, as questões envolta da edição seriam solipsistas e pouco interessantes para o público, por isso, acreditamos que só há uma razão para o MdC ser importante: a bd sem título de 39 páginas da autoria de Nunsky.
O Nunsky, cujos dados biográficos não são significativos ou divulgados, foi um cometa na enfadonha bd portuguesa. Participou em vários números do MdC quando este ainda era um zine em fotocópias, sempre com bd's de temática Punk'n'Roll mas com um significativo virtuosismo gráfico ímpar. No "número 13", as influências de Charles Burns ou de Love & Rockets poderão ser óbvias, é certo, no entanto nunca foi feito um trabalho deste tipo, uma catarse de amor psycho-punk-goth, regada de referências de Série B. Uma estória de uma banda obscura cujo vocalista sofre de alcoolismo e obsessão psico-patológica por um amor impossível. Os ambientes de concertos suados, violentos e brutais, bem como da vida urbana são minuciosamente gritados acompanhados por uma bateria narrativa perfeita.
No meio da bd portuguesa, esta bd/edição foi perfeitamente ignorada pelos pretensos divulgadores e críticos. As únicas reacções (e muito positivas) vieram da imprensa musical: «fanzine de intenso punk meio gótico, revela uma coesão gráfica e narrativa acima do que nos habituámos a encontrar nestas publicações» in Blitz «com problemas psíquicos (Alien Sex Fiend). Altamente recomendável» in Underworld / Entulho Informativo.
Dez anos depois, ainda hoje em Portugal ninguém faz 39 páginas de bd mesmo como catarse.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Zona Dantesca


a exposição "Cartografia da BD europeia" no Museu Nacional de Ravenna, onde se encontrava as tiras "Não 'tavas lá!?" e "in DJ GoldenShower record collection"

Eu e Marcel Ruitjers, o tipo de "Trogloditas" (editado em Portugal pela Polvo)


Ravenna, cidade onde está enterrado o que sobra do Dante, depois de várias complicações com os ossos do dito cujo, ao que parece os amigos, inimigos e nazis andaram com as ossadas de um lado para o outro.

fotos por Signore Abranches

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Indie-hip-pop-rock

Subtle: "Yell&ice" (Lex / Ananana; 2007)

O pós-pós-momoderno é cácá uma cecena. Desdesde que a Anticon ... marado, comecei a escrever desta forma, com as sílabas repetidas, e um motor de busca foi-me dar este resultado http://www.www.anticon.com.com/ quando só escrevi "anticon", o que se passa com este computador!? E com o Universo!?... bem, concontinuando... desdesde que a Anticon apareceu no fifinal dos anosnos 90, que conconseguiu conconfundir o que era HipHop e o que era RoRock - na sua fafaceta post-post-Rock ou indiedie. Aindada por cicima, no casoso destes Subtle (memetade dos memmebros liligados a projecjectos Anticon) saem com esta de um álbum de reremistura do anteterior For Hero : For Fool (Lex; 2006) mismisturando refafazendo ou acrescentandotando letras das músicas desse álbumbum. Contam com as colacolaborações de maltata de TV on the Radio, Notwist, Fog, Hood, cLOUDDEAD e e Wolfparade para contitinuar as aventuturas do personagem Hour Hero Yes - personagem que tem serservido como conconceito para um cicloclo de edidições dos Subtle.
As mumudanças de ritmomomomomomo-o-o-o-o, texxxxxxxxturas, vooozes obrigam a reredifinir o que é esta múmúsica... A resposta é simples: POP. De bom gosgostoto e bembem feitata, sem que brar o que por exemploplo Why? ou outros "anticoners" já fifizeram anteriormentemente: boboas canções com bateteria, sampler, sintizazadores, guitarra, violino, electróninica... Na teoria deveveria saber como era o álbum anteanterior mas por talenlento própróprio, Yell&Ice é autótónomo o sufi

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

CIA info 47.0

Esqueci-me de vos avisar!

As tiras "in DJ Goldenshower record collection" vão estar expostas numa exposição colectiva intitulada "European Comics Cartography", no Museo Nazionale de Ravenna, inserida na 3ª edição do festival de "bd realista" Komikazen, organizado pelo pessoal da Inguine.

Participam nessa exposição também os portugueses Filipe Abranches, Janus e Marco Mendes.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Doppelgänger Shower

GoldenShowers há muitos! Este flyer foi-me entregue pelo camarada Granada não me lembra quando (2004?), e promove um Goldenshower de Aveiro. Quando soube disto eu já tinha assumido o unDJ GoldenShower como nome de combate para as sessões de unDJing. Mas ainda há mais, ainda este ano ouvi falar de outro GoldenShower em Lisboa... estará na hora de mudar? Ou mantenho até sermos muitos, todos os DJ's e unDJ's serem GoldenShowers!!!