sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
segunda-feira, 26 de dezembro de 2022
Alex Ogg: "Dead Kennedys : Fresh Fruits for Rotting Vegetable : The Early Year (PM Press; 2014)
O livro sobre "Rock" mais difícil de se escrever começa aqui. Uma parte da história dos Dead Kennedys está feita, englobando a sua origem até ao seu primeiro álbum "Fresh Fruits" de 1980 - e ainda se fala um coche do segundo Plastic Surgery Disasters (Alternative Tentacles; 1982) que pelos vistos era uma "continuação" de muitas ideias do primeiro - apesar de entrar o recentemente falecido Peligro. A dificuldade passa pelo lodo de desentendimentos entre o vocalista Jello Biafra e o resto da banda sobre direitos de autoria e falsas reuniões (ou uma banda Karaoke, como apelida Biafra). É um livro para fãs Hardcore que descreve com minúcia o início da banda e a gravação do seu primeiro LP, complementado com fotos e outros artefactos da época (capas de discos, cartazes, flyers, colagens, zines, etc...). Algures no meio está a verdade entre as duas facções e é de salutar a coragem de Ogg em pegar nisto.quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
#38: Diário da Palavra
terça-feira, 20 de dezembro de 2022
The Specials - Ghost Town [Official HD Remastered Video]
quinta-feira, 15 de dezembro de 2022
Sinapses
Sinapses do Ivo Puiupo é o novo volume da Mercantologia, colecção que recupera material perdido.
O livro é resultado do concurso dos 500 paus.
Serão 12 bandas desenhadas curtas com poesia ou serão 12 poemas com desenhos sequenciados?
Segundo oFábio Zimbres:
Há uma tentação de entender as histórias aqui como fazendo parte, alternadamente, de: 1) um diário; 2) registros de sonhos; 3) ideias para um filme. Decidimos uma vez por um e depois por outro mesmo sabendo que não é necessariamente uma coisa nem outra, nem apenas isso. Mas há alguma coisa de íntimo, como um diário, e há um prazer nas associações que se desenrolam, as ambiguidades e o aspecto sensorial dos sonhos. E há às vezes a imediatez de quem registra.
Só que não é só isso. É mais que isso porque são o que são, obras acabadas, mesmo que não pareçam encerradas. É como uma estrutura no ar ainda com o processo nu, transparente. Mas são verdadeiras pontes nos transportando para lugares desconhecidos, Puiupo na frente. Cada ponte, várias possibilidades de história, de literatura, de imagem e de gente.
Provavelmente por isso podem parecer fragmentos de diário ou de sonhos, porque a matéria-prima dessas pontes (sinapses? Ou o que permite informação passar de uma célula a outra) é, basicamente, gente, essa coisa feita de sonhos. É realmente um livro feito de pessoas. Se comunicando, se desdobrando e se tocando. Transpondo pontes, ligando possibilidades ainda desconhecidas.
No meio de cada conto, podemos olhar para trás e imaginar de onde ele veio e para onde vai, como uma estrutura expansível que atravessa mais do que o que vemos. Podemos imaginar o que acontece antes do começo e depois do fim. Não é difícil imaginar também que estamos flutuando, como uma ponte às vezes nos faz imaginar.
No meio da travessia, de repente achei que estava assistindo a uma coleção de curta-metragens, com uma trilha sonora adequada, uma coleção de trilhas sonoras que viraram filmes. E esqueci da ponte, ou seja, lá onde estava e tudo virou um fluxo me levando, que é aquele momento em que eu me esqueci que devia escrever algo sobre o livro e tive que refazer todo o caminho de volta para me lembrar o que estava fazendo ali.
Que é o que um diário/ sonho/ filme deve fazer com a gente. Nos desorientar.
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116p. 15 x 21 cm p/b (48p a cores), edição brochadaSerá lançado oficialmente a 17 de Dezembro na Tinta nos Nervos, com a presença do autor e uma pequena exposição.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
web .2 tone .3
Culpados disto tudo se calhar Death Grips que desde cedo com o seu segundo álbum (ou primeiro oficial?) The Money Store (Epic; 2012) mostraram que seriam sempre rock híbrido - chama-se a isso de punk rock ? o feeling é esse mesmo que já não se possa meter o mofo da bateria + guitarra + baixo + voz isto é rock ciborgue electrónica rapada para mim é impossível dizer o que soa Eu Juro! já ouvi este CD mil vezes e sempre quando ele acaba ainda não percebi o que se passou o que ouvi o que aconteceu é como ouvir a primeira vez o Last Rights dos #Skinny Puppy ou Beers, Steers and Queers dos #Revolting Cocks Rembradt Pussyhorse dos #Butthole Surfers não é todos os dias que isto acontece ... Punk weight!
PS O 2 tone era nome para um Ska não racista em que o ponto de honra era ter uma banda que tivesse elementos branquelas e negros Clipping e Death Grips sabendo das cores de peles dos seus elementos (como se na verdade isso importasse para uma coisa - bom, na Amérikkka importa pelos vistos) parece isso um 2 tone para um mundo de Trampa mergulhado na deep web
espera
há mais
Apareceu Zeal And Ardor... WTF!? Imaginem o coninhas do Moby a fazer Black Metal essa seria a melhor ilustração para este disco Devil is Fine (Reflections; 2016) música de escravos americanos a cantarem Blues ou Gospel invertido, ou seja, a louvor de Satanás Nosso Senhor invés ao Porco Nazareno Devil is fine (o primeiro tema) abre-nos o coração, não não são samplers como o triste do Moby a voz é verdadeira In ashes arrebenta com os primeiros Blasts de Black Metal e ficamos confusos claro e mais ficaremos com intermezzos de electrónica que tanto podem ser Trip Hop ou caixa de música de criança como gamanço de arabescos à Çuta Kebab & Party ou What Is A Killer Like You Gonna Do Here? é uma pequena intervenção Tom Waits Children's summon parece o sonso do Gonza Sufi mas com Black Metal sempre isso "mas com Black Metal" o xoninhas do José Luís Peixoto escreveu há 10 anos um artigo qualquer a dizer que o Black Metal nunca seria popular pela sua violência - já na altura o que ele escrevia era errado porque bastava entrar no metro de Berlim e ter bem presentes outdoors do último disco de #Dimmu Borgir God good is a dead one entretanto fizeram um segundo disco a explorar a fórmula que não tem piada nenhuma apesar das revistas especializadas virem dizer muito bem, os metaleiros andam atrasados!
vi os Ho99o9 no Milhones 2016 e foi das melhores coisas que vi há imenso tempo ! Era como ver Bad Brains ou Black Flag e nunca o poder ter os visto porque não tinha idade para estar lá em Washington D.C. nos anos 80 nem nunca iria/ irei aos EU da amerdikkka a sério! Andei louco até conseguir um disco deles há um álbum - United States of Horror (Toys Have Powers; 2017) fazem Hardcore melhor que a malta do Hardcore e metalada, isto sim digno de sucessão de Discharge ou Slayer (vai na volta até samplam Slayer) ... mas fazem também dark Trap que a malta curte e tal em 2018 fuck! Tudo convive num disco de 46m que nada enjoa nada
a música pesada voltou a ter um ambiente de perigo depois de vinte anos de repetições ad nauseam
sexta-feira, 9 de dezembro de 2022
Memories don't live like people do They always 'member you Whether things are good or bad It's just the memories that you have (Beenie Man)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022
1000 paus da Chili vs 15000 do MC
Fiz este ano parte do Júri de atribuição das bolsas de criação literária na área de BD. Não sei se choro ou se rio porque olhando para as propostas enviadas pouco diferem das que são enviadas para o concurso dos 500 paus, organizado pela Associação Chili Com Carne, ou seja, vale um bocado de tudo... Considerando que a bolsa é do Papá-Estado a 1250 paus ao mês, esperava bem mais e melhor.
"Mais" é verdade que há mais quantidade de propostas mas não muito mais como nos 500 paus, especialmente nos últimos anos. Se calhar, fui ingénuo a pensar que há mais gente em Portugal daqueles que já conheço - quase todos. Exagero. Há sempre novos autores que nunca ouvi falar e muitos deles com potencial para criar boas obras.
Mas os problemas mantêm-se desde sempre, nitidamente falta uma “cultura da banda desenhada” em Portugal. No entanto, existem QUATRO Bedetecas (bibliotecas especializadas em BD) espalhadas pelo país, nomeadamente em Lisboa desde 1996, na Amadora (originalmente como Centro Nacional de BD e Imagem) desde 2000, Beja (2005) e Cascais (2015), sendo que há países que nem uma Bedeteca têm! Tirando as excepções que confirmam as regras, não vejo os estudiosos a usarem esses equipamentos culturais, nem os pretensos programadores de festivais, nem jornalistas e talvez o pior de todos, nem os próprios autores. Há certezas, pelos vistos. Há certezas de que sabem o que estão a fazer ou investigar. Essa atitude está próxima do “fã”, essa vil criatura, um sociopata que lhe falta mundividência e vive sob a óptica dos universos de bolso.
Vivemos na época dos não-lugares, tão assépticos como um hospital privado, o aeroporto hiper-inflacionado ou a "novela gráfica" como novo paradigma da indústria da BD, cheia de regras novas e servilismo ao funcionalismo e à pedagogia, impedindo uma maturação do gosto público pela BD. Quer-se da BD, nestes tempos assanhados, que ultrapasse os escombros do imaginário que parece ainda dos anos 50 do século passado, a julgar por muita da produção que é publicada, especialmente em Portugal. No entanto, parece que está tudo ainda por fazer, mesmo depois dos esforços implacáveis e colossais de João Paulo Cotrim e a sua Bedeteca de Lisboa - mas também, como a outra face da moeda, com as produções tradicionalistas do CNBDI.
Os novos não conhecem os velhos, os velhos não conhecem os novos, os novos passam a vida a inventar a roda ou a descobrir o fogo, numa ignorância atroz fomentada por editoras pobres de colhões e os que têm estão cheios de condescendência e paternalismo. Os editores e outros agentes de mercado são incapazes de publicar "certos" livros porque o "público não está preparado" mas preparam o público sempre para o pior, andamos nisto desde os anos 80.
A Luta continua! Por isso, divulgo aqui o próximo concurso da Chili, sempre na esperança que alguém desconhecido parta a loiça toda!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
Opposights
Se o Rui mostra uma homenagem porque lhe foi parar uma CriCa nos tempos do saudoso Milhões de Festa, já a Pita trata-me como se fosse um maluquinho. É merecido! Mas o melhor dela é algures na BD que mete o fofinho a dizer isto: Curators for a zine fair? What the f**k is this? Talvez a cena mais brilhante alguma vez escrita na BD portuguesa!!! Quem achasse que a Pita era só fofuras, fiquem então a saber que ela sabe dar uma doses de realidade crítica assim nas entrelinhas.
Por fim, mandar vir este livro da Austrália é uma dor de cabeça de guita e de burocracia - as alfândegas portuguesas deveriam entrar numa BD da Cátia Serrão ou do Pedro Burgos, por exemplo... Se calhar fazia-se uma edição portuguesa disto, não?
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
Hero Peligro
Já dizia o REP que o sinal de envelhecimento é quando os teus heróis começam a morrer. Bem sei que é uma simplificação mas cheira-me que começa aqui o meu fim também. D.H. Peligro faleceu este fim-de-semana. Baterista dos Dead Kennedys, banda da minha vida e do Mesinha de Cabeceira já agora pois logo no número 0 gamei montes de imagens de um disco deles para fazer umas montagens "punkis".
Durante anos sem acesso aos discos deles - tal como dos Pixies - porque não tinha guita, a música aparecia em k7s gravadas de sabe-se lá quem. Uma vez apareceu uma fotografia deles numa revista brasileira de música e foi tudo um choque: o Jello Biafra estava de costas - por isso ainda demorei mais uns tempos a ver-lhe a fronha -, os gajos eram punks mas não tinham as cristas gigantes coloridas como os ingleses, os guitarristas pareciam uns "nerds" de uma escola de arte e depois havia um gajo negro. Nada melhor do que isto para dar cabo de todos os clichés estéticos, raciais e musicais. Obrigado DK! Quanto a Peligro admito que recusei-me a ir vê-lo no regresso dos Dead Kennedys sem Biafra, pareceu-me esturro e fraude. Na realidade preferi esperar alguns anos para ver o Biafra sem os DK. Desculpa lá qualquer coisinha.
Rest in Punk!
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
#37: Forceps
ESGOTADO
sábado, 22 de outubro de 2022
30 anos de MdC
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| número zero, capa desenhada por Pedro Brito menos as "letras" que foi Marcos Farrajota |
Foi neste dia em 1992 que eu e o Pedro Brito, com 19 e 17 anos respectivamente, "lançamos" o fanzine Mesinha de Cabeceira para entrar à pala no Festival de BD da Amadora. Este não era o principal motivo de termos junto umas 20 e tal páginas com montes de colaboradores mas foi uma oportunidade. Se fizéssemos com aquela data na cabeça, conseguiríamos entrar no festival porque podíamos reclamar à entrada que íamos deixar a nossa publicação num stand para os vender. Acho que era assim... Foi em 1992 que o Festival da Amadora passou prá Fábrica da Cultura e prometia - e conseguiu - tornar-se no evento mais importante de BD em Portugal. O maior não quer dizer o melhor, e rapidamente deu para perceber a dada altura que a BD não interessava aquela gente mas sim o evento em si. Num concelho onde não há nada a nível cultural - este "nada" pode significar apenas "mediático" porque se calhar há sempre uma banda Rock numa cave a tocar ou algo do tipo - o que vale é manter a engrenagem a andar sem pensar ou ter cuidado com artistas, Arte e BD.
E saiu o número "zero", estranha lógica de "teste de mercado" que corrigimos assim que pudemos com o duplo 2/3.
O principal motivo - vá vamos ao que interessa - era fazer o melhor fanzine do burgo. Eu (de Cascais) e o Pedro (do Barreiro) conhecemo-nos em Lisboa, no Clube Português de BD, que nessa altura já não fazia nada a não ser, ser um espaço de encontro de colecionadores velhos de BD, aos Sábados à tarde num espaço de uma freiras ou lá o que era - o que fazia os velhos da BD esconderem muito bem algumas das suas publicações. Ali, os jovens ficavam à toa, embora o simpático Geraldes Lino tentasse levantar os ânimos. E foi lá que nos conhecemos todos: eu, Pedro, João Fazenda (com 13 anos), Ricardo Blanco, Arlindo e Jorge (d'O Moscardo, o único zine de crítica à BD até hoje!!!), Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato (creio) e mais uns quantos - entre eles muito à distância porque perceberam que aquilo não era para eles, o Bruno Borges e o Nuno Neves (do Serrote) que fizeram os excelentes graphzines Crash e Speed Comics, e que muitos anos mais tarde iria reencontrar noutras situações. Mais tarde seria a Tertúlia Shock do Estrompa o local e dia da semana (Quinta-Feiras) de eleição prá malta jovem e rebelde.
O Mesinha era para ser também o nosso espaço de trabalho. Eu não me sentia bem com o desenho e o Pedro com a escrita. Fizemos parceria, eu escrevia e ele desenhava, histórias cheia de sexo violência, efeito dos anos 90. Mais tarde eu comecei a desenhar e o Pedro a escrever as duas histórias. Para além disso percebíamos que o ambiente da BD era morto. Não havia a energia que víamos nas outras Artes, sobretudo na música Punk e Industrial que descobríamos nessa altura todos babados em headbanging violento, sendo o nosso grande ponto de encontro os Ministry.
Daí que colagem (convenhamos os computadores "ainda estavam a começar"), poesia, desenho e entrevistas a bandas faziam todo o sentido no meio de BDs parvas. Por isso a distribuição passava por lojas de discos como a Torpedo invés de livrarias, ou seja, onde estava a canalha punk e metaleira.
Também acreditávamos estupidamente na falta de "heróis" (ou anti-heróis) ou séries na BD portuguesa e que a sua criação deveria ser a salvação prá coisa. Erro crasso da juventude embora daqui o grande sobrevivente tenha sido o Loverboy que deu em três (+ um) livros. Já agora, um reparo, depois de fazermos o zine começamos a perceber que havia outros fanzines com atitude e cheios de vida mesmo que fossem de "bêdê" como A Mosca (de onde saiu o Janus!), G.A.S.P. de Diniz Conefrey & cia, ou mesmo o Hips! de Nuno Saraiva e Jorge Mateus, Psicóse Infantil e O Búlgaro.
Depois, o natural, cada um para o seu lado. O Pedro fundou a Polvo e saiu de lá aldrabado. Eu criei com os amigos a Chili Com Carne e depois a MMMNNNRRRG - que muitas vezes e até agora editaram vários números do zine. O Mesinha serviu de "estágio profissional" para o saber-fazer da edição. Aliás, outra consequência do MdC foi a colecção Mercantologia onde já recuperei material desde bons velhotes dos anos 70 às melhores autoras do momento (Amanda Baeza e Mariana Pita) já para não falar de BDs de gatos melomanos...
Que dizer mais? Sempre foi uma publicação mutante, até à saída do Pedro sempre assumimos que tinha de mudar de número para número. Com temas em cada número, esquemas editoriais até radicais como censurar um número como se fossemos uns cavacos. Continuei sozinho mantendo um estilo até o quebrar com o número 9 em que dei um maior passo em relação à exploração da BD autobiográfica e que durou ainda alguns números. Depois mais mudanças, no número treze comemora-se 5 anos de existência com o primeiro monográfico, o 88 de Nunsky, autor fora do vulgar que ainda esta semana teve o monstruoso Companheiros da Penumbra editado. O artista Mike Diana proibido de desenhar também teve direito a um monográfico. Antes a Isabel Carvalho que ganhou um concurso onde incluía não só guita mas edição de um livro, neste caso o Allen - por isso, foi foleiro ela dizer anos mais tarde que não fazia mais BD porque nunca tinha ganho dinheiro com esta Arte, aliás, ela foi das poucas que ganhou dinheiro num meio super-precário, mais do que os seus colegas masculinos, cheira-me que para continuar com a "arte contemporânea" tinha de dar este golpezinho.
Em 2002 o André Lemos é quem comemora os dez anos com um graphzine em serigrafia, abrindo caminho para muita réplica mais tarde. Vinte anos em 2012 é solidificado num dos objectos editoriais mais fixes em Portugal, o número 23 (coincidência deste número cabalístico que o Pedro sempre me avisou!) com montes de malta. Regressei à autobiografia em alguns números a seguir. O Nunsky também.
Até que no ano passado decidi recuperar o Mesinha no seu sistema mais básico enquanto "true zine", ou seja, fotocópia (agora é a lazer tudo), 100 exemplares e com malta (+ ou -) nova a bombar loucura gráfico-narrativa. Tem sido fantástico ver e publicar "sangue novo" como o André Ferreira, Alexandra Saldanha (louca louca louca), Marco Gomes, Matilde Basto, Luis Barreto, 40 Ladrões e brevemente o R. Paião Oliveira. Mais virão espero...
Numa cena que só não foi reacionária e anacrónica nos anos noventa até 2005 - com a Lx Comics, Quadrado, Salão do Porto, Ai-Ai e Bedeteca de Lisboa - sinto algum orgulho em poder mostrar trabalhos que fogem à "bedófilia" e ao zombismo-papa-merda tal como em 1992 em que olhava à minha volta e havia tudo para fazer e tudo para destruir. O problema é que antes a "Merdibérica" era apenas incompetente, nos dias de hoje os "bedófilos" são mais espertinhos e mais hipócritas, sabem vender os seus subprodutos de forma mais convincente. A qualidade da crítica piorou e a desinformação aumentou, por mais estranho que isso possa parecer no mundo da 'net. Se calhar a próxima vida do Mesinha devia ser mais Fanzine e menos Zine, quem sabe?
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| Capa do próximo MdC (#37) por R. Paião Oliveira |
PS - 30 anos merecia uma festa mas o Universo é cruel, para me punir da entrada à pala da Porcalhota, trinta anos depois, estando lá este ano no stand a Chili Com Carne a oferecer um pouco de civilização ao seu público, eis-me agarrado aos horários deles e sem capacidades para organizar uma festa com bandas e o catano. Desculpem meus amigos, olha mas podem organizar uma se quiserem hoje à noite, não se esqueçam de me convidar, hein!?
PPS - Seria estranho não agradecer a alguém com 30 anos em cima. Ficam aqui alguns nomes: Pedro Brito, Arlindo Horta, Miguel Falcato, Nunsky, Pedro Nora, Joaquim Pedro, João Maio Pinto, Pepedelrey, Joana Pires, Marco Gomes, Matilde Basto e todos os autores que participaram nestes 37 números do MdC. Da parte "mercantilista": Ruru Comix, Kus!, O Panda Gordo, A Batalha, Ediciones Valientes e Yuzin.
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
Paixões privadas
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
A queda do ídolo
Pá, não é só o gajo do Público que faz plágio a outros, não pá! Eu também sou plagiado! O gajo do fanzine de Metal undergound Fall of the Idol sacou-me a minha tira CAIAM (Centro Anarquista Internacional de Artes Modestas) publicada n'A Batalha em que falo do zine e pumba, assim mesmo sem aviso!
De resto o novo número do FOTI continua sick sick sick, com colagens à barda e bandas tão desconhecidas que até mete nojo.
Já lá vão umas dezenas de anos que não sou publicado num zine de Metal! YES! Obrigado João!
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
CIA info 92.4
Detalhe de uma BD work-in-progress para um fanzine sobre Cinema, editado pela Matilde Feitor. O zine chama-se Fora de Campo e já recebi a minha cópia.
domingo, 4 de setembro de 2022
"Esta gaja vai ser grande!"
Lembro-me perfeitamente do Ghuna X no Porto dizer isto, enquanto estávamos no seu quarto acabadinhos de chegar de Lisboa e loucos por conversa-fiada. Creio que o Rudolfo também lá estava e mostrou-nos o Allen Halloween. Isto há mais de 10 anos. O Ghuna tinha razão, a Lana Del Rey ficou gigante - até há um video que ela brinca com o filme Attack of the 50 Foot Woman. De resto, ela é especialista em manipular nostalgia, prevendo todo mal-estar da cultura ocidental virada para o passado, la malaise dos filtros retro do Instagram e o bloqueio intelectual do "fim do capitalismo mas hoje não convém".
Quando digo aos meus amigos que 'tou a curtir o(s) seu(s) disco(s) - tenho uma edição especial do Born To Die com um outro, Paradise, ambos de 2012 - mandam umas bocas que a gaja é "normie", vulgar, com uma carga patriota e não sei o quê. Se vivesse nos EUA, é certo que falaria dessa grande "terra da liberdade" embora eu acho que quem mais fala dos seus países até são os portugueses e os finlandeses, pela minha experiência e restringindo-me ao "Ocidente". Quanto a ela ser "normie" parece que é já um crime de lesa-majestade (ó doce ironia, tão doce como a sua música) ser "hetero" quando paradoxalmente até é na "queerness" de centenas de "Pop stars" (ou pretendentes a tal) que tenho insistido ouvir à procura de Pop fixe, que vejo a maior das vulgaridades. Batalhões de gajos e gajas com mil tatuagens, piercings, hiper-sexualidade (hetero ou não), uso de vocoder/ auto-tune ad nauseam, os mesmos ritmos reggaeton / "batida" / trap, em que há um esforço enorme para se ter uma personalidade para depois a montanha parir um ratinho ou ratinha, todos iguais da mesma ninhada.
A Lana é esperta como uma raposa, imaginativa e pós-moderna. Se parece que beija à Twin Peaks, a boca sabe a dream-teen-pop dos 90's (seja pelo comércio Belinda Carlisle, seja pelas "indies" Belly ou Mazzy Star), a língua tem Kate Bush (entretanto recuperada prá fama devido a uma série de TV para crianças ao que parece) e a saliva tem o seu próprio ADN como boa gestora que é. A música flutua nos sonhos de um Pop elegante que recusa ter um ritmo dançante da moda, no entanto temas como This is what makes us girls tem uma intensidade que faz mexer o corpo de forma quase misteriosa. As letras sim são de amorzinhos "hetero" mas parecem que até falam de relações de abuso - mas é dúbio... Pergunta pertinente, a Pop diz mesmo mensagens certas e objectivas?
A melhor geralmente não, é ambígua, seja porque o emissor pode não ser claro na sua lírica seja porque o receptor inventa ou interpreta o que quer, conforme se está alegre ou tristonho. Na realidade, este nunca escuta uma letra do principio ao fim, apanha um refrão e apropria-se aos seus desejos e receios do momento, passado anos até poderá pensar de forma diferente. Um exemplo parvo é a interpretação de um dos Cães Danados sobre o significado do Like a Virgin da Madonna. Por isso pouco importa se Summertime Sadness é sobre o "break-up" juvenil no Verão, ou o suicídio do namorado da Lana. A ambiguidade das suas letras confunde-se com a condição eternamente trágica das mulheres na sociedade com uma tradição tão longínqua até à Billie Holiday - apesar das diferenças de uma mulher negra dos anos 30 com uma pita burguesa branca do século XXI.
Fruto da web.2 e o fenómeno do vídeo-viral como impulsionador de carreiras mediáticas - olha Die Antwoord - o sucesso de Lana coincide com o falso-kennedismo do Obama, época de optimismo e de imobilidade intelectual, onde o que vai estar em alta são músicas estáticas como o vaporwave, drone, noise e tudo que seja monótono para uma população mundial medicada em anti-depressivos ou a dar em codeína ou crackinho. A euforia dos anos rock/techno/hiphop dos 70/80/90 já lá vão. Nos anos 00 não há pica para mosh e saltos, a música como o trap (ou Lana) dança-se parado, com tique de "granda boss" cheio de pausa como se fossemos donos do mundo - apesar de sermos cada vez mais uma prole delapidada de direitos e de vida decente, sendo a cultura Zombie a grande ilustração desses tempos.
De resto, as estratégias são as de sempre, pelas letras ou vídeos, Lana são várias Lanas como há vários Bobs, Bowies, Madonnas e Mansons, embora a maior parte das vezes identificamos como uma "girl next door" californiana - na realidade ela é de Nova Iorque, sacaninha! Pareço um gajo na crise da meia-idade mas defendo-me que a admiração que tenho por este CD não é a bizarria fetichista do meu mecânico pela Celine nem a pedofilia legal de um colega meu que passa o dia a ver os vídeos dos romenos "metaleiros" Iron Cross. Ainda acho a Diamanda Galas, A GAJA! Calma, isto é só Pop...
sexta-feira, 29 de julho de 2022
#36: Smash The Control Images
A Frrrrrança tem o Samplerman, os gringos o Christopher Sperandio... em Portugal temos o 40 Ladrões também ele a vasculhar o inDUSTriaLIXO da BêDê e a colocar desCOOLonização mental. Parte dos trabalhos já tinham aparecido o zine Ce ci n'est pas une bite de canard (2014). O 40 também participou no Pentângulo. Já sabem são 30 anos de existência do Mesinha de Cabeceira em 2022, este zine faz parte das comemorações!!
Sai na Feira do Livro de Lisboa mesmo para meter nojo às bestas editoriais.





















