segunda-feira, 14 de agosto de 2006
all gone from V to X
Looking for stars
Your imagination
CD 2002 · Bor Land
Dois discos antológicos de nova música portuguesa: O 1º reúne 5 bandas representadas com 3 músicas cada. São elas: Old Jerusalem, Alla Polacca, Polaroid, Boiar e Abstrakt Circkle, todas elas ligadas ao Pop/Rock inteligente. As três primeiras bandas estão próximas das vertentes Folk/Alt.Country e Indie-Pop, já as duas últimas são mais difíceis de rotular pois divagam em atmosferas Jazz misturadas com Pop/Rock dos gloriosos tempos da MMP em que não havia vergonha em misturar qualquer tipo de sons para o melhor e para o pior: Pop dell Arte, Mler Ife Dada, Ocaso Épico, Lucretia Divina, Repórter Estrábico... Acho as primeiras bandas menos interessantes mas são as mais bem produzidas e confiantes mesmo quando copiam modelos óbvios. Um exemplo paradoxal, o tema "Geonav" dos Alla Polacca parece mesmo um inédito dos Radiohead (entre o "The bends" e o "OK Computer"), uma réplica tão perfeita que (até) soa bem - eu sei, é uma heresia... As últimas duas não parecem nem confiantes nem bem produzidas, o que é mesmo uma pena pois tem um imaginário maior! 2º disco, 12 faixas, 12 bandas: Bildmeister, The Unplayable Sofa Guitar, Old Jerusalém, Bypass, Alla Polacca, Wave Simulator, Boiar, Zoë, Dead Sea Israel, Stealing Orchestra, Polaroid e Moving Coil ou seja mais Folk/Alt.Country e Indie-Pop lamechas tirando os excelentes Stealing Orchestra (com uma faixa homónima da estreia "Stereogamy"). Acima de tudo o que se pode admirar destas bandas são as suas capacidades de composição e desconcertante intimidade exposta aos "receptores". E por falar em intimidade, esta é a linha editorial da Bor Land - basta olhar pelo minimalista design dos seus discos. Já não me lembro bem onde li o slogan da Bor Land mas era algo do tipo "não é por gritares alto que vais conseguir o que queres"... uhm... acho que era isso... uma piada às bandas do Metal!? 3 e 3,5 respectivamente
V/A: Matarroêses CD 2003 · Matarroa / SóHipHop
Colectânea do clã Matarroa, isto é, a Matarroa é um colectivo e uma editora de Hip-Hop com base em Matosinhos cujo o trabalho editorial tem sido exemplar. Sendo mais um lançamento (o terceiro) da Matarroa só vem confirmar o que a Matarroa pretende:
«Música alternativa porque não é para a maioria Música agressiva porque não tem fantasia» [in "Música Alternativa" por VRZ]
É certo que falamos aqui de Hip-Hop mas é um Hip-Hop bem produzido, bem trabalhado, consciente e inteligente, neste caso especifico este disco é um excelente catálogo das várias tendências do Hip-Hop suficientemente eclético para não enjoar: luta desgarrada de palavras entre MC's ("Yoko vs IP" por Yoko-Zoona & Inspector Mórbido), frases em velocidade desfreada ("Expansão suspeita" por Nokas), fusões com Reggae'n'Ragga (duas faixas por Bezegol) e Allah Drum'n'Bass (com o Fuse), letras com ligeira pronúncia africana e/ou divertidas ("A conspiração dos moskitos inofensivos" por Ikonoklasta), um instrumental "cool" (por Buster Bitz)... tudo razões para sentirmos que estamos a descobrir uma nova cidade musical, um El Dorado... em português! 3,8
V/A: Portuguese Nightmare, a tribute to the Misfits CD 2005 · Raging PlanetNão contem comigo para falar de discos que servem para fazer guita à pala de nomes famosos por parte de bandas obscuras. E é o caso deste disco? Por um lado acho que o sistema “associação a nome famoso para promover os que não são” é o que se passa por aqui mas por outro há aqui um estranho magnetismo, tão estranho como era o dos Misfits – uma banda medíocre mas com um carisma tão forte que se tornaram incontornáveis. E é o que se passa aqui, as bandas portuguesas são o que são (médias ou boas mas nunca brilhantes) mas conseguiram apanhar o brilho maléfico dos Misfits cada uma ao seu género: Core diversificado (Easyway, Simbiose, Day of the Dead), Metal pesadão (Decayed, Grog), Rock variado (The Temple, Capitão Fantasma, No-Counts D.O.M.), Nu-Goth (Cinemuerte, [f.e.v.e.r.]),... colocando a compilação numa confortável situação de que é possível unir (quase) todas tribos num bom disco. Destaco Mata-Ratos e Dead Combo (apesar de não gostar das bandas) por terem tido os tomates de fazer as versões em português (“Sementes do ódio”, “Hate Breeders” no original) e em instrumental (“Angelfuck”), respectivamente. Outro destaque para D’Evil Leech Project (uma violência de Extreme Metal!) e TwentyInchBurial – sem dúvida a banda com o binómio groove/peso mais equilibrado na cena Metalcore portuguesa e a confirmar que versões é com eles! Resta saber quem são os psicadélicos Octopus in the Fisherman’s Style – já que não se canta em português ao menos que se brinque com a língua inglesa... 4,2
v/a Summer One DVD 2005 · Metro Discos
Os tipos da editora Metro não nos enviaram o último CD dos excelentes Bizarra Locomotiva (quando até havia uma entrevista a esta banda no último número), mas enviaram um DVD de Surf! Que fixe! Que bom ver uma hora de homo-erotismo desportivo: betinhos em tronco nu, ondas a rebentar como uma ejaculação gigante do Rei Mar, rapazes bronzeadinhos a fazerem gestos obscenos com os dedões das mãos porque falharam uma ondita. O que aconteceu àqueles vídeos de Surf em que as melhores partes eram aqueles cortes de poucos segundos com gajas boas e enjoadinhas e de rabos bem queimadinhos? E de maminhas redondinhas? Ah! Este é o primeiro DVD de surf português com banda sonora só de bandinhas portuguesas, cujas músicas nem sempre se ajustam às imagens - nada de escandaloso, maus são os separadores digitais. Temos Rock electrónico, pós-Grunge, Nu-Metal, Funk, Dub num ecletismo saudável e atletismo participativo dos Braindead, Blasted Mechanism, Mofo, Tendrills, Anger, Rollana Beat, More República Masónica, Cool Hipnoise, e (oh, não!) Blind Zero (a banda mais azeiteira de sempre?). Pergunta-se porque não estão os Dr. Frankenstein – a banda surf!? Bem, pelo menos não estão aquelas bandinhas de Hardcore melódico, ufa! 2,7
V/A: Superfuzz - o.s.t. CD 2005 · Lowfly
A LowFly lançou mais uma colectânea, desta vez uma selecção de 26 temas de Retro-Garage-Rock’n’Roll-Punk-Blues-Surf escolhida pelo “Paiva” em pessoa! Conceito inédito, pelo menos em Portugal, uma vez que o “Paiva” é uma personagem de BD publicada no Blitz, da autoria de Esgar Acelerado e Rui Ricardo (actualmente desenhada por João Maio Pinto que colabora aqui no Underworld). Ok! Na verdade quem escolheu Dirtbombs, 5.6.7.8’s (sim, as japonesas do filme Kill Bill!), Monkeywrench, Knockout Pills, Act-Ups, Dr. Frankenstein, Insomniacs, Legendary Tiger Man entre outros foram o autor Esgar Acelerado e o editor da Mondo Bizarre, Hugo Moutinho. Curiosamente o disco cheira a “disco de oferta” desta revista (não digo isto como má língua!) pois 90% das bandas costumam flutuar por lá. A excepção a isso e a quase tudo no mundo (este sim um evento inédito!) são a estreia de Garina Sem Vagina, uma banda que existia... na BD. Cheira-me a piada dos autores! Já agora, “elas” soam a Surf Rock. Por fim, e mais uma razão para comprar o disco, a editora oferece uma impressão offset limitada de 1000 exemplares, numerada e assinada por Rui Ricardo. 3,7
VIVE LA FETE Grand Prix CD 2005 · Surprise / NTM
São 4 e meia da manhã, a festa cá em casa já acabou… Olha, chegaram os meus primos emigrantes… vêm da Bélgica e estão cheios de pica. (eu queria era pelo menos tirar as garrafas do quarto)
Os cabrões puseram uma cena qualquer na aparelhagem e estão a dançar aquela porra…
- “O que estamos a ouvir? (tosse de excesso de nicotina) Alguém tem um cigarro?”
– “É uma banda d'um gajo dos dEUS”, responde-me a Antoine Vanessa.
– “Ah!” (amanhã tenho tirar os vidros partidos por detrás do frigorifico) ... Foda-se! Quando é que eles se vão embora? E levam esta treta Electro-pop? Não tem a ironia fun & lo-fi dos Stereo Total (que os meus primos emigrados na Alemanha deram-me a conhecer), não tem a escatologia ou o carisma da Peaches, nem a estética lesbian-chic da Miss Kittin, nem… nada. (porra, quem é que vomitou no bidé!?)
E esta voz da gaja da capa (que a estas horas da manhã parece boa comó-milho!) viola as figuras da Brigitte Bardot e da Jane Birkin,… os anos 80 nos países francófonos devem ter sido um pesadelo como está a ser agora! Não admira que queiram meter fogo naquela merda... (Claro, alguém tinha de apagar os cigarros nos copos e nas canecas)
– “MALTA, C'EST FINI! A FESTA ACABOU!!!”
2
WHITE STRIPES Get Behind Me Satan CD 2005 · Third Man / XL / Pop Stock
O que posso escrever mais do que aquilo que já foi escrito sobre o último álbum dos White Stripes? Todos já sabem que não é um álbum típico de quem conquistou o planeta inteiro e a discoteca da província com o tema "Seven Nation Army". O que estamos presentes é o princípio que o duo sempre defendeu e pelo facto de serem umas estrelas mundiais não os tirou do caminho, ou seja, de provar que se pode fazer boa música sem mega-produções. O duo conhecido por só usar voz/guitarra/bateria ama a sua raiz musical norte-americana saltita pelo Blues e pelo Rock só que desta vez e contra a lógica comercial estão menos Blues e menos Rock pois vão alternando com um piano que soluça Ragtime. Para completar à riqueza musical ainda há triângulo, marimba e sinos. Este disco é como um delicioso Hambúrguer cada vez mais cheio de ketchup e outros molhos. O que não deixa de ser um "Hambúrguer White Stripes" nem de ser delicioso. Os não-irmãos-incestuosos são inteligentes. Se venderam a Alma ao Diabo, negociaram-na muito bem. Devemos afastá-los das prateleiras dos "sons retros" que nos empestaram nos últimos anos e também do "mais do mesmo". 4
WHY? Sanddollars the EP CD-EP 2005 · Anticon / Sabotage
Quando 'tou na fila para pagamento no Mini Preço há sempre uns expositores com coisinhas para levar, como embalagens de fritos-chamados-Doritos-sabor-Tex-Mex. E eu, consumidora como outra pessoa qualquer muitas vezes levo um pacotito. Quero dizer com isto que este EP do Why? tem de algo de Tex-Mex? Sim, mas só se for daquelas embalagens pequenas porque estamos perante um EP só de 20 minutos e 31 segundos que sabem a pouco e obrigam-nos ao "replay" - como os tais Doritos-sabor-Tex-Mex: ficamos viciados logo na primeira trinca daquela merda e não descansamos enquanto não acabarmos a embalagem toda como se fossemos uns animais! Why? sempre foi o artista mais "Pop" da Anticon, editora / colectivo de Hip-Hop alternativo (ver Entulho de Marte in Under #16) e com este EP que antecede o disco "Elephant eyelash" faz a sua grande viragem. Hip-Hop aqui? Aonde? Há restos deste género de música lá no fundo (da embalagem de Tex-Mex?) no uso das técnicas de Hip-Hop: samplagens, uso de beats, forma de cantar mas o que temos mais aqui é Indie-Pop/Rock (da boa!) acompanhada quase sempre de piano. É também um disco que Why? deixa de ser Yoni Wolf para passar a ser Yoni Wolf e mais 3 gajos. No fim do disco, depois de desistir de procurar o "HipHop" vamos encontrar grandes canções inteligentemente fabricadas sobre uma esquecida Miss Ohio, perdedores vários, a vida mundana, o quotidiano melancólico. Empacotado em brilho humano, como poucos ainda o fazem. Será a embalagem grande (o disco "Elephant eyelash") tão boa como esta mini-embalagem? No próximo número do Under alguém dirá... 4,1 assinado como Axima Bruta
WIRE The Scottish Play CD + DVD 2004 · Pink Flag / Ananana
Afinal esta edição é um DVD ou um CD? É difícil de adivinhar, por um lado temos um CD áudio com o concerto de 30.04.04 no festival Triptych (Glasgow) e por outro temos um DVD (muito simples) que também reproduz esse mesmo concerto (com imagem, claro) e ainda excertos de outro dado a 26.04.03 no Barbican (uma espécie de CCB de Londres) com uma excelente instalação de Es Devlin. A propósito disso, a banda está separada em quatro salas no palco, de frente (viradas para o público) são projectadas imagens – as mais impressionantes são as ampliações de partes das caras dos elementos da banda: nariz, olho, boca – enquanto a banda debita o seu high-energy Rock mesmo quando a média dos membros da banda deve ser igual à idade do meu pai. É pena que se fique pela típica imagem de gajos a tocarem, o que no caso dos Wire ainda é pior dada à sua mítica distância com o público. Aparte: nunca percebi lá muito bem porque o pessoal curte ter "ao vivos" de bandas... são sempre uma grande seca com as devidas excepções o que não é este caso. Porque não reproduziram o concerto do Barbican na totalidade? Ou pelos menos metade/metade. Se por um lado é incrível a energia e chinfrim debitado por estes cotas (pós)punkers – um gajo ainda pensa que os Stones são uns malucos – por outro passado um pouco a coisa começa a aborrecer, o melhor é ficar pelo CD áudio. Ainda assim, só na Inglaterra é que podia haver um fenómeno assim, uma banda mítica dos gloriosos anos do Punk que volta com temas originais. Em Portugal a cultura musical só dá para insistir no regresso dos Pixies, bah! 3,9
XEG Conhecimento, 1978-2004 CD 2004 · Matarroa / SoHipHop
Geralmente os press-releases dos discos são sempre uma seca, uma tentativa bacoca de convencer o crítico que o disco é muito bom e/ou de o ajudar a não pensar... bem, ou porque hoje é domingo ou porque o press-release desta nova produção da Matarroa (uma das melhores editoras portuguesas de Hip-Hop) traduz com sinceridade o produto que estão a promover, eis uma reprodução da mesma, sendo que subscrevo/acredito com aquilo o que é escrito. Marte «Xeg é um dos MCs mais populares no meio Underground do Hip-Hop Português. Com um currículo extenso que incluí participações em Álbuns e Mixtapes já considerados clássicos (Sam the Kid, Bomberjack, DJ Cruzfader), e outras mais recentes (Nbc, Kacetado, MatoZoo), não nos devemos de esquecer do seu disco de estreia, “Ritmo e Poesia” editado em 2001, com assinalável sucesso. [ok, esqueçam esta parte porque nunca ouvi nada disto tirando os excelentes MatoZoo] Ao longo da sua carreira Xeg, caracteriza-se por controlar a mesma, da forma como controla a sua vida, simples. Sem papas na língua, fala do que vê e sente, o que lhe tem rendido alguma animosidade e, claro, a falta de reconhecimento típica de quem lidera e não segue, num meio tão pequeno como é o nosso. Sejam os tópicos, sociais (Racismo, Guerra no Iraque e o Governo), passionais, ou direccionados para o interior do movimento Hip Hop, o resultado é sempre o mesmo: honesto, directo e no final, arrasador. [um bocado reaccionário de vez em quando mas percebe-se porque o Hip-Hop em Portugal está a ser a voz das novas gerações já que é a única música urbana politizada com uma actualidade viva] Vivendo e respirando Hip-Hop, da forma mais pura, este B-Boy dos anos 80, faz questão de nunca esquecer as 4 vertentes nos seus discos. E “Conhecimento”, não foge à regra, sendo um disco de batidas harmoniosas e melódicas, maioritariamente produzido pelo próprio, podendo considerar-se este segundo registo, como um filme da sua vida, onde muitas histórias são (deliciosamente) contadas.» 3,4
XEG Remisturas vol.1 CD 2004 · Matarroa / SóHipHop
Sétima edição da Matarroa, uma editora exemplar do Hip-Hop que é lançada agora mais uma edição toda XPTO de Xeg com um cortante bonito como sempre. Sobre o conteúdo da rodela, é de referir que é um álbum que Xeg remistura uma série de músicas de Hip-Hop: dele, de uns clássicos como os Líderes da Nova Mensagem (de 1994) e de "clássicos" recentes como NBC, Kacetado, Sam the kid, Valete, MatoZoo... As remisturas implicam uma nova produção, novas versões e na maior parte dos casos novas rimas. O disco é bastante fluído e porreiro de se ouvir, não chega a entrar muito nas disputas internas do pessoal do Hip-Hop, tem músicas bem funky e com pica - destaco "Crise financeira" e "Combate mortal" que são super-catchy - e só tem uma intro que é foleira - como geralmente são foleiras todas as intros. Foi uma boa forma de acabar o ano de 2004! Parabéns à Matarroa pelo trabalho desenvolvido! 3,9
sábado, 5 de agosto de 2006
Quem ouve música também gosta de ler sobre música - III

Ironia das ironias comprei "Stravinsky morreu : devoções e utopias da música" (Hugin; 2003) em Desembro de 2005, justamente quando o facto da falência da editora estava consumado, num "mercado do livro" - evento inventado para escoar os livros que não conseguiram vender durante o ano a preços finalmente acessíveis às pessoas que se queiram cultivar minimamente, geralmente os livros estão amontoados como cadáveres após um banho de Zyclon B e estes mercados são realizados em barracas ou outros sítios públicos como terminais ferroviários. Devo admitir que simplesmente devorei o livro tal era o interesse e "novidades-anunciadas" dos vários "ensaios-berbequins-perfuradores-do-cráneo", todos eles imersos na discussão sobre "música e política", ou sobre o que é um acto criativo sobre o som e a sua confrontação com o "sistema". Se esperam um musicólogo chato com defeitos de "name-dropping", enganem-se, REP tem uma abrangência de referências que podem ir dos Crass (Anarcho-Punk) ao grande compositor Xenakis sem que haja qualquer espécie de condescendência intelectual.

Já "Phonomaton : As novas músicas no início do Séc. XXI" (Hugin; 2001) é menos interessante como livro, afirmação injusta logo à partida. Não que a escrita e saber de REP tenha descido de nível, é só que tem uma estrutura mais confusa e menos classificativa. Os artigos e as entrevistas aparecem (aparentemente) sem razão ou critério, ainda assim, continua a ser um livro interessante pelas pistas que dá sobre músicos e criadores sonoros. Provavelmente como documento terá o seu interesse "patrimonial" pois são entrevistados autores como Major Eléctrico, Rafael Toral, René Bertholo, Adriana Sá, Vitriol, entre outros, com um enfoque em especial para os seus métodos de trabalho.
Foi Júcifer que me telefonou a avisar que tinha encontrado um livro do REP numa livraria qualquer (da Valentim de Carvalho?). « - Compra, compra!!!» gritei!
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
Quem ouve música também gosta de ler sobre música - II
A começar pela Mondo Bizarre que bem pode mudar de nome para "Mondo Chatice" porque é incrível como uma revista de "música alternativa" continue a usar a mesma fórmula que aplica desde o início - já tem 5 anos! Sempre o mesmo tipo de capa - fotografia promocional da banda que é usada em mil revistas e sites -, ausência de postura combatente e de originalidade sobre os conteúdos. Embora o tenham feito algum esforço nos primeiros anos, só neste último número começaram a mexer um bocadinho nas "coisas" (por ex: a secção de bd fugiu ao formato de colectânea de resenhas) mas a preguiça reina de uma forma assumida, seja pelo tipo de bandas quase todas elas Pop-punheta que promovem, que ainda por cima são igualmente promovidas no suplemento Y do jornal Público (actualmente a única publicação de música minimamente credível, em Portugal, por mais que isso doa, com mais postura "alternativa" do que estas revistas supostamente "alternativas"*), seja pelo cansaço de formato editorial (entrevista + artigo sem inspiração). Felizmente como produto final, é uma revista bem escrita e percebemos que quem escreve não é um idiota, talvez seja só escravo do trabalho, deprimido e sem sonhos. Snif!
Idiotice poderia ser sinónimo da Underworld, que nunca mais acerta no alvo por mais boas vontades hajam dos seus editores e colaboradores. Superior no aspecto de divulgar "artes" underground, em que assume páginas de bd e de conto ao lado das bandas e discos, capas sempre feito por artistas e não com fotos de bandas, cheia de pica para fazer entrevistas "diferentes" (confronto com duas bandas, por ex.), artigos "diferentes" (sobre o myspace.com mesmo que não se perceba o que a Dora Carvalhas queira comunicar, coitada, ou sobre as revistas pulp), com fotos inéditas das bandas ou ilustração, infelizmente devido aos dissabores criados aos seus vários colaboradores através do seu editor principal, que dirige o projecto ao sabor dos seus caprichos, a revista tem se desmazelado nos últimos números, em especial neste.
JP é o dono da revista e tem o mérito de colocar o seu tempo e meios ao dispor na cultura underground - e isso é algo de salutar - no entanto, tal como o Inferno está cheio de malta de boas intenções, ele é incapaz de compreender o espírito dos tempos (un-zeitgeist-mensch portanto), esconde-se em paternalismos (é só ler algumas reviews) e pedantismos (ver a secção "Pérolas a porcos") que vão afastando os colaboradores gradualmente ao ponto de já ter afastado o Marte (com uma tira bem porreira: Não 'Tavas lá!?), Pedro Zamith, André Lemos, Júcifer e... eu - e não quero que pensem que isto é uma cena ressabiada, foda-se!
Para quem Arte é uma gótica gorda (não tentem ver a "celulose" da vocalista dos Hyubrus como Erótico ou Belo por favor!!) ou uma gótica sem talento a fazer "ilustrações" do mais básico Photoshop, então, está tudo dito... As poucas aberturas foram circunstanciais e por isso, apenas para apalpar terreno, porque o que se quer daqui é mesmo um projecto de Metal-Punk-Hardcore. O underground afinal é apenas "um" e não "o". É triste. Espero que o projecto recupere a sua aura e espírito criativo, caso contrário já podem começar a chamarem-se "Entulho Bizarro".
* Relembro "os melhores discos nacionais de 2005" era constituido quase exclusivamente de projectos "indies"... ou de um artigo sobre sunn0))) e o drone-metal aparecer primeiro no Y do que noutras publicações mais adequadas a estes terrorismos sónicos...
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
Quem ouve música também gosta de ler sobre música - I
É preciso ter tomates para por a Nelly Furtado na capa de uma revista de música. Ou a editora da gaja pagou muita bem à revista ou então a imagem de um editor com um testículo de boi na cabeça é digna de imaginarmos.Não bastava os dinossáurios Rolling Stones no primeiro número do Blitz-Nova-Fórmula-Revista como agora temos uma campónia cujas músicas se resistirem um verão já é muito. O ano passado o Blitz andava em agonia, com sucessivos Directores a perpetuarem estupidez, mau-gosto e critérios mal-amanhados - o último saiu uma rica prenda, diga-se, foi ele que impingiu que uma capa boa para um jornal de música seriam os Abba, duas vezes seguidas os nojentos dos U2 ou qualquer coisa que se mexa e tenha mais de 40 anos de idade.
A desculpa desta decadência será o facto de não se vender tanto como nos velhos tempos por causa da 'net e outras desculpas esfarrapadas. Se calhar o que os editores esquecem é que não é pelo facto de haver mais informação livre e gratuita que isso possa equivaler à morte de um jornal ou revista. É (sempre foi) a capacidade de comunicar ou de ter conteúdos interessantes que fazem as revistas e jornais.
Ora essa "vontade" está cada vez mais ausente - se alguma vez esteve presente - nos meios de comunicação portugueses impressos. Pergunto-me a quem querem vender a revista? A jovens? Eles preferem as cabritas Shakira, Beyoncé e Britney Spears (é só escolher a pele, cabelo, ancas e rabo) e duvido que tenham tesão pela Nelly. Aos trintões para cima? Eles preferem ler as boas revistas inglesas que cada vez são cada vez mais fáceis de arranjar em presscenters - cada uma na sua área, como a Uncut (música e cinema), Mojo (arquealogia Pop) ou Wire (vanguardas e outros poemas) - com as vantagens que ao comprarem estas revistas ganham um CD e não parece que estão a comprar uma revista com aquelas das tipas das telenovelas e afins. E se puderem ir a Espanha sempre podem comprar a Rockdelux, que ao menos tem na capa os Gnarls Barkley no número de Julho-Agosto. É que os nossos irmãos ibéricos sempre souberam copiar bem o que vêem, e é por isso que a revista "sofre" de "moderno" e "arejado" e oferece como "regalo" um CD porreiro: Trojan: classic Jamaican sounds since 1968 (Trojan / PIAS Spain / Sinedín / Rockdelux; 2006) com Ibon Errazkin (um espanholito, ex-Le Mans e outros projectos), como "selector".
Não é porque tudo o que vêm de fora seja melhor mas que a parolada anacrónica tem de ser denunciada tal como as atrocidades dos infiéis norte-americanos e israelitas, lá isso tem!
quinta-feira, 27 de julho de 2006
Amiguitos do deserto
Friends of Dean Martinez: "Atardecer" (Knitting Factory; 1998)
«- Why did you bought that?
- Because it was cheap.»
Monty Python
Na Feira Laica, comprei este disco por ser barato (custou 1€ no expositor dos produtos culturais em segunda mão... o disco pertencia a um certo Escroque!) e por ser da Knitting Factory. De resto não tinha a mínima ideia o que poderia soar. E realmente pode haver alguma sorte nesta irracionalidade - mesmo que isto faça lembrar um excelente sketch dos Monty Python que expõe ao ridículo a adqusição de coisas só porque são baratas.
À primeira faixa ainda não se percebe bem se vou apanhar com experimentalismo Free ou algo parecido mas já no segundo tema, Ethchlorvynol, apercebo-me que comprei uma daquelas merdas de Alt-Country ou Tex-Mex ou Western-Sparghetti ou Americana ou isso. No entanto em registo meramente instrumental, há mais que um mero sentido melódico linear ou folclórico. Há Bossa Nova em Otra vez (4ª tema), pitadas de Tiki ou Lounge aqui e acolá, graças às guitarras que abragem o acústico, o eléctrico e o psicadélico-espacial em vários pesos e medidas, mas também ao uso de theremin, harmónicas e mais outros tantos instrumentos que (re)criam o calor do deserto - Ennio Morricone seria a boa referência mas também a mais óbvia - e talvez por isso que o título "Atardecer" seja realmente o conceito (ou a imagem) para rotular este disco. É música para ouvir ao fim de tarde depois do dia "caliente"... Ao lado, uma Cuba Libre ou uma bebida mais sofisticada ma no tropo.
O Escroque vai-se arrepender de ter despachado isto a um Euro!
Qualidade numérica: 4/5 Objectivo pós-audição: guardar e ouvir nos momentos de descanso pequeno-burguês...
Ist Deutsche Hip Hop, Mann!
Keilerkopf: "Dreimannmensch" (Motor Music / Universal; 2001)
Admito que uma das razões do meu gradual desinteresse pelo Entulho Informativo deve-se ao facto de passar mais tempo a ouvir música que não gosto como os cineMierda do que os CD's e K7's que gosto. É que isto de escrever para uma revista tem alguma responsabilidade e por isso por mais merdoso que fosse um disco, escutava (demasiadas) vezes à procura de alguma justificação para dizer que o disco tinha razão de existir ou de um tema (só um tema!) que fosse fixe.
Mas não desperdiçava o meu tempo só com os "CD's promocionais", também com as compras selvagens como esta que escrevo hoje. Este CD é mais um caso de estupidez consumista, comprei a um atrofiado luso-germânico nas Fantasias de Natal naquela do que-sa-foda-é-Natal-e-é-barato. A coisa não é muito mázinha embora a capa seja xunga (desenhada por um tal de Per Elbke), o tipo que mo vendeu disse que era "Hip-Hop marado" mas o que ele queria dizer é que era "Crossover" - de beats porreiros com guitarradas metalizadas, com umas pintas de foleiradas sinfónicas do pior Rammstein -, um sucedâneo de Clawfinger (em alemão!). Neu Metal*? Alguns temas tem alguma potência mas nada que um tipo fique agarrado, também há sensibilidade Pop (em alemão para principiantes) tão interessante como duas moscas a copularem. Porquê é que escrevo sobre eles? Não sei, talvez porque o "mau" fica mais rapidamente na cabeça do que o "bom" - acho que todos nós temos músicas pimbas que gostaríamos de eliminar da nossa memória. A mediocridade é mais estimulante sabe-se lá porquê. Neste caso, intelectualmente percebo que não há aqui nada de novo ou de muito estimulante mas o facto de ter um produção profissional que se torna orelhuda. O facto de ser cantado em alemão (não percebo quase nada) ajuda o produto a tornar-se exótico q.b - imagino que estes tipos devem ter coisas tão interessantes para dizer como os Limp Bizkit ou os Slipknot. Assim as letras não chateiam e a voz reduz-se a um "som instrumental". Kein Problem!
Qualidade numérica: 2,6/5 Objectivo pós-audição: dia 7 de Setembro na Festa de Troca de Discos no Espaço!
* pronunciar "nói métale" ;)quarta-feira, 26 de julho de 2006
Illbient é um abuso...
Valis 1: "Destruction of syntax" (Subharmonic; 1995)
"Illbient" é um daqueles nomes porreiros que se criou para um género de música ambiental que seja "cerebral", ou melhor "doentia". Quem a denominou foi malta das "vanguardas" Dub e do Hip-Hop nos meados dos anos 90 do século passado - o wikipedia acusa DJ Olive dessa paternidade. Apesar de ser um nome catita esqueceram-se que "ambientes doentios" há muitos, e nisso a Electrónica e o Industrial desde os 60/70 já nos tinham toneladas de música insana, enervante e "dark". O Illbient não assusta nem enerva dado à acessibilidade "dançante" (do ritmo gingão do Hip-Hop) e até diria que relaxa - se calhar sou eu que sou um depressivo de primeira.
Seja como for, tal como tinha prometido aqui, eis-me a escrever sobre este projecto que saca (homenegeia?) o título do grande livro "Valis" do mestre PKD. O disco é comissariado pelo ubíquo / dono-de-mil-projectos Bill Laswell e reúne cromos conhecidos deste (sub)género: DJ Spooky, DXT, Corporal Blossom, Jungle Brothers (que só são creditados por JB), Spectre, DJ Olive, We e Automaton que participam todos com músicas que comunham uma viagem negra pela urbe norte-americana e até pelo orientalismo exótico. Longe de qualquer susto, ouve-se bem tal é a fantasia que nos envolve os beats e samples. Tenho de fumar uma ganza para perceber melhor isto...
Qualidade numérica: 4/5 Objectivo pós-audição: guardar até apanhar o próximo disco do Bill Laswell ou de Corporal Blossom - este último tem aqui as melhores (três) faixas do disco...
terça-feira, 25 de julho de 2006
DEA report 4
E se o Samizdata Club se apresentou como um espaço ultracultural de confronto e experimentação artística e social incentivado por um colectivo de editoras discográficas, bd, produtores (...) que decidiram dar resposta a lacunas existentes no panorama artístico nacional através de sinergias e parcerias, de forma a criar uma efectiva rede de disseminação de informação por canais alternativos então tal tem realmente acontecido. Já vai na sua 8ª edição (e a segunda fora de Lisboa) e continua a mostrar que, mais importante do que as vendas nas bancas ou outros motivos materialistas, é o facto que consegue fazer com que pessoas amantes de uma cultura alternativa (expressão que uso para designar uma cultura que fuja do espectáculo pirotécnico dos mass-media) se encontrem num espaço para se conhecerem. Mesmo fora do seu habitual raio de acção - Lisboa e a Caixa Económica Operária - tal tem sucedido, como aliás aconteceu no excelente espaço que é o "estaleiro cultural" Velha-a-Branca. Há copos, há concertos, há festa e há bancas com produtos culturais. Não há forma de enganar sobre o sucesso deste evento - e o sucesso nunca poderia ser pirotécnico, claro está...Longe das (suas) bases habituais foram lançados novas edições tão variadas como livros (Lucrécia de Rafael Dioníso pela Chili Com Carne), zines (Belo Cadáver da Imprensa Canalha - que fez também o cirúrgico cartaz) e
discos, nomeadamente "Blot og Mono Middagshvil" (Thisco + Fonoteca de Lisboa; 2006) de Tore H. Boe e Anla Courtis. Apesar dos seus enormes currículos - especialmente a postura artística do primeiro que criou uma "República Virtual Artística" (vejam o link!) - o disco, um CD-EP de 20 e tal minutos e 16 faixas, parece mais um "CD-sampler de sons" do que uma obra per se. Constituído por ruídos ambientais, industriais, experimentais, e outros "ais" com cada faixa com pouco mais de 1 minuto, ficamos com a sensação que cada faixa é uma peça criada para ser um fragmento que dificilmente conseguirá associar-se aos outros. Não que isso seja mau mas também não empolga muito neste caso. [3; Festa de Troca de Discos... deve ser fixe para remisturar algo]
A cena "live" desta vez (e mais uma vez) foi com Sci fi Industries mas num "versus" com o bracarense Tatsumaki. Correu bem. Tatsumaki é mais dado a "barulhos electrónicos" o que coincidia bem com os ritmos de Sci Fi. O espectáculo foi no maravilhoso jardim da Velha-a-Branca tal como foi o resto da festa com o meu un-djing. Desta vez a experiência não foi lá muito interessante ao contrário das outras anteriores em espaços frondosos (como foram as duas tardes na Estufa Fria durante o Salão Lisboa 2005). Ou era a maquinaria que estava marada por causa das configurações anteriores do "live-act" que foderam completamente o som de Brujeria e Godflesh, ou era a ausência de reacções do público - sentado num jardim quando o que tinha era um "set" mais para um espaço fechado e para dançar. Por erros de comunicação com a organização do "estaleiro cultural" nunca pensei que ficaria no jardim... Ainda assim houve um freak que gostou dos Reagges e um grupo de pessoas numa mesa riram-se com as versões foleiras de Richard Cheese a Nirvana («this one is for the ladies... Rape me») e Radiohead.Inesperado o encontro de um tipo que conhecia o Filipe dos I.M.M. (Industrial Metal Machine), uma banda de Braga cujo o nome rotula completamente o som. Era um trio com muito power & groove que infelizmente só gravaram meia dúzia de temas espalhados no segundo volume d'À sombra de Deus (CM de Braga, 1994) e Change your oil (Garagem; 1996). Foi daqueles tipos que conheci através dos zines e que nunca vi in loco, apesar de ter trocado zines e CD's por correio durante algum tempo. Acompanhei e divulguei o seu trabalho (underground) após o fim dos I.M.M. - a Chili Com Carne chegou a fazer um vídeo-clip do Mutate & Survive para SIC Radical com banda sonora da banda. Não sei bem porquê mas perdi o contacto do Filipe nos últimos dois anos e de repente aparece um tipo a dizer que me conhecia por causa dele, dos meus zines e isso tudo... fiquei a saber que tinham um novo projecto - esse tipo também fez parte dos I.M.M. ou percebi mal? o gajo estava com uma jarda e eu para lá caminhava. Trocamos galhardetes e eis o link para os Slate Machine - que estão virados para o Electro como poderão perceber depois de os ouvir.
Por fim, mais um caso de anormalidade cósmica, finalmente conheci - depois de 10 anos de correspondência zinista bilateral - o António Silva, gestor do "estaleiro". O seu trabalho, dedicação e profissionalismo estão à vista, a julgar pelo que pude desfrutar nesta visita. Obrigado por tudo!
sábado, 22 de julho de 2006
sábado, 15 de julho de 2006
domingo, 9 de julho de 2006
DEA report on "Inguine @ Lx com unDJ GoldenShower || CREW HASSAN"
Ontem à noite, inaugurou a exposição Cartografia da Máfia italiana: bandas desenhadas pelo colectivo Inguine no espaço Crew Hassan, onde estiveram presentes os editores Gianluca Costantini e Elettra Stamboulis. Uma exposição de prints de várias bd's deste colectivo. Antes, durante a tarde na Bedeteca de Lisboa inaugurou uma exposição intitulada Banda Desenhada política: esboços sobre a realidade por Gianluca Costantini mais interessante por estar mais acessivel no que diz respeito à língua (está em inglês) e mais coerente por ser uma individual. Seja como for, é de se ver as duas exposições para entrar em contacto com o trabalho deste colectivo italiano, Inguine.O chato foi o que aconteceu ontem no Crew Hassan, quando se pretendeu fazer a projecção de filmes de animação do colectivo - bem como a suposta "festa-convívio" que deveria ter aqui o vosso infame un-dj GoldenShower. A desorganização deste espaço foi brutal. Primeiro, marcaram uma festas com o "piple eramus" com mais um DJ ou quer dizer que iria só pôr uma hora de som quando deveria fazé-lo a "noite inteira"... portanto decidi que só iria passar um CD qualquer para criar ambiente. Mas o universo é irónico e o mundo dá muitas voltas. Haviam 15 filmes de animação para passar e o leitor DVD, em selecção manual, não permitia ver todos os filmes de uma vez, e pior, não permitia saltar de filme para filme. Do comando do leitor ninguém sabia, o outro leitor de DVD não lê CD's copiados, o portátil "desapareceu". Enfim, uma tristeza por uma situação idêntica de projecção de filmes de um CD-Rom já tinha acontecido anteriormente e apesar da organização do Crew Hassan terem o CD dos filmes há uma semana não se lembraram de fazerem a "coisa como deve ser"! Bem à 'tuga, lá se sacou o PC do escritório, com o irmão-muçulmano-mariachi Pepedelrey a dar uma valente ajuda - obrigado, amigo!
Mas não havia saída de som dos filmes! Problemas com os cabos aúdio e o projector... E quem vai fazer de "banda-sonora"? Eu, com 4 CD's que tinha trazido por mero acaso - ah! um dos discos só tinha a caixa!!! Para passá-los, tinha só um leitor de CD's que nem dá para ver os números das faixas nem a duração!
E sabem o que mais? Correu incrivelmente bem... Começou com várias músicas de Dub-Hip-Hop-Industrial dos Techno Animal, curiosamente um dos filmes usava uma música desta banda (Bio.HAZARDUS de Paper Resistance, minimalab e Manfred Regen). Especialmente bem esgalhadas (é bom conhecer os nossos discos de uma ponta à outra!) as músicas Freak fucker e The Western lands (faixa de um projecto orientado por Bill Laswell em que se ouve W.S. Burroughs e Iggy Pop a recitarem textos), esta última no Un giorno a mio fratello è scoppiato un piede (de Gianluca Costantini e Leonardo Guardigli).Muda-se de CD (silêncio de 10 segundos e aproveitando o fim de um filme) e por acaso era uma colectânea, o sampler CD #41 da revista gótica Elegy (não se riam comprei por curiosidade!) e que permitiu várias "bandas sonoras" sincronizadas com as estéticas dos filmes. Desde o ínicio com Backstabber dos Dresden Dolls, passando prás agressões dos Ministry e Alec Empire (acompanhados por umas imagens Gore q.b) saltando para lameciches do Gary Numan com o tema In a dark place. Outro momento bem sacado foi com Die Seherin de Orphid e Cthlhu Dawn de Flint Glass para um filme extremamente lento e descritivo (sobre experiências animais). Na faixa de Orphid (na onda do gótico
operático bufo para não dizer outra coisa!) ouvia-se uma voz feminina a cantar em alemão - alguém gritou "pá, música em alemão, hoje não!". Isto porque Portugal perdeu com a Alemanha no Mundial... por mim era mais uma razão para ouvirem som germánico porque odeio a merda do futebol! Heil! Para acabar o CD, o melhor da rodela, a agressividade Noise dos Whitehouse e o tema Dumping the fucking rubbish.Para acabar a performance nesta noite de som que se prolongou mais do que o (mal)programado da organização, mudei para o último CD, cheio de Dub de Valis 1, Destruction of syntax (Subharmonic; 1995), outro projecto orientado por Laswell e que brevemente farei uma resenha neste blogue.
De forma geral e dadas às condições técnicas nojentas, (muita) modéstia à parte, não tive mal e devo ter tido uma sorte divina. Gostei da experiência - tal como já tinha tido um cheirinho com a noite dos Le Dernier Cri no extinto Lx Café. Mais (e más?) experiências no Crew Hassan é que não. Em Agosto estarão quase fechados e não haverá uma sessão de Troca de Discos, adiada assim para o primeiro Domingo de Setembro. Poderá ser a última vez neste espaço se a desorganização e as más condições técnicas se manterem. Que venham as férias primeiro!
Espero que o Gianluca e Electra tenham gostado, fiz o melhor possível!
PS - pelos vistos devem ter gostado caso contrário não tinham colocado nada no seu blogue.
segunda-feira, 3 de julho de 2006
DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || CREW HASSAN"
Aproveitando o facto de não estar ninguém e eu não ter uma aparelhagem para ouvir discos em vinil (que porra de DJ serei eu?). Ouvi o single "Master-piece" (7" '04?; Cock Energy / Buriedinhell) dos Knife Thru Head, preenchido num lado com 3 temas Crust fodido com saxofone em clima psicótico, orgiático e escatológico e do outro lado uma versão ao vivo de "I want your sex" do George Michael (celebrando o facto de Georgios Kyriacos Panayiotou ter sido apanhado a tentar mexer em pilinhas alheias numa casa-de-banho pública em 1998). Alta energia brutal, estes tipos! Mesmo quando estava misturado com Spies under Von Magnet influence (Cinetiks + Celestial Dragon + Thisco; 2006). O culpado de eu ter este pedaço de depravação foi o Mister Mike Diana que mo enviou recentemente da terra de Satanás. O single tem uma capa desenhada pelo próprio! [4,1; mesmo sem aparelhagem vale a pena ficar por causa da capa do Mike D.]
E quando já estava bem chateado, apareceu o Renas (do Crew Hassan) que trocou Junkie XL por um CD dos Mighty Mighty Bosstones - urrraaaa!!! Claro que não conhecendo "Pay attention" (Island Def Jam / Universal; 2000) passei a faixa 6 e deu logo para concluir que estava perante um belo pedaço de merda Ska norte-americano mas fiquei feliz em ter trocado algo... Por acaso não há nada mais irritante como este Rock mal-amanhado misturado com metais roubados ao Ska (ou será o contrário? Ska mal-amanhado com guitarras roubadas ao Rock?) e toda esta falsa boa-disposição e boa-onda de parolos brancos - há lá um preto, é certo mas deve ser parvo por se meter com sete brancos parolos. Nem é carne nem é peixe, pelo menos o Ska americano tem um sabor terrível de falsidade que não consigo descrever ou então são estes veteranos da cena que não me convencem. [2; pronto para a próxima festa de discos ou então ofereço ao camarada Pirata]
segunda-feira, 26 de junho de 2006
[cut'n'paste text rmx]
Structura: "[w.06>03. fase 2]" (CD-R'06; auto-edição)
Qualidade numérica: CD-R que remistura vários temas na carreira de 3 anos dos Structura, colectivo de Thisco, Base, Mimi Records mas também inéditos. . Ainda assim feito de estética Glitch não impede de ter "partes" - embora tenha de admitir que a única vez que os vi não gostei... (nunca antes foi tão bem aplicado esta palavra numa resenha crítica, não acham?) 4/5 melódicas - ou pela voz quase sempre passiva que recita poesia (de Bernardo Soares entre outros) ou pela participação de M-Pex com a sua guitarra portuguesa no tema "Jahilyiah". Recorrentes da improvisação electrónica em que sobretudo o "live-act" é o meio mais propício para se apreciar a sua música Antologia de temas espalhados em colectâneas da música electrónica fragmentada que cola com bastante interesse o IDM (Intelligent Dance Music) ao spoken-word
Objectivo pós-audição: Ofereço a quem conseguir reconstruir a resenha.
Dica da Semana
Acid da Semana (CD-R'06; Marvelous Tone / Ástato CDR)
Com uma capa em que trocam o logotipo do jornal Dica da semana por "Acid da semana" não poderia ser uma coisa má... mas infelizmente este CD-R de 4 faixas (cerca de 20 minutos) não é assim tão surpreendente como isso. Vagueia pelas explorações instrumentais "ácidas" da música de dança, todo em tom panilasinho ("Vamos roubar fruta") tirando o último tema, "Improv" que suspeito (pelo título) que se trata realmente de uma improvisação - talvez ao vivo? - em que já há Tekno barulhento e mais orgánico (por ser ao vivo?).
Ainda assim, parabéns aos editores que depois do primeiro volume do Kix Shake continuam-nos a impressionar com a dinámica da cena portuense de música electrónica funcional. E pela capa em serigrafia - fica realmente com outro aspecto uma edição nesta técnica de impressão!
Qualidade numérica: 3,2/5 Objectivo pós-audição: Para a Festa de Troca de Discos, passar a "Improv".
sábado, 24 de junho de 2006
OSAMAsecretLOVERS || BAR DO BAIRRO
domingo, 18 de junho de 2006
Suffocated by Semen
Autopsy Protocol (CD'02; Brain Infection)The heading of this "post" drawee to the Holocausto scholars Cannibal, is more or less as I feel myself after hearing this Autopsy Protocol (that the friend Pablo of Hills Bar gave to me to know *). I walked years to say that of Spain beyond "nor good wind nor good marriage" (lie, taste very of the Spaniard) still for top (this yes) they did not have skill bands. During years I heard each bosta was in the areas of the Rock, Indie, Goth and in the Death Metal what I heard he was even bad! Yes, Death Metal that had to be a thing that nobody could fail given to the cacophony yet they did!
E now, appraises me this Autopsy Protocol with its Gaba-Noise, Grind Iconoclash and everything what it would be normal to make in the times of today with the technology that exists - already they had repaired that although terms all access the sonorous technology, we use all in the same way, or either, for harmonious sounds, calm and melódicos? Well these types not, beats Tekno, Death guitars Metal, Black voices Metal (also), samples of popular sounds, noise and more noise because detrás of that likeable aspect of the machines they can be esventradas and to show to its vísceras of pipes, wires and Chips.**
Qualidade numérica: 4,3/5 Objectivo pós-audição: para passar no Industrial XXX e festas Breakcore!!!
*Obrigado! Ele é que fazia anos e quem levou com uma (bela) prenda fui eu!!!
**Obrigado Babelfish por translating meu text de Portuguese to esta shit!
sexta-feira, 16 de junho de 2006
Festa da Lucrécia com unDJ GoldenShower || COLINAS BAR (Branca / Albergaria-a-Velha)
No piso de baixo é a Festa da Lucrécia com lançamento branquense de "Lucrécia" (5º volume da Colecção CCC), (anti)romance de Rafael Dionísio; som por unDJ Goldenshower e Feira de Zines e Discos organizada pela Associção Chili Com Carne. Começa às 22h.No piso de cima há metalada com um concerto dos Grimlet e Skeptik (entrada: 3€ c/ bebida oferta), às 23h. Como poderão aperceber pelo belo cartaz ao lado.









