sábado, 21 de outubro de 2006
Fotos de Satélite sobre a inauguração da Laica no Espaço
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Vómito negro
Nigga Poison: "Resistentes" (Very Deep / Som Livre; 2006)
Foi a faixa destes niggas na colectânea Poesia Urbana (Horizontal; 2004) que me fizeram comprar o álbum de estreia - apesar de já conhecer o CD-EP Podia Ser «Mi» (edição de autor; 2001). Na colectânea, o seu tema metia as outras 12 participações num canto, tal era a misturada hiper-energética de HipHop, Ragga, Kuduro, quase a roçar para um Punk Digital - cena marada mesmo! No furor dessa descoberta atirei-me a estes Resistentes sem pensar... e... desilusão! Problema nº1, antes demais parece uma caderneta de cromos invés de um álbum: há HipHop francês, há Reggae, há Dancehall, há R'N'B, há HipHop (claro, é uma banda de HipHop) ora old school ora new school... Ou melhor: há uma faixa de HipHop francês (Julgado pela aparência), há uma ou duas de Reggae (Fazes parte deste mundo com uma participação dos nojentos Terrakota), há uma de R'n'B (a pior do disco: Onde é que estas?), há uma faixa de HipHop a lembrar a barulheira dos Public Enemy (Alas ta ben, o melhor do disco?), há uma faixa de Kuduro (Yes man - esta é que é a melhor do disco mas longe da tal da Poesia Urbana, infelizmente esta é mais básica), etc... ou seja, a lógica é de ir a todas sem arriscar fundir os géneros - como fizeram, novamente, na tal música da Poesia Urbana - e por isso sem inovar um milímetro. O álbum é mau por isso? Não, há obviamente música boa e bem produzida, cantada/rapada em crioulo (efeito porreiro de se ouvir em qualquer receptor de lusofonia) como também há momentos para esquecer para sempre. O que não se percebe é como não há um direcção, uma ideia para não serem mais uns no meio da música portuguesa. Numa altura que Buraka Som Sistema provou - finalmente! - que há um nicho de mercado para música africana ou luso-africana, é estranho os Nigga virarem-se para o Reggae (que já deve ter os seus dias contados enquanto moda) ou para a "MTV".
Como o camarada Seringa uma vez escreveu, em Portugal quando saí um disco de um som que tenha estado na moda vêm sempre com 5 anos de atraso e geralmente é uma merda. Acho que Portugal já diminuiu esse parâmetro para 2 anos e já não é uma merda total. Mais uma geração e pode ser que a música feita neste país de coninhas seja qualquer coisa de jeito. Até lá ouvimos na faixa A Nós é real alguém a perguntar aos Nigga Poison «agora vocês andam a cantar comercial»... pois...
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
Por um punhado de selos
v/a: "Movimentos perpétuos : música para Carlos Paredes" (Universal; 2003)
É raro, mas mesmo raro, um artista popular português ainda estar vivo e receber uma homenagem em Portugal. Em 2003 fizeram-se uma série de iniciativas para homenagear Carlos Paredes, sob o nome Movimentos Perpétuos - título emprestado ao segundo álbum de estúdio do guitarrista, Movimento Perpétuo (Columbia, 1971) - mesmo a tempo de reconhecer de vez a importância deste músico (*). Uma das muitas iniciativas foi este disco-duplo de homenagem com 20 temas de Paredes revistos por outros 20 artistas seleccionados por Henrique Amaro da Antena 3.
O produto é bem executado, bem gravado e inteligente pelos vários cruzamentos de gerações e abordagens musicais: HipHop, Electrónica, Jazz, música de câmara... infelizmente não consigo deixar de achar que muitas das abordagens são limitadas e sem grandes riscos. Tudo é melancólico - apanágio idiota de ser português e da guitarra portuguesa - em que se salva o Ensemble J.E.R. (creditado como José Eduardo Rocha) e os Gaiteiros de Lisboa - curiosamente separados por serem os últimos do alinhamento do primeiro disco e os primeiros da segunda rodela - cujo uso de instrumentos pouco convencionais provocam aquela excelente reacção de aversão-que-se-estranha-e-logo-entranha-se. De resto, é impossível achar alguma ponta de interesse às "soundtracks" pirosas de Rodrigo Leão, aos cosmopolitismos fanhosos das Mísias, a grande treta western-sparghetti dos Dead Combo (ainda não tinham gravado os álbuns e já tinham cunha para homenagear os grandes), os arfares símios de Maria João, as mudanças mal-executadas de Lupanar (se não têm unhas para tocar o que pretendem, então vão aprender seus porkos!), ... no geral quase se cria um clima de beleza artificial para inglês ver - por acaso o HipHop e Electrónica de Sam the Kid, Bullet e Shelter Av. safam-se mais do que possam parecer à primeira audição. Maldita melancolia e saudade! Se é para assim prefiro não ser português! Então porque raios faço eu com um disco destes? Bem, a história até tem a sua piada, troquei com um tipo que conheci pela 'net que queria comprar selos. Lembrei-me que tinha uma colecção quando era puto e como estava a "apodrecer" decidi despachá-la para esse tipo - só fiquei com os selos do Zaire (onde passei parte da infância), mais um da URSS (fabuloso selo vermelhão com dois astronautas!), alguns de Portugal, um de Itália e de Espanha porque estes selos fazem parte do meu ADN visual-emocional. Em troca de cerca de 300 selos recebi isto...
(*) passados 3 anos, o site www.movimentosperpetuos.com já foi à vida, curiosamente e infelizmente...
Qualidade numérica: 3,8/5 Objectivo pós-audição: trocar por moedas nazis?
unDJ GoldenShower || Laica no ESPAÇO
Inauguração de exposição temática colectiva sobre GUERRA CIVIL PORTUGUESA : CENÁRIOS (patente até 1 Nov.) e AMPHIBIA, individual de André Lemos (até 15 Nov.).Banca de zines e edição independente da Chili Com Carne
Pintura mural com José Feitor
unDJ GoldenShower
Inauguração às 19h.
Entrada livre.
domingo, 15 de outubro de 2006
Ghana Soundz 2
publicada na revista pdf Sonic Scope Quarterly (Grain of Sound; Nov'06) e I know Mohammed is u're bitch one-nite-zine (An Others Thinking Productions; Dez'06)
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || ESPAÇO"
Ontem, lá foi mais uma sessão de Troca de Discos no Espaço... Correu bem, misturas bem sucedidas apesar do equipamento continuar a ser uma manhosice. Apareceram menos pessoas - embora já haja habituées - o que quer dizer a dada altura os discos começaram a escassear.
Passei discos de Residents, Merzbow com World Music do piorio, B-52's, Keilerkopf, Flugschädel, Tore H. Boe & Anla Courtis, Eminem, Die Haut, Acid da semana, Ltd Noise, Carnival in Coal, Hugo Montenegro, Nigga Poison (um sucesso!), Sun Dial, de EBM xungão, a colectânea Drum'n'Ass misturada com End, Electro, o Acid Jazz chato de Courtney Pine com o Noise de DSM666... Uma miscelânea que resulta de forma inesperada.
O disco dos The Advantage voltou à base - que tinha trocado na outra sessão pelos Therapy? - e troquei, em absoluto desesperado de não ter mais discos, muitos discos de Chill Out (um nodjo New Age o Woob2 "4495" (em:t; 1995) ou um disco de remisturas Trance dos Pink Floyd) e de Metal - o título da colectânea Metal Ostentation I (Sound Riot; 2000) revela bem o desespero... «Ostentation»? «Ostentation»? Não pode ser... - de Celestial Season (Soft Doom à My Dying Bride) e Edge of Sanity (Death). Tirando o "Poison pen" (Música Alternativa; 2002) dos norte-americanos The Nerve Meter, que me impingiram como Rock Gótico, que na realidade está no cruzamento Nick Cave, Tom Waits, David Bowie e Tindersticks, foi um belo monte de banhadas que apanhei nesta sessão. Muito obrigado, sr. Gama! ;)
Até dia 2 de Novembro...
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Asia dumping
A primeira, Essential Asian Flavas - The Future Cutz (Outcaste; 2003), tem como conceito o alerta da recente revisitação da música indiana Bhangra por produtores modernos de música electrónica funcional. Em 2003 foi uma moda a música indiana (tradicional ou de Bollywood) aliada à electrónica e "urban music" (conceito imbecil de chamar à música de dança ou ligada à essência negra norte-americana: Soul, R'n'B, HipHop, Ragga, etc...) mas que teve pouca dura enquanto moda - como qualquer moda diga-se. Na verdade as mestiçagens "Pop-Etno-Techno" ainda estão todas para descobrir pelo mundo fora a julgar pelas recentes excitações da Favela Funk ou do Kuduru - como se costuma dizer, os pobres dançam melhor! Tirando a remistura do execrável Craig David, na totalidade existe um bom gosto no disco não esquecendo que este é um disco de "moda", ou seja, tem um travo a futilidade e superficialidade. Há na essência moldes Hip Hop e Drum'n'Bass a serem usados sem nunca ter resultados extravagantes, tal como o pioneiro desta escola chic-freak Nitin Sawhney nunca conseguiu ultrapassar a mediocridade - ou tal como o recente disco Riyaz que ficou pelo caminho. Nada de horripilante - tirando a faixa de Craig David - sendo o melhor do CD, a faixa Taakre de Tigerstyle com Bikram Singh: há um tipo a rapar sabe-se lá o quê em indiano, há ritmo HipHop aliado à percursão indiana, bem como se ouve tiros e explosões... gangsta-punjabi-style? Mee like! [3,4; Taakre fará sucesso na Troca de Discos! ]
Yellow Peril (Deas Blind Dumb School; 2003) são dois CD's. O plimeilo são cantos tladicionais mongóis e o segundo são as lemisturas Digital Haldcole (do plimeilo?). Qual deles é que assusta mais? O plimeilo talvez pelo hollol que é ouvil este étnico vocal plimitivo e dulo... o que calalho estalão eles pala ali a gemel? Selá sobre o Genghis Khan? Sobre o tellor que é assitil a uma sessão do Paltido Comunista? Talvez um musicólogo ou qualquel fleak da wolld music deve achal muita glaça a estes cinquenta e tlês minutos de oh-oh-ah-a-a-a-a-a-a, pala mim é agonia pula. Venha o segundo CD... que é outlo tellol mas mais ambientado ao século XXI: Bleackcole (Bokusatsu Shoujo koubou, Panda Twin, DopeCoala), Dub Industlial (mizobolg, 貞治一改, Tang Yi-Hu), Noise (豐, 烏爾善 張陽), Teknoise (Dead J, dolly a.k.a. method0013, B6), Japanoise (Koji Kanaya), electlónica extlema, poltanto... mistulada de plodutoles chineses, japoneses e ali da álea a pegalem na matélia-plima do plimeilo disco para melholal aquilo. Dance as fuck! [2,5+4=6,5 6,5/2=3,25; o 2º CD é pelfeito pala festas balulhentas!]
terça-feira, 26 de setembro de 2006
Finland non-stop
Mais uma vez é referido desde início o famoso Tango finlandês, que em 2004 (numa primeira visita ao país) tinha-me passado ao lado. Na visita deste ano consegui comprar uma compilação bastante elucidativa deste transgénico musical, trata-se do primeiro volume de “Finnischer Tango / Tule Tanssimaan” (Trikont; 1998) lançado por uma editora alemã bastante interessante e merecedora de mais investigações para quem tiver curiosidades noutros quadrantes geo-musicais. É um
CD digipack acompanhado por um livrinho bilingue (em alemão e inglês) que explica este fenómeno bem como a razão da selecção das 24 faixas da rodela. Selecção essa que engloba um período enorme entre 1915 e 1998, ou seja, entre a primeira gravação de tango finlandês e o ano de lançamento da antologia. Assim temos uma visão abrangente deste estilo musical que engloba o galã da cena que caiu em desgraça (ou o Frank Sinatra da Finlândia ou o Elvis do Tango finlandês… ou se gostarem também desta: a Amália do Tango finlandês) Olavi Virta (1915-1972), o enfant terrible que tantos escândalos artísticos produziu nos anos 60 M.A. Numminen que aqui canta um Tango em alemão (WAS!?) satirizando o parlamento e os jovens estudantes de 68 que para se mostrarem prás garinas fingiam saber ler Karl Marx na língua original (oh-oh-oh), ou ainda Brita Koivunen que misturava Tango com Pop (Twist/Yé-yé) em 1966, num período de decadência do género. Foi aliás, esta mistura de Pop/Rock (música urbana e sofisticada do sul da Finlândia - a capital, Helsínquia fica no sul...) com o Tango (música rural e tradicional, popular sobretudo no Norte) que revivesceu o Tango finlandês até chegar aos dias de hoje como a coisa mais natural naquele país nórdico, ao lado da Sauna & do Ski. Há dezenas de figuras para comentar (poetas que morreram bêbados, artistas populares a mugirem o País das Fadas, bandas rock a amplificarem os instrumentos) mas creio que os três artistas atrás referidos já servem de referência para se perceber a riqueza desta música, e sobretudo para se perceber que este Tango nórdico não é apenas uma brincadeira ou mera bizarria musical sem consequência. [4,5; para ouvir nos dias quentes do Inverno e nos frios do Verão]
Avançando no tempo e na estética Pop temos “Softwood Music / Under slow pillars” (Poko; 1989) o último álbum dos Sielun Veljet que é uma freaknhice… foi pela capa do peruano Pablo Amaringo que peguei no CD e foi por ser em segunda mão e barato que o comprei - a mistura fatal de um coleccionador de música. Pelo que percebi das páginas que consultei – 99% delas nessa língua acessível a 5 milhões de pessoas no mundo - a banda existiu entre 1983 e 1992 e deveria soar aos Red Hot Chili Peppers mas mais xamãnicos (mas menos xamãnicos que o Amaringo de certeza!) como nos diz este link. Para mim isto soa antes aos Crash Test Dummies depois de terem tomado mucho ácido, man. Não querendo ser mauzinho porque o raio do disco não é mau também, é com agrado que vamos encontrar violinos amargos, djambés de THC, guitarra acústica (claro) e também guitarra com um feedback bem esgalhado, letras relevantes do "misticismo de cevada" dos seus criadores cantadas em inglês - creio que terá sido o único álbum cantado em inglês por estes “Irmãos da Alma”. Por fim, diria que até soa aos Akron/Family e ao neo-folk psicadélico que tanto está na moda nos dias de hoje. [3,9; quem sabe um dia vá parar às Trocas de Discos] E já que há Sinatras da Finlândia então a Bad Vugum (e a sua continuação BV2) é a Ipecac da Finlândia! Podem achar exagerada a comparação mas se considerarmos que este país tem metade da nossa população ou que a Ipecac age a nível global (até tem andado a namorar os nórdicos como o noruegês Kaada ou os islandeses Ghostigital) então é mesmo impressionante assistir ao facto que esta editora - a mais importante "indie" da Finlândia - lança a melhor música do seu país, capaz de competir com a melhor música do mundo por aí a fora. Dos divertidos Aavikko a Läjä Äijälä (o criador do Hardcore finlandês) até aos Rockers pós-modernos Cleaning Women, o único defeito a apontar à BV2 (e se insistir numa comparação directa à Ipecac) será do design, que apesar de não ser mau não é tão ambicioso como a música dos projectos editados. Das minhas recentes adquisições "bad-vugumescas" eis:
Chainsmoker tem "Stations" (2003) como o segundo álbum (desconheço o primeiro) e tocam uma electrónica orgánica com cheiros de Rock, Jazz, House, Funk, Dub a trilhar os caminhos já trilhados pelos Sofa Surfers ou os New Order - ou até dos Stone Roses na última música, Leave Tunis now - mas não chega a ser "um mero sucedâneo". [4; porreiro para passar num bar]
Kontackto (DJ de uns tais Kaucas) com "Kasperi Laine & Kummitusorkesteri" (2004) é a outra face da "electrónica orgánica" dos Chainsmoker, ou seja, carrega mais nas facetas Jazz e Dub e afasta o pézinho de dança para ambientes negros, quase psicadélicos e fantasmagóricos (kummitu significa fantasma), estando mais próximo de um TripHop-Glitch que liberta sons fragmentados ao longo das composições. Também lembra os sufocos dos Sofa Surfers sem envergonhar. [4; idem]
Os Phuzy estreiam-se com "Sightseeing" (2003), um mini-CD só de 17m e 5 músicas mas nervoso e energético. Desde do início os Soul Coughing serão a referência desta banda - pela voz e pelos ritmos quebrados - e essa marca ficará presa nos próximos temas mesmo quando eles exploram para outras coordenadas como Reggae e Ska, sempre fundidas com uma boa dose de "ruído branco". Também poderemos encontrar outras equivalências à banda como por exemplo, Urban Dance Squad, Primitive Reason ou Pitchshifter. Bom som! [4; para festinhas serve bem]
Os Ronskibiitti é a primeira aposta em HipHop pela BV2, o que nos deixa logo de "pé-atrás" - que monstro sairá daqui? Mas "Eipä Kestä" (2006) como bem indica é Hip Hop em finlandês, o que não seria um problema se o Rap não fosse em finlandês. Por isso não percebo nada do que dizem - a não ser que soa a italiano (!) e que poderá ser uma cena divertida. Que rimem com as longas palavras finlandesas como «Jossullonjotainsanottavaa» que para nós é nos igual. A produção (instrumental) não é má mas também não é muito original. Na realidade o que se percebe deste disco é que o HipHop/Rap é, actualmente, a grande arma da música moderna contra a Globalização porque, doa a quem doer, a língua materna é recuperada para o circo Pop. A França é prova viva disso há muitos anos. Portugal, Espanha, Cuba, Angola são mais exemplos e agora também podem por o Suomi na lista... [3,5?; Trocää dii Diisqui]
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
domingo, 10 de setembro de 2006
DEA report 5
CD's de Rasal.a.sad, Residents, Therapy? (o seu melhor álbum, Nurse), Eminem, Courtney Pine, Ltd. Noise, Flugschädel, Random, e ainda mais umas colectâneas de World Music e Drum'n'Ass (sic) foram o (meu) resultado da última sessão de Troca de Discos no Espaço. De destacar os Flugschädel e o seu álbum homónimo (D.D.R. / Plattenmeister; 1995), que troquei com um puto por um CD dos Mighty Mighty Bosstones. Sem data de produção, informação mínima na 'net (e a pouca em alemão!) ficamos a saber que este grupo é definido como Dada-Metal. Dão uso a sons industriais, guitarras metálicas e batidas HipHop. Não é tão extravagante como estas definições possam parecer mas que é estranho o suficiente para se sobresair do lote de CD's trocados. Na essência soa a Metal electrónico na senda de [f.e.v.e.r.] ou Whores of Babylon ou ainda a algum "Magic Mushroom Metal" das bandas da Prophecy Productions (nos fins meados dos anos 90) mas esta banda é mais massacrante pelos samples de voz que debitam tretas germánicas e ligeiramente mais free. É até um bocado pateta. [3,8; até dia 5 de Outubro poderei perceber se ficarei com isto ou não...]Houve bastantes trocas entre o DJ e o público (e talvez entre o público também, não sei...) o que se pode concluir que a sessão correu bastante bem, com público novo a aderir e alguns convertidos à causa. Ainda, o CD ao vivo dos Die Haut voltou à "base" - foi trocado numa sessão de Fevereiro - e finalmente livrei-me dos Novalis (não queiram conhecer) e Carlos Santana (sem comentários!).
A Thisco trouxe a sua última edição, Future Comparative Ethnic Research presents Riyaz Master (Thisco + Fonoteca de Lisboa; 2006), projecto de Sigmoon (dos Von Magnet) com trabalhos de Servovalve, Black Sifichi, Mimetic & Data Senses, DEF, Negative Stencil, Emgine, Sylvatica, Safatly, Wild Shores, Dr Dilip & Ricco Bass, TNO entre outros a explorarem uma "drum machine" criada na Índia. O resultado parece mais "clean" do que é habitual numa edição da Thisco e pouco ousada a nível de resultado. Em relação à primeira "acusação" não é muito preocupante uma vez que esta editora já nos habituou a um ecletismo de propostas passando pela electrónica funcional, ambiental, experimental, Japanoise e música neo-clássica. A segunda parte da questão é que parece mais pertinente fazer porque quase não se ouve esse "novo e exótico" instrumento. Há passagens de música que se identifica como indiana (ou como a conhecemos) mas quase toda a composição é virada para o Ocidente sem nos deparamo-nos com nenhuma espécie de conflito estético entre mundos digno de referência. Algumas das faixas mais funcionais até resultam numa banalidade terrível como a de Supermatik, que soa a Electro-House mas estaria a ser injusto se não disser que este disco é mais do que isso. A provar os bons momentos desta colectânea, destaco a faixa fantasmagórica de C-drik. [3,7; guardarei até aparecer + resultados dessa máquina]
quinta-feira, 7 de setembro de 2006
Troca de Discos com unDJ GoldenShower || ESPAÇO
No Espaço, cada primeira Quinta-Feira do mês: Troca de Discos com unDJ GoldenShower. A partir das 22h. Entrada livre.
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
flkgjoretrlkt'0lth-ghjhghjghjjhjhj
Caga-tacos, bicho-do-mato, xico-esperto, Maria-vai-com-elas, mete-nojo, copinho-de-leite, dito-cujo, arrota-postas-de-pescada, mangas-de-alpaca, bota-de-elástico, caixa-de-óculos, vira-casacas, troca-tintas, fura-vidas, gato-pingado, limpa-fundos, pé-descalço, cão-com-pulgas, cu-de-chumbo, cara-de-cu-à-paisana, picha-mole, barrote-queimado, cona-de-sabão, porco-sujo, ...
... seguido de uma lista de malta fixe: Activists, addicts, aliens, amoebas, amphibians, anarchists, androids, angels, animals, annelids, anthropoids, arachnids, assassins, athletes, b-girls, babies, barbarians, beachbums, beasts, beatniks, bigots, bigwigs, bikers, bimbos, birds, bitches, bodgies, bohemians, boozers, brutes, bugs, bullies, bunnies, capitalists, cannibals, casuals, celebs, centaurs, chicks, clones, clowns, clubbers, clubkids, cowboys, crazies, creatures, critters, crustaceans, crusties, cuckoos, cyberkids, cyberpunks, cyborgs, cyclops, darlings, deejays, degenerates, delinquents, demi-gods, demons, deviants, dinosaurs, divas, dolls, dragons, dwarves, echinoderms, elves, emcees, entities, extremists, fairies, fanatics, fashionistas, fiends, fishes, freaks, fugitives, funkateers, gangstas, gargoyles, gamblers, geeks, geishas, genies, geniuses, germs, ghouls, giants, glitterkids, gnomes, goblins, goddesses, goths, groupies, grungecats, guerillas, gypsies, heartbreakas, hippies, hitmans, hobnobbers, humanoids, hustlers, homies, hookers, hoodlums, hooligans, hos, housewives, idiots, idols, imps, insects, jocks, junkies, kooks, legends, lifemappers, losers, lunatics, magicians, maniacs, marsupials, martians, mammals, mavericks, mermaids, midgets, misfits, modsters, mollusks, monsters, mortals, munchkins, mutants, newagers, new romantics, nihilists, ninjas, nutcases, nymphs, oddballs, ogres, organisms, outcasts, parasites, pets, pimps, pioneers, pirates, pixies, planktons, plants, playas, playboys, preppies, primates, protozoans, punks, puppets, pushers, psychos, psychobillies, rapists, radicals, rascals, ravers, rastas, rebels, renegades, reptiles, robots, rockers, rodents, rogues, rookies, ruffians, sadists, scamps, schitzos, screwballs, sentients, serpents, shitkickas, showgirls, sidekicks, sinners, sirens, skateheads, skinheads, slackers, slobs, sluts, soldiers, sorcerers, soulboys, soulsistas, spacemen, spies, spirits, sportsmen, starlets, suedeheads, sugardaddies, surfies, superheroes, superstars, swines, tarts, technowhores, teddyboys, thugs, titans, tramps, teenyboppers, turntablists, urbanites, unicorns, wanderers, weasels, wireheads, witches, wizards, wrestlers, vampires, vandals, varmints, villains, viruses, visionaries, yuppies, zombies
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
Betos freaks
Tool: "10 000 days" (Tool Dissectional / Volcano / Zomba / Sony BMG; 2006)É uma banda com um carisma muito especial, que em 15 anos de carreira editou pouco mais que um EP e quatro álbuns (este é o quarto) e foram parar ao Topo do Mundo. Começando pelas malhas do "alternativo", cedo deram as voltas suficientes para que os rótulos não fossem suficientes - como Prog Rock ou Math Metal. E realmente até a Lateralus (Volcano; 2001), os Tool souberam reinventarem-se e baralhar o sistema. Não creio que suceda o mesmo com este 10 000 days que não sai das balizas já criadas em Ænima (Volcano; 1996) e Lateralus. O facto de a embalagem trazer duas lentes estereoscópicas (e imagens para ver sob a ilusão das lentes) será uma alusão aos mais de 10 000 olhos que lhes devem devorar à espera de um novo álbum que demorou 5 anos a sair?
Talvez, a fama tem o seu preço mesmo quando os 4 tipos da banda possam ser íntegros e isso tudo, é natural que teria de aparecer um álbum menos inspirado. Quase tudo o que aqui ouvimos é previsível no universo Tool. Ainda assim, logo o primeiro tema, Vicarious - sobre o "gozo" de vermos violência nos media - é daquelas faixas imediatamente viciantes com uma letra forte. Em contra-partida temos Lipan conjunring (uma "faixa-intermezzo") irritante tal é a freakalhice de índio de reserva. Ao longo de longos 75 minutos de abuso formal sobre a capacidade de armazenamento de música num Disco Compacto, vai havendo altos e baixos no álbum, e sobretudo percebemos que aquilo que os Tool nos habituavam como "experimentais" foi completamente abandonado mesmo tendo o Lustmord (SPK e outros mil projectos) numa das faixas. Com tanto djambé e repetição de tiques Rock normalizados (na senda da chachada-lamechas que são os paralelos A Perfect Circle) deveria reduzir-se a importância da banda no panorama actual...
Qualidade numérica: 3,5/5 Objectivo pós-audição: guardar para curtir as lentes que oferecem na embalagem
domingo, 20 de agosto de 2006
DEA report ou "Fest No More (ou ainda A Noite dos Maricas)"

Ia fazer 33 anos e achei que devia ver os Cramps uma vez na vida - já que ainda por cima perdi-os 2 vezes, uma Lisboa e noutra em Berlim. A espectiva era enorme e apesar do concerto não ter sido o melhor do mundo, não fiquei completamente desiludido. Sem tocarem os «gravest hits» do passado ao menos ainda revelam força para "continuar" - ao contrário dos Bauhaus que revelam um cansaço de banda que não tem mais nada para oferecer, que insiste no comeback bacoco e com um Peter Murphy já careca no alto da cabeça. Também chocante foi o ar de bicha acabada do Lux Interior com um loiro oxigenado horroroso. O homem já não tem a voz libidinosa e animalesca da juventude nem podia partir o palco porque não eram a banda do final do festival. Ainda assim, o som estava límpido, o fuzz estava lá todo, os solos da Poison Ivy eram perfeitos. Devia ter assaltado uma velhinha para ter ido à 9 anos ao concerto em Lisboa... paciência, já posso dizer que os vi, iupi! E também já posso dizer que não me quero meter mais nestes festivais de verão. É caro, a comida é aquela merda, são imprevisíveis os atrofios com público e com o clima, é apanhar com muitas bandas-banhadas...
Este ano foi chuva torrencial e de bandas manhosas. Tirando os !!! e os Selfish Cunt (no palco after-hours) tudo foi aborrecido neste último dia do festival. Os primeiros foram um oásis depois de ter apanhado com uma banda-banhada sueca Popinha até ao tutano - nem vi os espanhóis que eram a primeira banda da tarde («de Espanha nem bom vento nem bom casamento» nem boas bandas) - e aquela merda portuguesa com o Zé Pedro dos Xutos a cantar (quem foi o imbecil que se lembrou disto?). Isto para dizer que só poderíamos querer algo mexido e dançável e foi o que aconteceu, os !!! provaram ser melhores em palco do que em disco, apesar de achar que os tipos são demasiado brancos para aguentar o P-funk que se propõem tocar - arranjem uns Blacks do Funk ou do Hip-hop e isso resolve-se.Os Selfish Cunt é uma espécie de "Rollins Band meets Oscar Wilde", banda queercore potente, de composições fortes e um vocalista em cuequinha e lingerie de mulher com um sotaque cockney saído da sarjeta inglesa mais imunda. Desafiador, animal de palco Rock, não parou um segundo - com os tiques todos de maricas - e foi a melhor banda da noite. Depois disso, ou durante se preferirem, a chuvada conseguiu encharcar os presentes até ao tutano. Para isto não vale a pena ir aos festivais de verão... Mas, e se vierem os Butthole Surfers? Ou os Beastie Boys? Ou os Type O Negative? pufff...











