quarta-feira, 2 de abril de 2014

Robocopo III



Por acaso tem havido ultimamente uma revisão da história belga do Pop / Rock e a chegar-se à conclusão que havia muita electrónica por aquele país. Os Front 242 já são velhinhos, começaram em 1981, mas ainda hoje se consegue ouvir a sua discografia sem parecer anacrónica ou desactualizada - aliás, como poderia se no século XXI tudo é "re-actualizado"?

Se nos primeiros registos a banda ainda soa bastante a Kraftwerk mas com um sentimento mais Dark, pouco a pouco, eles próprios irão cunhar o termo "electronic body music" (EBM) para justificar esta música que não pretendia ser um "computer love" dos alemães mas algo mais orgánico, homo-erótico e militar - o que sempre lhe deu para receber extrema direita como público. É curioso que a extrema-direita nunca percebeu o fundo homossexual dos fascistas mas sempre podemos pensar que é a nossa derradeira vingança, quando um neo-nazi é violado pelo seu colega-de-armas, não? Foram-te ao cu porque és ignorante, meu facho de merda!

Claro que a banda queria alertar justamente para o contrário e talvez Front by Front (Red Rhino Europe; 1988) lembra que Hakim Bey afirmou que vivemos "uma cultura do chui" - ler um dos capítulos do livro Zona Autónoma Temporária (Frenesi; 2000). Ou seja, mais que um Big Brother, a cultura da TV e do Cinema adoptou a figura do bófia como a personagem principal, justamente para nos doutrinar. A ideia é que passamos a pensar que os bófias são pessoas como todos nós - alguns bons, outros maus, com problemas e falhas como tu e eu. O que é uma aberração porque estes "seres humanos" optaram por serem cães de guarda do sistema, pessoas com autoridade, poder e com licença para matar. Mas voltando ao disco, temas como Circling Overland ou Headhunter (foi um "hit" na altura) tem essa mesma ressonância de vigilância e perseguição, uma adrenalina de quem detem poder. Ora, esse poder cega-nos e é hiper-energético para a pista de dança, algo robótico mas com uma pulsão humana, como o Robocop. É música para mexer-mos com um robot em pane mas com capacidade para improvisar passos de dança cibernéticos inesperados.

O futuro era pessimista em 1988, mal sabia-se que o Muro de Berlim iria cair no ano seguinte e que o capitalismo iria vencer o código binário que se vivia. No entanto outro código binário iria reger a banda em 1993 quando lançam 06:21:03:11 Up Evil (RRE / PIAS) seguido de outro CD irmão (será antes irmã pela quantidade vozes femininas?) mas que prefiro nem falar de tão diferente que é da carreira dos F242 (realmente, vozes femininas em F242 é estranho). Sobre "Up Evil" falo eu bem até porque foi o disco que me iniciou à banda - soa a paneleiro isto! O inimigo já não são os comunas mas o mundo árabe, patente com os acontecimentos como a primeira guerra do Golfo e os genocídios na ex-Jugoslávia. Não é à toa que a estação de propaganda norte-americana Radio Free Europe / Radio Liberty se tenha virado para os países muçulmanos depois do fim do comunismo. Por isso que o Diabo anda sempre à espreita neste(s) álbum(ns) a começar pelos títulos e capas. Este que vos escrevo é o álbum mais físico da carreira dos F242, ao mesmo tempo que a sua componente dançante tem maneirismos da grande festa Techno. Estamos nos "90s", o Diabo que fez-nos mexer as ancas já se expandiu por todo o espectro musical. '93 é pós-Industrial (o Rock Industrial só espera por Nine Inch Nails para entrar no Top 10) e é pós-Rave, a alma já se vendeu à máquina e a tecnologia inunda o disco com uma quantidade maníaca de sinais electrónicos que fazem mantas de texturas sonoras inacreditáveis. A produção é ruídosa como era muita do género dessa altura - Ministry ou Skinny Puppy, com as suas devidas distâncias. Este disco é um monstro imoral que até o seu tema mais forte chama-se Religion! A banda passado 10 anos deve ter deixado algumas máquinas pesadas e anacrónicas para trás e metido-se em "softwares" novos, não se deixando dormir para uma concorrência lixada da altura como The Orb ou The Prodigy.

Só 10 anos depois de Up Evil é que aparece um novo álbum de originais, Pulse (XII Bis), que mostra que a banda não estava morta, muito antes pelo contrário, estava melhor do que nunca - e passam-se mais 10 anos sem que este disco seja batido. Geralmente queixo-me dos discos que ultrapassem os 60 minutos de música não é o caso deste que começa com uma festa Techno e vai subindo e descendo em ambientes e humores. Os melhores são mesmo os maus-humores, as músicas da depressão cheias de dramatismo de telenovela "teen" - na realidade uma pessoa nunca cresce. Os F242 aproveitam o "state of the art" atingido pela tecnologia e pelos próprios para encher o disco de Glitches e texturas sintéticas fazendo dele um caleidoscópio "emo-digital", obrigatório para quem gosta de electrónica, quer venera ou não antigos heróis e pioneiros. E realmente, a única coisa negativa desta banda a apontar é que deve ter sido a que infelizmente mais influenciou TOCs a fazerem música...

sábado, 8 de março de 2014

Vou tentar dizer mal deste álbum...



Secret Chiefs 3 : Book of Souls : Folio A (Web of Mimicry; 2013)

Queria escrever que este álbum não é tão bom como os outros... E que aquela ideia do Spruance dividir os SC3 em outras 6 ou 7 sub-bandas não resulta porque cada vez mais elas soam iguais entre si - comparando com o primeiro volume desta trilogia, Book of Horizons (Web of Mimicry; 2004), quando ele começou esse conceito, as bandas tinham muito mais definição... Queria também escrever que numa altura que ninguém compra CDs, o "artwork" deste disco é feio e que se o mentor deste projecto diz que gosta de esoterismo, a julgar pela informação que coloca no livrinho do CD parece-me pouco profundo e até naíve. Enfim, o gajo é norte-americano, como poderia fazer algo esotérico num país que abateu os índios e vive pró dollar? Mas aí está, é norte-americano, sabe entreter e o disco just grows on you!
Rendição!
Como viram, tentei rejeitar o disco mas de audição em audição, os poucos 39 minutos levam a repetições infinitas e cada vez mais o álbum vai-se mostrando bonito. As fronteiras estão expostas daquilo que é SC3, ou seja, música oriental a rodos, o habitual Surf Death Metal, banda sonora de "gialo" existente ou não (por acaso até faz uma versão de um tema do Halloween de Carpenter), colagens cabotinas e canções Pop vintage - surpresa Mike Patton aparece neste disco em registo Mondo Cane, ou seja, volta a trabalhar com Spruance depois de anos de arrufos, numa versão de uma fantástica canção de Jacques Brel.
Nada de novo no horizonte, trata-se do aperfeiçoamento das fórmulas do som da banda. Os fãs até se queixam que muitos destes temas já sairam em singles nos últimos 9 anos entre os álbuns de originais desta trilogia que já agora chama-se Book of Truth. Ainda assim, apesar disto tudo, acreditem!, continua a ser da música mais excitante do planeta para se ouvir como novidade editorial. Também se pode dizer que o disco que fizeram com composições de John Zorn será a perfeição das fusões estílisticas dos SC3, só que este disco continua a ser bom, ponto.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Remexer no lixo

A Matéria-Prima fechou as portas em Lisboa no final de Janeiro como anunciei aqui. Fui lá comprar em promoções alguns discos, curiosamente todos caiem de uma forma ou de outra na repropriação / remix / re-qualquer-coisa.

Começo por um clássico que nem sabia que existia... Christian Marclay, que pelos vistos bate o John Oswald que era a minha referência para quem rouba e manipula a música de outros, na verdadeira atitude "plunderphonics". Este artista suiço-americano pelos vistos desde os anos 70 que faz destas coisas, trabalha música com o gira-discos como instrumento, em paralelo com a malta do Hip Hop - o que mostra que as ideias podem tanto fluir num tipo com educação universitário como como no "guetho". No caso de Marclay até é um bocado mais radical porque também trabalha os próprios vinis para além do gira-discos. Como se pode saber pelas notas de More Encores (ReR; 1997) na faixa de John Cage, ele chega a pegar em vários discos deste compositor, corta pedaços e colá-os fazendo um novo disco (literalmente). As faixas deste CD (originalmente lançado como um vinil de 10" em 1988) têm os títulos dos músicos que Marclay manipulou mas apesar de tudo não os descontextualiza, por isso John Zorn ou Fred Frith continuam a soar a "aliens" do Free, ou Martin Denny a sonhos exóticos... Talvez o caso mais radical será o de Jimi Hendrix que soa mais a uma fritaria feita em estúdio pelos Butthole Surfers do que Hendrix per se. Fruto de masturbação é Marclay manipular o seu próprio trabalho na última faixa. You know, artists...

V/VM diz-vos alguma coisa? Não!? James Leyland Kirby? Não!? E que tal The Caretaker? Ahhh... pois! Antes da moda dos termos "Hypnagogic Pop" e "Hauntology", especialmente neste último caso em que The Caretaker é o seu expoente máximo, o tipo fez parte da linha da frente da "música indefenivel" que explodiu especialmente após o myspace.com (teoria do Gamão dos Traumático Desmame). Se o Punk aproveitou a fotocopiadora e a k7 para cortar de vez os cordões umbilicais da cultura que tinha de ser feita sob um acordo social qualquer, com a Internet, ou melhor, a web.2 essa atitude popularizou-se ainda mais porque qualquer um pode publicar (no sentido de se expor e não no sentido tradicional de edição física) a merda que quiser. E quando escrevo "merda" não é para armar-me em escritor mal-criado que diz "merda" para dar estilo. Não senhor! É MERDA mesmo! Ao início ainda chamavam a este tipo de música de Noise mas como o Noise ainda assim era uma estrutura intelectual com gente séria (alguns até vinham da Direita) o termo não era suficiente. No máximo apanhou-se a vaga do "Mash Up" para rotular "isto". O pessoal já que fazia o que lhe apetecia, então porque também não se livrar dos espartilhos comuns e criar os seus próprios termos musicais? Talvez foi isso que fez aparecer o "shitcore" (ah pois!) ou "chungwave" (lá pra Braga). Pelo planeta deve haver milhares de pessoas a fazer esta música não muito séria, que usa tudo o que tem há mão, do Techno ao Grind, do Hip Hop à Pop, para gozar e desconstruir o que existe. É que existe muita merda para reciclar por aí - basta olhar para a capa deste disco, It's Fan-Dabi-Dozi! (V/Vm Test‎ ; 2003). A V/Vm (editora) ou o V/Vm (artista) lançou singles, mini-CDs, CDs duplos (como é o caso deste), enfim todos os formatos possíveis, com V/VM ao leme, ou usando mil pseudónimos, ou com artistas na mesma onda. Nesta compilação vale tudo: Noise como é o caso de Cock ESP, o Porno Hop dos Suicidal Rap Orgy, músicas "cartoonescas" do Gorse, Breakcore de Toecutter, versões adulteradas e estupidificadas de Stevie Wonder, Whitney Houston (com a Kevin Blenchdom) ou Bangles - o Eternal Flame com voz Death é o sonho de qualquer gajo que cresceu a ouvir a merda dos 80s. Obrigado Rank Sinatra! Divertido e desafiante, ouve-se como se estivessemos a ouvir rádio, uma rádio cujas ondas passaram pela retrete da Interzona, claro, ou cujo director da estação são os Negativland num dia mau.

Já agora aproveito para relembrar que por cá também tivemos coisas do género como foi a compilação Xupa (Useless Poorductions; 2007), verdadeira marmelada de lixo psicótico. Hum... isto até dá que pensar em duas teorias...

Uma delas tem haver com este senhor: Albert Kuvezin e a sua banda Yat-Kha e o disco Re-Covers (2005). O CD é um disco de versões de temas Pop, passando pelo mais emblemático do que há no Blues, Rock, Hard Rock, Reggae, Electrónica, easy-listening,... Por isso temos Led Zeppelin, Kraftwerk, Hank Williams, Joy Division, Motorhead, Paul Mauriat, Bob Marley, Rolling Stones transformados em folclore transiberiano porque os senhores são de Tuva, em que a técnica gutural de música mongol também se aplica por aqui.
De resto nada de novo no factor exótico. Quarteto de cordas a fazer versões de temas Metal? Já é velho. Easy listening de Grunge? Claro que sim... Êxitos Pop em estilo Bossa Nova? Nem comento. Já para já não falar do grande Richard Cheese ou do Señor Coconut... Se já se tornou prática comum a versão de um estilo musical por outro, ou de um lado do planeta para o outro, só nos resta - e isto é uma das teorias - que um dia esse mundo oculto do Pop anglo-saxónico comece mesmo a fazer "trash" (shitcore?) como o da V/VM. Essa será a grande descoberta nos próximos anos, quando alguém da Somália fizer uma versão toda fodida de um tema popular de lá ou coisa que o valha.

Outro mestre que transforma lixo em luxo é Jason Forrest. Lady Fantasy (Sonig; 2005) é um EP que vale a pena ter em vinil porque tem um tema extra no labo B. Apesar do susto inicial da primeira faixa levarnos para sítios meramente "indie" ao segundo tema arranca o Breakcore / IDM respingador de Disco e o que houver dos anos 70 para samplar, modificar, acrescentar beats Techno e o que for necessário para identificar a música como Jason Forrest.
O lado ou tema B é a confirmação do som Forrest mesmo que a samplagem vá ao Jazz com pinta de careta e o ritmo abrande para um "chill-cool" de bar da moda. No entanto é isso que a samplagem ou a música feita sobre outras musicas têm de vantagem. Melhorar o que foi feito para trás e torná-lo excitante. A caveira cristalizada é justamente a antítese do que Forrest, ou ainda Otto Von Schirach ou End, fazem. É o ataque ao museu que os marialvas dos Futuristas não tiveram coragem de o fazer.

E se o EP de Forrest é acolhido cá em casa com o prazer por ser em vinil, já IIron (Mego; 2011) de CoH tenho as minhas dúvidas. Nada contra a música, muito antes pelo contrário mas porque a música dele confunde-se tanto com os problemas de ouvir vinil (ou seja, o disco estar sujo e riscado) que foi difícil perceber se estava a ouvir bem a obra, para além da seca que é ter de virar o disco para ouvir duas músicas de cada vez - é uma chatice a edição de álbuns em vinil-duplo!
Com tempo e coragem lá fui conseguindo entrar neste universo de Glitch-Metal. CoH é russo e neste disco recupera (recicla? não é este o tema deste "post"?) alguns riffs de Heavy Metal que ele tocou nos anos 80 quando este género de música era proíbido na Rússia - que país merdoso, não acham? A melhor forma de pensar neste disco é pensar como os sunn0))) fariam um disco de música electrónica - a associação até é meio óbvia porque a capa do disco é de autoria de Stephen O'Malley! Uma lógica de música electrónica - quase numa veia de Techno minimal - percorre o disco mas invés de procurar fantasmas nas máquinas ou os seus erros electro-magnéticos e digitais (um cliché da música electrónica nos últimos 20 anos), CoH escolhe como matéria-prima o ruído da gravação e da riffagem metaleira para construir um mundo épico para máquinas gadelhudas. Ainda não percebi se é música para estar no sofá a imaginar decadências ou se é para estar numa pista de dança pós-industrial. Espero que tenha sido considerado um dos discos do ano de 2011!

Peraí, não faltava uma outra ideia ou teoria ou lá o que é? Ah sim, que isto do "shitcore" e do "noise" são estilos realmente estranhos de criticar porque desde logo assumem-se como algo "mau" ou "anti-música", ou que mostra que ou vivemos uma sociedade sem critérios ou que a Anarquia já chegou e não sabemos ainda. É curioso que o Noise tenha sido o género que mais se tem destacado neste novo milénio pós-web.02, ou seja, numa altura que a informação tende para ser horizontal. Sendo díficil criticar Noise e afins, deixa de haver críticos, ou seja menos um intermediário e uma relação de poder. Não sei se isto faz sentido mas tenho de me ir embora agora!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Banda sonora para Lisboa (neo-nazi mix)



The Ananda Shankar Experience and State of Bengal : Walking On (Realworld / Sony; 1999)

Tenho ouvido tanta gente a chamar de "monhé" ao Presidente António Costa, que por mais que ache que ele esteja a ser um pulha ao destruir as BLX e a Bedeteca de Lisboa (por ex.), ainda assim isso mete-me confusão e nojo que se queira humilhar alguém com tons racistas quando se pode chamar tanta tanta tanta tanta coisa como "grandacabrão" ou "borrego de merda". Caramba, por mais glamour que possa haver no calão norte-americano, o português pode ser mais diabólico!
Não sei porque escrevi o parágrafo anterior e o que isto tem haver com este CD comprado na Vandoma por 3 euros. De alguma forma esta música soa há algo ligado a esta nova falsidade de Lisboa (ruas pintadas de cor-de-rosa?) não viesse o álbum das produções da Real World, editora fundada por Peter Gabriel nos anos 90, dedicada à "world music", termo tonto que rejeitavam mas que ainda assim lhe davam um certo sentido plástico (acrílico?), limpinho e atinado na maior parte da música que editaram ou que editam.
Ananda Shakar (1942-1999) morreu logo a seguir à gravação deste disco que o juntou ao produtor State of Bengal (e aos seus recursos na música) num misto de música indiana com batidas electrónicas, sobretudo Hip Hop. Se há algo que o Hip Hop consegue fazer é juntar todo o tipo de música, seja ela Noise (ver o caso de Dälek) ou pirosismo World para bar de betos (Gotan Project, por ex.), por isso a união entre os dois artistas funciona. Não só dois mundos que se fundem aqui, a começar porque Shankar desde os 60 já era um embaixador da aproximação das músicas orientais e ocidentais - vale a pena ouvir a sua versão de Light My Fire dos Doors - mas também porque junta dois tempos, um do mundo antigo com um moderno e electrónico. No final, a misturada dá um "Funk com caril", e isto não é uma ofensa, muito antes pelo contrário, mas também é verdade que há um lado que soa a falso, fabricado, sem densidade e demasiado ocidentalizado. Há no disco uma vontade de encher o espaço todo com som, algumas batidas são a mais ou algumas baterias são desinteressantes, enfim, como Lisboa em 2014... É isso, que quer criar cosmopolitismos à força para turistas, espezinhando o cosmopolitismo que já existia mas que era feita à porta fechada e de forma orgánica. Não que este disco seja tão mau como isso mas Lisboa também não é tão boa como a querem vender...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Pica-miolos

Eis uma k7 comprada em Angoulême, não uma qualquer porque sei lá o que eram as outras que andavam por lá... Um gajo joga pelo seguro, ora bem: 1) é da Finlândia, 2) da Lal Lal Lal e 3) do Roope Eronen disfarçado de Nuslux! Ah! e Custou 3 euros apenas! E o desenho é do Eronen! Impossível de falhar!
E realmente, mesmo sendo música feita com sintetizadores (a grande panca da música finlandesa!) em modo de ensaio, há algo de catita nestas gravações de arquivos - a k7 chama-se Archives C (2013). Começa um bocado mal com um pica-miolos que mais parece um bébé-robot a gemer por bytes-de-leite mas depois uma inocência pateta de "drones" prolongam-se pela fita magnética como se estivessemos a ouvir uma música de jogo de computador para crianças. Lado B o ambiente muda, passamos para banda sonora de Carpenter. É música perfeita para guiar um carro enquanto chove a potes. Genial e simples como as BDs do autor!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mitomania - a escolha dos nossos dias!

Marte & Miguel Falcato no Mesinha de Cabeceira #7 (1994)
 

Loverboy na Feira das Vanessas
por
Marte, João Fazenda, Jorge Coelho
e ainda António Kiala, Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato, Nuno Nobre, Pedro Brito, Rui Gamito e unDJ GoldenShower

Capa a cores, 16 páginas a 2 cores (16,5x23 cm) e 32 a preto e branco (A5). Edição da Chili Com Carne, 7º volume da Mercantologia, colecção que recupera material perdido do mundo dos fanzines. Design de Joana Pires; Capa e fotos de olhos(«Ä»)zumbir realizadas no estúdio da União Artística do Trancão e em Sede Adres, com apoio à produção de xoscx e Adres. Bonecos realizados por Miguel Rocha e Alex Gozblau para a exposição "Loverboy Store: Liquidação Total" no Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2001, na Cordoaria Nacional.

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Este volume trata-se de uma compilação de “raridades” relacionadas com a série Loverboy que não foram publicadas nos três livros pela Polvo entre 1998 e 2001. Encontramos a reedição da “origem” da personagem em BDs ainda desenhadas por Marte – relembramos que os livros foram escritos por ele e desenhados por João Fazenda - e publicadas originalmente no zine Mesinha de Cabeceira entre 1993 e 1995. Participações em outros zines (Amo-te), antologias (a seminal Mutate & Survive) e revistas como a 20 Anos (oito BDs desenhadas por Fazenda), em alguns casos com as participações de outros ilustradores como Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato e Rui Gamito. Algum “fan-art” de Pedro Brito, Jorge Coelho e Nuno Nobre (que fez um comic-book nos EUA sobre a Angeline Jolie!!!). São mostradas ainda curiosidades como os bonecos das capas, que foram feitos para uma exposição no Salão Lisboa 2001.

São mostradas ainda apropriações das personagens por Marcos Farrajota (em Noitadas, Deprês e Bubas) ou na série Psycho Whip - série de BD de unDJ GoldenShower (a) e Jorge Coelho (d) para a revista de música gótica-industrial Elegy Ibérica.

A história da série é contada por António Kiala, um académico que foi fundador do Mesinha de Cabeceira, que é bastante mais crítico e interessante que o material reunido, analizando o processo desta edição e da forma como a cultura DIY se vulgarizou na mitomania.

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O livro está à venda no site da Chili Com CarneFábrica Features, Trem Azul, Feira do Livro de Poesia e BDMundo Fantasma, BdMania, Matéria-Prima, Abysmo, Artes & LetrasKingpin BooksPó dos Livros, UtopiaLetra Livre e LAC.

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Feedback: olha já li o Loverboy, boy!! tá muita bom, gostei do todo. o fanzine do interior marca pontos, gostei bastante de rever o traço do Fazenda, o Coelho desenha mesmo pra c...(deviam ter continuado com a cena do Psycho Whip!!) curto bué a história do coquinado, a da descoberta da punheta e claro a do taxista impotente. como sou fã do Loverboy desde as minhas primeiras borbulhas no nariz,devo dizer-te que é me praticamente impossivel falar mal do Loverboy mesmo sabendo que ele é uma má companhia... tanto o Loverboy,o Astarot e o Leonardo, são personagens muito bem construidas, com vida própria e estão de tal maneira interligadas que me é impossivel dizer de qual gosto mais, mas uma coisa é certa sempre achei a irmã do Loverboy sexy... ps - tão importante como as histórias e o desenho é o texto do Kiala que nos mostra o percurso por trás das histórias, são 20 anos parabéns!! David Campos ... Parece que é para os amigos, esta edição. Está entre o "muito cuidado" e o "foi o que se arranjou!". Parece que o caderninho do meio vai dar umas luzes, mas nunca se percebe a) o que é a Feira das Vanessas (Amadora??) e b) onde é que vai dar a história da 2ª parte! Fiquei com curiosidade com as páginas a cores do Fazenda que foram todas filtradas a vermelho. De qualquer forma, tá fixe... o Fazenda e o Coelho sempre são "profissionais" com as respectivas afectações, com o Coelho a fazer umas cores incrivelmente esgalhadas para o que está em causa. Melhor mesmo é o caderninho interior e as suas bds "péssimas" que achei ainda melhores que o resto. Inusitada a ideia do Loverboy nunca fechar o negócio, mas tem graça (nunca li nenhum livro - espero que isso continue com o personagem). O Marte, duvido que exista, mas desejo-lhe boa sorte no refúgio ultramontano que arranjou. Há algumas bocas à cena dos zines que me parecem pertinentes e actuais, e o resto, lido como posta "de época", também se sai bem! Pode ser que um doutoramento parasita redima tudo isto. Astromanta

domingo, 26 de janeiro de 2014

Músicas do regime



v/a : The songs they sing (RCA; 1978)

O Camarada Fom Fom gosta de me testar os limites musicais do mau gosto. E só para me foder arranja-me discos que não lembra ao Diabo. É o caso deste LP da Namibia que em 1978 ainda estava sobre protecção da África do Sul - o país só obteve independência em 1990. A capa e fotografias interiores mostram militares de ambos as cores de pele, um negro e dois pulas mesmo com aquela cara de anormal deslavada de quem veio da Holanda ou Inglaterra para procriar mongoloídes. O disco deve querer mostrar integração racial no regime, nem que fosse na tropa mas cheira a propaganda grosseira se pensarmos que o Apartheid esteve vigente até 1994.
E a música? Muzak étnico  que não tem o mínimo elán de outras "coolonialismos". Aliás, o disco começa bastante mal, com uma música Pop assim para escuteiro tocar na fogueira, ou melhor, para o soldado raso lamber as feridas depois de ter violado uma gazela ou uma criança africana que para ele era o mesmo.
Por cá temos o Fado mais forte do que nunca...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

P: Quanto Valem os Devo? R: Valem 1 Euro



Devo : Q: Are we not men? A: We are Devo! (Virgin; 1978)

Isto porque o Dr. Uránio (responsável pelas capas dos dois últimos números do Mesinha de Cabeceira) vendeu-me o disco a um Euro. E assim sim vale a pena ouvir o primeiro álbum de uma banda que acredita na "involução" ("devolution" em inglês) da espécie humana e assumiu esse conceito para os media que criou. Menos interessantes que os Talking Heads e menos misteriosos que os Residents, o som soa mesmo aquilo que se denominou de New Wave - os ritmos do baixo educados pela Jamaica, os orgãos incluídos num formato Rock/Pop, as guitarras nervosinhas do Punk. São o template do género cheio de energia que mais tarde os imitadores não conseguirão captar, provando que afinal é possível existir involução, pelo menos na cultura.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Luís Trindade : "Genealogia da Música Popular Universalizada" (Contraponto; 1984)

Lá vou descobrindo alguma bibliografia editada em Portugal sobre música Pop / Rock. O título engana quem pensa que vai ter uma árvore genealógica do Rock até 1984. A verdade é que o livro devia-se chamar Grande Música Negra (ops! já existia!) ou Rock dos Escravos : Uma disertação sobre a Escravatura e Segregação Racial Norte-Americana como origem da Música Popular do Século XX ou Não haveria Beatles sem Negros torturados : Tese Académica sobre as origens do Jazz e Rock. Mas não... Ficou este título meio-enganador que não chega ao Punk nem ao Dub - nem poderia porque seria fora do contexto da tese escrita em 1980. Pouco há a dizer a não ser que comprei este interessante livro naquele mercado de livros na Rua da Achieta e o exemplar pertencia ao Rafael Toral. Até ele se fartou do texto académico (sinónimo de chato em espiral), pelos vistos nem em 1984 sabiam que uma tese académica tem de ser revista e transformada noutro discurso para ser um livro comercial paras pessoas "normais".

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Terminal city



Terminal 11 : Illegal Nervous Habits (Cock Rock Disco; 2005)

Pois é a Matéria Prima em Lisboa vai fechar! Alguns já devem saber mas nunca é tarde de chamar a atenção que Lisboa não é só uma cidade desinteressante como é uma capital desinteressada... Não é porque "já não se vendem discos" porque boas lojas de discos continuam haver em qualquer capital europeia. É mesmo porque esta cidade tem sido destruída para ser um resort de hoteis e hostels que trazem turismo que vem aproveitar o sol, a cerveja barata e onde o facto que ainda se pode fumar nos bares... A oferta cultural rege-se por pequenas resistências aqui e acolá mas que não são capazes de ter uma estratégia comum. O espaço de eleição, o Bairro Alto, degradou-se nos últimos 15 anos para os betos bêbados, que continuam a reproduzir-se como coelhos e já tomaram de assalto o Cais do Sodré com a benção de empresas de imobiliárias e da Câmara que até deixa pintar o pavimento de cor-de-rosa - como um bom popular disse "mas agora o Cais do Sodré é para os paneleiros?" Homofobias à parte, o senhor tinha razão, havia regras de ouro em Lisboa. Sítios que eram só para certas pessoas mas agora tudo é para todos num descabido Big Brother, tudo serve para fotografar e colocar no facebook imeditamente, servindo de controlo policial jamais sonhado por qualquer ditador. Estamos em 2014, atrasados 30 anos da distopia de Orwell mas finalmente chegamos lá!
O que vale é a Matéria Prima continua no Porto e até ao final do mês está a fazer promoções nos discos para livrar stock, do tipo um disco terá um desconto de menos 10% do preço normal, 2 a 20%, 3 a 30 e 4 discos fica em 40%!!! Tenho de ir lá! Entretanto lembrei-me que tenho para aqui a última compra que fiz há alguns meses e que me parece agora adequada para resenha. Trata-se o segundo disco da editora de Jason Forrest, e o terceiro disco do artista norte-americano Terminal 11 (que merda de nome) que pratica um som que faz média entre o IDM e o Breakcore. Glitches a rodos são ordenados a ponto de não ser Noise ou música para bater mal da cabeça, embora seja sentimos sempre um nervosismo em todo o disco que impede de ser usado para dançar. A produção é bastante limpa embora seja óbvio que a matéria-prima seja lixo (pop?) alheio (quase de certeza mas é irreconhecível) a lembrar algo do catálogo da Warp. Nada de inovador por aqui mas é um álbum que mexe com o lado esquerdo do cérebro enquanto a parte direita responde a e-mails chatos...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

CENAS QUE realmente CURTI em 2013



1. Die Antwoord : Ten$ion (Zef / Downtown; 2012)
2. Martín Lòpez Lam : Parte de todo esto (De Ponent)
3. Francisco Sousa Lobo : O Desenhador Defunto (Chili Com Carne) + Toma lá 500 paus e faz uma BD!
4. Simon Reynolds : Retromania : Pop Culture's Addiction to its Own Past (Faber and Faber; 2011)
5. Greil Marcus : Marcas de Baton : uma história secreta do século vinte (Frenesi; 2000)
6. Otto Von Schirach no Milhões de Festa + Supermeng (Monkey Town; 2012)
7. Ghunagangh ao vivo no VI Matanças (Casa Viva, 22 Dez)
8. The Bug singles pela Acid Ragga
9. Berliac : Playground (Ediciones Valientes)
10. Rui Eduardo Paes : "a" maiúsculo com círculo à volta (Chili Com Carne + Thisco)
11. Ursula K. Le Guin : Os Despojados - Uma Utopia Ambígua (Europa-América; 1983)
12. Xavier Löwenthal, Ilan Manouach : Metakatz (5éme Couche)
13. Amanda Baeza : Our Library (Mini Kuš! #13) + Nubles de Talco (Bombas para Desayunar)
14. Ocelot Kid
15. Sektor 304 + Le Syndicat : Geometry Of Chromonium Skin (Rotorelief)
16. Jucifer no Festival Ramboia + за волгой для нас земли нет (Mutants of the Monster)
17. Mikhaïl Bulgákov : Coração de Cão (Estúdios Cor; 198_)
18. Brian Eno

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ácido na perereca



The Bug : Ganja baby / Diss mi army + Hardcore Lover (Acid Ragga / Ninja Tune; 2012-13)

O ano passado o The Bug, sem dúvida dos melhores projectos musicais deste milénio, criou um selo editorial para lançar três singles, intitulado Acid Ragga. Não sendo um coleccionador e taradinho completista, por acaso tenho um orgulho de ter arranjado dois deles. Dancehall maldito a feder catinga e canhões de ganza, as quatro músicas cumprem a função "single" que é, toca a mudar de lado ou toca a repetir a malha porque ainda não estou enjoado de ouvir isto! Quem não sabe quem é the Bug que procure e que fique parvo a dançar ou tripar com a sua música!
De resto, os singles são verdadeiras obras de arte, vinilo amarelo-doença com os gráficos mais "sick sick sick" possíveis vindo do inglês Simon Fowler (Hardcore Lover) e da japonesa Kiki Hitomi (Ganja Baby) que também participa no projecto King Midas Sound onde se encontra The Bug....

Gracias Ghuna X e Jucifer por estas prendas!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Evil metaL


Fiz uma BD de 5 páginas uma antologia da Stripburger, cujo tema era o "Trabalho" mas não aceitaram porque não descobriram a ligação com o tema, sendo que a BD é um pequeno ensaio sobre o "underground" e a questão do dinheiro / estrutura social, usando ainda o Festival de Metal de Barroselas como pano de fundo.

Felizmente gostaram a BD e prometeram publicar num número normal da revista, que entretanto saiu!

É o número 62 e inclui alguns autores que recomendo como a dupla francesa Rupert & Mullot, sem dúvida a melhor coisa que aconteceu por aquelas bandas nos últimos 10 anos; e os suecos Gunnar Lundkvist (que fez a capa, além de ter uma BD e uma entrevista) e Lars Sjunnesson que já deveriam conhecer em Portugal pelas antologias Mutate & Survive, QuadradoNicotina'zine e as exposições no Salão Lisboa 2005 e a recente na Trem Azul, este ano em Setembro.

Mais informações aqui que ainda não tive oportunidade de ler a coisa como deve ser! Mas parece que valeu a pena esperar mais de um ano a julgar pelo aspecto da coisa... E ainda inclui uma entrevista à minha pessoa e dizem que é uma das maiores na história da revista!

Em Portugal podem adquirir este número na loja online da Chili Com Carne. Entretanto os "Stripburgers" fizeram uma exposição de promoção deste número com a minha BD num espaço lá na Eslovénia! WTF!?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Nem carne nem peixe



Neneh Cherry & The Thing : The Cherry Thing (Small Town Super Sound; 2012)
Pat Metheny : Masada Book Two : Book of Angels volume 20 : Tap (Tzadik + Nonesuch; 2013)

O impensável diria eu, de um lado a Neneh Cherry, uma cantora Pop, e do outro os Thing, grupo escandinavo de Free Jazz e Fire Music. Na realidade o ciclo completa-se desde logo, Neneh é filha de Don Cherry, um dos grandes do Jazz, que os The Thing até lhe roubaram o nome. Só pode ser estranho ao início mas o groove do primeiro tema, Cashback, faz-nos logo esquecer as divisões do mundo da música. O chato é que ao longo do disco a magia perde-se, é o que faz começar com um tema tão poderoso logo no ínicio do disco, se fossem espertos colocavam-no em segundo ou lá mais para a frente. A seguir fazem versões de Stooges, Suicide ou MF Doom que poucos irão reconhecer mas de alguma forma nada suplanta o "hit single" que é o primeiro tema - mais ou menos como a carreira de Neneh, meteórica em 1989 com Buffalo Stance... Até percebo porque a malta da Trem Azul andava louca com este disco no Verão passado mas acaba por ser isso, um disco de verão passado que agora não parece ter muito futuro.
Rewind!
O impensável diria eu, de um lado o John Zorn (como compositor) e de outro Metheny (como intéprete). Não são o mais oposto possível estes dois? O Zorn trouxe provavelmente pessoas ao Jazz porque deixaram de o fazer por causa da Metheny, não? Ainda que o que Zorn faça não é Jazz, ou se preferirem, não faz só Jazz ou não faz mesmo Jazz! Zorn é sobretudo compositor e mais uma vez, relembro que estas série de CDs editados são o resultado de 300 composições que o gajo fez em 2004, o Book Two - Book of Angels, e que está a passar para vários músicos interpretarem essas composições.
Foi com alguma confiança que até fui na conversa da The Wire e do Público mas não consigo passar por cima da guitarra de Metheny nalgum ronhónhó melódico de beleza artifical mesmo que haja pequenos excertos Improv e melodias judaícas. Há uma sensação de controlo e limpeza que não se consegue ultrapassar. Aliás, como se poderia? O tipo toca todos os instrumentos excepto a bateria - a cargo de António Sanchez. Mesmo sendo um virtuoso em todos os instrumentos não se consegue dar a energia e descontração do que numa banda com vários elementos. Os textos do CD inclue os dois monstros a masturbarem-se um ao outro, a dizerem que gostam muito do trabalho de um e do outro, etc... Parabéns aos dois génios por terem andropausa a rodos!
Forward!
O impensável diria eu, foi mesmo há poucos meses atrás: meninas do J-Pop, as Bis, com veteranos do Noise Rock Hijo Kaidan,... alguém tem o CD desta realmente união bizarra?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Passado estes anos todos, continua a ser a melhor banda de sempre!

Nunca me lmbrei de procurar raridades vídeo mas o Dr. Gama (dankas very muchas!) enviou-me este youtube dos Big Black. Fuuuuuuuck!!!!!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Chicotada psicológica!

Primeira página de Psycho Whip por unDJ GoldenShower e Jorge Coelho na Elegy Ibérica (2007)
 

Loverboy na Feira das Vanessas
por
Marte, João Fazenda, Jorge Coelho
e ainda António Kiala, Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato, Nuno Nobre, Pedro Brito, Rui Gamito e unDJ GoldenShower

Capa a cores, 16 páginas a 2 cores (16,5x23 cm) e 32 a preto e branco (A5). Edição da Chili Com Carne, 7º volume da Mercantologia, colecção que recupera material perdido do mundo dos fanzines. Design de Joana Pires; Capa e fotos de olhos(«Ä»)zumbir realizadas no estúdio da União Artística do Trancão e em Sede Adres, com apoio à produção de xoscx e Adres. Bonecos realizados por Miguel Rocha e Alex Gozblau para a exposição "Loverboy Store: Liquidação Total" no Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2001, na Cordoaria Nacional.

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Este volume trata-se de uma compilação de “raridades” relacionadas com a série Loverboy que não foram publicadas nos três livros pela Polvo entre 1998 e 2001. Encontramos a reedição da “origem” da personagem em BDs ainda desenhadas por Marte – relembramos que os livros foram escritos por ele e desenhados por João Fazenda - e publicadas originalmente no zine Mesinha de Cabeceira entre 1993 e 1995. Participações em outros zines (Amo-te), antologias (a seminal Mutate & Survive) e revistas como a 20 Anos (oito BDs desenhadas por Fazenda), em alguns casos com as participações de outros ilustradores como Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato e Rui Gamito. Algum “fan-art” de Pedro Brito, Jorge Coelho e Nuno Nobre (que fez um comic-book nos EUA sobre a Angeline Jolie!!!). São mostradas ainda curiosidades como os bonecos das capas, que foram feitos para uma exposição no Salão Lisboa 2001.

São mostradas ainda apropriações das personagens por Marcos Farrajota (em Noitadas, Deprês e Bubas) ou na série Psycho Whip - série de BD de unDJ GoldenShower (a) e Jorge Coelho (d) para a revista de música gótica-industrial Elegy Ibérica.

A história da série é contada por António Kiala, um académico que foi fundador do Mesinha de Cabeceira, que é bastante mais crítico e interessante que o material reunido, analizando o processo desta edição e da forma como a cultura DIY se vulgarizou na mitomania.

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O livro está à venda no site da Chili Com CarneFábrica Features, Trem Azul, Feira do Livro de Poesia e BDMundo Fantasma, BdMania, Matéria-Prima, Abysmo, Artes & LetrasKingpin BooksPó dos Livros, Utopia e Letra Livre.

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Feedback: olha já li o Loverboy, boy!! tá muita bom, gostei do todo. o fanzine do interior marca pontos, gostei bastante de rever o traço do Fazenda, o Coelho desenha mesmo pra c...(deviam ter continuado com a cena do Psycho Whip!!) curto bué a história do coquinado, a da descoberta da punheta e claro a do taxista impotente. como sou fã do Loverboy desde as minhas primeiras borbulhas no nariz,devo dizer-te que é me praticamente impossivel falar mal do Loverboy mesmo sabendo que ele é uma má companhia... tanto o Loverboy,o Astarot e o Leonardo, são personagens muito bem construidas, com vida própria e estão de tal maneira interligadas que me é impossivel dizer de qual gosto mais, mas uma coisa é certa sempre achei a irmã do Loverboy sexy... ps - tão importante como as histórias e o desenho é o texto do Kiala que nos mostra o percurso por trás das histórias, são 20 anos parabéns!! David Campos