sábado, 25 de julho de 2026

Corrupção moral da velhice ou Contra a Imprensa Escrita (rapinando Svenonius) ou Eu só quero é bazar de férias!

 Faz 50 anos que o Punk nasceu oficialmente e se por um lado não se espera festejos académicos da oportunista do Norte nem bibliografia nova portuguesa*, por outro deverá aparecer uma avalanche de publicações estrangeiras sobre o assunto, como este número especial da Les Inrockuptibles.

Já se sabe que a imprensa escrita está pela rua da amargura mas que fazer quando ela assume-se como um media velho para pessoas velhas? Quando coisas inúteis como o Blitz que só serve de "clickbait" para o Expresso** ou a Mojo continuaram a ser o gabinetes de curiosidades da cultura passada pouco irá interessar a novos leitores. O espectáculo das publicações que se vê em quiosques ou "press-centers" é inacreditavelmente deprimente, só se vê o passado e a nostalgia, e nem me refiro apenas a revistas sobre música, até porque pouco mais sobreviveu que a Super Interessante ou a National Geographic, ambas voltadas para a ciência e História.

Presente ou futuro só na The Wire e n'A Batalha, sendo esta incapacidade da imprensa de relatar o presente e os miúdos que fazem coisas AGORA é o seu auto-túmulo. Claro que sabia ao que ia quando comprei esta revista francesa e apetecia-me um "guilty-pleasure", uma leveza para as férias, sabia que viriam os habituais artigos sobre os Sex Pistols, Ramones e afins. Que ainda não li. Se calhar estão bem escritos e documentados - e já apanhei algums fotos divertidas de cus britânicos da loja Sex. Espero pela praia cheio de bifes bêbados para pegar nisto com mais calminha, o que fico admirado (ou nem por isso) é mais por não haver referências à continuação do Punk, os outros monstros míticos que daí virão - Crass, Napalm Death, Fugazi, Nirvana, God is my Co-Pilot, Bikini Kill - ou sobre as bandas underground que ainda por cima há milhares em França. De resto, nada de novo no horizonte, já Albini tinha se queixado disto, e já agora, também eu... Quando a revista pega no presente nada convence. A política fica de fora. O DIY também. Resta e fica exposto o fundo de catálogo das empresas fonográficas multinacionais. 


* a Chili Com Carne vai reeditar o Corta-E-Cola / Punk Comix como já tinha sido anunciado - só que uma das novas capas vai ser do Nunsky (rapinada à sua BD "Inadaptados" publicado no MdC #4) substituindo o João Silvestre.

** para quem não conhece, é um jornal de "extremo-centro", cujos colunistas são capazes de escrever merdas do tipo "pá, sou a favor dos LGBTs mas também não precisam de exagerar" ou "não sou contra a greve mas é preciso não prejudicar os outros" ou ainda, pérola incrível de um destes betos ecunémicos (devia ter guardado o recorte!), que era anacrónico representar os patrões como aquelas caricaturas de gordos com chapéus altos e charuto na mão dos inícios do século passado, porque é possível ser amigo do chefe, neste caso, do falecido Balsemão. Iá, meu! Eu também tive a sorte de travar amizades com os meus "bosses", e sim é possível ser amigo do chefe em ambientes de redação de jornais ou escritórios de centros culturais mas agora tenta ser operário ou trabalhar no inferno dos centros de logística e ser amigo do chefe de departamento, meu tarado de merda! O "Espesso" é o exemplo perfeito como as "elites" não vivem a realidade do povo mas é de admirar que os cronistas do semanário, no máximo diria, tem uma boa casa em Lisboa, um monte alentejano / casa no ALLgarve / apartamento em Troia (riscar o que não interessa), um ou dois carros de qualidade, um relógio de marca ou uma colecção de relógios caros (riscar o que não interessa), os putos estão no colégio francês / inglês / alemão (riscar o que não interessa), ou seja, nem tem assim tanta pasta para serem tão insensíveis... que se passa maninhos, ser extremo-centro é um caminho árduo na escalada social?

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