terça-feira, 6 de junho de 2006

É Punk, estúpido!


v/a: "Trash! The roots of Punk!" (Mojo; 2006)

Apesar da 3ª Guerra Mundial já ter começado e ninguém ter dado por ela - é natural, ela começou e desenvolveu-se de uma forma que não a esperada -, o espectro do desemprego ou emprego precário e a impossibilidade de gozarmos a vida em plena riqueza material e espiritual, vivemos o melhor dos mundos porque actualmente é tudo à pala! Jornais no metro, revistas de música, toda a música do mundo (Viva Soulseek!), e não sei o quê mais. Basta comprar um pacote de fritos para engasgarmos com um brinquedo de plástico. Compramos o Expresso e levamos um DVD ou um bife de porco atrás. E uma revista sem CD áudio é impossível não haver - só o triste Blitz-versão-revista é que ainda não o faz sabe-se lá porquê mas quem quer saber?
Infelizmente a maior parte dos CD's de oferta são sempre feitas com um Design popularucho cheio de brilhos e efeitos feios (iguais aos dos refrigerantes e das t-shirts com temas do Wrestling americano), tem uma falta de coerência editorial na selecção das faixas e do seu ordenamento. São CD's que promovem um mercado limitado no tempo e na ocasião, e raramente ficam nas estantes dos fãs de música porque raramente podemos ver estes CD's como "discos" ou de "álbuns" - são promoções tão importantes como os samples de perfumes no Shopping ou nas revistas de mulheres.
Por mero acaso, o DJ Milkshake há alguns anos indico-me a Mojo - uma revista britânica de arqueologia Pop cujas capas tem sempre bandas de tipos com mais de 40 anos e/ou mortos, ex.: Rolling Stones, Led Zep, Sex Pistols, Radiohead... ok! já tiveram os betinhos dos Strokes na capa mas só porque a editora deve ter mexido uns bons cordéis - mas dizia... o Milkshake indicou-me a revista porque a dada altura eles começaram a fazer umas colectâneas bem interessantes na lógica comercial e linear do CD de oferta mensal. Foram quatro volumes de uma série intitulada Mojo Music Guide e cada volume tratava de géneros musicais como o Garage-Punk, as raízes do HipHop, a Soul e o Blues. Isto com um grafismo (muito) atraente e uma selecção bem esgalhada e pedagógica. Infelizmente, fizeram só quatro volumes e voltaram à xungaria de sempre. Ainda fazem algumas colectâneas temáticas engraçadas mas insistem nas capas mais impróprias ao conceito de Belo.
Por acaso, o CD do número de Junho até surpreendeu (o Iggy está sempre bem, man!) ao dedicar-se às origens do Punk britânico e onde vamos encontrar inesperadamente (ou nem por isso) bandas pré-1976 de Pub-Blues-Rock, Glitter/Glam Rock, Hard Rock, Psicadélico e Krautrock - e os Stooges, claro! Começa logo com a promiscuidade dos New York Dolls e o clássico Personality Crisis, T-Rex a seguir («Calling all destroyers») e vai por uma listagem de gente desconhecida (*) ou mais ou menos conhecida como os (alemães) Can, Mott the Hoople (potente!), Dr. Feelgood, Hawkwind (o tema é, curiosamente, Motorhead)... Assim até vale a pena ler sobre estórias da carochinha Pop/Rock da Mojo. No fim, ainda temos esperança no Rock'n'Roll Reeditado porque o que se ouve nos dias de hoje é mesmo uma meninagem frente às guitarradas destes burgessos dos inícios de 70 quando eles saiam malcheirosos das fábricas (quando havia fábricas na Europa e não na Malásia, foda-se!) prontos a emborcar pints, a pintar os lábios com baton rasca, a usar lantejoulas e botas de canudo cor-de-rosa ultra-choque. Ah!

Qualidade numérica: 4,2/5 Objectivo pós-audição: A capa não envergonha ninguém no meio da colecção!

(*) pelo menos para mim nomes como Hollywood Brats, Jook, Count Bishops, Hammersmith Gorillas, Kilburn and the High Roads, Eddie and the Hot Rods, Be-Bop Deluxe e Groundhogs não me dizem nada...

domingo, 4 de junho de 2006

Troca de Discos com unDJ GoldenShower || CREW HASSAN


No primeiro domingo de cada mês - Troca de Discos com unDJ GoldenShower. A partir das 18h até às 23h30.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

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Massacration / Metal is the Law
(vídeo no link do título deste post; letra abaixo)

ai ai ai
Ai ai ai ai ai ai ai
Em cima, embaixo, puxa e vai

If you want to be metal
There's laws you gotta obey
The laws of gods of metal
And that's what I'll say
Woooowwwwwwww

If you want to be metal
No avacalhation
Use black forever
Go to the show of Massacration

No! Boiolation
Frescuration
Viadation

Die! Reggae Idiota
Mambo Escroto
Forró Babaca

Metal is the law
The law is the metal
Metal the law is
Metal

Now that you are metal
Metal you are
Never, never, never, never, never
Use bermuda

No! Boiolation
Frescuration
Viadation

Die! Música eletrônica de bicha
Pop de viados
Dance, no!no

sábado, 27 de maio de 2006

UnDJ GoldenShower (in Samizdata Club @) || CINEMA PARAÍSO (Festa da Lucrécia)

Em Leiria, itinerância do Samizdata Club:
_Lançamento de "Lucrécia" (5º volume da Colecção CCC), (anti)romance de Rafael Dionísio;
_Live-act de Sci-Fi Industries;
_unDJ Goldenshower;
_Feira de Zines e Discos pela Associção Chili Com Carne e Thisco.

terça-feira, 16 de maio de 2006

Pretty fly for a white guy...

Hawnay Troof: "Dollar and deed" (2xCD'06; Southern / Sabotage)

As fotografias de bichona nada lhe favorecem - é o problema do mundo-reduzido-pós-google, antes demorava algum tempo ver as fronhas das bandas para quem escutava k7's gravadas dos amigos - mas Hawnay Troof tem um demónio musical dentro de si. Este seu segundo álbum é um "melting-pot" muito refrescante num mundo que anuncia novidades semana atrás de semana.
A «Amálgama Sonora» que Troof nos atira furiosamente tanto nos transporta para o Electro HipHop quase que rudimentar das origens como ao Grime mais feroz dos dias de hoje, passando por interlúdios de Noise digital. Algumas músicas tem ritmos e sons que podiam ter sido do último da Shakira (O QUÊ!?) mas não há dúvidas da eficácia do tratamento iconoclata que lhe são feitas nem das letras intervencionistas ultra-debitadas à administração Bush e outros desvios-padrão, como as teorias criacionistas que estão no programa escolar nos estados sulistas americanos descrito em "Bad news from the stars" - um dos temas mais fortes tal é a salada de beats e samplers que se ouve. Outro tema que se destaca é o caótico "Never end" todo ele Punk-industrial.
Dollar and Deed são dois CD's (ou LP's) e apesar de cada disco não ter mais que meia-hora, revelam horas de prazer e descoberta... depois multipliquem isso por dois. Nada mau para um branco!

Qualidade numérica: 4,5/5 Objectivo pós-audição: guardar e levar pra festas!

quinta-feira, 11 de maio de 2006

GoldenShower Industrial MiXXX

A Teia Asfixia KMFDM Dogma
Agoraphobic Nosebleed Pentagram costelation
Mike Patton & Dillinger Escape Plan
Come to daddy [Aphex Twin]
Panacea Menhater Mlada Fronta No oHgr Pore
Bizarra Locomotiva Fantasma Nox Around (special edit)
Einstürzende Neubauten Feurio! SPK Walking in dead steps
Mazerno Al riparo Sciencia At the gate KMFDM Anarchy
Meat Beat Manifesto Acid again

DJGS Ind XXXset DeZ04/SeT05 mixxxturado por Ovelha Negra
capa/foto de Marte a cartaz de
Martin tom Dieck.

sábado, 6 de maio de 2006

I don't wanna grow up in O'Malley's Bar


É o título da nova exposição individual de Pedro Zamith que inaugurou no dia 6 de Maio, na Galeria Pedro Serrenho e que está patente até 31 de Maio, de Terça a Sábado das 11h às 19h.


«Z-MAN and the MASTERS of the UNIVERSE

Não tem sido fácil trabalhar na pintura figurativa graças às modas patéticas da pintura abstracta e da Conceptual Art mas seria impossível continuarem-nos a enganar quando a nossa geração se excitou sexualmente com a Maga Patalógica (conheço um caso), chorou com a morte da Fénix dos X-Men (conheço vários), que canta nostalgicamente aos jantares de aniversário as músicas do Marco ou da Heidi (sem comentários), que perde tempo a reinventar “Marretas” sórdidos para cinema ou HipHop (os “Feebles” de Peter Jackson e os Puppetmastaz, respectivamente). Todos nós queremos “bonecos”!

Bonecos? Ou serão novos artefactos religiosos? Não serão as orelhas do Mickey mais amadas que a cruz cristã? Porque é que o novo “guilty pleassure” são bonecos em volume feitos em PVC e outros plásticos? Porque é que se fala, actualmente, tanto de “criação de personagens”? Porque é que a actual maior banda de Pop/Rock são os virtuais Gorillaz?
No figurativo encontramos o que o ser humano (vulgo, símio voyeur) precisou sempre de ver ao longo da história: a destruição (moral, social, física, individual ou colectiva), a redenção, e antes disso, o pecado – mesmo que não seja o Original, o do folhetim da vida já é suficiente -, a dor, o corpo (o nosso ou o do outro), o medo, a insegurança das grandes cidades (o campo não é muito melhor mas moino-mutantes que somos já nos esquecemos disso), a ameaça da Morte – vendo bem as coisas, um acidente de viação ou um encontro com um serial-killer não são as mesmas provas oferecidas aos mortais pelos Deuses como as trapalhadas de Ulisses na Odisseia? Ou tens Atena ou antenas ou então, surpresa: o teu braço já está dentro da bexiga do John Wayne Gacy! Mas creio que me estou a dispersar…

Nesta exposição, as canções de Tom Waits e (uma) de Nick Cave são, apenas, pretextos para Zamith trabalhar. Naturalmente, que Zamith há muito explora personagens ridículos e fisicamente distorcidos. Figuras congeladas no tempo porque o que Zamith faz são “tradicionais” retratos. No entanto não creio que haja relação possível entre a rouquidão boémia de Waits ou o negrume “gótico americano” de Cave e o estilo gráfico de Zamith. Os seus retratos são de sabor Pop Vintage, imaginário de série B e Z, lixo com glamour porque é pintado a tinta de parede esmalte à base de água. O resultado é bastante idêntico aos tais bonecos acima referidos: formas bem delimitadas, cores planas, quase que básicas, logo a superfície plástica de Zamith nunca poderá suportar o tabagismo de Waits nem o “suor, sangre e lágrimas” de Cave. O que não impede, no entanto, de abordar os universos destes músicos, à procura e encontrando uma versão.
Não é de desprezar estas versões diurnas de Zamith por elas serem versões. Estas imagens são vitrais das nossas igrejas DIY. Tal como o homem medieval que se sentia rebaixado com essas imagens maiores que ele, assim também nós nos rebaixamos às personagens sofredores de Waits e Cave. Mártires sem bula papal, pobres-diabos que Zamith ao materializá-los (mesmo que bidimensional) elevou-os a santos modernos. Já perceberam a piada, claro… Por sermos consumidores de imagens, somos pagãos até à medula. Todos nós sem sabermos já construímos a nossa religião, a nossa igreja e o nosso altar lá em casa. Eu, por exemplo, faço parte da Igreja Gráfica de Sto. Comix e da Ordem dos Grão-mestres Zamithes.

Por fim, não deixaria de referir que o trabalho de Zamith está em consonância com uma nova vaga emergente de “artistas gráficos” que brevemente nesta mesma galeria, terão trabalhos expostos numa mostra comissariada pelo Pedro Zamith. Marquem uma procissão para Junho. A arte conceptual e afins é para robots e informáticos!!!
Amém!

Marcos Farrajota,
Pastor»

in catálogo/desdobrável da exposição.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Morreu o Renato...

O último dos Punks já a dar para o hippie morreu... soube através do Underworld.

Este gajo violava campas pela causa, que diga os tipos dos Grog que andavam com uma caveira na mão graças a quem, a quem?

Fuck and fuck!

domingo, 30 de abril de 2006

Que nome parvo!

Todd: "Comes to your house" (CD'06; Southern / Sabotage)

Depois do revival do Rock e do Electro, finalmente percebeu-se o que pode ser o Rock: é Noise, Garage, Grind, Punk, Grunge, Emo, New Wave, Psycho, etc... Não devia haver tantos rótulos! Uma banda pode ser isto tudo e o que quiser.
Os Todd vão no 3º álbum em contagem descrescente para o Caos. Os Todd (nome um bocado estúpido) podem ser a fusão líquida de Sonic Youth, Napalm Death, Devo, Neurosis, Butthole Surfers, Pussy Galore e mais um batalhão de referências desde que seja verdadeira a hipótese de bateria + 2 guitarras + orgão + voz fazerem chinfrim infernal durante 35 minutos e parecer que é uma eternidade.
Toda a gente gostaria de fazer parte de uma banda destas! O quê? Vão dizer que não?

Qualidade numérica: 4/5 Objectivo pós-audição: ouvir durante vários dias e depois oferecer a um amigo que curta este tipo de som.

sábado, 29 de abril de 2006

UnDJ GoldenShower || BAR CARPE DIEM


No âmbito dos IV Encontros de BD de Sto. Tirso, GoldenShower vai fazer the thing naquela que já é conhecida como a terra do Noise!!!

sexta-feira, 28 de abril de 2006

quinta-feira, 27 de abril de 2006

ElectroZone

A música electrónica tem tido os seus altos e baixos como toda a gente sabe. O problema tem sido o anacronismo aborrecido e o mau gosto extremo de alguns projectos.
Vieram-me parar mais uns CD's de EBM - o que um gajo pode dizer mais depois daquele artigo "EBM Zone" no Entulho Informativo #15?

Feindflug com Volk und Armee... (Black Rain; 2005) explora tematicamente a capitulação de Berlim em 1945 dando aquele piscar de olhos à lá nazi tão típica da cena Dark/Industrial. Não passa de uma aberração criativa porque só temos batidas Teknoise sincopadas para a dança com meia dúzia de samples, ou pior, em alguns temas são inseridos (a martelo!) ritmos militares - uma Electro-Marcha? Mein Gott! Safa-se o tema Tauchfahrt, que se "actualiza" no tempo com ritmos Drum'n'Bass. Fazer uma obra militarista com EBM não lembra ao diabo, só mesmo a um Nazi muita-tolo! Se não for Nazi, peço desculpa, é apenas muita-tolo. [2,1; despachá-lo!]

O Bê-Á-Bá da coisa são os Supreme Court com Yell it out (Black Rain; 2005): som "vintage" (o ex-líbris é sempre aquele som de sintetizadores foleiros) que prolonga todos os temas acima dos 4 minutos sem de trazer nada de novo a não ser uma lembrança que isto já devia ter acabado. O que há aqui é só mesmo falta de imaginação sob o ponto de vista externo (usar um subgénero aberrante) e interno (dentro da própria cena conseguir não avançar um milímetro que seja). [2; oferecé-lo!]

Não estou a gozar mas os To Avoid com Voyage into the past (Promo Select / Cop International; 2005) apesar do nome patético, são os mais interessantes deste lote por parecerem os mais Dark de todos - embora, o que este pessoal curte mesmo é a Hello Kittie e outras fofuras cor-de-rosa. As composições são mais complexas, as vozes são distorcidas à Skinny Puppy, as batidas electro-industriais são porreiras, a samplagem é um bocado cliché mas todo este projecto destes alemães é cliché. Ainda assim algo de suportável e de gosto menos duvidoso que os outros. [3,1; trocar um dia destes]

Os chilenos Vigilante com The heroes code (Black Rain; 2005) avariam no Hard (onde cabe um jogo de guitarra metálica e sintetizadores nojentos) que pode fazer lembrar os momentos mais dançantes dos Rammstein se não fosse a voz melosa de "Chuva de Estrelas" que se ouve. Podiam ter ficado pela América já que fazem questão de soarem a gringos. [1,9; colocar o papel no papelão e a rodela no plasticão!]

Fora do EBM, a Bela e o Monstro.

A Bela é o Junkie XL (conhecido pelo Top 1 que conseguiu em 46 países com a remistura do Elvis Presley) tem com Today (Roadrunner / Universal; 2006) o seu mais recente álbum, baseado na ideia que alguém ainda vai querer um sub-produto do que os dinâmicos/potentes Chemical Brothers (são os maiores!) ou do "carismático" (eu não gosto nada dele) Moby. São canções bem feitas de essência Pop-Techno que os New Order já fizeram melhor há mais tempo. [2,5; atirá-lo pró lixo?]

E o Monstro é o álbum homónimo de estreia de shhh... (Thisco / Fonoteca de Lisboa; 2006), à muito esperado dada às impressionantes participações nas várias colectáneas da Thisco, essa grande editora de electrónica alternativa portuguesa, que não vai por modas e facilitismos. Caracterizado pelo Breakbeat negro, silêncios perturbantes, ambientes cinematográficos e até um HipHop teórico, é um dos projectos mais coerentes da Thisco. Merece muita atenção e um [4,2; já faz parte da colecção e em festa rende uma faixa ou outra]!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

CD-Rex

Jucifer gravou-me um CD-R com T-Rex... a rodela tinha este desenho!

sábado, 22 de abril de 2006

Monkey Boy & Monkey Beat || FESTA DOS 10 ANOS DA BEDETECA DE LISBOA

Comemoração do aniversário com os Monkey Boy & Monkey Beat com a performance “Please write this word for your safety” [sinopse: found text vs. found sound, declamação dos poemas mais seguros da Internet e de um digest de romances famosos em inglês para inglês (ou)ver ao som de ambiência barulhenta e caótica], horário a confirmar.

(DJ GoldenShower in) Dezkalabro_no_Samizdata || CAIXA ECONÓMICA OPERÁRIA

sábado, 15 de abril de 2006

última hora

O Espaço* abriu!!! E o unDJ GoldenShower (na foto) vai por som daqui um bocado... O Lx Café foi mesmo à vida e agora a mudança passa pelo Espaço - nome foleiro é certo mas a "coisa" está com bom aspecto e promete...

*onde foi feito o Mercado do Cavalo...

terça-feira, 11 de abril de 2006

(DJ GoldenShower in) Rozkoff || RÁDIO ZERO

Rozkoff é um programa de rádio online & live - Rádio Zero - com Zaz (das festas Dezkalabro) no comando, dedicado à Electrónica de veia alternativa & extremista.
É entre as 23h e 00h (repetição no Sábado entre as 20h e 21h).
...
O mp3 para ouvir como correu é só clicar aqui.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Ready Made

Quem já não ouviu isto nas noticias? As multas poderão ir até aos 5000 euros, quem for "apanhado" a roubar músicas da Internet... Pois bem, é altura de acalmar o pânico de milhares de pessoas e de pais preocupados com o que os filhos fazem no computador.

1º - Os chamados "processos" vão ser criados pela SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) e/ou pela IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica). Neste ponto, há uma coisa que deve ser clara: nenhuma destas instituições tem autoridade para passar multas a quem quer que seja. O objectivo (imoral) é assustar os utilizadores de Internet e levá-los a pagar uma indemnização até 5000 euros, ou será levado a tribunal. Isto pode ser visto como chantagem, uma vez que ou pagamos, ou levamos com um processo. Estas empresas que vão enviar as tais cartas, não estão a agir através de um processo judicial (pois seria muito dispendioso processar individualmente milhares de pessoas) mas sim através de um processo civil. Que relevância jurídica tem isto? Nenhuma! Simplesmente ameaçam as pessoas e metem medo. Se alguma pagar, melhor. Se ninguém pagar, encolhem os ombros e passam ao próximo. De facto há leis em Portugal, mas não são estas empresas que as escrevem.

2º - Onde está essa informação, e quem decide que valor é que se vai pagar? Em Portugal só há uma maneira de obrigar as pessoas a pagar multas ou indemnizações: o tribunal! Como o Bill Gates disse: "O nosso computador é tão confidencial como a nossa conta bancária". Sem processo em tribunal, ninguém (nem mesmo estas entidades) podem acusar, vigiar, espiar, exigir, passar multas, pedir indemnização, ter acesso ao vosso computador, ou "consultar" que downloads fazem.

3º - Para os menos entendidos, quem tem ligação à Internet, liga-se através de um IP (ex. 255.255.255.255) e mais nenhuma informação é transmitida (e atenção a isto). Quem mantém o registo a quem pertence cada IP ligado, é apenas a empresa de Internet a quem contraram o serviço (ex. Netcabo, Cabovisão, Sapo, Clix, etc.). Neste caso, só com um processo judicial é que a vossa informação confidencial é disponibilizada. Ou seja: receberam uma carta a pedir uma indemnização. Muito bem, há processo judicial a decorrer em tribunal? Não? Então a carta não vale nada. E se quiserem ir mais além, contactem o vosso fornecedor de Internet e perguntem como é que a determinada instituição obteve os vossos dados, sem autorização do tribunal. E se ainda quiserem ir mais além, iniciem um processo contra o vosso fornecedor de Internet, ou contra a instituição que vos "ameaçou".

4º - Quem faz download de qualquer tipo de ficheiros da Internet (seja musica, filmes, fotografias) é apelidado de "pirata informático" pela comunicação social. Mas há uma grande diferença entre fazer download e desfrutar desse mesmo download no conforto da vossa casa, e de fazer download de filmes e música e ir vender para a feira da ladra, ou qualquer outro local. Quem lucra com estes negócios de downloads para vender posteriormente, é que deve ser apelidado de pirata informático. Ou será que quando se gravava as telenovelas e os filmes da televisão em cassetes, também era chamado de pirata da televisão? É exactamente a mesma coisa. Em vez de copiarem da televisão, copiam da Internet.

5º - Neste momento, em Portugal não há nenhuma lei relativamente à pirataria informática (pelo menos explícita) e em que base se suporta, ou que diferenças existem entre consumo próprio ou para venda. Da mesma maneira que não há qualquer precedente de tal situação. Todos aqueles anúncios no cinema, nunca deram em nada nem nunca ninguém foi preso. Eram só campanhas!

6º - Se estivessem a infringir alguma lei, acham que seriam enviadas cartas para pararem com os downloads e a serem convidados a pagarem de livre vontade? Também ninguém manda cartas a um ladrão para parar de roubar no metro e entregar-se na esquadra mais próxima, ou a um assassino para parar de matar os vizinhos com a caçadeira, e para se dedicar à agricultura. É absurdo! Se neste país nem uma pessoa que viola crianças vai presa, quanto mais nós que nos recusamos a pagar multas! Tirar músicas da Internet dá multa até 5000 euros. E andar a 120km/h dentro de uma localidade dá 500 euros? Passar um sinal vermelho menos que isso? Desencadear um acidente em cadeia na auto-estrada porque se bebeu demais fica-se sem carta? Acham justo? Tirar músicas da Internet é que é mau para a sociedade, e os perigosos somos nós, não?

7º - Recentemente em França foi aberto um processo pelas indústrias e editoras similar a este, e até foi feita uma petição em tribunal para ser criada uma lei que punisse quem fizesse downloads da Internet. No entanto, o Juiz recusou-se alegando que se estaria a violar a divulgação cultural. Temos o direito de experimentar o produto antes de o comprar, ou não?

8º - Quem acham que perde com isto tudo? O terror instala-se, as pessoas começam a parar de fazer downloads, e a Internet em casa passa a ser usada para ver páginas e ler o e-mail. Quem precisa de grandes velocidade para isso? Ninguém...assim os consumidores começam a cancelar a Internet, ou a passar para uma mais barata. E quem sofre? O fornecedor de Internet.

9º - Há vários cantores e grupos de música nacionais que culpam a "pirataria" das baixas vendas que os seus álbuns conseguem no mercado. Esta é a lista de vários artistas que lutam contra a pirataria:

Ágata, Agrupamento Musical Diapasão, Aldina, Alfredo Vieira de Sousa, Ana Moura, António Cunha (Uguru), António Manuel Ribeiro, António Manuel Guimarães (Magic Music), Banda Lusa, Blasted Mechanism, Blind Zero, Bonga, Boss AC, Camané, CantaBahia, Carlos do Carmo, Carlos Maria Trindade, Carlos Tê, Clã, Cristina Branco, Da Weasel, Danae, David Fonseca, Dealema, Delfins, DJ Vibe, Dulce Pontes, Emanuel, Expensive Soul, Fernando Rocha, Filipa Pais, Fingertrips, FNAC, GNR, Gutto, Iran Costa, Íris, Jaguar Band, João Afonso, João Gil, João Monge, João Pedro Pais, João Portugal, Jorge Cruz, Jorge Palma, José Mário Branco, Liliana, Lúcia Moniz, Luís Cília, Luís Represas, Luísa Amaro, Mafalda Veiga, Manuel Faria, Manuel Freire, Manuel Paulo, Marante, Maria João & Mário Laginha, Mário Fernandes, Mariza, Ménito Ramos, Mesa, Miguel & André, Miguel Guedes (em nome individual!!!), Mind da Gap, Místicos, Mónica Sintra, Paula Teixeira, Paulo Ribeiro, Pedro Abrunhosa, Pedro Ayres Magalhães, Pedro Oliveira, Pedro Osório, Quatro Cantos, Quim Barreiros, Quinta do Bill, Rádio Macau, Rita Guerra, Rodrigo Leão, Rosita, Rui Bandeira, Rui Veloso, Santamaria, Sérgio Godinho, Teresa Tapadas, The Gift, Toranja, Toy, Tozé Brito, UHF, Vitorino, Wraygunn, Xutos e Pontapés, X-Wife e Zé Peixoto.

Por favor, e peço-vos que metam a mão na consciência: Quem é a pessoa com com alguma inteligência que se vai a meter a fazer download de músicas do DJ Vibe? Ou da Rosita? Ou dos UHF? Ou pior, dos Blind Zero?

10º - Ora vejamos:

Fim da Pirataria –> Menos Utilizadores da Internet –> Choque Tecnológico por água abaixo –> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Fim da Pirataria –> Menos Utilizadores da Internet –> Menos lucros dos ISP's –> PT apresenta prejuízo -> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Fim da Pirataria –> Aumento dos Processos que se acumulam nos tribunais –> Justiça mais lenta –> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Fim da Pirataria –> As pessoas não vão comprar Cd's só porque a pirataria "acaba" ou diminui podendo mesmo criar uma certa "revolta" contra as editoras e afins –> O povo começa a cagar para os artistas –> Menos lucros para editoras e artistas –> Mundo da música e não só com dificuldades –> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Continuamos...?

11º - Ok, concordo que os direitos de autor têm que ser protegidos. Mas não concordo que um simples CD de música cujo custo de fabrico ronda 1 euro, seja vendido por 15/20 euros, em que apenas cerca de 2 euros vão para os artistas. E ainda têm a lata de chamar piratas a nós?

12º - Concluindo, não se deixem vencer pelo medo. Não digo para olharem para o lado caso recebam essas cartas, mas sim que se informem e que pesquisem as maneiras legais de se fazer o correcto. Informem e mantenham-se informados, pois basta haver um decréscimo dos utilizadores deste tipo para essas empresas pensarem que podem fazer tudo e que podem ganhar.

Eu posso considerar-me culpado, mas sou culpado, não por fazer downloads de musicas e filmes mas pelo facto de fazer parte da classe média que mal tem dinheiro para pagar a renda de casa, e ainda faz um sacrifício enorme em pagar 60€ pela Internet, mais não sei quantos euros pela tvcabo, mais não sei quantos euros pelo telefone, mais não sei quantos euros pela assinatura mensal do telefone, e de trabalhar de sol a sol. Mas NÃO SOU CULPADO, pelos roubos de ministros, deputados, e administradores de empresas estatais, pelos buracos financeiros que causaram a empresas estatais. NÃO SOU CULPADO, pelo buraco financeiro em que o pais se encontra, e muito menos pelo valor do défice 6,8.

Agora só vos peço para levarem a vossa vida atrás do computador calmamente, não castiguem os vossos filhos por algo que não estão a fazer, e acima de tudo, divulguem toda esta informação, para que essas empresas que vêm do estrangeiro, não pensem que somos uma cambada de saloios e que nos podem meter medo!"