segunda-feira, 30 de maio de 2022

Conger Conger Comix


Eis uma fotografia do original da capa do Conger Conger Comix feita por Gregory Le Lay

Título de uma "BD Cadáver-esquisito" feita por Gonçalo Duarte, Alexandra Saldanha, a dupla de "Azoresploitation" Francisco Afonso Lopes e Francisco Lacerda, Rodolfo MarianoDois VêsTiago da Bernarda e Mariana Pita que realizaram para a agenda açoreana Yuzin

O livro é uma co-edição Chili Com Carne para a colecção Mercantologia. a lançar no dia 5 de Junho, às 11h, no Jardim Silva Porto (Benfica).

Quer a participação da Chili Com Carne no Yuzin, quer aparição do projecto Story Tellers remontam a 2021 e vão-se encontrar em 2022 em dois momentos, a saber:

I. A Primavera e Story Tellers (desde 21 de Março até 20 de Junho)

Story Tellers é uma instalação patente no Parque Silva Porto em Benfica, que apresenta uma nova seleção de bandas desenhadas em cada nova estação do ano. São pequenas esculturas da autoria do artista Fulviet e onde se encontram QR Codes que dão acesso a excertos de Bandas Desenhadas de autores nacionais e internacionais. O principal objectivo desta intervenção é dar a conhecer um pouco da história da BD, com especial ênfase na portuguesa, e criar novas formas de apreciar o Parque através da cultura interactiva. Abrindo o Outono do ano passado, estiveram patentes obras de oito autores representando as diferentes épocas da BD portuguesa, do Raphael Bordalo Pinheiro (1846-1905) até Nuno Saraiva, passando por Carlos Botelho (1899-1982), Sérgio Luís (1921-43), Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), José Ruy, Isabel Lobinho (1947-2021) e Fernando Relvas (1954-2017). No Inverno o tema recaiu sobre a cidade de Lisboa com trabalhos de Relvas - justificado com a reedição de Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo -, O Eterno Passageiro de Luís Félix, Ana de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves, “Bairro Alto” de Ana Cortesão, excertos das antologias Lisboa 24h00 (Bedeteca de Lisboa; 2000) e Lisboa é very very Typical (Chili Com Carne; 2015) e ainda pela primeira vez em português a BD de José Smith Vargas publicada na revista italiana Internazionale

Para esta Primavera, estação da renovação da vida, aproveitaram para "abrir as portas dos QR" a novos autores em ascensão - que neste caso produziram uma "BD cadáver esquisito", isto é, uma BD em que começa um autor e que passa a história para o outro sem poder controlar a direcção da narrativa. Esta experiência foi realizada entre Junho e Dezembro de 2021, todos os meses com um autor diferente que saía em cada novo número da agenda alternativa Yuzin. A publicação convidou a Associação Chili com Carne para ter BD nas suas páginas e foi este o resultado. 

II. Conger Conger Comix (5 de Junho, às 11h)

A Chili Com Carne e a Yuzin vão lançar o livro que compila este "cadáver esquisito", que tem a capa e design do Gregory Le Lay com a presença de algum dos autores.







sábado, 21 de maio de 2022

Mesinha de Cabeceira #33 : Chicão




MdC don't stop!

No ano de comemoração dos 30 anos do Mesinha voltamos às nossas raízes de produção amadora, verdejolas, rude mas com mais pica do que os "profissionais". Fuck them!

A Ângela Cardinhos é uma força da natureza e esta é sua primeira Banda Desenhada - assim longa mas curta, difícil de explicar - que despreza o mundinho de "normies" empreendedores que são tão normais e tão saudáveis que acabam por ser esses mesmos que batem punhetas de frente para gajas numa carruagem de comboio... da linha de Cascais.

Obra realizada num estágio não-exploratório do IEFP, são 44 páginas A5 de quotidiano feminino e sonhos de cão, aliás, de Chicão!

Publicado pela Associação Chili Com Carne em Maio de 2022.

Como este número é "dedicado à Direita portuguesa" ESGOTOU - exemplar disponível para consulta na Bedeteca de Lisboa

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Rick Bragg : "Jerry Lee Lewis : His Own Story" (Canongate; 2015)

 Sim, sou um otário por estas biografias excitantes dos gajos do Rock e afins. Desta vez foi o quase-Rei do Rock, Jerry Lee Lewis, nascido em 1935 e ainda vivo, fechado em casa com armas e a puta da Bíblia. Já lá iremos em relação a isto...
Só não foi o Rei, ou porque o empresário do Elvis nunca o deixaria ser ou porque houve o escândalo em Inglaterra, da imprensa ter descoberto que a sua (segunda) mulher não só era a sua prima como tinha uns belos de uns 13 anitos - ele tinha 22 anos. Casamentos com primos e menores pelos vistos era uma prática comum na miserável Amérikkka mas em 1958 os ingleses - que também não são os mais virtuosos do mundo - já não estavam prái virados. Isso afectou para sempre a carreira de Lewis, transformando-a numa montanha russa (cóf cóf cóf) de altos altos e baixos baixos. Se de vez em quando recuperava, a verdade é que os tempos mudavam também. Se Lee podia ter sido maior que Elvis será para especulação histórica de cromos. Diria que não porque a música dele parece-me bastante chata com aqueles countries borregos. Agora a descrição dos seus concertos e as fotos no livro - e as gravações que existem - garantem que este foi o animal de palco original. Aí ninguém o deverá ter batido a não ser o Iggy Pop e alguns niilistas fodidos.
Além de todo o percurso de casamentos e divórcios, andar de mota nu com o Elvis, tournês de poeira e violência em "honky-tonks", problemas de saúde e com o IR$, etc..., o que impressionou foi nunca ter pensado que - além de ainda estar vivo - é que ele fosse contemporâneo do Rei, do Homem de Preto,  do Buddy Holly ou do Chuck Berry. É estúpido o que escrevo mas como nunca os vi a interagir, até parece que viviam em galáxias diferentes, ao contrário dos dias ed hoje em que todos participam digressões e discos uns dos outros. Neste livro falam de alguns encontros entre estes gigantes e por isso é que me bateu. Dah!
De resto, não há muito mais a contar, mais uma vez, a não ser ignorância neste mundinho do espetáculo. Seja branco com guita como a família Osborne ou preto do gueto, há gajos que nunca aprendem nada mesmo que estejam em contactos com tanta gente incrível do mundo da arte. Acabam todos a afundarem-se em religião. Ridículo. Claro que este gajo sendo sulista, de origens pobres e animado a anfetaminas e álcool (mais das primeiras que do segundo, diga-se) talvez não tivesse muitas hipóteses. Enfim, não sei, difícil pensar até porque ele tem um primo evangelista, Jimmy Lee Swaggart (também de 1935 e ainda vivo), à perna. Evangelista esse aliás que saiu ileso dos escândalos com prostitutas nos anos 80. Enfim... Only in America.

domingo, 1 de maio de 2022

Inácios Pintos do mundo zuni-vos!


Foi divertido. BD-cadáver-esquisitos pegando nesse ícone cascalense que é o Inácio Pinto (anos 90, café Sorriola). Ainda bem que o Rei da BD Portuguesa cuidou da criançada, que a organização misturou adultos e putos. Bóf!

Fotos de Endre Ajandi e desenho de Joana Almeida. Obrigado!

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Russia: A small town clings to its Soviet past | DW Documentary

Pills 'n' Thrills and Bellyaches


YEAH!!

Mas é às 15h e não às 10h como anunciam aqui, aliás, como é que um boémio deste calibre conseguiria estar de manhã a tratar de zines? Só vomitando. 

No programa diz que é entre as 15h e 18h. Ah! E o palpável Rei da BD Portuguesa Rudolfo vai ajudar no workshop!

domingo, 24 de abril de 2022

Mesinha de Cabeceira #32 : HOT


2022 é ano de comemoração do fanzine mutante Mesinha de Cabeceira!

E nada melhor do que voltar às raízes como uma produção simples e imediata - que é o que se espera dos fanzines, seja como for. O bicho (não falamos de covid) já se tinha metido o ano passado quando pegámos n'A Fábrica de Ericsiton de André Ferreira, e depois com o La Terrible Histoire des Trois Cervaux de Magnólia de Alexandra Saldanha. Assim neste ano contamos publicar vários números com trabalhos de sobretudo novos talentos na banda desenhada, alguns serão "stars" amanhã, a minha voz profética avisa-vos!

Para a sexta edição da sobrevivente feira de edições independentes Raia lançamos dois números do Mesinha. Hot do André Ruivo é um deles. São 20 páginas A5 coloridas de desenhos de rabiosques, pilinhas e maminhas mostrando que o Sexo pode ter piada outra vez neste mundo sombrio que vivemos.

Raramente o Mesinha alinha na onda do "graphzine" - em 30 e tal números só o fizemos duas vezes com o André Lemos e o João Maio Pinto! - mas estes desenhos alegres de Ruivo fizeram-nos abrir uma excepção! E vão perceber porquê!

Esgotado - exemplar disponível para consulta na Bedeteca de Lisboa

DEA report

 


João Paulo Cotrim, Marte e João Fazenda no lançamento do primeiro livro do Loverboy. Bedeteca de Lisboa. 

Segundo um recorte do jornal Blitz que encontrei o lançamento foi na noite de 26 de Março de 1998! 24 anos, boy!


Eis uma foto do público presente, uma sandes-mista do caraças: pais do João, amigos meus e dele ou comuns - Rafael Gouveia, Catarina Alfaro, Leonor Gomes, Pedro Baptista (dos grandes Damage Fan Club), Vânia Oliveira, Ricardo Blanco e o seu irmão, Miguel B., Luís, Rafael Dionísio e Ana D. -, gajos da BD que não interessam a ninguém, uma jornalista da TSF que me ficou com a demo-tape da banda do Geral (os Needs) para fazer a banda sonora da peça), Hugo-futuro-gajo-do-GAU, Ricardo Blanco, Isabel (companheira do João Paulo), Sandra Amaro (na altura namorada do Pedro Brito) e o Pitchu! E muita gente que não reconheço... Olhando para trás, lembro-me que foi algo electrizante, esta confusão de gente e de meios, realmente apontava para o facto que estávamos a fazer História. Não é armar ao cagão mas a verdade é que começamos todo um movimento de edições em livros, a preto e branco com temas contemporâneos - que no passado não existiram ou apenas com pequenas experiências (Arlindo Fagundes, José Carlos Fernandes) ou a BD com temas actuais estava fora do circuito do livro, existia nos jornais como o Relvas e o Diniz Conefrey, no Se7e e Blitz, respectivamente, ou ainda em experiências nas revistas Lx Comics e Quadrado. Aqui foi o arranque para muitos livros de novos artistas pelos finais dos 90 e século novo através da Polvo, Bedeteca de Lisboa, ASIBDP / Mundo Fantasma, Chili Com Carne, MMMNNNRRRG, Witloof, Círculo de Abuso, Nova Comix,... e mais tarde com a El Pep, Imprensa Canalha, Plana Press e Quarto de Jade.

Antes disso, em Portugal no que diz respeito a Romances gráficas só havia dois títulos / três livros que valiam a pena comprar sem passar vergonhas: O Diário de Jules Renard lido por Fred  e os dois volumes de Maus de Art Spiegelman.

sábado, 23 de abril de 2022

Pio neiro



O Santo Graal dos discos: descobrir o pecado original. O primeiro gajo ou banda que [preencher qualquer coisa aqui] na música. Apesar das certezas há sempre descobertas, o que mete em causa o que é a originalidade e a sua validação no discurso artístico. Então, agora apanhei este Song of the Second Moon (Fifth Dimension; 2015) de Tom Dissevelt e Kid Baltan (soa a contemporâneo este nome por cauda do "kid") um disco de 1962, gravado entre 1957 e 1961. É considerado o primeiro "disco de electrónica com popularidade" ao ponto de ter sido considerado por Kubrick como banda sonora para o seu 2001. Antes há os descobridores sonoros - Martenot ou Theremin - ou os compositores sérios - Stockhausen, Varèse. A dupla holandesa são uma segunda vaga de gajos mais funcionais como os torturadores de circuitos da banda sonora do filme Forbidden Planet (1956) e os vendedores televisivos - o tema da série de TV Dr. Who (1962) - estando aqui com um disco que pretende ser "espacial". Os sons artificiais devem ter demorado eternidades a fazer, falamos ainda de fitas magnéticas a serem cortadas e remontadas até à exaustão, construindo ambientes e cenários que serão mais tarde expandidos para a psicadelia "Krautrock" e o Techno mais dançável ou mais "chill". Para o fim do disco há Swing e Jazz a lembrar o Dean Elliott - curiosamente Zounds! também é de 1962 - talvez para acalmar e satisfazer as necessidades do "normie" de 62.

O Pecado Original dos discos: satisfazer o Santo Graal do mercado. Coil vende! Aliás, é a única coisa que ainda vende... Ao ponto que ao fazerem a reedição comemorativa dos 30 anos de Love's Secret Domain (1991) a Wax Trax! é trazida dos mortos. Loja e mais tarde editora de Chicago que foi o berço do Industrial norte-americano - Ministry. Revolting Cocks, KMFDM, Controlled Bleeding,... Mas não é verdade, a companhia regressou em 2014 mas parece que só lida com reedições do seu catálogo mítico. Voltanto atrás, sim Coil vende e com razão, pareciam estar sempre à frente de tudo e de todos. Este é mais um disco que prova isso, em estado de graça no admirável novo mundo do sampler e MIDI, onde o Techno e Rave são mastigados para algo que irá aparecer passado um ano ou dois - seja os ambientes de Aphex Twin seja o trip-hop dos Massive Attack. Não é música de dança embora use os seus ritmos e padrões. O dramalhão da música deles mantêm-se, claro, senão não era Coil. Boa reedição com bom texto de um gajo de Matmos / Soft Pink Truth.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

CIA info 91.3


26 de Março foi feito o lançamento da nova edição Vade-Retrum-Mécum-Magnum-Ó!tupus-Moto-Cangurulatório A R A R A  X + II. Um livro que comemora os 10 (mais dois) anos deste colectivo e oficina do Porto. A festinha foi nas suas instalações Rua Anselmo Braancamp, 519 com performances pós-musicais de Nuno Pinto + Os Favelas, Héctor Arnau, Dr. Uránio apresenta Rádio Sonoplasmática e Von Calhau. Ah porque raios divulgo isto? Porque participo no livro com um texto sobre a revista Buraco.

Entretanto já tenho o livro. É uma mera colecção de imagens soltas e nada se aprende, a não ser com o meu texto e ainda com os do Valerio Bindi (do festival Crack) e do José Feitor (Imprensa Canalha). Não se pode dar dinheiro aos artistas, gastam-no mal e perdem o pio... Ainda bem que não fui ao lançamento... ufa!

#31: Cerveja Depressão apresenta Das Schwarze Loch


O número 31 do Mesinha de Cabeceira é do jovem Marco Gomes (Hamburgo; 1995) que começa uma série de BD, Cerveja Depressão, com uma história intitulada Das Schwarze Lock (trad.: O Buraco Negro). 

Cerveja Depressão é um mergulho nas fantasias perversas e depressões que andam de mão em mão com o fundo de cada garrafa, copo ou lata (para os menos refinados) do qual tanto usufruímos para nos adormecer da realidade por uns breves momentos, mas que nos atira para um vazio sem fim. 

Das Schwarze Loch é uma aventura num mundo embriagado criado na sua própria mente onde é obrigado a enfrentar dos seus mais profundos medos. 

O ritmo é alucinante e faz de Marco um potencial autor a conquistar os mercados do mundo. 

Força, meu!

Esgotado - exemplar disponível para consulta na Bedeteca de Lisboa

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Marco Gomes : "Lethal Dose" (Void Books; 2022)

 


Eis um objecto simpático e uma primeira obra de um jovem autor. É um livro em formato horizontal, uma edição limitada de uma antologia de Marco Gomes em que ele adapta para Banda Desenhada letras de várias bandas de powerviolence / crust / black / isso... O grande problema é o imaginário das letras de bandas que já vão na terceira ou quarta geração dos (sub)géneros musicais se acharmos que tudo foi criado nos anos 80 e 90. Já dizia o outro que era mais fácil imaginar o fim do mundo que o do Capitalismo, e na verdade até esse imaginário apocaliptico já foi usado e abusado em milhares de capas de discos de punk e metal, no "gótico americano" dos filmes de Terror ou nos animes de Miyazaki & cia. Gomes meteu-se a jeito e está para lá perdido sendo que sei que sairá deste abismo estético, porque n\ao só tem idade para isso como sobretudo tem o talento necessário - a adaptação de Machine dos Bas Rotten já é prova disso. 

Quando sair deste mundo fechado de referências vomitadíssimas, irá abrir outros horizontes e poderá partir a loiça toda - agora é só os copos e garrafas. Aliás, tudo começa com uma bebedeira, pelos vistos, e Gomes vai ser o próximo autor com uma BD no próximo Mesinha de Cabeceira, numa espantosa BD sobre as maleitas da cerveja, em que está cheia de ritmo e acção. Depois do vómito e ressaca pode ser que Gomes comece a dizer outras coisas mais interessantes. Para já mostrará, que será um grande autor de BD numa linha mais comercial da à qualidade técnica do trabalho. Não arredamos é o pé deste gajo, quando ele for grande e famoso, vai-nos meter numa "guest-list" de um grande evento ou estes primeiros livros vão render milhares no crypto-bayᵀᴹ. Foram avisados!

segunda-feira, 28 de março de 2022

Big Black - August 9th 1987 - Seattle, WA (Full Show)


A melhor banda Rock de sempre - e não sou o único a dizer isso. O gajo do vídeo é o Larry Reid que conheci em 1993 no saudoso Salão de BD do Porto, ele trabalha prá Fantagraphics e conto-me histórias de colecionismo de armas de fogo (não admira que o Kurt Cobain foi com os porcos) e do William Burroughs (um chato do caralho sempre a alucinar com texugos no tecto até ficar sóbrio e profissional em palco)

terça-feira, 8 de março de 2022

Gott ist tot


Deus (2005?-2022)

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Sekáááááá

 

É fodido comprar um CD com Skinheads na capa. Aposto que até que eram uns putos fofinhos como eram os metaleiros nos anos 90. Vira-se a capa e eis os cinco negros da banda a substituir os branquelas. A música não destes putos ranhosos o que daria resultados desastrosos de certeza... ufa! 

Basicamente a capa dos Symarip era só marketing para público-alvo, quem ia comprar o disco seriam estes putos skin, pois a banda era a grande cena na altura na Inglaterra, tornando Skinhead Moonstomp (Trojan; 1970) num clássico do Ska / Reggae. 

Este tipo de música tem um encanto especial pela sua naiveté, com sons fixes a fantasiar um Caribe  perdido, letras puxando ao romance patriarcal bem-definido ora festejando o ridículo quando se está cheio de cerveja numa festa em que não faz mal fazer figuras parvas ou danças colectivas. Com o Ska a ser espezinhado actualmente pela pseudo-intelligentsia por causa da sua ruralidade e com estes dois anos passados de confinamentos, acho que é razão para defender esta música bem fixe, capaz de levantar a moral. Com a vantagem que se pode dançar com a patroa enquanto o bicho-covid não passa de moda. E por falar nisso, tenta-se ignorar também os Skins - sim, sei que estes não eram racistas, isso vai acontecer nos 80s - e que foi uma moda juvenil inglesa infelizmente importada para países que deviam ter mais juízo. É preciso saber crescer.

O que não é fácil. 49 anos depois eis um registo de Roy Ellis, o vocalista dos Symarip com uns espanholitos (claro, quem mais curte Ska neste planeta a não ser os nossos vizinhos pândegos!?), com os Transilvanians para o disco Almighty Ska (Liquidator; 2019). Parece que nada mudou em quase 50 anos, na realidade é o que se pretende neste tipo de projectos, ninguém quer ouvir estes sons com novas roupagens e mutações - nutre-se a nostalgia, já assim o era nos anos 90. Creio, que será um disco que funcionará como epitáfio para o Senhor Ellis, uma celebração de um género de música, com uma voz mais madura e um som mais limpo. Porreiro para o pequeno-almoço ou para o fim de tarde de copinho de vinho na mão. Skins, nem vê-los... ufa!

Quanto ao Two Tone, nome de uma editora de curta mas importante duração com o mesmo nome do "género" que inventou ao investir em bandas Ska compostas por punks brancos e emigrantes ou uma segunda geração de emigrantes negros afro-caribenhos - por momentos houve esperança na Humanidade. Apesar de ser uma edição rasca, Ska! (Proper; 1999) junta como "best of" duas bandas The Beat e The Selecter dessa editora / género e que mostra bem que houve uma metamorfose no ska inglês. Em muitos casos este torna-se politizado (sendo a grande porca Thatcher o maior alvo de críticas) mas sobretudo o som deixa de ser "puro jamaicano" para incorporar Rock e Pop daquela altura - finais dos anos 70 e princípios dos 80. Sobretudo Selecter expande-se em vários caminhos que até deixam dúvidas se ainda estamos perante  Ska / Reggae. Claro que o melhor tema de sempre desta onda será o Ghost Town dos The Specials, verdadeira música de terror para quem vive a urbe decadente. Claro que devido à melancolia do tema já não se pode chamar de Ska, hahahahaha


Nos anos 90 e nos EUA houve um "revival" de Ska. Entre aspas porque não sei se na terra de gringos houve alguma vez Ska original. Welcome to Skannecticut (Elevator; 1997) é uma colectânea de 15 bandas do estado de Connecticut, onde se afirma que na altura tinham uma grande cena de Ska. Go figure... O Ska nos EUA ou noutros países deixou para trás o jamaicano e britânico e torna-se o espaço de recreio para tocar música apenas divertida ao ponto de fazer trocadalhos com o nome do estilo, como o título deste CD ou ainda dos seus participantes J.C. Superska - ou os saudosos Skamioneta do Lixo, de "SKArcavelos", sorry sorry, não resisti! O fenómeno está acompanhado com o do novo swing (Squirrel Nut Zipers) e exótica (Combustible Edison), ou seja, reações à sujidade Grunge da altura. 
A coisa é tão grande que até quando se fazem aqueles discos de discos de tributo, geralmente com uma dezena de bandas bem diferentes, em 1997 para o tributo de Duran Duran a maior parte das bandas são de Ska e derivados: punk-Ska ou Skacore. Este CD do Skannecticut é uma polaroid desses tempos, com o som tradicional em regime de banda de baile até ao estilo acelerado por punks engraçadinhos com pica (piça!) - na onda dos Voodoo Glow Skulls. Um disco porreiro, pá, deixem de ser arrogantes e deprimidos, ponham um pouco de trombones nas vossas vidinhas.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

#30: La Terrible Histoire des Trois Cervaux de Magnólia




Já anda por aí a BD-assalto-colorido-aos-olhos La Terrible Histoire des Trois Cervaux de Magnólia da Alexandra Saldanha... é o novo Mesinha de Cabeceira!!!

2022 significa para o Mesinha de Cabeceira 30 anos de existência - será em Outubro a mega-festa, cóf cóf cóf - e estou muito satisfeito com esta nova "fórmula editorial" começada o ano passado com A Fábrica de Erisicton, ou seja, usar o Mesinha para publicar os primeiros trabalhos de novos autores - retomando o verdadeiro espírito do zine, estando também atento aos novos tempos.

 Alexandra Saldanha (1996, Guimarães) é mais conhecida pelo seu envolvimento na música com a banda Unsafe Space Garden e a editora Discos de Platão mas entretanto já participou com BD no Monde Diplomatique - Edição Portuguesa e na agenda cultural Yuzin - apara além de colaborar no jornal A Batalha.

Este é o seu primeiro trabalho de fôlego onde nós, meros mortais, testemunharemos um conteúdo indisciplinado, total extravagância de cores e colagens infinitas - desconfio que "fractal" seja o segundo nome desta artista. Tal como o último álbum da sua banda Unsafe Space Garden, Saldanha tenta ajudar-nos, a nós humanos, a termos um sentido para as nossas vidinhas, e falha totalmente e extravagantemente. É obra! É shanticolour! É RGB daemon! É crazy! - Marcos Farrajota, editor do MdC

PS - a BD está redigida em português, só o título está em franciú sabe-se lá pourquoi...



Ed. limitada a 100 exemplares, 24p. a cores + capa a cores 18x24,5 cm, agrafado

 Para além de estar na loja virtual da Chili Com Carne já se encontra na ZDB, Utopia, Tinta nos Nervos e Tasca Mastai. Brevemente na Snob, Linha de Sombra, Kingpin Books e Tigre de Papel.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

PRÉ-VENDA --- DJ Cat Gosshie World Tour de HARUKICHI


As forças cósmicas são fortíssimas, é o nosso segundo livro na colecção Mercantologia com um gato que curte música!! 

Fazer o quê? Contra estas forças nada podemos fazer, maninhos!


Então é assim, estamos em pré-venda até 19 de Fevereiro deste livro que é um "best of" dos hilariantes seis números do zine do gato DJ, criação e alter-ego (?) do japonês Harukichi.


O gato viaja por tudo o que é lado - Japão, Holanda, Irão, Suíça, Singapura, LISBOA (e ao Boom!!!), Peru - para encontrar discos raros a preços modestos, fumar ganzas, por som e comer queijo do bom e do melhor, enfim... como qualquer pessoa normal faz quando viajava, certo?


E como toda a gente gosta de gatos, esta é uma co-edição com as Ediciones Valientes e a Kuš! Komikss - em castelhano e inglês respectivamente.

Dia 19 de Fevereiro, às 15h30, lançamos esta maravilha na Tinta nos Nervos, acompanhados com a Sendai que vai fazer sair o Na Prisão de Kazuichi Hanawa...