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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Invisual #38 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, mais uma emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Marcos Farrajota, o 38º programa irá incidir sobre algumas novidades editoriais e algumas pérolas musicais ligadas à bd/ilustração como Primitive Reason [por causa das "Noitadas (...) e o respectivo primeiro concurso do Invisual que ainda está no "ar"!!! - para além do primeiro álbum dos Primitive também ter desenhos], Gorillaz (para quem só agora começou a ver o que comprou na Feira Laica), Miguel Mocho (e o recente Long Knives Through the Grapevine com desenhos de Filipe Abranches - imagem), Silver Jews (porque David Berman também desenha) e The Great Lesbian Show (porque é novidade e não só).

E atenção a esta emissão, continua o primeiro concurso - a oferta do livro Noitadas, Deprês & Bubas (ed. Chili Com Carne; 2008)!
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

quinta-feira, 27 de março de 1997

# onze


Capa de Julie Doucet. BD de Marcos Farrajota, com colaborações de Julie Doucet, Melissa da Silva, Geral, Mike Diana, Janus, João Fazenda, Katy, Rafael Gouveia e Marte.
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix + Associação Chili Com Carne, Mar'97 - 120 exemplares fotocopiados
ESGOTADO - bd reeditada no livro Noitadas, Deprês e Bubas. Encontra-se exemplar no Centro de Cultura Libertária (Cacilhas)
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Segunda parte de Apontamentos de Noitadas, Deprês e Bubas. Incluia suplemento Meseira de Cabecinha #3. Momento de glória: parte da bd foi feira durante a performance BD & Cafeína - 24 horas a fazer bd no espaço Ágora (1997) com o Rafael Gouveia.

quarta-feira, 27 de novembro de 1996

#10


Capa e bd de Marcos Farrajota, com colaborações de Pim, Rato, Nuno, Daniel D. (Dias), Mike Diana, Janus, Lacas, Peter Kuper, Pepedelrey, Geral & Derradé e Miguel Falcato.
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix + Associação Chili Com Carne, Nov'96 - 150 exemplares fotocopiados
ESGOTADO. Disponíbel na Bedeteca de Lisboa e Casa da Achada - bd reeditada no livro Noitadas, Deprês e Bubas.
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Primeira parte de Apontamentos de Noitadas, Deprês e Bubas. Incluia suplemento Meseira de Cabecinha #2.

sexta-feira, 27 de junho de 1997

#12



Capa e bd de Marcos Farrajota, com colaborações de Rafael Gouveia, Adrian Tomine, Janus e Leonor Gomes.
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix + Associação Chili Com Carne, Jul'97 - 100 (s/ corte do suplemento) + 100 exemplares fotocopiados
ESGOTADO - bd reeditada no livro Noitadas, Deprês e Bubas.
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Terceira parte de Apontamentos de Noitadas, Deprês e Bubas. Incluia suplemento Meseira de Cabecinha #4.
Momento de Glória: não há... o MdC nunca mais voltaria à fotocópia...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Invisual #37 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, mais uma emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Marcos Farrajota, o 37º programa, é bastante "Retro-Industrial" e por várias razões: Negativland (relembrando a recente visita ao nosso país), Einstürzende Neubauten (outra vez por causa das noitadas), Alec Empire (por causa dos Psycho Whip), F. Leote (por causa do Cabeça de Ferro) e Gorillaz (para quem perdeu a Feira Laica) - quase sempre com a presença fantasmagórica de Guillame Soulatges via um livro / CD do Le Dernier Cri.
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E atenção a esta emissão, será feita o primeiro concurso - a oferta do livro Noitadas, Deprês & Bubas (ed. Chili Com Carne; 2008)!
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

sábado, 10 de outubro de 2015

Mercantologia 8: Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology


Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology
de
Marcos Farrajota
Oitavo volume da Colecção Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines.
80p. 15 x 21 cm
666 exemplares
ISBN: 978-989-8363-34-3
PVP: 10€ (50% desconto para sócios, jornalistas e lojistas) à venda na Chili Com Carne, a partir de dia 10 de Outubro na Mundo Fantasma, BdMania, Letra Livre, Artes & Letras, brevemente na LAC, El Pep, Matéria Prima,... seguido de FNAC, Bertrand,...

Eis a terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota depois de Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne nesta mesma colecção. O novo livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology reúne material disperso em várias publicações - incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Metalfest mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por "s" como a Suécia ou a Sérvia!

As Bds que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto - Puppetmastaz, Repórter Estrábico ou Dälek - como algumas "fim-da-linha" como os Dr. Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.

O livro vai ser lançado em Outubro, primeiro numa exposição homónima na Mundo Fantasma (10 de Outubro, às 17h) e outra no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito da exposição SemConsenso a inaugurar no dia 31 de Outubro.

Ah! E o Rudolfo vai participar no livro... com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!

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sobre o autor: Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa tendo sido responsável por várias publicações e eventos como o Salão Lisboa 2003 e 2005. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita (26 números). Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD: Publish or Perish, Amo-te, Osso da Pilinha, Stereoscomics (França), Milk & Wodka (Suiça), Prego (Brasil), Cru, White Bufallo Gazette (EUA), Shock, Blitz, Free! Magazine (Finlândia), Bíblia, V-Ludo, Umbigo, Pangrama, Stripburger (Eslovénia), Pindura (Brasil), My Precious Things, Banda, Page, Biblioteca, La Guia del Comic (Espanha), Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, Zundap, Inguine Mah!gazine (Itália), Splaft!, Kuti (Finlândia), š! (Letônia), Hoje, a BD - 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa), Crack On (Forte Pressa), Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa (Museu Berardo), Boring Europa (Chili Com Carne), Futuro Primitivo (Chili Com Carne), No Borders (Alt Com), Sculpture? (Cultural Center of Pancevo), Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti (Edizioni Del Vento), Metakatz (5éme Couche) e Quadradnhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Festival de Treviso).

Criou e escreveu a série Loverboy (4 volumes) com desenhos de João Fazenda, tal como já escreveu BDs para Pepedelrey, Jorge Coelho e Fábio Zimbres. Tem feito capas, cartazes e BD's para bandas punks e afins: Acromaníacos, Agricultor Debaixo do Tractor, Black Taiga, Censurados, Crise Total, Çuta Kebab & Party, Gnu, Gratos Leprosos, Ideas For Muscles, Jello Biafra, Lacraus, Lobster, Melanie is Demented, Peste&Sida, Rudolfo, Sci-Fi Industries, shhh..., Sunflare, Vómito e Whit. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como BD & Cafeína - performance de 24h (1997), Feira Laica (2004-2012), Pequeno é Bom (2010),... Bem como de acções de formação (Ar.Co, IPLB,...), colóquios, um programa de rádio - o Invisual (Rádio Zero, 2008-09) - e sessões de unDJing tendo já "tocado" (pffffff) nos Maus Hábitos, Festival Rescaldo, Jazz em Agosto, Bartô, Sabotage Club e Damas.

Já participou em algumas exposições de BD sobretudo colectivas - sendo de salientar a Zalão de Danda Besenhada, o último salão dos independentes na Galeria ZDB (2000), LX Comics 2001 na Bedeteca de Lisboa (2000/01); Mistério da Cultura na Work&Shop (2008) e Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011); bem como em vários festivais: BoDe, Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, KomikazenMAGA e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito gosto e lágrima no olho ao desafio de mostrar originais seus (horríveis e em visível degradação perversamente antecipada) na galeria da loja Mundo Fantasma - um grande chi-coração ao Zé e ao Júlio!

Estava previsto um "stand up comedy" para a inauguração mas o autor não foi rápido o suficiente para preparar a peça! Shame on tha nigga!


Bibliografia: É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), Loverboy (c/ desenhos de João Fazenda, 4 volumes, Polvo, Chili Com Carne; 1998-2001, 2012), NM2.3: Policial Chindogu (c/ desenhos de Pepedelrey, Lx Comics #9, Bedeteca de Lisboa; 2001), Noitadas, Deprês & Bubas (Mercantologia 3, Chili Com Carne; 2008), Raridades, vol.1 (c/ arg. Afonso Cortez Pinto, Zerowork Records; 2009); Talento Local (Mercantologia 4, Chili Com Carne; 2010), 15º SWR DVD (SWR inc.; 2013).


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FEEDBACK: Toast!!!And the Jamaican use of the word refers to "extemporary narrative poem or rap" like in reggae music, but toast also means a call to drink's at somebody's health or good news. In our case, the release of the Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology book !!! DJ Balli ... UAUH..... respect.... 666 exemplares? o must :-) Luís Lopes ... 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Maria Isabel Mendes de Almeida e José Machado Pais [org.] : "Criatividade, juventude e novos horizontes profissionais" (Zahar; 2012)



Coincidências servem para romances do Paul Auster e "posts" catitas... como este! Enquanto eu publiquei o Mesinha de Cabeceira #24 onde está uma BD onde aparece o sociólogo José Machado Pais, ele lança este livro, Criatividade (...), no Brasil, pela editora Zahar, onde... eu apareço!


JM Pais no MdC #24

Criatividade (...) colecciona uma série de estudos feitos em Portugal e no Brasil sobre novas formas de criação e trabalho.  Algumas são historicamente ligadas a vários tipos de marginalidade como a tatuagem (símbolo de excelência dos rufiões e da prisão), o Hip Hop (na sua origem de cultura de rua) e a BD (uma arte não reconhecida como Arte seja pelo público seja a nível institucional) - é nesta última onde entro, claro está, com algumas vinhetas da BD "Die Fliege II" publicada no Noitadas, Deprês & Bubas  (Chili Com Carne; 2008). 
Os estudos aqui publicados mostram como estas sub-culturas vieram à tona através do advento da Internet e outros media, que as tecnologias digitais modificaram os modos de vida do século XXI ao ponto de que se fala em geração "slash" - o tipo que é médico/DJ/poeta, por exemplo -, que a criatividade e os meios de profissionalização se complementam, sobretudo numa base autodidacta (ainda há poucos anos não havia cursos universitários de BD, por exemplo) como se encontram soluções e cooperações através de contágios em áreas diferentes. É um testemunho de uma geração que abandonou o romantismo do génio criador e solitário, que é capaz de ser nómada, "oblíqua" e "modal" - e asséptico, plástico e chato, acrescento eu...
Outro ponto interessante do livro é que apesar de haver um oceano a separar os dois países onde foram recolhidos depoimentos e foram feitos os estudos, a verdade é que os discursos e modus operandi dos criativos são iguais, sem diferenças ou características nacionais como a Aldeia Global gosta! Preocupante?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Invisual #36 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, mais uma emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Marcos Farrajota, o 36º programa, vai ser dedicado à 10ª Feira Laica a decorrer no Sábado, dia 28, na Bedeteca de Lisboa!!!

Playlist: Double-Swinale, Johnny Trip, I.M.I.V. (bandas italianas punk/HC merdosas por causa do Crack), Paxy Dragon (ressaca anarquista e futura segunda mão na Feira Laica), Lobster (a estreia do colectivo Hulülülü) e Einstürzende Neubauten (por causa das noitadas).
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Ciclo de músicas do Super-Homem: repetimos o nada óbvio álbum Superman was a Rocker (Happy Jack Rock; 2008) de Robert Pollard porque correu mal da outra vez.
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

quinta-feira, 25 de maio de 1995

#7 : Geração Ovelha



Capa de Marcos Farrajota, Luis (foto) e João Fazenda (ovelha). Participações de Marcos Farrajota, José Carlos Fernandes, Max, Marte & Miguel Falcato, Pedro Gil, Nunksy e Vitor Borges.
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix, Mai'95 - 100 exemplares fotocopiados
ESGOTADO, exemplar para consulta no projecto Keep it Simple Make it Fast!; BDs de Marcos Farrajota acessíveis nos livros Noitadas, Deprês e Bubas e Talento Local. BD de Loverboy reeditada em Loverboy na Feira das Vanessas.
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Uma tomada de conciência social? Uma crítica à geração dos anos 90? Momento de Glória: Miguel Falcato a desenhar o Loverboy?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

DEA report on "Troca de Discos || PUREX"

2 leitores de CD e gira-discos!!! Casa cheia e animada!!! Assim sim, vale a pena por som (actividade que este vosso humilde unDJ pouco tem feito este ano). Para completar o ramalhete foi uma Festa de Troca de Discos inserida no Festival Internacional ADD-WOOD 2007 que aconteceu ontem no Fufex, perdão no Purex. Serviu de desculpa para inaugurar estas jornadas (noitadas será o melhor termo) de mau-gosto e arte falhada...

A festa não foi tão falhada como isso porque consegui trocar discos com duas pessoas (nada mau considerando que quase ninguém alinha neste projecto) livrando-me dos vinílos dos Beaver Brothers (muito apropriado para o sítio) e o animal do Lymal (o LP que tinha o famoso Neverending story) e em troca ter ficado com seis singles, três de Pop dos horrorosos anos 80 e uns "vintages" bem giros. Do Pop piroso: Matt Bianco (Don't blame on that girl, 1988 - o lado B é indiscritívelmente mau e sem relação como o Pop latino de Bianco), Silver Pozzoli - nem sabia que era ele que cantava o vomitante Around my dream (1985), felizmente o lado B é instrumental - e mais uma escrava branca dos produtores Stock e Aitken, uma tal Hazell Dean (They say it's gonna rain, 1985). Como é óbvio, estes singles estarão prontos para serem trocados nas próximas festas de troca de discos.

Quanto à secção vintage a escolha foi pelas capas como a dos holandeses Hotcha Trio, um trio de "divertidos gaiteiros" mas «com acompanhamento ritmíco» como está explícito na capa. Fazem raposódias de temas de Cole Porter e outros e de divertido nada tem - não há nenhuma correlação com Spike Jones - mas o Jazz/Swing e agradável de se ouvir. Tal como é a edição francesa de Daddy Long Legs (Papa Longues Jambes) de Ray Anthony que na contra-capa até ensina a dançar o primeiro tema (Sluefoot) com esquemas e instruções. Também pela capa mas já sabendo do que iria ouvir foi Hawaiian memories, vol.2 (Coral Records) de Danny Stewart and his Islanders - o título e o nome da banda dizem tudo! Muito fixe! Valeu a pena esta festa!!!

Por fim, devo dizer que a noite foi eclética como sempre (HipHop, Rock, Electrónica) e para fechar a noite até houve Heavy Metal xungoso dos W.A.S.P. e Judas Priest - Painkiller é sem dúvida um grande tema e também a única coisa de jeito feita por estes anormais. Não fui expulso da cabine como esperava... Também, a organização não esperava que a música fosse tão boa (modéstia à parte) e talvez este seja um erro generalizado de quem pensa que estas festas sejam de "música má". O facto de querer despachar discos que já não oiça ou não goste, não quer dizer que o som incorporado nas rodelas seja kitsch ou ordinário, certo?

[disco de Beaver Brothers ao fundo... já perceberam porque tinha este LP?]


[golden all gear in action... fotos de jucifer]

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Exposição "Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology" || MUNDO FANTASMA até 13 de Novembro



Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa desde 2000. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita. Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD pelo mundo fora. Criou a série Loverboy com desenhos de João Fazenda. Tem feito capas e cartazes para bandas punks e afins. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como a Feira Laica, bem como acções de formação, colóquios, rádio e "unDJing". Participou em várias exposições de BD colectivas como o Zalão de Danda Besenhada na ZDB (2000) ou Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011) bem como em festivais como Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, Komikazen em Ravenna e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito prazer o desafio de mostrar originais seus na galeria da loja Mundo Fantasma - inauguração dia 10 de Outubro, às 17h.

A acompanhar e de título homónimo será lançado o livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology. Tal como os seus livros anteriores, Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne, este novo livro reúne mais BDs autobiográficas suas dispersas em várias publicações desde 2010, incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Barroselas Metalfest.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mercantologia 4: Talento Local

para quem queria ler mais depois do Noitadas e É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998) e perdeu zines, revistas, jornais e exposições com trabalhos do Farrajota: My Precious Things, BoDe, Bíblia, Inside, Cru, Publish or Perish, Zalão de Danda Besenhada, Amo-te, Osso da Pilinha, V_Ludo, Stereocomics Special SPX (França), Milk+Wodka (Suiça), LxComicsZine, Mistério da Cultura, Crack On e Combate... agora fica tudo compilado!
Mais uns inéditos, poucos!
Este livro fecha um ciclo de produção em que toda a BD autobiográfica de Farrajota se encontra em 3 livros! O quotidiano suburbano desinteressante fica para a posterioridade! Que venha uma bomba atómica para cima da Biblioteca Nacional para que se perca o rastro deste infeliz ser humano!
Há ironia com um título como "Talento Local". Mais quando se junta o pastor protestante estrela roque do Senhor Tiago Guillul no prefácio - um bom livro de um escritor de Domingo tem sempre alguém da paróquia para prefaciar! E ainda mais quando o autor de bd sérvio Aleksandar Zograf se junta para uma bd a meias (inédita).
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quarto volume da Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines.
80p. 15 x 21 cm
500 exemplares
ISBN: 978-989-8363-08-4
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PVP: 5€ (50% desconto para sócios, lojas e jornalistas) à venda no sítio da Chili Com Carne. Brevemente na CDGO.com e Fábrica Features
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Historial: lançado na 17ª Feira Laica (Dez'10) ...
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Feedback: é fixe rever alguns conceitos famosos dos 90’s: em Londres é que se faz teatro Rafael Gouveia ...


exemplos de bd's:

originalmente publicadas no Inside (1998), Cru (1999), Stereoscomic (2001) e Milk+Wodka (2003)

quarta-feira, 25 de outubro de 1995

#8 : Ovelhas Anarkas


Capa de Jorge Coelho (cabrão) e Leonor Gomes (cães). Participações de Marcos Farrajota, Pedro Brito, João Fazenda, Mira, Marte, Damage Fan Club (entrevista), Marcelão, Nunsky, José Carlos Fernandes, Yvan Alagbé ainda Guima (?).
Editado por Marcos Farrajota e João Fazenda / FC Kómix, Out'95 - 125 exemplares fotocopiados
ESGOTADO, exemplar acessível para consulta no projecto Keep it Simple Make it Fast!; BDs de Marcos Farrajota acessíveis nos livros Noitadas, Deprês e Bubas e Talento Local.
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Um "mash up" do Lixo Mental com Geração Ovelha? Talvez... Incluia o suplemento My Precious Things onde incluia resenhas a edições independentes e tiras humorísticas como Lista de Ódio (uma tentativa de cruzar o formato de tira humorística com a autobiografia, sendo a presente a primeira verdadeiramente autobiográfica). Foi publicado em formato "split" com o terceiro e último número do zine Comtrastes, editado por João Fazenda. Momento de Glória: vários de certeza pela quantidade copos e ganza que tomava na altura...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mitomania - a escolha dos nossos dias!

Marte & Miguel Falcato no Mesinha de Cabeceira #7 (1994)
 

Loverboy na Feira das Vanessas
por
Marte, João Fazenda, Jorge Coelho
e ainda António Kiala, Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato, Nuno Nobre, Pedro Brito, Rui Gamito e unDJ GoldenShower

Capa a cores, 16 páginas a 2 cores (16,5x23 cm) e 32 a preto e branco (A5). Edição da Chili Com Carne, 7º volume da Mercantologia, colecção que recupera material perdido do mundo dos fanzines. Design de Joana Pires; Capa e fotos de olhos(«Ä»)zumbir realizadas no estúdio da União Artística do Trancão e em Sede Adres, com apoio à produção de xoscx e Adres. Bonecos realizados por Miguel Rocha e Alex Gozblau para a exposição "Loverboy Store: Liquidação Total" no Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2001, na Cordoaria Nacional.

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Este volume trata-se de uma compilação de “raridades” relacionadas com a série Loverboy que não foram publicadas nos três livros pela Polvo entre 1998 e 2001. Encontramos a reedição da “origem” da personagem em BDs ainda desenhadas por Marte – relembramos que os livros foram escritos por ele e desenhados por João Fazenda - e publicadas originalmente no zine Mesinha de Cabeceira entre 1993 e 1995. Participações em outros zines (Amo-te), antologias (a seminal Mutate & Survive) e revistas como a 20 Anos (oito BDs desenhadas por Fazenda), em alguns casos com as participações de outros ilustradores como Arlindo Yip Sou, Miguel Falcato e Rui Gamito. Algum “fan-art” de Pedro Brito, Jorge Coelho e Nuno Nobre (que fez um comic-book nos EUA sobre a Angeline Jolie!!!). São mostradas ainda curiosidades como os bonecos das capas, que foram feitos para uma exposição no Salão Lisboa 2001.

São mostradas ainda apropriações das personagens por Marcos Farrajota (em Noitadas, Deprês e Bubas) ou na série Psycho Whip - série de BD de unDJ GoldenShower (a) e Jorge Coelho (d) para a revista de música gótica-industrial Elegy Ibérica.

A história da série é contada por António Kiala, um académico que foi fundador do Mesinha de Cabeceira, que é bastante mais crítico e interessante que o material reunido, analizando o processo desta edição e da forma como a cultura DIY se vulgarizou na mitomania.

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O livro está à venda no site da Chili Com CarneFábrica Features, Trem Azul, Feira do Livro de Poesia e BDMundo Fantasma, BdMania, Matéria-Prima, Abysmo, Artes & LetrasKingpin BooksPó dos Livros, UtopiaLetra Livre e LAC.

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Feedback: olha já li o Loverboy, boy!! tá muita bom, gostei do todo. o fanzine do interior marca pontos, gostei bastante de rever o traço do Fazenda, o Coelho desenha mesmo pra c...(deviam ter continuado com a cena do Psycho Whip!!) curto bué a história do coquinado, a da descoberta da punheta e claro a do taxista impotente. como sou fã do Loverboy desde as minhas primeiras borbulhas no nariz,devo dizer-te que é me praticamente impossivel falar mal do Loverboy mesmo sabendo que ele é uma má companhia... tanto o Loverboy,o Astarot e o Leonardo, são personagens muito bem construidas, com vida própria e estão de tal maneira interligadas que me é impossivel dizer de qual gosto mais, mas uma coisa é certa sempre achei a irmã do Loverboy sexy... ps - tão importante como as histórias e o desenho é o texto do Kiala que nos mostra o percurso por trás das histórias, são 20 anos parabéns!! David Campos ... Parece que é para os amigos, esta edição. Está entre o "muito cuidado" e o "foi o que se arranjou!". Parece que o caderninho do meio vai dar umas luzes, mas nunca se percebe a) o que é a Feira das Vanessas (Amadora??) e b) onde é que vai dar a história da 2ª parte! Fiquei com curiosidade com as páginas a cores do Fazenda que foram todas filtradas a vermelho. De qualquer forma, tá fixe... o Fazenda e o Coelho sempre são "profissionais" com as respectivas afectações, com o Coelho a fazer umas cores incrivelmente esgalhadas para o que está em causa. Melhor mesmo é o caderninho interior e as suas bds "péssimas" que achei ainda melhores que o resto. Inusitada a ideia do Loverboy nunca fechar o negócio, mas tem graça (nunca li nenhum livro - espero que isso continue com o personagem). O Marte, duvido que exista, mas desejo-lhe boa sorte no refúgio ultramontano que arranjou. Há algumas bocas à cena dos zines que me parecem pertinentes e actuais, e o resto, lido como posta "de época", também se sai bem! Pode ser que um doutoramento parasita redima tudo isto. Astromanta

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quase chorei com esta entrada...


Marcos Farrajota (Lisboa, 1973) é um dos mais activos agentes da cena da banda desenhada portuguesa contemporânea, enquanto programador, editor e formador da Bedeteca de Lisboa (desde 2000) e noutros círculos mais independentes, e sobretudo enquanto editor das publicações da Associação Chili Com Carne (1995) e MMMNNNRRRG (2000), cujos títulos deram a conhecer a um público mais alargado alguns dos autores de Tinta nos Nervos, autores estrangeiros de círculos underground/independentes ou editando projectos internacionais como Crack On (Chili Com Carne/Forte Pressa: 2009). Mesmo como radialista (Invisual, Rádio Zero: 2008-2009) e “UnDJ”, a sua actividade procura as relações com a banda desenhada. A sua participação em fanzines recua alguns anos, destacando-se o ainda existente Mesinha de Cabeceira (o qual se tornou um “selo” de vários títulos), que fundou com Pedro Brito em 1992, ou os títulos Publish or Perish (com Rafael Gouveia) e Osso da Pilinha (com Joana Figueiredo); publicou muitas histórias e trabalhos em títulos tão diversos Quadrado, Zundap, os jornais Blitz e Público, as revistas Bíblia, V-Ludo e Underworld. Assinando como “Marte”, escreveu os três volumes da série Loverboy, desenhados por João Fazenda (Polvo: entre 1998 e 2001) e NM2.3: Policial Chindogu, desenhado por Pepedelrey (Lx Comics no. 9, Bedeteca de Lisboa: 2001), mas escreveu também para autores como Pedro Brito, Rui Gamito, Jorge Coelho e o brasileiro Fábio Zimbres, e desenhou uma pequena série escrita por Pedro Moura.
Enquanto autor a solo, conta na sua bibliografia com os livros É sempre tarde demais (Lx Comics no. 2, Bedeteca de Lisboa: 1998), e as antologias Noitadas, Deprês & Bubas (Chili Com Carne: 2008) e Talento Local (Chili Com Carne: 2010).
Marcos Farrajota trabalha no interior dos seus limites enquanto desenhador através de uma genuína atitude devedora do “do it yourself”, da “art brut”, composições de página inusitadas, um emprego criativo da matéria verbal que espalha pelas imagens, mas sobretudo pela intensidade das suas narrativas. Se bem que podemos encontrar já em Bordalo Pinheiro e outros autores pequenas experiências autobiográficas, é Farrajota, influenciado por autores como Harvey Pekar, Robert Crumb e todo o grupo dos autores norte-americanos dos anos 1990, quem se tornou um dos percursores mais visíveis da autobiografia moderna em banda desenhada em Portugal (que, fora parcas experiências, não é de todo um género comum no nosso país, com a possível excepção de Marco Mendes). Poderemos eventualmente irmaná-lo com autores tais como Mike Diana ou Christopher Webster, que publicou, pela veia cáustica, mas encontrando em Eddie Campbell e em Ralph Steadman possíveis modelos de um uso livre de tintas e riscos no adensamento das imagens (Hunter S. Thompson, com quem Steadman colaborou, é também um modelo no posicionamento “gonzo” das reportagens de Farrajota em torno do mundo musical). Os concertos a que assiste, as experiências - boas e más - com os amigos, as relações humanas, com o mundo, os delírios e os sonhos, transformam-se na matéria comum da franqueza das suas histórias. - Pedro Moura in catálogo da exposição Tinta nos Nervos, distribuído pela Chili Com Carne

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Invisual #39 || RÁDIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, mais uma emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Marcos Farrajota, o 39º programa será um especial Nevada Hill / Zanzibar Snails. Ou seja, sobre o autor de bd / ilustrador / editor do zine Mass, e guitarrista dos Zanzibar Snails - banda Improv com discos editados pela Mayyrh e Phantom Limb. Mais ligações promíscuas entre a bd/ilustração e a música não podia haver...

E ainda Balla, concluindo o concurso das Noitadas (...) que foi um flop... acho que ninguém ouve o programa, ou ninguém quer o meu livro!
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

On 2012/01/24, at 15:35, L.B. wrote:

Quase nunca recebo este tipo de coincidências da vida. Eis uma nova finalmente:

Desculpa não te ter recebido quando vieste cá a casa, não deu mesmo… Mas ao menos conheceste a minha mãe (eheh). (...) Eu curto bué as tuas cenas meu, acho que é preciso ter colhões para ser autobiográfico na bd e eu não sou um grande conhecedor de BD conheço poucas coisinhas mas tu és um dos que estão no topo para mim (ao lado do Bagge e do Clowes quer queiras ou não!!!), identifico-me bué com as tuas historias meu, tb tens um bocadinho de Harvey Pekar em ti (sorry…). Curto bué a historia da Bifa, sou pouquinho eu com as ladies também… as tuas listas de ódio são brutais, e também acontecia-me pouquinhas vezes ficar paranoico em o meu pai e a minha mãe descobrirem que eu fumo ganzas! Agora já não porque os meus pais ja sabem e não foi assim tao dramático quanto pensei que ia ser. A primeira cena que li tua foi o Talento Local porque um amigo meu comprou quando estava a haver uma exposição no CCB de bd tuga e curti bué! Apixei acho que na Feira Laica do ano passado no verão, a ti mesmo se não me engano. E este ultimo que comprei (Noitadas, Deprês & Bubas) foi para dar a minha namorada (que também gosta imenso das tuas cenas, ela ontem disse-me isto "O Halloween tá para o hip hop como o Marcos ta pa bd na tuga" se não gostares de Halloween não leves a mal nós curtimos e é bem) no Natal, e meu sem exageros foi uma das cenas mais fixes que li da tuga! Só me falta mesmo ler o Boring Europa se não me engano, a minha namorada já leu (porque a irmã mais velha dela tinha em casa) e curtiu bué também. (...) 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ano 2012 acabou!


Eis uma continuação das bds "Ano 2000 (o ano em que afinal o mundo não acaba)" publicadas originalmente no Mesinha de Cabeceira #8 (1995) e Osso da Pilinha #1 (2001), mais tarde reeditadas nos livros Noitadas, Deprês & Bubas e Talento Local
Intitula-se "2012 (mais um ano em que o mundo afinal não acaba)" e são 3 páginas para manter a tradição das bds antecedentes. Talvez venha a fazer parte do corpo de trabalho a desenvolver na residência... ou talvez não. Eventualmente faria sentido editá-la num zine qualquer mas tal coisa já não existe em Portugal, pelo menos. Se alguém estiver para fazer um zine de fotocópia barata e precisa de colaborações ofereço esta bd na boa!
Entretanto é curiosa a ideia de publicar em fotocópia porque esta forma de publicação mudou na imenso na última década. Não e só a questão se ainda há ou não pessoas as fazê-lo após a revolução digital que temos sofrido - basta lembrar o tufão Rudolfo que publica os seus zines monográficos como ainda a antologia Lodaçal - mas é preciso reparar que a própria tecnologia das fotocópias ao fazer melhoramentos tecnológicos modificou-se radicalmente. As fotocopiadoras agora são todas a lazer, o resultado final da reprodução é sempre "slick" (vistoso, brilhante) igual ou até melhor que uma revista profissional impressa... Já não é mais aquela cópia granulosa mas precisa, de reprodução ríspida e quase táctil. Havia uma estética própria da cultura zine que não vinha só dos "erros" dos editores e criadores mas também da própria (falta de?) qualidade das máquinas. É uma estética para sempre perdida, se formos a pensar bem porque não pode ser recuperada como aconteceu com a serigrafia porque as condições tecnológicas são muito mais complexas - são máquinas para as quais que já não há peças, assistência nem consumíveis. Curioso, não?

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Visita ganzada


Sempre se disse que BD é para ser publicada e não para se expor na parede. Não sei se é por concordar em grande parte com isso que ganhei resistência a exposições de BD, ou apenas, os meus originais são tão feios e lixados que nenhum "agente da BD" queira promover exposições minhas. Não sei mas também não é que eu me possa queixar assim tanto, logo em 1998 tive direito a uma individual na Universidade De Aveiro, "Auto da Fé(rrajota)" organizada pelo Núcleo de BD e mais recentemente (o tempo passa, meu!) em 2015, a "Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology" (título homónimo do livro) na galeria da Mundo Fantasma. Pelo meio participei em algumas exposições colectivas nacionais - destaque para a “Tintanos Nervos” no CCB (2011) - e umas três no estrangeiro (Ourense, Ravenna e Pančevo).

Fico feliz que o João Silvestre me tenha convidado e que não se atreveu a colocar como "curador" porque senão recusaria logo. Tivemos trocas de emails a pensar o que faria sentido expor, é certo, mas sem uma hierarquia e esse parasitismo do intermediário. Ele organizou e essa palavra "organização" é mais catita que "curadoria", é o que acho porque acredito na cultura DIY numa óptica colaborativa (opondo a competição do empreendorismo neoliberal DIY). Daí que a maioria dos projectos que me envolvo tenham essa pretensão da "união faz a força" mesmo que, mais tarde ou mais cedo, fique só um cromo a cuidar de tudo, especialmente da parte chata da papelada. 


Comecei o fanzine Mesinha de Cabeceira em 1992 com o Pedro Brito, tendo ele abandonado o projecto no número seis (1995) porque andava exausto com a vidinha. Da minha parte prossegui com o zine ainda mais porque tinha descoberto uma força interior para desenhar as minhas autobiografias, fascinado por Harvey Pekar (1939-2010) ou Julie Doucet. É esse o primeiro bloco de originais que é aqui mostrado, as BDs vêm dos números 10 ao 12 do Mesinha, entre 1996 e 1997, sob o título "Apontamentos de Noitadas, Deprês & Bubas". Os tempos universitários eram longos nos anos 90 (pré-Bolonha), em que uma licenciatura demorava cinco anos mas que permitia perdições e explorações várias. Nessas pranchas há concretizações como um fim-de-semana ao mítico Salão de BD do Porto - no ano de 1995 em que os convidados internacionais era a malta toda da Drawn & Quarterly: Adrian Tomine, Seth, Doucet, Joe Matt, Chester Brown e Chris Oliveros. Noutras há apenas deambulações boémias já sem número, embora o Blixa Bargeld o tente fazer. Importante para mim era tentar a tarefa impossível de colocar toda a vida em papel, fosse músicas ouvidas ou desenhos feitos num "evento" (que acabavam colados nas BDs), pensamentos tão iluminados cheios de epifania (era mais pifos!) que tinham de ser registados na hora! Isto mesmo que demorasse anos para depois desenhá-los. Foi aí que que percebi que Arte precisa de tempo para arejar e que demora tempo a fazê-la. Arte não pode competir com a vida! Por fim, as pranchas eram quadradas, nunca curti o formato A4, daí que há umas BDs no topo dos originais A4 que juntos faziam de maquete para impressão dos Mesinhas mais o suplemento Meseira de Cabecinha que era o que sobrava - depois do corte para o formato quadrado. Aqui vêem-se tiras de Leonor Gomes mas noutras passaram nomes como o Janus ou Mike Diana.


Não querendo acabar como o Joe Matt - que faleceu com 60 anos em Setembro- que era um autor que confessa, na série Peepshow, TUDO sobre a sua vida privada de tal forma que acabou por destruí-la, ou apenas porque curtia a ideia de promover a BD noutras manifestações públicas, comecei a fazer BDs de critica de concertos - e mais tarde discos e livros. Comecei onde fazia sentido, um jornal de música, xunguérimo, chamado Inside em 1998. O "deal" era simples, davam-me bilhetes para os concertos e eu fazia a resenha crítica em BD. Trabalho baratinho para eles e a precariedade que aceitava era pela satisfação de ver uns gajos a abanar a cabeça, não tendo cheta para os ver - foi assim que perdi os Cramps na primeira vez. Na BD "Recuerdos" (1998) muitos concertos foram colocados na página mas quase todos sem bilhetes vindos da redação do jornal, isto porque não havia muito para contar do concerto de Soulfly para dizer a verdade, e sempre divulgava uma variedade de gente que merecia visibilidade como o fantástico Jad Fair. Anos mais tarde, em 2012, a organização do SWR Metal Fest de Barroselas convidou-me para fazer uma BD que seria incluída no DVD comemorativo dos 15 anos deste evento! Não sei o que eles esperavam de mim, sinceramente, mas curtindo Metal como gosto de muitas outras coisas na vida aceitei avisando que não sou especialista para escrever sobre guitarras (des)afinadas, pregos de bateria ou se é mais Black ou menos Death. Fiz "gonzo journalism" como fã do Hunter S. Thompson que sou até porque a caminho do festival sofri um acidente de automóvel em que sai vivo por um triz. Achei muito sinceramente a organização do festival impecável e que tal merecia ser divulgada na BD, daí falar mais com trabalhadores do que com músicos cheios de si. Quando a revista eslovena Stripburger pediu-me para fazer uma BD prás suas páginas, em 2013, a cena de Barroselas ainda estava quente para mim. Por um lado adorei o festival, por outro ouvir mexericos por lá e percebi também do lado perverso do mundo da música - neste caso Meta mas transversal a qualquer outra cena musical, artística ou profissional. Resolvi reflectir sobre esse mundo, mostrando o seu lado mais capitalista. Nesta altura já me tinha habituado a usar imagens de outros (ou minhas) para outras BDs, assim em modo de preguiça e orgasmo digital. As minhas pranchas originais começam a ter buracos enormes e ter menos interesse gráfico - fenómeno que não é novo e que se passa com muitos autores de BD desde os finais dos anos 90 com a entrada das ferramentas digitais.

Quanto à prancha dos Napalm Death (grande-banda-grande-banda!) foi feito para um número do zine suiço Milk + Wodka (2008) que completava trilogia temática "sex, drugs & rock'n'roll" - ideia tão original que mais tarde que o zine brasileiro Prego também o fez e que eu também participei! A BD faz parte de uma fase em que não me apetecia desenhar mais e restou-me desenhar com a mão esquerda para recuperar o gosto e a concentração. Fiz mais algumas destas "BDs à canhoto" para o M&W, a antologia Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011) e o zine que acompanhava o EP 7" Raridades (Zerowork; 2008). Aconselho este exercício a todos desenhadores quando estiverem na merda...



Fecha-se o círculo com a questão da disposição da BD nas paredes, da generalizada ausência de poder plástico de originais de BD quando são expostos. Tema bastante discutido no seio da Chili Com Carne, tentou-se resolver a questão no "Zalão de Danda Besenhada", em 2000 na Galeria ZDB, com vários artistas a montarem instalações que acrescentassem uma aura expositiva às suas obras. Da minha parte, apresentei a BD "Vaiz curtir?" que retrata o percurso de casa dos meus pais para uma paragem de autocarro num subúrbio em Cascais. A BD revela as relações (a)sociais com o local e na parede da exposição as suas páginas eram intercaladas por fotografias ampliadas desse trajecto. É uma modorra paisagística que obviamente a BD nunca iria apanhá-la nem as fotos iriam reter o humor de viver na seca suburbana. "O Império Nunca Acabou" (adoro Philip K. Dick!) foi feito para a colectiva "Mistério da Cultura" (2007). Foi um engano de um casal de betos que tinham uma galeria em Lisboa. Nunca disse que fazia ilustração mas insistiram. Saiu este auto-retrato divido em nove partes que in extremis faz dele uma BD. Cada desenho trata de momentos culturais marcantes para mim, que me construíram quer eu queira quer não, seja xungaria tipo X-Men ou Mata-Ratos, seja o bom tom de Young Gods ou Daniel Clowes.

Resta dizer que deixei de desenhar o ano passado e este é o meu epitáfio. MF … Lx, 30/11/23

Fotos de João Silvestre

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

10 cidades tornam-se numa aldeia

Antes de ser o livro Ten Cities : Clubbing in Nairobi, Cairo, Kyiv, Johannesburg, Naples, Berlin, Luanda, Lagos, Bristol, Lisbon 1960 - March 2020 (Spector; 2020) por Johannes Hossfeld Etyang, Joyce Nyairo e Florian Sievers (e que já lá iremos) foi um disco. Ten Cities (Soundway; 2014) reúne 50 produtores e músicos das dez cidades já referidas para uma saudável e higiénica orgia juntarem-se para criar o monstro sónico Frankenstein que... pariu um ratito aldeão! Sou contra a ideia que "a fusão é um erro" mas é verdade que pode correr muito mal quando os intervenientes não tenham coragem artística para explorar mais do que uma simples fusão de ritmos já mastigados pela Aldeia Global, sobretudo na área da música electrónica funcional ou de dança. A ideia de juntar norte e sul - Europa e África - num laboratório de música de "Clubbing" tem tudo para correr bem. Talvez o dinheiro do Goethe tenha ido para betinhos que não deixaram a malta ir para o desconhecido musical - ao contrário o que tem acontecido entretanto em Kapala. Tudo é previsível mesmo que as línguas desconhecidas africanas apareçam ao longo do disco, o que é considerado como um brinde exótico pelo responsável da edição. Metade do disco é de uma vulgaridade tal que se resume na letra de Quero Falar (Lunabe com MC Sacerdote) que apesar do apelo... nada diz. Um óbvio reflexo do estado da arte no século XXI, muito artifício, pouco conteúdo. A outra metade do disco é mais chill e também mais interessante mas sem rasgos de génio mesmo que tenha o Maurice Louca ou Alva Noto como músicos. A evitar...

O livro logo que saiu estava já aberto às consequências dos horrores humanos. A primeira e assumida é que aborda a história do Clubbing nas ditas cidades desde os anos 60 até Março de 2020 - mês que marca o final de algo contínuo e progressivo nas nossas vidas, devido ao covid-19. Dois anos depois o que aconteceu a alguns dos clubes e discotecas que existiam até então? A segunda consequência é a inclusão de Kyiv que desde Fevereiro deste ano apanhou com a tentativa de invasão russa na Ucrânia. Que noitadas haverá nesta capital desde então?

O gigantesco livro ensina-nos imenso sobre duas coisas, a história da música de clubbing nessas cidades e a sua relação política. Alguns géneros de música são fáceis de associar às cidades, do Krautrock à Capital do Mundo do Techno que é Berlim ou o Afrobeat / Highlife de Fela Kuti em Lagos. Ou ainda o Jazz sul-africano de Joanesburgo e claro o Trip Hop de Bristol. Ah, e o Kuduro de Luanda! Mas que dizer de Nápoles lembrando-me lá eu que já conhecia 99 Posse? Há descobertas para se fazer neste livro mamute. Para além do "género" muito disto passa pela exclusão social, racismo e contestação às autoridades, não esquecendo o nojo do Apartheid e das suas cidades separadas por raças ou o confronto político das Okupas e Raves ilegais na Europa.

Já perceberam que se aprende muito com o livro mas claro quando chegamos a Lisboa temos Judas na área. Rui Miguel Abreu escreve um artigo sobre a história da música urbana portuguesa (deveria ser sobre música de clubbing, boy!) sem aprofundar nada em especial (porque se calhar não há uma música que defina Lisboa) e Vítor Belanciano dá um no cravo e outro na ferradura, armado em rebelde a criticar a gentrificação da cidade mas tal como Abreu também a vende como um sítio excitante e multi-cultural. Não sei onde estes gajos saem à noite mas devem ser sítios do caraças!! Vê-se nas fotografias que acompanham os artigos! Quase todas em volta do Frágil dos anos 80! Ah! Como a cidade vibra ou sempre foi "multi-culti" de artistas e betos brancos... Onde está essa relação entre Europa e África? Sempre foi fraca e estes artigos revelam isso sem o quererem fazer. Lisboa é uma fraude e gera seres fraudulentos que escrevem sobre ela, obrigado por relembrarem isso.

Mau disco, bom livro.

PS - No livro há uma lista de sons criados por cada cidade. Em Lisboa ela começa em Heróis do Mar para acabar em DJ Lilocox. No meio inserido o Pois pois dos Repórter Estrábico. Sim é a única banda portuguesa Pop/Rock que merece estar em qualquer lista de admiração mas que eu saiba ela sempre foi do... Porto! 

PPS - Abreu e Belanciano: ide pastar!