sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Entrevista de Marcos Farrajota e Pedro Brito para a stress.fm





Uma entrevista na rádio online Stress FM sobre os 20 anos do Mesinha... só o texto do blog já vale a pena ler, quem sabe, sabe, e a malta da Stress não sendo jornalistas profissionais sabem!
Gracias ao Filipe Quaresma.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Infecção Urinária da Finlândia (VI)

Nova “crónica sónica Suomi”! Só que este regresso à Finlândia foi mais pobre musicalmente do que as outras quatro vezes que lá estive. Algum cansaço da viagem impediu-me de ir à Digelius e outras lojas de música de Helsínquia fazendo com que trouxesse menos discos deslumbrantes deste país.

Mais uma vez fui representar a Associação Chili Com Carne ao Festival de BD de Helsínquia que decorreu no início de Setembro, durante as minhas férias de verão. Perguntam vocês o que me leva fazer férias para um país escandinavo chato?

Em primeiro lugar acompanho a cena da BD da Finlândia desde 2004, a sua evolução artística e mercantil, por isso tenho todo o interesse ir lá despachar livros que se vendem mais facilmente do que em Portugal (inclusive até os que estão escritos em português!) e voltar a ver caras conhecidas, finlandesas e de outras nacionalidades - o festival tem muitos convidados estrangeiros. Segundo, não considero a Finlândia um país chato. Desde a primeira vez que estive lá aconteceram-me peripécias impensáveis – algumas registadas numa BD de Jarno Latva-Nikkola – o que mata os mitos e preconceitos que se têm dos nórdicos. Algumas histórias de tão absurdas que estão mais próximas do imaginário latino ou dos Balcãs… Não tendo bem a certeza do que afirmo para justificar alguma loucura que por lá impera, diria que a Finlândia é a “pobretanas” da rica zona escandinava. Só que a Noruega tem petróleo, a Suécia os ABBA e a Finlândia só sauna, alces e gelo! Foi o sucesso da Nokia que fez subir a Finlândia ao estatuto de país rico mas mesmo assim a julgar pelos preços das cervejas comparando com a vizinha Suécia, por exemplo, continua a ser o país mais barato daquelas zonas...

E nada melhor que ser “pobrezinho” para ser-se humilde e não ter peneiras. Basta ver o tal Festival de BD, por exemplo, é de facto um evento de grande dimensão mas que não tem um orçamento gigantesco como outros festivais na Europa, como o “nosso” vergonhoso Festival de BD da Amadora ou o supra-sumo dos festivais, o de Angoulême (França). O espaço principal é uma grande tenda no centro da capital onde se encontram as mesas das editoras para venderem as suas edições ao público. Como disse há convidados especiais e estrangeiros, alguns com viagens pagas outros com dormidas pagas, dependendo se os autores tem custos suportados por editoras comerciais ou se os artistas tem alguma exposição patente organizada pelo Festival. Outros convidados – como era o meu caso – são metidos em casas de particulares de pessoas que se voluntariaram em receber os convidados nas suas habitações. No fundo, serve para dizer que se não há dinheiro para hotéis não é por isso que os estrangeiros não deverão deixar de vir a um festival de BD possibilitando sinergias e parcerias para promover a BD finlandesa.

Normalmente os convidados devem ficar em casa de artistas, que cinicamente significa “estamos em casa” pois vamos encontrar os mesmos livros, discos, objectos, cartazes, serigrafias e arte na parede… Mas também podem aparecer outras situações como as casas de leitores! Foi o que me aconteceu desta vez. Fiquei na casa de um casal super-simpático de classe média. O tipo deu-me um CD da sua banda, os Monolith Resistor, intitulado Exit Autumn (auto-edição, 2010?) que é um revivalismo de Acid House, tipo de música que não me aquece nem me arrefece, para além de ser uma grande seca a maior parte das vezes. A cena Rave e Acid já teve os seus dias quando significava nomadismo, liberdade, confrontos com os porcos da bófia e claro, muita muita muita droga na cabeça. Passados 20 e tal anos este projecto parece apenas um gesto anacrónico, não só pela música poder ser considerada “retro” mas precisamente porque se volta apenas à sua forma superficial, um mimetismo puramente centrado no som sem que haja uma envolvência na cultura e acção que lhe estão (estavam?) inatas. Neste caso temos “música de informáticos” e não é preciso fazer 4h30 de viagem para apanhar com isto, basta ir aos discos funcionais das “nossas” Thisco ou Marvellous Tone para termos algo idêntico, para não dizer melhor. Avanti!

E realmente para se avançar é preciso recuar qualquer coisa… Temos de ir parar ao Fricara Pacchu, do qual apanhei numa mesa do Festival de BD um single já velho (passe a redundância) intitulado de Stories of the Old (Fonal; 2007). É anterior ao álbum Midnight Pyre e é composto por três temas de neo-psicadelismo que foge aos velhos rocks dos 60s, ao Techno dos anos 90 e às novas fornadas folktrónicas e outras “friqualhadas” dos últimos anos. Os temas são quase indescritíveis na sua mescla de guitarras espremidas, de vez em quando acompanhadas por batidas motorika ou Hip Hop. Temos aqui um ambiente de trip em sintonia com este nosso mundo industrial cheio de referências Pop, plástico, desperdício e cores berrantes. Não é uma má trip nem estamos perante ambientes negros e opressivos de malta Dark, a embriaguez é positiva que até lembra alguns momentos de Pure Guava dos Ween ou as mamadices dos Butthole Surfers. O single é acompanhado por um livro que compila trabalhos gráficos do autor / músico, onde encontramos um denominador comum da psicadelia finlandesa – em que o jornal de BD Kuti será o seu órgão de comunicação mais oficial e acessível – ou seja, temos colagens, fotografias encontradas (bastante bizarras! e não no sentido clássico de “sexo & morte!), desenhos rabiscados em marcadores de cor, tudo numa orgia sensorial que “bate” bem com a música. Como o autor de BD Tommi Musturi me confidenciou: «o Kevin [o Fricara Pacchu] é uma pessoa muito especial». Eu subscrevo!

Depois do fim-de-semana “bedéfilo” em Helsínquia fui para Tampere, a segunda maior cidade da Finlândia mas como qualquer cidade finlandesa, é quase minúscula para chamarmos de cidade... É conhecida pela cena Punk e lojas de segunda mão – ou “feiras da ladra” como eles lhe chamam. No entanto estas “ladras” são na realidade espaços enormes, onde as pessoas podem alugar uma mesa / estante para vender a sua tralha. Tudo está etiquetado e no final paga-se numa caixa comum. Não é uma Feira da Ladra como a de Lisboa, Vandoma (Porto) ou os “Rastros” de Espanha, em que estamos ao ar livre a confrontar as pessoas que comercializam as suas bodegas. Para aqueles lados, como se pode bem imaginar, com o frio, vento, chuva e gelo a apanhar a maior parte do ano, tal prática seria inviável – ou então os finlandeses, bons nórdicos que são, não tem coragem de estar a regatear com outras pessoas preços...

Considero estas lojas como outro exemplo de humildade finlandesa, no final de contas não é preciso, neste mundo de super-abudância, gastar muito dinheiro para se ter roupa, cultura ou acessórios – para quê comprar tudo novinho em folha? Lojas em segunda mão e/ou feiras da ladra são habituais pelo país inteiro, no caso de Tampere é um exagero, há por todo o lado! No centro há umas sete, nos limites da cidade existem outras três gigantescas – pelo o que me foi dito. Fui a quatro no centro e já estava farto de ver tanto lixo da nossa sociedade do consumo…Por gozo “vintage” comprei um disco a 1,5 euros do Coro masculino da Estónia, Meeksoorid (Мелодия / Melodia; 1969?), que canta em estónio (parecido com o Suomi) e o disco foi editado nos tempos da URSS, o que significa que provavelmente o coro deve cantar sobre o fantástico novo homem soviético, o proletário iluminado ou algo assim – não creio que será religioso afinal este LP vêm desses curtos e bons tempos da Humanidade em que o Cristianismo foi proibido!!! É o tipo de disco que deve ter influenciado Type O Negative a gravarem com o seu “Bensonhoist Lesbian Choir”, hehehe…

Voltando ao Punk e afins, quem quiser ouvir esse som ao vivo tem de ir ao Clube Vastavirta, onde numa quarta-feira à noite, por três euros (!) deu para ver três bandas (de Metal, na realidade), sendo a que mais curti foi The Reality Show, power-trio bem coordenado que cada música tocada por eles parecia uma estalada na cara. Vi algures num sítio na ‘net a catalogá-los de Fastcore. Não sei de tanto sobre sub-géneros no Hardcore e nem me interessa mas se existe essa caixa, os Reality Show são bem capazes de caberem nela, pois é Hardcore bem rápido e cheio de riffagem Metal da antiga. Por isso adquiri o EP 7” de estreia A Candle in Hell (Eternal Now Records + Raakanaama + Psychedelica Records; 2011) que é uma descarga eléctrica que deve aquecer os finlandeses no Inverno…

Talvez seja pela estação do frio que desde o final dos anos 70 que o Punk e Hardcore finlandês surgiu com tal agressividade que teve uma influência monstruosa a nível nacional e global. É seminal o género de som que os Terveet Kädet começaram a fazer por aquelas bandas chegando a influenciar bandas como Ratos de Porão, por exemplo…Para completar o ramalhete de Punkcore finlandês actual, o Tommi Musturi ofereceu-me outro EP 7”. Desta vez dos Haistelijat, intitulado Pakkomielle (Nuuhkaja + Joteskii Groteskii; 2012) onde apresentam 10 temas que raramente passam de um minuto de duração. É outro power trio que ultrapassa Mudhoney e Discharge em rapidez Rock’n’Roll com letras cuspidas na língua materna - que a dada altura soa a desenhos animados sei lá porquê. Lembra os Zeke...

Algures percebi que havia uma música dedicada ao artista e autor de BD Kalervo Palsa (1947-1987) -  aliás, a capa lembra o tipo... Musturi traduziu-me a letra dessa música e acho que diz algo do tipo «K. Palsa encontra-se morto ali, ali onde é a fronteira»… Inaugura-se um novo estilo? O Haiku Punk?

Kiitos Tommi & Tiina

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

David Soares : "Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes" (Saída de Emergência; 2012)

David Soares não pára! De performances spoken word a discos, de livros para a infância a livros de BD, agora este de ensaios, o homem está possesso!!! E damos Deo Gratias a isso, não é todos os dias que podemos ter acesso a livros novos de alguém que estimula a inteligência aos (seus) leitores. No caso deste novo título então, a bandeja de conhecimento é nos oferecida de forma simples e com algum humor negro.
Seja sobre Nazis, como foram criadas as câmaras de gás, bruxas, vampiros, a palavra badagaio, a autoridade, temos um rol de temas tenebrosos que a Humanidade criou em toda a sua História, toda ela corrompida por deturpações, mitos e mentiras pelos "Vencedores da História". Felizmente aprece Soares com espada de luz e erudição como aliás ele já o fazia nos seus blogues oficiais... E curiosamente do último blogue, já com a papa toda feita, Soares aproveitou apenas um texto ou outro. A maioria do livro são escritos inéditos invés de ter ido repescar ao passado como muita gente faz. É de se tirar o chapéu!
Só falta audácia gráfica no livro que funciona demasiado em chapa cinco - texto corrido, fotografias com legendas - tudo sem sal. Os Designers poderiam aprender muito com as composições das BDs para paginar livros. Ou então o Soares devia escrever um livro sobre isso para eles perceberem de vez!
De resto, se David Soares fizer disto uma série de livros será bem positivo. O Compêndio não é um livro "light" de graçolas (escrito por algum parvalhão mediático, por exemplo) mas também não é um manual científico de arrasar a mioleira ao pobre comum dos mortais. É um interessante apanhado de boas histórias de Alta Cultura e Baixa Cultura que Soares seleccionou para nos entreter - à beira da piscina, no café da esquina a beber minis, whatever... - mas sem NUNCA cair na futilidade. Há pouca gente que nos ofereça cultura desta forma. Venham mais cinco!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Benjamin Brejon, Manuel João Neto [coor. ed.] : "Sonores : Sound / Space / Signal" (Soopa + Guimarães 2012; 2012)

Com um ano de diferença entre eles, eis dois livros que se complementam ou será o contrário? Ou não há relação possível?
A nível gráfico é nítido, o caos de Soopa (Soopa; 2011) era um assumir de uma estética do colectivo, quase uma declaração de intenções, um manifesto cacofónico impresso. Melhor ainda um mimo para quem gosta de livros... diferentes... ou até de músicas diferentes. Este novo título é um catálogo de eventos a decorrer na programação da Soopa para a Guimarães Capital da Cultura intitulada Sonores. Infelizmente mostra-se um livro pesado, institucional, luxuoso, limpinho e todos os defeitos que se quiserem apontar para os livros das instituições públicas (e privadas). É quase um novo-riquismo endérmico à portugalidade. Não que a Soopa não mereça o seu momento de "glória impressa", muito pelo contrário, e não quer dizer que o livro seja fútil - mais uma vez: muito pelo contrário. Só há aqui um primeiro choque de quem "os viu e quem os vê" pois é graficamente um objecto antagónico em relação ao primeiro livro do colectivo.
A nível de conteúdo complementam-se e até revela de forma mais clara as obsessões de Benjamin, Jonathan, Filipe & cia: a rádio enquanto shamã de fantasmas culturais e emissões obscuras; o Dub e o eco; o Amor, embora platónico, entre o foguete russo Sputnik e o Rei do Rock Elvis, que mesmo assim fecundaram a nossa cultura "trash"; o electro-paganismo; a mutação da tecnologia e do corpo humano musical;... temas recorrentes do colectivo Soopa, que são aqui mais bem arrumados para um público menos especializado.

domingo, 29 de julho de 2012

Adalberto Alves: O Meu Coração é Árabe (3ª edição, Assírio & Alvim; 1998)

Já aqui falei de outro livro deste autor e sem ler o actual roubei descaradamente o título para uma categoria de "posts" deste blogue.

Sinopses na 'net revelam o livro desta forma: O Meu Coração é Árabe revelou ao grande público português a sua herança poética árabe. São trezentas páginas preenchidas maioritariamente pela lírica de quarenta e sete poetas árabes que nasceram no espaço sul do Portugal hodierno. É uma poética refinada e densa, que fala do amor, da injustiça da morte, do quotidiano. Rica na sua expansividade, densa na emoção, esta poesia é também um alicerce, juntamente com a dos cancioneiros, do sentir poético português. Deve-se a Adalberto Alves este livro de paixão.

Agora que o consegui arranjar a 3 euros na Feira da Casa da Achada há umas semanas posso finalmente dizer algo sobre ele embora pouco possa acrescentar em relação à sinopse porque de longe sou crítico de poesia e poesia é mesmo algo que não consigo entender / ler / gostar / apreciar & tudo mais. Claro que não fiquei indiferente ao ler um poemicho de um tal Abû 'Uthmân, natural de Tavira (séc. XIII) que escreve como são bizarros certos reis / transformados em escravos do prazer / apenas desejam duas coisas / bocetinhas e bocas de mulher... (!?)

Mais interessante é a introdução de Alves, coordenador e tradutor, que revela a incúria que a cultura árabe na península sofre e que acontece até ao nível académicos e literário. Mais do que isso, a poesia árabe (peninsular, andaluz) é mesmo vista com desprezo e antagonismo nesses círculos intelectuais, por certo pela lavagem cerebral que o Cristianismo e o Ocidentalismo lhes fizeram. Esta edição ampliada e revista inclui também alguma iconografia árabe da qual destaco uma gravura de um cavaleiro cristão e um árabe quase a darem um linguado.

Irmão, se gostas de Poesia ou se achas que algo de errado está no teu espírito colonizado, deixa o álcool barato e procura este livro. Alá será generoso e até te passará uma bocetinha de virgem lá nos céus.

sábado, 28 de julho de 2012

unDJ FarraJ || CHAPITÔ

Foto: Sara Rafael
Filipe Felizardo (imagem) toca no Bartô no dia 28 de Julho a partir das 22h30 e o unDJ FarraJ volta lá com orientalismos farçolas disfarçado de arabescos... é mesmo manhoso!

Sobre o FF: De alguma forma, na música de Filipe Felizardo – e o novo disco, “Guitar Soil For The Moa And The Frog”, com selo da Shhpuma é disso exemplar – ouvem-se duas vozes. A da reverberação, que é a do aço (da guitarra) e a do fazer solitário, artesanal e reflexivo do performer. É essa relação intimista, irredutível, ricamente austera que as canções revelam. Uma relação hoje tão desprezada, com o som e com acto de ouvir: música de guitarras. - José Marmeleira

Sobre uDF: é mais um disfarce de um elemento ligado ao DJihad ao Bairro Autismo, outrora ligado ao colectivo OSAMAsecretLOVERS e não se sabe ao certo que relação ao unDJ MMMNNNRRRG. Nesta persona dúbia sabemos que passa música do Médio-Oriente do passado e contemporânea sem a protecção de Alá.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O meu coração é vermelho



L' Enfance Rouge : Trapani – Halq al Waady (Wallace; 2008)

Admito que preferi ignorar os discos desta banda nas minhas resenhas críticas - fiz apenas um "post" de promoção envolta da capa do Igor Hofbauer - porque não me sentia bem com o facto de não ter curtido tanto a banda em disco contra os factos de eles terem sido super-simpáticos num encontro no ano passado. O concerto na semana passada mostrou que eles não só são pessoas impecáveis como são um granada ao vivo! Gostam e tocam até que o mundo acabe - ou mais especificamante até a bófia aparecer. Numa das músicas do concerto topei uma ou outra deste álbum, em que o trio tocava por cima de uma gravação de música árabe. Voltei ao disco e afinal de contas, depois de passado um certo chauvinismo contras os franceses - descobri que é um disco poderoso.
Talvez uma das razões, para além de estar farto de Rock, é que os L'Enfance Rouge repetiam temas que estavam em Bar-Bari (mas numa versão puramente Rock) e não caia ouvír as mesmas canções de enfiada. Que a Justiça seja feita, por Alá! Acontece isto de vez enquando, não perceber um disco na altura da primeira audição e vir a ser dada importância mais tarde - mais vale tarde do que nunca, diz-se!
O power-trio franco-italiano está de um lado com o seu Rock arranca-e-para, meio-sónico e meio-musculado na tradição de bandas norte-americanas como Shellac e Jesus Lizard, do outro lado uma série de músicos do Instituto Superior de Música da Tunísia com vozes, cordas e sopros das mil e uma noites. Não há choque ou se houve foi fora do registo áudio porque desenvolveram uma estratégia de harmonia que rejeita a world-music para velhotes e que prefere ser fiel ao Avant-Rock - tanto que é o nome de L'Enfance Rouge que credita o disco e não "L'Enfance Rouge & a Orquestra da Tunísia".
Para quem gosta de arabescos e de Rock inteligente, é aqui o porto de abrigo. Amanhã até poderão ouvir uma malha aqui.

sábado, 14 de julho de 2012

CIA info 76.3



Não é só de Amor por Cristo Protestante e Allah que vive um Homem! Têm de haver um espaço também para o Grande Cabrão! Este ano fui ao SWR  ver se os Discípulos do Diabo portavam-se bem ou não!  O objectivo foi fazer uma BD para acompanhar o DVD da comemoração dos 15 anos de Festival. Esta foi a publicidade à BD que saiu no Guia do Festival. O gato é do Atak porque fiz a PUB num caderno com desenhos dele...

Entretanto já acabei a BD, e agora estou naquela fase dos ajustes e correcções... Eis uma hipótese de contra-capa do zine (livrinho) do DVD e a página 3 da "reportagem":






Entretanto já se anda pela capa... A primeira tentativa foi uma fusão com desenhos meus da BD com um telúrico cavaleiro do grande André Coelho, que faz design e as ilustrações do DVD (e da maior parte do material gráfico do SWR).
Uma aproximação mais auto-biográfica apareceu entretanto! É o esboço e depois a sua evolução com a tinta! Amanhã deve estar acabada quando ver como eram as mesas e cadeiras da "arena" do SWR. O leitão a ser assado é que vai pica!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Comix Jam

Já tinham sido avisados eis o resultado da BD em estilo Jam entre mim e Joana Pires...


 A BD foi publicada na Jazz.pt deste mês juntamente com outra BD de autoria da Jucifer - erradamente creditada com os nossos nomes - e que relata outra actividade do XJAZZ. Comprem a revista que anda por aí pelas bancas e até tem uma entrevista ao Felipe Felizardo, que no dia 28 de Julho terei o prazer de dividir com ele o tanque do Bartô para entreter-vos numa noite de Sábado à noite - tal como aconteceu recentemente mas com o Jíboia.

sábado, 30 de junho de 2012

#24


Lançado na 20ª Feira Laica  pela MMMNNNRRRG, este novo número do Mesinha de Cabeceira é limitado a 333 exemplares, custa 3 euros (sem descontos nem não estará à venda em lojas excepto na loja em linha da Chili Com Carne) e tem 24 páginas A5, 16 delas a duas cores.
A capa como se pode verificar é a cores e é da autoria do Dr. Uránio.

Voltando ao formato "perzine" dos velhos tempos dos números 10, 11 e 12 nos anos 90 (reeditados há alguns anos pela colecção Mercantologia), este novo número inclui BDs inéditas de Tim Morris, Marcos Farrajota e Gigi i Gigi.

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Antes de apagar a luz (o editorial editado para este "post")


(...) se nos últimos números do Mesinha de Cabeceira as BDs dos autores eram pedidos trabalhos na forma de encomenda neste número e os seguintes (não sei quantos números serão esta série) tal não acontece [algumas das BDs foram "encontradas"]. Esta é uma das situações, a principal no entanto passa pela minha vontade de voltar ao Mesinha para publicar as minhas BDs que produzi em dois meses numa residência artística na Finlândia. Todo o projecto é uma pretensa "novela gráfica" de vários capítulos, dos quais só conclui três na minha estadia escandinava. É-me inconcebível pensar em fazer mais 60 páginas (serão?) para depois sair num volume único.

(...) Parte da inércia em acabar esta "novela gráfica" deve-se ao facto de ter dúvidas do que estou a fazer, da forma como estou a tratar os temas, etc... Sem qualquer "feedback" tirando o de um círculo íntimo de amigos, sinto uma enorme necessidade de mostrar publicamente o que já está feito - e usar isso como alavanca para concluir o trabalho. De certa forma é um regresso à fórmula "perzine" que caracterizou os números 10, 11 e 12 do Mesinha em que a vontade de publicar BDs auto-biográficas era complementada com participações de outros autores.

(...) Antes de ir para a Finlândia fartei-me do Mesinha de Cabeceira, e dado ao facto do próximo número ser o 23, possibilitei o enterro do projecto pelas mãos do Pedro Brito - para quem não sabe, fomos nós os dois que criamos este título em 1992, tendo o Pedro desistido dele por volta do número 6. (...) O ano de 2012 é a comemoração dos 20 anos do zine e seria uma óptima altura de acabar com ele, afinal de contas "20 anos é demasiado tempo de existência para um zine". Um volumoso volume (passe a redundância) está a ser preparado, sem o Pedro (não anda com tempo para nada) e incluirá velhos colaboradores (Rafael Gouveia, dice industries, João Chambel, Daniel Lopes), novos autores (André Coelho) e novos talentos da cena portuguesa (Zé Burnay). É preciso esperar por Outubro.

O Mesinha é para continuar! Tanto que até salta para o número 24 sem pensar duas vezes!

(...) Dr. Uránio que fez a capa. Ele é um dos segredos mais bem guardados do Porto! Mestre da restauração e acomodação é um insanciável respigador de falhas urbanas, talvez por isso tenha desenvolvido sob efeitos cibernéticos de talidomida essa técnica ubíqua dos séculos XX e XXI chamada de “colagem”. No passado poderão encontrar trabalhos desta douta pessoa no livro de poesia Y el hambre y los ciegos de Héctor Arnau e em várias edições fonográficas da Marvellous Tone.

(...) Tim Morris, ilustrador e argumentista inglês, nasceu em Sheffield a 20 de Abril de 1957, vive e trabalha em Leicester. "Mente perversa" e "O Escapista" são as suas duas únicas obras publicadas em Portugal, ambas em 2005 pela Campo das Letras. O autor é representado cá pelo artista Tiago Manuel que lhe encomendou esta BD para a revista Quadrado (...) A revista no entanto foi cancelada o que nos levou a contactar o Sr. Manuel - que no passado já nos tinha apresentado ao premiado alemão Max Tilmann - para que a BD deste britânico não ficasse nos arquivos bafientos da “instituição abandonada” da Câmara de Lisboa.

(...) a dupla eslovaca Gigi i Gigi também aparece aqui perdida, vítima da desilusão do tal número 7 da Quadrado - há rumores que a revista volte a ser publicada em breve mas por outra equipa editorial, numa quarta série! Esta BD marca o final da parceria artística entre os dois autores que adoptaram Portugal como sua casa.

(...) Portugal não gosta de movimento. Mais uma razão para não abandonar o Mesinha de Cabeceira.

Marcos Farrajota
Lisboa, 19 Junho 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Faz o que te digo, não faças o que eu faço…

 


Elliott Sharp : Tectonics : field & stream (Atonal; 1997) 

Há um comportamento óbvio nos dias da ‘net em relação à música. Lê-se um texto sobre música e depois vai-se sacar os ficheiros dos discos algures num torrent ou apenas ouvir a música em youtubes, bandcamps e afins… São 50 os textos do livro Bestiário Ilustríssimo (Chili Com Carne + Thisco; 2012) do ilustre REP, todos eles tentadores de investigações virtuais mas admito que não passei 50 dias a procurar discos do que ele escreve, tomando em conta que uma pessoa possa ler um texto por dia e como tal investigue uma banda / músico / disco / movimento – é assim que tento convencer as pessoas a comprarem o livro, diga-se de passagem.
O problema é que pela primeira vez invés de ter sido um ávido leitor do REP fui um editor de um livro do REP.... Tive de ler em primeira mão os textos, santa glória! Essas leituras foram feitas o ano passado, durante a minha estadia na Saari Residence, foram leituras concentradas em procurar erros, gralhas, incorrecções – contabilizados em valores microscópicos – mais do que em pensar em ir à ‘net sacar discos.
Mas há coisas que ficaram na cabeça e não sendo um “downloader compulsivo”, vou encontrando agora discos ou músicos referidos no livro, tal como aconteceu com este projecto do guitarrista Elliott Sharp, encontrado algures na Feira da Ladra. Trata-se do segundo disco sobre a denominação Tectonics onde o músico mistura beats e breakbeats electrónicos com uma guitarra baixo, fazendo uma cyber-caldeirada de electrónica dos anos 90 com Improv e até algumas “etnices” polirítmicas. Não serve para dançar e ninguém vai ouvir isto no sofá para descansar ou apreciar – eu pelo menos ainda não o fiz, quem descansa nos dias de hoje? Quem me dera voltar aos descansos cheios de epifanias de 1997!

sábado, 16 de junho de 2012

unDJ FarraJ || CHAPITÔ

JIBÓIA A fuga de um Maharaja perseguido pelo seu povo acaba numa emboscada em pleno mar alto, por um grupo de macacos salteadores comandados por uma espécie de Omar-quimera (Souleyman do ocidente / Rodríguez-López do Oriente), com laivos de maresia tropical e frescura espanhola à mistura.

unDJ FarraJ é mais um disfarce de um elemento ligado ao DJihad ao Bairro Autismo, outrora ligado ao colectivo OSAMAsecretLOVERS e não se sabe ao certo que relação ao unDJ MMMNNNRRRG. Nesta persona dúbia sabemos que passa música do Médio-Oriente do passado e contemporânea sem a protecção de Alá.


domingo, 27 de maio de 2012

A professora Gininha...


Desenhos montados do meu diário gráfico na visita a Vila Cova de Alva. Estes esboços e outros de outros autores da Associação Chili Com Carne irão aparecer no site da XJAZZ  que promove eventos envolta do jazz nas aldeias de xisto. Os autores da Chili estão a fazer "BDs reportagem" dos eventos e serão publicadas na revista jazz.pt. No meu caso a BD será a meias com a cara metade Joana Pires, em modo de fusão "light"... Depois vocês vêem!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

CIA info 78.0

A minha BD Ano 2012 foi parar ao regresso do zine Cru - que salta para o número 34, depois do último ter sido o 13 (em 1999) e nunca ter sido feito o #12... a cena dos zines é tudo uma aldrabice, pá! Isto só para comemorar também os 20 anos do Cru!
Os lançamentos já estão programados para dia 25 de Maio no V5 (Porto) e em Lisboa na 20ª Feira Laica.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Azeiteiros

O Ghuna X deu-me um colhón de CDs mitras dele para trocar... Que monte de esterco! A minha vingança será terrível!!!

Começo pelo CD de promoção dos Dawholeechilada e do single Supersónica!! (Universal Spain; 2002). Os nostros hermanos tem o pior gosto do mundo ou se calhar os chineses até podem ter pior mas ao menos não os percebemos... Hard Rock com vocalizações rapadas do mais azeiteiro possível... e uma capa a imitar os "comic-books" da Marvel. Tanto desperdício de recursos para 3 minutos e 1 segundo de música imunda...

Pior é o norueguês Egil Olsen e o álbum nothing like the love i have for you (IKNOWWHATYOUDIDLASTRECORDS; 2009) uma espécie de Badly Drawn Boy com letras rídiculas que se podem desculpar para rapaziada com menos de 20 anos mas não para um gajo na casa dos 30. A nossa sociedade há muito que sofre o terrível Sindroma de Peter Pan mas ao menos conterrâneos seus queimaram igrejas, massacraram comunas e outros poemas... Olsen, seu merdas, pega na navalha e vai matar um bófia, vai!

E o que dizer de Fevertech? When junk has a [entra uma imagem de um coração] (2005) é uma bosta electrónica de breakbeats, electro e batidas de mau-gosto, confusão de identidade e sobretudo de ego obtuso que não sabe quando um disco deve chegar ao fim... Não encontrei a capa do disco porque nem me esforçei para tal... que se lixe!
...
Mas onde o gajo X arranjou esta porra toda?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Farçolas


Mouse On Mars : niun niggung (Sonig / Rough Trade; 1999)

Ouvir este CD é como ver um "mico-leão dourado" - nome que se dá no Brasil para o bicho da capa do disco - a atravessar campos de golfe à procura de fruta, ou a entrar num campos de ténis para caçar pássaros, ou a visitar estufas para deglutar insectos, a escancarar galerias de arte coentemporânea com aquelas instalações kitsch para comer lagartos ou a nadar numa piscina pública da RDA para jogar badminton, entre várias outras hipóteses de uma vida misturada de vídeojogo, ambientes artíficiais e restos mortais de texturas analógicas.
A edição norte-americana tinha uma capa diferente bem como o "set" das músicas, não se sabe bem porquê... Talvez porque o disco é o que é, pós-techno e IDM de um projecto que não tem rival ainda nos dias de hoje. Claro que é um disco que se deve ouvir em momentos especiais, só não sei quais... hum, talvez durante e depois de uma experiência homossexual com alguém de Marte?

sábado, 31 de março de 2012

Jah vs Allah || ADUFE BAR



De certa forma é um regresso aos OSAMAsecretLOVERS e ao DJihad ao Bairro Autismo!