domingo, 1 de dezembro de 2019
Olive Metal
sábado, 30 de novembro de 2019
Tipo... não!
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
CRAZY!
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Amusing regime uvula
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Chaka chaka boom
domingo, 20 de outubro de 2019
Exposição É Só Vaidade! Colecção da Fundação Farrajota (dias 10 a 20 Outubro) @ Casa José Joaquim Santos
![]() |
| imagem: Tiago Baptista in fanzine Cleópatra (2006) |
Workshops por Patrícia Guimarães (dias 19 e 20 de Outubro)
Novidades Editoriais
Instant Gratification (Paperview) de Abdrew Kuykendall
O Colecionador de Tijolos (Chili Com Carne) de Pedro Burgos
...
Exposição É Só
Vaidade!
Colecção da Fundação Farrajota
Os Fanzines poderão ser um artesanato urbano da Era da
Informação, publicações amadoras em marginalidade bibliográfica, galerias
nómadas e precárias, reacções à tirania da História. Desde os anos 30 que
sofrem mutações e provocam dores de cabeças a todos que gostam de gavetas
bibliográficas. Nesta exposição, da colecção particular de Marcos Farrajota,
são mostradas uma série de publicações independentes deste universo, buscando
mostrar a sua riqueza de temas e formatos, tudo graças à sua livre circulação.
A selecção de títulos foi pensada em grandes temas dos
fanzines espalhados em sete mesas -
música, BD, literatura, cultura, política, arte, culinária – para além
de obras de referência e nove capas de formatos grandes que “rockam” (passe o
anacronismo)!
Fanzines de Música
Um dos grandes
géneros de fanzines, que durantes décadas divulgavam bandas e discos que a
imprensa oficial não queria (e continua a não querer) saber.
- Mouco #1 (1999?; Porto) Edu & Luís, fanzine de Indie Pop
- Garagem #1 (2000, Guimarães), Garagem, fanzine acompanhado pelo primeiro disco de drum’n’bass português
- Headless'zine #2 (Set'95; Pragal), Gonçalo Prazeres, fanzine de Metal
- Underworld / Entulho Informativo #16 (Jul'05, Lisboa) Joaquim Pedro, importante fanzine no meio português underground, sobretudo no espectro Metal, Hardcore e Punk. Capa de Fredox (França)
- Ice Cream Star#1 (Dez'94; Lisboa) Elsa Pires, fanzine de música Indie Pop, ligada à editora Beekeeper
- Anita #2 (Primavera 2014, Portugal/China?), Joana Matias, perzine e zine de viagem de Joana Matias na China, este número dedicado à música.
- Neural Therapy #7 (Primavera 1998, Reguengos de Monsaraz) Jorge Mantas, fanzine de Música Extrema
- Sanabra Enxebre (Dez'09, Porto) Latrina do Chifrudo, fanzine de Música satânica
- Maximumrocknroll #396 (Mai’16, EUA), fanzine Punk, criado em 1982 e extinto este ano
- Punk Magazine #17 (Mai'79, Nova Iorque), John Holmstrom, mítico fanzine de Punk, e que vulgarizou o termo nos EUA
Fanzines de Culinária
Vegetariana
Antes da
popularização da Internet, era normal encontrar informação alternativa em
fanzines, como é o caso do vegetarianismo. Comer também é um acto político.
- Grime
+ Nourishment : A Vegan Cookbook (200_, Londres) 56a Infoshop
- Como manter um Panda Gordo (2012,
Porto) Joana Valente / O Panda Gordo
- Lo Pikante Natural (199_?, Portugal), ?, acompanhado com um panfleto anti-MacDonalds
- Comilona : Vegetais e mais (2003,
Caldas da Rainha), Filipa Pontes
- Guia de Alimentação Vegetariana (Out'97,
Lisboa), Cadernos para a Autosuficiência
Fanzines politizados
Os movimentos
libertários desde sempre usaram a “pequena imprensa” para disseminar pensamento
e crítica política. Nesta selecção há um enfoque nas publicações de BDs politizadas.
- Suburbano : Fanzine Implicativo com a Situação [s.n.] (2001?, Lisboa), ?, fanzine de recortes de imprensa, saíram dezenas de números (sem numeração ou data)
- Os Bárbaros #3 (2001?, Coimbra), Hurso
- Plain Rapper Comix #2 (1992?, Inglaterra), Pete Loveday / AK Press, número dedicado à cultura canábica
- Last Hours #17 (2008, Londres), Indy & Ink
- World War Illustrated #49 : Now it’s time of Monsters (2018, EUA), AK Press, fundada em 1980 por Peter Kuper e Seth Tobokman
- It’ Ain’t Me Babe (1970, São Francisco), Last Gasp, primeiro livro de BD produzido inteiramente por mulheres, incluindo as autoras Trina Robbins e Barbara "Willy" Mendes.
- Inguine Mah!gazine #6 (2005, Itália), Coniglio
Publicações de
Referência
Dada a efemeridade e
a falta de oficialidade dos fanzines, começaram a serem editados fanzines dedicados
aos fanzines (directórios ou “metazines”), bem como livros técnicos ou de
História desta cultura.
- Computer Arts Projects #99 (Julho 2007; Inglaterra) Future Publishing, estranha temática deste número desta revista em que explica como replicar as estéticas underground através de ferramentas digitais!!
- D.I.Y. : The Rise of
Lo-Fi Culture
(2005; Inglaterra), Amy Spencer / Maron Boyars
- Whatcha mean, what’s a zine? (2006, EUA), Mark Todd &
Esther Pearl Watson / Graphia
- Catálogo Expofanzines 2000/2001 (2001, Galiza), Colectivo
Phanzynex
- Fancatalog (2008, Almada), catálogo da IX Feira Internacional do Fanzine de Almada, um dos primeiros eventos dedicados ao tema
- Na Silu / By Force :
Submit of cheap laser graphics (2010; França / Sérvia), Turbo Comix
Fanzines e a Literatura
Os fanzines são mais
conhecidos nos meios da música ou BD mas sempre trataram de “mil” assuntos
diferentes. Desde os primeiros de Ficção Científica nos anos 30, passando por
assuntos culturais até aos diários de vários escritores com assuntos tão pessoais
que a designação “fanzine” deixou de fazer sentido (fãs de quê?). Nos países
anglo-saxónicos começou-se a usar a terminologia “zines” ou “perzines”
(personal zines / zines pessoais).
- Divided by Zero (1999; Inglaterra), Noek K. Hannan / Antkh, Fanzine de Ficção Científica
- Mondo Brutto #23 (2001, Madrid), El Viejo de la Montaña & cia, Revista espanhola dedicada ao lixo cultural
- Zundap #11 [#6] (2002?, Lisboa), José Feitor, Fanzine cultural
- Conto de Natal para Crianças (1972, Lisboa), Mário-Henrique Leiria / Forja, Edição de autor com fotomontagens
- Escavações Arbitrárias (2012, Cascais), Rafael Dionísio, Zine de poesia (ou plaquete?)
- Murder Can Be Fun #9 (1998, EUA), John Marr / Slave Labour, comic-book baseado no fanzine
- Murder Can Be Fun #20 (2007, EUA), John Marr, Fanzine dedicado a homicídios
- Safety Zone #3 (1996; Cascais), Afonso Cortez, perzine
- Laca #3 (2003; Porto), A. Afonso, F. Gingão e S. Dias, fanzine cultural, especial tecnologias
Graphzines
Fanzines gráficos são
verdadeiras galerias de arte nómadas, algumas baratas outras com requintes de
luxo com impressão em serigrafia, por exemplo. O movimento mais influente deste
tipo de zines veio de França e os colectivos Bazouka (1972), Elles sont de sortie (1976) ou Le Dernier Cri (1995). Em Portugal
de referir a enorme existência deste tipo de zines nas Caldas da Rainha a
partir dos anos 90 com a abertura da ESAD.
- Nótibó (200_?; Caldas da Rainha),
João Cabaço
- Ex-Man (2001; Porto) Miguel Carneiro
- As aventuras de qualquer coisa
(2018, Lisboa), André Ruivo / Stolen Books
- Mix Tape (2008?, Dinamarca), Allan
Haverholm
- Patau (2012, Coimbra), Manuel
Pereira / Black Blood Press
- El Temerário #8 (2012,
Valencia), Ediciones Valientes
- Hopital Brut #5/6 (2001, Marselha),
Le Dernier Cri
- Revue 1.15 # 24 (2017; França), Loïc
Largier
- Elles sont de sortie #40? (1994,
Espanha), Bruno Richard & Pascal Doury/ 10 000 Humans
Fanzines de
Banda Desenhada
Num meio débil de edição de BD em Portugal, os fanzines foram uma forma de desenvolver obra com a vantagem da sua completa liberdade formal e de conteúdos – formatos minis ou gigantes, numerações negativas, o troco já incluído, nomes jocosos, jogos de narração, paginação em acordeão, mapas, desdobráveis, enfim, o que for necessário para não ser… quadrado! Um movimento que curiosamente aparece antes do 25 de Abril de 1974.
- Herpes Labial (Out’97, Alverca),
Geral & Derradé
- Pintor & Meio #3 (1991?,
Almada?) Rodrigo Miragaia
- Não ‘tavas lá!? Especial Tremor #4 (2017, Chili Com Carne), Marcos Farrajota, BD reportagem do festival Tremor (nos Açores), um desdobrável distribuído ao público na última noite do evento.
- Aleph #2 (Mar’74; Lisboa), José Morais C. de Faria, dos primeiros fanzines portugueses, dedicada ao estudo da BD, número de cisão maoísta
- G.A.S.P. #1 (1992?, Lisboa), [Diniz Conefrey], número especial “BD no feminino”
- Besta Quadrada #3 (2008, Caldas da Rainha), André Caetano & Tiago Baptista, zine que se dá conta neste terceiro número que houve outra “Besta Quadrada” nos anos 90
- Sub #3+5 [8] (Out’99; Lisboa), Pitchu, capa em alcatifa, mais tarde o seu autor andou a promover a ideia que o próximo número teria uma capa em pele humana!
- História em que o autor apaga a própria
história (2012, Lisboa), Xavier Almeida
- The Thin Thing (2008?, Noruega), Dongery
- Que Suerte! # Petróleo [9] (2001, Madrid), Olaf Ladousse
- Sing it out (2008, Noruega), Pitchu, Bendik Kristoffer &
Flu / Dongery
- Há Festa na Selva (1994?, Lisboa), João Chambel
- Lisboa #4 (2008?, Noruega), Sindre Goksoyr & Kristoffer / Dongery, noruegueses obcecados com Lisboa!
- Bio Edificio 421 (2012, Itália), Lök, mistura de tiras de BD com várias narrações possíveis!
- Succedâneo #-29 (Mai’03, Porto), João Bragança, o mais extravagante dos títulos que alguma vez apareceu em Portugal (1996-2006) usando toda a espécie de materiais para embalar a publicação, desde carteiras do Pekemon até luvas de jardineiro. Número dedicado ao trabalho.
- Reencontre Fortuite (1997, França), Carole Toulose & Sébastien Détreq / Des Gribouillis, duas BDs que se cruzam a meio do fanzine
- Petit Paresseux (Jan’19, Angoulême), Thy-Lane Monnet / Trés
Trés Bien
- ? (201_?, China), Nhozigna
- Totentanz (2012, França), Marcel Ruijters / Garage L, impresso em serigrafia, paginado em acordeão
- Boswash (2000, EUA), Nick Betozzi / Lux, desdobrável
- Brilliant Inc. (2003, Finlândia), Mikko Väyrynen, desdobrável
Paula Ferreira (Portugal) – Leitmotiv #1 (1980)
Rigo 23 (Portugal) – Ganmse (1986)
André Ruivo (Portugal) – Retratos (MMMNNNRRRG + The Inspector Cheese Adventures; 2017)
Hetamoé (Portugal) – QCDA #2000 (Chili Com Carne; 2014)
Harukawa Namio (Japão) – Callipyge (United Dead Artists; 2008)
Tommi Musturi (Finlândia) – Specter (Kuti Kuti; 2012)
Amanda Vähämäki (Finlândia) – Cani Selvaggi (Canicola; 2013)
Pauliina Mäkelä (Finlândia) – Mystic Sessions, vol. I (Kuti Kuti; 2006)
Mat Brinkman (EUA) – Multiforce (Picture Box; 2009)
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
terça-feira, 25 de junho de 2019
JAMM #1 (Fábio Lopes; Abr'19)
terça-feira, 4 de junho de 2019
Especialista em Shoegaze
terça-feira, 28 de maio de 2019
Eles nitidamente precisavam de mais tempo para gravar...
terça-feira, 21 de maio de 2019
Homis ta tchora també


Nem sempre se pode acertar, Mentis Afro (Edietox; 2008) dos Mundu Infernal é um CD de hip hop consciente com rap crioulo tuga. Pena que seja chato, mesmo com o crioulo a descoordenar as palavras deste pula, não bate, muito USA, apesar da boa produção e gravação. Ironia das ironias a melhor faixa do disco intitula-se Deja vú... Mas nunca se sabe quando se acerta! Terra Terra e o seu Volume 1 (auto-edição; 2007) já uma babilónia de sons cabo-verdianos e Hip Hop sem vergonha como se fosse um programa de rádio de "black music" (termo que não me agrada mas que serve para o mínimo denomidor comum). Disco que vai crescendo dentro de ti / It growns on you, iá! Informação na 'net, zero. Tocar no PC também não dá porque está com um programa marado (anti-pirataria?), como não perder tempo com este underground luso-africano? Adoro!
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Arabi Jazz

Antes de Amir ElSaffar e antes das foleiradas da ERC Records, em 1958 já se tinha fundido o Jazz com os sons das Arábias, graças a Ahmed Abdul-Malik (1927-1993) a tocar oud no East Meets West (Riverside). Nascido nos EUA, dizia que o pai dele era sudanês, mas "wikis" consultados dizem que o pai era das Caraíbas, bof, talvez por isso que Abdul-Malik não voltará a fazer discos assim (a peta não pegou?) - FAKE, volta a fazer um disco este-encontra-oeste em 1963!
No primeiro LP a fórmula ainda está para se descobrir mas é melhor que o segundo disco e mais tarde e melhor em Jazz Sahara (RCA, 1960) porque tem faixas mais longas, e por isso, mais adequadas às expansões melódicas da música árabe - especialmente a faixa El Haris / Anxious. Há muito saxofones intrometidos ao ritmo dromedário da coisa mas mais tarde ou mais cedo calam-se. Uma boa descoberta que me faz esquecer o excesso de ElSaffar...
terça-feira, 7 de maio de 2019
RIP Barbosa, RIP RE, RIP MMP
Faleceu o Barbosa e com isso qualquer hipótese de voltar a ver os Repórter Estrábico ou ouvir discos novos. Significa também que se já nem ouvia bandas Pop/Rock portuguesa - ficava-me por ler as tiras do Gato Mariano mas nem ia ouvir a merda que se produz - agora nada irá mover-me para ouvir o quer que for desse espectro. Foram os melhores!
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Prova dos Nove
Tomb of Finland adquiri pelo nome parvo associado ao grande fazedor e ícone de BD gay Tom of Finland, só por isso valia a pena pegar nele se Frozen Death (Target; 2018) não fosse dos discos mais chatos de Doom/Death do mundo, e de sempre! São finlandeses gordos, bem na vida sem nada para dizer a não ser banalidades, curtem a Morte? Olham suicidem-se agora em Abril que é a altura mais popular para essas acções na Escandinávia. Ainda por cima tive de esperar uma eternidade para que o vendedor soubesse o preço desta merda, além que foi o mais caro do lote que trouxe e ainda ouvi a boca "isto é Doom com onda Death mas não é para Hipsters!". Ou o CD é uma grande merda ou eu sou uma grande merda de hipster, o que me estou bem a cagar porque sei que irei vender isto no discogs.com e recuperar o meu guito... E foi o que aconteceu, uma semana depois foi para um grego com falta de bom gosto!
Felizmente trouxe dois CDs de Beherit que deixam qualquer um K.O. Engram (KVLT; 2016) é de 2009 e é o mais purista na forma, ou seja Black Metal. Desta banda finlandesa que volta a ser banda e não projecto de um músico só. Vamos lá ver, Beherit faz parte da segunda geração de Black Metal, digna de rivalidade com os broncos noruegueses mas que rapidamente se desfez ficando Nuclear Holocausto (voz, guitarras e sintetizadores da banda e sim é o pseudónimo de um músico), dizia, Nuclear Holocausto ficou sozinho a criar mais dois discos electrónicos de má onda ambiental. Engram é puxado para os ouvidos virgens de BM, Aqui e acolá ouve-se uns samplers de Ambient a completar a coisa, mas mostra de quem sabe sabe e que não é preciso mais gente neste subgénero de música. Electric Doom Synthesis (KVLT; 2017) já é outro campeonato, é dos tais discos electrónicos de (Dark) Ambient, de 1996, e parece mesmo música feita para festa do Santo Cabrão, sobretudo impressiona por ser dinâmico na sua estrutura, pouco dado a repetições e drones tão na moda do século XXI. Lembra Throbbing Gristle que tinha feito algo 20 anos antes, tudo bem, mas um metaleiro é um metaleiro e vice-versa. Álbum impressionante que deve ter posto muita gente a pensar no futuro da música e na ninfa loura com maminhas à mostra do livrinho do CD - em LP deve ser melhor, claro!
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Senior Metal
Felizmente com a normalização em curso da sociedade, as tribos urbanas estão a desaparecer. Felizmente a raça metaleira irá ser extinguida por serem os mais meninos delas todas. Felizmente comecei a colaborar com a revista Loud! em Janeiro deste ano e até já publicaram uma resenha escrita minha sobre o novo disco do DJ Balli mas... Infelizmente, entretanto, nada mais sei se continuo na redacção, não me respondem aos emails, os anormais.A sério, o Metal é a terceira idade! No pior sentido do envelhecimento, ou seja, rabugice, hábitos inalterados, lentidão, nostalgia, incapacidade física, paternalismo e imposição da vontade por mais irracional que possa ser. Deveriam abrir novos Centros de Dia só para esta malta - bem que armaram-se em engraçadinhos o ano passado em Vagos, mal sabiam eles que estavam era antes a revelar a sua verdadeira face.
Em defesa da revista, não deixa de ser admirável que ela pura e simplesmente exista. O/a Blitz foi à vida no ano passado - adeus! Ninguém sentia a sua falta desde 2001 anyway! Porque que é que a Loud existe? Simples, o público metaleiro é fetichista e ainda compra discos, CDs ou vinilo, em pleno deleite de coleccionista completista, sem critério ou gosto. É o humano mais amigo do Capitalismo a seguir ao "normie", sem ele saber, apesar da sua dita oposição ao Sistema. Com um público fiel, o Metal ainda existe apesar da sua forma artística estar morta desde 2001 - só para coincidir com o Blitz!
A Loud! tem tudo como qualquer outro "template" de revista de música Pop/Rock: agenda, bisbilhotam o que uma banda está a gravar em estúdio, Top do ano, mixtape de um músico, músicos a adivinharem as bandas que lhes dão à escuta, entrevistas, resenhas, etc... SE novamente SE for no universo da "música pesada". Isto é fantástico! Vendo a desmaterialização da cultura por todo a parte, a revista acaba por ter pertinência num quiosque - versus a miséria editorial feita por grandes grupos económicos como a merdosa A Nossa Prima e quejandos. Não há nenhuma revista assim em Portugal, é aliás a única de música e talvez a única de crítica que se possa acreditar da sinceridade dos seus escritores - ao contrário do bordel assumido das fracas figuras (mas cheias de ego) do Público e afins.
Não expectável e que topei neste número em que participei, é a quantidade de pontuações baixas aos discos. Não deveria ser assim, ou pelos menos tradicionalmente nos fanzines de Metal não acontecia isto, afinal quando se faz parte de uma cena é típico dar pontuações altas, raramente negativas, aos "irmãos" que te dão música e carne para canhão. O que aconteceu? Apanhei um mês mau de edições? Ou existe uma corrosão nas almas dos críticos que estão fartos do excesso?
Alguém consegue dizer quantos discos de Black Metal são editados por mês? E de Death? E de outro subgénero? Resposta: centenas! Isto sem mexer um milímetro do padrão criado entre os anos 70 e 90 do século passado. Tocam algo de relevante e que alguém se lembre um disco depois? Não! Daí que a Nostalgia pelos "anos dourados" do Thrash (Slayer), Death (Morbid Angel), Black (Venom) e Grind (Carcass) sejam sempre o ângulo de observação por todos os metaleiros. Nada bate aquele disco de Sepultura ou Candlemass. Nem no Rock tradicional há esta sensação de desamparo e orfandade, mesmo depois dos Beatles, Doors ou David Bowie terem ido desta para melhor.
Os Metaleiros são velhinhos xexés perdidos neste mundo do Caos da Aldeia Global. Tentam clarificar o espírito fazendo "checklists" de quantas vezes viram Godflesh (ao menos que seja Godflesh, foda-se) a tocarem ao vivo aquele álbum específico, quantas edições em cores diferentes têm de um disco de Black Sabbath, etc... É o consumidor mais passivo de sempre, o verdadeiro burguês agarrado ao "vil metal". Não percebo muito bem porquê ou como se deu esta deformação, afinal os metaleiros e as metaleiras dos anos 90 ou eram uns anjinhos lindos ou eram uns brutamontes bêbados mas não pareciam ser materialistas. Se calhar pensei assim, romantismo meu destas criaturas na altura. Uma fantasia que acabou e agora vejo-os como hipopótamos, não só por serem o público mais gordo em qualquer concerto mas sobretudo por serem conformistas.
Talvez tenha sido o Goth e o Black nos anos 90 que estragaram o Metal, trazendo a velhacaria da Extrema Direita e da má literatura. Ou a explicação mais simples é que o Rock e o Metal já têm 70 e 51 anos, respectivamente. É difícil ter uma cabeça aberta com estas idades, sejam de forma individual seja de forma colectiva. É natural, como os ranchos folclóricos, que o metaleiros e o Metal cristalizaram em tradicionalismos. Ficam pasmados por verem os putos irem ouvir Electrónica ou Hip Hop. Claro que sim! Melhor pegar num Software do que em riffs de dinossauros!!
Mas também não são assim os gajos do Jazz? Coleccionadores anais de discos. Tal como Jazz nos anos 60 quando era popular, o Metal deveria ser um ponto de libertação da classe operária. Os metaleiros como bem se sabe, são os que conduzem os nossos metros e taxis, são eles que fazem o design dos panfletos do Continente, são eles que trazem os discos e dildos que comprastes na puta da Amazon, são eles que carregam as tubagens dos sanitários, são elas que cuidam dos nossos bebés nos jardins de infância, caramba! No entanto... nada disso, só existe Morte e Demência.
Metaleiros do Mundo, zuni-vos e erguei-vos contra a alienação consumista! Só há uns Morbid Angel! Ou uns Mayhem! Não é preciso mais e mais e mais, sei que por cada metaleiro que comprar um CD será menos um “normal” a comprar um CD de Beyoncé ou dos Cure mas lutar fogo com fogo, meus amigos, nunca deu grandes resultados. Que tal, antes um encontro de todos vós, a bloquear as entradas de um Shopping num Sábado? De garrafão e/ou litrosa na mão, com picos nos braços e piaçabas em riste à entrada da H&M? Que tal oferecer os vossos milhares de discos de milhares de bandas sucedâneas que apodrecem nas vossas mediotecas a putos à porta da escola? Eles não conhecem Death mas podem ouvir uns outros quaisquer. É preciso é começar por algum lado… E se só um puto for convertido ao Doom, o sacrifício de ter oferecido todo o vosso lixo já terá valido a pena!!
segunda-feira, 15 de abril de 2019
No fds do porco nazareno
Quem não consegue ouvir Beherit neste fim-de-semana deprimente, então que fique pelo EP Lily Lavender "Joy Of It" Fusion Confusion (Hockey Rawk; 2012) da (ou das?) Mole Says Hi. O mel social-democrata da Suécia criou uma sociedade em que tanto amolece o Death Metal (passou a chamar-se de melódico graças aos Carnage) e adocica ainda mais a Pop de doce que já é. E não há volta a dar, pensem nos Ghost e no meu querido Melanie Is Demented! Fazendo Mole Says Hi parte do movimento Twee Pop - como a "nossa" Moxila - o destino já estava traçado para um "burlesco" de e para tímidos.
Ouvir em 2019 este disco pode ser considerado um exercício para induzir depressão quando já basta este fim-de-semana dedicado à criatura mais deprimente de sempre, mas que fazer? Um sueco passou por cá e deixou-me o disco. And you know what!? Gostei imenso especialmente do Lado A que começa com sons estranhos e depois lá vai prá vozinha singela etc e troca o passo. Por momentos até achei que estava a ouvir algo original, o que se pode pedir meias em 2019?
terça-feira, 26 de março de 2019
John Peel e Sheila Ravenscroft : "Margrave of the Marshes" (Corgi; 2006)
É a biografia oficial de um DJ que passou durante décadas a melhor música do mundo à pala dos impostos dos ingleses nas rádios estatais, executando real serviço público ao contrário de todas as outras putas e lixo que se encontram no sistema - como acontece cá com a nossa RDP e os seus "alvins". Apesar de alguma intimidade revelada pelo próprio e a sua esposa/ viúva, a escrita não é brilhante nem há histórias tão impressionantes apesar de ficarmos com a consciência plena que era um santo com pés de barro - ainda bem, nada pior que biografias higienizadas de virtudes. Através do livro dá para conhecer a figura de Peel (1939-2004) uma vez que nunca ouvi os seus famosos programas para perceber a personalidade deste melómano que tanto passava Reggae como Grindcore. Se a referência a estes dois géneros de música tão díspares parece uma graçola apenas, para mostrar um gosto ecléctico, no entanto quando Peel passou Reggae (finais dos 60) ou Hip Hop (anos 80) chegou a receber ameaças de morte por ser "música de pretos" ou de "música de pretos criminosos". Só por isso, merece respeito... e um livro!












