quinta-feira, 11 de março de 2021

Light Metal! Light Metal?

 


Quando abri o pacote de Natalixo atrasado que o Pastor Gaiteiro enviou no outro dia, quase que me vim ao ver o CD Light Metal (auto-edição; 1998)! Light Metal? Versões em tuba de clássicos do Metal? Como os Alice Donut faziam? (olha bandinha completamente e injustamente esquecida!). 

Nada disso, Tubalaté é um quarteto de ingleses pervertidos (todos os ingleses o são, bem sei da redundância da frase) que tocam tubas de peças de Tchaikovsky aos Beatles, de forma agradável, leve e tal. Tão agradável e leve tal como despreocupados que o CD nem está masterizado e para o fim o volume do som vai baixando, quase parecendo que estamos a a ouvir The Caretaker. Ainda assim obriga a um gajo a levantar-se do sofá, interrompendo a impreterível leitura de literatura anarquista, para ir aumentar o som e conseguir ouvir o disco como deve ser.

"Light Metal" no entanto - não se riam - existe, lembro da existência dos H.I.M. e dos Ghost. Há historial! Não me lixem!

domingo, 31 de janeiro de 2021

Perkele!



Lançado em Dezembro de 2019 eis que o THE THICK BOOK OF KUTI que comemora os 50 primeiros números do jornal / revista de BD Kuti, ganhou o Prémio de BD Alternativa do Festival de Angoulême!!!

Editado por Tuomas Tiainen e Heikki Rönkkö, participo com o artigo "Comix Remix" (ler aqui e aqui) em inglês, neste tijolo de 480 páginas sou com o André Lemos, os únicos portugueses publicados entre gente como Sami Aho, Max Baitinger, Zven Balslev, Benjamin Bergman, Pakito Bolino, Lilli Carré, Anna Deflorian, Terhi Ekebom, Roope Eronen, Frédéric Fleury, Aisha Franz, Matti Hagelberg, Anna Haifisch, Jyrki Heikkinen, Alejandro Jodorowsky, Bendik Kaltenborn, Kapreles, David Kerr, Marlene Krause, Jarno Latva-Nikkola, Tiina Lehikoinen, Lilli Loge, Gunnar Lundkvist, Moolinex, Søren Mosdal, Jérôme Mulot, Tommi Musturi, Pauliina Mäkelä, Jyrki Nissinen, Pentti Otsamo, Ville Ranta, Aapo Rapi, Kati Rapia, Helge Reumann, Sam Rictus, Florent Ruppert, Anna Sailamaa, Olivier Schrauwen, Tiitu Takalo, Rui Tenreiro, Alessandro Tota, Katja Tukiainen, Marko Turunen, Brecht Vandenbroucke, Amanda Vähämäki, Mikko Väyrynen, Emelie Östergren... ufa... e ainda há muito mais!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Exploding Whale 50th Anniversary, Remastered!


Faz lembrar o nosso governo na luta contra o covid.

sábado, 9 de janeiro de 2021

domingo, 3 de janeiro de 2021

Jörg Brüggemann : "Metalheads, the global brotherhood" (Gestalten; 2012)


Realmente os "photobooks" servem para quê? Eis mais um exemplo de um livro que pouco diz e pouco interessa - a começar pelo CD nulo que o acompanha. Quer mostrar que o Heavy Metal tornou-se numa cultura global. Certo, concordo e foi coisa que na década passada fartou-se de mostrar em documentários e afins. Neste livro mostram algumas fotografias de fãs e o "modo de via" de metaleiros em sítios tão díspares como Jacarta, S. Paulo, algures nas germânias e no Egipto, uma entrevista ao gajo de Kreator (pelo menos fiquei a saber que ele é vegan), uma resenha à tour dos "grandes quatro" (Anthrax, Megadeth, Slater e Metallica) e um ensaio sobre "raiva" no Metal. Mas esta mixórdia não tem nenhum interesse em si. Sei que maninhos da Indonésia são humilhados publicamente só por usarem uma t-shirt de uma banda qualquer de merda mas não se vê isso no livro, só gajos a dormirem ou no "mosh". No fundo não se aprende nada porque é um produto tipicamente trashy, modelo Vice, como aliás qualquer "photobook" parece nos dias que correm. Inútil e a evitar.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

vinte vinte vinte



- Krypto + Rui Moura : eye18 (Chili Com Carne + Lovers & Lollypops)
- Yuichi Yokoyama : Jardin (Matière, 2009)
- Karel Čapek : A guerra das salamandras (Caminho; 1985 - orig. 1936)
- Juno Mac + Molly Smith : Revolting Prostitutes : The Fight For Sex Workers' Rights (Verso, 2018)
- Beatriz Colomina + Mark Wigley : Are we humans? Notes on an archaeology of Design (Lars Müller; 2018)

- David Graeber : Projeto Democracia (Presença; 2013)
- Diana Niepce : Dueto (Dançar é a minha Revolução #2, Mercado do Tijolo; 23/02)
- Lynd Ward : L'Éclaireur (Monsieur Toussaint Louverture)
- Gabrielle Bell : Inappropriate (Uncivilized) + Everything is Flammable (Uncivilized; 2017)
- Yoshiharu Tsuge : The Man Without Talent (New York Review Comics; orig. 1985-86)

- Emma Goldman : Anarquismo e outros ensaios (A Batalha + Letra Livre)
- Mario Monicelli : Un borghese piccolo piccolo / O pequeno burguês (1977)
- Thomas Bernhard : Derrubar Árvores : Uma Irritação (Assírio & Alvim; 2007 - orig.: 1984)
- Graham Rawle : Woman's World : a novel (Atlantic; 2005)
- Daisy May Cooper e Charlie Cooper : This Country / Este País (BBC 2017-2018)

- Fire-Toolz : Drip Mental (Hausu Montain; 2017)
- Alan Horrox + Gavin Richards : The accidental death of an Anarchist (Thames TV; 1983)
- Ebisu Yoshikazu : The Pits of Hell (Breakdown; 2019)
- Shintaro Kago : The Princess of the Never-Ending Castle (Hollow; 2019)
- Linda Medley : Castle Waiting, vol.1 (Fantagraphics; 2006)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Imobiliário

 


Na Glam-O-Rama é preciso falar com o "boss" para que ele deite cá para fora as "pérolas a porcos". E não sei como lá consegui sacar este CD, Real Estate : New Music From New York (Ear-Rational; 1990), uma colectânea de música experimental a lembrar que a cidade norte-americana sempre se quis armar em vanguardista. O que é seriamente duvidoso uma vez que a editora é alemã e o artwork foi gamado ao Frans Masereel (1889-1972), o verdadeiro pai das "graphic novels". Compilado por Elliott Sharp os nomes mais conhecidos serão os da harpista Zeena Parkins e os másculos-industrialitas Cop Shoot Cop (melhor nome de sempre!)... o resto não conheço e não parece que tenham tido grandes carreira até porque esta colectânea não é tão emblemática como a No New York (Antilles; 1978) ou as "Mutant Discos" da ZE Recrods.

Nesta segunda divisão, não deixa de ser um álbum que se ouve bem, o "experimental" não é pica-miolos, chega a ser mais música de câmara - até algumas vezes com laivos foleiros como os Soldier String Quartet - e Pop teatralizada (Shelley Hirsch com David Weinstein, Chunk, David Fulton) mas alguma dronaria antes de estar na moda. Talvez seja um disco No Wave com 10 anos de atraso? O que é constante são "samplers" de gajos a falarem do ramo imobiliário assim fora de contexto, talvez fosse um alerta de que o fim estava próximo para artistas viverem na cidade a ser gentrificada. Who knows?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

domingo, 1 de novembro de 2020

Os bonecos não estão incluídos






 

A ideia era mostrar o livro Bottoms Up do Rodolfo Mariano - publicado pela Chili Com Carne - a vomitar Pop bonecada, como uma ruptura inter-dimensional que a BD de Mariano invadisse a realidade... e depois ia meter aquela legenda digna de gringo "bonecos não incluídos na aquisição do livro". Infelizmente sou um fotógrafo medíocre e as fotos são uma valente merda. Enfim...

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Funeral Pop

 


Os Pop Dell Arte era uma banda que apreciava deste jovem. Passei meses quanto tinha 20 e tal anos, na primeira metade dos anos 90, a ir todos os meses à Barraca, Lisboa (um esforço suburbano de vir de Cascais prá "grande cidade") para tentar vê-los, sempre cancelados e sem explicações. Depois até surgiu o Sex Symbol (Polygram; 1995) que era fixe, e talvez por terem sido apostados por uma grande editora foram obrigados a irem para a estrada e vi-os, finalmente, no Paredes de Coura no seu último ano antes de se começar a pagar por festivais de Verão. Fiquei satisfeito, percebi que com o Sex Symbol a banda nunca mais seria tão extravagante como antes, com mais letras em inglês e com menos loucura sónica. Tudo bem...

Oiço anos mais tarde o tenebroso So Godnight (Candy Factory; 2002) e cago neles, que safoda que o Contra Mundum (Presente; 2010) tenha saído - agora arrependo-me porque o ouvi no Youtube e achei-o bom. Dez anos depois aparece este Transgresio Global tão merdoso como o EP de 2002. Não dá para não usar palavrões nesta resenha, desculpem. Há três anos, vi-os no Milhões de Festa e antecipava-se a seca deste álbum. Quatro pessoas vestidas de preto, num formato Rock convencional a debitarem músicas sem rasgo. 

Esta banda sempre foi feita por quem lá passou, pela sua soma e não apenas pela figura de João Peste. Basta lembrar os contributos de Rafael Toral e Sei Miguel para sabermos o que foram os hinos memoráveis da banda. Se no começo deste disco, Em Creta, a promessa de algo tão brilhante como a capa do disco nos irá ser oferecido, graças, a um House-Funk mutante, tudo descamba logo a seguir, nem quando se rapina uma letra dos Sparks. Quase nunca mais aparecem híbridos estranhos que sempre foram apanágio da banda e que lhes elevavam ao Panteão do Art Pop. 

O disco prolonga-se em 78 dolorosos minutos, um erro digno de 2000-e-troca -o-passo quando as bandas enchiam chouriços nos 80MB dos CDs, ainda por cima, percebendo que poderiam ter havido dois discos diferentes porque houve duas sessões de gravação, não há razão para o pesado anacronismo. Por falar nisso, se as vocalizações dramáticas e erráticas de Peste nos anos 80 ou 90 eram provocantes, nesta altura do campeonato metem constrangimento apenas, tal como as suas referências literárias e musicais nas letras como se não houvesse mais nada depois de Kahlo, Satre ou Foucault, ou - bocejo - Rotten, Marley, Bolan ou até Mick Harvey - o único gajo vivo da pandilha de heróis de Peste, credo! Estamos na web.2, meu, os putos sabem mais do que os macacos anteriores, não precisam de cartilhas. Claro, que nunca é mau relembrar, para os mais novos e amnésicos, que Portugal teve um facho como Pedro Passos Coelho ainda há poucos anos a governar-nos (que dizer do "Bosta" de hoje e a sua aplicação afasta-covid-big-brother-nazi-state) mas ouvir o tema Anonimous, composto originalmente entre 2013 e 2015 - inédito portanto - em 2020 é como sonhar que um dia o Coelho será chicoteado na praça pública depois da Revolução. Onde está a urgência Punk? Na latrina da sala de ensaios, pelos visto. Revolução essa que os Pop Dell Arte não contribuíram em nada nem que seja pelo simples facto deste disco ter saído pela multinacional Sony com guita da máfia da SPA.

Com décadas de rumor em que Peste iria morrer prá semana, pela sua conhecida toxicodependência, levando sempre a criar alguma ansiedade entre os seus fãs,... bom..., olha, já fui! Por mim, ele morreu aqui. Aliás, mea culpa, se escrevi o que escrevi com a morte do "Barbosa", sei que foi uma boa tentativa vir aos Pop Dell'Arte à procura de um "sonho Pop" mas foi um erro.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Feito!

Quando os KMFDM lançaram WWIII acho que escrevi algo na Underworld - Entulho Informativo que estes industrialitas eram como os Ramones (ou Mötorhead), ou seja nunca mudam de disco para disco mas sem que isso seja propriamente mau ou uma desilusão. Assim vamos lá ver se tá cá tudo neste seu 15º álbum: batidas EBM, coros singa-a-long prá Revolução, voz dramática masculina, voz feminina tipo Ídolos, guitarradas Hard Rock, sintetizadores em fúria, música com auto-referência, Dub escondido, capa do Brute!, uma malha em alemão, sensação de ser uma b.s.o. para videojogo e é isso, temos o Tohuvabohu (Metropolis; 2007). Ok, há também uma malha em latim, não entra o Pig neste disco e há uma boa versão de Los Niños del Parque dos Liaisons Dangereuses.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Puxa carroça

 Bhangra Beatz... A Naxos World collection (Naxos World; 2002) é um belo de disco para qualquer festa que se preze, com máscara ou turbante ou como viemos ao mundo. Som indiano que ganhou, nos anos 80 e 90, novo fôlego com a geração de emigrantes em Inglaterra a adaptarem técnicas de Hip Hop e Techno aos sons tradicionais, voltando prá India com essas novas roupagens e influenciando a indústria musical - ligada ao cinema. Eis uma colectânea que mexe com o corpo mas talvez um bocado com o cérebro - ao que parece "Bhangra" quer dizer cânhamo, cóf cóf cóf - como acontece com a faixa Soundz of the Des de Balbir Bittu verdadeira força musical que não deixa ninguém indiferente. Só por esta malha vale por tudo o resto. Mêne, onde se pode por som mas sem apanhar covid em 2020? Queria meter isto à prova!

Já agora, de referir que este CD foi adquirido no Bazar Esquisito, o último verdadeiro sítio do "Porto-Morto."

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Para esquecer...



Admito não ter muitos critérios de gosto (melhor ainda, "de bom-gosto""!) em relação a música africana ou de origem africana, a música popular e Pop em bruto é sempre bem-vinda, no entanto não consegui engolir estes CDs não sei bem porquê. No caso dos Gaita'L Funana e o seu Funaná É Sabi (AfriKana; 1999) é sobretudo a voz feminina que parece-me forçada e que se sobrepõe ao resto, não chega a ser histérico mas acaba por ser irritante. Já Guents dy Rincon (2010) também é a voz o elemento dissuasor, desta vez é masculina e muito carregada, algo se perde com os excessos de esforços. 

Os discos podem ser mauzinhos mas como foram comprados aos sem-abrigo do Largo de S. Domingos sempre serviram para qualquer coisa.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Pat Gilbert: "Passion is fashion : The Real Story of The Clash" (Aurum; 2009)

 Tudo que possa escrever aqui será um chavão. O maior de todos é dizer que a imprensa britânica é uma máquina de triturar Pop/Rock. Seja um radialista ou banda tudo que mexa no pântano musical naquela ilha de porcos tem direito a bibliografia. Esta "estória verdadeira" é só mais um livro sobre os Príncipes do Punk. Em teoria escava melhor as biografias dos seus membros e os que rodeavam. Mostra que tal como os Sex Pistols foram montados por um empresário para serem mais do que uma banda de Rock - sendo a questão de controlo ou fora de controlo a verdadeira parte sumarenta destas narrativas.
 
Em vários jogos de conflitos internos, algo nos Clash transcende a performance Sex Pistols, para se transformarem em músicos curiosos com o mundo fora do cânone Rock - não quer dizer que o Rotten / Lydon não se tenha transformado também num músico importante se pensarmos nos P.I.L. Os Clash tornaram-se em diplomatas dos sons negros de Londres, Jamaica e Nova Iorque para todo um mundinho de Pop branquinho, limpinho, decadente e sem graça. E se para quase toda gente são os temas a abrir como Should I Stay or Should I go? ou White Riot ou London Calling que são o suprassumo da banda, para mim o "dubificado" Guns of Brixton continua a ser a melhor faixa deles, foi essa que me abriu olhos para sons mais... dimensionais. Suponho que para mim como para muita mais gente pelo mundo ocidental fora.

Como livro desmonta ideias preconcebidas que os Punks profissionais de serviço possam ter desta banda, afinal eles nunca tiveram uma ideologia, e muito menos homogénea, do que estavam a criar. Tal como os Sex e outros contemporâneos o que havia era apenas caos e vontade de romper com os limites da altura. Parece-me que, como tudo naquela ilha, as grandes questões são sempre as de classe social em que eles se inseriam. Os Clash eram uns gajos de classes médias, ou apenas desenrascadas, que por serem boémios acederam a várias formas de estar na vida e assistiram a injustiças como o racismo a acontecer bem à sua frente. Fizeram o que músicos pode fazer, e não se pode pedir muito mais: escreveram sobre isso, expondo na cara da sociedade o que se tenta(va) não ver ou fazendo "benefits" para veteranos de guerra ou mineiros em greve. Pouco mais haverá para romantizar até porque parece-me que eles só não fizeram o seu "lucro sujo" de reunião porque Joe Strummer faleceu, prematuramente aos 50 anos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Disco de Verão (ainda vai a tempo até dia 21)

 


Não sei o que tanta gente tem contra o Ska, desde de pseudo-críticos felinos até às altas instâncias intelectuais. Uma conspiração contra a vida? Siiiiiiiiiiim, se congeminarem esta teoria a fumar ganzas... A verdade é que as drogas explicam tudo e as novas gerações foram dopadas legalmente com tudo o que havia à mão. Por isso, ouvir música feliz? Errado! Ouvir música cheia de energia? Errado! Viva o Trap e a sua Codeína e Anti-Depressivos num país que sempre preferiu à merda da melancolia do que à "Fiesta" - excepto nos anos 90 porque havia bueda guita. 

Isto para dizer que Chubby Dubby (Jahnotion; 2001) é um belo de um disco de Verão, mesmo terem passados dezanove por ele. A banda era os Three and a Quarter, "power-trio" de estranjas ricos estacionados na linha de Cascais e segunda divisão do campeonato Primitive Reason - tanto é verdade que não só editam na editora deles como até o artwork consegue ser tão merdoso como são os dos Primitive. Por raios prestei atenção a isto agora? Nos anos 90 quando apareceram nunca liguei a estes putos... A cena é que tinha uma k7 com o tema Noise In que é das melhores faixas de Rock em "Portugal" e lembrei-me de checar o resto do disco depois de ouvir a k7 há algumas semanas. 

E é disco bem fixolas de se ouvir, tem temas fraquinhos de "so in love with you girl" e quejandos mas não chega a irritar. Ora tem temas Rock apanhacalhado como Ska festivo como Reggae com voz de branquela - Sublime poderá ser a referência aqui - , isto numa metade do disco, a outra metade é um gigantesco tema Dub de 26 minutos instrumentais, longe de ser genial sabem bem depois da ressaca da grande festa. Em 2020 não há festas bem sei, ou pelo menos com mais de 10 pessoas, eis um CD que iria resultar nessa festinha

PS - Curiosamente o tema Noise In refere-se ao Prozac. Visionário...

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Quem não tem cão, caça como gato


«Ó Farrajota, qual é a tua banda favorita?»... Fácil, fácil de responder: Butthole Surfers! Ficaria bem sem ouvir mais nada do espectro Rock com a discografia completa desta cambada de lunáticos. E claro, nunca terei a satisfação de os ver ao vivo porque toda a música em Portugal é controlada por companhias de telemóveis. E sim, quem me dera ter estado AQUI apanhar com balas da caçadeira do Gibby! Há dez anos que acabaram, tal como aconteceu com o Rock e o Pop (para o fim eles estavam mais electrónicos e Hiphop). Sim, cago de alto para tudo antes e depois deles, incluindo Beatles e Nirvana.

Resta descobrir aos poucos os projectos paralelos dos seus elementos. E mesmo que se não soubesse que The History of Dogs (Rough Trade; 1991) fosse do guitarrista Paul Leary como não resistir a uma capa com uma cachorrinha loura? Leary toca tudo, canta tudo, etc... apoia-se no passado da banda como projecta caminhos que iriam trilhar mais tarde. De Punk Rock ao Cabaret, à Pop nocturna à à balada soalheira. Não é tão extravagante como possa parecer porque a comparação com os Butthole, meterá sempre alguns pontos mais abaixo. E eu que nem curto cães... lá me vou levando com o disco que tem apenas 33 minutos.

Em 1995 houve os P - sim só isso: "P" - com um álbum homónimo, pela Capitol. A banda é o encontro improvável de Gibby Haynes (vocalista dos Butt), Bill Carter (um gajo do Country), Johnny Depp e Sal Jenco - ambos actores e "teen idols" na série televisiva 21 Jump Street. Um álbum ecléctico que vai do Cow Punk ao Dub mas não deixa de ser "normie" comparando com os Butt, é mais limpo e bem tocado, pode-se assim dizer. Apesar de ser uma espécie de sucedâneo, não deixa de ter momentos bem altos como as versões de Daniel Johnson e ABBA (I save cigarette butts e Dancing Queen, respectivamente), o "hit" Michael Stipe (será baseado no passatempo dos Butthole perseguiam os elementos dos R.E.M. nos anos 80?), Jon Glenn (Megamix) que são 9 minutos do melhor Dub alguma vez feito, e o último tema que parece um auto-epitáfio, The Deal. O grafismo do disco é do Gibby e é apenas lindo!

Belos CDs adquiridos na Glam-O-Rama. Quero mais!!!


Como descobrir discos nas lojas em Portugal, um gajo vai ao Discogs também para arranjar o CD de Gibby Haynes and His Problems (Surfdog / Latino Bugger Veil; 2004) que parece ser um álbum de Butthole sem o nome deles, logo a começar pelo "artwork" de caras distorcidas no photoshop ou o raio que o parta. E claro, a voz de Haynes está cá no seu esplendor mais o psicadelismo country e também as electrónicas & batidas Hip Hop da última fase da banda que termina em 2001. Mais acessível - mais Pop como as bolhas da capa - ainda não é um álbum para desiludir ninguém, ou pelo, menos para matar saudades.

sábado, 5 de setembro de 2020

Dança narrativa



Falar em narração em Techno fará muita gente rir. Os Metaleiros ou os Progues habituados a histórias da treta de naves espaciais, piratas furries e afins nos seus álbuns conceptuais dirão que não é possível. Talvez até dirão que a música de dança não tem mensagem. A questão da mensagem daria para outro "post", por isso em relação à primeira questão: se toda actividade artística ou intelectual começa com um lápis numa folha de papel, como não julgar que tudo é "BD"? Tudo é texto e imagem - esquece BD, infografia será mais correcto, não? Antes de ser um edifício (arquitectura), um livro (prosa ou BD), uma cadeira (design), uma prótese dentária (medicina), uma escultura ou um quadro (Arte) e... uma música, tudo passa pelo desenho, e do desenho à narração - progressão de imagens ou conceitos - o passo é mínimo, basta pensar nas partituras de composições ou os monitores de programas de música que parecem electrocardiogramas de alienígenas. Desenhando um objecto ou um conceito, imediatamente temos narração.

Johnny Violence ou Ultraviolence deve ser dos poucos "stars" da cena Gabber / Techno a nível internacional, aposto que deve haver dezenas de "stars" holandeses enormes (na Holanda e por lá ficam e ainda bem). Curiosamente foi contratado pela a que era uma das editoras mais perigosas de Metal, a Earache - casa de Napalm Death e Godflesh. Martelinhos fodidos no catálogo de referência do Grindcore? Tempos estranhos nos anos 90 que pelo menos a editora pensou que ia haver uma união entre a drum-machine e a guitarra suja - nada de impressionante se pensarmos nos universos contestários anti-sistema das Raves e dos Metalpunks, e a velocidade e volume sonoro também de ambos. Enfim, escolheu-se a timeline errada para nós habitantes da Terra-616 e cada um dos gêneros correu o seu caminho descendente. Mas voltando ao bicho inglês, em Psycho Drama (Earache, 1995) ele cria uma ópera-gabber! Um "Romeu e Julieta" desta era do abuso sexual e drogas sintéticas, um Natural Born Killers de pacotilha, acompanhado por um libreto (o booklet do CD), que permite acompanhar a história desenvolvida neste álbum... conceptual. Sobretudo é um disco instrumental como qualquer disco de dança em que aparecem alguns excertos - "falas" ou "versos" numa veia vocal devedora ao House - que vão criando uma narrativa desde as nascença dos dois personagens principais, uma Pop Star agarrada e um Assassino profissional com coração de Adamantium, até ao seu encontro e "final feliz". Mais não conto, nada de spoilers ó caralho!

Um ano depois, Shocker (Earache), é um álbum normal, isto é, uma colecção de músicas como são todos os álbuns. No meio da violência da martelada Hardcore, mais uma vez o livrinho do CD revela narração, neste caso de faixa a faixa. Cada uma além de revelar os BPMs envolvidos tem uma nota explicativa do assunto, por exemplo a faixa The Hardest Gabba o assunto é sobre "Nada. Isto não é Techno inteligente. Que se foda o Techno Inteligente". Sei que é o pior exemplo para dar mas não resisti, vá, há faixas sobre suicidas, guerras, Wagner e fazer anos. Por fim, duas curiosidades, a primeira faixa, 2 kicks for yes, Violent é entrevistada por uma sensual fã de Gabber e responde com dois "kicks" para sim e um para "não", afinal os martelos também podem comunicar; e, Burn out entre um record mundial de 20 000 000 BPMs cria o Extratone sem o saber...

Este texto foi patrocinado pela iminência da chegada a Portugal do próximo livro do DJ Balli sobre o Gabber & Futurismo. Estejam atentos, gabbas!