segunda-feira, 11 de julho de 2022
Música de Pança
#34: Casal de Santa Luzia
O novo Mesinha de Cabeceira foi impresso em risografia pela super-bacana Mago Studio!
Carambinha, o MdC também sabe andar na moda mesmo com 30 anos de existência!!
E não é só sobre... gatos!
Casal de Santa Luzia é realmente mais do que isso. Matilde Basto (2001) vai mais longe nesta banda desenhada para criticar uma cidade - Lisboa, que não haja dúvidas - que se vende ao metro quadrado sem qualquer enquadramento ecológico ou sociológico. O ambiente da BD entra em algo de Fantástico - lembra superficialmente o início da série Gideon Falls - sem nunca entrar numa aventura sci fi espectacular. Se há fogo de artifício esse passa pela mix-art da autora.
BD de 48 páginas mais ou menos A5, impressa uma cor (verde) em risografia e uma capa a duas cores, é mais um fascículo deste zine que comemora os seus 30 anos, sendo que a obra foi realizada no âmbito de um estágio não-explorador da London College of Communication entre Março e Maio 2022.
Esgotado - exemplar disponível para consulta na Bedeteca de Lisboa
Lançamento no Penhasco, 16 de Julho, entre 18h e as 22h
Entretanto o André Ferreira comentou isto: Do Casal de Santa Luzia gostei muito dos desenhos, mas o que mais me surpreendeu foi a forma como a história é contada, como a Matilde Basto nos vai dando pistas, como todos os pormenores contam e ampliam o significado da narrativa. Os gatos são o símbolo duma ameaça que paira sobre todos, um cerco que se aperta, e que nos vai expulsando dos espaços. A seguir para onde vão os gatos? Para onde vamos nós?
terça-feira, 5 de julho de 2022
Para bom entendedor...
Adorando a banda, por acaso sempre tive problemas com este álbum, não sei porquê talvez pelo tema poppy Pepper e nunca ouvindo com atenção pensava que era uma seca melosa. É verdade que o tema TV Star também leva praí mas eles sempre foram orelhudos mesmo com mil distorções "hendryxianas" mas Electriclarryland (Capitol; 1996) é mais um bom disco dos Butthole Surfers. Assim entre o rock abrasivo de Independent Worm Saloon e o futuro electrónico e derradeiro Weird Revolution. Nem mais nem menos.
Também é estranha a imagem do disco, a capa a cargo de Paul Mavrides, autor de BD underground e um dos fundadores da Church of The SubGenius, mais abonecado e simpático (mesmo que haja um lápis enfiado na orelha de um bacano) e menos alucinante que as capas do passado. Vá, vá, vá não há mais gente assim, o disco é bem-bom!
terça-feira, 14 de junho de 2022
Joe Boyd : "White Bicycles : Making Music in the 1960s" (Serpents's Tail; 2006)
As capas claro que enganam, sobretudo com "brouhahas" histéricos como o do Brian Eno neste caso - meu, vai produzir mais um disco dos U2 (vulgo, "vai à merda"). Ainda mais quando o subtítulo também é aldrabão. Não se vai ler muito como se fazia música nos anos 60 - o do Visconti é mais detalhado sobre cenas de produção e gravação - mas antes umas memórias esparsas de gajo ligado aos clássicos do Rock. segunda-feira, 30 de maio de 2022
Conger Conger Comix
Eis uma fotografia do original da capa do Conger Conger Comix feita por Gregory Le Lay.
sábado, 21 de maio de 2022
Mesinha de Cabeceira #33 : Chicão
quinta-feira, 5 de maio de 2022
Rick Bragg : "Jerry Lee Lewis : His Own Story" (Canongate; 2015)
Sim, sou um otário por estas biografias excitantes dos gajos do Rock e afins. Desta vez foi o quase-Rei do Rock, Jerry Lee Lewis, nascido em 1935 e ainda vivo, fechado em casa com armas e a puta da Bíblia. Já lá iremos em relação a isto...domingo, 1 de maio de 2022
Inácios Pintos do mundo zuni-vos!
Foi divertido. BD-cadáver-esquisitos pegando nesse ícone cascalense que é o Inácio Pinto (anos 90, café Sorriola). Ainda bem que o Rei da BD Portuguesa cuidou da criançada, que a organização misturou adultos e putos. Bóf!
quarta-feira, 27 de abril de 2022
Pills 'n' Thrills and Bellyaches
YEAH!!
Mas é às 15h e não às 10h como anunciam aqui, aliás, como é que um boémio deste calibre conseguiria estar de manhã a tratar de zines? Só vomitando.
No programa diz que é entre as 15h e 18h. Ah! E o palpável Rei da BD Portuguesa Rudolfo vai ajudar no workshop!
domingo, 24 de abril de 2022
Mesinha de Cabeceira #32 : HOT
2022 é ano de comemoração do fanzine mutante Mesinha de Cabeceira!
DEA report
João Paulo Cotrim, Marte e João Fazenda no lançamento do primeiro livro do Loverboy. Bedeteca de Lisboa.
Segundo um recorte do jornal Blitz que encontrei o lançamento foi na noite de 26 de Março de 1998! 24 anos, boy!
Eis uma foto do público presente, uma sandes-mista do caraças: pais do João, amigos meus e dele ou comuns - Rafael Gouveia, Catarina Alfaro, Leonor Gomes, Pedro Baptista (dos grandes Damage Fan Club), Vânia Oliveira, Ricardo Blanco e o seu irmão, Miguel B., Luís, Rafael Dionísio e Ana D. -, gajos da BD que não interessam a ninguém, uma jornalista da TSF que me ficou com a demo-tape da banda do Geral (os Needs) para fazer a banda sonora da peça), Hugo-futuro-gajo-do-GAU, Ricardo Blanco, Isabel (companheira do João Paulo), Sandra Amaro (na altura namorada do Pedro Brito) e o Pitchu! E muita gente que não reconheço... Olhando para trás, lembro-me que foi algo electrizante, esta confusão de gente e de meios, realmente apontava para o facto que estávamos a fazer História. Não é armar ao cagão mas a verdade é que começamos todo um movimento de edições em livros, a preto e branco com temas contemporâneos - que no passado não existiram ou apenas com pequenas experiências (Arlindo Fagundes, José Carlos Fernandes) ou a BD com temas actuais estava fora do circuito do livro, existia nos jornais como o Relvas e o Diniz Conefrey, no Se7e e Blitz, respectivamente, ou ainda em experiências nas revistas Lx Comics e Quadrado. Aqui foi o arranque para muitos livros de novos artistas pelos finais dos 90 e século novo através da Polvo, Bedeteca de Lisboa, ASIBDP / Mundo Fantasma, Chili Com Carne, MMMNNNRRRG, Witloof, Círculo de Abuso, Nova Comix,... e mais tarde com a El Pep, Imprensa Canalha, Plana Press e Quarto de Jade.
Antes disso, em Portugal no que diz respeito a Romances gráficas só havia dois títulos / três livros que valiam a pena comprar sem passar vergonhas: O Diário de Jules Renard lido por Fred e os dois volumes de Maus de Art Spiegelman.
sábado, 23 de abril de 2022
Pio neiro
O Santo Graal dos discos: descobrir o pecado original. O primeiro gajo ou banda que [preencher qualquer coisa aqui] na música. Apesar das certezas há sempre descobertas, o que mete em causa o que é a originalidade e a sua validação no discurso artístico. Então, agora apanhei este Song of the Second Moon (Fifth Dimension; 2015) de Tom Dissevelt e Kid Baltan (soa a contemporâneo este nome por cauda do "kid") um disco de 1962, gravado entre 1957 e 1961. É considerado o primeiro "disco de electrónica com popularidade" ao ponto de ter sido considerado por Kubrick como banda sonora para o seu 2001. Antes há os descobridores sonoros - Martenot ou Theremin - ou os compositores sérios - Stockhausen, Varèse. A dupla holandesa são uma segunda vaga de gajos mais funcionais como os torturadores de circuitos da banda sonora do filme Forbidden Planet (1956) e os vendedores televisivos - o tema da série de TV Dr. Who (1962) - estando aqui com um disco que pretende ser "espacial". Os sons artificiais devem ter demorado eternidades a fazer, falamos ainda de fitas magnéticas a serem cortadas e remontadas até à exaustão, construindo ambientes e cenários que serão mais tarde expandidos para a psicadelia "Krautrock" e o Techno mais dançável ou mais "chill". Para o fim do disco há Swing e Jazz a lembrar o Dean Elliott - curiosamente Zounds! também é de 1962 - talvez para acalmar e satisfazer as necessidades do "normie" de 62.
O Pecado Original dos discos: satisfazer o Santo Graal do mercado. Coil vende! Aliás, é a única coisa que ainda vende... Ao ponto que ao fazerem a reedição comemorativa dos 30 anos de Love's Secret Domain (1991) a Wax Trax! é trazida dos mortos. Loja e mais tarde editora de Chicago que foi o berço do Industrial norte-americano - Ministry. Revolting Cocks, KMFDM, Controlled Bleeding,... Mas não é verdade, a companhia regressou em 2014 mas parece que só lida com reedições do seu catálogo mítico. Voltanto atrás, sim Coil vende e com razão, pareciam estar sempre à frente de tudo e de todos. Este é mais um disco que prova isso, em estado de graça no admirável novo mundo do sampler e MIDI, onde o Techno e Rave são mastigados para algo que irá aparecer passado um ano ou dois - seja os ambientes de Aphex Twin seja o trip-hop dos Massive Attack. Não é música de dança embora use os seus ritmos e padrões. O dramalhão da música deles mantêm-se, claro, senão não era Coil. Boa reedição com bom texto de um gajo de Matmos / Soft Pink Truth.
sexta-feira, 22 de abril de 2022
CIA info 91.3
26 de Março foi feito o lançamento da nova edição Vade-Retrum-Mécum-Magnum-Ó!tupus-Moto-Cangurulatório A R A R A X + II. Um livro que comemora os 10 (mais dois) anos deste colectivo e oficina do Porto. A festinha foi nas suas instalações Rua Anselmo Braancamp, 519 com performances pós-musicais de Nuno Pinto + Os Favelas, Héctor Arnau, Dr. Uránio apresenta Rádio Sonoplasmática e Von Calhau. Ah porque raios divulgo isto? Porque participo no livro com um texto sobre a revista Buraco.
#31: Cerveja Depressão apresenta Das Schwarze Loch
O número 31 do Mesinha de Cabeceira é do jovem Marco Gomes (Hamburgo; 1995) que começa uma série de BD, Cerveja Depressão, com uma história intitulada Das Schwarze Lock (trad.: O Buraco Negro).
Cerveja Depressão é um mergulho nas fantasias perversas e depressões que andam de mão em mão com o fundo de cada garrafa, copo ou lata (para os menos refinados) do qual tanto usufruímos para nos adormecer da realidade por uns breves momentos, mas que nos atira para um vazio sem fim.
Das Schwarze Loch é uma aventura num mundo embriagado criado na sua própria mente onde é obrigado a enfrentar dos seus mais profundos medos.
O ritmo é alucinante e faz de Marco um potencial autor a conquistar os mercados do mundo.
Força, meu!
Esgotado - exemplar disponível para consulta na Bedeteca de Lisboa
segunda-feira, 18 de abril de 2022
Marco Gomes : "Lethal Dose" (Void Books; 2022)
Eis um objecto simpático e uma primeira obra de um jovem autor. É um livro em formato horizontal, uma edição limitada de uma antologia de Marco Gomes em que ele adapta para Banda Desenhada letras de várias bandas de powerviolence / crust / black / isso... O grande problema é o imaginário das letras de bandas que já vão na terceira ou quarta geração dos (sub)géneros musicais se acharmos que tudo foi criado nos anos 80 e 90. Já dizia o outro que era mais fácil imaginar o fim do mundo que o do Capitalismo, e na verdade até esse imaginário apocaliptico já foi usado e abusado em milhares de capas de discos de punk e metal, no "gótico americano" dos filmes de Terror ou nos animes de Miyazaki & cia. Gomes meteu-se a jeito e está para lá perdido sendo que sei que sairá deste abismo estético, porque n\ao só tem idade para isso como sobretudo tem o talento necessário - a adaptação de Machine dos Bas Rotten já é prova disso.
Quando sair deste mundo fechado de referências vomitadíssimas, irá abrir outros horizontes e poderá partir a loiça toda - agora é só os copos e garrafas. Aliás, tudo começa com uma bebedeira, pelos vistos, e Gomes vai ser o próximo autor com uma BD no próximo Mesinha de Cabeceira, numa espantosa BD sobre as maleitas da cerveja, em que está cheia de ritmo e acção. Depois do vómito e ressaca pode ser que Gomes comece a dizer outras coisas mais interessantes. Para já mostrará, que será um grande autor de BD numa linha mais comercial da à qualidade técnica do trabalho. Não arredamos é o pé deste gajo, quando ele for grande e famoso, vai-nos meter numa "guest-list" de um grande evento ou estes primeiros livros vão render milhares no crypto-bayᵀᴹ. Foram avisados!










