quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Quem não tem cão, caça como gato
«Ó Farrajota, qual é a tua banda favorita?»... Fácil, fácil de responder: Butthole Surfers! Ficaria bem sem ouvir mais nada do espectro Rock com a discografia completa desta cambada de lunáticos. E claro, nunca terei a satisfação de os ver ao vivo porque toda a música em Portugal é controlada por companhias de telemóveis. E sim, quem me dera ter estado AQUI apanhar com balas da caçadeira do Gibby! Há dez anos que acabaram, tal como aconteceu com o Rock e o Pop (para o fim eles estavam mais electrónicos e Hiphop). Sim, cago de alto para tudo antes e depois deles, incluindo Beatles e Nirvana.
Resta descobrir aos poucos os projectos paralelos dos seus elementos. E mesmo que se não soubesse que The History of Dogs (Rough Trade; 1991) fosse do guitarrista Paul Leary como não resistir a uma capa com uma cachorrinha loura? Leary toca tudo, canta tudo, etc... apoia-se no passado da banda como projecta caminhos que iriam trilhar mais tarde. De Punk Rock ao Cabaret, à Pop nocturna à à balada soalheira. Não é tão extravagante como possa parecer porque a comparação com os Butthole, meterá sempre alguns pontos mais abaixo. E eu que nem curto cães... lá me vou levando com o disco que tem apenas 33 minutos.
Em 1995 houve os P - sim só isso: "P" - com um álbum homónimo, pela Capitol. A banda é o encontro improvável de Gibby Haynes (vocalista dos Butt), Bill Carter (um gajo do Country), Johnny Depp e Sal Jenco - ambos actores e "teen idols" na série televisiva 21 Jump Street. Um álbum ecléctico que vai do Cow Punk ao Dub mas não deixa de ser "normie" comparando com os Butt, é mais limpo e bem tocado, pode-se assim dizer. Apesar de ser uma espécie de sucedâneo, não deixa de ter momentos bem altos como as versões de Daniel Johnson e ABBA (I save cigarette butts e Dancing Queen, respectivamente), o "hit" Michael Stipe (será baseado no passatempo dos Butthole perseguiam os elementos dos R.E.M. nos anos 80?), Jon Glenn (Megamix) que são 9 minutos do melhor Dub alguma vez feito, e o último tema que parece um auto-epitáfio, The Deal. O grafismo do disco é do Gibby e é apenas lindo!
Belos CDs adquiridos na Glam-O-Rama. Quero mais!!!
Como descobrir discos nas lojas em Portugal, um gajo vai ao Discogs também para arranjar o CD de Gibby Haynes and His Problems (Surfdog / Latino Bugger Veil; 2004) que parece ser um álbum de Butthole sem o nome deles, logo a começar pelo "artwork" de caras distorcidas no photoshop ou o raio que o parta. E claro, a voz de Haynes está cá no seu esplendor mais o psicadelismo country e também as electrónicas & batidas Hip Hop da última fase da banda que termina em 2001. Mais acessível - mais Pop como as bolhas da capa - ainda não é um álbum para desiludir ninguém, ou pelo, menos para matar saudades.
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
Bando de mamados


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Infecção Urinária da Finlândia (VI)

E com este texto fecho os relatos sobre as minhas aventuras sonoras nórdicas durante a minha estadia na Finlândia. Na última semana ainda consegui ir a Turku e comprei um CD-R enganoso. Intitulado Avarrus Suomesa (trad.: Finlândia espacial?) de 2006 (?) é um “set” de dois DJs, Prof. Roland Fender e Prof. Megatron Holaris (ligados à bd? Adquiri numa loja de bd) que misturam músicas Pop sobre o espaço cósmico numa pespectica descendente de 2020 a 1959 seja lá como isso é possível. Pensava que era um disco do colectivo experimental Avarus, que fez a banda sonora da exposição Glömp X patente na Bedeteca de Lisboa em 2009 mas não, é uma “mix-tape” de kitsch em que o único nome conhecido é Jimi Tenor com um “tango espacial”. No fundo, isto só tem piada pelas letras que nos transportam para uma era perdida e inocente (o passado é sempre considerado inocente mesmo que tenha sido bárbaro!) em que se ainda sonhava com a conquista do Espaço. Não percebendo patavina da lingua “suomi” é mais fácil imaginar este objecto deslocando-o para uma versão portuguesa em que teriamos misturadas fatais de um tema de 10.000 anos depois entre Vénus e Marte de José Cid com a Amália a cantar o Sr. Extraterrestre seguido de Planet Lakroon dos Pop Dell’Arte, as Doce com Starlight, os Space Boys, Stealing Orchestra, etc…Talvez esta tenha sido a minha pior despedida cultural de sempre!
“Pop Will Eat Itself” é capaz de ser o melhor nome e manifesto para música urbana pela forma canibalesca e autofágica como vemos as fórmulas repetirem-se até à exaustão, com uma indústria fonográfica a gastar mais dinheiro em promover lixo do que a incentivar à criação – aliás, como seria possível de outra forma? A música é um negócio capitalista, e o Capitalismo é o Rei do Trash! Talvez pelo avanço na minha idade vou tendo menos paciência para a Pop e o Rock e infelizmente também para os outros géneros que se foram cristalizando como o Punk, Hardcore, Metal, Hip-Hop, etc… Ouvir estas formas de criação que insistem em serem eternamente jovens quando a maior parte delas já têm pelo menos 30 anos de História provocam-me vómitos e enjóos fáceis. Talvez por isso prefiro ouvir Noise, música árabe ou Africana do que a última sensação Pop sueca anunciada pelo Imbecílon… Ops! Caí na esparrela agora! Porque ando louco a ouvir Melanie Is Demented e os seus últimos dois álbuns online Melanie är Demented e MXLXNXXXSDXMXNTXD, ambos editados este ano pela sua label Wormfood. Mas como é uma coisa DIY, a imprensa oficial não vai ligar patavina, estou livre de culpa!
MID é uma “one-band man” que tem vivido em instituições psiquiátricas a gravar estes maravilhosos discos, é sueco e não finlandês mas serve para fechar este ciclo de artigos. Conheci-o em Estocolmo em 2008 durante o SPX (festival de bd alternativa) nas condições descritas nesta bd mantendo um contacto permanente com este jovem perturbado mas com uma sensibilidade Pop/Rock apurada. É aquele tipo de gajo que consegue sacar o famoso e obrigatório “orelhudo” em todos os seus temas mesmo quando canta em sueco, completando a famosa equação do “indie” Pop/ Rock para ser viciante - sem deixar de ser "inteligente".
Para mim é uma espécie de Frank Zappa pelas ideias de fusão e ruptura (não a forma superficial) em versão “bedroom punk”. Há partes da voz que lembra David Bowie, outras Butthole Surfers, onde aliás, instrumentalmente acaba por haver alguma ligação com a banda texana que na sua última fase investiram num Rock Electrónico não muito longe do que MID faz: loops, samples, ritmos Hip-Hop ou Drum'n'Bass com guitarradas balizadas entre o Blues e Rock. Enquanto os Butthole desapareceram sem glória, MID tem todo o sangue na guelra e sente-se a poderosa evolução de registo em registo. As letras tratam de assuntos endérmicos de quem escolheu o Rock como expressão criativa, passando por uma forte crítica ao negócio fonográfico e as suas bandas atrasadas-mentais, ao fascismo dos Sociais Democratas, à Globalização, aos abusos da polícia e à apatia social. MID escreve numa componente autobiográfica e irónica que é contudente e longe da futilidade do “teenage love” ou “teenage angst” como 99% da música que se ouve. Quando ele dedica um tema ao Batman não é para se armar em Gótico da pacotilha mas para criticar o alter-ego da personagem, Bruce Wayne, que é um filho-da-puta de um beto rico. Quando canta um tema sobre pastilhas elásticas não é para celebrar o gozo de mastigar este produto pueril mas para lembrar que ele é feito de dinheiro sujo de países explorados do terceiro mundo.
O estranho é como ele o faz de forma armadilhada onde podemos encontrar em doses idênticas de militância, energia, crítica, astúcia, empatia, desordem, desobediência e humanismo. Características de um verdadeiro artista. MID é um “filho de uma colisão cultural” (roubo descaradamente a expressão ao meu tema favorito dos Urban Dance Squad!), que obviamente tanto se passa a ouvir Stoner Rock como Gangsta. Um híbrido da civilização Ocidental que não se alinha no conforto zombie da boa integração social, especialmente o da sueca que pretende que os seus cidadãos sejam humildes e que escondam qualquer forma de exibicionismo. Ora isto é uma missão impossível para este tipo, ainda o ano passado enviou-me uma foto dele a mostrar a pila em frente ao monumento (não menos fálico) do centro de Estocolmo. Havia um contexto, ainda assim, que era a comemoração dos 10 anos da MMMNNNRRRG e o lançamento do livro Pénis Assassino do Janus mas ainda assim eu não precisava de ver os seus genitais… Freud explica!
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Garry Shandling
Esta reedição do psicótico Pioughd (Rough Trade; 1991) e um EP (Touch&Go; 1989) só nos lembra que não foram os Flaming Lips, os primeiros Punks a tomarem ácidos. Também nos faz abrir os olhos o quão pouco divertida é esta onda de neo-folk e psicadelismo que anda por aí. Os Butthole eram todos pró-ácido mas sem contemplações filosóficas - aliás, como é possível fazer Yoga e outras tretas num mundo de plástico? Nesta idade de gelo a derreter, uma banda texana misturava humor negro, riffs Sabbathianos e uma voz de Pato Donald (No, I'm Iron Man), estupidez, sentido melódico, country infra-humano, feedback sónico (Something é parte versão de uma música de Jesus & Mary Chain), barulho concreto como sirenes de bombeiros ou buzinas de circo. Um caleidoscópio de escatologia musical de uma das melhores bandas de sempre. A reedição em CD é pobre no que diz a tratamento gráfico, infelizmente.
sábado, 21 de abril de 2007
O Inferno são @s outr@s...
Psychic TV / PTV3: "Hell is invisible... Heaven is her/e" (Sweet Nothing / Cargo / Ananana; 2007)O "pandrogénico" Genesis P-Orridge voltou com a terceira versão / vida dos Psychic TV - por favor investigem pormenores sobre Genesis e os PTV (3) nos sites oficiais da banda e editora, wikipedia e allmusic antes de continuar a ler esta resenha... Já está?... Ok! Continuem: - que tal como uma máquina do tempo psicadélica volta às raízes culturais de Genesis quando era um jovem Mod. Dai que daqui não vamos ouvir "Industrial" nem "Acid House" nem "Experimental" nem "World Music". Iremos ouvir alguns desses elementos mas em segundo plano, o primeiro plano está reservado para o Rock psicadélico que irá assimilar os outros.
Este álbum reúne uma banda de cromos como não poderia deixar de ser - entre eles pessoal de Toilet Boys e Butthole Surfers. As faixas nunca são abaixo dos 5 minutos cada e o primeiro tema Higher & higher assusta... até parece que foram os nojentos dos U2 que gravaram mas pouco a pouco vamos entrando no disco sempre com aquela voz de old fart britânico. Para quem tem estado na vanguarda (contra-)cultural este até será um objecto "conservador" mas ainda assim com um carisma próprio difícil de superar por outra banda - o Gibby Haynes até podia aprender alguma coisa com esta colaboração depois da merda que tem feito nos últimos discos dos Butthole... Um bom álbum Rock para quem já se propõs destruir o Rock.
Qualidade numérica: 4/5 Objectivo pós-audição: dúvida existencial mas tudo indica que é um disco para ficar na colecção.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Ei, Jo!
A melhor de todas é Airshow 2000 (Man's Ruin; 2001) dos Fuckemos, que peguei pelo o incrível nome estúpido e artwork parvo, e o que me sossegou foi o facto de ser da editora do Frank Kozik. Depois de pesquisar o que ouvi é que percebi porque raios esta banda é mais um "Alien Rock" que estava mesmo a precisar de ouvir! É do Texas como outros muitos outros mamados - como os Butthole Surfers que inevitavelmente poderão ser comparados embora sejam menos extravagantes e ambiciosos que os Butthole e a voz é monocromática a lembrar a do Peter Steele (Type O Negative) que debita letras sobre 75% sexo bizarro e os restantes 25% outros temas algo sexuados como o tema Yer Family (Ruff) que tem esta bela letra:You were my lover, so was your mother
And your father and your sister and your brother
I am so sorry that I left you feeling sad
Can't we just remember all the good times we had
...
There was noone like you and your family - and your family
I thought it was cool that they would have sex with me
They gave me food when I was hungry
They gave me love unconditionally.
Mas convenhamos, o Rock é só sobre sexo, sempre foi e sempre será... mesmo quando os Fuckemos mudam de registo e fazem uma versão de Judas Priest tão manhosa como a música original, caiem na redudância porque não há mais nada tão sexuado e manhoso que Judas Priest - e os metaleiros sabem disso... Por isso, qualquer trabalho dos Killing Joke nunca chegará aos calcanhares de uma música "vou-te saltar prá cueca!", mesmo que seja o seu (segundo) álbum homónimo (Zuma / Sony; 2003) com o Dave Grohl na bateria - depois de mostrar que era aí o seu lugar num disco dos Queens of the Stone Age, e não como compositor da xungaria Foo Fighters, armado em baterista traumatizado pós-Nirvana. Já agora, diz a lenda que o tipo não cobrou nada por este trabalho - mesmo sabendo que os KJ andaram para processar os Nirvana por plágio, tendo desistido do acto após o suicídio de Cobain.Apesar da bateria convidada de Grohl nada muda na estrutura da banda, que continua o seu misto de barulho tribal pós-punk com algo de celebração Pop. E sendo Pop vai viciando a cada audição...
Por fim, o último disco dos Godflesh, Hymms (Music For Nations; 2001), percebe-se porque o projecto acabou, pouco adianta ao que foi feito no passado e prepara Justin K. Broadrick para o seu actual projecto Jesu - aliás, a última música deste CD intitula-se Jesu.Denso, pesado, lento, industrial, metalizado e insuportável como qualquer pessoa sã poderá gostar e exigir que houvesse uma banda assim. O baixo tem dentes, a bateria desta vez é humana e mais Rock (porque não é uma drum machine como acontecia no passado), riff dronados, a banda sonora original para um mundo que se desmonora a olhos vistos em 73 minutos. Cospe-se em Jesus?
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Vinilo laico
Uma rapidinha sobre as aquisições na última Feira Laica que por acaso eram espólio do O Poeta e do Opuntia. Por acaso os tipos livraram-se de coisas bem fixes como Dark Recollections (Necrosis / Earache; 1990) dos Carnage, álbum seminal do Death Metal Sueco, uma verdadeira loucura underground nos anos 90. O tempo não perdoa e parece que já ouvi tanto Death que não aqui nada de surpreendente, por isso prefiro ficar como referência os anti-cristo Deicide, os escatológicos Cannibal Corpse ou os narco-satânicos Brujeria. [3,5; levo prá Troca de Discos para fazer ambiente e trocar porque não vou ter gira-discos para passar... pena!]
Uprising (Tuff Gong / Island; 1980) de Bob Marley & the Wailers é um disco "terminal" - foi o último álbum de estúdio de Bob antes de morrer no ano seguinte. Álbum de Reggae de qualidade não fosse um álbum do Bob, encontra-se cá Redemption Song, uma das faixas mais emblemáticas e fora do âmbito do Reggae por ser meio Folk - terá sido por isso que foi anos mais tarde versionada pelo Johnny Cash? [4; bom para ouvir à tarde ou a desenhar]
Com a capa toda fodida (adivinhem de quem era o disco?) outro clássico: o quarto álbum (Atlantic; 1971) dos Led Zeppelin, imortalizado pelo famoso tema Stairway to heaven mas também pela estranha capa que nada diz: nome da banda, título do álbum (não existe), créditos e afins... só quatro símbolos que representavam estes outros fab four. Um dos álbuns mais vendidos de sempre a 1€ e essêncial p+ara qualquer "alternativo" para entender o Hairway to Steven (Touch & Go; 1988) dos Butthole Surfers, hehehehe [5; mas o que faço com aquela capa toda fodida?]
Mais clássicos: os Mahavishnu Orchestra eram uma banda Jazz-Rock e que tem Birds of Fire (Columbia; 1973) um magnífico segundo álbum. Cheio de energia e textura vindo de cinco virtuosos que aproximam o Rock, o Jazz e a música indiana. A orquestra era liderada pelo famoso guitarrista John McLaughlin antes de ser conhecido pelas secas. Um clássico é um clássico, e vice-versa, muito imitado mas poucas vezes batido. [4,5;...]Mais recentes mas clássicos na área da Genitália-Juvenália, vulgo, Grind em duas estreias, ambas da Earache quando a editora fazia juz do nome: Lawnmower Deth com Ooh Crikey It's... Lawnmower Deth (1990) e O.L.D. com Old Ladies Drivers (1988). Bandas que reflectem bem a juventude alimentada com junk-food, filmes Gore e falta de respeito pelas instituições sociais e humanas.
No caso dos Lawnmower Deth são mais Trash e Death com letras tão imbecis sobre a clínica Betty Ford: «I can't help it, I'm not pure But Betty Ford's will have the cure. Alcohol, at Betty Ford's / It's cost me loads of money, Money I could have blown, On buying loads of heroin» como sobre hábitos britânicos no Pub - ou melhor porque se luta num Pub? Simples, Did You Spill My Pint? Inesquecível uma faixa Death com a vocalização à Pato Donald! Parece que no terceiro álbum (em 1994) deram numa de Punk (melódico?) e foram esquecidos para sempre. Pena? [3,7; este não vou largar tão cedo!]
Os O.L.D. são dos E.U.A. e é Grind puro e duro. Nas suas fileiras estava James Plotkin com cara de puto (porque era) antes de ser um cromo de música eh... Noise? - Ex.: Phantomsmasher (Ipecac; 2002). Aqui é o primeiro registo de Plotkin com mais dois metálicos de gema, que deviam-se vir feitos tontos com faixas como Lepers Without Feet ou Special Olympics - recuso-me a citar as letras, hehehehehe Xungaria barulhenta da boa com uma excelente versão de Cocaine (Eric Clapton). Estes é que eram tempos sem perseguições politicamente correctas e de música extrema e rápida como depois deixou de haver - voltou com a cena Breakcore? [3,6; vai ficando até arranjar melhor, tipo, um vinil de Anal Cunt!?]
Por fim, quanto a Towards Thee Infinite Beat (Temple; 1990) dos Psychic TV é um álbum que usa a estética Acid - tal como muitos que sairam na altura: "In Gorbachev We Trust" dos Shamen, para não falar dos KLF ou dos 808 State -mas com aquele "twist" do Mr. Genesis P-Orridge & cia. Letras niilistas, sons étnicos e a veia experimental no meio das batidas Rave UK. [3,5; ...] Por este lote de discos que não ultrapassaram os 4 Euros cada - alguns a 1€! - é caso para dizer que vale mesmo a pena ir à Laica! Auf Auf!
quinta-feira, 22 de junho de 2023
terça-feira, 15 de março de 2011
Trust




Uma ida à Carbono para colar um certo belo cartaz fez-me disparar o sentido consumista há muito adormecido. Mas nada de CD's de 10 euros ou vinis de 5eur... nã! Fui ao refugo dos CD's a 2,5 eur que a loja nem se dá ao trabalho de guardar a rodela fora da caixa. E encontrei na secção Metal/Goth umas coisas bizarras que me puxavam prá nostalgia do Rock Industrial dos anos 90. Não resisti em comprar 4 CD's por causa:
a) da editora: Afterburn : WaxTrax! Records '94 and beyond (WaxTrax / TVT; 1994), compilação com os meus queridos KMFDM, e Pig, Die Warzau, Chris Connelly, e mais conhecido ainda Underworld e Richard H. Kirk (Cabaret Voltaire). A WaxTrax! foi uma editora que lançou os mamados do electro-industrial norte-americano (de Chicago) que produziram obras inesquecíveis ou pelo menos os melhores nomes de bandas como Revolting Cocks ou 1000 Homo DJ's. Também levavam para a América licenças de disco do melhor que se produzia na Europa como Laibach ou Front 242. No príncipio dos anos 90, com a explosão da "música alternativa", os artistas começaram a fugir da WaxTrax para irem para editoras "majors" (e no caminho a lixarem-se com isso, como aconteceu com os Melvins ou os Butthole Surfers) deixando as editoras "indies" à rasca, ou seja, sem os artistas que vendiam melhor. A TVT comprou a WaxTrax e passou a meter toda a música electrónica nesta "label", sobretudo licenças da Warp para os EUA. Esta compilação é disso resultado, entre o Electro-Rock-Industrial de marca como os KMFDM (que procurava) saltam os beats limpos e bem-comportados de Mark Franklin, B-12,... Talvez este foi o epitáfio da "label", acertei na mouche!
b) do nome: Vómito Negro seria o suficiente comprar só pelo nome... Vale os 2,5 eur! Mas comprei porque conhecia o nome destes belgas nos meus velhos tempos de Universidade embora não me lembre de alguma vez os ter escutado. Bom... tive de os experimentar tal como se experimentam drogas novas... The New Drug (Antler Subway; 1991) é o quarto álbum desta banda electro-industrial que baseia-se nos Cabaret Voltaire e salta para as linhas posteriores de exploração dos conterrâneos Front 242 ou dos Skinny Puppy. As faixas dividem-se EBM de primórdios e em Dark Ambients. Tem força dramática para não se querer dançar...
c) da capa: ia jurar que à primeira vista que Also sprach Johann Paul II (A.M.D.G.; 1997) de 300.000 V.K., seria uma banda de Power-Metal cristão. Fiquei banzado com esta capa do papa-porco-polaco e a contra-capa com o tipo vestido de armadura!? Como é possível tal obra? Como ficar admirado? Ainda há pouco tempo fizeram um musical dedicado ao Papa morto e eque esteve em exibição em Lisboa porque não um CD de... Techno!? Algures vi uma referência ao NSK e percebi que havia dedo dos Laibach por aqui. Investigações posteriores confirmaram isso, é um projecto paralelo de alguns membros do grupo esloveno que neste segundo disco fazem um Techno Trance tão chato como o Techno Trance geralmente é. No meio é identificável alguns maneirismos militares de Laibach mas basicamente é uma bosta musical total. Dedica-se ao triunfo do Cristianismo, ao Nietzsche, ao Richard Strauss e a Zaratustra mas os sinais "iconoclastas" são dificeis de identificar deixando no fim sem paciência para os decifrar. Certo mesmo é que ei-de oferecer este CD a alguém que curta Deus e isso tudo...
d) da imagem da banda: os Skin Chamber mal sabia que era um projecto paralelo dos Controlled Bleeding, projecto mítico q.b. já editado em Portugal na Fast Forward e nos CDs da colecção Antibothis. Este álbum de estreia - só haveria mais outro álbum - Wound (Roadrunner; 1991) tem umas fotos homoeróticas da banda com os dois tipos em tronco nu ou em couro num ambiente de garagem / fábrica abandonada. Coisa paneleirota mas a indicar o Industrial, tipo Tom of Finland com ferrugem que receava a ser aldrabado pró EBM. Mas não! O som é uma brutalidade Industrial-Metal mais próxima e pesada de Godflesh do que Ministry e tão lenta e "mantrica" como Swans. Apesar destas balizas não é um disco para ser desprezado porque é como se fosse Grindcore em slowmotion!!!
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
web .2 tone .3
Culpados disto tudo se calhar Death Grips que desde cedo com o seu segundo álbum (ou primeiro oficial?) The Money Store (Epic; 2012) mostraram que seriam sempre rock híbrido - chama-se a isso de punk rock ? o feeling é esse mesmo que já não se possa meter o mofo da bateria + guitarra + baixo + voz isto é rock ciborgue electrónica rapada para mim é impossível dizer o que soa Eu Juro! já ouvi este CD mil vezes e sempre quando ele acaba ainda não percebi o que se passou o que ouvi o que aconteceu é como ouvir a primeira vez o Last Rights dos #Skinny Puppy ou Beers, Steers and Queers dos #Revolting Cocks Rembradt Pussyhorse dos #Butthole Surfers não é todos os dias que isto acontece ... Punk weight!
PS O 2 tone era nome para um Ska não racista em que o ponto de honra era ter uma banda que tivesse elementos branquelas e negros Clipping e Death Grips sabendo das cores de peles dos seus elementos (como se na verdade isso importasse para uma coisa - bom, na Amérikkka importa pelos vistos) parece isso um 2 tone para um mundo de Trampa mergulhado na deep web
espera
há mais
Apareceu Zeal And Ardor... WTF!? Imaginem o coninhas do Moby a fazer Black Metal essa seria a melhor ilustração para este disco Devil is Fine (Reflections; 2016) música de escravos americanos a cantarem Blues ou Gospel invertido, ou seja, a louvor de Satanás Nosso Senhor invés ao Porco Nazareno Devil is fine (o primeiro tema) abre-nos o coração, não não são samplers como o triste do Moby a voz é verdadeira In ashes arrebenta com os primeiros Blasts de Black Metal e ficamos confusos claro e mais ficaremos com intermezzos de electrónica que tanto podem ser Trip Hop ou caixa de música de criança como gamanço de arabescos à Çuta Kebab & Party ou What Is A Killer Like You Gonna Do Here? é uma pequena intervenção Tom Waits Children's summon parece o sonso do Gonza Sufi mas com Black Metal sempre isso "mas com Black Metal" o xoninhas do José Luís Peixoto escreveu há 10 anos um artigo qualquer a dizer que o Black Metal nunca seria popular pela sua violência - já na altura o que ele escrevia era errado porque bastava entrar no metro de Berlim e ter bem presentes outdoors do último disco de #Dimmu Borgir God good is a dead one entretanto fizeram um segundo disco a explorar a fórmula que não tem piada nenhuma apesar das revistas especializadas virem dizer muito bem, os metaleiros andam atrasados!
vi os Ho99o9 no Milhones 2016 e foi das melhores coisas que vi há imenso tempo ! Era como ver Bad Brains ou Black Flag e nunca o poder ter os visto porque não tinha idade para estar lá em Washington D.C. nos anos 80 nem nunca iria/ irei aos EU da amerdikkka a sério! Andei louco até conseguir um disco deles há um álbum - United States of Horror (Toys Have Powers; 2017) fazem Hardcore melhor que a malta do Hardcore e metalada, isto sim digno de sucessão de Discharge ou Slayer (vai na volta até samplam Slayer) ... mas fazem também dark Trap que a malta curte e tal em 2018 fuck! Tudo convive num disco de 46m que nada enjoa nada
a música pesada voltou a ter um ambiente de perigo depois de vinte anos de repetições ad nauseam
terça-feira, 5 de julho de 2022
Para bom entendedor...
Adorando a banda, por acaso sempre tive problemas com este álbum, não sei porquê talvez pelo tema poppy Pepper e nunca ouvindo com atenção pensava que era uma seca melosa. É verdade que o tema TV Star também leva praí mas eles sempre foram orelhudos mesmo com mil distorções "hendryxianas" mas Electriclarryland (Capitol; 1996) é mais um bom disco dos Butthole Surfers. Assim entre o rock abrasivo de Independent Worm Saloon e o futuro electrónico e derradeiro Weird Revolution. Nem mais nem menos.
Também é estranha a imagem do disco, a capa a cargo de Paul Mavrides, autor de BD underground e um dos fundadores da Church of The SubGenius, mais abonecado e simpático (mesmo que haja um lápis enfiado na orelha de um bacano) e menos alucinante que as capas do passado. Vá, vá, vá não há mais gente assim, o disco é bem-bom!
sábado, 28 de agosto de 2010
Primitive Future!

Cromagnon : Cave Rock (ESP-Disk / Jackpot; 2009?)
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Guantanamo questionnaire : Nevada Hill
what's your age? 26
did you study art? Printmaking
music? NO
what's your main influences in comix and music? Gary Panter, Fort Thunder, Winsor McCay, Tommi from Boing Being, Durer, David Lee Price.
Music: favorite 6 guitar players of all time Derek Bailey, Arto Lindsey, Jimi Hendrix, The girl from Finally Punk that plays with her thumb, Micheal Morely, Seth Sherman
are you part of any peculiar scene? local? transnational? Zanzibar Snails are a part of the Denton music scene. We play with all types of musicians and non-musicians that are interested in improvisation and experimenting with sound/performance. The scene we are apart of is mainly local we do not have the money or time to tour which is why we use our cd-r label to distribute our tracks around the world. We would love to be apart of a transnational scene. I love to collaborate with other artist and musicians.
how you connect music and comix? I have decided that the Aural and visual are just different tangible states of creative energy. A good example of this is water the liquid when frozen it turns to ice and when heated it turns to steam. It is still H2O but it is just changing its state due to environmental conditions. This is the same with my visual work and aural work, they are interconnected.
how important is silkscreen in rock posters? is it a revival from the 60's or it has been a tradition in the US? Screenprinting is just another method of replicating an image. It is widely used in the U.S. for gigposters because it is cheap (sometimes) and anyone can turn a garage or a apartment room into a screenprinting studio. Also the results can be seen as more valuable then say a Xerox with clip art on it. Most posters that were printed in the 60's are lithos only a few were screenprinted. Screenprinting multicolored gig posters gained popularity in the early 90's in Austin Texas. It has now exploded in popularity all over the U.S., Canada and has been gaining some popularity in the UK.
A theory of why the gigposter has been so popular is that when CD's became the mainstream format, the canvas for designer and artists to create an image shrunk from 12" to 5". So artist had to discover another way to get there ideas/images out to the general public. So now it is worse with the iPOD generation but vinyl is making a come back which is exciting.
you're from Texas, right? how "right wing" or "repressive" is that state, do you have any fear when you create (like something could happen to Mike Diana)? on the other hand a lot of "maniacs" came from there, right? 13th Floors, Butthole Surfers, Red Krayola... how you explain so "fucked up creators" from that land? I was born in Fort Worth and grew up outside of the suburbs. Depending on the town it can be very repressive for creative types that have different views of the arts and life. I can only speak from personal experience that I subconsciously suppress many ideas I have because I feel it is to radical or could be seen as offensive material. I have been trying to abolish these repressive feelings by actually putting some images in my posters that some people may find offensive. I do not do things to purposefully make some one upset. For instance My most recent poster has two male silhouettes that could be seen as giving each other hand jobs. Also my first art exhibition was at a Coffee house in Denton Tx, It was taken down after a week because it made the patrons feel uneasy. There were no out right obscene imagery it was just these line drawings of bean bags and lolly pops. When some people saw them the thought it was scrotums and Harry Pussy. I suppress the out right urge to create some images intentionally for fear of attention.
The Maniacs of the land are all "heros" of mine some people are fearless when they create and that is an admirable quality in an artist. I think they are created because of social and environmental influences. I think because Texas is so large and can be a harsh land. The scenery is also depressing. This creates an uneasiness in people that are sensitive to these types stimuli. Some people though are content with sitting in front of there big screen TV watching Reality Television while eating a tub of cheese cake filing.
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
26
- Antonio Scurati : M - O Filho do Século, vol. I (Asa; 2020 - orig. 2018)
- Karla Paloma (ed.) : Hairspray Magazine #1-2 (2024-26)
- Simone de Beauvoir : O Segundo Sexo (2 vol., Bertrand; 1975-76 - orig. 1949)
- Yoshiharu Tsuge : He rolled me up like a grilled squid (Drawn & Quarterly)
- Shintaro Kago : Parasitic City #0.1, 0.2, 3 (Hollow Press; 2025)
- André Neto + Nu No e o Resto (18.02; Damas) + Nu No : Turva Lingua (8mm; 2019)
- Chantal Montellier : Shelter (Nueva Frontera; 1981 - orig. 1980)
- Joe Sacco : The Once and Future Riot (Jonathan Cape / Vintage / Penguin Random House; 2025)
- Robert Gordon : Newport and the Great Folk Dream (2025)
- Ammar 808 : Maghreb United (Glitterbeat; 2018)
- Jazmín Varela : Campeón (Sigilo; 2025)
- Silvio Lorusso : Entreprecariat : Everyone is an entrepreneur. nobody is safe (Onomatopee 170; 2019)
- José Feitor : Fosso #4 (Imprensa Canalha)
- Oliver Laxe : Sirât (2025)
- Guy Colwell : Inner City Romance #1-2 (Last Gasp; 1972)
- Jim Donaghey, Will Boisseau & Caroline Kaltefleiter [ed.] : DIY or Die! : Do-it-yourself, Do-it-together & Anarchism (Active; 2024)
- Pedro Baptista : Whisky & Chips (TBA; 15.02)
- Andrea Bruno : Punica fides (Sputnik; 2025)
- Sally Porter : Yes (2004)
- Annie Baker : Os Possessos (TBA; 10.05)
- Tânia M. Guerreiro (curadoria), Mohammad Abbasi, Ana Borralho & João Galante [et al]: Self-Uncensored [uncoding] (TBA; 25.01) + Lígia Soares, Maikon K [et al.]: Self-Uncensored #4 [on voice] (Sala Estúdio Valentim Barros; 19.07]
- Deben Van Ham : Putain (2025)
- Alain Guiraudie : Misericórdia (2024)
quarta-feira, 4 de março de 2009
Invisual 18.2 || RÁDIO ZERO
Esta Quarta, às 20h vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a 18ª emissão da "segunda temporada" do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.Produzido por Marcos Farrajota, neste programa ouviremos as habituais pérolas e novidades ligadas à bd e à música - desta vez um especial sobre "Colagem na ilustração".
O ciclo de músicas dedicadas ao sub-anormal do Super-Homem desta vez é satisfeito com Superman dos The Bruce Lee Band, tema incluído no álbum homónimo e de estreia da banda (Asian Man; 1996).
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É repetido no Sábado, às 13h.
Playlist: Omala, White Williams, Stealing Orchestra, Júlio Pereira e Carlos Cavalheiro, Kingdom Scum, Butthole Surfers, Mano Negra, Jello Biafra & NoMeansNo, Trencher e Why?.
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Podcast aqui depois da emissão.
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ilustração de Fredox do Le Dernier Cri
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Donna Gaines : "Teenage Wasteland : suburbia's dead end kids" (University of Chicago Press; 1998)
Eis um livro que pode ser um companheiro da "segunda parte" de The Decline of Western Civilization, sendo que Gaines tem uma missão maior que é analisar o pacto de suicídio de quatro jovens em Bergenfield (EUA, 1987). Escrita de forma jornalística, Gaines envolve-se na comunidade de jovens marginais dessa cidade e os seus "filmes" com álcool, droga, violência familiar e exclusão social. O livro revela muito bem como o sistema de educação norte-americano é segregador e eugénico, e onde até na tentativa de mudar as regras do jogo, a sociedade gringa não consegue de pensar sempre no "big buck", fazendo de todo o arsenal social uma forma de fazer guita.Os jovens "burnouts" daquela cidade estão a curtir Metallica, Bon Jovi e Iron Maiden, enormes na altura, e também M.O.D. originais de lá. Metal e o seu "satanteenismo" são as grandes preocupações de pais que não percebem patavina dos códigos juvenis ou da sua condição miserável na sociedade dominada totalmente pelos "adultos" - ver o caso de Mike Diana. Cru na escrita, Gaines que consegui a confiança dos jovens d Bergenfield graças a gosto comum pelos Motörhead (sempre foi a banda mais unificadora de tribos urbanas!) vai a todas, faz um excelente ensaio sobre a popularidade do Hard Rock / Heavy Metal focando na mitologia do quarto LP dos Led Zeppelin, sobre a música como religião numa sociedade hiper-maniqueísta, sobre a necessidade dos jovens terem espaços auto-geridos (há referências à cultura Hardcore), sobre como as "reganomics" destruíram o tecido social norte-americano ou ainda porque nos anos 80 não se pode falar de subculturas mas subcultos dado o enorme puzzle socio-económico (e racial) que são os EUA e da forma como as culturas se modelam nesses complicados contextos - percebe-se porque os anos 80 foram uma "idade de ouro" para tantos sub-estilos de música: Punk, Hardcore, Thrash, Speed, Death, Crossover,...
A edição original é de 1991 mas esta (re)edição inclui um posfácio que fala dos anos 90 como a vingança dessa juventude espezinhada dos anos 80. Realmente os 90 foram os anos do "alternativo" e da ascensão da cultura DIY vindas da década anterior - zines, bandas como Sonic Youth ou Butthole Surfers, causas políticas - mas Gaines aponta que nada mudou no estatuto dos jovens, se é que não piorou, estatisticamente mostra que aumentou o homicídio juvenil, o suicídio juvenil, a gravidez juvenil, etc... e simbolicamente houve as mortes do branco Kurt Cobain (1967-94) e do negro Tupac Shakur (1971-96), o primeiro suicidou-se (este livro é húmus para explicar Cobain) por apatia caucasiana, o segundo foi assassinado por gangues.
quarta-feira, 27 de junho de 2018
You can't ween all the time
Apesar do botão profetizado por Buñuel continuo a comprar discos sem os ouvir primeiro, desejoso que vá levar bofetadas na cara quando os ouvir virgenzinhos na aparelhagem. Isto vale para bandas que nunca ouvi falar como para projectos que pensava que já conhecia.Nem God Ween Satan The oneness (Twin/Tine; 1990) dos Ween nem Hello Young Lovers (Gut; 2005) dos Sparks são discos maus mas não era o que esperava. Quem vem alimentado de Pure Guava e protegido de Kimono my house poderá ficar na defensiva, e desconfiado... e arrependido. Ambas bandas são norte-americanas e gozonas, usam o rock como quem usa sabonete, purismos não é com eles.
No caso dos Ween conheci-os sem capa nem créditos, numa k7 com os títulos das músicas escritos pelo Brian, vocalista dos Primitive Reason, numa letra tão merdosa que a capa da k7 poderia ser realmente a edição oficial do Pure Guava. Disco esse que parece tocado por crianças com capacidades de adultos, e era aí que residia o génio da banda e do disco. God Ween Satan, apesar de ser anterior, parece aquele disco quando uma banda se vende e passam a ser chatos. É música de adultos com capacidades musicais a tentarem ser crianças.
Eles sempre fizerem música para fornicar as pessoas, o propósito principal da banda para além das drogas. Em Pure Guava a razia era total, não deixava muitas pontas por onde se pegar, uma inocência era transmitida com o acto de fazer quase tudo errado, novos mundos apareciam de música para música. Em GWS parece que temos os ZZ Top a quererem ser uns granda malucos, ou uma versão tótó dos Butthole Surfers. Previsível mesmo quando eles saltam por cima de todos os géneros musicais da altura: Hardcore, Reggae, Funk, Gospel, etc... Não admira que se tenham transformados em mascotes do South Park. Os outros discos serão melhores? Será que os devia ouvir no youtube invés de os 'tar a comprar? Dilema...
sábado, 17 de fevereiro de 2007
unDJ GoldenShower || GOMA386
- O que significa "remorsos"?
- Bem, filho, uma coisa engraçada sobre o remorso é que mais vale ter remorsos sobre algo que tenhas feito do que sobre algo que não fizeste… já agora, se vires a tua mãe esta semana, não te esqueças de lhe dizer: SATÃ, SATÃ, SATÃ!!!
Os Livros Voodoo de Goiânia (Brasília) preparam-se para editar um livro de desenhos feitos por ilustradores brasileiros e portugueses, estes últimos representados por criadores da Associação Chili Com Carne como Edgar Raposo, Jucifer, Pepedelrey, André Lemos, Pedro Zamith, João Maio Pinto e José Feitor e convidados especiais Tiago Albuquerque, Teresa Amaral e Filipe Abranches.
A única coisa que esperamos é que eles não se arrependam pelo que irão desenhar porque o tema do livro será o das "Seitas". Dos traumas entre estes dois países lusófonos é habitual recordar a exploração colonialista, as telenovelas na TV e claro, as seitas religiosas - entre os Jesuítas e a IURD venha o Diabo e escolha. Em tempos de uma Jihad mais visível do que nunca – porque nunca antes a escala global foi tão diminuída - um tema como as Seitas pareceu-nos de eleição. Vários registos gráficos deverão surgir dos artistas seleccionados já conhecidos de várias publicações (zines, jornais e revistas), livros ou outros projectos editoriais (Mutate & Survive, Imprensa Canalha, Opuntia Books, El Pep) e participações em exposições (Ilustração Portuguesa, Zurzir o gigante, Laica no Espaço, Comboio Fantasma).
quarta-feira, 5 de março de 2014
Remexer no lixo
A Matéria-Prima fechou as portas em Lisboa no final de Janeiro como anunciei aqui. Fui lá comprar em promoções alguns discos, curiosamente todos caiem de uma forma ou de outra na repropriação / remix / re-qualquer-coisa.Começo por um clássico que nem sabia que existia... Christian Marclay, que pelos vistos bate o John Oswald que era a minha referência para quem rouba e manipula a música de outros, na verdadeira atitude "plunderphonics". Este artista suiço-americano pelos vistos desde os anos 70 que faz destas coisas, trabalha música com o gira-discos como instrumento, em paralelo com a malta do Hip Hop - o que mostra que as ideias podem tanto fluir num tipo com educação universitário como como no "guetho". No caso de Marclay até é um bocado mais radical porque também trabalha os próprios vinis para além do gira-discos. Como se pode saber pelas notas de More Encores (ReR; 1997) na faixa de John Cage, ele chega a pegar em vários discos deste compositor, corta pedaços e colá-os fazendo um novo disco (literalmente). As faixas deste CD (originalmente lançado como um vinil de 10" em 1988) têm os títulos dos músicos que Marclay manipulou mas apesar de tudo não os descontextualiza, por isso John Zorn ou Fred Frith continuam a soar a "aliens" do Free, ou Martin Denny a sonhos exóticos... Talvez o caso mais radical será o de Jimi Hendrix que soa mais a uma fritaria feita em estúdio pelos Butthole Surfers do que Hendrix per se. Fruto de masturbação é Marclay manipular o seu próprio trabalho na última faixa. You know, artists...
V/VM diz-vos alguma coisa? Não!? James Leyland Kirby? Não!? E que tal The Caretaker? Ahhh... pois! Antes da moda dos termos "Hypnagogic Pop" e "Hauntology", especialmente neste último caso em que The Caretaker é o seu expoente máximo, o tipo fez parte da linha da frente da "música indefenivel" que explodiu especialmente após o myspace.com (teoria do Gamão dos Traumático Desmame). Se o Punk aproveitou a fotocopiadora e a k7 para cortar de vez os cordões umbilicais da cultura que tinha de ser feita sob um acordo social qualquer, com a Internet, ou melhor, a web.2 essa atitude popularizou-se ainda mais porque qualquer um pode publicar (no sentido de se expor e não no sentido tradicional de edição física) a merda que quiser. E quando escrevo "merda" não é para armar-me em escritor mal-criado que diz "merda" para dar estilo. Não senhor! É MERDA mesmo! Ao início ainda chamavam a este tipo de música de Noise mas como o Noise ainda assim era uma estrutura intelectual com gente séria (alguns até vinham da Direita) o termo não era suficiente. No máximo apanhou-se a vaga do "Mash Up" para rotular "isto". O pessoal já que fazia o que lhe apetecia, então porque também não se livrar dos espartilhos comuns e criar os seus próprios termos musicais? Talvez foi isso que fez aparecer o "shitcore" (ah pois!) ou "chungwave" (lá pra Braga). Pelo planeta deve haver milhares de pessoas a fazer esta música não muito séria, que usa tudo o que tem há mão, do Techno ao Grind, do Hip Hop à Pop, para gozar e desconstruir o que existe. É que existe muita merda para reciclar por aí - basta olhar para a capa deste disco, It's Fan-Dabi-Dozi! (V/Vm Test ; 2003). A V/Vm (editora) ou o V/Vm (artista) lançou singles, mini-CDs, CDs duplos (como é o caso deste), enfim todos os formatos possíveis, com V/VM ao leme, ou usando mil pseudónimos, ou com artistas na mesma onda. Nesta compilação vale tudo: Noise como é o caso de Cock ESP, o Porno Hop dos Suicidal Rap Orgy, músicas "cartoonescas" do Gorse, Breakcore de Toecutter, versões adulteradas e estupidificadas de Stevie Wonder, Whitney Houston (com a Kevin Blenchdom) ou Bangles - o Eternal Flame com voz Death é o sonho de qualquer gajo que cresceu a ouvir a merda dos 80s. Obrigado Rank Sinatra! Divertido e desafiante, ouve-se como se estivessemos a ouvir rádio, uma rádio cujas ondas passaram pela retrete da Interzona, claro, ou cujo director da estação são os Negativland num dia mau.
Já agora aproveito para relembrar que por cá também tivemos coisas do género como foi a compilação Xupa (Useless Poorductions; 2007), verdadeira marmelada de lixo psicótico. Hum... isto até dá que pensar em duas teorias...
Uma delas tem haver com este senhor: Albert Kuvezin e a sua banda Yat-Kha e o disco Re-Covers (2005). O CD é um disco de versões de temas Pop, passando pelo mais emblemático do que há no Blues, Rock, Hard Rock, Reggae, Electrónica, easy-listening,... Por isso temos Led Zeppelin, Kraftwerk, Hank Williams, Joy Division, Motorhead, Paul Mauriat, Bob Marley, Rolling Stones transformados em folclore transiberiano porque os senhores são de Tuva, em que a técnica gutural de música mongol também se aplica por aqui.
De resto nada de novo no factor exótico. Quarteto de cordas a fazer versões de temas Metal? Já é velho. Easy listening de Grunge? Claro que sim... Êxitos Pop em estilo Bossa Nova? Nem comento. Já para já não falar do grande Richard Cheese ou do Señor Coconut... Se já se tornou prática comum a versão de um estilo musical por outro, ou de um lado do planeta para o outro, só nos resta - e isto é uma das teorias - que um dia esse mundo oculto do Pop anglo-saxónico comece mesmo a fazer "trash" (shitcore?) como o da V/VM. Essa será a grande descoberta nos próximos anos, quando alguém da Somália fizer uma versão toda fodida de um tema popular de lá ou coisa que o valha.
Outro mestre que transforma lixo em luxo é Jason Forrest. Lady Fantasy (Sonig; 2005) é um EP que vale a pena ter em vinil porque tem um tema extra no labo B. Apesar do susto inicial da primeira faixa levarnos para sítios meramente "indie" ao segundo tema arranca o Breakcore / IDM respingador de Disco e o que houver dos anos 70 para samplar, modificar, acrescentar beats Techno e o que for necessário para identificar a música como Jason Forrest.
O lado ou tema B é a confirmação do som Forrest mesmo que a samplagem vá ao Jazz com pinta de careta e o ritmo abrande para um "chill-cool" de bar da moda. No entanto é isso que a samplagem ou a música feita sobre outras musicas têm de vantagem. Melhorar o que foi feito para trás e torná-lo excitante. A caveira cristalizada é justamente a antítese do que Forrest, ou ainda Otto Von Schirach ou End, fazem. É o ataque ao museu que os marialvas dos Futuristas não tiveram coragem de o fazer.
E se o EP de Forrest é acolhido cá em casa com o prazer por ser em vinil, já IIron (Mego; 2011) de CoH tenho as minhas dúvidas. Nada contra a música, muito antes pelo contrário mas porque a música dele confunde-se tanto com os problemas de ouvir vinil (ou seja, o disco estar sujo e riscado) que foi difícil perceber se estava a ouvir bem a obra, para além da seca que é ter de virar o disco para ouvir duas músicas de cada vez - é uma chatice a edição de álbuns em vinil-duplo!
Com tempo e coragem lá fui conseguindo entrar neste universo de Glitch-Metal. CoH é russo e neste disco recupera (recicla? não é este o tema deste "post"?) alguns riffs de Heavy Metal que ele tocou nos anos 80 quando este género de música era proíbido na Rússia - que país merdoso, não acham? A melhor forma de pensar neste disco é pensar como os sunn0))) fariam um disco de música electrónica - a associação até é meio óbvia porque a capa do disco é de autoria de Stephen O'Malley! Uma lógica de música electrónica - quase numa veia de Techno minimal - percorre o disco mas invés de procurar fantasmas nas máquinas ou os seus erros electro-magnéticos e digitais (um cliché da música electrónica nos últimos 20 anos), CoH escolhe como matéria-prima o ruído da gravação e da riffagem metaleira para construir um mundo épico para máquinas gadelhudas. Ainda não percebi se é música para estar no sofá a imaginar decadências ou se é para estar numa pista de dança pós-industrial. Espero que tenha sido considerado um dos discos do ano de 2011!
Peraí, não faltava uma outra ideia ou teoria ou lá o que é? Ah sim, que isto do "shitcore" e do "noise" são estilos realmente estranhos de criticar porque desde logo assumem-se como algo "mau" ou "anti-música", ou que mostra que ou vivemos uma sociedade sem critérios ou que a Anarquia já chegou e não sabemos ainda. É curioso que o Noise tenha sido o género que mais se tem destacado neste novo milénio pós-web.02, ou seja, numa altura que a informação tende para ser horizontal. Sendo díficil criticar Noise e afins, deixa de haver críticos, ou seja menos um intermediário e uma relação de poder. Não sei se isto faz sentido mas tenho de me ir embora agora!

















