quarta-feira, 20 de julho de 2011

David Soares (a), Jorge Coelho, João Maio Pinto [et al.] (d) : É de noite que faço as perguntas (Saída de Emergência; 2011)

Eis um livro que sofreu atrasos como se pode constatar pelo tema que é sobre os 100 anos da República e que deveria ter saído o ano passado no Festival de BD da Amadora. Devido a complicações editoriais só agora é lançado pela Saída de Emergência, uma editora especializada em Ficção Científica e Fantástico e que tem matado muita sede a muita gente que gosta destes géneros literários, para além de ter publicado os fabulosos romances e contos de David Soares.
Trata-se de uma encomenda institucional para as Comemorações dos 100 anos da República mas em que a "qualidade" da "dita senhora" é questionada por David Soares, que escreve todo o livro para cinco ilustradores diferentes - como o novato André Coelho e o veterano Richard Câmara. Invés de comemorar de forma canina, o livro é sóbrio ao explorar as virtudes e os defeitos da Primeira República. O texto tem pertinência e inteligência mas como produto final acaba por fazer perder a força do argumento de Soares.
Aliás isto não é um "livro", peço desculpa, é um "álbum de bd", de tamanho parvo e colorido imposto pelo anacrónico Festival da Amadora. Os desenhadores, todos eles de talento reconhecido, talvez não se sintam à vontade com este formato e sente-se uma rigidez qualquer que irá afectar também a narrativa. Ainda assim, se este for o futuro da bd portuguesa na vertente "histórica-por-encomenda" (porque a bd é sempre vista como uma boa maneira de explicar História portuguesa para putos e iletrados) estamos muito bem servidos. Soares sabe pegar na matéria-prima histórica sem a abordar de forma patriótica, ou pior de forma "factual-pedagógica". Como bom escritor de romance histórico que é soube dar a volta para que a estória deste álbum fosse interessante de se ler.
Eis um álbum que está nos antípodas das produções do Antigo Regime (que ainda hoje pupulam por aí devido à ignorância das autarquias e outras instituições públicas) e que está ao lado de trabalhos como História de Lisboa (de A.H. Oliveira Marques e Filipe Abranches) ou Salazar : Agora, na hora da sua morte (João Paulo Cotrim e Miguel Rocha). É bom assistir ao facto de ser uma editora sem ser de bd a pegar neste álbum. É uma esperança que assim este álbum tenha mais facilidades de ser divulgado e distribuido num mercado livreiro que não quer saber da bd para nada. Apesar das letras manhosas do título que conseguem destruir a capa fizeram um bom trabalho de produção gráfica. Uma experiência a repetir?
Por fim, de salientar o trabalho de Daniel da Silva, que entretanto também ilustrou o novo romance de Soares, Batalha (Saída de Emergência; 2011), um desenhor em estreia no campo da bd apesar de já ter um trabalho de ilustração há muito tempo - inclusive foi publicado no Mutate & Survive.

Quagrandabosta!


v/a : Novos Talentos FNAC 2011 (FNAC; 2011)

40 bandas, 2 CDs e as s vendas vão prá AMI apoiar infotecas, ou seja, para combater o infoexclusão. Mais vale ser info-excluído do que fazer parte deste mundo "informado", sem talento e de betos foleiros. Tão informados que são que puseram um bloco amarelo em cima do desenho do Pedro Zamith. Não sei se é porque tudo é tão bem-comportado que a única coisa que sobresaí daqui são uns tais de O Experimentar Na M'Incomoda que ainda não percebi se tem mesmo piada ou é puro desespero meu.
Ah! Este disco é bom por uma coisa, se estiver na dúvida de ir ver um concerto basta consultar a lista das bandas para sabermos que mais vale a pena ficar em casa a ver youtubes com gatinhos...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Good riddance!




Cada vez se percebe porque nada funciona em Portugal... Com os protestantes foi o que foi, e os ateus bem... O desenho originalmente era para um papel de embrulho pró Mike Goes West - coisa que nunca foi prá frente. Entretanto há um dia atrás o Camarada Majung pede-me um cartaz para a tour dos Sunflare (granda barulheira estes boys!) que começa já esta Sexta! Obriguei-os a levar livros meus em contra-partida! Só gente doida!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A tradição já não é aquilo que era...


Secret Chiefs 3 : Traditionalists : Le Mani Destre Recise Degli Ultimi Uomini (Web of Mimicry; 2009) ; Masada Book 2 : Book of Angels 9 : Xaphan (Tzadik; 2008)

Os Secret Chiefs 3 (SC3) voltaram a Portugal em Junho deste ano, e apesar da sala de espectáculos da ZDB cada vez me atrofiar mais, lá fui ver um bom concerto. Tal como a primeira vez no Plano B (em 2008) tive mais uma vez a hipótese de conversar com o mentor Trey Spruance, que também aceitou trocar discos seus por livros da MMMNNNRRRG. Realmente, tenho andado desatento às novidades musicais desde que deixei de escrever para a Underworld e a Elegy Ibérica. Nem sabia dos últimos discos de SC3… Heresia!
Começo pelo último, Le Mani Destre Recise Degli Ultimi Uomini, que é o primeiro álbum das seis bandas inventadas para o Book of Horizons (Web of Mimicry; 2004). Os Traditionalists são a faceta italiana de Spruance, onde reina Ennio Morricone, Goblin entre outros compositores de bandas sonoras para filmes giallo*. Trata-se então de uma recriação em que a qualidade sonora da gravação e de produção mimetiza o género com uma perfeição técnica. A dada altura é essa qualidade que permite o disco ser uma pérola - este é o caso em que a cópia torna-se melhor que o original. Há malhas, riffs, pedaços que qualquer conhecedor das "bandas sonoras originais" irão reconhecer imediatamente e acusar Spruance de roubar à "cara podre". Parece-me que o roubo é assumido mas sem entrar no jogo medíocre da "homenagem" ou do "tributo". É óbvia a admiração de Spruance pelo "género" e parece que há apenas uma vontade de fazer um "up-grade" técnico sem propriamente inovar nada com outras contaminações estilísticas embora neste disco os sons concretos sejam mais assustadores, as mudanças de trechos são maiores e o Free aparece com mais frequência, não fosse isto SC3 / Spruance – afinal o gajo punha sete estilos diferentes de música na mesma canção dos saudosos Mr. Bungle! Mas tudo aqui é direccionado para o passado. Talvez seja desinteressante ou abusivo mas se todos aceitam bandas Pop/ Rock rapinarem eternamente os mesmos cadáveres (Pop Will Eat Itself!), algumas descaradamente quando são famosas, outras de forma mais discreta quando são "underground", não há neste disco nenhum dano moral à Humanidade e Cultura.
E isto traz-nos para a obra-prima que é Xaphan. Ao que parece John Zorn no seu projecto Masada criou umas 300 novas composições para outros músicos tocarem. Todas elas têm nomes de anjos judaicos e cristãos - o que prova que o monoteísmo sempre foi uma treta falhada porque não resiste nem um pouco a “divino-diversidade” politeísta, acrescentado ao Senhor uma miríade de anjinhos, demónizecos ou uma infinidade de santinhos, mártires e outros bichos. Pergunto-me, uma vez que nunca ouvi Masada, se estas composições são mesmo do Zorn? (Vou arranjar problemas!) Ou até que ponto houve uma execução exacta das directrizes de Zorn ou se existe uma lógica do "jogo" desta série de composições e discos? Será que este Masada Book 2 é como o Cobra, que deixava (alguma) margem de manobra para os músicos? Sinceramente não sei… Teria de investigar uns 17 volumes / CDs que saíram da série que inclui monstros como Marc Ribot, Uri Caine, etc… Adiante… Este disco é pura e simplesmente brilhante. Todo ele é uma "world music" que não existe, e isso não espanta! Porquê? Porque a "world music" ou o folclore não existem, são invenções da terrinha que capitaliza os seus costumes mais "typical" numa nova roupagem pronta a ser consumida por turistas e outros abutres sedentos de originalidade. O fenómeno do "etno" há muito que não passa de uma réplica de "artesanato de aeroporto", basta pensar que todo o nosso folclore, por exemplo foi criado pelo Estado Novo. Neste disco os SC3 englobam música árabe, cigana, klezmer, surf, exotica, reggae, as tais músicas de filmes giallo, metal, jazz, free, em tal fusão que não sabemos mais o que poderá significar "World Music". Podemos chamar a esta música de "toda a música"? "Música de (todo-)Mundo"? Se a Aldeia Global reduzisse toda a sua música a uma rodela digital de 55 minutos e 27 segundos teria de soar a isto. Talvez não, talvez não houvesse músicos com este elevado nível de execução... Mas aconteceu! O disco foi feito! O Mundo não mudou desde 2008?

* Giallo são filmes de produção italiana dos anos 60/70 de género criminal e fantástico, onde se cruzam detectives, vampiros, paranóia e psicadelismo. A expressão vem de livrinhos populares impressos em papel amarelo, correspondente aos “pulps” nos EUA. Curiosamente mas sem relação, pode-se pensar nisto como a expressão “impressa amarela” - sensacionalista e popular como o Correio da Manhã.

sábado, 25 de junho de 2011

Kebab & Festa


o poster-suplemento do disco de estreia de Çuta Kebab & Party está pronto! E o disco vai ser a partir! Deveria ser tão importante como foi Buraka Som Sistema em 2006 quando trouxeram África (negra) de volta a Portugal. Agora é o "Arabesco" para relembrar que somos mais sarracenos que celtas!
Esta co-edição da Chili Com Carne e da Faca Monstro vai ser lançado na Trem Azul, na Festa Laica, dia 25 de Junho a partir das 22h. Poderá vir a ser algo assim:

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Andrew Keen : The Cult of the amateur (Doubleday; 2007)

Eis um livro reaccionário sobre a Internet, em especial sobre a web 0.2 e a forma como o mundo virtual se organizou ao ponto da revista Time na edição de 2006 ter considerado a personalidade do ano "TU"!
"You", ou seja, todos nós que enchemos Wikipedia, Facebook, MySpace, Youtube de informação (real e ou enganosa) e que, segundo Keen, esta "democratização do mundo digital está a assaltar a nossa economia, cultura e valores". Segundo ele: "Os mais prestigiados jornais e revistas da actualidade, a indústria musical e cinematográfica são postos em causa por uma avalanche de conteúdos amadores criados pelos utilizadores das redes digitais. As receitas publicitárias tradicionais caem de forma acentuada com a oferta de anúncios grátis on-line; as cadeias de televisão são ameaçadas por canais de programação criados gratuitamente pelos utilizadores, de que o YouTube é o maior exemplo; a partilha de ficheiros e a pirataria digital devastam o negócio da música e atemorizam o cinema. Pior do que tudo isto, a cultura on-line do copy-paste – na qual a propriedade intelectual é facilmente trocada, descarregada e alterada – está a destruir os direitos de autor, espoliando artistas, autores, jornalistas, músicos, editores e produtores do fruto do seu trabalho criativo.
Num tempo de celebração do amadorismo, em que todas as pessoas, por pior informadas que estejam, podem publicar um blogue, disponibilizar um vídeo no YouTube ou mudar um artigo da Wikipedia, a distinção entre o profissional e o amador é perigosamente esbatida. Quando bloggers, podcasters ou videógrafos anónimos podem publicar sem os constrangimentos de padrões profissionais ou filtros editoriais, esbatem-se as fronteiras entre o verdadeiro e o imaginário."
Keen defende que um bom livro é um que tenha um editor por trás, como o caso do livro dele mas garanto que este deve ter sido o livro mais mal-escrito que li nos últimos tempos. Repetitivo e pouco estruturado, acaba por ser uma literatura tão "light" como a dos amadores que escrevem para as "vanity press" como Lulu.com, Papiro, Chiado, etc...
Todos os exemplos que Keen aponta, como carreiras destruídas pelo impacto mediático de um vídeo no Youtube, são realmente preocupantes. É verdade que é mais fácil um jornalista ser preso de que um bloguista irresponsável. É verdade que não sabemos se uma multinacional não estará a pagar a alguém para escrever bem sobre um gelado dos anos 80s provocando um reaparecimento desse produto. Já sabemos que as empresas e publicistas usam o sistema "viral" da Internet para vender produtos sob a forma de uma opinião de uma simples pessoa que têm um blogue. Etc... Mas há três coisas que Keen não consegue compreender porque ele é tão básico e sectário como aqueles que critica.
Primeiro, não desenvolve nenhuma teoria nova e passa 200 páginas a queixar-se quando o resumo que fiz "copy/ paste" do sítio da editora portuguesa onde foi publicado, resume de facto tudo o que ele escreve no livro inteiro. Não há mais nada. Ok, ainda há algo mais! Mas já ultrapassa as marcas do razoável com uma crítica aos jogos de Poker e à pornografia na 'Net...
Segundo, Keen esquece que graças à anarquia da 'Net um puto nos Trás-os-montes (ou do Iowa, uma vez que o livro todo ele é americano-cêntrico) pode ver o mítico filme Un chien andalou no Youtube porque em Portugal só há uma Cinemateca e as salas de cinema pelo resto do país foram destruídas pela oferta monocultural dos filmes da Lusomundo (empresa canina dos produtos yankees) - como será no Iowa? Sabem o que é uma "cinemateca"?
E terceiro, a decadência da nossa cultura não surgiu porque os amadores deram cabo dela, graças às suas "piratarias" e conteúdos grátis, que estão a levar ao fim dos jornais, discotecas como a Tower Records, livrarias, a indústria de Hollywood, rádio, TV ou a pesquisa académica. A questão já é muito anterior: a ganância das indústrias "culturais" que resultou numa bolha especulativa prestes a arrebentar é culpada há muitas décadas. São estas indústrias para nos fazerem engolir produtos de má qualidade que gastam mais dinheiro em Marketing e promoção fazendo com que um CD custe 20 euros ou um livro medíocre custe 17 euros (como é o caso da edição portuguesa deste livro!), ou 6 euros por um bilhete de um filme "template" de outros mil já vistos. São as mesmas que fizeram da TV e da Rádio e outros meios de comunicação OS SEUS meios de comunicação para nos bombardear com merda como U2 ou Editors ou Lady Gaga. Entre uma playlist de uma rádio controlada por 4 editoras fonográficas multinacionais ou um podcast de um puto que tenha seleccionado só bandas de Beer Metal e músicas sobre peidos o que é pior?
A 'net está a mudar-nos, é certo mas um lado positivo é agora vemos e ouvimos o que queremos - ou pelo menos o que procuramos. Não preciso de um crítico do Imbecilón a tentar vender um Britpop de forma tão subreptícia como um "reviewer" manhoso da amazon.com. Keen defende que só se consegue fazer bons produtos culturais se houver intermediários - profissionais com experiência como editores, produtores, promotores, revisores, etc... Profissionais esses que tendem a desaparecer quando todos nós estamos a oferecer e gerar produtos na 'net que valem zero Euros. E que ao ser tudo digital e barato a qualidade dos produtos também serão menores que obras como o álbum Dark Side of the Moon. Mas a revolução digital não é só distribuição de conteúdos passa também por formas de produção que já não precisam de um estúdio carrissímo como nos anos 60. E a música lo-fi dos ex-mendingos Konono Nº1 são menos psicadélicos ou interessantes que os Pink Floyd? Não acho...
Claro que nem todos os "amadores" poderão ser Kafka ou Pessoa. Curiosamente estes dois autores não precisaram de intermediários para escreverem alguns dos textos literários mais importantes do século XX. Nem foi a Academia que os criou - à parte, a Academia não gera obras artísticas só as valida e geralmente tarde demais. É certo que foram os intermediários que deram "voz" ao Kafka (que ao morrer queria a sua obra destruída) e ao Pessoa, que pouco publicou em vida. Da mesma forma que estes intermediários deram "voz" a este pobre livro de Keen.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Rui Eduardo Paes: "Cyber-Parker" (Hugin; 1999)

É sempre um prazer conseguir arranjar mais um livro do REP! Quem não sabe porquê que leia isto. Desta vez apanhei no stand da Letra Livre na paradoxal Feira do Livro de Lisboa.
Este é o terceiro livro de recolhas ensaístas, entrevistas e resenhas críticas de REP. Mais um híbrido (assumido logo no ínicio do livro) que será apanágio nos títulos futuros do autor, em que temos um ensaio sobre morte e desejo na Música (muito interessante!), um abordagem à Música espanhola - mas que só se fica por dois nomes: Fátima Miranda e Victor Nubla -, outro ensaio sobre Live-Electronics, um artigo sobre música com o advento da Internet e uma listagem crítca de discos de projectos portugueses.
A fragmentação dos temas e dos esquemas literários (só acho a carta de Sei Miguel dispensável) de longe tiram o interesse do livro como um todo. Os ensaios são importantes de ler para qualquer pessoa que se interesse por Arte ou Cultura, as "listagens portuguesas" acabam por compilar informação sobre um tipo de música que será difícil acompanhar quanto mais documentá-la e fazer dela História. O que o REP merecia era um reedição destes seus 5 livros mas desta vez com uma separação de águas, reestruturação dos artigos por temas ou por tipos de escrita para se chegar a uma coerência formal para cada livro. E já agora numa reedição seria bom arranjar capas menos podres... Quem é que vai querer fazer isso?

domingo, 12 de junho de 2011

Fuck Tony!


Amigos & amigas & tamagoshis & Amigochis:Porque o dia de Sto António não deve ser só turístico canibal e casamentos apadrinhados por mais um cristão idiota

Domingo a partir das 19h até às horas que nos chatearmos vamos montar no Largo da Achada o
Comix Bar
O conceito é simples: na compra de uma banda desenhada (livro / revista) oferecemos BAR ABERTO!!!
Apareçam se quiserem ter um abrigo da orgia de urina e vómito que acontece nas outras ruas
...
O ano passado foi assim

sábado, 11 de junho de 2011

Piolho Romântico & Gingão

Lá porque não há resenhas a discos manhosos não quer dizer que ando parado... Esta é uma das duas ilustrações que fiz entretanto para a "revista" de poesia portuense Piolho, dirigida por A. de Silva O. e as suas Edições Mortas. É tão raro pedirem-me desenhos que ficou sempre feliz por mais estranhos que sejam os pedidos... ou os resultados. Creio que prá semana já estará à venda.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Nick Spencer, Scott Forbes, Jorge Coelho, Marley Zarcone : "Forgetless" (Shadow Line / Image; 2010)

Se há "masters" em entretenimento eles vivem quase todos nos EUA. Por mais repúdio que aquele continente-nação nos possa dar, infelizmente temos de engolir o facto que é lá que há argumentistas que nos fazem passar um bom bocado! É o caso desta bd, pré-publicada em formato "comic-book" (5 números em 2009) e mais tarde compilada em livro. Escrevo dele apenas porque participa o Camarada Coelho, com o qual já fiz algumas bds em conjunto e já participou no MdC.
Começamos pelos desenho ou melhor desenhos porque participam três ilustradores diferentes para episódios diferentes da "série". Zarcone cuida de uma bd de três hipsters suburbanos desesperados para sairem para Nova Iorque, cidade onde "as coisas acontecem". Forbes e Coelho cuidam da estória principal, o primeiro mais focado numa agência de modelos que serve de cobertura para uma agência de assassinas (ideia que lembra Glamorama de Breat Easton Ellis) em colisão com amadores de pornografia bizarra - dois putos que fodem tudo e um pivot que se veste de coala! Na realidade nem se percebe muito bem - sobretudo quando as personagens começam a colidir os seus percursos - porque Coelho ficou com aquele segmento ou Forbes com outro. Na realidade isto têm haver com razões pragmáticas de produção, pois até nos EUA a crise no sector da bd há muito que criou situações de "precariedade laboral". Ao que parece em formato "comic" a remuneração, mesmo na grande Image, é pouca (ou nenhuma?), e tal como tenho entretanto apresentado por aí, os modelos de produção podem passar por esta divisão de episódios desenhados por autores diferentes invés de toda a bd ser desenhada apenas um desenhador sobrecarregado e carenciado. Divide-se o mal pelas aldeias! Claro que o produto final poderá ter algum efeito nocivo. Acho o estilo de Forbes plástico, "photoshopado", totalmente artificial e relevador de um desenhador medíocre. E que realmente entra em colisão com as partes de Coelho, desenhador que consegue um compromisso entre o "realista" e "caricatural" (como Will Eisner idealizou para a bd), para além de como autor de bd, sabe elaborar páginas bem compostas de dinamismo / movimento / acção / velocidade - características típicas dos "comics" norte-americanos. Quanto a Zarcone, ainda a apalpar terreno entre Paul Poppe ou Adrian Tomine, não choca.
Ignorando as difrenças estílisticas do desenho, vamos ao que interessa: uma estória desvairada em ritmo de encontros e desencontros, enganos e coincidências que se vão formando num mundo obcecado por sexo desviante e aventura transmitida em banda larga. A parte de Zarcone é o contrário, nada se passa nos subúrbios excepto modorra. No final existe uma discoteca / festa, a "Forgetless" que servirá de cenário comum para os quatro vectores-personagens. Meio-estória-de-crime, meio-crítica-de-costumes, apesar de toda a fantasia urbana de modelos-assassinas-a-soldo é bastante convincente e divertido. E é isto que nós queremos de um "comic-book"...
Gracias Coelho pelo livro! E parabéns atrasados!

Com passado...


Uma prancha minha na exposição Futuro Primitivo - projecto de "DJing narrativo" publicado pela Chili Com Carne. A exposição está patente no Festival de BD de Beja até 12 de Junho.
Curiosidade, esta bd foi originalmente publicada no zine Osso da Pilinha #3 (2003) e recuperada para esta antologia que trata do pós-apocalípse.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Porque eu vivo para a música (2)


E sem saber de nada "participo" no último álbum do sueco Melanie Is Demented - se calhar ele curtiu a bd que fiz sobre o nosso primeiro encontro... Na faixa 10, SVERIGE ÄR ÄNTLIGEN RASISTISKT feat. Sexist Nigga With An Attitude, do disco online (não existe versão em CD ou vinil) Melanie är Demented, sou "samplado" numa edição do Invisual em que apresento uma música do Melanie...
O álbum têm de ser pago, o dinheiro será para as drogas legais e ilegais deste rapazola mamado... por isso só boas razões para pagar por uma coisa tão imaterial como ficheiros mp3. Se desconfiarem da qualidade desta "one-man band" saquem os EPs gratuitos que tem no sitío oficial para ouvirem e perceberem se curtem ou não. É um álbum mais calmo que o habitual e todo cantado em sueco. Eu que já não suporto Pop/Rock acho fixe... e não digo isto por ter "participado"!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Porque eu vivo para a música


Pois é! Voltei a escrever para revistas de metaleiros! Enquanto não há uma nova Underworld ou algo pujante, passei a ter uma secção numa revista online, a Infektion Magazine - exacto, com K, boy!!! A secção chama-se Infecção Urinária de Marte - o logotipo da secção foi feito pelos metálicos da revista - que começa no terceiro número da publicação por divulgar o excelente Deliverance dos Stealing Orchestra.
Lobby por lobby, também fiz a minha primeira obrita sonora com a "orquestra do gamanço" para a banda sonora da nova antologia da Chili Com Carne, Futuro Primitivo, que também servirá de banda sonora para a exposição a rolar pelo planeta - a começar já pelo Festival de BD de Beja no final do mês, seguindo depois para Roma, Helsínquia. Mälmo, e talvez EUA e Brasil. O disco (também só acessível online) pode ser descarregado gratuitamente no blogue oficial da net-label You Are Not Stealing Records.

terça-feira, 17 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Duía & boy & valentes gráficos!

foto de Martin

tudo em Punta Umbria perdidos entre poetas toscos e bonecos de cidadãos séniores!

sábado, 16 de abril de 2011

Hipster! (2)


Momus : Voyager (Creation; 1992)

Momus é um subversivo no mundo Pop - as letras fortemente "literárias", os problemas em tribunais, etc... - na linha do Serge Gainsbourg (1928-1991) mas com muito menos fama. Uma espécie de Gainsbourg dos "indies". Conheço muito mal este senhor, dos poucos artistas que usa uma pala por necessidade (apanhou uma infecção em águas gregas), achando temas simplesmente  brilhantes no álbum Ping pong (Satyricon; 1997) como Space Jews (qualquer israelita deveria cortar os pulsos depois de ouvir esta música) ou My Kindly Friend the Censor
Arranjei este Voyager a 4 euros na Feira da Ladra mas é uma seca nos trilhos de Dance Music em que se percebe mal as letras - ou pelo menos não consigo estar atento o suficiente para as ouvir. Como soa a Pet Shop Boys nem me vou dar ao luxo de ouvir mais vezes...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A cavalo dado não se olha o dente... e de coelho o que se faz!?


Selkkaus : Tarkkailla ja rangaista (Molotov + Prole; 2002)

Fim-de-semana louco na Feira do Jeco!!! E por mais estranho que pareça chegou-me um CD-R de uma banda punk finlandesa! Cortesia do sr. Coelho! É um disco de Punk Biesta de voz ranhosa que por acaso não é o óbvio 4 por 4 de sempre. Há faixas que entram em campos dramáticos quase que "Góticos", festivos pseudo-Ska, distorcidos Noise Rock ma non troppo, enfim... é Punk Rock em finlandês, se calhar até melhor que é a média mas porra, o Punk Rock já é tão dinossauro como o Prog que criticavam, porque raios o Coelhón acha que gostaria de ouvir isto!? Disse-me que noutros discos os Sekkkaus lembravam Ratos de Porão - uma lógica que não é nada estranha ao Hardcore finlandês - tudo bem, mas porque raios quero eu isto!? 'Tá tudo doido!