quarta-feira, 12 de maio de 2021
segunda-feira, 10 de maio de 2021
Trabalha, malandra!
Alexandra Saldanha invés de estar a fazer a BD para o próximo número do Mesinha de Cabeceira, distrai-se a ler números antigos! Ainda por cima daqueles números do kota Farrajota. 'Tá provado que a BD é dissuasor da produtividade e promove a procrastinação. Assim não dá, chavala! Entretanto, topem o novo disco da sua banda Unsafe Space Garden...
segunda-feira, 3 de maio de 2021
sábado, 24 de abril de 2021
Que giro!
terça-feira, 6 de abril de 2021
#29: A Fábrica de Erisicton
Panfleto libelo anti-destruição da natureza em nosso torno, disfarçado de reconto mitográfico psicadélico (...), breve passeio alucinado que deveria antes servir de guia para redescoberta da nossa paisagem e manual de instruções para a sua recuperação...
Fico espantado com a quantidade gigantesca de livros que são publicados actualmente. Florestas inteiras de papel impressas com todo o tipo de inanidades e de vacuidade. A esmagadora maioria vai, certamente, acabar nas debulhadoras de reciclagem, resultado da mais completa indiferença e esquecimento.
No entanto, as paredes e sombras erguidas por estes livros inanes ocultam e obliteram os outros livros que valem a pena a ler, soterrando-os para os confins da vista. A Fábrica de Erisicton é um manifesto eco-activista inspirado no livro VIII das "Metamorfoses" de Ovídio, baseando-se na história da mitologia grega do rei Erisicton que depois de cortar com um machado uma árvore sagrada, é castigado com uma fome insaciável, que o vai obrigar a devorar-se a si próprio.
A sobre-exploração dos recursos e da terra pelas culturas intensivas que se multiplicaram na paisagem alentejana, são o pano de fundo desta metáfora desencantada.
O desenho colorido psicadélico e naif de André Ferreira, profundamente poético sem ser panfletário, devolve-nos uma imagem irreal e delirante, mas simultaneamente tão próxima e implacável, resultante de um capitalismo tardio, cujo último estertor prolonga-se agonizante, mas sem permitir vislumbrar o que se seguirá.
Como assinalou Mark Fisher "o capitalismo está de facto talhado para destruir todo o meio humano. A relação entre capitalismo e desastre ecológico não é uma coincidência nem um acidente: a «necessidade de um mercado em constante expansão» do capital, o seu «fetiche do crescimento», significa que o capitalismo se opõe pela sua própria natureza a qualquer conceito de sustentabilidade."
Com toneladas de livros inúteis espalhados por todo o lado, a edição de singelos 100 exemplares de A Fábrica de Erisicton está esgotada, o que se lamenta, pois este volume devia estar permanentemente disponível e com o autor em digressão ininterrupta pelas escolas, integrando um plano de leituras e de discussão transversal a diversas disciplinas curriculares.
quarta-feira, 31 de março de 2021
Punk DVD
Desconhecia totalmente este filme / documentário, The Punk Rock Movie, de Don Letts, originalmente de 1978 e entretanto com uma dezena de edições audio-visuais com capas terríveis - é o caso desta edição da JGS de 20__? - e o som falsificado com gravações de estúdio dos temas (idem com esta edição). Sim, na essência são gravações de concertos de Letts - o famoso DJ que solidificou a ligação do Punk aos sons jamaicanos - nos 100 dias de existência do The Roxy, mítico clube londrino de Punk Rock. 'Tá cá toda a gente da altura em performances quase sempre chatas, sobretudo os vocalistas que nunca sabem o que fazer quando não cantam. Aliás, percebe-se porque os Sex Pistols serão sempre os melhores desta colheita, Rotten está sempre a cantar e/ou a fazer caronhas, e isso ajuda imenso a ouvir Rock tosqueira! Depois há gajos a chutar heroína ou a auto-mutilarem-se no peito. Impressiona. Não convém estar a almoçar a ver isto. Curioso isto tudo, foi noutra era. Seguimos em frente!
Superturunen!!!!!!!!!!!!!!!!
Dekathlon é um dos seis gajos (?) de Circle a fazer Synth-pop-wave-whatever tal como há outros gajos da banda a fazerem outras mil e uma coisas... Prontos deu para isto. Be Safe / Comfort Zone (Fell Contact / 2019) é um 7" cor de laranja e isso é um ponto positivo. O outro ponto positivo é a capa do grande Marko Turunen, um autor de BD e ilustrador finlandês impossível de não amar. A música é abaixo de cão, ou o resultado quando ex-metaleiros se aborrecem, deixando um rastro de destruição que queima a vida, a arte e tudo o mais o que interessa. Vão ouvir Human League ou Depeche Mode invés, aqui perde-se tempo, pouco.. porque é um single.
terça-feira, 23 de março de 2021
sábado, 13 de março de 2021
CIA info 90.0
quinta-feira, 11 de março de 2021
Light Metal! Light Metal?
Quando abri o pacote de Natalixo atrasado que o Pastor Gaiteiro enviou no outro dia, quase que me vim ao ver o CD Light Metal (auto-edição; 1998)! Light Metal? Versões em tuba de clássicos do Metal? Como os Alice Donut faziam? (olha bandinha completamente e injustamente esquecida!).
Nada disso, Tubalaté é um quarteto de ingleses pervertidos (todos os ingleses o são, bem sei da redundância da frase) que tocam tubas de peças de Tchaikovsky aos Beatles, de forma agradável, leve e tal. Tão agradável e leve tal como despreocupados que o CD nem está masterizado e para o fim o volume do som vai baixando, quase parecendo que estamos a a ouvir The Caretaker. Ainda assim obriga a um gajo a levantar-se do sofá, interrompendo a impreterível leitura de literatura anarquista, para ir aumentar o som e conseguir ouvir o disco como deve ser.
"Light Metal" no entanto - não se riam - existe, lembro da existência dos H.I.M. e dos Ghost. Há historial! Não me lixem!
domingo, 31 de janeiro de 2021
Perkele!
Lançado em Dezembro de 2019 eis que o THE THICK BOOK OF KUTI que comemora os 50 primeiros números do jornal / revista de BD Kuti, ganhou o Prémio de BD Alternativa do Festival de Angoulême!!!
Editado por Tuomas Tiainen e Heikki Rönkkö, participo com o artigo "Comix Remix" (ler aqui e aqui) em inglês, neste tijolo de 480 páginas sou com o André Lemos, os únicos portugueses publicados entre gente como Sami Aho, Max Baitinger, Zven Balslev, Benjamin Bergman, Pakito Bolino, Lilli Carré, Anna Deflorian, Terhi Ekebom, Roope Eronen, Frédéric Fleury, Aisha Franz, Matti Hagelberg, Anna Haifisch, Jyrki Heikkinen, Alejandro Jodorowsky, Bendik Kaltenborn, Kapreles, David Kerr, Marlene Krause, Jarno Latva-Nikkola, Tiina Lehikoinen, Lilli Loge, Gunnar Lundkvist, Moolinex, Søren Mosdal, Jérôme Mulot, Tommi Musturi, Pauliina Mäkelä, Jyrki Nissinen, Pentti Otsamo, Ville Ranta, Aapo Rapi, Kati Rapia, Helge Reumann, Sam Rictus, Florent Ruppert, Anna Sailamaa, Olivier Schrauwen, Tiitu Takalo, Rui Tenreiro, Alessandro Tota, Katja Tukiainen, Marko Turunen, Brecht Vandenbroucke, Amanda Vähämäki, Mikko Väyrynen, Emelie Östergren... ufa... e ainda há muito mais!
domingo, 24 de janeiro de 2021
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
sábado, 9 de janeiro de 2021
domingo, 3 de janeiro de 2021
Jörg Brüggemann : "Metalheads, the global brotherhood" (Gestalten; 2012)
Realmente os "photobooks" servem para quê? Eis mais um exemplo de um livro que pouco diz e pouco interessa - a começar pelo CD nulo que o acompanha. Quer mostrar que o Heavy Metal tornou-se numa cultura global. Certo, concordo e foi coisa que na década passada fartou-se de mostrar em documentários e afins. Neste livro mostram algumas fotografias de fãs e o "modo de via" de metaleiros em sítios tão díspares como Jacarta, S. Paulo, algures nas germânias e no Egipto, uma entrevista ao gajo de Kreator (pelo menos fiquei a saber que ele é vegan), uma resenha à tour dos "grandes quatro" (Anthrax, Megadeth, Slater e Metallica) e um ensaio sobre "raiva" no Metal. Mas esta mixórdia não tem nenhum interesse em si. Sei que maninhos da Indonésia são humilhados publicamente só por usarem uma t-shirt de uma banda qualquer de merda mas não se vê isso no livro, só gajos a dormirem ou no "mosh". No fundo não se aprende nada porque é um produto tipicamente trashy, modelo Vice, como aliás qualquer "photobook" parece nos dias que correm. Inútil e a evitar.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
vinte vinte vinte
- Krypto + Rui Moura : eye18 (Chili Com Carne + Lovers & Lollypops)
- Yuichi Yokoyama : Jardin (Matière, 2009)
- Juno Mac + Molly Smith : Revolting Prostitutes : The Fight For Sex Workers' Rights (Verso, 2018)
- Beatriz Colomina + Mark Wigley : Are we humans? Notes on an archaeology of Design (Lars Müller; 2018)
- David Graeber : Projeto Democracia (Presença; 2013)
- Diana Niepce : Dueto (Dançar é a minha Revolução #2, Mercado do Tijolo; 23/02)
- Lynd Ward : L'Éclaireur (Monsieur Toussaint Louverture)
- Gabrielle Bell : Inappropriate (Uncivilized) + Everything is Flammable (Uncivilized; 2017)
- Yoshiharu Tsuge : The Man Without Talent (New York Review Comics; orig. 1985-86)
- Emma Goldman : Anarquismo e outros ensaios (A Batalha + Letra Livre)
- Mario Monicelli : Un borghese piccolo piccolo / O pequeno burguês (1977)
- Thomas Bernhard : Derrubar Árvores : Uma Irritação (Assírio & Alvim; 2007 - orig.: 1984)
- Graham Rawle : Woman's World : a novel (Atlantic; 2005)
- Daisy May Cooper e Charlie Cooper : This Country / Este País (BBC 2017-2018)
- Ebisu Yoshikazu : The Pits of Hell (Breakdown; 2019)
- Shintaro Kago : The Princess of the Never-Ending Castle (Hollow; 2019)
- Linda Medley : Castle Waiting, vol.1 (Fantagraphics; 2006)
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
Imobiliário
Na Glam-O-Rama é preciso falar com o "boss" para que ele deite cá para fora as "pérolas a porcos". E não sei como lá consegui sacar este CD, Real Estate : New Music From New York (Ear-Rational; 1990), uma colectânea de música experimental a lembrar que a cidade norte-americana sempre se quis armar em vanguardista. O que é seriamente duvidoso uma vez que a editora é alemã e o artwork foi gamado ao Frans Masereel (1889-1972), o verdadeiro pai das "graphic novels". Compilado por Elliott Sharp os nomes mais conhecidos serão os da harpista Zeena Parkins e os másculos-industrialitas Cop Shoot Cop (melhor nome de sempre!)... o resto não conheço e não parece que tenham tido grandes carreira até porque esta colectânea não é tão emblemática como a No New York (Antilles; 1978) ou as "Mutant Discos" da ZE Recrods.
Nesta segunda divisão, não deixa de ser um álbum que se ouve bem, o "experimental" não é pica-miolos, chega a ser mais música de câmara - até algumas vezes com laivos foleiros como os Soldier String Quartet - e Pop teatralizada (Shelley Hirsch com David Weinstein, Chunk, David Fulton) mas alguma dronaria antes de estar na moda. Talvez seja um disco No Wave com 10 anos de atraso? O que é constante são "samplers" de gajos a falarem do ramo imobiliário assim fora de contexto, talvez fosse um alerta de que o fim estava próximo para artistas viverem na cidade a ser gentrificada. Who knows?










