sábado, 21 de fevereiro de 2009
Album cover up (your ass)
sábado, 6 de maio de 2006
I don't wanna grow up in O'Malley's Bar

É o título da nova exposição individual de Pedro Zamith que inaugurou no dia 6 de Maio, na Galeria Pedro Serrenho e que está patente até 31 de Maio, de Terça a Sábado das 11h às 19h.
«Z-MAN and the MASTERS of the UNIVERSE
Não tem sido fácil trabalhar na pintura figurativa graças às modas patéticas da pintura abstracta e da Conceptual Art mas seria impossível continuarem-nos a enganar quando a nossa geração se excitou sexualmente com a Maga Patalógica (conheço um caso), chorou com a morte da Fénix dos X-Men (conheço vários), que canta nostalgicamente aos jantares de aniversário as músicas do Marco ou da Heidi (sem comentários), que perde tempo a reinventar “Marretas” sórdidos para cinema ou HipHop (os “Feebles” de Peter Jackson e os Puppetmastaz, respectivamente). Todos nós queremos “bonecos”!
…
Bonecos? Ou serão novos artefactos religiosos? Não serão as orelhas do Mickey mais amadas que a cruz cristã? Porque é que o novo “guilty pleassure” são bonecos em volume feitos em PVC e outros plásticos? Porque é que se fala, actualmente, tanto de “criação de personagens”? Porque é que a actual maior banda de Pop/Rock são os virtuais Gorillaz?
No figurativo encontramos o que o ser humano (vulgo, símio voyeur) precisou sempre de ver ao longo da história: a destruição (moral, social, física, individual ou colectiva), a redenção, e antes disso, o pecado – mesmo que não seja o Original, o do folhetim da vida já é suficiente -, a dor, o corpo (o nosso ou o do outro), o medo, a insegurança das grandes cidades (o campo não é muito melhor mas moino-mutantes que somos já nos esquecemos disso), a ameaça da Morte – vendo bem as coisas, um acidente de viação ou um encontro com um serial-killer não são as mesmas provas oferecidas aos mortais pelos Deuses como as trapalhadas de Ulisses na Odisseia? Ou tens Atena ou antenas ou então, surpresa: o teu braço já está dentro da bexiga do John Wayne Gacy! Mas creio que me estou a dispersar…
…
Nesta exposição, as canções de Tom Waits e (uma) de Nick Cave são, apenas, pretextos para Zamith trabalhar. Naturalmente, que Zamith há muito explora personagens ridículos e fisicamente distorcidos. Figuras congeladas no tempo porque o que Zamith faz são “tradicionais” retratos. No entanto não creio que haja relação possível entre a rouquidão boémia de Waits ou o negrume “gótico americano” de Cave e o estilo gráfico de Zamith. Os seus retratos são de sabor Pop Vintage, imaginário de série B e Z, lixo com glamour porque é pintado a tinta de parede esmalte à base de água. O resultado é bastante idêntico aos tais bonecos acima referidos: formas bem delimitadas, cores planas, quase que básicas, logo a superfície plástica de Zamith nunca poderá suportar o tabagismo de Waits nem o “suor, sangre e lágrimas” de Cave. O que não impede, no entanto, de abordar os universos destes músicos, à procura e encontrando uma versão.
Não é de desprezar estas versões diurnas de Zamith por elas serem versões. Estas imagens são vitrais das nossas igrejas DIY. Tal como o homem medieval que se sentia rebaixado com essas imagens maiores que ele, assim também nós nos rebaixamos às personagens sofredores de Waits e Cave. Mártires sem bula papal, pobres-diabos que Zamith ao materializá-los (mesmo que bidimensional) elevou-os a santos modernos. Já perceberam a piada, claro… Por sermos consumidores de imagens, somos pagãos até à medula. Todos nós sem sabermos já construímos a nossa religião, a nossa igreja e o nosso altar lá em casa. Eu, por exemplo, faço parte da Igreja Gráfica de Sto. Comix e da Ordem dos Grão-mestres Zamithes.
…
Por fim, não deixaria de referir que o trabalho de Zamith está em consonância com uma nova vaga emergente de “artistas gráficos” que brevemente nesta mesma galeria, terão trabalhos expostos numa mostra comissariada pelo Pedro Zamith. Marquem uma procissão para Junho. A arte conceptual e afins é para robots e informáticos!!!
Amém!
Marcos Farrajota,
Pastor»
in catálogo/desdobrável da exposição.
quinta-feira, 18 de abril de 2024
João Lisboa : "Provas de Contacto" (Assírio & Alvim; 1998)
Passo a vida a queixar-me que há poucos livros portugueses sobre música e no entanto é como as Bruxas, não acredito nelas, mas que existem, existem! Descobri recentemente este aglomerado de entrevistas a cromos como Leonard Cohen, Tom Waits (maravilhosos conversadores!), John Cale, David Bowie (sempre espertinho), David Byrne, Laurie Anderson, Robert Wyatt e a princesa (na altura, hoje Raínha) islandesa Björk. Escreve Lisboa que a gaja dos Sonic 'tava armada em parva ou em punk (porque sempre foi, punk! Nada parva!!!) e não tava numa de lhe responder (imagino ela a topar o ar de beto de Lisboa, crítico do Expresso) mas está boa a entrevista. Rende! Lisboa faz boas perguntas, os textos estão bem encaminhados - não segue uma cronologia mas temas que se vão desenvolvendo ao longo das diferentes personalidades. É um testemunho de uma era que já lá foi, passam-se boas horas de nostalgia e há poucas descobertas para quem tenha andado por ali nos anos 80 e 90, sobretudo na faceta mais burguesa, como é óbvio Lisboa nunca irá perceber Ministry, por exemplo. Sonic Youth já é um pau barulhento para ele e o público do semanário dos cotas - o Expresso era dos cotas na altura e ainda o é, claro. segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
web .2 tone .3
Culpados disto tudo se calhar Death Grips que desde cedo com o seu segundo álbum (ou primeiro oficial?) The Money Store (Epic; 2012) mostraram que seriam sempre rock híbrido - chama-se a isso de punk rock ? o feeling é esse mesmo que já não se possa meter o mofo da bateria + guitarra + baixo + voz isto é rock ciborgue electrónica rapada para mim é impossível dizer o que soa Eu Juro! já ouvi este CD mil vezes e sempre quando ele acaba ainda não percebi o que se passou o que ouvi o que aconteceu é como ouvir a primeira vez o Last Rights dos #Skinny Puppy ou Beers, Steers and Queers dos #Revolting Cocks Rembradt Pussyhorse dos #Butthole Surfers não é todos os dias que isto acontece ... Punk weight!
PS O 2 tone era nome para um Ska não racista em que o ponto de honra era ter uma banda que tivesse elementos branquelas e negros Clipping e Death Grips sabendo das cores de peles dos seus elementos (como se na verdade isso importasse para uma coisa - bom, na Amérikkka importa pelos vistos) parece isso um 2 tone para um mundo de Trampa mergulhado na deep web
espera
há mais
Apareceu Zeal And Ardor... WTF!? Imaginem o coninhas do Moby a fazer Black Metal essa seria a melhor ilustração para este disco Devil is Fine (Reflections; 2016) música de escravos americanos a cantarem Blues ou Gospel invertido, ou seja, a louvor de Satanás Nosso Senhor invés ao Porco Nazareno Devil is fine (o primeiro tema) abre-nos o coração, não não são samplers como o triste do Moby a voz é verdadeira In ashes arrebenta com os primeiros Blasts de Black Metal e ficamos confusos claro e mais ficaremos com intermezzos de electrónica que tanto podem ser Trip Hop ou caixa de música de criança como gamanço de arabescos à Çuta Kebab & Party ou What Is A Killer Like You Gonna Do Here? é uma pequena intervenção Tom Waits Children's summon parece o sonso do Gonza Sufi mas com Black Metal sempre isso "mas com Black Metal" o xoninhas do José Luís Peixoto escreveu há 10 anos um artigo qualquer a dizer que o Black Metal nunca seria popular pela sua violência - já na altura o que ele escrevia era errado porque bastava entrar no metro de Berlim e ter bem presentes outdoors do último disco de #Dimmu Borgir God good is a dead one entretanto fizeram um segundo disco a explorar a fórmula que não tem piada nenhuma apesar das revistas especializadas virem dizer muito bem, os metaleiros andam atrasados!
vi os Ho99o9 no Milhones 2016 e foi das melhores coisas que vi há imenso tempo ! Era como ver Bad Brains ou Black Flag e nunca o poder ter os visto porque não tinha idade para estar lá em Washington D.C. nos anos 80 nem nunca iria/ irei aos EU da amerdikkka a sério! Andei louco até conseguir um disco deles há um álbum - United States of Horror (Toys Have Powers; 2017) fazem Hardcore melhor que a malta do Hardcore e metalada, isto sim digno de sucessão de Discharge ou Slayer (vai na volta até samplam Slayer) ... mas fazem também dark Trap que a malta curte e tal em 2018 fuck! Tudo convive num disco de 46m que nada enjoa nada
a música pesada voltou a ter um ambiente de perigo depois de vinte anos de repetições ad nauseam
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Aniversário Negro
Praxis : Transmutation (Mutatis Mutandis) (Axiom; 1992)
Scorn : Deliverance (Earache; 1997)
sexta-feira, 30 de junho de 2017
conversa fiada, jantarada vegan e barulho na DISgraça
Nesta festa contem com:
- Exposição "Collages" de João Francisco.
- Conversa com os autores do livro-duplo Corta-E-Cola / Punk Comix, Afonso Cortez e Marcos Farrajota com as intervenções de:
| José Nuno Matos foi vocalista de uma banda chamada Croustibat. Berrava mais que cantava. Hoje em dia é investigador na área da sociologia.
| Diogo Duarte toca e tocou em bandas, organizou concertos e escreveu em fanzines. Dificilmente alguma delas figurará numa história do punk-hardcore em Portugal. Iniciou recentemente um projecto de investigação sobre subúrbio, hardcore e straight-edge no Arquivo.pt . É co-autor do blog A Queda.
| Nônô Noxx é fotógrafa, tradutora, crítica de música, operadora de imagem e co-apresentadora do programa Made of Things. Membro de colectivos anarco-feministas para além de fazer chorar os punks com a sua banda Malaise.
- Concertos de:
| Presidente Drógado nem é presidente nem é drogado, é um gajo que se fosse presidente metia-se nas drogas. Está em alta neste ano em que lançou um vinilo com o melhor artwork de sempre e um tema na colectânea Punk Comix. Promete nesta noite apunkalhar o seu Folk sobre o que interessa na vida...
| Scúru Fitchádu ("Escuro cerrado" em crioulo Cabo-verdiano) é o projecto a solo de Sette Sujidade, nascido em 2015 na margem sul. As influências directas de Tricky, The Prodigy, Bad Brains, Atari Teenage Riot, Ratos De Porão ou Tom Waits coabitam com os tradicionais colossos do funaná, Bitori Nha Bibinha, Codé di Dona ou Tchota Suari. Funana, Bassmusic, Punk Hardcore e Metal desaguaram naturalmente nesta sonoridade ao som da concertina e do ferro. O primeiro EP auto-intitulado no Verão de 2016 e prevê-se edição física para breve.
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Na Disgraça - Rua da Penha de França, 217B.
domingo, 22 de outubro de 2006
On the count of ten, you will be in Europa

Flat Earth Society: "Trap" (Zonk / Sabotage; 2002)
Kaada: "Music for Moviebikers" (Ipecac / Sabotage; 2006)
Duvido que esta sociedade seja quadrada como a outra embora a ideia de uma big band seja coisa do passado. FES é um grupo belga da parte flamenga que explode de som pelos poros, tantos danos deve ter feito ao vivo (conta a lenda) que convenceu o Mike Patton a editar um "best of" dos seus 4 álbuns esquecidos na Europa, Isms (Ipecac; 2004) - embora deva admitir que esta banda fizesse mais sentido na Web of Mimicry... Em esquizofrenia e energia (zappaniana, bungleana, pattoniana?) há aqui um bocadinho de tudo para todos os gostos: swing, free, mambo, cabaret fumarento da 2ªGG, cha-cha-cha, lounge mais qualquer coisa embrulhado no respeitável formato do Jazz. Nada de electrónicas e afins, a atitude é mais do tipo, ou sabes tocar ou vais para casa... [4; podia ser melhor se não tivesse a voz da gaja - que mania de por sopeiras a cantarem nos combos de Jazz]
...
“I wanted to find a title that described the fact that this was cinematic music. The alternatives were Music for an Imaginary Film, which was too cliché, Accompaniment to a Cinematographic Scene sounded too pompous and another idea was Fake Film, Real Music, which sounded stupid. Music for Moviebikers was a good fit.” - Kaada
Conhecido pelas bandas sonoras de filmes na sua terra-natal, a Noruega, Kaada foi dado a conhecer ao mundo via Mike Patton e a sua Ipecac em Thank You for Giving Me Your Valuable Time (Ipecac; 2003), uma "vintage sample extravanganza" bastante viciante e refrescante, um dos melhores álbuns de 2003! Uma via que foi desviada no álbum seguinte com Patton, Romances (Ipecac; 2004) e que agora foi cimentada com estas "falsas bandas sonoras", em que os samples também são abandonados por uma verdadeira orquestra de instrumentos de cordas, sopro ou outros instrumentos como o saltério ou o dulcitone, onde há coros, assobios, recitais. A música é composta por Kaada mas executada por 22 elementos e dirigida por um maestro - Baldakhin. As coordenadas sonoras são dadas por Tom Waits, Yann Tiersen, Ry Cooder, Ennio Morricone e outros que não me lembra agora, sem nunca se chegar a momentos épicos ou estridentes. Todo o percurso deste "filme" é realmente feito de bicicleta pelo campo com chuvinha a tombar incessantemente. Estamos no fim do verão no norte da Europa e a caminho do doloroso Inverno.
Cheira, de facto, a filminho europeu subsidiado pelo Estado para só meia dúzia de almas sensíves verem. Não que eu seja contra, não que eu ache mau o "filme". Só tenho pena é que raro, na Europa destruída pelo betão e neo-liberalismo, encontrar um campo para passear de bicicleta à chuva miudinha, ou pior, que se encontre tempo para poder fazer isso. Talvez uns jovens universitários possam fazê-lo, escapando às aulas inúteis. Que efeito inverso que esta música bonita me faz! [4; para o ano escuto outra vez, por que raios a embalagem teria de ser tão sui generis]
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || ESPAÇO"
Ontem, lá foi mais uma sessão de Troca de Discos no Espaço... Correu bem, misturas bem sucedidas apesar do equipamento continuar a ser uma manhosice. Apareceram menos pessoas - embora já haja habituées - o que quer dizer a dada altura os discos começaram a escassear.
Passei discos de Residents, Merzbow com World Music do piorio, B-52's, Keilerkopf, Flugschädel, Tore H. Boe & Anla Courtis, Eminem, Die Haut, Acid da semana, Ltd Noise, Carnival in Coal, Hugo Montenegro, Nigga Poison (um sucesso!), Sun Dial, de EBM xungão, a colectânea Drum'n'Ass misturada com End, Electro, o Acid Jazz chato de Courtney Pine com o Noise de DSM666... Uma miscelânea que resulta de forma inesperada.
O disco dos The Advantage voltou à base - que tinha trocado na outra sessão pelos Therapy? - e troquei, em absoluto desesperado de não ter mais discos, muitos discos de Chill Out (um nodjo New Age o Woob2 "4495" (em:t; 1995) ou um disco de remisturas Trance dos Pink Floyd) e de Metal - o título da colectânea Metal Ostentation I (Sound Riot; 2000) revela bem o desespero... «Ostentation»? «Ostentation»? Não pode ser... - de Celestial Season (Soft Doom à My Dying Bride) e Edge of Sanity (Death). Tirando o "Poison pen" (Música Alternativa; 2002) dos norte-americanos The Nerve Meter, que me impingiram como Rock Gótico, que na realidade está no cruzamento Nick Cave, Tom Waits, David Bowie e Tindersticks, foi um belo monte de banhadas que apanhei nesta sessão. Muito obrigado, sr. Gama! ;)
Até dia 2 de Novembro...
domingo, 26 de novembro de 2006
Weird-Americana from Faro?
Mudo or Maria Like The Others (CD-R'06, Mini-Groovie / Groovie)
A Groovie Records, do camarada Mau Amor, abriu uma "sub-label" para editar CD-R's, a Mini-Groovie. Esta necessidade deveu-se ao facto de além da Groovie dedicar-se à edição de singles em vinil, de ter acedido a uma série de bandas/projectos com qualidade para editar em formato digital. E é o caso deste Mudo or (...), que apesar do nome parvito tem algo de bizarro como já não se ouvia numa banda portuguesa. As referências confluem ingenuamente para Tom Waits, Red Krayola, Arkron/Family, Jim White, Virgin Prunes e mais uma dúzia de coisas que andam pelo psic@cústico. É aqui que djambés, guitarras (acústicas e eléctricas), sons de telemóveis samplados se encontram em orgia "neo-indie-folk". Ao contrário do que acontece com a maior parte de bandas do género, esta não se deixa seduzir apenas pela questão melódica, arriscando em apontamentos dissonantes. E esse risco que é a sua mais-valia. 15 minutos é muito pouco mas já são a "descoberta nacional" do ano! Com este paleio hypesco e a escrever de uma banda com estas características, já pareço a Mondo Bizarre, ui-ui!
Qualidade numérica: 4,1/5 Objectivo pós-audição: guardar até aparecer o LP!!!
PS - entretanto, arranjaram-me o álbum completo dos Mudo (...) que mantem os pontos altos do "CD-R-EP" especialmente na excelente versão de "Hybrid moments" dos Misfits - muito melhor que a versão do mesmo tema na "recente" compilação "Portuguese Nightmare" pelos Octopus In The Fisherman's Style. Talvez seja estranho realçar uma versão como o ponto mais alto mas é o que acontece nos seus 35 minutos de duração do álbum, em parte isso acontece porque no "disco completo" os grunhidos & lenga-lengas infantis começam mais a enervar do que a "fascinar" - não é sempre assim com as crianças? A capa ficou pelas mãos da fotógrafa norueguesa Amina Bech. Não sei se esta auto-edição está a ser comercializada... [4; já não guardei o EP, apesar de preferir o grafismo do Mau Amor]
segunda-feira, 25 de julho de 2005
Entulho de Marte (in Underworld #16; Jul'05)
O Hip-Hop, no meio das pessoas que gostam de Rock é considerado uma merda qualquer de atrasado mental. É um género de música que significa vídeos cheio de rabos de pretas e de letras sobre dinheiro & fama – estranho… e o famoso “Sex, Drugs & Rock’n’Roll” é assim tão diferente!? O facto de um género musical ser conhecido pelo que a MTV nos bombardeia é tão paradoxal como pensar que o Rock equivale a aberrações como os Poison ou os Strokes ou os Puddle of Mud. Que as pessoas conheçam apenas o recente e imbecil The Massacre [Shady / Aftermath / Interscope / Universal; 2005] do 50 Cent, que faz parte de um panteão de deuses (Hip-)Pop, um género inteiro não pode descriminado até porque há também um underground do Hip-Hop. E falo daquele underground constituído por artistas e visionários, de músicos que inovam, que refrescam e que emocionam. Não do underground “estagiários para a fama” como há milhares bandas por ai, que dizem-se “alternativas” só porque ainda não tiveram sucesso mediático e como tal refugiam-se sobre a capa nobre da “marginalidade”.
Tal como o Punk ou o Industrial, o Hip-Hop durante uns tempos deu a entender que seria um novo género com garantia de liberdade criativa máxima (1) infelizmente também foi reduzido a meia dúzia de cânones para as massas consumirem facilmente. O Punk não é Green Day, o Industrial não é Rammstein, nem Hip-Hop é Puff Daddy. Quem já ouviu os clássicos Public Enemy (com ou sem os Anthrax) ou Cypress Hill ou N.W.A. (2) já o devia saber. Considerando que a explosão do “Hip-Hop artístico” já não é mediática e tudo o que ouvimos por ai é Da Weasel a fazer jingle para a MacDonalds ou outros anormais MTV, aqui vai uma pequena sugestão de discos para os audiófilos sem preconceitos.
Anticon label sampler: 1999-2004 [Anticon / Sabotage; 2004] como o nome indica, é um CD que compila várias faixas editadas ao longo da actividade da Anticon, um colectivo/editora de artistas amantes de Hip-Hop e que procuram a liberdade de criação através das técnicas líricas e sonoras deste estilo de música. Neste disco de 80 minutos encontramos letras sobre visões pessoais acompanhadas por uma amálgama de sons que vão por paisagens electrónicas, sons abstractos e/ou quase-industriais, beats sujos. Quase que se pode dizer que estamos perante uma espécie de Folk mutante & urbano onde o Beck não teve coragem de continuar após a fama dos álbuns pela Geffen. Parte do futuro do Hip-Hop enquanto Arte passa por aqui.
Absence [Ipecac / Sabotage; 2004] é o novo CD dos Dälek. É daqueles discos que obrigam um ouvinte a parar de fazer seja o que estiver a fazer para ouvi-lo. Como ler um livro, obriga à concentração de tão intenso que é. Os samples são ruidosos e distorcidos como se tivessem sido retirados das guitarras de Sonic Youth ou do “noise” de Merzbow. As batidas ajudam a absorver o ruído industrial. As rimas/voz também. As letras são sobre uma América sufocada até ao tutano na diferença de classes raciais e económicas [o Michael Jackson ou o O.J. Simpson podem ser pretos e só não foram “de cana” porque… são ricos!]. “Absence” é um monstro sonoro que nos dá esperança na música. Afinal nem tudo já foi inventado, ao contrário ao que os cabrões preguiçosos apregoam por ai como uns alarves. Fodam-se! Aqui, a música é sem classificação a não ser esta: "it grows on you".
Os gajos de Puppetmastaz são feios comó-caraças e o CD de estreia Creature funk [New Noise / Labels; 2003] prova que eles sabem fazer o melhor Hip-Hop em Berlim numa mistura saudável e divertida de "old-school" e "new-school". Isso deve-se às batidas bem sacadas, às várias vozes caricaturais dos MC's, aos samples bem ecléticos que passam por secções de cordas de música clássica, pela música sul-americana (paródia aos Orishas!?) e pelos sons electrónicos, ao humor non sense das letras e dos separadores - ex.: Elvis está a cantar e é interrompido para atender um telefone, do outro lado os Puppetmastaz repetem-lhe a frase «Elvis is shellfish!».
Pelo que ouvi dizer, os mentores deste projecto tocavam em bandas Hardcore e decidiram mudar para melhor, tal é a qualidade da música. Ah! Sim! Resta dizer que os Puppetmastaz são um colectivo de 8 bonecos que lembram os "Feebles" do Peter Jackson pelo aspecto idiota e asqueroso. Estes “Marretas do Hip-Hop” pretendem ser o Nº1 no mundo se os humanos não os tramarem: «Humans get all the credit. They gonna regret it. It was a puppet who said it!». Para todas as idades.
Ancient Termites [Bomb Hip-Hop; 1998] de PhonospychographDISK conta com participações de cromos tão diferentes como o virtuoso guitarrista Buckethead (ex-Guns’n’Roses), o baterista Brain (Primus, Tom Waits), e o baixista Bill Laswell (Material, Painkillers, 500 outros projectos) que curiosamente irão trabalhar mais tarde juntos no fantástico e híbrido Warsawa (Innerhythmic; 1999) como Praxis. Apesar de ser um álbum antigo, só o descobri à pouco tempo, tal como outra colectânea da editora Bomb Hip-Hop, que pelos vistos tem um forte catálogo discos de “scratch” e “turntablism”, ou seja, pegar em dois gira-discos e fazer música misturando ao vivo como quem toca uma guitarra – base de criação instrumental do Hip-Hop dos primórdios. Há cromos para tudo como se sabe, e há cromos bons. Este PhonospychographDISK é um deles, tal é capacidade de recriar os discos usados em novos ambientes sonoros bizarros… para quem gostou do General Patton vs. the X-ecutioners.
«A bastard child of Reaganomics posed in a B-Boy stance
Make our leaders play minstrel, Left with none to lead our people.
How the fuck am I gonna shake your hand, when we never been seen as equals?» diz Dälek (nome do MC e da banda) algures no “Absence”. Acho que resume a distância equidistante entre estes exemplos aqui descritos e o nojo das “starletes” Hip-Hop.
Notas:
(1) O Punk tinha a atitude “não sei tocar mas que sa-foda sei que tenho algo para dizer”, no Industrial idem idem aspas aspas com a vantagem tecnológica ou histórica-artística (colagens Dada, música concreta) de criar novos sons. O Hip-Hop na teoria é algo parecido: o MC diz/declama rimas, o Produtor/DJ pode sacar “break beats” ou “samples” de qualquer registo fonográfico para fazer a música. Para compreender a importância do Hip-Hop aconselho a investigação dos artigos de Rui Miguel Abreu em vários números da extinta (?) revista Op.
(2) Estes últimos com o “Fuck the police” estiveram a um nível dos Sex Pistols quando foi o “God saves the Queen” em 1977.
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
all gone from L to U
Com cerca de 20 discos realizados (na essência reeditados como CêDê-R's pela Thisco) e uma «não-carreira» que remonta a 1984 (ironia de data, hein?) com os pioneiros da música electrónica portuguesa, os Hist, esta banda sonora para o Teatro do Mar (uma companhia de Sines) pode ser considerada como o primeiro disco "oficial" - como as regras comerciais ditam - de L'Ego. Temos aqui um disco «composto exclusivamente por colagem e manipulação de elementos sonoros pré-existentes», excertos inteligentemente pilhados a fontes tão diversas como Pan Sonic, Autechre, Fura del Baus, Scanner... De estética ambiental e IDM, não é brilhante mas também não envergonha e ouve-se bem. Não sabendo como foi o executado o espectáculo dedicado ao Futuro da Humanidade abordando as questões tecnológicas, e sendo um «teatro de rua multimédia, não verbal, assente numa estrutura cénica mutante, próxima do conceito da máquina de cena, visual, físico, musical, com recurso a efeitos de pirotecnia. Todos os públicos» [site da companhia dixit] não sei como a banda sonora funcionava. Como objecto independente não impressiona nem parece transmitir nenhuma mensagem em especial. Será melhor assim? 3,4
LOOSERS 6 songs E.P. CD-EP 2003 · ZDBMüzique / Sabotage
Os Loosers estreiam-se num EP de 6 canções e mais 3 de bónus... isso não é um LP!? Espero que seja para enervar coleccionadores chatos caso contrário, ponho em questão a sanidade mental da banda que é a «next big thing» lisboeta - tal como os X-Wife o são no Porto. A música que elaboram tem um Groove contagiante que extraem de um Rock cru e de um Noise bem estruturado de sintetizadores a lembrar Suicide. E adivinhem? Toda a gente diz que ao vivo é que é! Vi-os no passado dia 27 de Dezembro (2003) na Galeria Zé Dos Bois e não senti diferenças significativas entre o ao vivo e a gravação. Gozam, para o bem e para o mal, da bênção dos "artaístes", "freak-chics" e outros "losers" do mundo da arte lisboeta, vulgo o "lobby gay" (ou será uma afirmação demasiado reaccionária!?) que dizem com um ar bovino "eles são muita-fixes!", e se alguém disser que não, dão aquele olhar de "não sabes o que dizes" - ler: todos os meus amigos artistas acham que eles são bons, o lobby do suplemento Y do jornal Público escreveu que são fixes e sendo assim eu também acho fixe! Espero que a banda consiga passar por cima disto e prove, quando o lobby se fartar deles, que afinal não era só + uma "next big thing". Este EP estreia a ZDB no mundo da edição fonográfica. Para quem não sabe, esta galeria foi nos anos 90 a ponta-de-lança de Arte alternativa. Desde 1996 que tem apostado numa programação musical no seu espaço (Bairro Alto), primeiro para projectos de sons electrónicos / improvisados / experimentais mas desde 2002 que abriram portas para a música urbana como Hip-Hop ou Rock. 3,6
LOOSERS iiii CD-Demo 2005 · Ruby Red
Mundo pequeno: está um gajo em Antuérpia (Bélgica) a falar com o camarada Jelle Crama [www.jellecrama.tk] e a trocar galhardetes, quando o tipo me passa um CD-R embalado numa capa no formato de álbum em vinilo de uns tais... Loosers. «Ah! Que engraçado, lá em Portugal também temos uma banda chamada Loosers...»; «Exactamente, são eles», responde o Jelle; «Não, não... não percebes, em Portugal também temos uma banda com esse nome»; «Sim, sim, são eles!» insiste Jelle. E eram. Investigações mais tarde, descobri que os Loosers andam a (auto)editar uma série de CD-Rs (e também o recente segundo disco que só saiu em vinilo) provando que são mais do que uns fashion-victims-do-pós-electro-revival-new-wave-do-pessoalixo-do-Bairro-Alto. Ao que parece nestas edições tem havido menos Rock rotulável e mais experiências sónico-tribais na linhagem Glenn Branca e acólitos. Interessante. Especialmente a capa em serigrafia do Jelle! 3,6
MAL D'VINHOS CD-R 2004 · Pimba's Autoroute, discos & peticos iltd / Some Farwest Noizes
6 potenciais mega-hits para o Verão mais uma bUnita canção bónus de Natal («este natal vai ser diferente.../ este Natal não há prendas para ninguém») é o que os Mal d'vinhos apresentam na sua primeira obra Pimba DIY. E sabem do que falam: «Gravei um disco para a Discossete, dei-me mal Não quero mais ver esses cabrões da Espacial Eu nunca serei cãozinho da Lusosom Não vou deixar a Vidisco roubar o meu dom». É isso mesmo! Ser Pimba não é só cheirar o bacalhau da Maria e quer'alho. Pode ser poemas de Bértol Bérxte, denunciar os lobis ou o mediatismo Capitalista («a gaja da têbê não peida») e os paneleiros do tuningue. Humor artsi do Faroeste 'tuga, dá-le! 3,5
MICRO AUDIO WAVES No waves CD 2004 · N_records
Há nitidamente uma tendência na música urbana portuguesa para bandas electrónicas com uma voz feminina. Se a coisa pode remontar aos Mler Ife Dada nos anos 80/90 foi com os Três Tristres Tigres que se estabeleceu seguido de uma enxurrada: Mãozinha, Coldfinger, Gift, Fatimah X, ... Será que foi por causa de sucessos (justificados) de Portishead e (injustificados) de Lamb? Talvez, também há a hipótese de como as mulheres, em geral, gostam de drama e os portugueses, em particular, também gostam de ser trágicos de terem encontrado o ponto de encontro nesta fonte de trabalho que é a "electrónica com voz de gaja". MAW (para simplificar) inclui Flak (Rádio Macau) só por curiosidade e até poderíamos analisar paralelismos com Fatimah X (que inclui o Jorge Feraz) mas não me apetece... MAW vão no segundo disco e encontraram uma vocalista (o primeiro disco era só instrumental ao que parece) mas não deixaram de explorar as relações de composição entre o Pop/Rock e a electrónica mais sofisticada do momento, a micro-samplagem - que tem Matmos como reis, ou príncipes visto que a Björk é a Rainha que os emprega. O resultado Pop dos MAW é simpático, agradável e eficiente tal como uma refeição saída do micro-ondas depois de um chato dia de trabalho. Ouve-se bem como muitas outras coisas que se podiam ouvir nestas condições. Não irrita mesmo quando se armam em "artaítes" e despejam umas línguas estranhas e/ou deambulações pseudo-Dada. Até podiam mudar de nome para Micro Audio Wallpapers! Ainda assim é uma banda a seguir com atenção de futuro, na esperança das coordenadas sonoras desloquem-se da frieza Nórdica para o confortável Sul. Nota de referência para a N_records (que organiza o Número Festival) que fez um bom trabalho de edição. 3,6
NEVERMET ENSEMBLE No Quarto Escuro CD 2005 · Rudimentol / Ananana
Miguel Cabral, activista da música electrónica, fez mais uma das suas. Desta vez recebeu ficheiros de música por e-mail vindos de músicos da Bélgica, França, Itália, Japão, Espanha e EUA que nunca se encontraram. Misturou os sons desses ficheiros e assim lançou a Nevermet Ensemble - a banda que nunca se conheceu. A música é experimental, balançando entre a improvisação óbvia e outras sonoridades mais "urbanas" (até há um bocado de Death Metal e tudo!), ficando a impressão no fim que há aqui um ecletismo musical que podia ser devedor aos projectos da Ipecac ou da Web of Mimicry embora o conceito tenha mais piada que o resultado propriamente dito. 3,5
Numbers We're animals CD 2005 · Kill Rock Stars / Sabotage
Escrevia eu ainda no outro dia, sobre o Festival Número (ver na secção "Ao vivo"), o que ia fazer uma banda portuguesa que lá tocou (eram os U-Clic) e que investiu no Electro-rock agora que género passou de moda? E o que pode fazer uma banda norte-americana? Duas respostas: a portuguesa começou a carreira tarde demais como sempre, bem podem arrumar as botas porque já não vão conseguir atingir mercados internacionais e sobreviver com os nichos electro-rock - daqui a 10 anos é capaz de haver um revival deste tipo de som, por isso rapazes, é melhor esperar sentado! A norte-americana é bem capaz de continuar, até porque já assentou no tempo certo, continua a vir cá tocar - foi à Galeria ZDB e ao Porto - e continua a editar discos anualmente, como este recente "We're animals" - o terceiro de originais & oficiais (esquecemos remixes e afins). Mais perguntas: independentemente das modas estes tipos norte-americanos ainda têm validade? O disco pode ser ainda interessante? Respostas complicadas. Realmente agora que estamos em ressaca Electro e deixou de ter piada ouvir sintetizadores ácidos + vozes femininas ou réplicas do vocalista dos B-52's + bateria rockeira + guitarras sujitas do indie 80's (muito Sonic Youth aqui!), pouco ou nada poderemos encontrar aqui que nos emocione. O "enquadramento histórico" está errado. Podiam os Numbers incorporar novas coisas e dar um passo à frente? Não quiseram... não estão interessados em evoluir, só em canibalizar o que já foi feito. Podiam até chamar ao álbum de "We're robots" ou "We're Pavlov animals" que seria mais sincero... 3,4
ORGASMO CD 2005 · Vida / Som Livre
Com um nome destes – um bocado incómodo, tentem perguntar no quiosque do bairro pelo CD dos Orgasmo – ao menos devia ser uma bomba! Este orgasmo é daqueles de punheta antes de adormecer. Não é aquele orgasmo-mamute quando um tipo entra noutra dimensão mental de excitação e quando se vêem é uma enxurrada de energia que percorre o corpo inteiro até ficamos felizes da vida e cairmos para o mundo dos sonhos. Ainda assim há razão de existência para este quarteto que não é novato nestas andanças das bandas – há aqui sobreposições de projectos e convites de elementos de outras bandas como Carbon H e Slamo. Penetrando nos cosmos do psicadelismo, via Rock e alternando pelo Funk, algumas vezes ao ritmo Drum n’Bass & Breakbeats, esta cópula de estilos é excitante mas a tesão não é (ainda) total. Algumas partes fazem lembrar vagamente os The Music, entre outras coisas perdidas na memória, mas com identidade em construção ficando a expectativa que bastará no próximo registo lubrificar a máquina e... Schuap, schuap! Devo referir (pela negativa) a discrepância de registos gráficos entre a capa (departamento de aerógrafo anos 70/80’s) divertida pelo kitsch assumido e os desenhos toscos na faixa multimédia e na impressão do CD (para fazer tosco é necessário também ter dom artístico), o que não se percebe bem onde querem ir no que diz respeito à imagem da banda: brincalhões com suor de Red Hot Chili Peppers ou bedum dos Fúria do Açúcar? 3,9
PHANTOM VISION Calling The Fiends CD 2004 · Cop International
Terceiro registo desta banda electro-gótica em terras estrangeiras, caso para admiração para os que pensam que o mundo é só o bairro onde vivem. Phantom Vision desenvolve-se nos caminhos da electrónica compondo boas canções. Curiosamente a atmosfera deste disco consegue aproximar-se mais do Rock do que de um registo electro, mas pessoalmente, para um velho gótico como eu, pouco ou nada transmite. Falta loucura e imaginação para ultrapassar um género que já tem mais de 25 anos e que já teve tempos memoráveis, justamente porque os artistas desses tempos arriscavam, não ficaram presos a cânones, pelo contrário estavam a criá-los! Bauhaus, Alien Sex Fiend, só para citar os meus favoritos. Por mim, não acho impressionante que uma banda seja profissional e ache um “spot” numa cena especializada: Acho confortável para todos os envolvidos. Só espero que esta banda não seja realmente um caso de “visão fantasma” e avance para o desconhecido. Se o disco fosse de há 20 anos levava um 4,4 mas sendo deste milénio... 3,4
PUBLIC ENEMY New Whirl Odor CD+DVD 2005 · SLAMjamz / NTM
Este é o oitavo álbum dos “Laibach do Rap” – ninguém se lembrou desta! Um álbum já considerado pela crítica como um disco sem inspiração… mas como assim? São os Public Enemy! Estamos em 2005 e não há espaço mediático nem para polémicas nem para critica social na ponta da língua, tudo isso está acabado. O HipHop que os Public Enemy projectaram ao longo da sua carreira – eles e muitos artistas negros foram censurados ou proibidos de passar na rádio ou TV – foi substituído pelo individualismo e materialismo alicerçado e projectado por uma MTV estúpida e estupidificante. A batalha dos PE é a de ainda ter alguma voz no meio de uma cena que não querem parentes “pobres” a criticá-los. Os PE são dos poucos (como os Dälek) que tem a integridade artística, a militância DIY, que continuam a ser barulhentos e sujos, que se atiram a pequenas deambulações musicais e que, sem papas na língua, cospem letras intervencionistas. Sim, este álbum não vai ter airplay nem vai ficar nas listas dos melhores discos de 2005 (até porque foi editado pela sua própria editora, a indie SLAMjamz)… mas são os Public Enemy! A catinga de uns PE envelhecidos continua a ser melhor que muita merda que anda por ai, seja Rock seja HipHop. Há qualquer coisa de estranho neste álbum que passa pela auto-referência e auto-reflexão da banda. Se juntarmos ao facto que na mesma altura é editado um best of pela (sua antiga casa) Def Jam diremos que “New Whirl Odor” poderá um ponto de partida para próximas acções e edições. Até lá «Check What You’re Listening To». 3,8
SANTA MARIA, GASOLINA EM TEU VENTRE! Free Terminator / Falcão Solitário Sem Ser Distorção CD 2005 · Zounds / Sabotage
Até nem nos podemos queixar muito sobre reedições de discos que foram importantes no meio Pop/Rock português dos últimos 25 anos. Desde a Candy Factory ter reeditado os LP's de Pop Dell'Arte à colectânea "Ama Romanta Sempre!", entre outras iniciativas em relação a Mler Ife Dada, Mão Morta, Us Forretas Ocultos, Rádio Macau, M’as Foice, etc, agora foi a vez LP "Free Terminator/ Falcão Solitário Sem Ser Distorção" (Ama Romanta, 1989) dos Santa Maria, Gasolina Em Teu Ventre!, e o seu maxi homónimo auto-editado (de 1990), ambos reeditados pela Zounds com um excelente trabalho gráfico e embalagem. Os Santa Maria incluíam Jorge Ferraz – hoje com o projecto Fatimah X –, e o que tocavam pode ser descrito por poesia instrumental pseudo-Dada, com guitarras em abrasantes arrastos de feedbacks devedores às experiências excessivas da juventude sónica dos anos 80. O tempo, no entanto, não perdoa. Se nos fins dos anos 80, em Portugal, este LP foi conotado de alien ou de provocador, no nosso novo milénio passa um bocado ao lado. Sobretudo o LP que é menos interessante ao nível de composição do que o maxi. De registar que o maxi inclui a participação de Adolfo Luxúria Canibal no tema "Go West, Celine", que parece um lado B perdido de Mão Morta. Próxima reedição obrigatória: Ocaso Épico! 4
Si-cut.db From tears: beach archive CD 2005 · Bip Hop
A Thisco além de editar discos de electrónica alternativa também promove editoras e bandas estrangeiras. Foi através deles que nos chegou "From tears: beach archive" de Si-cut.db que pode ser considerado como uma mistura de Dub com Micro-House criado para descansar no conforto da casa e respectivo sofá. O compositor/músico Douglas Benford usou o seu lap-top para explorar os sons das costas marítimas por onde viajou entre a Europa e a América do Norte. Felizmente o resultado é mais dado ao desafio auditivo do que ao narcotizante efeito do New Age - acredito que se devem ter arrepiado quando leram sobre os sons do mar e isso... 3
SIZZLE Natural Elements CD-R 2000 · Facthedral
O Dub apesar de já existir desde os anos 70 e apesar ter sido usado em várias técnicas de gravação em discos mais insuspeitos, só nos anos 90 é que foi redescoberto na sua pureza mais antiga, o do ambiente sonoro que invoca espaços ou paisagens psicológicas. Foi com Scorn, de Mick Harris, que trouxe as aproximações industriais a este género de música - é mais que um género, é também uma técnica! o projecto francês, Sizzle é a continuação lógica destas estratégias psico-espaciais exploradoras de ambientes negros, de "bad trips" que o Dub Industrial emite aos nossos cérebros. 55:55 é o tempo desta viagem hipnótica, onde a imaginação é limitada a loops que se repetem à exaustão sem nos surpreender de alguma forma. Podia ser melhor? Cêdê de tiragem limitada e já esgotado, pode ser descarregado em: www.facthedral.com/the_music.htm# 3,1
STEALING ORCHESTRA The Incredible Shrinking Band CD 2003 · Zounds / Sabotage
Risos de crianças, orgãos xungas, xilofones, blip, disparos laser de jogos de computador dos anos 80, pombos, cabaret, acordeãos, bandas sonoras de filmes série B, tetris, caretos de Podence, blip blip, caixas de brinquedos, que infância infeliz, blip-blip, valsa de andróides bêbados de vinho verde, blip-blip, punk-vodka & metal-klezmer, blip-blip-blip, o Papa ama os Mr. Bungle, cacos digitais, samples do John Barry e Glenn Miller a vomitarem orquestras que os nossos pais insistem em ouvir de vez enquando, chocalhos de cabras do quintal da puta da vizinha, blip-blip, o meu o rancho foclórico é maior que o teu, Dub com pauliteiros e música de Natal que passa nas lojas dos monhés e no Metro, blip, circo & tourada & uns cornudos, dark-funk para mariachi paneleiro, o Tom Waits a tomar gurosan e a tocar para a Françoise Hardy... Ah! Isto é que é Electrónica com atitude, man! Os Stealing são a fusão itílica refrescante da nossa Tradição Lusa (que os gajos do Lusitania-metal e os novos fadistas que se ponham a pau, ó caralho!!!) e de um Portugal escarrado para o Futuro pelo sr. dr. Cavaco «canibal» Silva e o betinho do Guterres. A embrulhar a música mais divertida que se faz hoje em Portugal, uma embalagem luxuosa e um livrinho com ilustrações iconoclastas a lembrar um o humor do Winston Smith (o gajo das capas dos Dead Kennedys pá!) para cada música. 4,7
SUNN 0))) Black One CD 2005 · Southern Lord / Sabotage
Bandas com nomes bizarros há muitas, mas bandas com um som bizarro não há tantas. Sunn 0))) alia as duas coisas, um nome gráfico e uma sonoridade que é um pesadelo. Rotulá-los de Experimental Metal ou Drone Metal será supérfluo embora simpatize com a ideia de Nerd Atonal Doom Metal. Ao ritmo de um álbum por ano, conquistando cada vez mais admiradores (pelo menos na imprensa), os Sunn 0))) avançam para um novo ciclo de gravações após o “White 1” e “White 2”. Trata-se de um ciclo negro de uma banda que mais parece uma espécie de “se Stockhausen fosse metálico fazia isto”, só que se antes o ciclo White só provocava um ambiente irritante, agora a irritação abraça o medo, que aliás está logo estampado na capa: um desenho detalhado de uma árvore numa floresta negra mas também parece um anjo esventrado numa floresta com raízes por todo o lado em que os nós dos troncos parecem olhos de carneiros mal mortos... Ok, ok, já chega! Não aconselho ouvir este disco em fase de sonolência pois são ainda desconhecidos os psico-traumas que poderão surgir – o meu terapeuta ainda não determinou os efeitos mas ordenou-me afastar-me do disco. Convidados desta: Oren Ambarchi, Wrest (Leviathan/ Lurker of Chalice/ Twilight), Malefic (Xasthur, Twilight) e John Wiese (Bastard Noise). De salientar que Malefic gravou a sua participação vocal dentro de um caixão colocado num Cadillac carro funerário. Não sei que espécie de tarado é que se lembra deste tipo de coisas nem sei que espécie de tarado quererá ouvir isto. Respect!! 4,1
TAPE FREAK HUGO Old Tape Series #1 Demo 2005 · Edição de Autor
O universo é estranho, tão estranho que os subúrbios de Lisboa parecem a “América mítica” do tipo Tucson. E depois, os tipos que habitam por cá (neste universo ou nos subúrbios de Lisboa ou em Tucson) têm ideias estranhas. Por exemplo, este Hugo lembrou-se de pegar nas k7’s (sim aquele formato audiofónico que tende a desaparecer tal como as cassetes vídeo VHS) para fazer um projecto musical misto com mail-art. Então é assim, se enviarem uma k7 para o Hugo, ele grava por cima dela composições electrónicas / Improv suas, faz uma capa nova (uma “foto desértica” - daí a piada Lisboa/ Tucson) e ainda troca as k7’s com outros tipos que também enviaram. Por isso quando recebi o meu exemplar dava para ouvir no fim os The Cult (arght!) que pertencia a um André que desconheço. Gira a ideia! Quanto à música do Hugo, ela anda nos territórios experimentais da Electrónica ambiental. [this_boy@netcabo.pt] 3,3
US FORRETAS OCULTOS The Worst of The Best CD 2004 · Lowfly
Estes U.F.O's não são a banda xunga alemã de Hard'n'Heavy mas sim uma banda xunga 'tuga... Em meados dos anos 90, a produção de bandas de garagem, com poucas mas honrosas excepções, dividia-se entre a banda de Metal na linha Pantera/Sepultura ou então no Indie com os Sonic Youth e os Dinosaur Jr. como linhas de orientações. Us Forretas Ocultos estão na segunda categoria, com uma pose descontraída e pretenciosamente "fun", deixaram como legado meia dúzia de temas em demo-tapes, em edições em vinil e em colectâneas na Beekeeper e LowFly, editoras cada uma à sua maneira foram as mães deste tipo de banda. Passados 5 anos desde o fim da banda (ou pelo menos do seu último registo) a LowFly lembrou-se de criar a sua colecção "Arquivos LowFly" com o objectivo louvável de reeditar pérolas do underground musical português (como a MMMNNNRRRG em relação à bd...) só é pena é que não consigo ver isto como uma pérola... só vejo porcos... algo cheira mal na banda e no som, será o problema eterno que cada vez há alguém "arteist" da Caldas da Rainha e com um elemento da banda com o apelido de Feliciano (sim essa família de artistas do "fake") num projecto musical a coisa cheira sempre mal? Tudo bem que estes UFO não tem uma postura tão "kiducha" como as outras bandas do género/geração mas é por pouco. Tudo bem que o som que praticam tem algumas outras influências para além dos papás Sonic Youth (há um bocadinho de Ska, Surf...) mas nunca chega a ser um dado adquirido, parece como sempre uma coisa à portuguesa: a meio gás e com medo (claro) de assumirem seja o que for. A desculpa será eles eram os engraçadinhos da cena, os gajos brincalhões, os gajos que se estão a cagar... sorry... but no cigar... Se houve boas bandas nessa altura e da linha "sónica" elas chamavam-se Damage Fan Club e Pinhead Society, tudo o resto foram meninos muito muito mas mesmo muito tristes, alguns porque eram deprimiditos e outros porque faziam figuras tristes tentando ser fixes... Se adquirir este disco vale a pena por a Hi-Fi em altos berros porque ainda assim é de Rock Lo-Fi de que se trata. 2,6







