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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Colectivo Rock On : "David Bowie : Três Décadas de Metamorfoses" (Centelha; 1983)

 Foi com algum espanto e agrado que li esta mini-biografia de David Bowie (1947-2016) assinada pelo Colectivo Rock On que albergava Álvaro Costa, Fernando Costa e Francisco Pacheco e que também dava título à colecção da Centelha sobre música Pop/Rock. É de admirar a qualidade das reproduções fotográficas e dos textos cosmopolitas (aposto que em 1983 a maior parte dos leitores não percebiam as expressões anglo-saxónicas usadas) comparando com a edição nacional actual de escrita sobre música.
Claro que a Wikipedia em 2015 bate o livro (que ainda teve uma segunda edição em 1986 mas não deverá ter sido actualizado) mas ainda assim por ser impresso - ponto a favor contra a radiação dos aparelhos electromagnéticos - e por estar bem feito, ainda é um excelente guia para quem quiser saber mais sobre o "Camaleão do Rock" que faleceu ontem.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cardigans

Discos vindos da Suécia, após a visita ao SPX. Não foram muitas as aquisições musicais, na realidade dividem-se em duas situações, compras na loja Repulsive e trocas com pessoal da bd na SPX.

Começo pelos últimos, e começo pelo mais bizarro que é The Wonder Boys e o EP Den Flygande Värmlänningen (Lystring; 2008). The Wonder Boys é o alter-ego de David Liljemark que ao que parece, é uma espécie de ícone da estética lo-fi sueca que tanto dá para o noise como para a Pop caseira. Aqui temos dúvidas se ouvimos os anões de David Lynch ou os mongoloídes do Reino (série de tv de Lars Von Trier). Uma intro e três versões de "música elitista sueca" disfiguradas do Hip Hop (Las Palmas), Pop vintage (Robert Broberg) e Noise-Rock (Brainbombs). O que vale é que ainda troquei com o David a antologia de bd From the shadow of the northern lights pelo glorioso Mutate & Survive, e este disco por uma colectânea parva de música portuguesa, espero que ele também sofra a ouvir aquilo...

Da Noruega e Finlândia, o DVD Free for all : live at Media Centre Lume (Geoglyph; 2006) dos Nazca, que tal o nome indica é um bocado panasca... Embora, o deserto de Nazca (Peru) seja conhecido pelos geóglifos de bonecada pré-Inca no solo para os Deuses poderem admirar ou algo assim. Infelizmente este Nazca é feito por Índios que tinham como base de operações em Helsínquia, são daqueles que gostam de ser calmos, introspectivos, planantes, cinematográficos e uma série de adjectivos sacados ao allmusic.com. Por mim, é uma chatice que deixei de ter paciência à muito, para além do que o pior é reconhecer as influências, como os Tindersticks que nunca gostei, ou achar que a música In Féria lembra Make believe, uma faixa rara dos Pixies... A influência é confirmada quando os Nazcas acabam o concerto com In Heaven, música do Eraserhead (o medonho filme de David Lynch) com que os Pixies costumavam acabar os concertos na primeira fase de carreira - não sei se ainda fazem neste "comeback" nojento. O concerto - não posso esquecer que isto é ao vivo e que tem imagem - esforça-se para ter uma tónica política e pós-11 de Setembro. Os Nazcas estão vestidos a rigor e transmitem tanta emoção como o público sentadinho nas cadeiras do Centro Cultural. Cantam em inglês e tem uns vídeos projectados tão emocionantes como a banda. A banda parece que já acabou, se calhar nem valia ter escrito nada se o vocalista e guitarrista Karstein Volle (que faz umas bd's humorísticas) não tivesse sido simpático com esta oferta.

De quem tenho MESMO que falar é do Melanie is Demented e o álbum de estreia Unleash destruction with precision in 1st person view mode (Wormfood; 2007), banda / projecto de um puto sueco. Só pelo CD dele valeu a pena ir a essa terra dos bimbos que é Estocolmo... imaginam Mr. Bungle em versão "bedroom punk"? Há partes da voz que lembra David Bowie tanto como outras lembra Butthole Surfers (do início), enquanto que a parte instrumental rockeira usa uma caixa de ritmos (que de vez enquando salta para o Hip Hop ou Drum'n'Bass) e guitarradas bastante variadas. As letras são cantadas em inglês e tratam de assuntos endérmicos de quem escolheu o Rock como expressão criativa - havendo uma série de bocas ao negócio fonográfico oua bandas atrasadas-mentais. Há uma voz feminina que vai aparecendo nas 20 músicas deste CD que aumenta a diversificação do som do projecto. História gira, na mesma manhã que percorria Estocolmo vi um autocolante de um gajo com ar estúpido com uma racha entre os dentes de meter inveja à Madonna (não resisti a digitalizar essa imagem). Por acaso não fixei o nome do sítio que fazia publicidade, pensei que era mais um designer armado em artista street... à tarde, o "Melanie" apareceu, apresentou-se, depois de comprar um Sourball Prodigy (bom gosto, hein!?), como músico sem guita que curtia trocar o CD dele por outro (dos [f.e.v.er.])... sinceramente, acho que fiquei a ganhar!

Indo prás compras na loja de Metal, o menos Metal possível: Front Line Assembly: Millennium (Roadrunner; 1994). Banda canadiana electro-industrial da qual tenho boas memórias deste álbum não pela capa do Dave McKean (o tipo que mais imitado na década de 90 nestas coisas de Design e Ilustração Digital e que estará connosco este fim-de-semana no Festival de Beja!) MAS porque era daqueles discos de Industrial à Ministry, ou seja, de guitarras Metal sampladas - neste caso vindas de Slayer e Pantera bem como umas originais de Devin Townsend (Strapping Young Lad) - mas com uma Electrónica mais dançante, e pasme-se até Rap numa das faixas - aposto que deve meter nojo aos Góticos e afins.

Comprei porque era barato - foi em segunda mão tal como foi Rebegin (Invisible; 1997) dos Tribes of Neurot, o projecto freak dos poderosos Neurosis que mete inveja a qualquer freak! Os Neurosis para além de serem a banda mais copiada pelo Metal nos últimos anos - chamam-lhe de "Post-Metal" a uma série de secas monumentais editadas por aí, inclusive pela própria editora dos Neurosis sabe-se lá porquê -, dizia, os Neurosis a dada altura começaram a desenvolver discos de música fora do formato Rock, mais "ambientais" e "experimentais". A esses discos criaram a identidade Tribes of Neurot em que existe uma assumida política de participações externas para criar outros sons - o projecto depois desenbocou pelos vistos na criação da editora com o mesmo nome. Este álbum, originalmente editado como dois EP's temos uma faixa de 20 minutos dedicada ao Sol e mais quatro faixas de 5m (em média) dedicadas aos Quatro Elementos (Terra, Ar, Fogo e Água). Não foge a um modelo de Dark Ambient / Industrial com os Loops & Drones, em que poderíamos comparar a Deutsch Nepal e afins, mas os Tribes of Neurot têm um espírito próprio que vale a pena continuar a ouvir, nas deambulações de precurssões tribais acompanhadas por intervenções Noise e samples ou efeitos electrónicos estranhos o suficiente para criar mundos. Vale a pena descobrir esta tribo...

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Aristocracia do Rock


Podem-me gozar à vontade por andar a ler estes livros mas caralho, tenho direito a divertir-me! Não vejo televisão nem tenho rede sociais, como posso ter aquele momento de descarga? Não se fala tanto em "guilty-pleasures"? Não há broncos que só lêem os Senhores dos Anais ou super-Heróis? Ou policiais nórdicos? Eu leio biografias de malta do Rock compradas em segunda mão a preços bem parvos. 

E foi coincidência apanhar estes dois que são os gajos dos bastidores. Tony Visconti é produtor de discos e a Sharon Osborne é uma rufia bem famosa que dispenso apresentá-la. Ele é gringo e foi para a Inglaterra para saber como se gravavam discos tão sofisticados naquela ilha e ela inglesa de gema foi prá Amérikkka para fugir ao pai que era um mafioso do Pop/Rock. Ambos escrevem estas autobiografias - com ajuda de ghostwriters claro está, aliás, pergunto se ambos saberão escrever? - que são fascinantes porque partilham do facto de serem de classes baixas e que sobem aos topos possíveis do mundo do Rock e espetáculo. Ambos são uns toscos ignorantes que apesar de estarem nos centros imperiais de Londres e Los Angeles rodeados por pessoas criativas e com ideias incríveis (especialmente nos anos 70 e 80), para além, de terem dinheiro no bolso (em altos e baixos impressionantes!), nunca se esforçaram por se educarem e serem mais do que umas "bestas" abusadas ou abusadoras. Ambos mostram-se "apolíticos"e o Punk passou-lhes ao lado - man, até o inútil do Tim Burgess refere os Crass no livrinho dele - o que mostra que se não te bateu culturalmente o Punk não passas de um granda tótó.

Ainda assim, em Bowie, Bolan and the Brooklyn Boy (HapperCollins; 2007) de Visconti até percebemos que é um gajo culto ou curioso e que conta histórias simpáticas, não tivesse produzido Mark Bolan / T. Rex e David Bowie. Nada mais assimétrico que estes dois, apesar das vidas paralelas, Bolan foi o típico artista pobreta que assim que fez milhões passou a ser um granda porco ganancioso. Se não tivesse morrido no desastre de automóvel teria acabado reacionário e barrigudo como o Elvis. Bowie como se sabe evoluiu no seu projecto de camaleão Pop sempre com grande estilo e arte, mesmo na hora da sua morte. Ganhei a confirmação que a Inglaterra sempre foi um país de suínos porque o Bolan tinha de pedir ao Visconti que lhe deixasse tomar banho algumas vezes por semana na casa dele porque não o podia fazer com tanta regularidade na casa dos pais - creio que a água sempre foi cara na ilha, daí esta falta de higiene. De resto, ele produziu de tudo de grande neste planeta: Procol Harum, Gentle Giant, Osibisa, Sparks, Thin Lizzy, Rick Wakeman, Hazel O'Connor (ena!), Boomtown Rats (ok, ele trabalhou com "punks" mas era só pela guita), Adam Ant, os merdas dos U2, Nana Mouskouri e até o nazi do Morrisey. Voltou prós EUA entretanto já não me lembro porquê...

Extreme : My autobiography (Time Warner; 2005-06) da Osborne foi a coisa mais divertida que li este Verão porque é um grande degredo. O pai era um xungão que lhe fez a vida negra até morrer miserável e abandonado num centro de dia em perfeita harmonia yin-yang ou o famoso "cá se fazem, cá se pagam". Ela foi para os EUA para ser não só saco-azul dos negócios sujos do pai como para ter a sua independência da sua família de criminosos. Depois, claro meteu-se com o Ozzy Osborne, o bêbado que lhe dava porrada mas que Sharon aguentou estoicamente porque achava que ele uma pessoa muito mais divertida e interessante do que a que conhecemos em público. Amor ao quanto obrigas. Mula como é, aguentou as humilhações do seu parceiro descontrolado, tanto que ela tinha de dar a última palavra para mostrar que sempre teve razão para aguentar a criatura, ou seja, Ozzy recuperado e desintoxicado é outra pessoa e um fofo, dizem e ela confirma como tudo mudou depois de ele deixou de ser alcóolico. No livro fala-se de violência no mundo dos espéculos perpetuado pelo pai de Sharon, grandes fraudes em bandas pelos patos bravos da altura, violência doméstica e familiar, amas-secas que roubavam, luta contra o cancro e claro um "que sa foda o mundo", queremos é curtir e fazer guita por isso a concepção do OzzFest não é para salvar baleias mas para metaleiros gastaram os seus salários no recinto. Não deixa de ser impressionante toda a crueza e crueldade desta malta, com os seus momentos redentores - que sabem a pouco porque são pessoas nitidamente pouco cultas.

Nem sei se o título deste "post" está correcto, não será antes esta malta toda do Rock quando tem sucesso meros "Novos Ricos Rock"? Sim, porque os únicos que sempre foram ricos e fizeram Pop (de alta qualidade) foram os Yello. O resto é ralé que até é melhor nem terem muito guita para não fazerem maus discos quando tem a conta cheia. Famintos e à rasca é que fazem obras-primas, certo?

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Este tipo tem 68 anos e continua a fazer coisas tão interessantes.

A bela frase do título deste "post" é uma declaração do David Fonseca numa entrevista no último número da revista Blitz.
Pois é, Fonseca, o David Bowie tinha 68 anos e continuava a fazer coisas interessantes, ao contrário de ti que não deves ter mais de 40 e precisas de o vampirizar (camuflado de homenagem oportunista) para venderes discos com os teus outros amiguitos nulos que tal como tu nem fazem nada de interessante como não têm ideias...
Admiram-se por estar aqui a falar do Blitz? É razão para tal porque esta foi a quarta vez que comprei a "revista-ex-jornal" desde que surgiu nesta fórmula editorial em 2006. Acho que comprei os dois primeiros números por hábito de consumo do jornal semanalmente. Ao segundo número irritei-me e deixei de comprar esta trampa.
Passado mais de 10 anos, nada mudou, a revista continua a ser uma bosta de velhice burguesa que é constrangedora. O motivo de ter comprado este número? O CD dedicado à Ama Romanta que nada adianta para os colecionadores anais que tem toda a discografia alguma vez produzida em Portugal (não é o meu caso mas conhecia a maior parte do material editado) mas é um bom serviço público de divulgar o que foi a mais emblemática editora fonográfica independente nacional dos anos 80.
Com muita vergonha comprei esta publicação com a capa da banda mais nojenta do mundo - meu, se o Trump os bombardeasse até eu votaria nele nas próximas eleições (oh yeah!). A outra vez que comprei a revista foi também graças a um CD e um Canibal na capa porque de resto os discos que acompanham tem sido do pior, ou xungaria ou velhotes que ao contrário do Bowie já não tem nada para oferecer ao mundo a não ser velhas glórias. Poderiam acusar de que este CD - Ama Romanta : 1986-1990 : uma História Divergente - também poderia estar neste grupo das velhas glórias para nostálgicos mas ouvir Sei Miguel ou Mão Morta passados 30 anos garanto-vos que ainda não entraram no registo datado nem as suas produções mais recentes ao contrário de tudo mais que se produz no pop/rock português ou o que é divulgado pelo Blitz. De resto a entrevista a João Peste é suficientemente demolidora face à situação...
Futuro da revista? Só a coluna do Dr. Bakali que mesmo nos tempos do formato jornal divulgava tanto fanzines de BD como alta-tecnologia. Hoje continua ser a única voz na revista com um pingo de sanidade, inteligência, cosmopolitismo e contemporaneidade, tarefa nada fácil nos tempos do pós-modernismo e nostalgia pechisbeque.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

João Lisboa : "Provas de Contacto" (Assírio & Alvim; 1998)

 Passo a vida a queixar-me que há poucos livros portugueses sobre música e no entanto é como as Bruxas, não acredito nelas, mas que existem, existem! Descobri recentemente este aglomerado de entrevistas a cromos como Leonard Cohen, Tom Waits (maravilhosos conversadores!), John Cale, David Bowie (sempre espertinho), David Byrne, Laurie Anderson, Robert Wyatt e a princesa (na altura, hoje Raínha) islandesa Björk. Escreve Lisboa que a gaja dos Sonic 'tava armada em parva ou em punk (porque sempre foi, punk! Nada parva!!!) e não tava numa de lhe responder (imagino ela a topar o ar de beto de Lisboa, crítico do Expresso) mas está boa a entrevista. Rende! Lisboa faz boas perguntas, os textos estão bem encaminhados - não segue uma cronologia mas temas que se vão desenvolvendo ao longo das diferentes personalidades. É um testemunho de uma era que já lá foi, passam-se boas horas de nostalgia e há poucas descobertas para quem tenha andado por ali nos anos 80 e 90, sobretudo na faceta mais burguesa, como é óbvio Lisboa nunca irá perceber Ministry, por exemplo. Sonic Youth já é um pau barulhento para ele e o público do semanário dos cotas - o Expresso era dos cotas na altura e ainda o é, claro. 
Sem comentários em relação à capa mais chata do mundo!! Sempre ouvi falar na ignorância gráfica de quem escreve sobre música, e Lisboa não deverá ter culpa das escolhas da editora mas isto é quase tão grave como a do Baton!

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

PMP (Pior Música Portuguesa)

Porque o Barbosa morreu, perdi a vergonha,
Porque isto nunca acontecerá,
Porque o Gato Mariano é Fake News,
Porque a Música Portuguesa precisa de melhorar-se a si própria,
eis os piores momentos da "Música Moderna Portuguesa" para não cometermos os mesmos erros de A.C.  (Antes do Covid).


1 - KHS / Why / Elo 4 / Peace Maker (Ed. SPA; 1987) 
EP 7" que nem no discogs alguém o meteu à venda nem se encontra a capa na 'net. Também não serei eu a faze-lo. Uma mediocridade tal que mostra a outra face da SPA para além de fechar bares e alimentar músicos medíocres, isto é: não serve para nada.

2- Blind Zero 
Azeite do Norte, do principio até ao fim, estes "parolo geme" (sim foram amplamente gozados no livro de BD Loverboy, o rebelde) são o Antes e Depois da MMP. O Antes: criatividade, espontaneidade, amadorismo. O Depois: copycat, bullshit, money. Apesar do investimento enormes, o plano deu errado, mendigaram uma internacionalização pela pequena espanhola Subterfuge (cá em Portugal era tudo à grande!) e por fim o vocalista até teve de cantar em português numa faixa de Mão Morta.

3- Paus
O que dizer de uma banda quando ela assume-se logo como um Lado B dos Battles? Mas sendo os seus elementos uns betos do sistema, foram abençoados pelo jornal que na redacção até a máquina de café serve merda...

4- Dead Combo : Live At Teatro São Luiz (Blitz; 2014) 
Que Dead Combo faça música placebo é lá com eles, mas ao menos que não abram a boca, por favor! As intervenções com o seu histérico público neste disco mostram que não são apenas burgessos mas também burgueses opressores da classe operária.

5- Vários cantautores católicos da Amor Fúria
Quem?

6- Vários cantautores protestantes da Flor Caveira
Geralmente com nomes rabetas bíblicos...

7- Buraka Som Sistema (depois do primeiro EP)
Assimilados! Ou citando o Farinha Master: "cheirar o cu, cheirar o cu ao Capital"

8- Throes & The Shine
Boa ideia. Preguiça máxima. Mereceram ser roubados pelos Black Taiga!

9- Fast Eddie Nelson
Ah!?

10- Moonspell 
Azeite do Sul. Ao contrário dos Blind Zero - mas nota-se que só no Norte é que se trabalha! - vingaram pelo mundo inteiro numa editora indie de Metal, comendo batatas numa carrinha friorenta. 10 mil fãs não podem estar errados tal como 1000 lemingues a suicidarem-se...

11- Jibóia : Badlav (Lovers & Lollypops, Shit Music For Shit People; 2014)
Jibóia tinha piada no primeiro disco. Jibóia encontrou uma baleia com o estômago cheio de plástico. Jibóia gravou com essa baleia.

12- Lulu Blind (tudo)
A prova viva que Tó Trips seria capaz de vender a sua mãe por 15 minutos de fama...

13- Simbiose
Chato desde sempre, a evitar sobretudo em concertos...

14- Black Bombaim & Peter Brötzmann (Lovers & Lollypops, Shhhpuma; 2016)
O disco mais idiota de sempre mas a revista inglesa The Wire disse bem...

15- Besta
Falhados!

16- A Besta
idem

17- Rita Braga
É a gaja mais persistente na música portuguesa que até Slavoj Žižek a cita conceptualmente: and so on, and so on, and so on...

18- Live Low
Melhor que Resistência, pior que Madredeus. No Porto pronuncia-se "bibeló"

19- Legendary Tiger Man
Legendários eram os Tédios Boys, ou pelo menos, tinham o melhor cu masculino de Coimbra - uma jornalista dixit - e que era o do Tony Fortuna, já agora. 

20- David Fonseca
Azeite do centro, instigador de Nostalgia barata como o vendido do Markl (é assim que se escreve?). Tentou sacar fama com a morte de David Bowie para ficar grande mas nem toda a gente é parva, embora:

21- Discos Príncipe (tudo!)
Não dá para perceber o sucesso, ou talvez dê, os países ex-colonistas perceberam que era mais fácil deixar as colónias serem independentes e manter relações comerciais desvantajosas para as colónias sem recursos...

22- Assacínicos
Inauguraram uma sub-label da Rastilho, a Metamorfose, dedicada a "sons diferentes". Numa revista de música pediram para não ser eu a fazer a resenha crítica do disco homónimo de 2004, o que foi ainda pior nas mãos do outro crítico.

23- Poppers
O melhor que fizeram foi fechar a Metamorfose...

24- Crise Total : Autista
Banda punk que mais gravou o mesmo tema, ou outros por eles fazendo justiça ao título...

25- Putas Bêbadas : Jovem Excelso Happy (Cafetra; 2013)
Alguém fará uma tese de mestrado sobre este disco mas ninguém irá lê-lo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

C.C.M.

v/a: "Porn to Rock : a collection of songs performed by stars of adult movies" (Normal; 1999)

Colectânea em vinil de músicas por actores de filmes pornográficos no que também tocam sem ser só nos genitais! Tão heterogênea como a pornografia, há aqui de tudo: Hetero Rock, Homo Punk, Bi Jazz, Inter Funk, Trans Techno, Afro HipHop, Oriental Calypso... Claro, o que à partida estariamos mais espera de músicas Techno xunga tal como abre o disco com Saboteur e Chloe Nichole que se vêem cheios de Acid e mil samples de filmes porno de Nichole e tendo como letra frases como «fuck me harder». E embora essa tendência se encontre mais prá frente com o Techno Gay de David Burrill e House Transsexual de Geoffrey Karen Dior com Stacey Q, o resto do álbum será variado e não muito doloroso de se ouvir, chegando até a ter faixas bem catitas.
Lado A, segunda tema fica a cargo de Vinnie Spit com a sua mulher Dominatrix Mistress Jacqueline e o tema Asshole man, uma divertida música Swing (hohohohohoho) deste senhor do porno S/M que toca 30 instrumentos (não dá para ler ou escrever isto sem pensar noutras coisas, não é?). Depois é Madison com um estranho tema psicadélico-étnico-Pop - será isto New Age Porn? Nada mau, diga-se! Marshall O Boy (um tipo com ligações ao David Bowie) e Johnny Toxic fecham respectivamente com Punk Pop e Punk Funk bem porreiros.
Lado B, Nina Whett (que belo nome!) vomita Drink beer and fuck, obviamente Fuck'n'Roll duvidoso - duvidoso é a tónica de todas as faixas do disco. Seja pelo HipHop de festa de Midori (uma actriz negra que aparece a fumar um grande charuto no interior da embalagem do disco) ou Jazzito da treta de Candye Kane com letras Pimba, digna de comparação de um certo "Mestre de CUlinária". A mais velha e uma verdadeira porn-star, é Ginger Lynn Allen, com um tema de 1985 no pior Rock FM/Air Metal/L.A. Rock, só o título diz tudo: Fantasy world. Nove anos depois Hyapatia Lee não aprende nada, repete a mesma xaropada mas com intenções mais politizadas, defendendo o prazer e fecha o disco mas antes ainda temos a Suzi Suzuki (Prémio Nome Mais Original para Artista de Qualquer Modalidade) canta o alegre Calypso Shower - não deveria ela querer antes cantar Golden Shower?
Porn to Rock é editado pela Normal, editora que pode ser associada a outras editoras alemãs como a Reportoire e a Trikont, que são peritas em (re)edições de material musical exótico - exótico significa tudo o que foge à "normalidade" do mundo Pop Imperialista. Só não se percebe porque raios a Tracy Lords não apareceu neste disco...

PS - gracias a lo señor Fom-Fom por este precioso regalo!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Senior Metal

Felizmente com a normalização em curso da sociedade, as tribos urbanas estão a desaparecer. Felizmente a raça metaleira irá ser extinguida por serem os mais meninos delas todas. Felizmente comecei a colaborar com a revista Loud! em Janeiro deste ano e até já publicaram uma resenha escrita minha sobre o novo disco do DJ Balli mas... Infelizmente, entretanto, nada mais sei se continuo na redacção, não me respondem aos emails, os anormais.

A sério, o Metal é a terceira idade! No pior sentido do envelhecimento, ou seja, rabugice, hábitos inalterados, lentidão, nostalgia, incapacidade física, paternalismo e imposição da vontade por mais irracional que possa ser. Deveriam abrir novos Centros de Dia só para esta malta - bem que armaram-se em engraçadinhos o ano passado em Vagos, mal sabiam eles que estavam era antes a revelar a sua verdadeira face.

Em defesa da revista, não deixa de ser admirável que ela pura e simplesmente exista. O/a Blitz foi à vida no ano passado - adeus! Ninguém sentia a sua falta desde 2001 anyway! Porque que é que a Loud existe? Simples, o público metaleiro é fetichista e ainda compra discos, CDs ou vinilo, em pleno deleite de coleccionista completista, sem critério ou gosto. É o humano mais amigo do Capitalismo a seguir ao "normie", sem ele saber, apesar da sua dita oposição ao Sistema. Com um público fiel, o Metal ainda existe apesar da sua forma artística estar morta desde 2001 - só para coincidir com o Blitz!

A Loud! tem tudo como qualquer outro "template" de revista de música Pop/Rock: agenda, bisbilhotam o que uma banda está a gravar em estúdio, Top do ano, mixtape de um músico, músicos a adivinharem as bandas que lhes dão à escuta, entrevistas, resenhas, etc... SE novamente SE for no universo da "música pesada". Isto é fantástico! Vendo a desmaterialização da cultura por todo a parte, a revista acaba por ter pertinência num quiosque - versus a miséria editorial feita por grandes grupos económicos como a merdosa A Nossa Prima e quejandos.  Não há nenhuma revista assim em Portugal, é aliás a única de música e talvez a única de crítica que se possa acreditar da sinceridade dos seus escritores - ao contrário do bordel assumido das fracas figuras (mas cheias de ego) do Público e afins.

Não expectável e que topei neste número em que participei, é a quantidade de pontuações baixas aos discos. Não deveria ser assim, ou pelos menos tradicionalmente nos fanzines de Metal não acontecia isto, afinal quando se faz parte de uma cena é típico dar pontuações altas, raramente negativas, aos "irmãos" que te dão música e carne para canhão. O que aconteceu? Apanhei um mês mau de edições? Ou existe uma corrosão nas almas dos críticos que estão fartos do excesso?

Alguém consegue dizer quantos discos de Black Metal são editados por mês? E de Death? E de outro subgénero? Resposta: centenas! Isto sem mexer um milímetro do padrão criado entre os anos 70 e 90 do século passado. Tocam algo de relevante e que alguém se lembre um disco depois? Não! Daí que a Nostalgia pelos "anos dourados" do Thrash (Slayer), Death (Morbid Angel), Black (Venom) e Grind (Carcass) sejam sempre o ângulo de observação por todos os metaleiros. Nada bate aquele disco de Sepultura ou Candlemass. Nem no Rock tradicional há esta sensação de desamparo e orfandade, mesmo depois dos Beatles, Doors ou David Bowie terem ido desta para melhor.

Os Metaleiros são velhinhos xexés perdidos neste mundo do Caos da Aldeia Global. Tentam clarificar o espírito fazendo "checklists" de quantas vezes viram Godflesh (ao menos que seja Godflesh, foda-se) a tocarem ao vivo aquele álbum específico, quantas edições em cores diferentes têm de um disco de Black Sabbath, etc... É o consumidor mais passivo de sempre, o verdadeiro burguês agarrado ao "vil metal". Não percebo muito bem porquê ou como se deu esta deformação, afinal os metaleiros e as metaleiras dos anos 90 ou eram uns anjinhos lindos ou eram uns brutamontes bêbados mas não pareciam ser materialistas. Se calhar pensei assim, romantismo meu destas criaturas na altura. Uma fantasia que acabou e agora vejo-os como hipopótamos, não só por serem o público mais gordo em qualquer concerto mas sobretudo por serem conformistas.

Talvez tenha sido o Goth e o Black nos anos 90 que estragaram o Metal, trazendo a velhacaria da Extrema Direita e da má literatura. Ou a explicação mais simples é que o Rock e o Metal já têm 70 e 51 anos, respectivamente. É difícil ter uma cabeça aberta com estas idades, sejam de forma individual seja de forma colectiva. É natural, como os ranchos folclóricos, que o metaleiros e o Metal cristalizaram em tradicionalismos. Ficam pasmados por verem os putos irem ouvir Electrónica ou Hip Hop. Claro que sim! Melhor pegar num Software do que em riffs de dinossauros!!

Mas também não são assim os gajos do Jazz? Coleccionadores anais de discos. Tal como Jazz nos anos 60 quando era popular, o Metal deveria ser um ponto de libertação da classe operária. Os metaleiros como bem se sabe, são os que conduzem os nossos metros e taxis, são eles que fazem o design dos panfletos do Continente, são eles que trazem os discos e dildos que comprastes na puta da Amazon, são eles que carregam as tubagens dos sanitários, são elas que cuidam dos nossos bebés nos jardins de infância, caramba! No entanto... nada disso, só existe Morte e Demência.

Metaleiros do Mundo, zuni-vos e erguei-vos contra a alienação consumista! Só há uns Morbid Angel! Ou uns Mayhem! Não é preciso mais e mais e mais, sei que por cada metaleiro que comprar um CD será menos um “normal” a comprar um CD de Beyoncé ou dos Cure mas lutar fogo com fogo, meus amigos, nunca deu grandes resultados. Que tal, antes um encontro de todos vós, a bloquear as entradas de um Shopping num Sábado? De garrafão e/ou litrosa na mão, com picos nos braços e piaçabas em riste à entrada da H&M? Que tal oferecer os vossos milhares de discos de milhares de bandas sucedâneas que apodrecem nas vossas mediotecas a putos à porta da escola? Eles não conhecem Death mas podem ouvir uns outros quaisquer. É preciso é começar por algum lado… E se só um puto for convertido ao Doom, o sacrifício de ter oferecido todo o vosso lixo já terá valido a pena!!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Infecção Urinária da Finlândia (VI)


E com este texto fecho os relatos sobre as minhas aventuras sonoras nórdicas durante a minha estadia na Finlândia. Na última semana ainda consegui ir a Turku e comprei um CD-R enganoso. Intitulado Avarrus Suomesa (trad.: Finlândia espacial?) de 2006 (?) é um “set” de dois DJs, Prof. Roland Fender e Prof. Megatron Holaris (ligados à bd? Adquiri numa loja de bd) que misturam músicas Pop sobre o espaço cósmico numa pespectica descendente de 2020 a 1959 seja lá como isso é possível. Pensava que era um disco do colectivo experimental Avarus, que fez a banda sonora da exposição Glömp X patente na Bedeteca de Lisboa em 2009 mas não, é uma “mix-tape” de kitsch em que o único nome conhecido é Jimi Tenor com um “tango espacial”. No fundo, isto só tem piada pelas letras que nos transportam para uma era perdida e inocente (o passado é sempre considerado inocente mesmo que tenha sido bárbaro!) em que se ainda sonhava com a conquista do Espaço. Não percebendo patavina da lingua “suomi” é mais fácil imaginar este objecto deslocando-o para uma versão portuguesa em que teriamos misturadas fatais de um tema de 10.000 anos depois entre Vénus e Marte de José Cid com a Amália a cantar o Sr. Extraterrestre seguido de Planet Lakroon dos Pop Dell’Arte, as Doce com Starlight, os Space Boys, Stealing Orchestra, etc…Talvez esta tenha sido a minha pior despedida cultural de sempre!

“Pop Will Eat Itself” é capaz de ser o melhor nome e manifesto para música urbana pela forma canibalesca e autofágica como vemos as fórmulas repetirem-se até à exaustão, com uma indústria fonográfica a gastar mais dinheiro em promover lixo do que a incentivar à criação – aliás, como seria possível de outra forma? A música é um negócio capitalista, e o Capitalismo é o Rei do Trash! Talvez pelo avanço na minha idade vou tendo menos paciência para a Pop e o Rock e infelizmente também para os outros géneros que se foram cristalizando como o Punk, Hardcore, Metal, Hip-Hop, etc… Ouvir estas formas de criação que insistem em serem eternamente jovens quando a maior parte delas já têm pelo menos 30 anos de História provocam-me vómitos e enjóos fáceis. Talvez por isso prefiro ouvir Noise, música árabe ou Africana do que a última sensação Pop sueca anunciada pelo Imbecílon… Ops! Caí na esparrela agora! Porque ando louco a ouvir Melanie Is Demented e os seus últimos dois álbuns online Melanie är Demented e MXLXNXXXSDXMXNTXD, ambos editados este ano pela sua label Wormfood. Mas como é uma coisa DIY, a imprensa oficial não vai ligar patavina, estou livre de culpa!

MID é uma “one-band man” que tem vivido em instituições psiquiátricas a gravar estes maravilhosos discos, é sueco e não finlandês mas serve para fechar este ciclo de artigos. Conheci-o em Estocolmo em 2008 durante o SPX (festival de bd alternativa) nas condições descritas nesta bd mantendo um contacto permanente com este jovem perturbado mas com uma sensibilidade Pop/Rock apurada. É aquele tipo de gajo que consegue sacar o famoso e obrigatório “orelhudo” em todos os seus temas mesmo quando canta em sueco, completando a famosa equação do “indie” Pop/ Rock para ser viciante - sem deixar de ser "inteligente".

Para mim é uma espécie de Frank Zappa pelas ideias de fusão e ruptura (não a forma superficial) em versão “bedroom punk”. Há partes da voz que lembra David Bowie, outras Butthole Surfers, onde aliás, instrumentalmente acaba por haver alguma ligação com a banda texana que na sua última fase investiram num Rock Electrónico não muito longe do que MID faz: loops, samples, ritmos Hip-Hop ou Drum'n'Bass com guitarradas balizadas entre o Blues e Rock. Enquanto os Butthole desapareceram sem glória, MID tem todo o sangue na guelra e sente-se a poderosa evolução de registo em registo. As letras tratam de assuntos endérmicos de quem escolheu o Rock como expressão criativa, passando por uma forte crítica ao negócio fonográfico e as suas bandas atrasadas-mentais, ao fascismo dos Sociais Democratas, à Globalização, aos abusos da polícia e à apatia social. MID escreve numa componente autobiográfica e irónica que é contudente e longe da futilidade do “teenage love” ou “teenage angst” como 99% da música que se ouve. Quando ele dedica um tema ao Batman não é para se armar em Gótico da pacotilha mas para criticar o alter-ego da personagem, Bruce Wayne, que é um filho-da-puta de um beto rico. Quando canta um tema sobre pastilhas elásticas não é para celebrar o gozo de mastigar este produto pueril mas para lembrar que ele é feito de dinheiro sujo de países explorados do terceiro mundo.

O estranho é como ele o faz de forma armadilhada onde podemos encontrar em doses idênticas de militância, energia, crítica, astúcia, empatia, desordem, desobediência e humanismo. Características de um verdadeiro artista. MID é um “filho de uma colisão cultural” (roubo descaradamente a expressão ao meu tema favorito dos Urban Dance Squad!), que obviamente tanto se passa a ouvir Stoner Rock como Gangsta. Um híbrido da civilização Ocidental que não se alinha no conforto zombie da boa integração social, especialmente o da sueca que pretende que os seus cidadãos sejam humildes e que escondam qualquer forma de exibicionismo. Ora isto é uma missão impossível para este tipo, ainda o ano passado enviou-me uma foto dele a mostrar a pila em frente ao monumento (não menos fálico) do centro de Estocolmo. Havia um contexto, ainda assim, que era a comemoração dos 10 anos da MMMNNNRRRG e o lançamento do livro Pénis Assassino do Janus mas ainda assim eu não precisava de ver os seus genitais… Freud explica!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O Belo e a Monstra



Eno : Taking Tiger Mountain (by strategy) (EG / Virgin; 1991?)
Jarboe : Anhedoniac (Atavistic; 2004)

O primeiro é um disco de Brian Eno, o homem que fez de tudo: parecia um mau cosplay nos tempos Glam, fez templates para o Glam, Pop, Punk, Goth, Electrónica, Ambient e até falsa música do mundo, é o gajo que vendeu os U2 ao mundo (eis qualquer coisa de horrível num currículo invejável para além do mau cosplay dos anos 70), enfim, e com aquele ar sério de larilas aristocrático britânico que tem agora ainda é artista visual e multimedia. Este é o seu segundo disco a solo, de 1974, que mostra que sempre foi um génio da música Pop e que não precisamos de ouvir as rabetices tipo "Ariel Pink não-sei-o-quê" quando em 2013 este disco continua actual e cristalino. É Pop com laivos negros e surrealistas que ainda hoje suscita discusões sobre o que as letras significam ou se o que ouvimos é mesmo aquilo - ao que parece Eno nunca quis as letras escritas em papel. O tema Third Uncle aparece aqui, mais tarde versionado pelos Bauhaus, e ao que parece é uma inspiração enorme para o Punk que viria. Difícil de bater este disco, não admira que o David Bowie andou a namorá-lo para fazer discos em conjunto...
O disco de Jarboe é de 1998 e reeditado em 2004 com fotografias de Jarboe em pose erótica gótica-fetichista - cortesia do erotic-master Richard Kern. Creio que é quarto álbum a solo desta cantora e o primeiro após o fim dos Swans. Já agora ela vêm em Novembro à ZDB meter-nos medo! Se ela continuar a fazer coisas como faz neste disco, haverá muita gente a sentir-se mal no cubículo da ZDB mesmo que ela mostre as mamas em palco - o que eu duvido que aconteça. Neste disco como moino-mutante nova-iorquina que é, os temas directos e ambientes escatológicos vão mudando de peça a peça, por isso Jarboe vai despejando lenga-lengas para adultos, impropérios animalescos, melodias para amansar bestas e até gospels para serem cantados em casinos sempre com ambientes sonoros próximos do que foi feito em Swans, ou seja Drones para bater com a cabeça na parede ou para justamente para deitá-la no sofá a pensar num doce suicídio. Tal como na fotografia vemos uma desafiadora mulher-animal enjaulada a olhar para nós (ai de ti se fizeres um gesto em falso!) é isto que também o que ouvimos na rodela. O Kern sabe o que fotografa!

domingo, 18 de julho de 2010

Single cover up (your ass)


Nat "King" Cole : Cole Español (Capitol / Valetim de Carvalho; 1958?)
Café Créme : Unlimited Citations (Pathé / Valetim de Carvalho; 1977)

A música Pop sempre foi muito plástica... e isto é uma forma simpática para não dizer que a música é uma grande puta. E estes dois singles provam isso. Por um lado o Rei do Jazz Cole versiona quatro temas para castelhano, numa óbvia tentiva de conquistar mercados não-anglofonos - e ao que parece a manobra rendeu-lhe popularidade. As orquestrações são "latin-flavour" e o senhor canta fonéticamente provavelmente sem saber o que está a dizer. O acento "bife" de quem não domina a língua sobre o tom galã torna a coisa idiota e divertida q.b. Mais tarde nos anos setenta aconselho ouvirem também os ABBA em castelhano (La Reina Dansante) ou o David Bowie em italiano (o Space Oddity transforma-se em Ragazzo Solo, Ragazza Sola acreditem ou não!). Pero lo peor, tio!, es escuchar los Beattles en sonido Disco por un grupo de canadenses (o holandeses, no ay entendido en la Internet) que hacen um meddley de 10 minutos de puta madre. Coño! Café Creme hay sido un grupito de estudio solo para hacer diñero dos Fab Four (ler com sotaque espanhol qualquer estrangeirismo, sff) y de la fiebre Disco en los años 70. Conseguen la proeza de juntar las letras de los de Manchester en situaciones tan obvias como acabar Come Back para cambiar a Back to USSR. Que cabrones! Pero divertido, claro! En los creditos la grabadora se llama Bimbo... muy bien!

PS - as capas são sacadas algures da 'net - via google image - e são de edições de outras nacionalidades...
PPS - comprei estas coisas em Fevereiro do ano passado no Porto... mas só agora reparei na capa do Cole que parece uma montagem fotográfica. No disco falam na gravação em Havana mas os "indígenas" parecem da Bolívia, Peru ou algo assim, não?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Invisual 27.2 || RÁDIO ZERO

Esta Quarta, às 20h vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a 27ª emissão da "segunda temporada" do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
Produzido por Marcos Farrajota, neste programa ouviremos as habituais pérolas e novidades ligadas à bd e à música. O ciclo de músicas dedicadas ao sub-anormal do Super-Homem desta vez é satisfeito com The Supermen do David Bowie, tema originalmente editado no álbum The Man that sold the world (Mercury; 1970) mas nesta emissão temos a versão ao vivo do semi-bootleg Santa Monica'72.
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É repetido no Sábado. Playlist: Shinehead, James Kochalka Super Star, Mécanosphère, Lobster, Weedeater, Sgure, DJ Krush, Raxinasky, Ezofaj, General Patton & X-ecutioners e Radikal Satan. Podcast aqui depois da emissão.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Invisual #10 || RADIO ZERO

Sexta-Feira, às 20h: vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a décima emissão do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música.
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Produzido por Rui Tomás e Marcos Farrajota, nesta décima edição sem a participação de Farrajota, começa com um robusto adeus à época natalícia da parte de Mr.Garrison, do elenco de South Park. Falamos de Southland Tales, uma história de Richard Kelly dividida em duas partes. A primeira em bd e a segunda no cinema. Apresentamos o distinto Chester Brown e cantamos os parabéns ao genial Dave McKean. Música a cargo de Pixies, David Bowie e Cocteau Twins.
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É repetido à Segunda-Feira pelas 11h30.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

DEA report on "Troca de Discos com unDJ GoldenShower || ESPAÇO"

Ontem, lá foi mais uma sessão de Troca de Discos no Espaço... Correu bem, misturas bem sucedidas apesar do equipamento continuar a ser uma manhosice. Apareceram menos pessoas - embora já haja habituées - o que quer dizer a dada altura os discos começaram a escassear.
Passei discos de Residents, Merzbow com World Music do piorio, B-52's, Keilerkopf, Flugschädel, Tore H. Boe & Anla Courtis, Eminem, Die Haut, Acid da semana, Ltd Noise, Carnival in Coal, Hugo Montenegro, Nigga Poison (um sucesso!), Sun Dial, de EBM xungão, a colectânea Drum'n'Ass misturada com End, Electro, o Acid Jazz chato de Courtney Pine com o Noise de DSM666... Uma miscelânea que resulta de forma inesperada.
O disco dos The Advantage voltou à base - que tinha trocado na outra sessão pelos Therapy? - e troquei, em absoluto desesperado de não ter mais discos, muitos discos de Chill Out (um nodjo New Age o Woob2 "4495" (em:t; 1995) ou um disco de remisturas Trance dos Pink Floyd) e de Metal - o título da colectânea Metal Ostentation I (Sound Riot; 2000) revela bem o desespero... «Ostentation»? «Ostentation»? Não pode ser... - de Celestial Season (Soft Doom à My Dying Bride) e Edge of Sanity (Death). Tirando o "Poison pen" (Música Alternativa; 2002) dos norte-americanos The Nerve Meter, que me impingiram como Rock Gótico, que na realidade está no cruzamento Nick Cave, Tom Waits, David Bowie e Tindersticks, foi um belo monte de banhadas que apanhei nesta sessão. Muito obrigado, sr. Gama! ;)
Até dia 2 de Novembro...