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sábado, 25 de julho de 2026

Corrupção moral da velhice ou Contra a Imprensa Escrita (rapinando Svenonius) ou Eu só quero é bazar de férias!

 Faz 50 anos que o Punk nasceu oficialmente e se por um lado não se espera festejos académicos da oportunista do Norte nem bibliografia nova portuguesa*, por outro deverá aparecer uma avalanche de publicações estrangeiras sobre o assunto, como este número especial da Les Inrockuptibles.

Já se sabe que a imprensa escrita está pela rua da amargura mas que fazer quando ela assume-se como um media velho para pessoas velhas? Quando coisas inúteis como o Blitz que só serve de "clickbait" para o Expresso** ou a Mojo continuaram a ser o gabinetes de curiosidades da cultura passada pouco irá interessar a novos leitores. O espectáculo das publicações que se vê em quiosques ou "press-centers" é inacreditavelmente deprimente, só se vê o passado e a nostalgia, e nem me refiro apenas a revistas sobre música, até porque pouco mais sobreviveu que a Super Interessante ou a National Geographic, ambas voltadas para a ciência e História.

Presente ou futuro só na The Wire e n'A Batalha, sendo esta incapacidade da imprensa de relatar o presente e os miúdos que fazem coisas AGORA é o seu auto-túmulo. Claro que sabia ao que ia quando comprei esta revista francesa e apetecia-me um "guilty-pleasure", uma leveza para as férias, sabia que viriam os habituais artigos sobre os Sex Pistols, Ramones e afins. Que ainda não li. Se calhar estão bem escritos e documentados - e já apanhei algums fotos divertidas de cus britânicos da loja Sex. Espero pela praia cheio de bifes bêbados para pegar nisto com mais calminha, o que fico admirado (ou nem por isso) é mais por não haver referências à continuação do Punk, os outros monstros míticos que daí virão - Crass, Napalm Death, Fugazi, Nirvana, God is my Co-Pilot, Bikini Kill - ou sobre as bandas underground que ainda por cima há milhares em França. De resto, nada de novo no horizonte, já Albini tinha se queixado disto, e já agora, também eu... Quando a revista pega no presente nada convence. A política fica de fora. O DIY também. Resta e fica exposto o fundo de catálogo das empresas fonográficas multinacionais. 


* a Chili Com Carne vai reeditar o Corta-E-Cola / Punk Comix como já tinha sido anunciado - só que uma das novas capas vai ser do Nunsky (rapinada à sua BD "Inadaptados" publicado no MdC #4) substituindo o João Silvestre.

** para quem não conhece, é um jornal de "extremo-centro", cujos colunistas são capazes de escrever merdas do tipo "pá, sou a favor dos LGBTs mas também não precisam de exagerar" ou "não sou contra a greve mas é preciso não prejudicar os outros" ou ainda, pérola incrível de um destes betos ecunémicos (devia ter guardado o recorte!), que era anacrónico representar os patrões como aquelas caricaturas de gordos com chapéus altos e charuto na mão dos inícios do século passado, porque é possível ser amigo do chefe, neste caso, do falecido Balsemão. Iá, meu! Eu também tive a sorte de travar amizades com os meus "bosses", e sim é possível ser amigo do chefe em ambientes de redação de jornais ou escritórios de centros culturais mas agora tenta ser operário ou trabalhar no inferno dos centros de logística e ser amigo do chefe de departamento, meu tarado de merda! O "Espesso" é o exemplo perfeito como as "elites" não vivem a realidade do povo mas é de admirar que os cronistas do semanário, no máximo diria, tem uma boa casa em Lisboa, um monte alentejano / casa no ALLgarve / apartamento em Troia (riscar o que não interessa), um ou dois carros de qualidade, um relógio de marca ou uma colecção de relógios caros (riscar o que não interessa), os putos estão no colégio francês / inglês / alemão (riscar o que não interessa), ou seja, nem tem assim tanta pasta para serem tão insensíveis... que se passa maninhos, ser extremo-centro é um caminho árduo na escalada social?

quarta-feira, 29 de abril de 2026

A Chili Com Carne e Thisco lançaram isto em Abril...


 O Mesinha 'tá lá metido! Porquê? Porque entre 1993 e 1994 vendíamos lá o zine!

Entretanto o livro está "on fire" (é melhor comprar aqui antes que esgote!) como se pode ver por estes comentários no "Blitz":


LOLADA!

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Na cama com...




Bem sei que nada já escrevo pelos blogues que participo. No da Chili, sobre zines, livros e discos independentes, quase tudo das resenhas escritas vão para o papel d'A Batalha. Por aqui, do mundo Pop da música tem sido complicado por vários motivos, mais pessoais e profissionais do que o outro que vos apresento mas que é também bastante válido. Tenho arranjado dezenas de CDs numa orgia sonora em que pouco tempo tenho para fazer resenha de tudo. Os CDs estão para morrer, estão baratos como o raio, seja na Neat Records ou no discogs, amigos oferecem colecções e tropeçamos por eles na feira da ladra e afins. Na colecção ficam guilty-pleasures (Censurados, Faith No More, Ministry, Nearly God ou Morbid Angel) que não me apetece escrever sobre eles, não parece que queira falar das desilusões de ouvir discos de Elvis Costelo ou os Living Colour ou ainda perder tempo com discos de Noise e Harsh Noise.

No entanto este The Whitey Album (1989) dos Ciccione Youth fez-me mexer o rabo para aqui. Sobre o disco em si ele está mais do que bem documentado, os Sonic Youth juntam-se a Mike Watt (dos Minutemen) e J Macis (Dinossaur Jr.) para combater uma depressão de Watt. O álbum tem a aura de inconsequente em que vale tudo desde um exercício cageano de silêncio a batidas Hip Hop ou misturas Dub, sons encontrados, versões javardas de "hit-singles" de Robert Palmer e Madonna (em teoria tudo isto é uma homenagem à Diva Pop), experiências sónicas e até alguma erudição literária. Nada bate certo com nada, tudo é levado para direcções opostas da faixa anteriormente tocada / editada. Acho que no início de 2000 quando consegui emprestado o disco só devo ter gravado as versões de Palmer e da Madonna, claro - meu, que seca tudo o resto, devo ter dito! Recentemente fiquei com curiosidade em ouvir o disco todo outra vez com outra maturidade. Bem que poderia ter ido ao "youtubáro" (nem sabia que os SY tinham uma "banda_campa") mas tão barato que estava no discogs que nem um "skecht" dos Monty Python me condena. E na realidade tenho ouvido música no computador que soa tão má que não prescindo de ouvir numa aparelhagem um disco físico, mesmo que a aparelhagem não seja a melhor do mundo. A música precisa de espaço para nos envolver, ouvir no computador ou em fones é contraproducente, não faz sentido nenhum. Achei muito curioso o disco, sobretudo a quarta faixa, Platoon II que parece Dälek!! Entretanto arranjei o Gutter Tactics (Ipecac; 2009) que me disseram que era o último bom álbum deles, coincidindo com o hiato da banda pouco depois e regresso com outro elemento na maquinaria. Ou seja, neste disco ainda está cá o Oktopus. Sinceramente não sei o que dizer deste disco até porque mantem tudo o que sempre foi a banda: um Hip Hop ruidoso que cria um corpo monstruoso que nos envolve como uma canícula. Quem já os viu ao vivo, sabe do que falo, dessa sua massa sonora que sufoca os ouvidos ao ponto de passarmos para uma outra realidade. Não há muitas bandas assim...

PS - Ao fazer estas pesquisas bati neste "bootleg oficial" do concerto dos Sonic em Lisboa - caraças, faz 30 anos que estive lá! Vale 42 paus no discogs, se calhar eu se fosse a ti guardava esses CDs, pá!

PPS - Lembrança, na semana que os SY tocaram em Lisboa em 1993 é claro que houve pompa e circunstância no jornal Blitz dessa semana. Na entrevista, provavelmente o Thurston Moore explicava porque tinha convidado os Lulu Blind para fazerem a primeira parte no concerto, dizia que a banda soava a Hardcore finlandês. Sem 'net na altura, claro que tive de esperar 11 anos para saber o que isso significava mas sinceramente não vejo relação, até porque depois da fase sónica deles os Lulu chagaram a tocar Rap Metal ou mais tarde armaram-se em Smashing Pumpkins à tuga, no fim de contas, era para onde fosse a modinha da altura... Que banda triste!

domingo, 24 de abril de 2022

DEA report

 


João Paulo Cotrim, Marte e João Fazenda no lançamento do primeiro livro do Loverboy. Bedeteca de Lisboa. 

Segundo um recorte do jornal Blitz que encontrei o lançamento foi na noite de 26 de Março de 1998! 24 anos, boy!


Eis uma foto do público presente, uma sandes-mista do caraças: pais do João, amigos meus e dele ou comuns - Rafael Gouveia, Catarina Alfaro, Leonor Gomes, Pedro Baptista (dos grandes Damage Fan Club), Vânia Oliveira, Ricardo Blanco e o seu irmão, Miguel B., Luís, Rafael Dionísio e Ana D. -, gajos da BD que não interessam a ninguém, uma jornalista da TSF que me ficou com a demo-tape da banda do Geral (os Needs) para fazer a banda sonora da peça), Hugo-futuro-gajo-do-GAU, Ricardo Blanco, Isabel (companheira do João Paulo), Sandra Amaro (na altura namorada do Pedro Brito) e o Pitchu! E muita gente que não reconheço... Olhando para trás, lembro-me que foi algo electrizante, esta confusão de gente e de meios, realmente apontava para o facto que estávamos a fazer História. Não é armar ao cagão mas a verdade é que começamos todo um movimento de edições em livros, a preto e branco com temas contemporâneos - que no passado não existiram ou apenas com pequenas experiências (Arlindo Fagundes, José Carlos Fernandes) ou a BD com temas actuais estava fora do circuito do livro, existia nos jornais como o Relvas e o Diniz Conefrey, no Se7e e Blitz, respectivamente, ou ainda em experiências nas revistas Lx Comics e Quadrado. Aqui foi o arranque para muitos livros de novos artistas pelos finais dos 90 e século novo através da Polvo, Bedeteca de Lisboa, ASIBDP / Mundo Fantasma, Chili Com Carne, MMMNNNRRRG, Witloof, Círculo de Abuso, Nova Comix,... e mais tarde com a El Pep, Imprensa Canalha, Plana Press e Quarto de Jade.

Antes disso, em Portugal no que diz respeito a Romances gráficas só havia dois títulos / três livros que valiam a pena comprar sem passar vergonhas: O Diário de Jules Renard lido por Fred  e os dois volumes de Maus de Art Spiegelman.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

PMP (Pior Música Portuguesa)

Porque o Barbosa morreu, perdi a vergonha,
Porque isto nunca acontecerá,
Porque o Gato Mariano é Fake News,
Porque a Música Portuguesa precisa de melhorar-se a si própria,
eis os piores momentos da "Música Moderna Portuguesa" para não cometermos os mesmos erros de A.C.  (Antes do Covid).


1 - KHS / Why / Elo 4 / Peace Maker (Ed. SPA; 1987) 
EP 7" que nem no discogs alguém o meteu à venda nem se encontra a capa na 'net. Também não serei eu a faze-lo. Uma mediocridade tal que mostra a outra face da SPA para além de fechar bares e alimentar músicos medíocres, isto é: não serve para nada.

2- Blind Zero 
Azeite do Norte, do principio até ao fim, estes "parolo geme" (sim foram amplamente gozados no livro de BD Loverboy, o rebelde) são o Antes e Depois da MMP. O Antes: criatividade, espontaneidade, amadorismo. O Depois: copycat, bullshit, money. Apesar do investimento enormes, o plano deu errado, mendigaram uma internacionalização pela pequena espanhola Subterfuge (cá em Portugal era tudo à grande!) e por fim o vocalista até teve de cantar em português numa faixa de Mão Morta.

3- Paus
O que dizer de uma banda quando ela assume-se logo como um Lado B dos Battles? Mas sendo os seus elementos uns betos do sistema, foram abençoados pelo jornal que na redacção até a máquina de café serve merda...

4- Dead Combo : Live At Teatro São Luiz (Blitz; 2014) 
Que Dead Combo faça música placebo é lá com eles, mas ao menos que não abram a boca, por favor! As intervenções com o seu histérico público neste disco mostram que não são apenas burgessos mas também burgueses opressores da classe operária.

5- Vários cantautores católicos da Amor Fúria
Quem?

6- Vários cantautores protestantes da Flor Caveira
Geralmente com nomes rabetas bíblicos...

7- Buraka Som Sistema (depois do primeiro EP)
Assimilados! Ou citando o Farinha Master: "cheirar o cu, cheirar o cu ao Capital"

8- Throes & The Shine
Boa ideia. Preguiça máxima. Mereceram ser roubados pelos Black Taiga!

9- Fast Eddie Nelson
Ah!?

10- Moonspell 
Azeite do Sul. Ao contrário dos Blind Zero - mas nota-se que só no Norte é que se trabalha! - vingaram pelo mundo inteiro numa editora indie de Metal, comendo batatas numa carrinha friorenta. 10 mil fãs não podem estar errados tal como 1000 lemingues a suicidarem-se...

11- Jibóia : Badlav (Lovers & Lollypops, Shit Music For Shit People; 2014)
Jibóia tinha piada no primeiro disco. Jibóia encontrou uma baleia com o estômago cheio de plástico. Jibóia gravou com essa baleia.

12- Lulu Blind (tudo)
A prova viva que Tó Trips seria capaz de vender a sua mãe por 15 minutos de fama...

13- Simbiose
Chato desde sempre, a evitar sobretudo em concertos...

14- Black Bombaim & Peter Brötzmann (Lovers & Lollypops, Shhhpuma; 2016)
O disco mais idiota de sempre mas a revista inglesa The Wire disse bem...

15- Besta
Falhados!

16- A Besta
idem

17- Rita Braga
É a gaja mais persistente na música portuguesa que até Slavoj Žižek a cita conceptualmente: and so on, and so on, and so on...

18- Live Low
Melhor que Resistência, pior que Madredeus. No Porto pronuncia-se "bibeló"

19- Legendary Tiger Man
Legendários eram os Tédios Boys, ou pelo menos, tinham o melhor cu masculino de Coimbra - uma jornalista dixit - e que era o do Tony Fortuna, já agora. 

20- David Fonseca
Azeite do centro, instigador de Nostalgia barata como o vendido do Markl (é assim que se escreve?). Tentou sacar fama com a morte de David Bowie para ficar grande mas nem toda a gente é parva, embora:

21- Discos Príncipe (tudo!)
Não dá para perceber o sucesso, ou talvez dê, os países ex-colonistas perceberam que era mais fácil deixar as colónias serem independentes e manter relações comerciais desvantajosas para as colónias sem recursos...

22- Assacínicos
Inauguraram uma sub-label da Rastilho, a Metamorfose, dedicada a "sons diferentes". Numa revista de música pediram para não ser eu a fazer a resenha crítica do disco homónimo de 2004, o que foi ainda pior nas mãos do outro crítico.

23- Poppers
O melhor que fizeram foi fechar a Metamorfose...

24- Crise Total : Autista
Banda punk que mais gravou o mesmo tema, ou outros por eles fazendo justiça ao título...

25- Putas Bêbadas : Jovem Excelso Happy (Cafetra; 2013)
Alguém fará uma tese de mestrado sobre este disco mas ninguém irá lê-lo...

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Tim Burgess : Telling Stories (Viking / Penguin; 2012)

Enquanto toda a malta que é malta fala do Punk ou o Metal como o género de música que lhes bateu mais, para abrir o terceiro olho (já lá vamos) daqui deste lado devo dizer que foi a onda "Madchester" que me fez curtir música de forma séria pela primeira vez  na vida sendo eu na altura um consumidor ignorante de Top+ e o que ouvia num subúrbio de gente parva (Cascais). O punk acontece "alguns meses mais tarde" depois de curtir aquele Pop dançável e orelhudo da terra dos bifes - e depois foi tudo ao mesmo tempo: Industrial, Gótico, Metal, Hip Hop, Rave, Grind, Crust, yo! Por isso, quem me conhece mal, acha um bocado estranho eu ter uma anca de dança pelos Stones Roses e Happy Mondays invés de me babar por Napalm Death ou The Cure como qualquer outra pessoa interessante. Desculpem...

Cheguei aos Charlatans quando a Megastore da Valetim de Carvalho do Chiado abriu (?) e andou a oferecer com o jornal Blitz quatro vinis à escolha - podia-se escolher um dos quatro. Não sei como consegui um duplo dos sensíveis This Mortal Coil e outro LP de estreia destes ingleses - devo ter comprado dois exemplares do jornal? As outras opções acho que eram as Throwing Muses e Fields of Nephilim... alguém se lembra desta campanha incrível dos anos 90? 

Bom, o disco era fixe e ainda hoje o oiço com regularidade mas curiosamente nunca mais pensei neles, ou seja, ir ouvir outros discos porque até apareceu a 'net que permitia isso. Aliás, nem sabia que eles tinham mais uma dúzia de discos de originais e que foram várias vezes aos Tops 10 das vendas, uau! Caguei mesmo para o mundinho mainstream há muito tempo. Ouvindo esta semana os discos em linha, também percebi que não perdi nada. 

Encontrei este livro da Bivar, uma curiosidade para ler no Verão. Aquela leiturinha leve que se quer de vez em quando. No fim-de-semana passado fui para fora e apanhei um incêndio que me reteve duas horas no comboio. Quase li o livro todo mas estava a ver a coisa mal parada - literalmente. Logo o que o burgesso do Tim escreve no primeiro capítulo do livro é sobre o seu penteado e o seu estilo de vestuário. Foda-se! Depois são as suas memórias que achei piada ler por nostalgia pura e dura, nada mais, tudo é medíocre. Nada de excitante: sexo é zero - o Tim não passa de um "normie" -, drogas muitas e fiquei a saber que coca tomada analmente dá grande pedalada (e ele explica como se faz, o que obriga a duas pessoas na operação), e rock'n'roll... bóf, a banda é Pop, convenhamos, que nem se distingue dos Stone Roses se não fosse o orgão. 

Ah! Há a história do organista Rob Collins que se envolveu num assalto à mão armada é aqui explicada e desculpada, sei lá, no fim a conclusão que isto é só mais uma cambada de toinos que ainda pergunto como aparecem tantas referência aos Crass quando estes gajos são apenas mais uma grupeta de putos egoístas e inúteis. Putos? Bem... hahahaha, o  livro é de 2012 e já há fotos do Tim Burgesso mal-envelhecido a tocar bongos com ar de Hippie tardio e a fazer meditação transcendental, arrependido de ter sido um merdas na sua vida adulta toda. 

Fico a pensar como tive uma vida muito mais rica do que este Rock-Star. O livro vai voltar à Bivar, quem quiser se divertir um coche pela uva mijona. Não me arrependo de ter escolhido o Some Friendly (Dead Dead Good / Situation Two / Beggars Banquet; 1990) invés dos Nephilim...

PS - Entretanto, passei pela Neat Records e ficou por lá...

sábado, 30 de novembro de 2019

Tipo... não!


Pensava que os Type Non seriam daquelas bandas (projectos?) com centenas de discos e k7s obscuras, afinal de contas, até tem um disco editado em Portugal pela Simbiose. Pois, é o segundo disco / álbum / CD... e o último! 
O primeiro é este Phantasmagoria (SDV; 1991) e que dizer sobre isto? 
Não!
Caramba nem sobre os gajos dá para encontrar o quer que seja na 'net mas lembro-me de vários anúncios sobre o grupo no jornal Blitz. A História espezinha qualquer um, não? 
...
Há faixas que parece Residents, outras Dead Can Dance e de forma geral Thobbling Gristle porque tudo que é Electro e Industrial é TG até prova contrária... O segundo disco era ainda mais Dark do que este, e prontooooos, é isto...

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Senior Metal

Felizmente com a normalização em curso da sociedade, as tribos urbanas estão a desaparecer. Felizmente a raça metaleira irá ser extinguida por serem os mais meninos delas todas. Felizmente comecei a colaborar com a revista Loud! em Janeiro deste ano e até já publicaram uma resenha escrita minha sobre o novo disco do DJ Balli mas... Infelizmente, entretanto, nada mais sei se continuo na redacção, não me respondem aos emails, os anormais.

A sério, o Metal é a terceira idade! No pior sentido do envelhecimento, ou seja, rabugice, hábitos inalterados, lentidão, nostalgia, incapacidade física, paternalismo e imposição da vontade por mais irracional que possa ser. Deveriam abrir novos Centros de Dia só para esta malta - bem que armaram-se em engraçadinhos o ano passado em Vagos, mal sabiam eles que estavam era antes a revelar a sua verdadeira face.

Em defesa da revista, não deixa de ser admirável que ela pura e simplesmente exista. O/a Blitz foi à vida no ano passado - adeus! Ninguém sentia a sua falta desde 2001 anyway! Porque que é que a Loud existe? Simples, o público metaleiro é fetichista e ainda compra discos, CDs ou vinilo, em pleno deleite de coleccionista completista, sem critério ou gosto. É o humano mais amigo do Capitalismo a seguir ao "normie", sem ele saber, apesar da sua dita oposição ao Sistema. Com um público fiel, o Metal ainda existe apesar da sua forma artística estar morta desde 2001 - só para coincidir com o Blitz!

A Loud! tem tudo como qualquer outro "template" de revista de música Pop/Rock: agenda, bisbilhotam o que uma banda está a gravar em estúdio, Top do ano, mixtape de um músico, músicos a adivinharem as bandas que lhes dão à escuta, entrevistas, resenhas, etc... SE novamente SE for no universo da "música pesada". Isto é fantástico! Vendo a desmaterialização da cultura por todo a parte, a revista acaba por ter pertinência num quiosque - versus a miséria editorial feita por grandes grupos económicos como a merdosa A Nossa Prima e quejandos.  Não há nenhuma revista assim em Portugal, é aliás a única de música e talvez a única de crítica que se possa acreditar da sinceridade dos seus escritores - ao contrário do bordel assumido das fracas figuras (mas cheias de ego) do Público e afins.

Não expectável e que topei neste número em que participei, é a quantidade de pontuações baixas aos discos. Não deveria ser assim, ou pelos menos tradicionalmente nos fanzines de Metal não acontecia isto, afinal quando se faz parte de uma cena é típico dar pontuações altas, raramente negativas, aos "irmãos" que te dão música e carne para canhão. O que aconteceu? Apanhei um mês mau de edições? Ou existe uma corrosão nas almas dos críticos que estão fartos do excesso?

Alguém consegue dizer quantos discos de Black Metal são editados por mês? E de Death? E de outro subgénero? Resposta: centenas! Isto sem mexer um milímetro do padrão criado entre os anos 70 e 90 do século passado. Tocam algo de relevante e que alguém se lembre um disco depois? Não! Daí que a Nostalgia pelos "anos dourados" do Thrash (Slayer), Death (Morbid Angel), Black (Venom) e Grind (Carcass) sejam sempre o ângulo de observação por todos os metaleiros. Nada bate aquele disco de Sepultura ou Candlemass. Nem no Rock tradicional há esta sensação de desamparo e orfandade, mesmo depois dos Beatles, Doors ou David Bowie terem ido desta para melhor.

Os Metaleiros são velhinhos xexés perdidos neste mundo do Caos da Aldeia Global. Tentam clarificar o espírito fazendo "checklists" de quantas vezes viram Godflesh (ao menos que seja Godflesh, foda-se) a tocarem ao vivo aquele álbum específico, quantas edições em cores diferentes têm de um disco de Black Sabbath, etc... É o consumidor mais passivo de sempre, o verdadeiro burguês agarrado ao "vil metal". Não percebo muito bem porquê ou como se deu esta deformação, afinal os metaleiros e as metaleiras dos anos 90 ou eram uns anjinhos lindos ou eram uns brutamontes bêbados mas não pareciam ser materialistas. Se calhar pensei assim, romantismo meu destas criaturas na altura. Uma fantasia que acabou e agora vejo-os como hipopótamos, não só por serem o público mais gordo em qualquer concerto mas sobretudo por serem conformistas.

Talvez tenha sido o Goth e o Black nos anos 90 que estragaram o Metal, trazendo a velhacaria da Extrema Direita e da má literatura. Ou a explicação mais simples é que o Rock e o Metal já têm 70 e 51 anos, respectivamente. É difícil ter uma cabeça aberta com estas idades, sejam de forma individual seja de forma colectiva. É natural, como os ranchos folclóricos, que o metaleiros e o Metal cristalizaram em tradicionalismos. Ficam pasmados por verem os putos irem ouvir Electrónica ou Hip Hop. Claro que sim! Melhor pegar num Software do que em riffs de dinossauros!!

Mas também não são assim os gajos do Jazz? Coleccionadores anais de discos. Tal como Jazz nos anos 60 quando era popular, o Metal deveria ser um ponto de libertação da classe operária. Os metaleiros como bem se sabe, são os que conduzem os nossos metros e taxis, são eles que fazem o design dos panfletos do Continente, são eles que trazem os discos e dildos que comprastes na puta da Amazon, são eles que carregam as tubagens dos sanitários, são elas que cuidam dos nossos bebés nos jardins de infância, caramba! No entanto... nada disso, só existe Morte e Demência.

Metaleiros do Mundo, zuni-vos e erguei-vos contra a alienação consumista! Só há uns Morbid Angel! Ou uns Mayhem! Não é preciso mais e mais e mais, sei que por cada metaleiro que comprar um CD será menos um “normal” a comprar um CD de Beyoncé ou dos Cure mas lutar fogo com fogo, meus amigos, nunca deu grandes resultados. Que tal, antes um encontro de todos vós, a bloquear as entradas de um Shopping num Sábado? De garrafão e/ou litrosa na mão, com picos nos braços e piaçabas em riste à entrada da H&M? Que tal oferecer os vossos milhares de discos de milhares de bandas sucedâneas que apodrecem nas vossas mediotecas a putos à porta da escola? Eles não conhecem Death mas podem ouvir uns outros quaisquer. É preciso é começar por algum lado… E se só um puto for convertido ao Doom, o sacrifício de ter oferecido todo o vosso lixo já terá valido a pena!!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Este tipo tem 68 anos e continua a fazer coisas tão interessantes.

A bela frase do título deste "post" é uma declaração do David Fonseca numa entrevista no último número da revista Blitz.
Pois é, Fonseca, o David Bowie tinha 68 anos e continuava a fazer coisas interessantes, ao contrário de ti que não deves ter mais de 40 e precisas de o vampirizar (camuflado de homenagem oportunista) para venderes discos com os teus outros amiguitos nulos que tal como tu nem fazem nada de interessante como não têm ideias...
Admiram-se por estar aqui a falar do Blitz? É razão para tal porque esta foi a quarta vez que comprei a "revista-ex-jornal" desde que surgiu nesta fórmula editorial em 2006. Acho que comprei os dois primeiros números por hábito de consumo do jornal semanalmente. Ao segundo número irritei-me e deixei de comprar esta trampa.
Passado mais de 10 anos, nada mudou, a revista continua a ser uma bosta de velhice burguesa que é constrangedora. O motivo de ter comprado este número? O CD dedicado à Ama Romanta que nada adianta para os colecionadores anais que tem toda a discografia alguma vez produzida em Portugal (não é o meu caso mas conhecia a maior parte do material editado) mas é um bom serviço público de divulgar o que foi a mais emblemática editora fonográfica independente nacional dos anos 80.
Com muita vergonha comprei esta publicação com a capa da banda mais nojenta do mundo - meu, se o Trump os bombardeasse até eu votaria nele nas próximas eleições (oh yeah!). A outra vez que comprei a revista foi também graças a um CD e um Canibal na capa porque de resto os discos que acompanham tem sido do pior, ou xungaria ou velhotes que ao contrário do Bowie já não tem nada para oferecer ao mundo a não ser velhas glórias. Poderiam acusar de que este CD - Ama Romanta : 1986-1990 : uma História Divergente - também poderia estar neste grupo das velhas glórias para nostálgicos mas ouvir Sei Miguel ou Mão Morta passados 30 anos garanto-vos que ainda não entraram no registo datado nem as suas produções mais recentes ao contrário de tudo mais que se produz no pop/rock português ou o que é divulgado pelo Blitz. De resto a entrevista a João Peste é suficientemente demolidora face à situação...
Futuro da revista? Só a coluna do Dr. Bakali que mesmo nos tempos do formato jornal divulgava tanto fanzines de BD como alta-tecnologia. Hoje continua ser a única voz na revista com um pingo de sanidade, inteligência, cosmopolitismo e contemporaneidade, tarefa nada fácil nos tempos do pós-modernismo e nostalgia pechisbeque.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Maximum Rock'n'Roll

A MRR é um dos fanzines punk mais emblemáticos e resistentes (existe desde 1982!!) vindos dos EUA. No entanto por vir da terra dos porcos imperialistas não significa que registe a cena nacional apenas, muito antes pelo contrário o que não faltam são artigos desde o México à Dinamarca, de Espanha ao Brasil.
A parte dos discos será a que menos me interessa porque já recebo as minhas doses homeopáticas de Rock. Embora a MRR passe muito pela música (música que tenha bateria e voz senão não entra!) também tem muitas colunas de opinião em que se discute política, prostituição, queercore, vivências, livros, filmes e arte. E até BD! Sobre o caso Mike Diana, os ataques de extrema-direita ao Le Dernier Cri, sobre Nathan Ward, Ben Passmore ou a editora Silver Procket. Os números recentes que adquiri eram números especiais, um sobre fanzines (o que eles tem a dizer depois do mundo web 0.2) e sobre "arte punk" - o que é isso?
Zeus! Mexer neste zine faz-me pensar o que aconteceu à imprensa portuguesa que deixou de existir - se isto for indício de velhice, admito que sim, meu, não era mesmo fixe pegar três em três meses um novo número da Mondo Bizarre e mais ainda da Underworld / Entulho Informativo!? De resto, o que temos de imprensa musical? Nada, só blogues feios e redacções homofóbicas como as da revista Blitz, Diário de Notícias, Expresso, Público e I - digo isto porque todas receberam exemplares do livro do Queercore e ignoraram-no, o Público que sempre escreveu sobre os livros do Rui Eduardo Paes, desta vez fechou-se nas suas copas... Pelos vistos, tem de ser como "no antigamente" (antes dos anos 90), é preciso comprar publicações estrangeiros para matar o marasmo editorial!

A hamburgeria vegetariana / discoteca Black Mamba (do Porto) distribui este fanzine em Portugal. É ir lá comer um "punkburger" e comprar o último número da MRR... é uma boa desculpa para ir ao Porto-cada-vez-mais-parecido-com-Lisboa-que-nojo! [à parte, numa recente visita ao Porto vi um grafito pintado a azul que dizia "Lisboa" apenas...] 

sábado, 24 de setembro de 2016

Brad Morrell : "Nirvana & O som de Seattle" (Relógio D'Água; 1999)

Faz hoje 25 anos que foi editado (e explodido) o Nevermind (DGC; 1991) dos Nirvana e foi há 17 anos que se publicou a versão portuguesa deste livro. Nem sabia que existia, foi daquelas compras a 5 paus na Feira do Livro de Lisboa, no stand daquela que será a maior editora portuguesa independente (no termo que não faz parte dos cabrões das Leyas e afins...).
É assim tão bizarro ter um livro sobre Rock em Portugal? Sim é muito raro editar-se sobre o tema ao ponto que os poucos livros que existem, pelos vistos, nem são bem divulgados - olhem para o Blitz que não divulga os livros do Rui Eduardo Paes como exemplo... Sim, os portugueses não gostam de ler, povinho ignorante, e ainda menos de ler sobre música. Mas lá está... temos esta pequena pérola, um livro sobre Rock escrito à americana ou à escrita Rock canalha sem papas na língua sem deixar de ser bem documentado e de bom gosto sobre o que foi a carreira desta banda tão importante - sim, ainda gosto deste trio improvável - incluindo as polémicas em volta das vidas privadas de Kurt Cobain e Courtney Love. O livro conta também porque existe o outro lado da mesma moeda sonora - os "parolo geme" - na mesma cidade que trouxe pela última vez Barulheira para as tabelas de venda.
Já agora, é de apontar que nos últimos anos houve edição portuguesa de mais "rockers" como Patty Smith (biografia e poesia) e Kim Gordon, A Miúda da Banda... Quem diria que isto é editado por cá? Ainda por cima, de "gaijas" rockers! Afinal há Esperança para este país! Para comemorar tantas razões de ânimo vamos lá pôr as colunas no máximo a bombar o Nevermind, sobretudo a faixa Endless, Nameless!

sábado, 10 de outubro de 2015

Mercantologia 8: Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology


Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology
de
Marcos Farrajota
Oitavo volume da Colecção Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines.
80p. 15 x 21 cm
666 exemplares
ISBN: 978-989-8363-34-3
PVP: 10€ (50% desconto para sócios, jornalistas e lojistas) à venda na Chili Com Carne, a partir de dia 10 de Outubro na Mundo Fantasma, BdMania, Letra Livre, Artes & Letras, brevemente na LAC, El Pep, Matéria Prima,... seguido de FNAC, Bertrand,...

Eis a terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota depois de Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne nesta mesma colecção. O novo livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology reúne material disperso em várias publicações - incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Metalfest mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por "s" como a Suécia ou a Sérvia!

As Bds que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto - Puppetmastaz, Repórter Estrábico ou Dälek - como algumas "fim-da-linha" como os Dr. Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.

O livro vai ser lançado em Outubro, primeiro numa exposição homónima na Mundo Fantasma (10 de Outubro, às 17h) e outra no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito da exposição SemConsenso a inaugurar no dia 31 de Outubro.

Ah! E o Rudolfo vai participar no livro... com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!

...

sobre o autor: Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa tendo sido responsável por várias publicações e eventos como o Salão Lisboa 2003 e 2005. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita (26 números). Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD: Publish or Perish, Amo-te, Osso da Pilinha, Stereoscomics (França), Milk & Wodka (Suiça), Prego (Brasil), Cru, White Bufallo Gazette (EUA), Shock, Blitz, Free! Magazine (Finlândia), Bíblia, V-Ludo, Umbigo, Pangrama, Stripburger (Eslovénia), Pindura (Brasil), My Precious Things, Banda, Page, Biblioteca, La Guia del Comic (Espanha), Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, Zundap, Inguine Mah!gazine (Itália), Splaft!, Kuti (Finlândia), š! (Letônia), Hoje, a BD - 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa), Crack On (Forte Pressa), Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa (Museu Berardo), Boring Europa (Chili Com Carne), Futuro Primitivo (Chili Com Carne), No Borders (Alt Com), Sculpture? (Cultural Center of Pancevo), Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti (Edizioni Del Vento), Metakatz (5éme Couche) e Quadradnhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Festival de Treviso).

Criou e escreveu a série Loverboy (4 volumes) com desenhos de João Fazenda, tal como já escreveu BDs para Pepedelrey, Jorge Coelho e Fábio Zimbres. Tem feito capas, cartazes e BD's para bandas punks e afins: Acromaníacos, Agricultor Debaixo do Tractor, Black Taiga, Censurados, Crise Total, Çuta Kebab & Party, Gnu, Gratos Leprosos, Ideas For Muscles, Jello Biafra, Lacraus, Lobster, Melanie is Demented, Peste&Sida, Rudolfo, Sci-Fi Industries, shhh..., Sunflare, Vómito e Whit. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como BD & Cafeína - performance de 24h (1997), Feira Laica (2004-2012), Pequeno é Bom (2010),... Bem como de acções de formação (Ar.Co, IPLB,...), colóquios, um programa de rádio - o Invisual (Rádio Zero, 2008-09) - e sessões de unDJing tendo já "tocado" (pffffff) nos Maus Hábitos, Festival Rescaldo, Jazz em Agosto, Bartô, Sabotage Club e Damas.

Já participou em algumas exposições de BD sobretudo colectivas - sendo de salientar a Zalão de Danda Besenhada, o último salão dos independentes na Galeria ZDB (2000), LX Comics 2001 na Bedeteca de Lisboa (2000/01); Mistério da Cultura na Work&Shop (2008) e Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011); bem como em vários festivais: BoDe, Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, KomikazenMAGA e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito gosto e lágrima no olho ao desafio de mostrar originais seus (horríveis e em visível degradação perversamente antecipada) na galeria da loja Mundo Fantasma - um grande chi-coração ao Zé e ao Júlio!

Estava previsto um "stand up comedy" para a inauguração mas o autor não foi rápido o suficiente para preparar a peça! Shame on tha nigga!


Bibliografia: É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), Loverboy (c/ desenhos de João Fazenda, 4 volumes, Polvo, Chili Com Carne; 1998-2001, 2012), NM2.3: Policial Chindogu (c/ desenhos de Pepedelrey, Lx Comics #9, Bedeteca de Lisboa; 2001), Noitadas, Deprês & Bubas (Mercantologia 3, Chili Com Carne; 2008), Raridades, vol.1 (c/ arg. Afonso Cortez Pinto, Zerowork Records; 2009); Talento Local (Mercantologia 4, Chili Com Carne; 2010), 15º SWR DVD (SWR inc.; 2013).


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FEEDBACK: Toast!!!And the Jamaican use of the word refers to "extemporary narrative poem or rap" like in reggae music, but toast also means a call to drink's at somebody's health or good news. In our case, the release of the Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology book !!! DJ Balli ... UAUH..... respect.... 666 exemplares? o must :-) Luís Lopes ... 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Luís Jerónimo e Tiago Carvalho : "Escritos de Fernando Magalhães : Volume 1 - 1988/1991" (Lulu; 2014?)

Fernando Magalhães (1955-2005) era um crítico de música que passou pelo Blitz e Público mas mais do que isso deixou (boas) memórias a muito melómanos. Qualquer morte é trágica, no seu caso com apenas 50 anos percebe-se que a injustiça - a Morte é a entidade mais democrática de sempre mas também a mais injusta porque só leva os bons mais cedo que os sacanas! Esta injustiça trás a vontade de todos os que realmente sofrem com a Morte (nós, os vivos) tenham vontade de combater o esquecimento de quem partiu. Mas não deixar que se perda a memória não quer dizer que se faça desta forma, num dos piores "livros" algumas vez feito no mundo! O objecto é um caderno A4 que até poderia lembrar as boas e velhas antologias Re/Search caso não fosse tudo do pior! Aliás, qual livro? Isto parece um trabalhinho da Secundária: com sumário, sem ficha técnica, espaçamentos horríveis, capas de discos com o pixel a rir-se de nós, tamanho de letra exagerada, etc, etc... uma lista de horrores editoriais e gráficos que até parece que quem fez isto nunca viu um livro na vida.
Que Magalhães fosse um melómano dos bons, acredito, pelas referências que aparecem nas suas críticas a discos - da Diamanda Galas ao John Zorn, de Magma a Negativland - pois acompanhava o que realmente interessava no momento em que viveu. Mas é preciso fazer livros que juntem todas as resenhas críticas que ele escreveu? Mesmo os discos de merda como os dos Talk Talk ou Garth Brooks - aqueles que era obrigado a escrever na redacção do jornal para pagar a renda e a comida? Aqueles discos que humilham qualquer um porque têm mesmo de se escrever porque senão o Editor do jornal despede-te? Mesmo que o crítico bata neles com alguma violência ou mordacidade são discos que não passam o teste do tempo e são inúteis - até para relembrar quem não gostava deles!
Uma selecção de textos não seria mais honesto? Não teria preferido isso o crítico ausente? Ou separar as águas, um livro dedicado à música que realmente Magalhães admirava e que gostava que chegasse a mais público e um outro livro do tipo humorístico? um do tipo "A Merda Pop dos Anos 80/90" para pisar a mediocridade com o seu humor crítico? Ou será que é mesmo possível conciliar os dois extremos num livro? Até pode ser que sim mas neste desastre editorial  de "boas intenções está o Inferno cheio" temos um livro (que pode ser impresso a pedido pela plataforma em linha lulu.com, creio eu) que é completamente amador e triste... E com tanto designer por aí a precisar de trabalho!
Assim mancha mais a memória do falecido... Convenhamos, alguns textos dele eram para encher-chouriços que nem passados 27 anos fazem sentido relembrar. Tudo isto lembra a expressão "deve estar a dar voltas no caixão" mas por questão de respeito, não vou escrever essa expressão... ops! Acabei por o fazer! Pois... E basicamente é esta a sensação que se tem do "livro"!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Marcos na Fátima da BD!

foto de Jucifer / Julho 2007
O blogue Universo BD entrevistou-me... a fotografia foi tirada na "Disneylândia dos Católicos" da primeira vez que fui lá - cruz-credo e talvez a última espero - e que achei adequada para esta entrevista em que sentia que tinha a Inquisição em cima!

Site foi à vida mas encontrei um .doc com a entrevista:


Como Surgiu na tua vida, a ligação à Banda Desenhada? Quem foram as tuas grandes influências e como te caracterizas em termos de leitor de BD?

Desde muito cedo que os meus pais compraram-me BDs, talvez com 4 anos (?), primeiro com revistas Disney ou o Fungagá da Bicharada, depois álbuns do Astérix e tal... Sempre fui acompanhando a BD pela adolescência e juventude ao ponto de querer fazê-la, editá-la, etc... mas a grande mudança deu-se com a revista Animal e com os zines dos anos 90 que publicavam BD que tinha relação com a vida e promoviam contracultura. Felizmente não me fiquei pela BD de fantasia e de escapismo, como acontece nessas idades... Receio que se não tivesse descoberto outro tipo de BD teria feito como muitos jovens fazem que é deixar de ler BD porque não encontram “textos” que tenham relação com eles.

Não me defino como “leitor de BD”, sou apenas leitor, obrigado! Raramente leio “BD trash” da mesma forma como não vejo filmes de Hollywood, o que não impede de vez enquanto ter alguns “guitly pleasures”… Mas em geral, se não há BD interessante para ler, há outras coisas para ler como ensaio ou romance ou ouvir música – já agora aconselho o Voltaire's Bastards: The Dictatorship of Reason in the West (Free Press; 1992) de John Ralston Saul, que curiosamente tem um capítulo dedicado à BD!

Influências talvez deva referir Fábio Zimbres, Harvey Pekar, Daniel Clowes, Peter Bagge, Joe Sacco,... mas a maior parte das influências passaram mais pela música Punk e Industrial.

 

És provavelmente a personalidade mais polémica no seio da BD portuguesa. Quer em entrevistas tuas, quer em opiniões que emites, quer ainda em comentários sobre ti em diversos meios ligados à BD, as críticas e por vezes até em linguagem mais acesa, acabam por vir sempre ao de cima. Como reages a isto e o que pensas sobre esta constante guerra que travas com os mais diversos protagonistas dentro do panorama da BD nacional?

Não penso porque nem os leio – sei que se tem escrito umas coisas porque alguns amigos e conhecidos me tem avisado disso mas não vou ler porque polémicas em blogues lidos por 30 pessoas não me parece que sejam polémicas e mesmo que fossem 100 ou 200 continua a ser um número baixo! Nem acho que haja polémica porque isso teria de incluir “uma discussão” e não houve nenhuma discussão comigo, nem poderia aliás porque grande parte do meio da BD é muito pobre intelectualmente ou culturalmente, fixado numa subcultura mercantilista que se auto-devora e que não consegue pensar fora da caixa - neste caso seria “quadradinho”!? Para mim, a BD tem tanta ou mais importância que a música ou o teatro, só o facto de se aceitar em usar o termo “nona arte” mostra que se quer ser hierarquizado e humilhado – bem por baixo, pelos vistos, porque fica em nono lugar!

Não travo nenhuma guerra pessoal com ninguém, vivemos numa democracia que cada um pode emitir as suas opiniões publicamente. É o que eu faço bem como outras pessoas, a diferença em relação à BD é que o meu objectivo é rejeitar os seus clichés e torna-la acessível a quem não a lê, as outras pessoas que divulgam BD preferem manter esses clichés para garantir a sobrevivência do seu “clube secreto de rapazes”, da sua subcultura canina, do status quo da “nerdice” e da eterna juventude… O Tempo será cruel para estas pessoas.  


Lembro-me do anúncio de uma apresentação que tiveste na Biblioteca de S. Domingos de Rana em 2014, sobre a evolução da BD independente em que só o próprio anúncio gerou logo polémica, quando se referia aos "tontos dos bedófilos". Quem são os bedófilos (tontos)? Que significado tem esta afirmação e em que contexto? Isto era mesmo com o intuito de insultar e/ou é a tua maneira corrosiva de colocar as questões?

Outra vez isso da “polémica”??? Acho que não houve nenhuma polémica – saiu no Expresso? Ou no P3? Não me lembro… Acho que foi só um pateta que enfiou a carapuça! Se se sentiu ofendido é porque a carapuça lhe serve, coitadinho… Pelos vistos, como sempre, aquilo que começa como uma piada parece tornar-se sério e até razoável. “Bedófilos” foi um gozo inventado há alguns anos por três pessoas num jantar e que tenho usado (e outras pessoas entretanto) de forma provocatória para definir pessoas adultas que lêem BDs para crianças ou jovens… e sem querer, a expressão acusa os fanáticos da BD (que só consomem o que é produto industrial) de ajudarem a propagarem a BD como algo infantil e juvenil.

Os exemplos nos dias de hoje são claros e piores do que nunca, aliás nos anos 90 nenhuma secção de BD de um jornal fazia isto de misturar “patinhas” com livros interessantes como o Logicomix, por exemplo. Há hoje dezenas de blogues a bombarem notícias sobre patos/super-heróis/michel vaillants e raramente as (poucas) BDs adultas que são editadas num país como nosso, que tem um mercado editorial fraquíssimo de BD em geral. Seriam essas BDs que deveriam ter um foco maior de divulgação e até de discussão para atrair pessoas que não lêem BD mas que se poderiam interessar por ela através dos temas: ciências, História, assuntos africanos ou do Médio-Oriente, sexualidade, sociedade, etc… Pergunto que credibilidade tem um sítio em linha ou blogue que divulga de igual para igual a BD infanto-juvenil e a adulta? É como colocar livros ilustrados da infância ao lado da pornografia - que aliás é o que acontece nas livrarias: Manara ao lado do Stilton e do Maus só porque tudo é BD! De outra forma, seria como ter notícias de música Pimba num sítio de música Clássica ou de Jazz ou de Rock. Se ao menos assumissem uma secção infanto-juvenil para separar estes tipos de informação mas não… A BD é um meio com várias vertentes, tal como na literatura, na música ou no cinema, e se pegares numa revista de literatura ou de cinema, as secções estão bem definidas na publicação.

Desde sempre que reparo que quem divulga BD não tem critério nem pensamento crítico e escuda-se com “sou apenas um divulgador”, que parece ser uma desculpa de uma criança sem educação e irresponsável. Mesmo só sendo “divulgador” tem de haver critério da mesma forma quando entras num restaurante não pedes pratos que não gostas, certo? O que pensará uma pessoa que nunca se interessou por BD e que vá parar a um blogue desses? Acho que a resposta é fácil... Acho estranho que os “bedófilos” não sabem distinguir as coisas, o que dá pena porque percebe-se de quem diz gostar de BD é o seu pior inimigo. No fundo, estamos a falar com pessoas com sérios problemas emocionais que não conseguem deixar a infância onde ela deveria estar… Lá para trás!

Não achas essa análise algo radical? Se há blogues generalistas sobre BD, não será natural que tentem incorporar um pouco de tudo e para todos os gostos? Uns falarão mais de umas coisas que de outras com certeza, mas tu próprio admites que começas-te por ler revistas Disney por exemplo. Não será essa divulgação também importante para trazer novos leitores para a BD?

Radical em quê, Rui? O que não percebes aqui? Ainda estamos no patamar de que “tudo é BD”, é isso? Acho que exprimi bem o pensamento do que acho desse “generalismo”… e também acho que que uma criança de 9 anos não visita o Central Comics (por exemplo) para ver se já saiu mais um número do “Patinhas” nesta semana… Tal como nenhuma jovem fã das bandas do Morangos com Açucar consulte o Blitz ou a The Wire para saber do último “single” dessas bandas! O que te faz confusão aqui? Se bem me lembro, uma criança tem um universo próprio e sabe procurar o que quer NEM quer saber de outras BDs para nada… até um dia! E nesse dia que quiser outras coisas também encontra porque a ‘net é infinita em informação… mas justamente se um jovem de 13 ou 16 anos começar a querer ler sobre o mundo onde vive vai ter mais dificuldades em descobrir o Palestina do Joe Sacco do que afinal o “volverini” não morreu e vai voltar já daqui uma semanita…

As revistas não mensais? Não sabem ir a uma banca ver o que saiu? O que não é preciso (pelo menos eu não preciso) é visitar sítios de BD e apanhar com isso todo o tempo – e isso, inclui os Texs, Simpsons, Tartarugas Ninjas, Turma da Mônica, Marvel e DC, todas essas coisas para jovens – ou pelo menos sem distinguir os conteúdos. Acho que são segmentos de mercado diferentes. Claro que podes encontrar coisas boas mesmo na lixeira comercial – o Carl Barks será o maior exemplo disso – mas para tal é preciso sentido crítico, coisa que não há nessa “divulgação”! É por isso que não acompanho os blogues portugueses (excepto os críticos como os do Pedro Moura, Sara Figueiredo Costa e Domingos Isabelinho) porque são chatos, dirigidos para crianças e jovens (tenho 41 anos e mesmo que tivesse ainda agora 17 anos não iria visitá-los, acredita!) e devem fazer “polémicas” para se entreterem dado a modorra de não fazerem nada de criativo – já nem digo intelectual… Mas tudo isto ainda é mais perverso! Se uma empresa desse tipo de BD não tem um sítio próprio para divulgar o seu material e para fidelizar os seus clientes é porque não sabe usar a ‘net… mas se pensarmos bem, nem precisam, têm montes de patetas a trabalharem por eles, não é? Já é mau “as Finanças” porem todos nos, cidadãos, a trabalhar de graça quando preenchemos em linha os nossos IRS mas pronto, é o Estado, somos obrigados a cumprir essas tarefas, nada a fazer, é a Lei! Agora, patetas a trabalharem para companhias ultra-capitalistas de graça é que não acho normal!!! Nem pateta será,…

Eu acho que estamos aqui também a falar de gostos, tu preferes ver mais certos tipos de conteúdos e do que outros e preferes consultar sites que te dêem esses conteúdos de preferência com critica. Muito bem, eu respeito, mas no meu caso a minha intenção é ter uma variedade razoável, obviamente dentro dos meus gostos mais pessoais, visto ser eu que os escolho. isto em termos de critica, mas também optei por ter outro tipo de artigos, como a divulgação pura, notícias, eventos, entrevistas e com uma amplitude que abarque desde os mais novos aos mais velhos visitantes. Como digo, no meu caso optei por esse estilo, mas claro que não se agrada a todos e tu és um bom exemplo disso (risos).

Quanto à questão da divulgação de borla, é verdade, mas ter sites especializados traz algumas vantagens, desde logo o alcance, chega a muito mais pessoas. Eu pelo menos prefiro ir a um site onde encontro várias coisas sobre um tema que me interessa, do que ir a 20 sites ver o que cada um tem de novo. Um site angariador, gera mais interesse e é muito mais dinâmico, conseguindo angariar mais visitantes e logo acaba por ser mais vantajoso que esse tipo de site faça uma boa divulgação. Mesmo isto sendo assim, ainda há quem ache, dentro de algumas editoras, que dar só a este ou aquele é que é bom, mas isso são outros quinhentos.

Nada contra “sites angariadores” como dizes mas creio que poderiam ter mais cuidado como apresentam a informação… e pelos vistos não te consigo mudar de opinião que existe BD para vários públicos e que não há vantagens em juntar alhos com bugalhos, muito antes pelo contrário. Se ainda tens pancadas para ler patos e super-heróis, o problema é teu e não meu, tens a vantagem de poderes consultar esse monte de blogues. Eu não… boa sorte!

 Outra das grandes críticas que te fazem, tem a ver com o facto da associação que geres, a Chili Com Carne, receber quotas e incentivos do estado para produzir BD. Afirma-se que isso torna as coisas mais fáceis, pois tens verbas que as outras editoras no mercado não têm, o que faz com que publiques o que te dá na cabeça e edições de qualidade duvidosa, sem grandes preocupações orçamentais. Como reages a estas criticas?

Nunca fui acusado disso, pelo menos nunca li isso mas acaba por ser muito engraçado saber disto porque quem escreveu nunca teve contacto comigo – aliás, connosco, porque a Associação não é dirigida exclusivamente por mim, existe uma Direcção eleita e um grupo de consulta editorial de 11 pessoas. Tomando como verdade a tua pergunta então temos 11 pessoas “ irresponsáveis e de qualidade duvidosa”, pelos vistos, pouco importa que algumas delas sejam Designers de sucesso ou académicos de referência!!! Quem escreveu isso só pode ser um covarde porque não só escreve coisas que não conhece mas o pior é nem coragem de perguntar o quer que seja e vomita tretas como aqueles senhores no café a falarem da futebol ou política – quem os ouve até pensa que são profissionais...

Fico muito confuso que alguém ache que os nossos livros não têm qualidade mas como disse o Tempo é um senhor cruel, e vai fazendo “vítimas”: havia um crítico que dizia que as “minhas” edições eram um desperdício de dinheiro em 2005… Hoje só diz maravilhas delas! Há quem diga que o que se edita no mundo, 99% dele é lixo... Só concordo que digam que os nossos livros sejam lixo se aceitarem o que a Devir, Leya, Polvo, G-Floy, Mundo Fantasma, Plana Press, Kingpin e El Pep também sejam lixo! O 1% de boa edição irá para a MMMNNNRRRG, claro!

A CCC faz livros por gosto, dedicação e com sacrifícios pessoais. O que faz confusão a muitos é pensar que com livros tão baratos e com descontos conseguem ainda fazer lucro para reinvestir... Mas é possível porque não temos gastos de estrutura como uma empresa. Faço questão do “bold”: Todo o nosso trabalho é voluntário

Os “incentivos do Estado” (faço aspas porque parece pomposo, para além de irónico porque o Estado não ajuda quase em nada na criação de BD! Quem escreveu é porque não sabe de nada mesmo!) são valores bastante baixos, cobrem 30% de custos de impressão e/ou custos correntes da associação. Novamente a “bold”: Ninguém é remunerado pelo seu trabalho: autor, editor, designer, vendedor, revisor de texto, tradudor, etc... Não sei se a Devir ou a Polvo pagam bem ou mal aos seus tradutores e designers nem me interessa MAS pagam! A Devir tem escritório e um armazém, etc, etc,… ou seja mais custos! Nós o que temos para sermos uma “editora” são computadores pessoais e armazenamos livros em nossas casas… e é isto! Todo o dinheiro que geramos é exclusivamente para pagar gráficas e transportes/correios. Os “incentivos do Estado” não ultrapassam os 2000 euros por ano – se cada livro a imprimir em média custa 1200 euros e se fazemos mais de cinco livros por ano (mais custos de CTT e transporte que podem ir a mais de 1000 euros anuais) é só fazer as contas para pensar como esses “incentivos do Estado” valem no seio das contas da Associação.

Quanto às quotas dos sócios, elas servem para descontos nas nossas edições e noutras edições nacionais e estrangeiras – a CCC é uma associação sem fins lucrativos, por isso, o dinheiro que gera não é para distribuir pelos corpos dirigentes como numa empresa mas sim para reinvestir sempre em novos projectos com os seus sócios. Mas desde o ano passado que o dinheiro das quotas serve para dar ao vencedor do concurso dos “Toma lá 500 paus e faz uma BD!”, que achamos muito mais interessante canalizar esse dinheiro dos sócios para apoiar uma obra / autor do que servir apenas para “consumir”!

Se há patetas que acham que se pode trabalhar voluntariamente sem receber, só mostra como são escravos do sistema. A nossa satisfação ou ganho pessoal é saber que fazemos bons livros, que tem reconhecimento, que cria comunidades de criativos e que promove a leitura! Quem nos acusa de termos facilidades nunca fizeram nada na vida para saber como se faz ou quanto custa fazer. Se fizerem contas, é verdade que as quotas e subsídios ajudam a manter a saúde financeira mas se fossemos uma empresa privada esses valores seriam mínimos e nunca cobririam o trabalho voluntariado dos associados e membros da Direcção. Mais, o facto de recebermos “incentivos do Estado”, eticamente fazemos preços de capa mais baratos possíveis porque a CCC não é uma empresa de mercado para estar a fazer concorrência com ninguém. Somos promotores culturais e não nos verás a concorrer com a Bertrand para editarmos o Persépolis… Editamos justamente o que “ninguém” quer: autores novos, trabalhos com temas mais ou menos ousados, que no seu tempo não encontram editores com coragem nem inteligência para os editar! Temos pouco dinheiro mas sabemos geri-lo bem, e talvez por isso que nos tenhamos aguentado com 20 anos de actividade, com um catálogo respeitado por muitos e com capacidade em fazer imensas parcerias (Thisco, Wormgod, El Pep, Faca Monstro, The Inspector Cheese Adventures, Ruru Comix, You Are Not Stealing Records, SWR, jazz.pt, Milhões de Festa, Festival Crack), por isso acho, mais uma vez irónico, perguntares se “ando à bulha” com todos, quando pelos vistos conseguimos fazer bastantes sinergias a vários níveis: sócios, autores, criativos multidisciplinares, instituições, privados, entidades internacionais, etc...

Precisamente por querer saber um pouco mais sobre esses meandros, tenho insistido nestes pontos, porque na verdade, também pouca informação encontrei parecida com o que nos tens explicado e por isso me pareceu pertinente este confronto, mas passemos à próxima pergunta ...

 

 Quantos sócios tem a associação? Tendo em conta que a quota inicial é de 15 euros e as Renovações de 10 euros anuais, se tivermos em conta que os sócios tem logo à cabeça um desconto de 50% nas edições, não me parece que as receitas das quotas possam servir como grande financiamento. Estou a pensar bem ou nem por isso?

Vamos ter 150 sócios em breve... mas nem metade paga as quotas anualmente, há pessoas que desistem, outras que voltam mais tarde, etc... é um caos de movimentações como noutra associação qualquer. As quotas ajudam como uma muleta MAS não uma prótese de tecnologia de ponta! Seja como for, para esses taradinhos da “livre concorrência” e neoliberalismo, olhem só a grande surpresa do dia: são as vendas das edições que realmente fazem a Associação continuar a editar! Porquê? Porque há mesmo pessoas que gastam dinheiro nos nossos livros “de qualidade duvidosa”!

Seja como for nada temos a esconder na CCC, tanto que sempre que alguém nos pede ajuda disponibilizamos informações sobre gráficas, lojas, como fazer, etc… mas acho estranho se há pessoas a dizer isso de nós, como se fossemos os únicos… Não pensaram se noutras editoras? Que eu me lembre a Polvo sempre teve “incentivos de Estado” ou a Âncora ou outras em projectos como o livro do Quim & Manecas da Tinta da China ou a co-edição do catálogo do Alan Moore pela Devir e CNBDI… E até indirectamente podes falar em “incentivos de Estado” para os livros do José Carlos Fernandes, Diniz Conefrey e Miguel Rocha, cujos trabalhos antes de serem editados foram frutos das Bolsas de Criação Literária, sem elas os autores não teriam feitos a Pior Banda do Mundo, Livro dos Dias e Beterraba que mais tarde foram editadas pela Devir (portuguesa, espanhola e brasileira) - bem como o David Soares que também teve Bolsa com A Grande Sala de Cinema publicada na sua editora Círculo de Abuso… Cada um ao seu peso e medida mas isto para dizer que não percebo essa perseguição à CCC, no fundo deve ser uma atracção sexual por nós que não sabe explicar nem consegue exprimir. Espero que saiam desse “armário-quadradinho”...

 

Qual a relação ente a associação Chili Com Carne e o selo mmmnnnrrrg?

A CCC promove e distribui a MNRG – tal como o fez no passado com outros projectos editoriais dos nossos sócios como a Opuntia Books, Imprensa Canalha, El Pep, Plana Press, zines, discos, etc...; geralmente andam juntas em alguns eventos porque sou um dos elementos em comum entre os dois projectos mas ficamos por aqui. A MNRG é um projecto meu criado em 2000 e desde 2010 que é partilhado com a Joana Pires...

 

Como são feitas de um modo geral, as escolhas de editar algo pela CCC ou pela mmmnnnrrrg?

Acho que seria bom leres os livros antes de fazeres uma pergunta destas, não está na cara? Num B-A-BA diria apenas que a CCC é mais virada para edições colectivas e nacionais, a MNRG são livros a solo e internacionais... Pegando nos conteúdos de uma e de outra, acho que dá para ver as diferenças! Tu que no teu sítio dissecas tanto as BDs é que devias escrever sobre as diferenças, não?

 

Por acaso não concordo que faça aqui uma grande dissecação das obras. Tento até nem o fazer muito e deixar os leitores explorarem por eles, salvo algumas excepções quando realmente gostei bastante do livro, ou algo mais cuidado quando se trata de edições portuguesas. Mesmo assim foi só a partir de certa altura, ainda tenho coisas revistas que não escrevi uma palavra e que adoro. Pode parecer um contra censo, mas apesar de ter este sitio, o meu forte não é a escrita, é a leitura e por isso faço muito pouca análise e não me aventuro muito, e também por isso aceito a crítica (risos)

Pois acho que deverias arriscar mais em seres mais analítico… de vez em quando vou ao teu blogue e não sei por onde me virar, devo estar a perder alguma série com qualidade no “mainstream” que divulgas - tipo “o próximo Grant Morrison” - mas como não os realças, a mim parece-me tudo igual… Naturalmente devo estar enganado mas ainda assim, pergunto-te, para quem tu dedicas tanto tempo o blogue, para quem tu escreves ou quem te lê?

Faço por gosto, tal como voçês na associação o fazem com certeza por gosto, por querer que o mercado de BD cresça, tentar divulgar o máximo para pelo menos não ser por ai que a BD não cresce em Portugal, por me dar imenso gozo fazer entrevistas, como esta e dar notícias de muitos dos nosso autores a trabalhar lá fora para grandes mercados. Este tipo de coisa é essencialmente o que me move, mas o entrevistado aqui é tu e não eu (risos).

A última parte não te sei responder, mas posso dizer-te que o blogue com pouco mais de um ano teve uma adesão bastante razoável. Nesse tempo teve perto de 200.000 visualizações de artigos, mesmo contando que haja uma percentagem de acesso spam e outros, para mim é uma excelente marca. A classificação da audiência não te sei dizer qual é. Quem são? Idades? Esse tipo de info não consigo obter, mas a esmagadora maioria são acessos de Portugal, como seria de esperar e um pouco de todo o pais.

Com certeza que encontras alguma coisa que te interesse aqui e a visualização até acho bastante fácil, nem precisas de ver os artigos na sua totalidade, se te interessar carregas no artigo e voilá, caso contrário, se as gordas não te interessarem, voltas no dia seguinte para ver as novidades (risos). Mas também isso é uma questão de gosto, uns gostam do visual e funcionalidade, outros nem tanto. Outros gostam da variedade e outros nem tanto.

Mas eu adoro variedade!!! Só não misturo Ídolos com Noberto Lobo, “Casados de Fresco 7” com David Lynch, Turminha da Mônica com Corto Maltese, desculpa… o que não me impede de ler G0dland ou Preacher “just for fun” e depois o Yuichi Yokoyama ou Rupert & Mullot – actuais vanguardas da BD. Desculpa não conseguir ler o Disney especial “Brincadeiras” com 41 anos…

 

E o que podemos esperar em 2015 em termos editoriais da CCC e também da mmmnnnrrrg?

Mais livros de “qualidade duvidosa”!!! Os corpos degenerados dos “bedófilos” vão se contorcer de demorada volúpia! O terrível QCDA vai voltar com mais quatro autores horrorosos! Haverá um Zona de Desconforto 2 com autores estrangeiros pavorosos! O Bestiário Ilustríssimo 2 é já em Fevereiro mas isso não é BD logo não interessa! É só mais outro caso de decadência intelectual – olha mas que fala de BD uma vez ou outra no meio de tanta música! Da MMMNNNRRRG nem se fala! Os exemplos são do pior e até tenho vergonha de os divulgar!!!

Fora de brincadeiras, os livros que fazemos são muito orgânicos, surgem porque os artistas precisam de espaço para editarem ou serem desafiados. Olha o Nunsky que desde 1997 não fazia nada, ou o Francisco Sousa Lobo também sem livros de BD desde 2003… Estes dois autores de repente produziram mais livros do que podemos editar… Pode ser que saiam também em 2015 mas tudo é imprevisível nem nos regulamos pelas regras do comércio – se elas existirem! Sai quando tem de sair! É isso que torna as coisas excitantes para todos! 

 

Há pouco tempo e em relação ao prémio de melhor livro para "Zona de Desconforto" no festival Amadora BD 2014, não te mostraste particularmente entusiasmado com o facto. Na prática se isso se traduzir em mais vendas óptimo, caso contrário não vale grande coisa. O director do festival parece até ter afirmado que lhe tinhas garantido que irias estar presente para receber o prémio. O que aconteceu para não teres estado afinal presente? Independentemente de concordares ou não com o modelo de selecção/eleição dos prémios, não ficaste nem um pouco orgulhoso com a distinção?

Não mas a minha mãe achou piada aos Pacóvios cunhados na placa de metal! Não senti nem sinto nada pelo que aconteceu porque a Amadora sempre premiou sem critério, por isso, a mim parece-me roleta-russa: hoje somos nós os atingidos pela bala, amanhã é outro qualquer, tanto faz... Não fui porque tinha um jantar marcado com amigos e isso é mais sagrado que ir ver “bedófilos” cheios de raiva por termos ganho um prémio qualquer – podia até ter piada mas os amigos estão sempre em primeiro!

Realmente o Nelson Dona ligou-me para ir à cerimónia mas pensei quem iria ganhar alguma coisa da CCC seria o Francisco Sousa Lobo como O Desenhador Defunto e não o Zona de Desconforto. Sabia que o pai dele ia à cerimónia por isso achei que estava tudo bem. Paciência… fica prá próxima! 

 

Normalmente vemos a participação da CCC em eventos mais alternativos, tirando as presenças em Beja, normalmente passa quase tudo por pequenas feiras/eventos ou exposições. Há também muitas parcerias com algumas entidades lá fora. Para além destas que mencionei não gostarias de alargar os horizontes e ter uma divulgação mais abrangente em eventos de maior porte? Em principio no próximo Amadora BD os vencedores da edição anterior têm um lugar de destaque, com exposições e outras participações. Como vai ser a participação da CCC no próximo Amadora BD?

Não sei, a Amadora que diga o que quer fazer, como quer fazer e se está aberta a sugestões... até porque fazemos 20 anos de existência e deveríamos fazer algo de institucional para comemorar – ou talvez não! A razão porque participamos mais vezes em eventos “ pequenos” é porque achamos que os grandes eventos de BD são autofágicos e não estão alinhados à cultura que respeitamos. E se o “porte” importa, então as nossas idas a Angoulême são o quê? E a exposição no Festival de Helsínquia em 2011 ou no ano passado em Treviso? Ou o Crack? Quem não viaja a estes eventos se calhar não percebe o “porte” deles… E “alternativo” não significa não ter público ou ser “pequeno”, aliás, a última Feira Laica registou 900 pessoas em dois dias de evento – contando que não se fazia publicidade quase nenhuma, o evento era quase sempre ignorado pela imprensa, o sítio que recebeu a Laica era pouco conhecido, etc, etc… é incrível que 900 almas tenham lá ido, não?

 

Porque achas que num mercado tão pequeno como o português existem tantas pequenas guerrilhas à volta da BD? Não digo tanto entre editoras, mas no geral, há muita crítica em várias direcções, muitas picardias e pequenos poderes que se atropelam em vez de remarem todos no mesmo sentido. A que se deve isto na tua opinião?

Mas se calhar é impossível remar com pessoas do Pimba, não? E não te sabia fascista!? Remar todos para o mesmo lado!? Significaria que o Janus ou o André Coelho não mereciam ser editados!? Que isso quer dizer? Cada um dá o rumo que quer, era o que faltava alguém impor uma vontade única.

Eu e a CCC estamos bem com as outras pessoas que até nem são da “mesma onda” como o Jorge Coelho que desenha para a Marvel mas até já publicou em várias edições nossas… Não temos inimigos que eu saiba a não ser um pateta! Já agora, quer a CCC quer a El Pep, Polvo e Kingpin somos distribuídos pela mesma empresa. Se isso significasse alguma coisa até se podia dizer que estamos a remar no mesmo sentido!

E o que queres dizer com “pequenos poderes”? Aonde? Os únicos poderes na BD que existem são os festivais camarários da Amadora e Beja que até são bastante eclécticos e conciliadores – até a Amadora gosta da CCC! Não vejo guerrilhas em nenhum lado! Se calhar referes-te ao meio virtual mas olha que a vida real é que é! O “Second Life” da ‘net é apenas ilusão para os impotentes produzirem a sua mitomania que será colhida pelo ruído da ‘net...

Eu não me revejo em nenhuma conotação política, rego-me pelo bom senso e pouco mais. Mas talvez tenhas razão quanto à interpretação que possa ter dado, na verdade, e isso admito, vivo muito no mundo virtual...

“Fascista” era uma provocação como é óbvio… É que não percebo mesmo o que é isso de “remar no mesmo sentido”…

 

O que destacarias de mais positivo e mais negativo no mercado Bedéfilo em Portugal?

É o que é, um espaço em aberto que tem de ser alimentado com boas edições para captar novos públicos. Mas a tua pergunta nunca será nada se não pensares mais em mercado livreiro do que “bedéfilo” porque não estás em Espanha ou França com aquele enorme circuito especializado em BD. Cá em Portugal a BD sempre foi distribuído em livrarias normais e isso é muito bom porque a BD não fica (em teoria) num “guetho” cultural – não quer dizer que na prática isso não aconteça com a salganhada das secções de BD que vemos nas livrarias. Atenção, que não tenho nada contra as lojas especializadas (tal como não tenho nada contra uma loja especializada em Poesia ou Fotografia) o quero dizer é que é bom que a BD em Portugal encontra-se em qualquer livraria, ao contrário de certos países em que isso não acontecia, tinhas de ir a lojas só com putos borbulhentos a comprarem “comics” com gajas nuas e com metralhadoras. Infelizmente essa vantagem cá sempre foi mal aproveitada (pelos editores e pelos próprios livreiros) enquanto noutros países tiveram de lutar muito para a BD entrar numa livraria normal…

Outro facto curioso: cada vez que uma grande editora de BD como a Meribérica/Liber ou Asa/Leya deixa de editar há logo espaço para “outra BD” no mercado! Se calhar é coincidência mas o ano passado houve boas (ou melhores) edições da Devir, Polvo, El Pep, Kingpin, etc... e que estiveram mais visíveis nas livrarias! Se estas estivessem cobertas de séries franco-belgas não havia espaço para venda dos “outros”. Quem escolhe nas livrarias é também uma pessoa conservadora mas se o “franco-belga” parar uns tempos pelos vistos tem de aceitar estas “propostas estranhas” até que se prova que afinal até vendem! Ou até vendem mais do que algumas “franco-belgices”… Posso não gostar da maioria dos livros editados no ano passado mas acho que é mais do que positivo ver que houve um bocadinho de “bibliodiversidade” e de coragem ao editar o Habibi do Craig Thompson, mais umas divertidas séries da Image Comics prá jovens ou o Petzi prás crianças...

 

Que leituras de Banda Desenhada podes sugerir aos nosso leitores?

Os livros mais interessantes que li em 2014 foram: Doctors do Dash Shaw (Fantagraphics), os dois da Judith Forest (5éme Couche; 2009-10), Visiter tous les pays (NA) de Pina Chang, 978 (5éme Couche; 2013) de Pascal Matthey. Nacionais: o Zombie do Marco Mendes e Abolition of Work, vol. 2 de Bruno Borges mas sobretudo os zines do Clube do Inferno, Moxilla e O Panda Gordo.

 

Mesmo para terminar, como vez o digital na BD? Achas que será o Futuro? Já têm pensado nisso nos projectos onde estás envolvido? E já agora que estamos em cima do acontecimento, como viste os acontecimentos em França no Charlie Hebdo?

Não vejo digital na BD porque prefiro destruir os meus olhos em papel… Mas nada contra. Não tenho encontrado nada de jeito – mas também não procuro – no digital. É outro mundo e terá o seu futuro sem que substitua o “anterior” tal como o mp3 não substituiu o vinil ou a k7. O mundo digital é perfeito para a cultura “trash” em que lês/ouves/vês coisas e esqueces delas passado um dia ou até uma hora… É perfeito para quem não quer se chatear. Quem gosta mesmo de Arte sempre preferirá ter um quadro invés de um “printscreen”, um livro invés de um PDF, um vinil invés de uma pasta no computador,… E claro, o digital é óptimo para procurares coisas que já não acessíveis ou esgotadas - não podes te desculpar que não tens acesso à cultura…

O que aconteceu com o Charlie é uma tragédia para a Europa, é o nosso “11 de Setembro”, incluído a piada foleira de que para ser um “9/11” nos EUA são precisas explosões espectaculares à Hollywood enquanto que na velha Europa “bastou” um massacre a uma redacção de desenhadores! É tudo lamentável e triste: a destruição da nossa civilização, as vítimas, os agressores abatidos a tiro (mereciam viver para não serem mártires e sofrerem pelos seus actos), a perseguição aos árabes que nada tem haver com extremistas, e nós que ficamos cá vivos e que teremos de conviver com a demente Extrema-Direita que irá usar tudo isto em seu favor… até porque parece que já nos esquecemos que Anders Breivik era branco, europeu, de extrema-direita e que matou muito mais pessoas na Noruega! Achei nojenta aquela marcha de Domingo porque apareceram todos aqueles fascistas: a Merkel (que quer expulsar os gregos da EU), o Sarkozy (que em 2011 deixou passar uma lei em que a polícia pode-te abater a tiro a uma enorme distância), o Rajoy (e a sua Lei da Mordaça – ele devia ser preso na marcha já que não quer que os outros espanhóis se possam manifestar na rua) e o Netanyahu (que promove massacres na Palestina). Se houvesse Céu, é certo que o Wolliski e o Cabu estariam agora mesmo a arranjar uma forma de mijar para cima destes tiranos mas não existe tal coisa como Céu, só no Dragonball…

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

An I been watchin' you shake dat ting


A Dona Zarzanga arranjou um verdadeiro "blast from the past" de quando ainda era GoldenShower e muito especificamente da única vez que fui expulso da cabide do DJ. 
Num bar do Pinhal Novo disseram-me que podia ter som no âmbito de um evento de BD, sabia que ia lidar com um público generalista, por isso não ia poder por Brujeria ou Einstürzende Neubauten a matar. Apesar de estar a passar Dancehall e Hip Hop, de 10 em 10 minutos o dono do bar, os empregados e o público vinham perguntar quando é que ia começar a passar House! O cabrão do dono até arranjou um DJ sobressalente (de House!) que ficou nas minhas costas! A dada altura fiquei totalmente nervoso que entornei uma imperial no amplificador, resultando na minha expulsão oficial. Gamei um CD do Sean Paul (bem bom!) como vingança e soube que passado alguns meses o sítio ardeu... Ainda bem, era uma porra cheio de gajas a cairem ao chão às 22h prontas a serem violadas por gajos de manga cava paneleiros sem puderem sair do armário e como tal prontos a morrerem num racing na ponte Vasco da Gama! Talvez a única coisa boa daquilo foi que o Esgar Acelerado conheceu o João Maio Pinto para continuar a série de bd Superfuzz no Blitz-jornal... Pensando melhor, o Superfuzz era também uma valente porcaria com ou sem Pinto...
Tenho mesmo que voltar para Portugal? Não arranjo lugar de DJ residente num bar no bairro de Kalio em Helsínquia? Bêbados por bêbados pelo menos não percebo finlandês! Eventualmente: perkele!