quinta-feira, 19 de maio de 2011

Porque eu vivo para a música


Pois é! Voltei a escrever para revistas de metaleiros! Enquanto não há uma nova Underworld ou algo pujante, passei a ter uma secção numa revista online, a Infektion Magazine - exacto, com K, boy!!! A secção chama-se Infecção Urinária de Marte - o logotipo da secção foi feito pelos metálicos da revista - que começa no terceiro número da publicação por divulgar o excelente Deliverance dos Stealing Orchestra.
Lobby por lobby, também fiz a minha primeira obrita sonora com a "orquestra do gamanço" para a banda sonora da nova antologia da Chili Com Carne, Futuro Primitivo, que também servirá de banda sonora para a exposição a rolar pelo planeta - a começar já pelo Festival de BD de Beja no final do mês, seguindo depois para Roma, Helsínquia. Mälmo, e talvez EUA e Brasil. O disco (também só acessível online) pode ser descarregado gratuitamente no blogue oficial da net-label You Are Not Stealing Records.

terça-feira, 17 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Duía & boy & valentes gráficos!

foto de Martin

tudo em Punta Umbria perdidos entre poetas toscos e bonecos de cidadãos séniores!

sábado, 16 de abril de 2011

Hipster! (2)


Momus : Voyager (Creation; 1992)

Momus é um subversivo no mundo Pop - as letras fortemente "literárias", os problemas em tribunais, etc... - na linha do Serge Gainsbourg (1928-1991) mas com muito menos fama. Uma espécie de Gainsbourg dos "indies". Conheço muito mal este senhor, dos poucos artistas que usa uma pala por necessidade (apanhou uma infecção em águas gregas), achando temas simplesmente  brilhantes no álbum Ping pong (Satyricon; 1997) como Space Jews (qualquer israelita deveria cortar os pulsos depois de ouvir esta música) ou My Kindly Friend the Censor
Arranjei este Voyager a 4 euros na Feira da Ladra mas é uma seca nos trilhos de Dance Music em que se percebe mal as letras - ou pelo menos não consigo estar atento o suficiente para as ouvir. Como soa a Pet Shop Boys nem me vou dar ao luxo de ouvir mais vezes...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A cavalo dado não se olha o dente... e de coelho o que se faz!?


Selkkaus : Tarkkailla ja rangaista (Molotov + Prole; 2002)

Fim-de-semana louco na Feira do Jeco!!! E por mais estranho que pareça chegou-me um CD-R de uma banda punk finlandesa! Cortesia do sr. Coelho! É um disco de Punk Biesta de voz ranhosa que por acaso não é o óbvio 4 por 4 de sempre. Há faixas que entram em campos dramáticos quase que "Góticos", festivos pseudo-Ska, distorcidos Noise Rock ma non troppo, enfim... é Punk Rock em finlandês, se calhar até melhor que é a média mas porra, o Punk Rock já é tão dinossauro como o Prog que criticavam, porque raios o Coelhón acha que gostaria de ouvir isto!? Disse-me que noutros discos os Sekkkaus lembravam Ratos de Porão - uma lógica que não é nada estranha ao Hardcore finlandês - tudo bem, mas porque raios quero eu isto!? 'Tá tudo doido!

domingo, 27 de março de 2011

Europa aborrecida


desculpem aqueles que esperam novas neste blogue desde Setembro do ano passado!
andei a acabar de desenhar bds para o livro da CCC Freak tour. Mesmo os discos adquiridos na viagem entraram no livro como resenhas críticas (tipo tiras) - o único que tinha a certeza que não entraria no livro era o dos Depth Affect por isso já aqui foi divulgado. o livro da tour tornou-se numa espécie de guia de espaços alternativos na Europa do que um verdadeiro caderno de viagem.
os lançamentos estão preparados para Lisboa na Map Design (Alameda) e para o Porto na Feira do Jeco, uma feira de edição independente.

sábado, 26 de março de 2011

Jorge Lima Barreto : "O Siamês, Telefax, Stradivarius" (Campo das Letras, 1997)

Não vale a pena ficar assustado com este livro pelos desenhos horrorosos do Vítor Rua, pelo "copyright" da SPA na ficha técnica ou da fotografia de Jorge Lima Barreto a segurar um gato (siamês) - Cliché Fotográfico de Todo o Escritor na Badana do Livro Nº1.
Publicado em 1997 apresenta-se quase como um livro de aforismos, em que Barreto recolheu uma série de frases / textos sobre música e os mass media. Quase poderia ser apontado como um livro preguiçoso mas nesse caso devemos perguntar ao acusador se seria capaz de ler e organizar toda a informação de autores como Adorno, William S. Burroughs, Jacques Lacan, etc... e editá-la como Barreto fez numa tentativa pós-moderna de escrita, admitida logo na Introdução.
A leitura deste volume é excitante para qualquer melómano ou qualquer pessoa que se interesse por música para além daquilo que papa como mínimo denominador comum da rádio, TV e FNACs. São apontamentos que exigem reflexão de parágrafo a parágrafo porque questionam a tempo inteiro como, aonde e porquê que ouvimos música - e já agora, qual a música é que ouvimos.
Sendo de 1997 há claro uma ou duas situações que não consegue prever como a desmaterialização da música do formato "disco" e a inflação dos concertos. Afimar-se algures no livro que os concertos deixarão de existir ou de ter representatividade face à imposição do formato "disco" pelas indústrias fonográficas. É divertido reparar que foi o contrário que aconteceu entretanto com o advento da Internet. Os discos como formato físico desapareceram em Ipods e computadores que são buracos negros de música (música fútil que não necessita de imagem, créditos, informações de qualquer espécie) e os concertos afirmaram-se como o negócio mais importante da indústria - com a Madonna, em 2007, a negociar o seu contrato milionário não com uma editora (como acontecia no passado) mas com uma produtora de concertos.
O livro acerta noutros pontos, não se preocupem, e dá comida para o cérebro tal como uma assinatura anual da The Wire, só não é tão bonito como a excelente revista britânica.
Talvez por isso que tenha tido um triste fim, como aliás todos os poucos que importam publicados em Portugal, ou seja, a sua editora faliu há 2 anos e com isso o seu acesso de origem - têm piada sugerir que o aspecto manhoso do livro tenha levado a editora à falência, não têm? O meu exemplar encontrei no "anarca-alfarrabista" Utopia (no Porto), entretanto já me cruzei com outros exemplares por aí e na 'net. Aproveitem se o encontrarem...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Boring Europa


primeiro volume nova colecção da Chili Com Carne, LowCCCost, dedicada a livros de viagens

# de Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins e Sílvia Rodrigues


em Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França

8000 km / 15 dias

sobre a tour europeia da Chili Com Carne realizada entre 1 e 15 de Setembro 2010 nas cidades de Valência, Bolonha, Ljubjana, Pancevo, Graz, Berlim, Poitiers e Vigo.

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participações especiais de Karol Pyrcik, Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Simon Vuckovic, Vuk Palibrk, Christina Casnellie, Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz, e ainda com Gasper Rus, David Krancan, Matej de Cecco, Matej Lavrencic, Katie Woznicki, Letac, Boris Stanic e Johana Marcade nas comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo.

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banda sonora gratuita em linha: "A Grande Explosão" de Ghuna X via Phonotactics #### 128 p. 23 x 16,5 cm impressas a azul escuro, capa impressa a branco sobre cartolina Dali bluemarine 285 gr com badanas

ISBN: 978-989-8363-11-4 #####

PVP: 10 eur. 50% para sócios, lojas e jornalistas (aceitam-se encomendas) à venda no sítio da CCC, Trem Azul, Fábrica Features, Utopia, B Shop (CCB), CDgo.com, Matéria Prima, Letra Livre (ZDB) e Mundo Fantasma

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sobre o livro: a tournê europeia Spreading Chili Com Carne Sauce in Boring Europa tinha como objectivo principal divulgar o trabalho da Associação e dos seus artistas. Até pode parecer um acto desesperado de querer mostrar "à força" o nosso trabalho mas, desde sempre, a CCC trabalhou com projectos e autores estrangeiros – Mutate & Survive, Mike Diana, Greetings from Cartoonia, MASSIVE, Festival Crack, etc... O problema é que quase nunca vemos estes nossos amigos, dada a solidão imposta pela nossa posição periférica. Fomos dizer "olá" ao pessoal amigo! E aos que só comunicávamos por correio! E, claro, conhecer malta nova! Fomos percorrer 8000 Km de Europa em 15 dias oferecendo um pacote completo de cultura underground portuguesa a quem nos recebesse: concertos de R- e Ghuna X, festa animada com o unDJ MMMNNNRRRG, exposição de impressões e serigrafias, e, claro, uma enorme selecção de zines, livros e discos independentes. Em troca queríamos apenas simples alojamento, comida (se fosse possível à organização) e dinheiro das entradas para os espectáculos. Se os punks e metaleiros fazem isto porque não podemos fazer a mesma coisa com livros? Get in the van! Decidimos chamar a coisa de boring, pelo sim pelo não, porque vivemos numa uniformização cultural capitalista à escala global - como tão bem ironiza Jakob Klemencic algures no livro - em que as identidades nacionais ficaram reduzidas a meia dúzia de artefactos rurais e rituais anacrónicos prontos para serem vampirizados pelos comportamentos fotográficos dos “turistas = terroristas”. Desde o início pensámos que só podia ser bom editar um livro com os desenhos dos viajantes - um relato on the road das pessoas com quem nos cruzámos, das cidades e dos países que visitámos, etc... Era impossível de falhar: seis pessoas a desenhar, seis livros de esboços fundidos num livro "oficial". Pura ingenuidade! A excitação de conduzir, o esforço físico de alguns trajectos, a desistência da Sílvia Rodrigues, logo ao terceiro dia, e a falta de confiança em desenhar da maior parte dos participantes deixou-nos apenas com UM caderno de esboços da Ana Ribeiro. Todas as outras participações tiveram de ser feitas à posteriori, complicando com os prazos pessoais e profissionais de quem gozou estas férias diferentes. Juntámos textos, BDs, desenhos “acabados” bem como “esboços” da Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins e Sílvia Rodrigues; e bds de autores estrangeiros que relatam a recepção da nossa “caravana” - Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Vuk Palibrk e Christina Casnellie. Outros cederam-nos desenhos ou bds sobre viagens para enriquecer esta edição - Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz. Compilámos as melhores BDs-cadáver-esquisitos ou comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo - são bds feitas numa sessão com várias pessoas em que cada um desenha uma vinheta continuando o trabalho dos anteriores perdendo-se sempre o controlo do avanço da “estória”. Em "Lissabon", a Karol Pyrcik ficou a tomar conta das gatas do Marcos e da Joana, e a fazer um diário gráfico sobre a sua estadia, contrapondo as nossas visões, mas fez batota e produziu umas divertidas ilustrações sobre futilidades lisboetas e quotidianas.

Criámos um inovador “Frankenstein comix” ou uma Babel impressa? Em breve teremos reacções a este livro. Esperamos ter surpresas exteriores tão agradáveis como as que tivemos quando chegávamos aos sítios durante a digressão. #######

Apoios (tour e livro): GRRR Program + Centro Cultural de Pancevo, IPJ, MMMNNNRRRG e Neurotitan

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Historial: Realização da tour Spreading Chili Sauce around Boring Europa (1-15 Set) ... Lançamento 27 de Março na MapDesign (Lisboa) e 2 de Abril na Feira do Jeco (10 anos dos Maus Hábitos) ... Cabaz Underground (sorteio dia 3 de Abril nos Maus Hábitos) ...
exemplos de páginas:

terça-feira, 15 de março de 2011

Trust



Uma ida à Carbono para colar um certo belo cartaz fez-me disparar o sentido consumista há muito adormecido. Mas nada de CD's de 10 euros ou vinis de 5eur... nã! Fui ao refugo dos CD's a 2,5 eur que a loja nem se dá ao trabalho de guardar a rodela fora da caixa. E encontrei na secção Metal/Goth umas coisas bizarras que me puxavam prá nostalgia do Rock Industrial dos anos 90. Não resisti em comprar 4 CD's por causa:
a) da editora: Afterburn : WaxTrax! Records '94 and beyond (WaxTrax / TVT; 1994), compilação com os meus queridos KMFDM, e Pig, Die Warzau, Chris Connelly, e mais conhecido ainda Underworld e Richard H. Kirk (Cabaret Voltaire). A WaxTrax! foi uma editora que lançou os mamados do electro-industrial norte-americano (de Chicago) que produziram obras inesquecíveis ou pelo menos os melhores nomes de bandas como Revolting Cocks ou 1000 Homo DJ's. Também levavam para a América licenças de disco do melhor que se produzia na Europa como Laibach ou Front 242. No príncipio dos anos 90, com a explosão da "música alternativa", os artistas começaram a fugir da WaxTrax para irem para editoras "majors" (e no caminho a lixarem-se com isso, como aconteceu com os Melvins ou os Butthole Surfers) deixando as editoras "indies" à rasca, ou seja, sem os artistas que vendiam melhor. A TVT comprou a WaxTrax e passou a meter toda a música electrónica nesta "label", sobretudo licenças da Warp para os EUA. Esta compilação é disso resultado, entre o Electro-Rock-Industrial de marca como os KMFDM (que procurava) saltam os beats limpos e bem-comportados de Mark Franklin, B-12,... Talvez este foi o epitáfio da "label", acertei na mouche!
b) do nome: Vómito Negro seria o suficiente comprar só pelo nome... Vale os 2,5 eur! Mas comprei porque conhecia o nome destes belgas nos meus velhos tempos de Universidade embora não me lembre de alguma vez os ter escutado. Bom... tive de os experimentar tal como se experimentam drogas novas... The New Drug (Antler Subway; 1991) é o quarto álbum desta banda electro-industrial que baseia-se nos Cabaret Voltaire e salta para as linhas posteriores de exploração dos conterrâneos Front 242 ou dos Skinny Puppy. As faixas dividem-se EBM de primórdios e em Dark Ambients. Tem força dramática para não se querer dançar...
c) da capa: ia jurar que à primeira vista que Also sprach Johann Paul II (A.M.D.G.; 1997) de 300.000 V.K., seria uma banda de Power-Metal cristão. Fiquei banzado com esta capa do papa-porco-polaco e a contra-capa com o tipo vestido de armadura!? Como é possível tal obra? Como ficar admirado? Ainda há pouco tempo fizeram um musical dedicado ao Papa morto e eque esteve em exibição em Lisboa porque não um CD de... Techno!? Algures vi uma referência ao NSK e percebi que havia dedo dos Laibach por aqui. Investigações posteriores confirmaram isso, é um projecto paralelo de alguns membros do grupo esloveno que neste segundo disco fazem um Techno Trance tão chato como o Techno Trance geralmente é. No meio é identificável alguns maneirismos militares de Laibach mas basicamente é uma bosta musical total. Dedica-se ao triunfo do Cristianismo, ao Nietzsche, ao Richard Strauss e a Zaratustra mas os sinais "iconoclastas" são dificeis de identificar deixando no fim sem paciência para os decifrar. Certo mesmo é que ei-de oferecer este CD a alguém que curta Deus e isso tudo...
d) da imagem da banda: os Skin Chamber mal sabia que era um projecto paralelo dos Controlled Bleeding, projecto mítico q.b. já editado em Portugal na Fast Forward e nos CDs da colecção Antibothis. Este álbum de estreia - só haveria mais outro álbum - Wound (Roadrunner; 1991) tem umas fotos homoeróticas da banda com os dois tipos em tronco nu ou em couro num ambiente de garagem / fábrica abandonada. Coisa paneleirota mas a indicar o Industrial, tipo Tom of Finland com ferrugem que receava a ser aldrabado pró EBM. Mas não! O som é uma brutalidade Industrial-Metal mais próxima e pesada de Godflesh do que Ministry e tão lenta e "mantrica" como Swans. Apesar destas balizas não é um disco para ser desprezado porque é como se fosse Grindcore em slowmotion!!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Hipster!


Estive no Porto algumas semanas e claro que aproveitei para ir a lojas à séria porque como toda a gente sabe não há disso em Lisboa. Uma que fui é a CDGO.com que estão sempre a despachar a preços fixes discos hipsters que os hipsters já não curtem mas desta vez não encontrei nada excepto este DVD, Sound Mirrors : Videos + Remixes (Ninja Tune; 2006) dos Coldcut. Custou uns 10 euros o que é barato se pensarmos que é DVD mais CD... E curti os gajos quando vieram cá tocar... E é da Ninja Tunes, caramba!
Seja o DVD ou o CD das remisturas ambos começam bem com o tema True Skool (com voz de Roots Manuva) e percebe-se porque os Coldcut são os Mestres de beats post-House ou de house tribalistas digitais (?) só que o álbum vai variando em altos e baixos estranhos, incoerentes e falsos. Há temas de belezas artificiais enfadonhas, vai continuamente perdendo o "Groove Black" e é isso mesmo... o disco vai ficando esbranquiçado! Para Mestres da técnica de corta-e-costura (Hip Hop) é preciso ser mestre para juntar cromos como Jon Spencer, Roots Manuva, Saul Williams e não sair nada de jeito. Talvez por isso tenham tentado disfarçar as músicas pedindo vídeos que fugissem ao habitual "video-promocional" e entrassem num campo mais artístico. Só num vídeo é que aparecem os Coldcut e Manuva, True Skool - porque será? porque é um bom tema! É óbviamente um single! E por isso mereceu um vídeo promocional...
Os vídeos são ilustrações das músicas com a tal vantagem de não incluírem os stars e músicos. Assim não temos de ver palhaçadas e farsolices destes artistas a quererem-nos entreter durante 3 minutos e tal. Alguns dos filmes roçam a abstração (Sound Mirrors pelos Up the resolution), outros criam narrativas (Mr. Nichols que é um reaproveitamento de um filme de Andreas Riiser) e muitos são filmes de animação, em que destaco o divertido This Island Earth de Joel Trussell que já trabalhou no igualmente divertido vídeo War Photographer de Jason Forrest. No total há uma mensagem política de descontentamento "fim-de-Bush" / "pré-Obama" mas fazer música de dança (club, soul, r'n'b, house) com uma mensagem política parece tão contraproducente como lamber os pés a um paraplégico.
As remisturas pouco adiantam aos originais, ou seja quando o tema é bom avança-se pouco, quando os temas são chatos nada aacontece mas também se dá o fenómeno de alguns casos as remisturas serem tão vulgares que até envergonham como uma mistura Big Beat (em 2006?) dos Qemist - creio que algumas delas já devem ser antigas mas ainda assim... Por fim, um disco de remisturas é sempre uma treta que só poderá interessar os DJ's, ou só deve mesmo ser editado isoladamente, maxi a maxi, single a single mas nunca compilar em "álbum" porque soa a uma manta de retalhos sem sentido ou ordem.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Povo Eleito de Deus


Monotonix : Not Yet (Drag City; 2011)
São a melhor banda Rock ao vivo mas em disco são uma treta do pior. Garage banalíssimo com uma voz que irrita qualquer gajo. É um formato simples: bateria + voz + guitarra, funciona com a pica que têm especialmente ao vivo (mas já lá vamos) mas não estão a inventar a pólvora nem a invadir territórios novos - inevitável esta piada visto que são de Israel.
O concerto de 27 de Fevereiro na ZDB foi o concerto Rock mais divertido e hedonista que tive o prazer de assitir. Bem tentei fazer uma tira do Não 'Tavas lá!? mas queria meter tanta informação que desisti. Sucumbi à grande prova de Jahvé, foda-se! Mesmo circuncidado nunca serei Dele! Mas fazer o quê? Os gajos são o Cage do Garage! O 4'33" deles é quando montam o equipamento depois da primeira banda assim nas calmas a a falarem hebraíco alto enquanto o público espera e desmaia - é verdade houve um puto que desmaiou antes do concerto começar com a bebedeira e o calor dos focos de luz apontados para o público. São os La Fura Del Baus do Garage quando a banda desloca-se pelo espaço onde tocam, a dada altura até num espaço rídiculo como a sala de espetáculos da ZDB consegui-me perder para ir comprar cervejas. Atordoado lá descubro a porta e cruzo-me com o vocalista inundado em suor e só com boxers e sapatilhas a cantar. São os "soundscape" do Rock porque um concerto dos Monotonix os amplificadores da voz e da guitarra não andam com eles, como é óbvio. Ficam no palco mas a bateria essa ouve-se por onde anda. A dada altura a banda foi para fora da sala, lá dentro só se ouvia voz e guitarra. O público que acompnahdo a marcha non-sense da banda só podia estara a ouvir a bateria. A festa de um concertos deste trio é tal que num Domingo à noite parecia que não ia haver um amanhã, de repente parecia tudo possível naquela noite... ao ponto que houve um momento de Rock de Arena quando vocalista a tocar bateria segurado no ar (ele e a bateria) por 15 almas do público. No final, um puto ficou a tocar bateria (já desfeita) em forma de desafio para a banda voltar... Nada aconteceu. O anti-climax perfeito!
Comprei o disco porque queria uma recordação física do evento já que os bilhetes da ZDB são despersonalizados. E para apoiar uma banda que anda em tournê há 5 anos - desde o Boring Europa que percebi o quanto é importante comprar o mershandising às bandas... Mantenho este disco medíocre por causa disso.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Perkele!



Descobri ontem que no livro Jarno Markuksen Kauneimmat (Huuda Huuda; 2010) sou retratado numa situação hilariante durante a minha primeira visita à escandinávia, nomeadamente à Finlândia, ao Festival de BD de Helsínquia, em 2004. Foi uma visita bastante estranha em acontecimentos mas talvez o mais "público" foi o facto de ter ficado fechado no recinto do Festival até às tantas da manhã.
Um dos organizadores lembrou-se de ser porreiro e convidar pessoas ligadas ao festival a irem beber um vinho branco no sítio do Festival, só que entretanto o homem ficou grosso, desapareceu com as chaves do edíficio deixando cerca de 15 pessoas fechadas, entre elas eu e o Jarno Latva-Nikkola. Fui eu e o jornalista Harri Römpötti que dê-mos conta do facto de estarmos fechados. Bom... subi, fui ver se ainda havia garrafas de vinho no frigorífico e anunciei que havia "boas e más notícias": a má era que estavamos fechados e a boa é que ainda havia vinho. Em 15 minutos tudo se desmanchou! Se ao início os finlandeses estavam com uma postura super-controlada, ou seja, não se fumava dentro do recinto, ia-se à porta fazer isso, quando se ia à porta era preciso ter cuidado mas pessoas não entrarem porque o edíficio era do Estado logo se um cidadão conseguir entrar tem todo esse direito estar lá dentro porque é um edifício público (democracia à séria!). Depois do meu anúncio, pessoas e coisas começaram a cair, miúdas começaram a gritar, começamos a fumar dentro do edifício e claro acabamos com as garrafas até o tal gajo aparecer todo podre e a perguntar "o que vocês estão a fazer cá dentro?". É por isto e muito mais que gosto da Finlândia!
Por acaso não me lembro do Jarno nesta situação... até que li o seu novo livro, hilariante como sempre, e encontrei uma bd sobre esta desaventura... Achei mesmo estranho ele relatar algo assim (ou será que acontece todos festivais? hahahaha) e perguntei-lhe por isso. Pelos vistos sou o gajo barbudo com uma máquina fotográfica que aparece na última vinheta da primeira página e na quinta da segunda. Lembro-me de levar máquina (tanto que as fotos foram usadas pelo Marko Turunen sobre este episódio) mas da barba não me lembro... E ele exagerou os factos na bd, ou isso ou também estava bêbado!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Loverboys


Ei! Não é a primeira vez que sou fotografado por alguém profissional... Em 1999, a Rita Carmo fez uma sessão fotográfica comigo e o João Fazenda para a promoção das bd's do "Loverboy" no jornal Blitz

O resto é História: falhamos um prazo de entrega e o Blitz deu-nos com os pés, dizendo que estavam a publicar as últimas páginas antes dos autores terem desaparecido numa floresta italiana - o Fazenda na realidade é que falhou o prazo indo de férias para Itália esquecendo-se de entregar pranchas para as semanas que estaria fora. A ideia dos autores desaparecidos era um ripanço total à ideia do filme Blair Witch Project que estreou nessa altura... Na realidade os tipos deviam estar loucos para nos despachar das páginas do jornal porque a estória que estava a desenvolver era uma espécie de "Manoel de Oliveira em LSD" - que deu no livro Loverboy (...) muda mas fica igual (...) (Polvo; 2001) - onde nada se passava a não ser pessoal a andar de um lado para o outro após terem tomarem ácidos num acampamento selvagem. Substituiram-nos mais tarde pelo inócuo Superfuzz, granda-treta! 

Pelo menos tudo foi divertido: a sessão fotográfica (o sorriso não é forçado!) e a bd mamada estava mesmo a ser publicada semanalmente sem nada de relevante estar a acontecer... acho que se pode ainda considerar esta bd de "experimental" mesmo que o "Loverboy" fosse um produto comercial. 

Ainda me lembro do Fazenda perguntar-me ao telefone "o que achas que isto quer dizer?", sobre o facto de terem escrito uma caixa de texto sobre termos "desaparecido e que eram as últimas pranchas a serem publicadas". Hahahahahaha 

Recentemente encontrei a Rita Carmo na inauguração da Tinta nos Nervos - daí a recuperação destas memórias dignas de cidadão sénior acabado + foto. Uma coisa curiosa que ela disse foi que foi a inauguração no CCB com público mais eclético e com a maior presença de pais dos artistas... Com estórias assim é natural que os autores levem os pais ao CCB para mostrar que valeu a pena terem aguentado as asneiras dos filhos, certo?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Läjä Äijälä : "X" (Huuda Huuda; 2010)

Custa-me dizer mal de algo finlandês mas há sempre excepções à regra. De um país exemplar em produção de bd e música, este álbum hiper-luxuoso que compila as bd pornográficas S/M de Läjä Äijälä são uma tremenda seca a vários níveis. O homem é uma instituição viva na Finlândia, conhecido sobretudo por ter sido o primeiro a gravar discos de música Industrial na Finlândia e sobretudo por ter criado o Hardcore finlandês, género musical ainda hoje respeitado pelo mundo fora, para além de muitas outras aventuras sonoras.
Nos anos 90 pelos vistos estava metido na cena S/M e fazia fanzines de bd que eram vendidos para Inglaterra. As 500 cópias desapareciam em duas semanas, reza a lenda, fazendo destas bd's verdadeiras curiosidades e peças de colecção para quem conhece o trabalho de Läjä. A Huuda Huuda, a melhor editora de bd finlandesa, trouxe ao descoberto as malditas bd's embaladas em capa dura de couro (claro), papel couché brilhante (ui!) e uma produção irrepreensível para qualquer fetichista.
A bizarria passa pelo uso de fatos latex, máscaras, apropriação da figura da Betty Page, entrada em mundos torturantes "cenobitas", um pouco de tortura aqui e urina acolá. No final, nada de escandaloso ou poderoso a nível de excitação sexual ou mental - e sempre ouvi dizer que é o cérebro o orgão sexual mais libinoso do corpo! Läjä não é um artista virtuoso nem um bruto, fica numa média estética que resulta num fanzine manhoso de 1993.
Este luxuoso livro é para quem caia num triângulo amoroso por Läjä, S/M e cultura finlandesa. Quem não estiver nessa formação, não vale meter-se nisto...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

piple du rescaldo


até ao final de Fevereiro está a exposição da Vera Marmelo na Trem Azul... são os retratos dos músicos e não-músicos do Festival Rescaldo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Imbecilon

Há várias razões de chamar o suplemento Ipsílon do jornal Público de "Imbecílon". Se calhar demasiadas mas o discurso não seria para explorar as falhas editoriais porque seriam sempre migalhas de algo superior que se instalou na sociedade portuguesa, nomeadamente o fenómeno terceiro-mundista que é a "fuga dos cérebros" - ou seja, os melhores talentos e intelectos a partirem para outros países onde possam ter uma maior realização profissional (monetária ou não). O Portugal Rural parece um estigma para sempre marcado neste país pobre, de fracos recursos, com incapacidade para investimento e inovação.
L.M.O. (Luís Miguel Oliveira) é crítico de Cinema neste suplemento e apesar do pobre-diabo não poder saber que na mesma semana que escrevia sobre um filme qualquer - Tu que vives - tinha inaugurado a exposição Tintas nos Nervos e que o seu colega de redacção José Marmeleira escrevia um artigo (menos inspirado que o habitual, por acaso) sobre a dita exposição, não impediu de fazer a relação anacrónica do filme ser "cartoon" ou "bd". Cartoon (cartum?) quer dizer piadas e anedotas, tudo bem, o filme parece ser pleno de anedotas pelo que li da resenha. BD para dizer a mesma coisa (piadas e anedotas) é imbecil e intolerável quando se mostra uma bd há muito livre do espartilho do humor e da caricatura. Mas se calhar cada um merece o têm, o L.M.O. merece estar neste suplemento cultural desconexo.

PS - ainda sobre o Público, jornal que comemora 20 anos em decadência - longe vão os tempos que era inovador e ousado - como é que na Segunda-Feira da inauguração da exposição, o artigo sobre a exposição consegue creditar o fotógrafo sem creditar os desenhos da Jucifer que eram a totalidade e foco total da fotografia publicada? Ou como nem se quer havia uma referência à autoria da obra fotografada no texto? Ao ler a legenda pensa-se que o desenho será do fotógrafo e não da autora. Não é uma lamechice o que digo, nem se reporta para a eterna insultada bd, infelizmente já vi isto acontecer com outras exposições, em que existe uma incidência sobre uma obra - e não sobre o espaço expositivo ou outros elementos - e quem fica creditado é o fotógrafo. No mínimo usa-se uma legenda para a obra fotografada... Um blogue-zine a ensinar jornalismo ao grande Público? Até parece um "cartoon"...

PPS - lembrei-me de outra nesta relação Público / BD / fuga de cérebros... para um jornal que há 20 anos apostou em bd (Pedro Cavalheiro, Vasco Colombo, ...) e na ilustração (as edições ilustradas quando inauguravam o Salão Lisboa ou a Ilustração Portuguesa) é engraçado que nunca se lembrou de falar no estado inerte da Bedeteca de Lisboa, desde 2006, quando a Câmara Municipal de Lisboa deixou cair a Ilustração Portuguesa. É estranho que nunca no Público se tenham questionado «olha, este ano ainda não fizemos uma edição ilustrada do jornal!?» Pelos vistos preferem a bedófilia homoerótica do Alix ao serviço comercial da Asa / LeYa...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

farra unDJ trem marmelo


retratos por Vera Marmelo.
porquê?
porque vou meter som na Trem Azul, no Festival Rescaldo, dia 22 deste mês, e a Marmelo tirou retratos a todos os participantes do Festival para uma exposição na Trem - que inaugura AMANHÃ.
...
o que está errado na foto?
drogas!
entretanto estou com o cabelo curto e ninguém vai-me reconhecer!