
desculpem aqueles que esperam novas neste blogue desde Setembro do ano passado!
Fundado por Pedro Brito e Marcos Farrajota em 1992, este zine de BD é um projecto mutante que começou em fotocópia, passou pelo "perzine" (com as autobiografias de Farrajota), monografias (Nunsky, Isabel Carvalho, Mike Diana, André Lemos, João Maio Pinto) e edições colectivas. Desde 2021 que voltámos às bases, publicando monográficos de novos talentos, projectando-os prá praça pública.

Não vale a pena ficar assustado com este livro pelos desenhos horrorosos do Vítor Rua, pelo "copyright" da SPA na ficha técnica ou da fotografia de Jorge Lima Barreto a segurar um gato (siamês) - Cliché Fotográfico de Todo o Escritor na Badana do Livro Nº1.






Custa-me dizer mal de algo finlandês mas há sempre excepções à regra. De um país exemplar em produção de bd e música, este álbum hiper-luxuoso que compila as bd pornográficas S/M de Läjä Äijälä são uma tremenda seca a vários níveis. O homem é uma instituição viva na Finlândia, conhecido sobretudo por ter sido o primeiro a gravar discos de música Industrial na Finlândia e sobretudo por ter criado o Hardcore finlandês, género musical ainda hoje respeitado pelo mundo fora, para além de muitas outras aventuras sonoras.
Há várias razões de chamar o suplemento Ipsílon do jornal Público de "Imbecílon". Se calhar demasiadas mas o discurso não seria para explorar as falhas editoriais porque seriam sempre migalhas de algo superior que se instalou na sociedade portuguesa, nomeadamente o fenómeno terceiro-mundista que é a "fuga dos cérebros" - ou seja, os melhores talentos e intelectos a partirem para outros países onde possam ter uma maior realização profissional (monetária ou não). O Portugal Rural parece um estigma para sempre marcado neste país pobre, de fracos recursos, com incapacidade para investimento e inovação.



Inaugura dia 10 de Janeiro, às 19h30, na Colecção Berardo no Centro Cultural de Belém a exposição Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa. "Esta exposição visa dar uma perspectiva ampla da criação da banda desenhada portuguesa, procurando o encontro com novos públicos diversificados e expandindo a percepção social desta linguagem. A banda desenhada é sobretudo conhecida como uma linguagem de entretenimento, de massas, afecta ao público infanto-juvenil, sendo muito difícil que alguém não conheça as muitas personagens famosas que compõem essa paisagem cultural. No entanto, tal como em quase todos os outros campos artísticos, a banda desenhada também tem um número de autores que a procuram empregar como um meio de expressão mais pessoal, ou uma disciplina artística aberta a experimentações várias, informadas pelos discursos contemporâneos. Seja pelo lado da escrita, com autores a explorar a autobiografia, uma abordagem da paisagem cultural nacional, problemas de género ou políticos, seja pelo lado da visualidade, explorando novas linguagens, estruturações da página e até graus de abstracção. O mercado de banda desenhada em Portugal, não sendo propriamente forte nem muito diverso, quer em termos de traduções de obras contemporâneas ou históricas quer de trabalhos originais nacionais, é contraposto por toda uma série de experiências em círculos da edição independente ou de projectos alternativos que tem sido um produtivo solo para criadores extremamente interessantes e inovadores.
A exposição presente focará sobretudo autores modernos e contemporâneos – ainda que haja um desvio por dois autores históricos, experimentais na sua época: Rafael Bordalo Pinheiro, o “pai” da banda desenhada moderna portuguesa, e Carlos Botelho, autor do magnífico Ecos da Semana – que procuram elevar a banda desenhada a uma linguagem adulta e inovadora artisticamente. Do desenho suave de Richard Câmara às experiências de Pedro Nora, do minimalismo a preto-e-branco de Bruno Borges à multiplicidade de Maria João Worm, da presença solta de Teresa Câmara Pestana à exuberância das cores de Diniz Conefrey, da austeridade de Janus à vivacidade de Daniel Lima, haverá um largo espectro, ainda que pautado por critérios de pertinência artística, representativo desta área no nosso país. Estarão presentes autores de algum sucesso comercial e crítico (como, por exemplo, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Nuno Saraiva e Victor Mesquita) e outros autores de círculos mais independentes (de Jucifer a André Lemos, Miguel Carneiro e Marco Mendes); autores cujas bandas desenhadas parecem obedecer às regras mais convencionais e clássicas da sua fabricação mas para explorar temas disruptivos (como Ana Cortesão, Pedro Zamith e Marcos Farrajota) e outros que as parecem ultrapassar em todos os aspectos (como Nuno Sousa, Carlos Pinheiro ou Cátia Serrão); e ainda artistas que criaram objectos impressos que empregam elementos passíveis de aproximação a uma leitura ampla da banda desenhada, isto é, fazem-nos pensar numa sua possível definição ou apreciação mais alargada (como Eduardo Batarda, Tiago Manuel, Isabel Baraona e Mauro Cerqueira). Nalguns casos, a exploração que os artistas fazem do desenho ganham corpo noutros objectos que não de papel, e que serão integrados nesta mostra (animações, esculturas, bonecos, maquetas, e fanzines-objecto, com larga incidência para aqueles criados por João Bragança)."
Alguns dos 43 artistas terão trabalho exposto: Ana Cortesão, André Lemos, Bruno Borges, Carlos Botelho, Carlos Zíngaro, Filipe Abranches, Isabel Carvalho, Janus, João Fazenda, João Maio Pinto, Jucifer, Marcos Farrajota, Maria João Worm, Miguel Carneiro, Pedro Nora, Pedro Zamith, Pepedelrey, Rafael Bordalo Pinheiro, Tiago Manuel entre outros. A exposição foi comissariada por Pedro Moura e estará patente até 27 de Março.
Lançamento de "Vídeojogos são para falhados" do Rudolfo (Maus Hábitos; 13 Fev 2010)
Nos anos 70, a cultura juvenil não estava para brincadeiras. Depois das explosões e implosões de 68, muitos abriram os olhos para quem estava a manipular a cultura e as indústrias de entertenimento. No caso do Rock ou da música Pop não faltou críticas em livros como estes que aqui são mostrados: Pop Music / Rock (A Regra do Jogo; 1974) dos franceses Philippe Daufouy e Jean-Pierre Sarton, e O Mundo da Música Pop (Paisagem; 1973?) do alemão Rolf-Ulrich Kaiser.