sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
10 cidades tornam-se numa aldeia
sábado, 23 de abril de 2022
Pio neiro
O Santo Graal dos discos: descobrir o pecado original. O primeiro gajo ou banda que [preencher qualquer coisa aqui] na música. Apesar das certezas há sempre descobertas, o que mete em causa o que é a originalidade e a sua validação no discurso artístico. Então, agora apanhei este Song of the Second Moon (Fifth Dimension; 2015) de Tom Dissevelt e Kid Baltan (soa a contemporâneo este nome por cauda do "kid") um disco de 1962, gravado entre 1957 e 1961. É considerado o primeiro "disco de electrónica com popularidade" ao ponto de ter sido considerado por Kubrick como banda sonora para o seu 2001. Antes há os descobridores sonoros - Martenot ou Theremin - ou os compositores sérios - Stockhausen, Varèse. A dupla holandesa são uma segunda vaga de gajos mais funcionais como os torturadores de circuitos da banda sonora do filme Forbidden Planet (1956) e os vendedores televisivos - o tema da série de TV Dr. Who (1962) - estando aqui com um disco que pretende ser "espacial". Os sons artificiais devem ter demorado eternidades a fazer, falamos ainda de fitas magnéticas a serem cortadas e remontadas até à exaustão, construindo ambientes e cenários que serão mais tarde expandidos para a psicadelia "Krautrock" e o Techno mais dançável ou mais "chill". Para o fim do disco há Swing e Jazz a lembrar o Dean Elliott - curiosamente Zounds! também é de 1962 - talvez para acalmar e satisfazer as necessidades do "normie" de 62.
O Pecado Original dos discos: satisfazer o Santo Graal do mercado. Coil vende! Aliás, é a única coisa que ainda vende... Ao ponto que ao fazerem a reedição comemorativa dos 30 anos de Love's Secret Domain (1991) a Wax Trax! é trazida dos mortos. Loja e mais tarde editora de Chicago que foi o berço do Industrial norte-americano - Ministry. Revolting Cocks, KMFDM, Controlled Bleeding,... Mas não é verdade, a companhia regressou em 2014 mas parece que só lida com reedições do seu catálogo mítico. Voltanto atrás, sim Coil vende e com razão, pareciam estar sempre à frente de tudo e de todos. Este é mais um disco que prova isso, em estado de graça no admirável novo mundo do sampler e MIDI, onde o Techno e Rave são mastigados para algo que irá aparecer passado um ano ou dois - seja os ambientes de Aphex Twin seja o trip-hop dos Massive Attack. Não é música de dança embora use os seus ritmos e padrões. O dramalhão da música deles mantêm-se, claro, senão não era Coil. Boa reedição com bom texto de um gajo de Matmos / Soft Pink Truth.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Isto é que é!
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Efeito Merkel

Michael Rother : Sterntaler (Polydor; 1984; orig.: Sky; 1978)
Encontrei este cromo do Krautrock (Kraftwerk, Neu!, Harmonia) pela segunda vez a solo - e curiosamente o encontro é com o segundo álbum, tal como o primeiro encontro tinha sido com o primeiro álbum numa pefeita coincidência cósmica entre a lixeira e a segunda mão. Desta vez foi na Feira da Achada há algumas semanas a 2 euros o LP... Talvez porque depois de um fim-de-semana no Milhões de Festa com dezenas de bandas Kraut ou Post Rock não haja paciência para mais disto. Não sei, não entra / convence / molha... ao ponto de no primeiro encontro nem ter feito o registo neste blogue onde costumo comentar todos os discos que me chegam...
A música parece infantil ou lembra más séries de TV, tanto faz, na sua Rockice germánica instrumental. O ritmo "motorik" ainda é naquela, as guitarradas xunguitas é que não. Será que vou cair na esparrela de ouvir o terceiro álbum no meu terceiro encontro?
Realmente não há paciência para alemães e branquelos, felizmente ainda apanhei lá na Achada, um CD de Carlo Jones & The Surinam Kaseko Troubadours (MW; 1995), que é uma mestiçagem de música Voodoo com o Jazz à Nova Orleães. Soa realmente a Caribe puro e duro mesmo que seja do país mais pequeno da América do Sul e onde se fala em holandês! WTF!? O mundo foi mesmo todo fodido por europeus que cheiram mal dos pés! Morte aos brancos!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O que faz falta é avisar a malta...
Nos anos 70, a cultura juvenil não estava para brincadeiras. Depois das explosões e implosões de 68, muitos abriram os olhos para quem estava a manipular a cultura e as indústrias de entertenimento. No caso do Rock ou da música Pop não faltou críticas em livros como estes que aqui são mostrados: Pop Music / Rock (A Regra do Jogo; 1974) dos franceses Philippe Daufouy e Jean-Pierre Sarton, e O Mundo da Música Pop (Paisagem; 1973?) do alemão Rolf-Ulrich Kaiser.Curiosamente ambos editados em Portugal numa altura que o boom do rock português ainda estava para vir, ninguém deve ter ligado aos ensinamentos destes livros que além de contarem a história do Pop/Rock aproveitam para dissecar a indústria fonográfica, da forma como exploram económicamente e ideológicamente os artistas e os consumidores-ouvintes.
São livros essêncialmente datados na era do Wikipedia e do mp3 (ilegal ou legal) mas ainda assim não deixam de serem inspiradores porque previram a decadência da música Pop/Rock e projectam a vinda de uma "nova música" (que ligam o Rock às vanguardas do Improv e do Free) - no caso de Kaiser, ele próprio será dono de uma editora de Krautrock. E ainda deita por fora os argumentos que a pirataria destroí a música, afinal, a verdade é que as grandes companhias viveram muitos anos com lucros bem gordos graças a nós, amantes de música.
Há poucos livros de Pop/Rock em Portugal, a maioria são de letras de bandas ou biografias de dinaussários. Muito poucos ou nenhuns de reflexão - como as brilhantes compilações do Rui Eduardo Paes - por isso se apanharem estes títulos nos alfarrabistas e afins aproveitem. O de Raiser acaba por ser o mais sarcástico e discursivo. Reproduz também uma entrevista ao Frank Zappa.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Pecado original
Troquei uma merda qualquer com o Camarada Fon Fon por este CD que reedita os dois discos dos anos 60 - Silver Apples (1968) e Contact (1969) - dos Silver Apples, uma dupla constítuida por um baterista e um vocalista toca um monstro electrónico que ele próprio construiu - o Simeon, que é feito de vários osciladores de rádio que emitem sons "espaciais" e "futuristas". Reparo para esta edição que no livrinho do CD mostra um esquema quer da bateria (enorme!) e quer do Simeon também ele enorme por causa da tecnologia primitiva da altura - aliás, tão primitivo que reza a lenda que deu cabo do quadro de electricidade da ZDB quando tocaram o ano passado.
O som é algo realmente 60's mas com ideias tão avançadas que quase não notariamos por elas -até porque o que se continua a fazer nos dias de hoje são repetições dos anos 60, seja como for, e digo isto sem uma "daquelas pessoas" que escrevi anteriormente. Sobretudo as letras tem uma pitada Freak-Hippie de subúrbio, alguns sons psicadélicos também são datados q.b. mas há um "groove" que está para além dos anos 60, quase que "alien" e "rave". Um andamento orgánico não fosse toda a bateria e "electrónica" feita com músculos de humanos, ao contrário de que ouvimos hoje feito em loops perfeitinhos e limpinhos.
Ouvindo o CD que junta os dois discos não há um momento de divisão de qualidade ou de diferença de estilo entre os dois álbuns, excepto que no segundo os Silver Apples passam a usar também um banjo aqui e acolá como no tema Confusion - Confusão? O mundo nunca foi linear como se lê nos livros de História...
domingo, 7 de setembro de 2008
Saídos da casca
terça-feira, 6 de junho de 2006
É Punk, estúpido!

v/a: "Trash! The roots of Punk!" (Mojo; 2006)
Apesar da 3ª Guerra Mundial já ter começado e ninguém ter dado por ela - é natural, ela começou e desenvolveu-se de uma forma que não a esperada -, o espectro do desemprego ou emprego precário e a impossibilidade de gozarmos a vida em plena riqueza material e espiritual, vivemos o melhor dos mundos porque actualmente é tudo à pala! Jornais no metro, revistas de música, toda a música do mundo (Viva Soulseek!), e não sei o quê mais. Basta comprar um pacote de fritos para engasgarmos com um brinquedo de plástico. Compramos o Expresso e levamos um DVD ou um bife de porco atrás. E uma revista sem CD áudio é impossível não haver - só o triste Blitz-versão-revista é que ainda não o faz sabe-se lá porquê mas quem quer saber?
Infelizmente a maior parte dos CD's de oferta são sempre feitas com um Design popularucho cheio de brilhos e efeitos feios (iguais aos dos refrigerantes e das t-shirts com temas do Wrestling americano), tem uma falta de coerência editorial na selecção das faixas e do seu ordenamento. São CD's que promovem um mercado limitado no tempo e na ocasião, e raramente ficam nas estantes dos fãs de música porque raramente podemos ver estes CD's como "discos" ou de "álbuns" - são promoções tão importantes como os samples de perfumes no Shopping ou nas revistas de mulheres.
Por mero acaso, o DJ Milkshake há alguns anos indico-me a Mojo - uma revista britânica de arqueologia Pop cujas capas tem sempre bandas de tipos com mais de 40 anos e/ou mortos, ex.: Rolling Stones, Led Zep, Sex Pistols, Radiohead... ok! já tiveram os betinhos dos Strokes na capa mas só porque a editora deve ter mexido uns bons cordéis - mas dizia... o Milkshake indicou-me a revista porque a dada altura eles começaram a fazer umas colectâneas bem interessantes na lógica comercial e linear do CD de oferta mensal. Foram quatro volumes de uma série intitulada Mojo Music Guide e cada volume tratava de géneros musicais como o Garage-Punk, as raízes do HipHop, a Soul e o Blues. Isto com um grafismo (muito) atraente e uma selecção bem esgalhada e pedagógica. Infelizmente, fizeram só quatro volumes e voltaram à xungaria de sempre. Ainda fazem algumas colectâneas temáticas engraçadas mas insistem nas capas mais impróprias ao conceito de Belo.Por acaso, o CD do número de Junho até surpreendeu (o Iggy está sempre bem, man!) ao dedicar-se às origens do Punk britânico e onde vamos encontrar inesperadamente (ou nem por isso) bandas pré-1976 de Pub-Blues-Rock, Glitter/Glam Rock, Hard Rock, Psicadélico e Krautrock - e os Stooges, claro! Começa logo com a promiscuidade dos New York Dolls e o clássico Personality Crisis, T-Rex a seguir («Calling all destroyers») e vai por uma listagem de gente desconhecida (*) ou mais ou menos conhecida como os (alemães) Can, Mott the Hoople (potente!), Dr. Feelgood, Hawkwind (o tema é, curiosamente, Motorhead)... Assim até vale a pena ler sobre estórias da carochinha Pop/Rock da Mojo. No fim, ainda temos esperança no Rock'n'Roll Reeditado porque o que se ouve nos dias de hoje é mesmo uma meninagem frente às guitarradas destes burgessos dos inícios de 70 quando eles saiam malcheirosos das fábricas (quando havia fábricas na Europa e não na Malásia, foda-se!) prontos a emborcar pints, a pintar os lábios com baton rasca, a usar lantejoulas e botas de canudo cor-de-rosa ultra-choque. Ah!
Qualidade numérica: 4,2/5 Objectivo pós-audição: A capa não envergonha ninguém no meio da colecção!
(*) pelo menos para mim nomes como Hollywood Brats, Jook, Count Bishops, Hammersmith Gorillas, Kilburn and the High Roads, Eddie and the Hot Rods, Be-Bop Deluxe e Groundhogs não me dizem nada...
sábado, 4 de fevereiro de 2006
I ou II ou UK ou 1.2?
Amon Düül: "Fööl Moon" (Spalax Music; 1997)
Editado originalmente como LP em 1989, é reeditado por uma editora francesa, especializada em reedições de Prog e Krautrock, géneros musicais de onde os Amon Düül são um dos grupos mais carismáticos. A história deste grupo alemão é uma confusão total graças à bifurcação do grupo original - que era o bébé artístico de uma comunidade estudantil rebelde & orgiática dos emancipantes anos 60 do século passado - com outro grupo homónimo que acrescentou "II" no fim do nome.
O primeiro grupo mais virado para a performance lançou álbuns entre 1969 e 1972 - ao que parece as gravações são relativas a uma jam-session de 1969 (?). O segundo grupo era constituído por cinco elementos do primeiro grupo - os músicos "verdadeiros", os virtuosos - e gravaram o famoso Phallus Dei (Liberty; 1969) até chegarem a uma decadência Pop nos anos 70. John Weinzierl, um dos fundadores dos (dois) grupos decidiu reactivar o primeiro nos anos 80 com elementos de Hawkwind, Van der Graaf Generator e Ozric Tentacles, na tentativa de captar a energia inicial do(s) grupo(s). Para confundir ainda mais as coisas, a banda ora usava o nome original, ou identificava-se com "UK" ou ainda usava "III" (raramente) no fim do nome. Confusos?
Bem, a música deste quinto e último álbum da versão 1.2 ou UK ou III é mais simples do que as questões de denominação... este é sem dúvida mais um álbum de Prog, ignorado pelos seguidores talvez porque já morreram quase todos juntamente com o Syd Barrett, ou porque não se aperceberam que os tipos voltaram nos anos 80. A informação na 'net é quase escassa sobre o disco (por desdém?) ou sobre os discos desta "fase" - em parte porque a maior parte dos discos não traziam quase nenhuma informação sobre as suas gravações.
Desta "lua parva" não há muito de impressionante: o psicadelismo guitarresco é o bacoco dos 60/70, alguns elementos concretos são bastante banais, há um tema com cítaras (o último, Hymn for the Hardcore), um tema de 16 minutos (Haupmotor, já agora, o álbum tem apenas cinco faixas) e pouco mais. Uma ode à preguiça portanto.
Qualidade numérica: 3/5 Objectivo pós-audição: Vai prá Troca de Discos!



