A BD foi publicada na Jazz.pt deste mês juntamente com outra BD de autoria da Jucifer - erradamente creditada com os nossos nomes - e que relata outra actividade do XJAZZ. Comprem a revista que anda por aí pelas bancas e até tem uma entrevista ao Felipe Felizardo, que no dia 28 de Julho terei o prazer de dividir com ele o tanque do Bartô para entreter-vos numa noite de Sábado à noite - tal como aconteceu recentemente mas com o Jíboia.sexta-feira, 6 de julho de 2012
Comix Jam
Já tinham sido avisados eis o resultado da BD em estilo Jam entre mim e Joana Pires...
A BD foi publicada na Jazz.pt deste mês juntamente com outra BD de autoria da Jucifer - erradamente creditada com os nossos nomes - e que relata outra actividade do XJAZZ. Comprem a revista que anda por aí pelas bancas e até tem uma entrevista ao Felipe Felizardo, que no dia 28 de Julho terei o prazer de dividir com ele o tanque do Bartô para entreter-vos numa noite de Sábado à noite - tal como aconteceu recentemente mas com o Jíboia.
A BD foi publicada na Jazz.pt deste mês juntamente com outra BD de autoria da Jucifer - erradamente creditada com os nossos nomes - e que relata outra actividade do XJAZZ. Comprem a revista que anda por aí pelas bancas e até tem uma entrevista ao Felipe Felizardo, que no dia 28 de Julho terei o prazer de dividir com ele o tanque do Bartô para entreter-vos numa noite de Sábado à noite - tal como aconteceu recentemente mas com o Jíboia.sábado, 30 de junho de 2012
#24

Lançado na 20ª Feira Laica pela MMMNNNRRRG, este novo número do Mesinha de Cabeceira é limitado a 333 exemplares, custa 3 euros (sem descontos nem não estará à venda em lojas excepto na loja em linha da Chili Com Carne) e tem 24 páginas A5, 16 delas a duas cores.
A capa como se pode verificar é a cores e é da autoria do Dr. Uránio.
Voltando ao formato "perzine" dos velhos tempos dos números 10, 11 e 12 nos anos 90 (reeditados há alguns anos pela colecção Mercantologia), este novo número inclui BDs inéditas de Tim Morris, Marcos Farrajota e Gigi i Gigi.
:::
Antes de apagar a luz (o editorial editado para este "post")
(...) se nos últimos números do Mesinha de Cabeceira as BDs dos autores eram pedidos trabalhos na forma de encomenda neste número e os seguintes (não sei quantos números serão esta série) tal não acontece [algumas das BDs foram "encontradas"]. Esta é uma das situações, a principal no entanto passa pela minha vontade de voltar ao Mesinha para publicar as minhas BDs que produzi em dois meses numa residência artística na Finlândia. Todo o projecto é uma pretensa "novela gráfica" de vários capítulos, dos quais só conclui três na minha estadia escandinava. É-me inconcebível pensar em fazer mais 60 páginas (serão?) para depois sair num volume único.
(...) Parte da inércia em acabar esta "novela gráfica" deve-se ao facto de ter dúvidas do que estou a fazer, da forma como estou a tratar os temas, etc... Sem qualquer "feedback" tirando o de um círculo íntimo de amigos, sinto uma enorme necessidade de mostrar publicamente o que já está feito - e usar isso como alavanca para concluir o trabalho. De certa forma é um regresso à fórmula "perzine" que caracterizou os números 10, 11 e 12 do Mesinha em que a vontade de publicar BDs auto-biográficas era complementada com participações de outros autores.
(...) Antes de ir para a Finlândia fartei-me do Mesinha de Cabeceira, e dado ao facto do próximo número ser o 23, possibilitei o enterro do projecto pelas mãos do Pedro Brito - para quem não sabe, fomos nós os dois que criamos este título em 1992, tendo o Pedro desistido dele por volta do número 6. (...) O ano de 2012 é a comemoração dos 20 anos do zine e seria uma óptima altura de acabar com ele, afinal de contas "20 anos é demasiado tempo de existência para um zine". Um volumoso volume (passe a redundância) está a ser preparado, sem o Pedro (não anda com tempo para nada) e incluirá velhos colaboradores (Rafael Gouveia, dice industries, João Chambel, Daniel Lopes), novos autores (André Coelho) e novos talentos da cena portuguesa (Zé Burnay). É preciso esperar por Outubro.
O Mesinha é para continuar! Tanto que até salta para o número 24 sem pensar duas vezes!
(...) Dr. Uránio que fez a capa. Ele é um dos segredos mais bem guardados do Porto! Mestre da restauração e acomodação é um insanciável respigador de falhas urbanas, talvez por isso tenha desenvolvido sob efeitos cibernéticos de talidomida essa técnica ubíqua dos séculos XX e XXI chamada de “colagem”. No passado poderão encontrar trabalhos desta douta pessoa no livro de poesia Y el hambre y los ciegos de Héctor Arnau e em várias edições fonográficas da Marvellous Tone.
(...) Tim Morris, ilustrador e argumentista inglês, nasceu em Sheffield a 20 de Abril de 1957, vive e trabalha em Leicester. "Mente perversa" e "O Escapista" são as suas duas únicas obras publicadas em Portugal, ambas em 2005 pela Campo das Letras. O autor é representado cá pelo artista Tiago Manuel que lhe encomendou esta BD para a revista Quadrado (...) A revista no entanto foi cancelada o que nos levou a contactar o Sr. Manuel - que no passado já nos tinha apresentado ao premiado alemão Max Tilmann - para que a BD deste britânico não ficasse nos arquivos bafientos da “instituição abandonada” da Câmara de Lisboa.
(...) a dupla eslovaca Gigi i Gigi também aparece aqui perdida, vítima da desilusão do tal número 7 da Quadrado - há rumores que a revista volte a ser publicada em breve mas por outra equipa editorial, numa quarta série! Esta BD marca o final da parceria artística entre os dois autores que adoptaram Portugal como sua casa.
(...) Portugal não gosta de movimento. Mais uma razão para não abandonar o Mesinha de Cabeceira.
Marcos Farrajota
Lisboa, 19 Junho 2012
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saari residence
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Faz o que te digo, não faças o que eu faço…
Elliott Sharp : Tectonics : field & stream (Atonal; 1997)
Há um comportamento óbvio nos dias da ‘net em relação à música. Lê-se um texto sobre música e depois vai-se sacar os ficheiros dos discos algures num torrent ou apenas ouvir a música em youtubes, bandcamps e afins… São 50 os textos do livro Bestiário Ilustríssimo (Chili Com Carne + Thisco; 2012) do ilustre REP, todos eles tentadores de investigações virtuais mas admito que não passei 50 dias a procurar discos do que ele escreve, tomando em conta que uma pessoa possa ler um texto por dia e como tal investigue uma banda / músico / disco / movimento – é assim que tento convencer as pessoas a comprarem o livro, diga-se de passagem.
O problema é que pela primeira vez invés de ter sido um ávido leitor do REP fui um editor de um livro do REP.... Tive de ler em primeira mão os textos, santa glória! Essas leituras foram feitas o ano passado, durante a minha estadia na Saari Residence, foram leituras concentradas em procurar erros, gralhas, incorrecções – contabilizados em valores microscópicos – mais do que em pensar em ir à ‘net sacar discos.
Mas há coisas que ficaram na cabeça e não sendo um “downloader compulsivo”, vou encontrando agora discos ou músicos referidos no livro, tal como aconteceu com este projecto do guitarrista Elliott Sharp, encontrado algures na Feira da Ladra. Trata-se do segundo disco sobre a denominação Tectonics onde o músico mistura beats e breakbeats electrónicos com uma guitarra baixo, fazendo uma cyber-caldeirada de electrónica dos anos 90 com Improv e até algumas “etnices” polirítmicas. Não serve para dançar e ninguém vai ouvir isto no sofá para descansar ou apreciar – eu pelo menos ainda não o fiz, quem descansa nos dias de hoje? Quem me dera voltar aos descansos cheios de epifanias de 1997!
sábado, 16 de junho de 2012
unDJ FarraJ || CHAPITÔ

JIBÓIA A fuga de um Maharaja perseguido pelo seu povo acaba numa emboscada em pleno mar alto, por um grupo de macacos salteadores comandados por uma espécie de Omar-quimera (Souleyman do ocidente / Rodríguez-López do Oriente), com laivos de maresia tropical e frescura espanhola à mistura.
unDJ FarraJ é mais um disfarce de um elemento ligado ao DJihad ao Bairro Autismo, outrora ligado ao colectivo OSAMAsecretLOVERS e não se sabe ao certo que relação ao unDJ MMMNNNRRRG. Nesta persona dúbia sabemos que passa música do Médio-Oriente do passado e contemporânea sem a protecção de Alá.
domingo, 27 de maio de 2012
A professora Gininha...
Desenhos montados do meu diário gráfico na visita a Vila Cova de Alva. Estes esboços e outros de outros autores da Associação Chili Com Carne irão aparecer no site da XJAZZ que promove eventos envolta do jazz nas aldeias de xisto. Os autores da Chili estão a fazer "BDs reportagem" dos eventos e serão publicadas na revista jazz.pt. No meu caso a BD será a meias com a cara metade Joana Pires, em modo de fusão "light"... Depois vocês vêem!
sexta-feira, 25 de maio de 2012
CIA info 78.0
A minha BD Ano 2012 foi parar ao regresso do zine Cru - que salta para o número 34, depois do último ter sido o 13 (em 1999) e nunca ter sido feito o #12... a cena dos zines é tudo uma aldrabice, pá! Isto só para comemorar também os 20 anos do Cru!
Os lançamentos já estão programados para dia 25 de Maio no V5 (Porto) e em Lisboa na 20ª Feira Laica.
Os lançamentos já estão programados para dia 25 de Maio no V5 (Porto) e em Lisboa na 20ª Feira Laica.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Azeiteiros
O Ghuna X deu-me um colhón de CDs mitras dele para trocar... Que monte de esterco! A minha vingança será terrível!!!
Começo pelo CD de promoção dos Dawholeechilada e do single Supersónica!! (Universal Spain; 2002). Os nostros hermanos tem o pior gosto do mundo ou se calhar os chineses até podem ter pior mas ao menos não os percebemos... Hard Rock com vocalizações rapadas do mais azeiteiro possível... e uma capa a imitar os "comic-books" da Marvel. Tanto desperdício de recursos para 3 minutos e 1 segundo de música imunda...
Pior é o norueguês Egil Olsen e o álbum nothing like the love i have for you (IKNOWWHATYOUDIDLASTRECORDS; 2009) uma espécie de Badly Drawn Boy com letras rídiculas que se podem desculpar para rapaziada com menos de 20 anos mas não para um gajo na casa dos 30. A nossa sociedade há muito que sofre o terrível Sindroma de Peter Pan mas ao menos conterrâneos seus queimaram igrejas, massacraram comunas e outros poemas... Olsen, seu merdas, pega na navalha e vai matar um bófia, vai!
E o que dizer de Fevertech? When junk has a [entra uma imagem de um coração] (2005) é uma bosta electrónica de breakbeats, electro e batidas de mau-gosto, confusão de identidade e sobretudo de ego obtuso que não sabe quando um disco deve chegar ao fim... Não encontrei a capa do disco porque nem me esforçei para tal... que se lixe!
...
Mas onde o gajo X arranjou esta porra toda?
Começo pelo CD de promoção dos Dawholeechilada e do single Supersónica!! (Universal Spain; 2002). Os nostros hermanos tem o pior gosto do mundo ou se calhar os chineses até podem ter pior mas ao menos não os percebemos... Hard Rock com vocalizações rapadas do mais azeiteiro possível... e uma capa a imitar os "comic-books" da Marvel. Tanto desperdício de recursos para 3 minutos e 1 segundo de música imunda...
Pior é o norueguês Egil Olsen e o álbum nothing like the love i have for you (IKNOWWHATYOUDIDLASTRECORDS; 2009) uma espécie de Badly Drawn Boy com letras rídiculas que se podem desculpar para rapaziada com menos de 20 anos mas não para um gajo na casa dos 30. A nossa sociedade há muito que sofre o terrível Sindroma de Peter Pan mas ao menos conterrâneos seus queimaram igrejas, massacraram comunas e outros poemas... Olsen, seu merdas, pega na navalha e vai matar um bófia, vai!E o que dizer de Fevertech? When junk has a [entra uma imagem de um coração] (2005) é uma bosta electrónica de breakbeats, electro e batidas de mau-gosto, confusão de identidade e sobretudo de ego obtuso que não sabe quando um disco deve chegar ao fim... Não encontrei a capa do disco porque nem me esforçei para tal... que se lixe!
...
Mas onde o gajo X arranjou esta porra toda?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Farçolas

Mouse On Mars : niun niggung (Sonig / Rough Trade; 1999)
Ouvir este CD é como ver um "mico-leão dourado" - nome que se dá no Brasil para o bicho da capa do disco - a atravessar campos de golfe à procura de fruta, ou a entrar num campos de ténis para caçar pássaros, ou a visitar estufas para deglutar insectos, a escancarar galerias de arte coentemporânea com aquelas instalações kitsch para comer lagartos ou a nadar numa piscina pública da RDA para jogar badminton, entre várias outras hipóteses de uma vida misturada de vídeojogo, ambientes artíficiais e restos mortais de texturas analógicas.
A edição norte-americana tinha uma capa diferente bem como o "set" das músicas, não se sabe bem porquê... Talvez porque o disco é o que é, pós-techno e IDM de um projecto que não tem rival ainda nos dias de hoje. Claro que é um disco que se deve ouvir em momentos especiais, só não sei quais... hum, talvez durante e depois de uma experiência homossexual com alguém de Marte?
sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
I-I-I-I

Festival de Helsínquia 2008 (?), foto sacada ao blogue do Marko Turunen, Kristiina a falar comigo, Tommi Musturi por trás, Jucifer e Marko ainda mais para trás (?).
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sexta-feira, 23 de março de 2012
São uns animais... unzANIMAIS!!!!


Puppetmastaz : The Break Up (Discograph; 2009)
Techno Animal versus Reality (City Slang; 1998)
Com o avançar da idade a ideia de fazer uma discografia completa de uma banda passa a ser percebido como uma idioteira total porque são poucas as bandas ou músicos que merecem a nossa atenção e dedicação. Os Puppetmastaz são das poucas excepções à regra. Reparei que daqui uns dias vão lançar o seu quinto álbum de originais, e aproveitei para comprar o último, datado de 2009. Lá comprei mais barato por já terem passados 3 anos e assim juntei à colecção dos CDs desta banda de "marretas do Hip Hop", que agora se encontra completa porque até tenho o álbum ao vivo Clones - Live in Berlin (Louisville; 2007).
Cada disco deste bonecos toscos vale a pena: pela frescura da estreia de Creature Funk (New Noise; 2003), pelo "groove" esgroviado do segundo álbum Creature Shock Radio (Louisville; 2005) e pelo poder sólido e conceptual do The Takeover (Discograph; 2008) ... Este The Break Up é também conceptual, os "fantoches do guetho" imitam as bandas humanas tão bem que se zangam e cada elemento começa a sua carreira a solo! Assim cada faixa do disco, menos a primeira, é feita por cada elemento da banda fazendo juz ao cliché "o conjunto não é igual à soma das partes". Tendo de base o Hip Hop misturam-se vários outros estilos urbanos como o Dubstep, Electro / Techno, Ragga, Dancehall e até um Drum'n'Bass final. Os gajos que estão por detrás dos bonecos sempre souberam o que fazem, e lá porque fizeram um disco menos coeso, não é à primeira que se percebe que as faixas são malhas de alta qualidade dançável ou que o humor continua a ser inteligente e súbtil... À primeira audição parece um bocado mais do mesmo, sem as qualidades dos outros discos. É preciso dar tempo para percebermos que o que não faltam aqui são "singles" potenciais para qualquer pista de dança. Que há aqui grandes malhas que nenhum humano consegue fazer tão bem como estes patetas alegres.
Diz o figurino, que o próximo álbum será o "comeback", né? Os regressos das bandas são sempre desastrosos! Mas eu tenho fé nos Puppetmastaz!
Quanto aos Techno Animal só lamento nos anos 90 terem-me passado ao lado porque este humanos monstruosos são apenas dois dos artistas mais admiráveis Justin Broadrick (Napalm Death, Godflesh, Jesu) e Kevin Martin (Curse of the Golden Vampire, The Bug). Vêm da vaga Illbient que se criou nos anos 90, em que o Dub, ritmos Hip Hop e Industrial (ou pós-industrial ou power electronics) se funde para criar ambientes negros, de pesadelo, da má "trip". Aqui ninguém fica alegre! Este disco, curiosamente, foi feito em parceria de intercâmbio de ficheiros. Alguns artistas enviaram sons criados por eles para os Techno Animal, eles trabalharam sobre eles e fizeram algumas faixas (que aparecem no disco) e depois devolveram aos autores originais que ainda misturam o material. Assim intercalado aparecem faixas de Techno Animal com as novas (re)misturas de Porter Ricks, Ui, Spectre, Tortoise e Alec Empire (Atari Teenage Riot). O resultado não é assim tão impressionante, se ninguém disse-se o quer que fosse, não conseguiria descobrir qual o tema original e qual o tema misturado. Talvez só no último tema, Atomic Buddha, se sinta os excessos Drum'n'Bass / Digital Hardcore do Empire, projectando o que viria a ser Curse of The Golden Vampire.
Com tantas bandas de humanos inúteis que voltam, só voltam fantoches maravilhosos e menos os Techno Animal (e os Curse!)... Injustiça Cósmica! Deus odeia-nos!
quinta-feira, 15 de março de 2012
Mais mistérios africanos (work-in-progress)




Há um mês (creio) fui à Feira da Ladra e tive uma sorte! Cinco CDs de música Afro-Pop a Cinco Euros!!!!
Queria começar pelo mais xunga deles todos mas não encontro mesmo nenhuma informação. alguém sabe dos Two Faces (nome da banda e do disco) editado pela RMS (Reis Musica e Som lda) de 1997? São três elementos: Luis Rafael, Maya Cool e Bruno Castro... É uma espécie de Afro-Dance Music que lembra um kuduro "light", proto-kizomba e até mesmo reggaeton (o tema Remexe). As letras são de ressabiado ou de tímido que queria fazer amor com uma gaja, o gajo que canta sofre e é sofrível - além de rídiculo, no caso do tema 2 Faces, tema cantado em português e em inglês: O teu amor não é sincero / alimentaste o meu ciúme / nunca foi dado por inteiro / Não me amas-te de verdade [bla bla bla + um rap manhoso] You got 2 Faces! Agradeceria informações se alguém souber alguma coisa deste curioso agrupamento pós-qualquer-coisa de origem angolana (?). Entretanto já digitalizei a capa...
Vamos para Cabo Verde com Varela Monteiro Bodinho, um star do Funáná em balizas de Afropop bem definidas em que até de vez enquando entram guitarradas fatelas de Rock FM. Um só coração (Cape Disco; 2001) têm meia-hora de festinha roça - convém sempre ter namorada nestas andanças africanas! - em que temas como Projecto ou Ta Pila dão vontade de fazer coreografias badalhocas com... a pila. Divertido apesar do aspecto betinho do Bodinho q.b.
Segue-se para Raiss di Funáná que vão no seu terceiro registo com Dja bêm (Afro-Line; 2003). O nome não engana estamos perante um colectivo de Funáná - original do Bairro da Pedreira dos Húngaros - que existe desde 1998 com este nome embora a sua história remote ao final dos anos 80 como um grupo de dança e musical Pila-Kana. O primeiro tema do disco mostra que este grupo não são meninos com fraldinhas mijadas, aqui há seis homens de óculos escuros mafia-style e uma dúia com fúria de viver, que se atiram a ritmos altamente acelerados (que começa com um sample de carro a abrir!) que só com coca e speeds é que se consegue acompanhar isto! Parece que um gajo levou com a pila depois de ouvir estes 41m de música africana bombada à velocidade estúpida do mundo ocidental. Brutal!
Também a viver em Portugal, na Buraca, Jorge Nêto é um grande nome do Afropop com raízes em Cabo Verde, embora Dia diferenti (Cabo Verde Productions; 2003) tenha sido gravado na Holanda - como aliás, acontece com muita boa música de Cabo Verde! - quando o músico vivia por lá. Cheio de energia e percorrendo vários estilos: Kizomba, Funáná, Zouk, etc...
Por fim Biere Noire (ou Alain Deloumeaux?) é um granda alien! E não é porque tem pinta de bichona mas porque Lé 3B : ou inme tchouye ou pe mo (Atis;199_?) começa logo com um orgão tirado do espaço, o ritmo Zouk é bom para roçar e a voz do mano... a voz do mano! Canta num francês crioulado da Guadalupe (ilha nas Antilhas) mas com um timbre afemininado e arrastado que muitas vezes parece um pato disléxico - alguém imagina tal coisa? Pois... Algumas música são do pior como Maladie d'Amour, é do mais azeiteiro possível mas há outras de um mistério linguístico que encantam como Ka yo dire sou moin.
Sendo das Antilhas não deveria se quer estar nests "post africano" mas como é tão misterioso ao nível da informação como os discos africanos, lixa-se e fica a aqui mesmo... Afinal, quem percebe este gajo que ora assina Biere Noire, ou Jocelyne Bierre Noire ou Alain Deloumeaux? Que no blogue desactualizado dele tanto se auto-intitula como o "boss do zouk" como noutro lado qualquer na 'net é o "mendigo do zouk"? Descobrir a capa do disco? Ah! Tarefa de titã, tomem que digitalizei:
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
I put a spell on you...

Natacha Atlas & The Mazeeka Ensemble : Ana hina (World Village / Harmonia Mundi; 2008)
No Domingo passado, passou uma grande dama da World Music! E a sala, aliás Grande Auditório - com um cheiro estranho - da Calouste Gulbenkian estava cheia de velhinhos, tias e gajas freak-chics que frequentam workshops de dança do ventre, suspeito. A senhora, que dizia há alguns anos que era uma "faixa de Gaza humana", dada às suas misturas étnicas (filha de sangues árabes, judeu, europeu, etc...) merece realmente ser recebida de sala cheia! Atlas incorpora tantas "geo-músicas" na sua discografia com momentos ABSOLUTAMENTE geniais como a sua versão I put a spell on you, que mostra que é o exemplo vivo de a Humanidade só sobrevive e evolue se for mestiça.
Este penúltimo álbum de Atlas frequenta o lado hispánico da música árabe (não nos podemos esquecer que os árabes tiveram colónias na Península Ibérica até aos século XV), algum Jazz de Diva cota e uma procura por Om Kalsoum, Farid Al-Trash, Fairuz e Abdel Halim Hafez - os dois últimos foram feitas três versões neste disco. A Electrónica parece ter sido erradicada nas últimas gravações de Atlas, ficando tudo ao calor do instrumento acústico. Felizmente que em estúdio a música funciona ao contrário ao vivo que pareceu-me xoninhas, pouco coeso e artificial para agradar caucasianos burgueses a caminho do Centro de Dia. Um perigo constante que a "world music" assiste, o de transformar música viva e expressiva de rua em música de câmara para os corpos mortos dos caucasianos. Atlas tem feito tanta operação plástica (para quem têm quase 50 anos a cara dela insiste em ser o de uma boneca de 20) que se deixar passar essas operações para a música, ela ainda se torna é numa faixa de gaze humana...
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Industrial é quando um homem quer...


Public Enemy : Fear of a Black Planet (Def Jam / Columbia; 1990)
Throbbing Gristle : 20 Jazz Funk Greats (Industrial / The Grey Area / Mute ; 1991)
O Camarada Fom Fom ofereceu o LP dos Public e o CD dos Gristle como prenda de Natal há duas semanas... é assim mesmo, o Natal é quando um homem quer!
Belas prendas, estes terceiros álbuns destas importantes bandas. 20 Jazz Funk Greats é de 1979 com uns Throbbling Gristle menos "agressivos" - embora esta reedição tenha dois temas extras de "industrial marcial" - e mais Electro, quase a dar um passo para Psychic TV. O melhor ainda assim é a capa que simula o imaginário de "Pop/Rock campestre" dos anos 60 com os elementos da banda vestidos como gente normal numa paisagem verdejante, a ironia é que a localização era um dos spots da Grã-Bretanha onde se concretizavam o maior número de suicídios. Os TG cunharam o termo Industrial à nova música realizada por uma geração que gozava de novas formas de tecnologia para criar e difundir música, uma Era da Informação que em poucas décadas daria na Era do Digital. O termo musical relacionava-se com a ideia da Revolução Industrial, em que óbviamente a relação do "homem-músico" com as máquinas iria mudar, tal como a partir do século XVIII a vida do Homem iria mudar para sempre.
Apontemos à Revolução Industrial a poluição e ruído, o consumismo frenético, o aumento da área produtiva dos serviços, não-especialização da mão-de-obra, a urbanização / abandono dos campos, a miséria e explosão demográfica, o aumento da velocidade dos transportes, o capitalismo moderno, a difusão de ideias democráticas e sociais, nacionalismo e militarização, etc... Na música pós-punk e pós-Industrial - impossíveis de os separar porque partilham o mesmo momento histórico e os modelos de produção - também iremos encontrar mudanças idênticas na música: uso do ruído das máquinas e processos mecânicos (concretos), consumo excessivo facilitado com a oferta de auto-edição e edição independente, produção e disseminação de música através de tecnologia caseira (o gravador de k7, o estúdio caseiro e o movimento tape-trading), aumento de artistas não-músicos (sem qualificações académicos ou formação), invenção de instrumentos e o uso de objectos como instrumentos (como o gira-discos), auto-gestão, fetichização por objectos de culto (edições limitadas), segmentação dos públicos (tribos urbanas, subculturas, elitismo), ritmos maquinais (techno), o sampling, a remix e o mash-up,...
Ouvindo este álbum dos Publico Enemy - considerado a sua obra-prima e umas das obra-primas do Hip Hop - também não deixo de pensar que há algo de "Industrial" na sua essência - aliás, não é a primeira vez que faço essa analogia - pelo facto de haver tipos com uniformes e símbolos militares no universo imagético da banda, discurso público, uso de samplagem de mass-media (música Pop, rádio, TV), uma preferência do trabalho de estúdio e conceptual que não passa necessáriamente pela execução por músicos formais, caos sonoro desbravando terrenos novos no mundo dos sons e o escândalo que causa aos moralistas de sempre.
De resto, este é um disco que se aproximaria do fim da "Era de Ouro" do Hip Hop porque nos próximos tempos este tipo de música seria perseguida pela ganância das editoras para o pagamento de "royalties" de samples usados. Por volta de 1992, ou o pessoal era rico, como o beto do Beck, para conseguir licenças dos excertos samplados ou então estava sujeito a multas e destruição do trabalho - embora tenham sido os brancos John Oswald e Negativland que sofreram mais com estas perseguições. Daí a maioria do Hip Hop tornar-se-á pobre sónicamente falando. Basta ouvir um pedaço deste disco e sente-se imediatamente o excesso de informação sonora (dezenas de samples), para além de uma velocidade louca, coisa que não se sentia nos dois discos. Estes eram mais brutos e ruidosos, quase tão marciais como o Industrial clássico de uns TG.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
mini-entrevista para o MAB
1- O que te fez entrar na indústria de BD em geral?
???? que indústria? que pergunta manhosa... se queria ir prá indústria tanto podia ir para a banca, como aliás, o meu curso superior me estava a levar - Gestão de Empresas... Trabalho na bd porque sempre gostei de banda desenhada e fui levado por ela com o acumular de tarefas tão diferentes como bibliotecário, fornecedor de conteúdos, editor, autor, formador, organizador de eventos, curador, argumentista, etc... Também não distingo o que é obrigação e o que é prazer, quase tudo o que faço no dia-a-dia liga-se a questões sobre bd - nem que seja porque faço bd autobiográfica.
2 -Quais são as técnicas que utilizas para fazeres os teus livros?
Como autor? papel e caneta, photoshop para emendar erros e preencher fundos pretos... e concentração, a parte mais complicada quando se está a pensar sempre em facturas de lojas que não pagam, gráficas que se atrasam a entregar livros, gajos que não respondem a e-mails urgentes, etc...
Como editor: o livro tem de ficar mais próximo do que o autor quer que fique ou que faça sentido para a sua obra...
3 - Quais são os tipos de livros que mais gostas?
Livros que nos façam descobrir sensações e conhecimentos: Julius Évola, Celine, Phillip K. Dick, Thomas Bernhard, Daniel Clowes, Alan Moore, Chester Brown, Grant Morrison, Janus, Ana Cortesão, Rafael Dionísio, Rui Eduardo Paes, Joe Sacco, Fredox - o qual fiquei com os "olhos a vomitar" (lema do Le Dernier Cri) - , Anke Feuchtenberger, André Lemos, Igor Hofbauer, Tommi Musturi, Stud Mead, Joe Coleman,...
4 - Já visitaste alguma vez o Porto?
Claro que já fui aí vezes sem conta!!! A primeira saída de casa prá fim-de-semana louco e teenager sem controlo paternal foi para o Porto! Sempre que podia ia ao Porto, a desculpa mais vulgar era a visita ao saudoso Salão de BD do Porto (1993-2001), agora, qualquer desculpa serve... é a minha cidade favorita!!! Lisboa é uma "barceloneta" da treta!
???? que indústria? que pergunta manhosa... se queria ir prá indústria tanto podia ir para a banca, como aliás, o meu curso superior me estava a levar - Gestão de Empresas... Trabalho na bd porque sempre gostei de banda desenhada e fui levado por ela com o acumular de tarefas tão diferentes como bibliotecário, fornecedor de conteúdos, editor, autor, formador, organizador de eventos, curador, argumentista, etc... Também não distingo o que é obrigação e o que é prazer, quase tudo o que faço no dia-a-dia liga-se a questões sobre bd - nem que seja porque faço bd autobiográfica.
2 -Quais são as técnicas que utilizas para fazeres os teus livros?
Como autor? papel e caneta, photoshop para emendar erros e preencher fundos pretos... e concentração, a parte mais complicada quando se está a pensar sempre em facturas de lojas que não pagam, gráficas que se atrasam a entregar livros, gajos que não respondem a e-mails urgentes, etc...
Como editor: o livro tem de ficar mais próximo do que o autor quer que fique ou que faça sentido para a sua obra...
3 - Quais são os tipos de livros que mais gostas?
Livros que nos façam descobrir sensações e conhecimentos: Julius Évola, Celine, Phillip K. Dick, Thomas Bernhard, Daniel Clowes, Alan Moore, Chester Brown, Grant Morrison, Janus, Ana Cortesão, Rafael Dionísio, Rui Eduardo Paes, Joe Sacco, Fredox - o qual fiquei com os "olhos a vomitar" (lema do Le Dernier Cri) - , Anke Feuchtenberger, André Lemos, Igor Hofbauer, Tommi Musturi, Stud Mead, Joe Coleman,...
4 - Já visitaste alguma vez o Porto?
Claro que já fui aí vezes sem conta!!! A primeira saída de casa prá fim-de-semana louco e teenager sem controlo paternal foi para o Porto! Sempre que podia ia ao Porto, a desculpa mais vulgar era a visita ao saudoso Salão de BD do Porto (1993-2001), agora, qualquer desculpa serve... é a minha cidade favorita!!! Lisboa é uma "barceloneta" da treta!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Javardo Suomi Rock

Räjäyttäjät : Räjäyttäjät räjäyttää! (TNT + Bad Vugum/BV2; 2011)
Um amigo meu ligado á cena Free / Improv disse-me uma vez que a Finlândia é o país escândinavo mais fraco no que diz respeito à música. Estranho, sempre tive a impressão completamente oposta a isso. Complementando melhor a "acusação" percebi que deveria haver com virtuosismo. Bom, se calhar é mesmo isso que faz a diferença... Talvez seja verdade que não haja cromos de músicos como da Noruega ou Suécia mas é inegável que "loucura" e "experimentação" é algo que a Finlândia bate aos seus pares. E estes Rajayttajat (faltam os tremas bem sei mas é uma chatice metê-los) são o exemplo disso. Considerada a "melhor" banda da Finlândia do momento, não passa de um trio rocker-garageiro-javardeiro que cantam/ berram no Suomi desconhecido - por mim, as letras até podem estar a dar a receita de fazer brigadeiros. A energia e sujeira é total que nunca poderíamos meter no mesmo saco dos betos-suecos vizinhos Hives, por exemplo. É displicente como tocam o que já se ouviu milhares de vezes mas pelos vistos até já fez resurgir a editora Bad Vugum do seu limbo editorial. Um fenómeno local de um país cuja costela russa fode o calculismo sueco.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
On 2012/01/24, at 15:35, L.B. wrote:
Quase nunca recebo este tipo de coincidências da vida. Eis uma nova finalmente:Desculpa não te ter recebido quando vieste cá a casa, não deu mesmo… Mas ao menos conheceste a minha mãe (eheh). (...) Eu curto bué as tuas cenas meu, acho que é preciso ter colhões para ser autobiográfico na bd e eu não sou um grande conhecedor de BD conheço poucas coisinhas mas tu és um dos que estão no topo para mim (ao lado do Bagge e do Clowes quer queiras ou não!!!), identifico-me bué com as tuas historias meu, tb tens um bocadinho de Harvey Pekar em ti (sorry…). Curto bué a historia da Bifa, sou pouquinho eu com as ladies também… as tuas listas de ódio são brutais, e também acontecia-me pouquinhas vezes ficar paranoico em o meu pai e a minha mãe descobrirem que eu fumo ganzas! Agora já não porque os meus pais ja sabem e não foi assim tao dramático quanto pensei que ia ser. A primeira cena que li tua foi o Talento Local porque um amigo meu comprou quando estava a haver uma exposição no CCB de bd tuga e curti bué! Apixei acho que na Feira Laica do ano passado no verão, a ti mesmo se não me engano. E este ultimo que comprei (Noitadas, Deprês & Bubas) foi para dar a minha namorada (que também gosta imenso das tuas cenas, ela ontem disse-me isto "O Halloween tá para o hip hop como o Marcos ta pa bd na tuga" se não gostares de Halloween não leves a mal nós curtimos e é bem) no Natal, e meu sem exageros foi uma das cenas mais fixes que li da tuga! Só me falta mesmo ler o Boring Europa se não me engano, a minha namorada já leu (porque a irmã mais velha dela tinha em casa) e curtiu bué também. (...)
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