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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Mr. B entesado!


Chegou o livro mais atrasado de sempre mas está entesado o "Mr. B." Diriamos que é até o nosso primeiro "Álbum"! 

Dia 28 de Fevereiro faremos a apresentação oficial na Tinta nos Nervos, às 16h, com as presenças dos autores David Soares e Pedro Nora e o editor Marcos Farrajota "para falarmos do passado" afinal este livro comemora 25 (26) anos da sua edição original em 2000. 

Curse go back teria dito o verdadeiro Burroughs!!... entretanto o livro já se encontra na loja em linha da Chili Com Carne. 


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23º volume da Mercantologia, colecção dedicada à recuperação de material perdido do mundo dos fanzines e edição independente.

Publicada originalmente em Novembro de 2000 pela Círculo de Abuso, passado três anos seria publicado pela belga Fréon (futura Frémok) em francês, algo inédito na BD portuguesa na altura - o que revela a maturidade da obra e da cena portuguesa naquela época, ou seja nos meados dos anos 90 até os meados dos anos 00.

A nova edição é maior que a original - passou para 21x28 cm -, tem 56 páginas a preto e branco e uma capa em cartolina rosa. Foram emendados pequenas gralhas e dado algum tratamento sobre as páginas originais. É acrescentado um posfácio de Marcos Farrajota para contextualizar este livro nesses tempos eufóricos da BD portuguesa.

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sinopse:

Este Mr. Burroughs não é  William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.

Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.

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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)

Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante. 

Les Inrockuptibles

Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.  

Bang

(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue. 

Domingos Isabelinho in Quadrado


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sobre os autores

David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas  (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).

Pedro Nora (Vila Nova de Gaia; 1977) é um designer gráfico licenciado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desde 2001 que desenvolve trabalho na área cultural, tendo-se especializado em design gráfico para exposições de arte contemporânea, em design editorial e em design de livro de artista - de entre as suas colaborações institucionais destacam-se Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Moderna Museet Malmö (Suécia), Kunsthalle de Basel (Suíça), Palais de Tokyo (França) e Bergen Kunsthall (Noruega). Colabora com regularidade com as editoras Dafne, Ghost, Pierre von Kleist. Foi co-editor da revista Satélite Internacional (2002-05), da editora Braço de Ferro (2007-11), do jornal Buraco (2011-19). Integrou o colectivo Oficina ARARA entre 2014 e 2020. Em 2020 deu início ao projecto editorial FOJO.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Last night the DJ saved my... my... my... ehm... hum... (reprise)

De facto não tenho tido paciência para escrever sobre música. Isto em meses que comprei mais músicas alguma vez na minha vida! Estranho não é? Ainda por cima chegando-me às mãos discos novos de Mão Morta, Allen Halloween, Nerve, Die Antwoord,... Talvez porque estou a ficar velhinho e já não me impressiono com mais nada sonoro, talvez porque ando deprimido pela minha querida gata Lucifera ter desaparecido na boca de cão ou porque estou cheio de trabalho e não dá para escrever sobre dezenas de discos que não me bateram pura e simplesmente... Não sei! Agora que já despachei parte do que menos me interessavam, vamos lá a isto! Começo pelos "electrónicos", daí a reprise do título!

Começo pelo Matthew Herbert e o seu badalado Plat du jour (Accidental; 2005), disco em que aborda a indústria da alimentação e todas injustiças sociais e económicas que esta cria, já para não falar dos danos à saúde. A capa do disco - que parece mais um livro do que um CD - tem cores baseadas nos colorantes colocados na comida. O resultado é parece-nos tudo "sexy" e atraente ao olho como as embalagens no supermercado. Até que lê-los os químicos cancerígenos nos ingredientes e tudo se torna repugnante. A música e a embalagem deste disco tem o mesmo resultado. Herbert faz uma música fria e minimal usando sons "concretos" como pessoas a dentarem maçãs, batidas em latas de refrigerantes, sons de porcos e galinhas em cativeiro, a água dos esgotos de Londres... o tempo das músicas ou os seus BPMs são feitos de estatísticas - os 85 bpms em Fatter, slimmer, faster, slower é porque 85% de jovens britânicas com menos de 13 anos já começaram a fazer dietas. Tudo é estruturado de forma tão tecnocrata como o mundo que vivemos e precisamos para cada música ler os textos explicativos como acontece com as peças de arte contemporânea e as suas úteis folhas de sala (senão não percebemos porque está um pedaço de lixo no meio da sala de exposições, né?). Como acção artística parece-me combater o fogo com mais fogo e sinceramente, além de ter ficado com o estômago revoltado a ler a merda tóxica que todos nós comemos, apetece é passar o disco a outra pessoa...

Invisible Soundtracks, Macro 2 (Leaf; 1998) é que se pode dizer "é tão 90s" nem que seja pelo facto de usar os 80m do CD... É uma colectânea de música electrónica em que os projectos criam bandas sonoras para filmes inexistentes, segue na essência uma linha de bom-gosto dessa década para o bar de criativos que tinham aqueles Macs com ar de televisão. Beats de Hip Hop, lógicas de Techno e Dub, quase tudo certinho, agradável e "trippy"(hop).
Acho que em 1998 não teria paciência para ouvir isto mas agora que os bares de Lisboa dividem-se o seu som entre o House merdoso e a Nostalgia (Pop dos 80, ou pior, Rock Garages), sem dúvida que este cosmopolitismo dos anos 90 é uma bênção!
Nomes conhecidos aqui To Rococo Rot, Laika e Paul D. Miller mais conhecido como DJ Spooky That Subliminal Kid - que só neste mês percebi que é uma citação de um texto do William Burroughs!


Os Durian Brothers não são irmãos da mesma genitália do pai e da mãe mas são sem dúvida irmãos de alma para estarem tão empenhados em fazer uma espécie de "techno minimal" (não é!) com sons que fazem lembrar uma tribo perdida que ficou electrificada de repente - uma espécie de Konono nº1 da Lapónia.
Falta Magia negra para ser mesmo bom como se pode verificar no EP Cubs (Diskant; 2009) porque são alemães que aposto que só devem dançar se tomarem MDMA ou cervejas no Oktober Fest. Mas o som (a ideia) é fascinante para os ouvidos, e não eles não usam paus para fazer música mas sim dois gira-discos (sem discos) e uns pedais de efeitos. Graças a isso soam a étnicos, objectivo máximo da nossa civilização ocidental nos tempos que correm. Cool shit!


Que dizer do último disco de End? O seu disco de 2004, The Sounds of Disaster, é capaz de ser um dos melhores discos algumas vez feitos neste planeta. E este  álbum The Dangerous Class (Hymen; 2009) segue as suas pisadas mas falta algo. Falta o caos!
A mistura de Breakcore / Breakbeat com músicas retro-garage-lounge-big-band continua a ser divertida mas falta mais Noise, algo extremo ou simplesmente inesperado. Entre sons que lembram o 007 e diálogos no tom de Reefer Madness o tema deste disco são as drogas e excessos das gerações de hedonistas no mundo Ocidental. Se calhar o disco tem de ser histriónico por causa do tema e nunca poderia ter uma elegância e emotividade como o Foetus no seu projecto "industrial-lounge" Steroid Maximus - projecto que se pode comparar com End tendo até JG Thirlwell (Foetus!) feito uma "remix" para ele. Ainda assim é um disco que serve para uma festa de malta que curte música rápida e pesada mas com um gin tónico todo pipi na mão... Peso gourmet, topas?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Invisual 40.2 || RÁDIO ZERO

Esta Quarta, às 20h vai para o "ar-virtual", cortesia da famosa Rádio Zero, a 40ª e última emissão da "segunda temporada" do Invisual, um programa que pretende divulgar as promíscuas relações entre a banda desenhada e a música. Produzido por Marcos Farrajota, este programa terá as habituais pérolas e novidades ligadas à bd e música.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Não é um comeback de uma banda de Sludge


David Soares, Pedro Nora e Marcos Farrajota (a fazer de troll dada a sua capsulite) a mini-exposição de originais de Mr. Burroughs na Tinta nos Nervo, após feliz lançamento do livro. Foto de Gisela Monteiro.

segunda-feira, 28 de março de 2022

Big Black - August 9th 1987 - Seattle, WA (Full Show)


A melhor banda Rock de sempre - e não sou o único a dizer isso. O gajo do vídeo é o Larry Reid que conheci em 1993 no saudoso Salão de BD do Porto, ele trabalha prá Fantagraphics e conto-me histórias de colecionismo de armas de fogo (não admira que o Kurt Cobain foi com os porcos) e do William Burroughs (um chato do caralho sempre a alucinar com texugos no tecto até ficar sóbrio e profissional em palco)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Não julgar as capas pelos discos

 

Sinceramente quero lá saber se a música do Zappa é boa ou foleira quando temos o Tanino Libetarore a fazer uma capa "Frank Xerox"? The Man of Utopia é de 1983 e é o 36º álbum de Frank Zappa e não há vida para perceber o que isso quer dizer. O tema de abertura, Cocaine Decisions, não deixa de ser orelhudo e muito divertido para além de dizer as verdades da coca - o resto do disco nem me lembra do que trata... sexo anal? cozinhas sujas? Para quem não percebeu o "Frank Xerox" (ou teve a coragem de ler a entrevista acima linkada) aqui vai info mais simplificada de uma BD que ninguém terá coragem de publicar em Portugal ou neste século do PC e da extrema-direita...

 

Mais recentemente apanhei o Studio Tan (1978) com capa de... Gary Panter!! Não fazia ideia, sempre pensei que o Panter estaria associado mais ao Punk do que aos Hippies-mesmo-sendo-o-Zappa-anti-hippie. A capa nem foi aprovada por Zappa entre as guerras com a editora Warner, fazendo deste disco uma confusão legal e editorial. A música é cagativa, fusão-jazz-rock banda sonora para peça de BD-desenho-animado que não existe sei lá... A capa é bela, gráfica, colorida, pós-moderna e selvagem como tudo que faz Panter, outro artista de BD complicado difícil de publicar em qualquer parte do mundo menos nos EUA e Finlândia.

Colectânea com fantástica capa de Robert Williamns - o mesmo artista da capa de Appetite for destruction, o disco mais poderosos dos Guns'n'Roses, e responsável pela revista Juxtaposed - e organizada pelo poeta John Giorno (1936-2019) na sua Giorno Poetry Systems em 1989. Pelo que percebi, estas colectâneas juntam poetas - William S. Burroughs, Karen Finley (fantástica!) e o próprio Giorno - a músicos que exaltam poesia, algumas estrelas Pop como Debbie Harry e David Byrne - ambos a experimentarem sons longe das canções que nos habituaram em décadas de carreira - ou estrelas underground como Henry Rollins ou malta que não foi a lado nenhum creio, como P.M.S. (Pre Metal Syndrome!). Muitas vezes há pessoas que são boas numa área criativa mas podem ter o pior gosto noutras - olhem os escritores quando pegam em ilustradores, por exemplo - aqui Giorno sabe o que faz, além de ter Williams, ainda inclui uma BD de Panter na capa protectora interior do LP! Granda disco e grandes grafismos! I want to keep coming!!!

sábado, 28 de agosto de 2010

Primitive Future!


Cromagnon : Cave Rock (ESP-Disk / Jackpot; 2009?)

 A Cultura Pop tem sido um chorrilho de decepções no que diz respeito ao Futuro... não andamos em "heli-carros" nem temos armas lazer. O futuro inventado nos anos 50 foi nos anos 50 (excelente uma bd de Miguel Brieva, creio) ou o futuro inventado nos anos 80 foi para os anos 80 (ver a recente bd de David Campos na antologia Destruição). Mas nem todos deram boca! É o caso dos Cromagnon, norte-americanos psicadélicos que gravaram um único disco em 1969 (originalmente intitulado Orgasm) pela ESP. Disco experimental e maldito que levou anos a sair e a ser reconhecido como um marco importante da música.
O tema Caledonia lembra o cruzamento improvável de Carcass com os Test Department (por causa das gaitas-de-foles?), outro tema podia ser uma toineira dos  Butthole Surfers, outra malha é Einstürzende Neubauten sem o Romantismo, outra podia ser o mongolismo da cena Improv/Noise dos nossos dias - tipo Fat Worm of Errors -, noutra poderia ser Cabaret Voltaire (a banda), e claro, Psychic TV, Circle X, Black Dice e uma miríade de bandas sincopadas & barulhentas "mucho" contemporâneas. A questão é que estamos em 1969, e os gajos que faziam parte da tribo Cromagnon eram mais uns gajos do Rock/Blues como mil bandas do tipo, Boss Blues diz algo? Provavelmente não e também pouco deve interessar a não ser para os crominhos da nostalgia. Fartos dos ié-iés decidiram gravar na editora mais "fora" daquela altura (e era: Godz, Shags, W.S. Burroughs) para gravar um álbum "fora". 
Pela entrevista incluída na reedição vinil da Jackpot, um dos sobreviventes afirma que tinha decido "gravar um disco que se projectasse para o futuro de 30 anos", que fosse tão importante como a pélvis mexida do Presley ou a guitarra em chamas do Hendrix. Em 1999 teria resistido às modas do mundo. Em 2009 também e em 2010 eis um disco que aguenta as porradas todas. Muito marado. Curiosamente os temas rienvindicam um passado primitivo e pagão, intercalado com técnicas pós-modernistas como colagens sonoras, imaginário vintage (um tema tem, por exemplo, uma voz de crooner), atitude Free e tudo o mais para criar um dos discos mais bizarros de sempre embora o que eles não previram foi o Scum (Earache; 1987) dos Napalm Death.
Obrigado Eng. Fom-Fom por insistires a dar-me a conhecer este disco mais uma vez! Eu não queria ouvi-los outra vez de tão lixado que é o disco mas obrigado na mesma!

sábado, 26 de março de 2011

Jorge Lima Barreto : "O Siamês, Telefax, Stradivarius" (Campo das Letras, 1997)

Não vale a pena ficar assustado com este livro pelos desenhos horrorosos do Vítor Rua, pelo "copyright" da SPA na ficha técnica ou da fotografia de Jorge Lima Barreto a segurar um gato (siamês) - Cliché Fotográfico de Todo o Escritor na Badana do Livro Nº1.
Publicado em 1997 apresenta-se quase como um livro de aforismos, em que Barreto recolheu uma série de frases / textos sobre música e os mass media. Quase poderia ser apontado como um livro preguiçoso mas nesse caso devemos perguntar ao acusador se seria capaz de ler e organizar toda a informação de autores como Adorno, William S. Burroughs, Jacques Lacan, etc... e editá-la como Barreto fez numa tentativa pós-moderna de escrita, admitida logo na Introdução.
A leitura deste volume é excitante para qualquer melómano ou qualquer pessoa que se interesse por música para além daquilo que papa como mínimo denominador comum da rádio, TV e FNACs. São apontamentos que exigem reflexão de parágrafo a parágrafo porque questionam a tempo inteiro como, aonde e porquê que ouvimos música - e já agora, qual a música é que ouvimos.
Sendo de 1997 há claro uma ou duas situações que não consegue prever como a desmaterialização da música do formato "disco" e a inflação dos concertos. Afimar-se algures no livro que os concertos deixarão de existir ou de ter representatividade face à imposição do formato "disco" pelas indústrias fonográficas. É divertido reparar que foi o contrário que aconteceu entretanto com o advento da Internet. Os discos como formato físico desapareceram em Ipods e computadores que são buracos negros de música (música fútil que não necessita de imagem, créditos, informações de qualquer espécie) e os concertos afirmaram-se como o negócio mais importante da indústria - com a Madonna, em 2007, a negociar o seu contrato milionário não com uma editora (como acontecia no passado) mas com uma produtora de concertos.
O livro acerta noutros pontos, não se preocupem, e dá comida para o cérebro tal como uma assinatura anual da The Wire, só não é tão bonito como a excelente revista britânica.
Talvez por isso que tenha tido um triste fim, como aliás todos os poucos que importam publicados em Portugal, ou seja, a sua editora faliu há 2 anos e com isso o seu acesso de origem - têm piada sugerir que o aspecto manhoso do livro tenha levado a editora à falência, não têm? O meu exemplar encontrei no "anarca-alfarrabista" Utopia (no Porto), entretanto já me cruzei com outros exemplares por aí e na 'net. Aproveitem se o encontrarem...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Grande novela americana


Matmos : The Civil War (Matador; 2003)
WHY? : oaklandazulasylum (Anticon; 2003)

Era uma vez... vapores de peidinhos quentes cobertos pelos lençóis da manhã, o arrastar dos pés do vizinho de cima sobre o soalho de madeira, os últimos suspiros de um pombo moribundo, a língua da gata a lamber obstinadamente o pêlo brilhante, o bicho a roer a madeira da cama, o titilar do motor do Opel acabado de estacionar. Usurpados por microfones e sequenciados em laptops nos finais dos anos 90, tornou-se de forma pragmática e maquinal da lógica anglo-saxónica embutida em todo o DNA do mundo Pop, mesmo daquele que se diz "diferente". De repente o novo brinquedo do Pop era procurar o som microscópico ao ponto de Matmos enfiarem microfones em tubos digestivos de vacas para fazer microhouse - som paneleiro-lounge que se confunde com a outra grande paneleirice deste século que é o Techno minimal. Outro ser anglo-saxónico, Matthew Herbert como Radio Boy, fez coisas parecidas antes de entrar num esquema de big band e manifestos artísticos que não interessam a ninguém.
No caso de The Civil War, os americanos tentam explorar sons medievais folclóricos com "americana" e o tal microhouse. Usam sons "verdadeiros", ou seja gerados por instrumentos acústicos (como tambores e gaitas-de-foles) com o átomo digital. Glitches à parte soa a manual 1-0-1 de como fazer a coisa sem chegar a nenhum sentimento - ao contrário por exemplo do último disco dos Stealing Orchestra que partilha a ideia do som "verdadeiro" com o "virtual" - mas não a obtusidade das explorações dos sons imperceptíveis. The Civil War não aquece nem arrefece, parece uma feira medieval com nerds do Mac ao peito. É uma tentativa tão válida como a minha de conhecer o trabalho deste casal tão respeitado na música deste século. Não deixarei de tentar outro disco porque tenho boa impressão de um tema Rag for William S. Burroughs de outro álbum The Rose Has Teeth In The Mouth Of A Beast - que terei de ter a paciência de me cruzar com ele um dia destes.
Já WHY? é outra estória... É o primeiro álbum do projecto de Wolf e também o último antes de o transformar numa banda de 3 elementos em Elephant Eyelash (Anticon; 2005). Para quem gosta dos Pavement mas têm medo de Wu-Tang Clan pode vir aqui deliciar-se com a faceta delicadoce do Indie / alt country / americana disfarçada com técnicas de produção Hip Hop. A tradição de canção está aqui bem vincada, é certo que é mutante graças à tecnologia dos século XXI não faltando loops e "micro-sons" texturizados e melódicas para acompanhar a melancolia urbana. Por mais samples de carne que se une ao esqueleto destas canções o humano não se desfaz em máquina. O colectivo Anticon, que WHY? pertence, é segunda geração do som de fusão Pop/Rock com Hip Hop iniciada por Beck. Chamam-lhe de "hip hop abstracto" e é capaz de ser das poucas coisas giras inventadas neste milénio.

domingo, 9 de julho de 2006

DEA report on "Inguine @ Lx com unDJ GoldenShower || CREW HASSAN"

Ontem à noite, inaugurou a exposição Cartografia da Máfia italiana: bandas desenhadas pelo colectivo Inguine no espaço Crew Hassan, onde estiveram presentes os editores Gianluca Costantini e Elettra Stamboulis. Uma exposição de prints de várias bd's deste colectivo. Antes, durante a tarde na Bedeteca de Lisboa inaugurou uma exposição intitulada Banda Desenhada política: esboços sobre a realidade por Gianluca Costantini mais interessante por estar mais acessivel no que diz respeito à língua (está em inglês) e mais coerente por ser uma individual. Seja como for, é de se ver as duas exposições para entrar em contacto com o trabalho deste colectivo italiano, Inguine.

O chato foi o que aconteceu ontem no Crew Hassan, quando se pretendeu fazer a projecção de filmes de animação do colectivo - bem como a suposta "festa-convívio" que deveria ter aqui o vosso infame un-dj GoldenShower. A desorganização deste espaço foi brutal. Primeiro, marcaram uma festas com o "piple eramus" com mais um DJ ou quer dizer que iria só pôr uma hora de som quando deveria fazé-lo a "noite inteira"... portanto decidi que só iria passar um CD qualquer para criar ambiente. Mas o universo é irónico e o mundo dá muitas voltas. Haviam 15 filmes de animação para passar e o leitor DVD, em selecção manual, não permitia ver todos os filmes de uma vez, e pior, não permitia saltar de filme para filme. Do comando do leitor ninguém sabia, o outro leitor de DVD não lê CD's copiados, o portátil "desapareceu". Enfim, uma tristeza por uma situação idêntica de projecção de filmes de um CD-Rom já tinha acontecido anteriormente e apesar da organização do Crew Hassan terem o CD dos filmes há uma semana não se lembraram de fazerem a "coisa como deve ser"! Bem à 'tuga, lá se sacou o PC do escritório, com o irmão-muçulmano-mariachi Pepedelrey a dar uma valente ajuda - obrigado, amigo!

Mas não havia saída de som dos filmes! Problemas com os cabos aúdio e o projector... E quem vai fazer de "banda-sonora"? Eu, com 4 CD's que tinha trazido por mero acaso - ah! um dos discos só tinha a caixa!!! Para passá-los, tinha só um leitor de CD's que nem dá para ver os números das faixas nem a duração! E sabem o que mais? Correu incrivelmente bem... Começou com várias músicas de Dub-Hip-Hop-Industrial dos Techno Animal, curiosamente um dos filmes usava uma música desta banda (Bio.HAZARDUS de Paper Resistance, minimalab e Manfred Regen). Especialmente bem esgalhadas (é bom conhecer os nossos discos de uma ponta à outra!) as músicas Freak fucker e The Western lands (faixa de um projecto orientado por Bill Laswell em que se ouve W.S. Burroughs e Iggy Pop a recitarem textos), esta última no Un giorno a mio fratello è scoppiato un piede (de Gianluca Costantini e Leonardo Guardigli).

Muda-se de CD (silêncio de 10 segundos e aproveitando o fim de um filme) e por acaso era uma colectânea, o sampler CD #41 da revista gótica Elegy (não se riam comprei por curiosidade!) e que permitiu várias "bandas sonoras" sincronizadas com as estéticas dos filmes. Desde o ínicio com Backstabber dos Dresden Dolls, passando prás agressões dos Ministry e Alec Empire (acompanhados por umas imagens Gore q.b) saltando para lameciches do Gary Numan com o tema In a dark place. Outro momento bem sacado foi com Die Seherin de Orphid e Cthlhu Dawn de Flint Glass para um filme extremamente lento e descritivo (sobre experiências animais). Na faixa de Orphid (na onda do gótico operático bufo para não dizer outra coisa!) ouvia-se uma voz feminina a cantar em alemão - alguém gritou "pá, música em alemão, hoje não!". Isto porque Portugal perdeu com a Alemanha no Mundial... por mim era mais uma razão para ouvirem som germánico porque odeio a merda do futebol! Heil! Para acabar o CD, o melhor da rodela, a agressividade Noise dos Whitehouse e o tema Dumping the fucking rubbish.

Para acabar a performance nesta noite de som que se prolongou mais do que o (mal)programado da organização, mudei para o último CD, cheio de Dub de Valis 1, Destruction of syntax (Subharmonic; 1995), outro projecto orientado por Laswell e que brevemente farei uma resenha neste blogue.

De forma geral e dadas às condições técnicas nojentas, (muita) modéstia à parte, não tive mal e devo ter tido uma sorte divina. Gostei da experiência - tal como já tinha tido um cheirinho com a noite dos Le Dernier Cri no extinto Lx Café. Mais (e más?) experiências no Crew Hassan é que não. Em Agosto estarão quase fechados e não haverá uma sessão de Troca de Discos, adiada assim para o primeiro Domingo de Setembro. Poderá ser a última vez neste espaço se a desorganização e as más condições técnicas se manterem. Que venham as férias primeiro!
Espero que o Gianluca e Electra tenham gostado, fiz o melhor possível!

PS - pelos vistos devem ter gostado caso contrário não tinham colocado nada no seu blogue.