terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diabos, anjos e o bastardo!



Lee Perry, Dennis Bowell & The On-U Soundsystem Vs Pempi : Iron Man (On-U; 2010)
Lene Lovich : Angels (Stiff; 1980)
Man is the Bastard : Sum of the Men "The brutality continues..." (Vermiform; 1991)

Fom-Fom é um rico gajo! Assim à queima-roupa desata-me a oferecer um disco, e ainda por cima, coisa boa! Um máxi do louco "Scratch" Perry a versionar os Black Sabbath! Que mamadice! Dubstep a replicar o ritmo e riff dos metaleiros-setenteiros enquanto o senhor vai dizendo uma palavras-parvoíces que nada terá de relação com as letras do Ozzy. Quando um tema é bom realmente pode-se fazer versões de qualquer forma. Neste caso é tratamento "deluxe", pois temos o seminal Perry e a produção do reputado produtor inglês Adrian Sherwood (cara e dono da On-U). Disco obrigatório para metaleiros e dreads!

Feira da Ladra é só vinis xungas, os que são porreiros começam a ter preços altos demais... Só para desabafar onde arranjei este single da Lovich. Não me lembro de ouvir esta gaja nos anos 80, conheci recentemente através de uma versão dos Phantom Vision. E é isso, New Wave energético que poderá ter piada para quem ainda suporta a Pop e o Rock. Não é o meu caso. Também comprei o disco pela contracapa - uma bela mosca verde em fundo amarelo a ilustrar o lado B, The fly, que é outro tema inútil. O disco custava 110 escudos, comprei-o a 50 cêntimos o que mostra como o mundo só piorou nos últimos 30 anos.


Em Mälmo, numa discoteca de discos e bd's (estranha ligação? não! só em Portugal é que não há disto) tinha uma boa secção de Hardcore (género que até nem ligo nada) e encontrei um disco dos Man is The Bastard, gajos que inventaram o sub-género "power violence", que está para o Hardcore como está o Sludge para o Metal. Arranca e pára, tudo lento e sujo, barulhento e raivoso,... quer dizer... Não sei se todas as bandas PV são assim, só conheço esta. Temas anti-capitalistas com foco ao berço norte-americano, tudo que se grunhe em 1991 deve fazer sentido em 2011. Coisa estranha, creio que tenho que este é o primeiro LP da banda, depois em 1996 fizeram um duplo com este LP e uma série de temas de splits, singles, etc... creio eu... De resto, o que se pode dizer mais disto? F-o-d-i-do! Peraí, peraí, isto é "template" para muita coisa que ainda se faz por aí! Ruído branco por baixo e tudo! Só não percebi qual a relação de John Wiese com isto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quase chorei com esta entrada...


Marcos Farrajota (Lisboa, 1973) é um dos mais activos agentes da cena da banda desenhada portuguesa contemporânea, enquanto programador, editor e formador da Bedeteca de Lisboa (desde 2000) e noutros círculos mais independentes, e sobretudo enquanto editor das publicações da Associação Chili Com Carne (1995) e MMMNNNRRRG (2000), cujos títulos deram a conhecer a um público mais alargado alguns dos autores de Tinta nos Nervos, autores estrangeiros de círculos underground/independentes ou editando projectos internacionais como Crack On (Chili Com Carne/Forte Pressa: 2009). Mesmo como radialista (Invisual, Rádio Zero: 2008-2009) e “UnDJ”, a sua actividade procura as relações com a banda desenhada. A sua participação em fanzines recua alguns anos, destacando-se o ainda existente Mesinha de Cabeceira (o qual se tornou um “selo” de vários títulos), que fundou com Pedro Brito em 1992, ou os títulos Publish or Perish (com Rafael Gouveia) e Osso da Pilinha (com Joana Figueiredo); publicou muitas histórias e trabalhos em títulos tão diversos Quadrado, Zundap, os jornais Blitz e Público, as revistas Bíblia, V-Ludo e Underworld. Assinando como “Marte”, escreveu os três volumes da série Loverboy, desenhados por João Fazenda (Polvo: entre 1998 e 2001) e NM2.3: Policial Chindogu, desenhado por Pepedelrey (Lx Comics no. 9, Bedeteca de Lisboa: 2001), mas escreveu também para autores como Pedro Brito, Rui Gamito, Jorge Coelho e o brasileiro Fábio Zimbres, e desenhou uma pequena série escrita por Pedro Moura.
Enquanto autor a solo, conta na sua bibliografia com os livros É sempre tarde demais (Lx Comics no. 2, Bedeteca de Lisboa: 1998), e as antologias Noitadas, Deprês & Bubas (Chili Com Carne: 2008) e Talento Local (Chili Com Carne: 2010).
Marcos Farrajota trabalha no interior dos seus limites enquanto desenhador através de uma genuína atitude devedora do “do it yourself”, da “art brut”, composições de página inusitadas, um emprego criativo da matéria verbal que espalha pelas imagens, mas sobretudo pela intensidade das suas narrativas. Se bem que podemos encontrar já em Bordalo Pinheiro e outros autores pequenas experiências autobiográficas, é Farrajota, influenciado por autores como Harvey Pekar, Robert Crumb e todo o grupo dos autores norte-americanos dos anos 1990, quem se tornou um dos percursores mais visíveis da autobiografia moderna em banda desenhada em Portugal (que, fora parcas experiências, não é de todo um género comum no nosso país, com a possível excepção de Marco Mendes). Poderemos eventualmente irmaná-lo com autores tais como Mike Diana ou Christopher Webster, que publicou, pela veia cáustica, mas encontrando em Eddie Campbell e em Ralph Steadman possíveis modelos de um uso livre de tintas e riscos no adensamento das imagens (Hunter S. Thompson, com quem Steadman colaborou, é também um modelo no posicionamento “gonzo” das reportagens de Farrajota em torno do mundo musical). Os concertos a que assiste, as experiências - boas e más - com os amigos, as relações humanas, com o mundo, os delírios e os sonhos, transformam-se na matéria comum da franqueza das suas histórias. - Pedro Moura in catálogo da exposição Tinta nos Nervos, distribuído pela Chili Com Carne

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tinta nos Nervos || CCB

Inaugura dia 10 de Janeiro, às 19h30, na Colecção Berardo no Centro Cultural de Belém a exposição Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa.

"Esta exposição visa dar uma perspectiva ampla da criação da banda desenhada portuguesa, procurando o encontro com novos públicos diversificados e expandindo a percepção social desta linguagem. A banda desenhada é sobretudo conhecida como uma linguagem de entretenimento, de massas, afecta ao público infanto-juvenil, sendo muito difícil que alguém não conheça as muitas personagens famosas que compõem essa paisagem cultural. No entanto, tal como em quase todos os outros campos artísticos, a banda desenhada também tem um número de autores que a procuram empregar como um meio de expressão mais pessoal, ou uma disciplina artística aberta a experimentações várias, informadas pelos discursos contemporâneos. Seja pelo lado da escrita, com autores a explorar a autobiografia, uma abordagem da paisagem cultural nacional, problemas de género ou políticos, seja pelo lado da visualidade, explorando novas linguagens, estruturações da página e até graus de abstracção. O mercado de banda desenhada em Portugal, não sendo propriamente forte nem muito diverso, quer em termos de traduções de obras contemporâneas ou históricas quer de trabalhos originais nacionais, é contraposto por toda uma série de experiências em círculos da edição independente ou de projectos alternativos que tem sido um produtivo solo para criadores extremamente interessantes e inovadores.

A exposição presente focará sobretudo autores modernos e contemporâneos – ainda que haja um desvio por dois autores históricos, experimentais na sua época: Rafael Bordalo Pinheiro, o “pai” da banda desenhada moderna portuguesa, e Carlos Botelho, autor do magnífico Ecos da Semana – que procuram elevar a banda desenhada a uma linguagem adulta e inovadora artisticamente. Do desenho suave de Richard Câmara às experiências de Pedro Nora, do minimalismo a preto-e-branco de Bruno Borges à multiplicidade de Maria João Worm, da presença solta de Teresa Câmara Pestana à exuberância das cores de Diniz Conefrey, da austeridade de Janus à vivacidade de Daniel Lima, haverá um largo espectro, ainda que pautado por critérios de pertinência artística, representativo desta área no nosso país. Estarão presentes autores de algum sucesso comercial e crítico (como, por exemplo, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Nuno Saraiva e Victor Mesquita) e outros autores de círculos mais independentes (de Jucifer a André Lemos, Miguel Carneiro e Marco Mendes); autores cujas bandas desenhadas parecem obedecer às regras mais convencionais e clássicas da sua fabricação mas para explorar temas disruptivos (como Ana Cortesão, Pedro Zamith e Marcos Farrajota) e outros que as parecem ultrapassar em todos os aspectos (como Nuno Sousa, Carlos Pinheiro ou Cátia Serrão); e ainda artistas que criaram objectos impressos que empregam elementos passíveis de aproximação a uma leitura ampla da banda desenhada, isto é, fazem-nos pensar numa sua possível definição ou apreciação mais alargada (como Eduardo Batarda, Tiago Manuel, Isabel Baraona e Mauro Cerqueira). Nalguns casos, a exploração que os artistas fazem do desenho ganham corpo noutros objectos que não de papel, e que serão integrados nesta mostra (animações, esculturas, bonecos, maquetas, e fanzines-objecto, com larga incidência para aqueles criados por João Bragança)."

Alguns dos 43 artistas terão trabalho exposto: Ana Cortesão, André Lemos, Bruno Borges, Carlos Botelho, Carlos Zíngaro, Filipe Abranches, Isabel Carvalho, Janus, João Fazenda, João Maio Pinto, Jucifer, Marcos Farrajota, Maria João Worm, Miguel Carneiro, Pedro Nora, Pedro Zamith, Pepedelrey, Rafael Bordalo Pinheiro, Tiago Manuel entre outros. A exposição foi comissariada por Pedro Moura e estará patente até 27 de Março.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ah é verdade! 10 Bests of 2010:

Lançamento de "Vídeojogos são para falhados" do Rudolfo (Maus Hábitos; 13 Fev 2010)
10 anos da MMMNNNRRRG (Maus Hábitos; 14 e 15 Mai 2010)
Yoshi - o Puto Dragão E.P. (ed. de autor; 2010)
Igor Hofbauer em Portugal (Maio 2010)
v/a : "Apupópapa" (ed. de autor; 2010)
v/a : "MASSIVE" (Chili Com Carne; 2009/10)
Nevada Hill (Feira Laica; Jun 2010)
v/a : "O Último Fósforo" (Artside, 16 Jan - 8 Fev 2010)
This Routine Is Hell (Casa de Lafões; 6 Fev 2010)
Red Trio (Clean Feed; 2010)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O que faz falta é avisar a malta...

Nos anos 70, a cultura juvenil não estava para brincadeiras. Depois das explosões e implosões de 68, muitos abriram os olhos para quem estava a manipular a cultura e as indústrias de entertenimento. No caso do Rock ou da música Pop não faltou críticas em livros como estes que aqui são mostrados: Pop Music / Rock (A Regra do Jogo; 1974) dos franceses Philippe Daufouy e Jean-Pierre Sarton, e O Mundo da Música Pop (Paisagem; 1973?) do alemão Rolf-Ulrich Kaiser.
Curiosamente ambos editados em Portugal numa altura que o boom do rock português ainda estava para vir, ninguém deve ter ligado aos ensinamentos destes livros que além de contarem a história do Pop/Rock aproveitam para dissecar a indústria fonográfica, da forma como exploram económicamente e ideológicamente os artistas e os consumidores-ouvintes.
São livros essêncialmente datados na era do Wikipedia e do mp3 (ilegal ou legal) mas ainda assim não deixam de serem inspiradores porque previram a decadência da música Pop/Rock e projectam a vinda de uma "nova música" (que ligam o Rock às vanguardas do Improv e do Free) - no caso de Kaiser, ele próprio será dono de uma editora de Krautrock. E ainda deita por fora os argumentos que a pirataria destroí a música, afinal, a verdade é que as grandes companhias viveram muitos anos com lucros bem gordos graças a nós, amantes de música.
Há poucos livros de Pop/Rock em Portugal, a maioria são de letras de bandas ou biografias de dinaussários. Muito poucos ou nenhuns de reflexão - como as brilhantes compilações do Rui Eduardo Paes - por isso se apanharem estes títulos nos alfarrabistas e afins aproveitem. O de Raiser acaba por ser o mais sarcástico e discursivo. Reproduz também uma entrevista ao Frank Zappa.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um panaské!


O Rodrigues vai-se reformar depois de 57 anos ao serviço do Palmeira, a servir imperiais e batatas extremamente salgadas! Os bêbados do costume vão fazer um zine amanhã para despedida deste senhor. Esta é a minha colaboração. Amanhã ainda bebo um panaché!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

CIA info 72.0



Fui convidado para o Pindura 2011 - um calendário com 365 desenhos, 3 por autor! O tema será o elevador, sendo curioso que foi necessário usar aquele desenho da direita como "template"... Sabe bem ser convidado para fazer coisas, cara, e meti-me mãos à obra! Eis o esboço de um dos três desenhos, seguido pelo desenho "acabado" que falta meter na moldura - ou no elevador, neste caso!



E tcham, resultado final:

os calções ficaram cinzentos aproveitando o do elevador - não foi pensado, foi uma descoberta com a layer em "multiply"... viva o photoshop, cara!



No passado Domingo saiu em Brasília, esta semana é em Rio de Janeiro... Esta semana chegou à Chili Com Carne uns quantos exemplares para venda - contactem para saber como adquirir o caldendário mais porreta do mundo!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mercantologia 4: Talento Local

para quem queria ler mais depois do Noitadas e É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998) e perdeu zines, revistas, jornais e exposições com trabalhos do Farrajota: My Precious Things, BoDe, Bíblia, Inside, Cru, Publish or Perish, Zalão de Danda Besenhada, Amo-te, Osso da Pilinha, V_Ludo, Stereocomics Special SPX (França), Milk+Wodka (Suiça), LxComicsZine, Mistério da Cultura, Crack On e Combate... agora fica tudo compilado!
Mais uns inéditos, poucos!
Este livro fecha um ciclo de produção em que toda a BD autobiográfica de Farrajota se encontra em 3 livros! O quotidiano suburbano desinteressante fica para a posterioridade! Que venha uma bomba atómica para cima da Biblioteca Nacional para que se perca o rastro deste infeliz ser humano!
Há ironia com um título como "Talento Local". Mais quando se junta o pastor protestante estrela roque do Senhor Tiago Guillul no prefácio - um bom livro de um escritor de Domingo tem sempre alguém da paróquia para prefaciar! E ainda mais quando o autor de bd sérvio Aleksandar Zograf se junta para uma bd a meias (inédita).
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quarto volume da Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines.
80p. 15 x 21 cm
500 exemplares
ISBN: 978-989-8363-08-4
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PVP: 5€ (50% desconto para sócios, lojas e jornalistas) à venda no sítio da Chili Com Carne. Brevemente na CDGO.com e Fábrica Features
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Historial: lançado na 17ª Feira Laica (Dez'10) ...
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Feedback: é fixe rever alguns conceitos famosos dos 90’s: em Londres é que se faz teatro Rafael Gouveia ...


exemplos de bd's:

originalmente publicadas no Inside (1998), Cru (1999), Stereoscomic (2001) e Milk+Wodka (2003)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Artistas que deveriam ter estado em Beslan


Dresden Dolls (8ft.; 2003)
Mofo : The Atari Punks on Dope (Metrodiscos; 2004)
Um reflexo da 3ª Guerra Mundial - o massacre na escola de Beslam em 2004 - mas que invés de atingir pessoas armadas em artistas foi liquidar 300 inocentes crianças. Porque não estavam lá os Dresden Dolls ou os Mofo a apanhar os balázios?
Os primeiros são uns norte-americanos feios que tem estado no pico do movimento Dark Cabaret - estilo de música que cruza o cabaret / burlesco com a rudez Punk ou o obscurantismo Gótico. Bem podem tentar passar por pessoas inteligentes mas não devem saber comer com uma faca e garfo, em compensação sabem compor bem com piano e bateria com a poesia urbana bem recitada por Amanda Palmer em "template" Siouxsie Sioux - mas a Sioux é quase um "template" para qualquer banda Rock com uma vocalista, diga-se. Graças a uma qualidade orelhuda Pop da banda que letras terrivelmente vulgares passam despercebidas, como a da canção "The Jeep Song" em que a tipa canta: everywhere I look I see / your '96 Jeep Cherokee.
Pelos vistos este ano a Feira Laica foi má de discos. Os Dresden peguei porque conhecia uma música deles numa compilação que até pareciam ser interessantes. Os Mofo tudo o que ouvi deles (versões em compilações da Raging Planet) era uma valente bosta de vaca. Custava um Euro na "loja" da Segunda Mão da Feira e esperava pelo menos encontrar uma faixa boa no meio do esterco - isto acontece muitas vezes isto em discos manhosos ou de bandas de Rock Industrial - mas não encontrei mesmo nada...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Manchete do dia:


Miguel Martinez de Mexico : Les Mariachis (Discophiles Français; 19__)

A culpa é do Rudolfo... o puto foi a Madrid e achou piada oferecer-me um disco comprado a 1 eur de Mariachis... Que parvito! Que queridito! E ainda por cima riscado! Claro que a cavalo dado: tudo na veia! 
Começei a ouvir o disco, um "sexy 10 polegadas" (admito algum fetiche por este tipo de disco vinil, não é desconfortável como os LP's e têm mais tempo de música que os singles), que destila huapangos, sons, corridos e rancheras de cortar o coração como uma faca aquecida corta manteiga em fatias. Um mimo para se ouvir no inverno em casa enquanto se desenha. Melhor que isto só mesmo uma jenka
Nesta altura em que anda tudo loco com o filme Machete não podia ser melhor. Por falar nisso, porque no raio do filme não há uma única música dos Brujeria!? É a única falha do filme ! Uma grande falha! Knives are cool again!
Ah! E gracias Rudolfen!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tão amigos que eles eram...


primeira prancha "original" e segunda prancha acabada da bd para um zine espanhol no âmbito da CCC Freak Tour.
O "portugñol" é uma desculpa divertida para suavizar a violência e o absurdo da situação.
último exemplar do Combate (título do zine!) está à venda aqui

Este disco vale um milhão de libras!!!


KLF : Justified & Ancient (KLF Communications; 1991)

Foi a banda "Pop/Rock" que mais danos fez e ninguém lhes dá importância. Todos ficam contentes em saber nos golpes dos Sex Pistols mas os KLF foram piores Situacionistas que os Punks. Fizeram música mais ou menos xunga, enriqueceram com vendas de singles nos Tops mundiais e enterraram a sua carreira, primeiro contratando os Extreme Noise Terror nos prémios Brit para fazerem uma versão Grind do sucesso 3A.M. Eternal, depois proibindo a edição do seu material e por fim queimando um milhão de libras ganho das vendas (e impostos deduzidos).
Cada vez que encontro um disco deles penso que poderei estar de frente a uma raridade porque como escrevi eles proíbiram a edição de mais discos seus mas... como também escrevi, venderam como nem ginjas na sua curta carreira por isso há a pontapé discos deles.
A música é House, a primeira geração de música de dança a invadir os Tops - juntamente com os Technotronic, Snap e outras trampas comerciais que apesar de tudo tem um patine de inocência e carisma comparando com o asco que se transformou a produção posterior de Música de Dança. Os KLF são da altura que samplar era um problema, e foram os primeiros a fazer mash-ups e a cunhar o Chill Out, isto a favor deles. Depois podemos achar que estamos perante o fim da civilização pois a música tem o seu quê de piroso apesar de ter layers de samplagem marada: ritmos africanos, guitarra country, sons de multidão, "rapadas" manhosas, palavras de ordem herméticas - que se deviam ao fascínio da obra de Robert Anton Wilson (1932-2007) -, efeitos sonoros ingénuos, autofagia referencial (aos Timelords e JAMM's, projectos anteriores) e tudo do pior que se pode imaginar. A mistura não deixa de ser extraordinária e fascinante apesar de tudo. Não creio que os KLF odiassem a sua música fatela que fácilmente chegou aos topos de vendas. Sabiam que para continuarem a serem "terrorartistas" teriam de voltar a ter pouco dinheiro caso contrário ficariam confortáveis e estagnados como os punks... Se assim não fosse não poderiam ter cuspido na Arte Contemporânea como fizeram ao criarem a Foundation K e o seu prémio para a pior Artista do Ano.
Por isso, cada disco deles deve ser recuperado não como uma forma de coleccionismo bacoco nem como forma de especulação económica e-bay. Pela música talvez, se quiserem mas sobretudo para terem em posse uma peça de Arte Contemporânea tal como uma serigrafia do Warhol ou uma lata Merda de Artista.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Apodrecendo no planeta Terra...




A ida ao Hei joe deu nisto: um CD de 56 minutos "dronistas" (desculpem, queria dizer e-drugistas) e psicadélicos (inevitávelmente) cuja a figura de proa é nada mais nada menos o Sonic Boom (Spacemen 3, Spectrum) acompanhado por outros cromos: Kevin Martin (na altura God, mais tarde Techno Animal, hoje The Bug - o artista da década!), Kevin Shields (My Bloody Valentine) e Eddie Prevost (dos seminais A.M.M.).
De alguma forma estamos naquilo que se convencionou chamar o "som do espaço" - mesmo quando sabemos que no Espaço não há som - ou seja, neste caso o modus operandi é o uso de orgãos e feedbacks de guitarras a emularem um futuro cósmico inventado pelos chips torturados da banda sonora do filme Forbidden Planet (1956) num Eterno Retorno fajuto nas suas quatro faixas que variam entre os 7 e os 20 minutos. Mas não damos por elas nem queremos saber se tem uma ordem porque ficamos hipnotizados a ouvir esta porra - com drogitas aposto que deve ser um mimo, deve mesmo dar vontade de morrer numa overdose-eutanásia-simpática com o cerebelo a sair no corpinho e a expandir-se pró grande-irmão-universo-deus-blá-blá. Um bófia marciano isola o local do sinistro e diz para o público curioso: "vão se embora, não há aqui nada para ver!"

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ai agora é que vai doer!?

Foi com demasiadas (agora sei) expectativas que fui ao lançamento da revista Chicote para chegar à conclusão que vai continuar a não haver nada nas bancas para comprar / ler - por isso, amigos, nunca se esqueçam do vosso livro (ou revista estrangeira) antes de sair de casa para ler na vossa rotina pendular de transportes públicos ou na vossa mais ou menos extraordinária viagem de avião!
Ainda recentemente queixava-me que a Cultura Beta tinha ganho a Capital, pois agora ganharam mais um orgão de informação, como se não bastasse a ausência de espírito crítico do "retro-chic" da Umbigo e das novas tendências da Dif e da Parq. É verdade que alguns textos do Chicote são de longe melhores que as futilidades "peter pan" das outras publicações referidas mas em algumas situações usa as mesmas convencionais "armas de desilução maciça" (tipas semi-nuas como desculpa para as ejaculações comerciais precoces) ou as mesmas incompetências comunicacionais de todas as publicações portuguesas. Graficamente é uma pálida imitação da Exit (revista inglesa) com os erros à portuguesa: páginas com camadas uniformes de texto, as ilustrações são inexistentes para não dizer más - só existem duas, uma do Pedro Zamith (nada de anormal no seu trabalho) e outra de uma tipa qualquer sem jeitinho nenhum coitadinha, ainda podemos dizer que há ilustração na revista?
Parece uma revista para betos que se querem deprimir. Os textos são na essência pré e pró apocalípticos, ou melhor, são realistas: são tratadas questões da crise económica, tecnológica e energética em paradoxo ao "glam" de uma revista "glossy". Poderão sugerir que estamos perante uma "maçã envenenada", uma revista "iluminada" disfarçada de cultura mainstream. Um beto estúpido pega na coisa pelas mamas das tipas amarradas e apanha com um artigo a dizer de que estamos bem fodidos para sempre. Podia ser giro se conseguisse pensar que existe essa estratégia mas não me parece... Se houver, terá de ser mais refinada e sofisticada, e estar a dois passos à frente de tudo!
Se o director da revista, António Cerveira Pinto, em tempos foi considerado como o crítico/ comissário enfant terrible, agora talvez seja apenas um velho terrível porque fez um péssimo trabalho e nada aprendeu sobre ética jornalística. É natural que todo o grupo organizado - esta revista está incluída numa pretensa comunidade artística, a Smart Gallery, do qual é mentor - crie os seus orgãos de publicidade e/ou propaganda. O ridículo é quando se crítica os outros (a sociedade e as suas conspirações - artigo sobre a seita Meditação Transcendental) e se faz o mesmo erro. Neste número Zamith é ilustrador do editorial e é difundido uma exposição sua na Smart Gallery em destaque na agenda cultural; o mesmo se passa com o grupo de designers da revista que tem direito a um longo artigo a elogiá-los - bem precisam pela mediocridade do seu trabalho demonstrada na própria publicação, diga-se... Não há problema que façam estas manobras de auto-promoção mas que o assumam de início de forma explícita e não dessimulada ou envergonhada tão típica da maneira dos portugueses. Ou então que o façam de forma imaginativa...
A Chicote diz-se que trata de «arquitectura, artes visuais, cinema, design, escrita, fotografia, ilustração, moda, meios interactivos, rádio, música, performance, teatro, vídeo, ecologia e indústrias criativas» mas quase nada disto existe nas suas páginas, e em alguns casos é de um conservadorismo atroz como a secção de música, que é de vomitar a medula. Mais, escreve-se algures nos sites da Missão da revista: «Promove o cosmopolitismo cultural, estimula a criatividade, defende as indústrias criativas, promove a internacionalização dos autores e marcas culturais, dissemina as boas práticas criativas, contribui para a formação de públicos urbanos exigentes.», uma piada mal contada nunca está só... cada item desta lista daria para fazer um "post" mas não há tempo para isso, tenho em mãos vários números da Mollusk que dará para 20 viagens de Metro versus a duas do Chicote, realmente, tenho mais que fazer...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Lost & Found music Department


bd a meias - quer dizer, o Andreas Michalke fez muito mais que metade, ou melhor, eu fiz muito menos que metade - sobre discos... Discos que Andreas comprou na sua estadia em Portugal com a redacção do jornal alemão Jungle World - onde foi publicada a bd - e discos que arranjei durante a CCC Freak Tour.
+ infos aqui.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

morreu o gajo que fez uma bd que deu nome a uma banda do Albini!


Shintaro Miyawaki (1942/43-2010) - informações aqui

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Suomi Singles (2)

Ainda há pouco tempo falava que a Onião Faz a força já os finlandeses sabiam disso há bués!!! Seis editoras que editavam estes singles distribuiam entre eles as suas edições na melhor marketing colaborativo possível.
Kuusi Plentä Kustantajaa (essa "joint-venture") é representado num logotipo com seis figuras humanas, e cada vez que aparece na capa de um disco é colocado um número no centro da figura para identicar qual é a editora naquele grupo. Pelos vistos a Verdura era o número 5 e era mais dada ao psicadelismo pelo que percebi pelo catálogo e ouvindo o Tirez sur le musicien (2001) de Hinageshi Bondage, um noiser finlandês que desenvolve neste single um drone e um ambiente opressor pós-industrial, dividido em duas partes (os dois lados do disco).


EP's de vinis de 7" com montes de faixas não é coisa impossível sobretudo se forem com bandas Grindcore mas não é o que acontece com Shit Hits Volyme One (E Records; 1996) em que encontramos 7 bandas mas só uma ou duas é do Grind: Autumnfire, Irstas, Fuckathon, Obfuscation (primeira banda de um dos gajos dos Circle), Plan E, Belial e Anonymus. De resto, há Grunge, Crust e música psicadélica semi-experimental movida a sintetizadores como os finlandeses gostam. Em poucos minutos entramos em vários mundos mal-gravados - muitas das faixas eram de demo-tapes, e naqueles dias não havia os genocídios de erros via pro-tools e PC's. Soa a quente mesmo vinda das fiordes.

(pois, a capa não é esta mas como isto já é velhinho não há muitos registos na 'net para sacar; e o disco tem mesmo "volyme" escrito e não "volume"...)

Resta dizer que o tal "marketing participativo" funcionava tanto que passado quase 15 anos, arranjei estes belos discos, que ainda poderão ser pedidos - posso servir de intermediário sem problemas!

domingo, 10 de outubro de 2010

Suomi Singles (1)

O Tommi Musturi esteve em Madrid o ano passado e... vergonha! Deu-me vários singles que lançou antes da sua editora Boing Being se dedicar exclusivamente à bd. Andei a chatear-lhe durante meses e só passado um ano e um mês é que faço aqui um apanhado do material - esta é a vergonha!!! É rídiculo mas o que posso fazer!? Singles e EP's são irritantes de ouvir porque um gajo tem de se levantar de 4 em 4 minutos - com sorte! - para mudar de lado.


Enquanto por cá andava-se em Indíos deprimidos com as Beekeepers e afins, na Finlândia com menos sol tinham mais energia fazendo uma misturada de Garage, Punk, Grunge, Hardcore e Pop/Rock, em temas curtos que tanto devem à tradição do Hardcore finlandês criado pelos Terveet Kädet.
Os Mouth Odour na sua estreia homónima e da editora (1995) mostram essa mistura sem problemas num belo vinil verde repugnante - e já agora etiqueta cor-de-rosa choque, o que demostra que o (ab)uso de cores fortes tem sido uma constante no trabalho gráfico do Tommi. Refrigerator (1997) é uma continuação de trabalho: punk que se disfarça em Pop para montar Hardcore melódico enquanto se quebra em Prog de segundos - quase a lembrar os Atheist. Algures na capa do disco aparecem uma fórmulas matemáticas que nos deixam na dúvida o que temos aqui é Punk Politécnico!? Deixam-nos a boca aberta e a cheirar mal dela. Bom! Já os Blubberheads com Traumance (1996) é mais Hardcore e é também mais linear que os Mouth Odour, resta-lhes energia de sobra para sentir-se algum respeito.


Estas bandas repetem-se no EP Boogaboo-Baboon-Bang! (1996) que ainda junta os Luxury Spit e os Fridge. Os últimos são meio freaks e indies, Pop da amargura que lembra Portugal que se criticou no 2º parágrafo, esquece! Cada banda tem direito a dois temas, o segundo dos Luxury Spit é o que sobresai com o seu Riff viciante. A capa é do Musturi que também fazia o design de todas estas edições. É um Musturi jovem, com 20 anos, muito influenciado pelos efeitos psicadélicos underground mas com a minúcia que há de ser reconhecido no futuro.

In-Walked Blank e Songs that time forgot (1997) não temos canções mas sim instrumentais de Rock musculado - tipo Lobster, por exemplo. Dentro do espectro mais artsy ainda temos o split Warser Gate / Can Can Heads (1999), os primeiros são Noise Rock - não muito primata - e os segundos Post-Rock - não muito calmos. Nada a declarar...

Chegamos à secção "Trash Rock'n'rolla" com os The Brats e o seu Night of the Gorilla (1998). A voz faz lembrar a do Glenn Danzig, talvez daí a capa de "comic-book" série B de uma bd inglesa de 1967, ano que provavelmente a banda preferia estar como outras mil bandas "garageiras" que pupulam pelo planeta. Estavam em 1998 e não eram os únicos a entrar no revivalismo. Agora estamos em 2010, continua haver demasiada banda assim e não há volta a dar. Pode ser que quando inventarem uma máquina do tempo possamos despejar toda essa gente na década de 60. Seria maravilhoso...

Kapteeni Perkele - que quer dizer Capitão Diabo, creio... - com o EP Oihreita (1998) cantam em finlandês com o power do power-trio (se me permitirem a redudância). Guitarras e ritmo punkrolheiro a partir e talvez por isso que estamos a ouvir basco ou japonês - até parece uma banda "punk biesta" espanhola... Talvez a prova material que os artistas finlandeses fizeram um pacto com o Diabo e tudo o que fazem se não for criativo pelo menos é poderoso. Aqui não há xoninhas!